quinta-feira, 19 de maio de 2011

Tão perto e tão longe 4º capitulo

Recomeço
Versão Edward:

O beijo só aumentava a sua intensidade, enquanto nossas línguas lançavam coladas, em um ritmo incomum.
Naquele momento, o mundo podia acabar, explodir, que eu não me importava.
Minha mente gritava que aquilo era uma loucura, e por mais que eu tentasse, não conseguia me lembrar de como tirar aqueles lábios dos meus.
A cada toque, minhas mãos passavam por aquele corpo perfeito. Me fazendo dar leves gemidos de prazer.
O único fio de razão vagava por minha mente, sem sentido. Ele me ordenava para parar com aquela loucura delirante, era como se ele gritasse dentro de mim, chorando por piedade.
_ Isso é loucura, você é apenas uma criança. – Tirei os meus lábios dos de Isabella, colocando minhas mãos em seus ombros. Seus olhos, automaticamente, se abriram, me encarando com medo, vergonha. Era como se ela suplicasse, como se ela implorasse para que eu não a magoasse. O fio de insanidade voltava aos poucos, me trazendo uma dor esmagadora, sufocante. _ Acho melhor eu sair daqui. – murmurei, tirando minhas mãos de seus ombros.
Isabella me olhava profundamente, me mostrando o quanto estava envergonhada. Ela nem mesmo me conhecia até então, apenas sabia o meu nome e nada mais.
Já eu, sabia tudo ao seu respeito. Minha mente me assombrou pelas possibilidades. Mesmo que eu soubesse coisas sobre ela, não passavam de fatos, palavras jogadas ao vento por Charlie. Sempre haveria coisas que eu não sabia ao seu respeito, coisas que me instigavam, lentamente.
Eu queria saber mais, muito mais. Queria saber de todos os seus segredos. De todos os seus medos. De todos os seus sonhos.
Um brilho diferente brilhou nos olhos de Isabella. Era algo totalmente diferente.
Era apenas um ponto mais escuro em seus olhos, mas que significavam muito mais para mim.
Naquele momento, o pequeno mundo de mentiras que construí se desfez, me levando para um caminho perigoso.
Naquele momento, eu não era o Edward que sempre foi obediente e passivo. Eu não era um homem que lutou pelos seus sonhos com o apoio do pai de Isabella.
Eu era o adolescente que não teve espaço para existir. Eu era o que minha mãe nunca permitiu que eu fosse. Eu mesmo.
Era como se com Isabella, eu realmente fosse eu mesmo. Era como se ela fosse o pedaço que faltava em mim.
_ Eu realmente não sei o que deu em mim. – Sussurrou ela, me fazendo parar com a conversa interna. _ Sinto muito. – Ao pronunciar isso, ela se virou e saiu correndo. O silêncio se alastrou, enquanto ela subia as escadas em uma velocidade surpreendente.
_ Por favor... Espere! – Consegui romper o silêncio, mas tinha sido tarde demais. Isabella havia desaparecido, me deixando apenas a lembrança de seus olhos cheios de magoa.
Passei minhas mãos em meu rosto, deixando-as ali, tampando meus olhos. Escondendo as lágrimas salgadas que escorriam de meus olhos.
Ver a dor nos olhos de Isabella me feriu muito, como se estivesse esmagando o meu coração. Como se, aos poucos, ele estivesse desaparecendo.
Andei até o sofá, procurando apoio, antes que eu me espatifasse no chão.
_ Aconteceu alguma coisa com você, Senhor Cullen? – Disse Maria entrando na sala. Tirei as mãos de meus olhos, depois de limpar minhas lágrimas completamente e rapidamente.
A mulher me olhava com carinho, me reconfortando de certa maneira.
Eu não sabia o que estava acontecendo comigo, era como um milhão de sentimentos me envolvendo ao mesmo tempo. Me torturando e me deixando feliz ao mesmo tempo.
- Obrigada por se preocupar, Maria. _ Me levantei do sofá, tentando sorrir para a mulher em minha frente. _ Eu apenas estou emocionado por estar aqui. _ Menti. Olhando para os lados, parando meus olhos no quadro de Charlie. _ Estava pensando em como sinto sua falta. _ Aquilo não era totalmente mentira. Aquele homem tinha me transformado no homem que sou hoje, me feito crescer.
_ Todos nós estamos muito tristes com a morte dos senhores. _ Ela fez uma leve careta, deixando claro que não era exatamente o que sentia. _ A que mais está sofrendo é Bella. Ela se culpa pela morte da mãe. Está totalmente desolada.
Aquilo me machucou, como espinhos ferindo minha pele. Relembrando, fazendo minha mente voltar até o primeiro momento que aventei Isabella, eu me certificava se tinha qualquer vestígio de tristeza em seu rosto. A dor ficou mais cruel quando tive a confirmação. Nunca em minha vida, eu tinha visto olhos mais belos e mais tristes.
Isabella tinha olheiras profundas, a deixando com a aparência de um sumbi. Era como se ela tivesse levados socos em seus olhos, deixando as marcas roxas em volta de seus olhos cor-chocolate.
Eu queria arrancar a sua tristeza com a mão, transferindo-a apenas para mim.
Não conseguia entender porque uma pessoa que acabei de conhecer tinha roubado o meu coração com apenas um único olhar. Eu queria protegê-la com minha vida. A fazer feliz com minha alma. Queria lhe dar amor com o meu coração.
_ Mas, apesar de tudo, é completamente normal ela se sentir assim. – Continuou Maria. _ Bella sempre foi uma criança muito amorosa. Culpava-se por tudo, por seus pais não lhe darem amor, e pela infelicidade de sua mãe.
_ Ela não têm culpa de nada. – Afirmei, me lembrando que, apenas eu, tinha culpa pela sua infelicidade e de sua mãe.
_ Eu sei. – Maria passou a mão em seu cabelo, o alinhando perfeitamente. _ Charlie e Reneé culparam Bella demais. Tenho certeza que não teria sido diferente em outras circunstâncias.
_ Eu acho que teria sim. – Minha voz ficou seca, me fazendo engolir em seco o bolo que se formava em minha garganta. _ Será que eu poderia ir para o meu quarto? Estou muito cansado, a viagem realmente é muito longa.
_ Eu tinha vindo aqui exatamente por esse motivo. – Disse Maria, totalmente envergonhada. _ Me desculpe mesmo. Eu estava tão preocupada que nem ao menos disse o que tinha para dizer. – Seu sorriso era sincero, me deixando um pouco mais calmo. Apesar de tudo, Isabella teve sorte de ter sido criada por aquela mulher amorosa. Era como se o amor escapasse pelos seus poros. Sua companhia era como estar com um anjo. _ Venha. Vou lhe mostrar o seu quarto. – Ela fez um sinal com a mão, me chamando calmamente. Andei até onde ela estava, pegando minha bolsa que estava no pé da escada.
_ Não se preocupe com isso. – Tentei reconfortá-la, dizendo que não fazia a mínima importância. _ Gostaria de conversar mais vezes com você.
Maria parou de andar, parando no começo da escada. Revirei minha mente para algo de errado que eu pudesse ter dito mais, antes, ela se virou para mim e sorriu.
_ Eu ficarei muito feliz em compartilhar a sua companhia. – Ela parecia sincera em suas palavras. – Jane sempre fica com Bella e nunca liga para a sua mãe. – Tinha magoa em seu tom. _ Bella sempre ficava comigo, ela simplesmente amava me ajudar na cozinha. – O seu sorriso ficava maior a cada segundo. – Mais depois que tudo aconteceu, Bella nunca mais fez nada. Nem mesmo fala qualquer coisa. – Seu sorriso desapareceu. _ Ela não gosta da casa e, muito menos, da cidade. E isso só piora as coisas.
_ Eu queria poder fazer algo para reverter isso. – Murmurei para mim mesmo, mas acabou saindo bem mais alto.
_ O quê podemos fazer nesse momento é estar ao seu lado e lhe dar amor. – Ela disse, continuando a andar.
Subimos a escada completamente, caminhando em silêncio total. O andar de cima era realmente muito luxuoso, parecia mais um hotel.
Cada móvel colocado perfeitamente em seu lugar, combinado com o piso de madeira.
Além de ser completamente arrumado, não se via nenhuma sujeira. Era tudo tão limpo e perfumado.
Respirei fundo, o cheiro era muito leve e doce. Não tinha duvidas que fosse o cheiro de Isabella.
O mesmo aroma, a mesma intensidade, a mesma textura.
Maria andava rapidamente, me deixando para trás. Seus pequenos passos eram tão leves como uma pluma. Eu apenas conseguia ver os seus cabelos voando lentamente com o balanço de seu andar.
_ É aqui. – Disse ela, parando em frente de uma porta. _ Qualquer coisa basta apenas me chamar. – Ela me esperou pacientemente, enquanto eu andava lentamente, olhando o espaço a minha volta.
_ Muito obrigada. – Sussurrei, quando a alcancei. Parei em sua frente, sorrindo. _ Não sei como agradecer o que você está fazendo por mim. – Aquela mulher me tratava como se eu fosse de sua família, me deixando completamente à-vontade.
_ Apenas seja com Bella o que seus pais não foram. – Ela respondeu.
_ Eu vou cuidar bem dela. – Afirmei com todo o meu coração.
_ Claro que vai. – Quando ela disse isso, parecia que sabia mais do que aparentava. _ É melhor eu ir indo. Sinta-se em casa. – Disse ela andando, me deixando ali.
Verei-me para a porta já aberta e entrei.
O quarto era simplesmente perfeito. Todos os móveis eram do meu gosto, me fazendo lembrar de meu apartamento.
Tinha uma cama de casal no centro do quarto, ela era envolvida por lençóis limpos e travesseiros macios.
Havia dois criados-mudos em cada lado da cama, algumas coisas em cima deles que não prestei atenção no que era.
Também tinha um armário de madeira no lado direito do quarto, ele era de madeira escura e brilhante.
Andei até a cama, jogando minha bolsa pelo caminho.

Versão Bella:

Quando ele me chamou de criança era como se estivesse me batido com toda a sua força. Eu sabia que seria assim, eu era apenas uma criança para ele e nada mais.
Meus olhos se encheram de lágrimas, enquanto eu olhava o seu perfeito rosto.
Eu nunca tinha me apaixonado por ninguém em toda a minha vida, nunca tinha sentido algo tão forte invadindo o meu coração que até chegava à dor.
E agora, eu tinha completamente certeza que estava apaixonada por ele.
Era como se eu estivesse vendo um anjo em minha frente. E, no mesmo momento, vendo um demônio que me levava à perdição.
Ele não deveria ter mais de vinte anos, seus traços ainda eram jovens. E ele ainda me chamava de criança.
Percebi que palavras saíram de seus lábios, mas eu estava longe demais para conseguir ouvi-las.
Ver os seus lábios se movendo lentamente, como se ele também estivesse perdido em pensamentos, me fez pensar em todas as possibilidades.
_ Eu realmente não sei o que deu em mim. – Sussurrei, tentando conter as malditas lágrimas, fechando minhas mãos com força. _ Sinto muito. – Tudo o que eu mais queria naquele momento era voltar no tempo e não ter o beijado.
Juntando todas as forças que meu corpo ainda tinha, então corri. Não sabia exatamente para onde estava indo, apenas que tinha que sair dali.
Tudo se passava como borrões em minha mente, enquanto eu subia as escadas, indo para qualquer lugar.
Eu não podia continuar naquela casa, eu não podia continuar no mesmo lugar que ele. Agora você me pergunta por que, e eu simplesmente não sei a resposta.
Era apenas um grande sentimento de vergonha, medo, magoa, se misturando em mim.
No momento que beijei os lábios carnudos de Edward era como se ele estivesse tão perto. Mas, agora, ele estava tão longe. Inalcançável. Impossível.
Entrei no meu quarto, fechando e trancando a porta. Olhei para os lados, tentando enxergar qualquer coisa que não fosse às lágrimas.
Naquele momento, eu estava tentando encontrar nomes para me xingar.
Eu tinha sido tão burra em beijá-lo, mas teria feito tudo novamente se tivesse oportunidade.
Eu era uma idiota completa em me apaixonar pelo meu tutor, mas aquele amor era parte de mim. Tenho certeza que se eu o encontrasse antes, sentiria o mesmo.
Passei a mão em minha cabeça, tentando encontrar as respostas das minhas perguntas silenciosas.
Andei até a grande janela de madeira escura, pegando uma blusa de frio no meio do caminho.
Abri a janela, deixando os meus cabelos voar pela leve brisa. Jane certamente me mataria se soubesse o que eu estava preste a fazer, mas eu nunca contaria a ela. Nunca.
Jane era a minha melhor amiga certinha, sempre tentando me colocar nos eixos.
Lembro que eu julgava completamente impossível duas pessoas totalmente diferentes se tornarem amigas.
Eu era o oposto da loirinha.
A vida já era uma droga. Para que acabar ainda mais com ela?
A enchendo de coisas sem graça, que te levariam apenas para uma faculdade cheia de riquinhos que só pensam em satisfazer os seus papais queridos.
Subi em cima da janela, fazendo um pouco de força. Coloquei minhas pernas totalmente para fora do quarto, ficando sentada na janela – ela era grande demais para fazer isso.
Olhei novamente para o quarto, girando a minha cabeça.
_ Bella abre a porta! – Gritou Jane, batendo na porta com força.
Voltei os meus olhos para a paisagem a minha frente. A altura era de uns três metros, mas eu não me importava.
Eu simplesmente amava coisas perigosas, mas não era suicida – não totalmente.
Com um movimento rápido, eu me joguei.
Os segundos se passaram tão rapidamente, que nem notei quando meus pés tocaram o chão. Não fiz a mínima força para ficar de pé, apenas deixei os meus joelhos cederem, me fazendo deitar no chão.
_ Nossa, você está bem? – escutei uma voz vindo de muito perto de mim. Eu nem ao menos tinha notado que estava com os olhos fechados, tudo tinha passado tão rapidamente.
Abri os meus olhos, encontrando um rosto moreno me encarando. Os olhos dele eram simplesmente maravilhosos, me fazendo apenas encarar eles.
Minha testa ardeu, me fazendo levar a mão ao local. Senti algo molhado sob meus dedos quando toquei a fina pele.
Retirei a mão rapidamente, a levando para a altura de meus olhos. Eu realmente estava tentando me matar, mas não me importava. A vida era um jogo, que existia para ser jogado.
_ É apenas um pouco de sangue. – Disse o garoto, me vendo encarar o sangue em minha mão com tanta intensidade.
Tentei me levantar, mas o garoto estava perto demais. Os músculos do seu peito nu me fizeram voltar para trás, quando nossos corpos se chocaram.
Senti suas mãos em minhas costas, me impedindo de cair no chão novamente. Ele me puxou com firmeza, praticamente me abraçando. Nossos rostos estavam apenas alguns centímetros de distância, e o garoto me encarava com muita intensidade.
_ Obrigada. – Disse com firmeza, tentando me levantar.
Com um movimento rápido, o rapaz se levantou, ficando de pé.
Ele ofereceu sua mão para mim, e antes que eu a pegasse, perguntei:
_ Como é o seu nome?
_ Jacob. – Respondeu, me ajudando a levantar.




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