quinta-feira, 19 de maio de 2011

Tão perto e tão longe







Por: Layra
Tão perto e tão longe












 








Tão perto e tão longe

Acontecimento

“ As mudanças na vida são inevitáveis. Não se pode compreender o porquê ou a razão, mais terá que aceitá-las.”

Olhei para o pequeno quarto que estava a minha frente. Ele não era nem de menos parecido com o quarto que eu tinha em Los Angeles.
Meus pais me fizeram mudar de cidade e isso acabou comigo completamente. Aquela cidade era uma chatice, não tinha nada interessante.
Os garotos eram novos demais, e os homens eram velhos demais.
Não que eu realmente me importava com esse tipo de coisa, mais eu realmente não tinha mais nada para fazer, além de ficar olhando para o této.
Eu sempre fui uma garota que amava viver a vida, e nunca me importei com dinheiro. Mais bem, que nos tempos de hoje ele é importante.
Mais não é a coisa mais importante, realmente. O que importa mesmo é ser realmente, plenamente, feliz.
Aproveitar cada segundo, porque depois que ele se passa, não tem mais como voltar.
Nunca me entendi muito bem com os meus pais. Como eles mesmos diziam: eu era uma garota muito problemática. Como se isso realmente me importasse.
Os meus pais nunca estiveram realmente comigo, nem agora, e nem na minha infância.
Eles sempre estavam viajando e curtindo a vida. Se você pensa que eles viajavam apenas pelos negócios da família, sinto lhe dizer, mais você está completamente enganado.
Eles viajam e me deixavam completamente sozinha. No começo, confesso, sempre fiquei muito triste por eles nunca estarem comigo. Eu passava dias chorando pela ausência deles. Mais até que um dia, eu realmente me cansei, resolvi viver a vida. Viver sem pensar nas coisas que realmente me machucavam.
Se eles realmente não me amavam, isso era problema deles. Eu não choraria mais pela falta deles.
A minha sorte nessa vida, era que eu tinha amigos verdadeiros. Aquelas amizades que durariam para sempre. Mais agora, eles estavam me tirando isso, também.
E o pior, era saber que eu não podia fazer nada. Eu estava presa a eles, mais isso não duraria para sempre, eu já estava bem grandinha.
_ Então, o que achou? – minha mãe me perguntou entrando no pequeno quarto. Os seus olhos brilhavam de felicidade. _ Não é lindo?
_Prefiro a nossa antiga casa. – entrei no quarto. Nunca fui uma pessoa que mentia pelas costas. Sempre fui muito direta e meus pais não gostavam nada desse meu jeito.
Eles queriam que eu sorrisse e dissesse que estava muito feliz, mais eu não diria isso, porque não era a verdade.
Minha mãe olhou para mim. Os seus olhos não estavam mais felizes como antes. Eles estavam cheios de raiva e magoa. Minha mãe sempre fazia isso, nunca me deixava livre de qualquer culpa.
Ela me olhou como se eu a tivesse realmente a magoando, mais eu sabia, que ela não estava realmente magoada. A minha opinião não importava de fato, nem para ela, e nem para o meu pai.
Depois de alguns minutos, minha mãe voltou a sorrir e andou pelo quarto. Ela sorria alegremente.
_ Fico muito feliz que tenha gostado. – disse ela abrindo os braços e girando o seu corpo. Os seus cabelos praticamente voaram e, depois de algum tempo, ela finalmente se jogou na cama.
Sua respiração estava ofegante e, ela fechava os olhos quando respirava.
Andei até a janela, que agora, estava completamente aberta. Coloquei a minha bolsa, que estava em meus ombros, na mesa branca de madeira.
Cheguei mais perto da janela. Aquele lugar não era realmente feito. Eu no fundo, estava feliz de estar ali, não pelos meus pais, ou pela casa nova, mais pela bela floresta a minha frente.
O lugar realmente era muito bonito. Tinha grandes árvores e muitas plantas, que eu realmente nem sabia como se chamavam. O verde dali, concerteza era o mais belo.
Aquele verde me fazia lembrar dos lindos olhos de Jane. Ela era a que me fazia sentir mais falta. Nós sempre fomos como irmãs. Aonde uma ia a outra seguia.
Meus pais nunca gostaram de Jane, eles diziam que ela era uma má influencia para mim. Na verdade, o problema não era esse. Eles não gostavam dela, porque ela não era rica. Ela era apenas a filha da nossa empregada.
Mais não era verdade. Ela era uma pessoa muito especial na minha vida. Ela sempre esteve comigo, nas horas boas e nas horas más.
E isso sim era ser uma amiga de verdade. Tentei não pensar na falta que aquela loirinha me fazia.
Já doía demais estar em uma cidade completamente desconhecida, eu não podia me lembrar das pessoas que ficaram para trás. Mais se eu não me lembrasse. O que eu faria?
Não podia esquecer elas, nunca esqueceria.
_ Vou deixá-la sozinha. –  murmurou minha mãe se levantando da cama. Ela andou em direção a porta, mais parou de repente, e se virou para mim. _ Não esqueça de desfazer as malas.
_ Tudo bem. – respondi voltando os meus olhos para a floresta.
Escutei os passos pesados da minha mãe no piso de madeira. Era um barulho abafado e muito forte.
Seria muito difícil me acostumar com aquilo tudo, mais eu realmente teria que tentar.
Andei até a porta escura de madeira, fechei a porta e girei a chave completamente. Eu sabia o que viria a seguir.
Os meus pais começaram a discutir. Os gritos abafados pela casa de madeira.
Era sempre a mesma coisa, meu pai não estava satisfeito com a casa, minha mãe sempre dizendo que poderia fazer algumas reformas básicas para melhorar a situação.
Pensando racionalmente, até que seria realmente muito bom fazer uma reforma. Mais as reformas que minha mãe fazia demoravam demais, e isso fazia o meu pai ficar completamente nervoso, mais do que já estava.
Mais no final, eu sabia quem venceria aquela briga. Meu pai ficava farto de brigar, e batia na minha mãe, sempre a mesma coisa.
Você deve estar se perguntando por que eu não faço nada, mais eu falo por que. Sempre que eu me metia nessa história acaba sendo eu a mais prejudicada. Eles olhavam para mim, com os seus olhos cheios de raiva e brigavam comigo.
Eu não era burra, não me meteria naquilo tudo, novamente.
Os gritos começaram a ficar cada vez mais altos. Eu sempre tive um medo incontrolável de meu pai. Nunca conversamos realmente, ele apenas fazia algumas perguntas e, eu como uma boa filha, respondia educadamente, depois tudo ficava completamente silencioso.
Escutei um barulho mais agudo, era como se estivesse quebrado um vidro, ou algo assim.
Andei até a cama de casal, que não ficava muito longe da janela. Me deitei, lentamente, fechando os olhos.
Minha mãe não voltaria para ver se tudo estava bem, em perfeita ordem, então, eu não precisava arrumar as coisas agora.
Abri os meus olhos, e levantei a minha cabeça, observando cada pedaço do quarto.
Era um quarto que tinha paredes escuras, e no teto, era um pouco mais claro. Os moveis eram todos brancos: Cama, guarda-roupa, escrivaninha, penteadeira.
A janela e a porta eram de madeira pura, completamente escura.
Não tinha nada de adolescente no quarto. Era mais como: estou completamente cansada dessas coisas impuras do mundo.
Minha mãe sempre gostou de coisas antigas, e pensava que eu era como ela.
No quarto não tinha nada que me ligasse ao mundo. Nem TV e nem computador, muito menos, um radio.
A minha sorte, foi que eu já tinha pensado nisso, foi por isso mesmo, que eu trousse um computador de mão, bem pequeno e um MP4.
Sentei-me na cama, e estiquei a minha mão para pegar a minha bolsa. Consegui pegar a minha bolsa, e pequei dentro da primeira repartição o meu MP4.
Coloquei os fones nos meus ouvidos e voltei a me deitar, novamente.
Sempre que eu escutava musica, o sono me tomava completamente. Fechei os olhos e me virei de lado, na direção da porta.
Não demorou muito, eu já estava completamente calma, a minha respiração lenta, depois disso eu já tinha mergulhado na inconsciência.
Um barulho forte me fez pular da cama. Eu estava completamente assustada, então, olhei para os lados, a procura de algum perigo.
O quarto estava completamente escuro, tentei acalmar os meus nervos. Respirei algumas vezes, e olhei para a janela.
Tinha um lance de luz muito forte emanando da janela, isso me fez levantar e ver o que era.
Minha mãe estava entrando no seu carro prata, rapidamente. Tinham algumas malas em suas mãos. Pude ver as lágrimas escorrerem pelo seu rosto branco.
Mesmo eu nunca tendo uma relação de mãe e filha com a minha mãe, ainda me preocupava muito com ela.
Afinal, foi ela quem tinha me dado à vida, mesmo ela realmente não querendo, mais tinha sido ela.
Minha mãe não queria ter filhos, mais eu pai insistia tanto, que um dia minha mãe acabou aceitando.
_ Volte, aqui! – gritou o meu pai saindo da casa rapidamente.
Ele andava meio mole, era como se estivesse bêbado e, bem, estava de fato.
Ele tinha uma garrafa de uísque em sua mão direita, e na outra, ele tinha uma faca.
O pânico me tomou, ele estava andando em direção a minha mãe, e ela estava completamente apavorada, eu podia ver em seus olhos, mesmo de longe.
Corri o mais rápido que pude, o mais rápido que meus pés agüentavam.
Corri pela casa rapidamente, descendo as escadas em dois em dois, tentando ignorar a dor no meu peito,  causada pelo esforço.
Quando cheguei finalmente onde os meus pais estavam, o  meu coração parecia que iria sair pela boca, literalmente.
Minha mãe estava dentro do seu carro, meu pai batinha fortemente no vidro. Ela tentava fazer o seu carro pegar, mais ele não simplesmente não estava ligando.
Andei até o carro da minha mãe, e meu pai me olhou com os seus olhos cheios de raiva, por algum motivo, aquilo me doeu muito, não era como as outras vezes, quando eu fingia não perceber.
_Saia daí! – gritou o meu pai. Ele me empurrou com força, e me fez cair no chão fortemente.
Senti os meus braços começarem a arder, olhei para eles apavorada, escoria sangue pelos ferimentos recém abertos.
Senti algo gelado em meu rosto, e quando abri os olhos, vi que estava começando a chover fortemente.
Olhei para o céu, ele estava tão negro, não era normal estar tão escuro daquele jeito.
Eu não tinha percebido que estava tão frio, deveria ser pela adrenalina que corria em minhas veias, anteriormente.
Me levantei, ainda meio mole, pelos ferimentos e olhei para o meu pai. Ele estava me olhando com pena, mais aquilo só durou um segundo, depois disso ele voltou a bater no vidro do carro.
Me aproximei do carro e olhei para a minha mãe. As lágrimas escorriam ferozmente pelo seu rosto.
Ela me olhou por um segundo, depois, fez um sinal para eu entrar no carro.
_ Ande logo, ! – ordenou rapidamente. _ Estamos voltando para casa! – completou.
Entrei no carro rapidamente, e meu pai tentou entrar também, mais não conseguiu.
Minha mãe ligou o carro, e deixamos  o meu pai para trás.
_ O que está acontecendo, mãe?
_Não me pergunte nada. –sussurrou ela olhando para o retrovisor. _ Não queria voltar para casa? É isso que estamos fazendo.
_ Uma horas dessas? – perguntei rapidamente. _ É melhor voltar. – olhei para trás. _ Papai, deve estar preocupado.
_Não, ele não está. Ele nos trocou por outra família. – disse minha mãe entre soluços. _ É por isso que estamos aqui, ele quer que agente saia do caminho.
_Mais...
_Não fale mais nada, !  – ordenou ela somente.
Eu não falei mais nada, não queria mais machucar a minha mãe. Eu podia ver a grande tristeza em seus olhos, pelo retrovisor do carro.
Mais eu realmente não conseguia entender, meu pai tinha outra família? Como? Por quê?
Ele sempre esteve com a minha mãe, ela nunca saiu de perto dele. Mais aquilo fazia completamente sentido.
_Droga! – minha mãe gritou, batendo as mãos no volante. Os seus olhos estavam apavorados, agora. Olhei para trás, tentando ver o que minha mãe via.
Tinha um carro preto nos seguindo de perto, pude ver o meu pai dentro dele.
Minha mãe estava olhando para trás e não percebeu quando um caminhão entrou na frente do carro.
_Mãe! – gritei apavorada, fazendo minha mãe olhar para frente.
Mais tinha sido tarde demais. Uma luz muito forte atingiu os meus olhos, e então, tudo ficou completamente preto.
Uma dor forte me atingiu rapidamente, e eu não consegui mais abrir os meus olhos, eu estava completamente no escuro.
Eu continuei sentindo a dor. Tentei mexer o meu corpo, mais então, o que não parecia ser possível aconteceu, a dor ficou muito pior.
Ouvi um ruído baixinho, bem longe, distante.
Era mais como um choro, um choro cheio de dor e agonia.
_...... Filha?
Escutei o choro me chamar. Tive vontade de abrir os olhos e ver quem estava chorando e me chamando, mas, eu estava mergulhada na escuridão, estava muito longe da realidade.
Os minutos se passaram. Ou foram horas? Não sei ao certo, mais a dor ainda estava comigo, me impedindo de abrir os meus olhos.
Aos poucos eu fui recobrando a consciência, voltando para a realidade.
Os meus olhos finalmente se abriram e eu vi uma luz muito forte vindo na minha direção. Era uma luz faiscante e muito brilhante. Uma luz que tinha a cor do fogo.
A luz fui se aproximando de mim, então, eu reconheci exatamente o que ela era. Eu estava de cabeça para baixo,  a única coisa que me prendia no carro era o cinto de segurança, e meus olhos acompanhavam o fogo, que já estava muito perto.
Olhei para os lados assustada, quando eu vi a minha mãe, os meus olhos se encheram de lágrimas.
Tinha muito sangue em sua volta, e ainda continuava saindo sangue do ferimento enorme que ela tinha na cabeça.
Os seus olhos estavam fechados e sua pele estava muito pálida, os seus lábios já estavam roxos, ela tinha perdido muito sangue.
Tentei me soltar do cinto que ainda me prendia. Mais ele era muito forte e resistente, minhas forças não valerem em nada.
_Mãe! – gritei, com todas as minhas forças.  
O fogo se alastrou rapidamente, faltava muito pouco para ele chegar até a minha mãe.
Eu me chacoalhava, tentando me soltar. A minha curta vida se passou diante dos meus olhos, me fazendo chorar como um bebê.
Eu não podia deixar a minha mãe morrer. Sei que ela nunca me amou, nunca teve carinho por mim, mais mesmo eu tentando esconder, eu ainda a amava, e não queria que nada a ferisse.
_Mãe! Mãe! Mãe! – gritei. Eu estava completamente apavorada. _ Acorde, mãe!
Minha mãe continuava imóvel, seu rosto estava completamente sem vida alguma. Eu não queria perdê-la, mesmo nunca a tendo realmente.
Parecia que nada mudaria aquela situação. Eu não podia fazer nada, além, de ficar ali. Completamente desesperada.
Um barulho irritante ecoou nos meus ouvidos. Era uma sirene muito alta. Fez-me lembrar dos tempos de criança.
Os soluços e as lágrimas tomavam conta do meu ser, desesperado.
_Tem pessoas lá dentro! – gritou alguém. A voz era grave e rouca.
Eu estava completamente sem forças, eu não conseguia mais manter os meus olhos abertos.
Fechei os meus olhos, e esperei a morte. Eu nunca tive medo da morte realmente. Era uma coisa tão natural, isso acontecia com todos os seres.
Era o fim do ciclo. Tudo que vive um dia tem que morrer, era inevitável.
Eu nunca estive frente a frente com a morte, e mesmo agora, estando tão perto, eu não estava com medo ou apavorada.
Eu apenas esperava por ela calmante, sem temer.
Nada no mundo me faria mais feliz do que a doce e calma morte. Sei que você deve estar pensando que eu sou louca, mais não.
Era apenas uma coisa minha. Uma coisa que vinha de dentro de mim.
Eu não teria como fugir e, eu não tinha mais forças para fugir mesmo, a única coisa que eu tinha que fazer era entender e aceitar. Aceitar que a minha vida tinha acabado, e talvez, se eu tivesse sido uma pessoa realmente boa, iria para um lugar bom. Eu sempre fui muito devota a estas coisas. Nunca tive uma religião de fato, mais sempre acreditei em algo maior.
Acreditei que tudo tem um motivo, e você apenas, pode aceitá-lo.
Você não precisa entender, mas, pode aceitá-lo.
As coisas são o que são, e não podem mudar. Não na minha situação.
O meu corpo começou a dor mais, era como se eu estivesse sendo carregada.
Abri os meus olhos, encontrando um par de olhos cor chocolate.
_ Você vai ficar bem. – sussurrou o homem percebendo o meu olhar.
O rosto do homem desconhecido era lindo. Os seus traços delicados, e o seu rosto sereno.
Apesar, de seus olhos estarem preocupados.
_ Você vai ficar bem. – continuou ele.
Ele me carregava docemente. Às vezes eu gemia de dor e podia ver a preocupação em seus olhos.
As coisas começaram a ficar distantes, eu não consegui ver absolutamente nada. Mais antes de eu pudesse afundar na escuridão realmente, pude ver o carro da minha mãe sendo completamente tomado pelas chamas altas.
 Notas da Autora:

Espero que vocês tenham gostado. Para quem não sabe, essa fic é TEAM Edward.
Beijos amores.

2 comentários:

  1. *O* Esse inicio foi tipo =O
    Caraa ficou legal demais!!

    Meu pai é muito crazy isso sim...a minha mãe morreu?!! ó.ò

    Era por acaso o Jacob ali nesse final ou eu tÔ viajando??

    BjaO

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  2. A fic parece muito boa ^^
    Esperando os próxomos cap's.
    Bjudds.

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