quinta-feira, 19 de maio de 2011

Tão perto e tão longe 3º capitulo

Inevitável





“É inevitável não me apaixonar por você.
É inevitável não olhá-lo nos olhos e dizer que te amo verdadeiramente,
Dizer que você é o meu mundo,
O meu chão, o meu tudo.
Então porque não consigo dizer?
Porque não consigo dizer que você é o meu ar?
Por favor, me ame com a mesma intensidade...”
Versão da Bella:



Era como se eu estivesse presa em um daqueles ciclos malignos, que me mostrava o quando a minha vida não valia absolutamente nada. Aquilo tudo me torturava, fechar os olhos era tudo o que eu mais temia fazer. As lembranças eram reais demais, intensas demais.
Uma lágrima rolou pelo meu rosto, me fazendo passar a mão rapidamente pelo local, tentando evitar que alguém me visse daquele jeito.
Jane estava realmente tentando. Ficava comigo em todas as horas, tentava conversar, mas as palavras simplesmente não saiam da minha boca. Era como se quando eu falasse – o que não aconteceu – a realidade finalmente me bateria, me levando para o meu mundo escuro.
Nunca pensei que depois de muito tempo – depois de muito sofrer – eu me tornaria uma pessoa masoquista.
No fundo, eu queria sentir dor, era a única forma de me fazer entender que era minha culpa.
Eu poderia ter salvado a vida da mulher que me trousse ao mundo. Mas, simplesmente, eu a vi morrer, sem ao menos, fazer nada.
Ela estava tão pálida, tão fria e sem vida. Não parecia a mulher forte que ela sempre fora. Aquela que eu simplesmente fingia não existir, aquela que nunca ligou para os meus sentimentos, ou simplesmente, me dizer alguma coisa que me reconfortasse.
Ou me abraçasse quando eu acordava chorando nas noites frias, quando os pesadelos me assombravam.
Que eu me lembre minha mãe nunca me abraçou, ou me deu um beijo. O que simplesmente nunca fazia sentido, o que sempre me assombrou era: Por quê?
_ Olha, sei que você não está com fome e tudo mais. Mas, eu te peço: coma alguma coisa. Você vai acabar ficando doente, e isso eu não vou suportar. – disse Jane entrando no quarto com uma bandeja grande demais em seus braços.
Fazer a minha melhor amiga sofrer era uma das coisas que me torturava. Justo ela, a garotinha de lindos olhos, aquela que sempre foi à única que falava comigo na primeira série.
_ Tudo bem... – escutei a minha voz depois de muito tempo. Era como se tudo em minha estivesse morrido com meus pais, até a minha voz estava diferente. Soava fraca e sem vida, como se eu estivesse implorando pela morte já morrendo. _ Não fique brava comigo, Loirinha. Eu prometo fazer o que você quiser mais, por favor, não fique chateada comigo. – implorei, me levantando da cama e andando até Jane que estava perto da janela, ela olhava o horizonte, aparentemente, distraída. Eu podia ver pelo reflexo do vidro da janela o quando ela estava triste com tudo aquilo. Jane sofria comigo, enquanto, eu me trancava em meu próprio mundo de lamentação.
_ Só se você jurar que vai voltar a se a minha melhor amiga. – disse Jane, se virando para me fitar e colocando os seus olhos nos meus. _ Porque definitivamente esta não é você... – ela balançou a cabeça enquanto pronunciava as palavras lentamente, como se estivesse falando com uma criança de dois anos.
_ Claro que prometo! – afirmei, andando até a minha melhor amiga e a abraçando com força. _ Desculpa por ser uma péssima amiga.
_ Você não é. – disse ela, afogando os meus cabelos. Depois de alguns minutos, Jane afastou seu rosto, me olhando com intensidade, procurando qualquer vestígio da minha depressão. Depois de procurar, um sorriso satisfeito nasceu nos lábios de Jane. _ Senti a sua falta... – a dor dela era óbvia demais em sua voz. _ Era como se o seu corpo estivesse aqui, mas a sua alma não.
_ Eu sei. – murmurei me desculpando. _ Prometo não deixar a minha tristeza me afastar de você, novamente.
_ Ótimo. – algo no sorriso de Jane me deixou desconfiada, me fazendo ter completamente certeza que ela estava me escondendo algo.
_ Jane o que você está escondendo da sua melhor amiga?
_ Nada. – disse Jane, fazendo aquela carinha de inocente que eu conhecia muito bem. A sua expressão me dizia que ela estava sendo sincera, mas os seus olhos diziam uma coisa bem diferente.
_ Vamos Jane, me conte. – ordenei, me afastando um pouco dela e a fazendo estremecer. Naquele momento, eu finalmente voltava a ser a mesma Bella de antes, a mesma que sempre desconfiada das coisas que Jane aprontava. Eu estava retornando á vida, voltando para o centro da Terra.
_ Tudo bem, eu te contar... – ela começou, pegando a minha mãe e me conduzindo até a cama. _ O tutor que vai cuidar de você está lá embaixo, e disse que queria te conhecer... Eu acho. – ela parecia confusa com alguma coisa. Imaginei o velho asqueroso que iria destruir a minha vida, me fazendo ser quem eu não era.
_ Tudo bem, não pode ser tão ruim assim. – tentei me convencer, passando minhas mãos inúmeras vezes pela minha testa.
_ É melhor irmos... – começou Jane, mas então eu disse:
_ Vai você primeiro, daqui a pouco eu vou.
Jane saiu do quarto rapidamente, como se ainda estivesse me escondendo algo.
Ok, não poderia ser tão ruim. Deveria ser um velho de uns oitenta anos, eu iria dobrá-lo facilmente.
Enchi-me de coragem e sai do quarto, andando pelo enorme corredor, indo para o andar de baixo.
Quando eu cheguei ao topo da escada, vi um homem de aproximadamente vinte anos.
Ele parecia distraído com alguma coisa, e eu acompanhei o seu olhar. Ele olhava para o retrato de meu pai que estava na parede.
Eu não consegui ver nitidamente o homem, eu estava longe demais para isso.
No mesmo instante, o homem virou o rosto e encontrou o meu olhar. Naquele momento o meu mundo parou.
Era como se o chão simplesmente tivesse sido arrancado de meus pés, como se o ar simplesmente não existisse mais. O meu coração disparou, e tudo a minha volta já não importava mais.
Não sabia o que estava sentindo, mas era forte demais para explicar. Era como se eu estivesse encontrado a parte de mim que faltava que eu, simplesmente, pensei não existir.
_ Isabella... – os lábios dele sussurram.
Como se aquilo estivesse me tirado do transe, comecei a descer a escada, lentamente. Sem ao menos, tirar os meus olhos daqueles olhos verdes.
_ Você não parece um velho de oitenta anos. – pensei alto, quando cheguei bem próximo dele, quando nossos rostos estavam apenas alguns centímetros de distancia.
_ Acho que não. – disse ele, abrindo um sorriso que me fez esquecer de tudo.
Por mais que eu lutasse contra aqui que estava dentro do meu peito, eu sabia. Era inevitável não me apaixonar por aquele homem, e pior, eu já estava perdidamente apaixonada por ele.
_ Quem é você? – disse tentando colocar os meus pensamentos em ordem.
_ Edward Cullen. – respondeu ele, pegando a minha mão e depositando um beijo doce na mesma.
Olhei ao redor, tentando encontrar alguma pessoa familiar ali, mas eu estava sozinha com aquele deus de cabelos cor de bronze, e não me importava nenhum pouco.
Quando meus olhos voltaram para o rosto de anjo de Edward, seus olhos estavam me encarando com tal maneira que eu quis me afundar neles. Automaticamente, olhei para seus lábios rosados, e quis beijá-los como eu nunca beijei antes. Eu os queria apenas para mim, pra sempre.
Encurtei os poucos centímetros de distancias de nossos rostos, olhando cada detalhe daquele rosto. Seus olhos, seus traços, seus lábios, eram a personificação da perfeição.
Então, com um grande impulso, o beijei.
Achei que ele fosse me afastar e disser que eu era apenas uma criança, mas não. Ele correspondeu o beijo, me devorando e eu a ele.
Sua língua acariciava a minha com carinho e desejo, enquanto ele explorava a minha boca.
Suas mãos macias foram para a minha cintura, me puxando mais para ele. Os seus braços fortes estavam a minha volta, mas eu queria mais, muito mais.
O seu cheiro me viciava, era como uma droga para mim. Viciando-me, me deixando completamente dependente dele. Apenas dele.
O mundo não existia mais, era apenas nos dois. Edward apertou mais o meu corpo contra o dele, me fazendo ter sensações nunca vividas antes.


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