)
?-perguntou ele num sussurro.
-Sim?-suspirei me enchendo de coragem para encontrar aqueles olhos.
Quando meus olhos encontram os dele tive a impressão de ver compreensão.
Mais eu não podia ter falsas esperanças. Eu tinha que entender e colocar na minha cabeça que Jacob nunca me amara.
Jacob foi se aproximando de mim lentamente, no começo não entendi, mais quando seus lábios encontraram os meus, era como se tudo estivesse se esclarecido.
Coloquei minha mão nos cabelos negros de Jacob o puxando mais para mim. Sua mão foi para a minha cintura, fazendo nossos corpos se encontrarem ainda mais, se é que isso é possível.
O beijo foi ficando mais exigente, e os lábios de Jacob devoravam os meus com impaciência.
Sua mão direita estava na minha coxa, aquele toque me fez gemer baixinho;
A imagem de Bella veio a minha cabeça, fazendo-me sentir a culpa e o remorso que me invadiram.
Ela não era uma má pessoa, sempre gostei muito dela.
Paralisei no mesmo instante, saindo dos braços de Jacob.
-Jake... Eu sinto muito!-sussurrei com a minha voz tremula pela culpa.
-Não foi você que me beijou, portanto a culpa não é sua. -suspirou Jacob. –Me perdoe )
.
-Não tenho nada há perdoar. Você sabe que eu sempre quis isso? Mais não assim...
Minhas palavras foram interrompidas pelo toque do celular que estava no banco.
Não pude deixar de fazer uma cara de choque quando vi quem estava ligando.
-Alo? -atendi com a voz ainda tremula pela culpa.
-Oi, tudo bem? -perguntou Bella com sua voz fraca.
-Estou e você? -olhei para Jacob, que escutava a conversa ao longe;
-Estou ótima. Tenho uma ótima noticia para lhe dar! -gritou ela, no outro lado.
-Fale. -a encorajei.
-Jacob me pediu em casamento. Não é incrível?Eu quero que você seja a nossa madrinha. O que você acha? -perguntou ela cravando uma estaca no meu coração.
Tentei encontrar as palavras em meio ao desespero, mais eu estava paralisada.
-Você ainda esta ai?-perguntou Bella preocupada.
-Estou. Só estava pensando. -respondi, encontrando a minha voz.
-Então o que você acha? - continuou ela;
-É uma noticia que me pegou de surpresa.
-É seu sei. Pegou-me também. -suspirou ela.
-O que foi? -perguntei preocupada.
-Depois eu te conto. Tenho que ir dormi. Amanha eu tenho que fazer muitas coisas.
-Tem? -perguntei sem animo.
-Vou arrumar os preparativos. -cravou mais ainda a estaca em meu coração.
-Mais você só está no colegial. Vai te prejudicar. -não pude disfarça a agonia.
-Tenho mesmo que desligar. Tchau.-desligou na minha cara.
Ela havia jogado uma bomba em meu colo que estava preste a explodir. Não queria pensar quando explodisse, doeria demais;
“Foi tarde, demais.”-disse mentalmente a mim mesma; - “Essa luta, ou melhor, guerra eu tinha perdido. Não havia nada a se fazer.”-acrescentei.
-)
? -perguntou Jacob me tirando das lamentações.
Tinha esquecido totalmente da presença de Jacob. Ele estava me encarando com seus olhos negros cheios de preocupação.
-Sim Jacob? -respondi me virando para encará-lo;
-Eu ia te contar. -sua voz saiu tão baixa que quase não pude ouvir.
-Você não tem nada que se explicar. -me esforcei para não implorar que ele não se casasse e ficasse comigo. -Esta tudo bem.
-Eu queria ter te falado antes, mais...
-Bella contaria primeiro. Afinal, somos amigas. -interrompi. -Eu sabia que um dia aconteceria. -suspirei. -Você a ama, é normal.
-Não é nada isso. -Jacob parou de falar, como se estivesse com medo. -Bella esta grávida;
-O que?-gritei.
-È, eu sei. -suspirou, depois pegou a minha mão esquerda. -Eu sempre te amei. Mais nunca passou pela minha cabeça que você também me amava. -confessou.
Sempre sonhei com aquele momento, mais não daquele jeito. Tudo indicava que eu nunca o teria. Nunca...
-Jacob esta ficando tarde. -olhei para a noite. Agora estava chovendo levemente. -Tenho que ir. Se você quiser te deixo em casa.
Ele pensou por uns instantes segundos segurando o rosto com a mão livre. A preocupação era evidente.
-Ta. -foi tudo o que ele disse.
Dirigi lentamente pelas estradas de La Push. Prestei muita atenção nas estradas de terra, tentando, me esforçando, para não pensar. Avistei a cada de Jacob ao longe.
A casa dos Black era muito parecida com a casa que meu pai estava morando, uma pequena casa de madeira com janelas apertadas, a pintura fraca desgastada a deixava parecida com um celeiro.
Estacionei na frente da pequena varanda, me virei para fitar Jacob que estava muito quieto.
-Bom, chegamos. -avisei.
-Vai ficar amanhã em La Push?-perguntou ele levantando sua grossa sobrancelha.
-Não sei. -admiti. -Tenho umas coisas pra fazer.
-Posso saber?-perguntou ele.
-Pode. -sussurrei. -Vou sair com umas pessoas da escola.
-Ah..-Jacob abriu o meu sorriso preferido.-Esta trocando o povo da reserva, pelos caras pálidas?
-Claro que não. -liguei o carro. -Mais é bom se misturar.
-Esta com tanta presa, assim?
-Esta ficando tarde. -menti. O real motivo era que se eu ficasse doeria muito, mas, mais tarde. -Meu pai deve esta preocupado.
-Mande lembranças minhas a ele. -ele se levando e saiu do carro. -Depois agente se fala?
-Claro. -menti.
Eu tinha que sair de perto de Jacob, antes que minha mascara se desmantelasse bem em sua frente.
-Então, até mais tarde. -despediu ele.
-Até. -respondi.
Liguei o carro ainda com a mascara em meu rosto. Mais não demorou muito, ela estava quebrada.As lágrimas invadiram o meu rosto, não consegui mais ver a estrada a minha frente.Estacionei o carro entre as árvores.
Não podia chegar na casa do meu pai daquele jeito.
Fiquei minutos chorando, mais a dor não diminuía só aumentava.
O grito estava preso em minha garganta, mais não tinha ninguém para me ver daquele jeito.
Gritei como uma louca, mais no fundo eu estava ficando mesmo. Bati minha cabeça com força contra o volante.
Dei-me conte só quando vi os raios de sol, que fizeram meus olhos arderem.
Pequei meu celular, que estava agora dentro do porta luvas. Tinha sete chamadas não atendidas. Suspirei, não estava com cabeça para conversar com ninguém.
Meu celular começou a vibrar na minha mão, encarei meu celular por uns instantes.
-Alo?-atendi.
-Onde você esta?-perguntou minha mãe.
-Em La Push. Por quê?
-Seu pai esta preocupado. Ele me ligou e disse que você não apareceu.
-Estava chovendo muito. Então encostei o carro e acabei dormindo. -menti. Eu não tinha pregado o olho a noite inteira.
-Esta vindo pra cá?-perguntou ela preocupada.
-Sim, até daqui a pouco. -desliguei o telefone.
Fiquei olhando as árvores por uns segundos, até que decidi dar um passeio até a praia. Ninguém estaria lá tão cedo.
Sai do carro e andei pelas trilas que davam até a praia mais próxima.
O mar estava lindo. A água estava bem clara.
Então notei que estava fazendo sol, isso era muito raro em La Push, em Forks.
Tirei meu tênis e caminhei pela arei macia. Respirei fundo, tentando prender aquele perfume em meus pulmões.
Eu realmente amava tudo aqui. Isso sempre fora a única coisa que me acalmava.
-O que esta fazendo aqui, tão cedo?-perguntou Leah.
Ela realmente me assustou, o que não era nada difícil.
Minha prima estava segurando seus sapatos na mão, como eu fizera.
-Só dando umas voltas. -me sentei na arei. Sem ligar para minhas roupas. Leah fez o mesmo. -E você?
-Vou encontrar Sam, aqui. -ela suspirou. -Ele está muito estranho ultimamente.
-Eu percebi. -respondi.
-Sam esta diferente desde que aquele tal de Cullen, apareceu. -disse ela.
-Não tive oportunidade de vê-lo. - suspirei. -Dizem que ele tem uma beleza incomum.
-Tem uma coisa que estou pensando há algum tempo. -ela pegou minha mão.
Leah e eu éramos muito amigas, na verdade ela era a minha melhor amiga.
-Lembra das lendas, do nosso povo?-perguntou ela.
Claro que lembrava, eu simplesmente amava aquelas histórias.
-Sim. Por quê?-eu queria saber o que os Cullen tinha haver com isso.
-O nosso povo fez um trato com aqueles frios. -Leah fez uma careta que me fez rir. -O nome da tal família era Cullen. Será que não são os mesmos?
Minha prima tinha razão, será que eles eram os mesmos?
Levantei-me num pulo da areia.
-Eu tenho que ir!-ela também se levantou. -Vou tentar descobrir isso, sobre os Cullen. Depois te conto.
Já estava andando me afastando de Leah, quando senti uma mão quente pegar meu braço.
-Leah você esta bem?-perguntei preocupada.
-Sim, por quê?-perguntou ela em resposta.
-Você esta muito quente. –eu não poderia deixa aquela dor me afastar de minha família. -Venha, vou te levar ao medico.
Peguei o braço de Leah a puxando pelo caminho que saia da praia.
-Não, eu estou bem!-gritou ela. -Tenho que esperar o Sam!
-Ta. -a soltei.
-Nossa prima Emily vem nos visitar depois de amanhã. -avisou-me ela.
Tinha me esquecido totalmente da visita da minha outra prima Emily.
-Estarei aqui!-gritei, saindo correndo.
Fui diretamente para a casa do meu pai.
A casa estava completamente vazia, sem testemunhas.
Subi as estadas lentamente, tentando não pensar em Jacob. Mais isso para mim era uma coisa impossível.
Ele se casaria com Bella, e seria pai.
Nunca tive muitas chances em relação a ele, mais agora nada mais adiantava. Eu tinha o perdido. Tinha perdido a pessoa que mais amava na vida.
Eu só queria que ele fosse realmente feliz.
Era muito estranho imaginar Jacob com um bebêzinho nos braços. Eu tinha que me acostumar.
Ele estava saindo da minha vida, mais não do meu coração. Talvez nunca saísse!
-O que esta fazendo ai, parada no meio da escada?-perguntou Eric, me dando um baita susto.
-Pensei que não tinha ninguém aqui. -me virei para ver meu irmão que estava ainda no primeiro degrau da enorme escada.
-Você sumiu. -ele passou a mão em seus cabelos pretos. -Já estava quase ligando para a policia.
-Eu sei que você me ama irmão. -eu realmente estava precisando tirar com a cara de Eric. -Você não ficou nem um dia sem me ver, e já estava entrando em depressão. -coloquei minha mão esquerda na cabeça. -Oh, como ele me ama!
-Chega de tirar com a minha cara. -ordenou ele. -Estava preocupado com você!
-Porque estaria?-perguntei curiosa.
-Eu sei que você sabe que o Jake vai se casar. - começou ele. -E como eu sei que você arrasta um caminhão por ele. Pensei que você estaria precisando de mim.
Mesmo que eu fugisse, Jacob sempre aparecia em minha vida.
-Esta tudo bem. -menti. -Ele não era tão importante.
-Sei..-ele suspirou.-Se você precisar estou aqui.Não se esqueça!
-Não me esquecerei. -terminei de subir os degraus que faltavam. -Onde esta indo tão elegante?
-Vou visitar a Anne!-ele estava com um sorriso de orelha a orelha.
Pelo menos um na família tinha sorte no amor!
-Mande lembranças minha!-gritei entrando no corredor onde ficavam os quartos.
O corredor era bem claro, fora em mesma que escolhi as cores;
Tinha três portas no corredor.
Do lado esquerdo ficava a porta que dava para o quarto do meu irmão; Também tinha outra porta no lado esquerdo, que era o quarto do meu pai.
A única porta que tinha no lado direito era a porta do meu quanto. Entrei. Meu irmão e eu tínhamos dois quartos. Um na casa da mamãe e outro no do papai. A casa do papai não era muito grande, típico de La Push. Mais era muito confortável. Meu quarto era como de qualquer outra adolescente. Tinha alguns pôsteres na parede, dos meus cantores e bandas preferidas. Também tinha vários livros espalhados, pelos cantos. A parede do meu quarto era roxo bem claro, eu mesma tinha escolhido a cor. Roxo sempre fora a minha cor preferida. A cama ficava no meio do quarto, com os lençóis e edredons rosa bebê. Sempre gostei de combinar as cores, e roxo e rosa bebe combinava.
Tinha uma escrivaninha no lado esquerdo da cama. No lado direito ficava o meu armário de roupas e outras coisa. E também ficava a janela de madeira. A cortina da janela era azul bebê.
Mesmo não tendo dormido a noite eu não estava nenhum pouco cansada, pelo contrario. Andei lentamente para o meu banheiro que ficava no lado direito do quarto.
Tomei um banho bem demorado, para tentar esquecer tudo, mais como sempre, Jacob sempre estava em meus pensamentos.
Coloquei um vestido azul de manga curta, de pano bem levinho, e também coloquei meu casaco branco de lã. Quando desci não havia nem sinal do meu irmão, ele realmente amava Anne. Ela tinha muita sorte de ter meu irmão como namorado. Meu irmão não era nada feio e sempre fora simpático. Escutei batidas na porta, e foi imediatamente ver quem era.
Bella estava com seus cabelos castanhos presos num rabo de cavalo. Ela usava uma calça preta e uma camiseta regata rosa. Quando me viu seu sorriso alargou.
-Entre!-fiz final que ela entrasse na pequena casa.
-Eu vim te trazer pessoalmente, o convite do meu casamento. -ela esticou um envelope azul para mim.
Contamos com a sua presença!
Este evento acontecera na igreja de La Push, no dia 17 de janeiro, às 20 horas.
Li o convide lentamente tentando não desmoronar bem na frente de Bella. Afinal, ela era a noiva. O casamento seria em poucas semanas, hoje era dia oito, segunda-feira.
-Você vai estar ocupada neste dia?-perguntou ela, vendo a tristeza que não pude disfarça.
-Não é isso. -eu tinha que inventar um bom motivo. -Esse dia será ótimo.
-Que bom que esta ótimo pra você. - sua felicidade estava me matando. -Tenho que entregar os outros convites. Te vejo mais tarde?
-Não sei. -apertei o convite contra meus dedos. -Tenho muitas coisas a fazer hoje.
Levei Bella até a porta vendo a alegria que emanava dela. Fiquei a observado partir com um sorriso estampado em seus lábios. Estava perto demais. O dia estava muito perto. Não sentia inveja de Bella, por nenhum segundo senti. Mais a dor estava cada vez mais forte, a dor que estava no meu peito.
Corri para meu quarto, eu me deitei na minha cama alguns minutos depois. Era uma coisa assustadora, essa sensação de que um buraco havia sido construído no meu peito, fazendo meus órgãos vitais pararem de funcionar e deixando- os em trapos.
Racionalmente, eu sabia que meus pulmões deviam estar intactos, mas mesmo assim eu lutava por ar e minha cabeça rodava como se os meus esforços me levassem a nada. Eu me curvei, abraçando minhas costelas pra me manter junta.
Tinha tentado não pensar - não ver - Jacob nas ultimas semana. Mas o encontro seria inevitável – a dor seria inevitável. Estava na véspera do casamento, parecia impossível, a dor em meu peito só aumentara.
Foi ali, sentada no refeitório, tentando esquecer Jacob Black, que eu os vi pela primeira vez.
Eles estavam sentados num canto do refeitório, o mais longe possível de onde eu estava. Eram cinco. Não conversavam e não comiam, apesar de cada um deles ter uma bandeja intocada de comida na sua frente.
Dos três garotos, um era grande - musculoso como um levantador de peso profissional, com cabelo escuro e encaracolado. Outro era alto, mais magro, mas ainda musculoso, e com cabelo loiro escuro. O outro era mais magro, menos musculoso, com cabelo cor de bronze, meio bagunçado. Ele parecia mais jovem do que os outros que pareciam que poderiam estar na faculdade, ou ate mesmo serem professores ao invés de alunos.
As garotas eram opostas. A mais alta era maravilhosa. Ela tinha uma silhueta linda, do tipo que se vê na capa da revista Sports Illustrated, na edição de roupas de banho, e daquelas que fazem as outras garotas se sentirem mal consigo só por estarem na mesma sala. O cabelo dela era dourado, gentilmente balançando até o meio das costas. A outra garota era mais baixa e parecia uma fadinha. Bem magra, com feições pequenas. O cabelo dela era totalmente preto, cortado curtinho e apontando para todas as direções.
O garoto com cabelo cor de bronze se virou e colocou seus olhos dourados em mim.
Nossos olhos se encontraram por alguns segundos, me fazendo corar instantaneamente.
-Já comprou o seu vestido?-perguntou Jéssica;
-Não. -respondi virando meu rosto, para encarar–la.
-Onde você vai comprar?-perguntou ela, novamente.
-Não sei. -respondi sem humor.
-Você não parece muito animada. -foi tudo o que ela disse antes de se virar para conversar com Mike.
Jéssica estava muito feliz nos últimos dias, e eu sabia muito bem o motivo.
Bella se casaria com Jacob não com Mike!
O sinal tocou me fazendo pular de susto. Olhei na direção dos Cullen, mais eles não estavam mais lá.
-Eu também não comprei o vestido. Podemos comprar juntas. O que você acha?-perguntou Ângela.
-Pra mim esta perfeito!-falei com falsa animação. -Que horas?
-Depois da aula?-perguntou ela levantando a sobrancelha.
-Perfeito!-foi tudo que conseguir dizer.
Andei lentamente pelos corredores da escola olhando para o chão;
Tropecei nos meus próprios pés, senti duas mãos frias me segurando pelos ombros, me impedindo de cair.
-Desculpe. -levantei meus olhos para ver quem era o meu salvador. A primeira reação que tive foi ficar olhando naqueles lindos olhos dourados.
-Não foi nada. -respondeu o garoto de cabelos cor de bronze.
-Você é um Cullen!-afirmei sem pensar.
-Sou Edward Cullen. -se apresentou, tirando suas mãos dos meus ombros e ofereceu sua mão direita para mim. -Prazer em conhecê-la.
-Sou Clearwater. -falei pegando usa mão. -E um prazer conhecê-lo também!-depois que falei meu sobrenome, o rosto calma de Edward, mudou para uma expressão de choque; - Tem alguma coisa errada com o meu sobrenome?
-Não. Você é da reserva?-perguntou ele, ainda com a expressão de choque em seu lindo rosto de anjo.
-Não exatamente. -suspirei pela longa história a seguir. -Meu pai é de La Push, e minha mãe é daqui mesmo.
-Então você é uma Quileute?-perguntou ele interessado.
-Sim, por quê?
-Não é nada demais. -ele se virou um pouco mais para mim, colocando seus olhos nos meus, e abrindo aquele sorriso torto. - Já ouvi muitas histórias da sua tribo.
Olhei ao redor, e não havia mais ninguém no corredor, além de Edward e eu.
-Qual será a sua próxima aula?-perguntou ele interessado.
-Matemática. -respondi.
-A minha também. Posso acompanhá-la?
-Claro. -foi tudo que consegui dizer.
Andamos em silêncio pelos corredores até a sala de Matemática.
-Bom, chegamos. - avisei apontando para a porta da sala de Matemática.
-Posso sentar ao seu lado?-perguntou ele olhando para a única mesa vazia.
-Claro. -respondi indo até a mesa. -Vai ser bom ter uma companhia nessa aula... -murmurei para mim mesma.
-Você sempre fica sozinha nessa aula?-perguntou ele se sentando ao meu lado.
-Sim. -suspirei. - Nessa aula não conheço ninguém.
-Então, posso sentar ao seu lado, sempre?
-Nossa seria ótimo. -foi tudo que disse antes da professora entra na sala.
“Por favor. Não agora!”-choraminguei mentalmente para a dor em meu peito.
Jacob invadia minha mente deixando um rastro de dor pelo caminho. Respirei fundo, tentando não gritar, tentando prender as lágrimas. Mais toda aquela dor era inevitável, ele nunca seria meu, ele nunca foi meu! Eu preferia morrer ao vê Jacob partir!
-Você esta bem?-perguntou Edward.
Foi como um anjo me tirando da dor, puxando-me para a superfície do mar escuro.
-Sim. - sussurrou.
-Você não parece bem. - me virei para encontrar seus olhos. -Acho que você deveria ir para casa!
Mas nem o anjo era capaz de me tirar do sofrimento por muito tempo.
A dor voltou mais forte me fazendo gemer.
-Acho que vou pra casa!-levantei-me cruzando meus braços na altura do peito, apertando para ver se a dor diminuía.
Sai da sala sem falar com a senhorita Catharine, e sem pegar as minhas coisas. Aquela dor estava me impedindo de pensar, a única coisa que estava em minha mente, era sair dali. Corri pelos corredores até chegar ao vestiário na quadra de esportes. Não teria ninguém lá, o senhor Carter estava doente. Não estava tendo aula de Educação Física, nessa semana.
Quando cheguei ao vestiário desmoronei. Estava sem chão e sem motivos para continuar lutando. Minhas lágrimas pareciam não ter fim, minha tristeza parecia não ter fim. Eu tinha perdido o pouco de esperanças que ainda me restava. Fiquei no vestiário por horas, até que escutei o sinal tocar. As aulas de hoje tinha acabado;
Eu tinha combinado com Ângela de ir comprar o vestido. Não a deixaria esperando, não poderia fazer isso com ela!
Levantei-me do chão tentando não desmoronar novamente. Andei até o grande espelho que havia na parede. Meu rosto estava todo vermelho e meus olhos estavam inchados. Não me importava de estar com uma boa aparecia - nunca me importei. Olhei ao redor procurando minha bolsa, mas me lembrei que tinha deixado na sala de aula.
Voltei a andar pelos corredores da pequena escola, tentando não cair. Sempre fui desajeitada e sem nenhum equilíbrio, então sempre estava caindo.
Vi Ângela encostada na porta da sala de Português - essa seria nossa ultima aula.
-Oi, Ângela. -cumprimentei quando já estava muito perto dela.
-Achei que você tinha me dado um bolo!-disse ela com os olhos cheios de lágrimas.
-Claro que não. -coloquei minha mão na cabeça, tentando encontra um bom motivo para a minha demora. -Eu não estava me sentindo bem, mais já estou aqui!
-Olha não tem problema se você não quiser ir... -disse ela colocando sua mão em meu ombro.
-Já estou me sentindo melhor. -sorri para Ângela, ela era sempre muito compreensiva, ela era uma ótima amiga. -Onde agente vai comprar os vestidos?
-Pode ser em Port Angeles?-perguntou ela levantando a sobrancelha.
-Como você preferir... -sussurrei suspirando.
-Você tem certeza que esta bem?- vi a preocupação novamente em seus olhos.
-Estou. -suspirei. -Não estou muito animada com esse casamento. -deixei escapar.
-Eu percebi! -olhei assustada para ela. Com medo que ela fosse como a Jéssica, e me fizesse falar tudo. -Não precisa contar nada. Mais se você precisar estou bem aqui.
Como eu podia pensar uma coisa dessas de Ângela?Ela nunca seria como a Jéssica!
-Obrigada, por ser minha amiga!-falei com lágrimas nos olhos. Eu estava muito feliz que Ângela fosse minha amiga.
-Obrigada?-ela olhou incrédula para mim. -Sempre serei sua amiga.
Quando percebi já estava abraçando Ângela e ela nem reclamou como Jéssica fazia.
-Vamos?-perguntou ela, quando tirei meus braços ao seu redor.
-Claro!-respondi pela primeira vez, animada de verdade.
Fomos conversando no carro o tempo inteiro, mas o único assunto que não era realmente tocado era o casamento e isso era uma coisa maravilhosa. No fundo eu tinha impressão que Ângela sabia que o real motivo da minha tristeza era o casamento, mais não tive coragem de perguntar a ela. Ângela e eu não éramos do tipo que ama fazer compras. Mais nós tínhamos realmente nos divertido nas compras. Sempre estávamos rindo das minhas piadas bobas, e só o som da risada dela me fazia rir também. Pela primeira vez na semana eu tinha realmente esquecido Jacob – esquecido completamente a dor em meu peito.
-O que você acha desse?-perguntou ela.
Ângela estava com um vestido azul claro de seda. Ele era aberto nas costas e tinha rendas no comprimento. Ela estava maravilhosa! O vestido estava dando um contraste em sua pele, que a deixa ainda mais bonita.
-Está perfeito em você!-gritei de empolgação.
Ângela me fez experimentar um vestido rosa de alça. E quando eu voltava para mostrar como havia ficado, vi um vestido roxo aberto nas costas, meu olhos se encheram de lágrimas. Ele era o vestido mais lindo que eu já tinha vida na minha curta vida. Ângela acompanhou o meu olhar, e instantaneamente abriu um sorriso.
-Vá experimentar aquele!-apontou ela para o vestido.
Fui rapidamente experimentar o vestido com um sorriso estampado em meus lábios. Quando voltei Ângela começou a bater palmas, e isso me fez sorrir instantaneamente. Virei-me ficando de frente para o grande espelho, para ver como ficara o vestido. Ele tinha ficado perfeito, mais meu sorriso se desfez automaticamente, quando lembrei o real motivo de estar o comprando. O rosto de Jacob invadiu minha mente, deixando um rastro de dor pelo caminho percorrido.
-O que foi?-perguntou Ângela se aproximando de mim.
-Não sei por que estou feliz de compra esse vestido. -sussurrei sem perceber.
Ângela me levou pelo braço até o único banco que havia na pequena loja.
-Porque ficou lindo em você!-afirmou ela.
-Eu amei esse vestido... -apontei para o vestido em meu corpo. -Mais odeio o motivo de estar o comprando.
-Eu sabia que o motivo da sua tristeza era esse casamento... -ela suspirou colocando usa mão em cima da minha.
-Sabe Ângela, não encontro motivos para continuar lutando por uma coisa, que sei que esta perdida. -confessei.
-Não é exatamente uma coisa, né?-ela tirou a mecha de cabelo que caiu sobre meus olhos. -Eu sempre soube que você o amava. -ela esperou a minha reação, mais como sempre eu não fiz nada. -Você é tão clara como a água.
-Eu sempre quis esconder. Sempre tentei lutar em segredo, mais agora não tem mais como continuar lutando. Ele vai se casar com Bella, eu espero, no fundo do meu coração que seja muito feliz.
-Eu te entendo perfeitamente. -ela sorri tentando me reconfortar, mais naquela hora era impossível!
-Vamos?-perguntou ela pagando o vestido que acabara de comprar.
-Sim. -respondi pagando o meu também.
À volta pra casa não fui tão alegre como tinha sido na ida. O meu coração estava cheio de dor e agonia. Eu só esperava que o casamento passasse logo e minha dor, também.
-Chegamos. -disse a Ângela, enquanto eu encostava o carro na frente de sua casa.
-Vamos juntas ao casamento?-perguntou ela abrindo a porta do carona e saindo para a noite.
-Claro... -eu quase disse que seria ótimo ir com ela a qualquer lugar. Mais me contive. -Eu te pego às 19h30min?
-Claro. -seus lindos olhos escuros me reconfortavam, só com apenas um olhar de amizade.
Observei minha amiga entrar em casa, e a dor ainda estava presente. Dirigi com todo cuidado pelas estradas de Forks, me esforçando para não chorar. Estacionei na garagem de casa com toda a atenção. Eu tinha que manter minha mente ocupada o máximo possível. Sai do carro lentamente sem me importar com a chuva que molhava meus longos cabelos escuros. Entrei em casa sem ligar para barulho que fiz, quando fechei a porta com toda a minha força. Minha mãe estava jogada no sofá -como sempre- quando estava passando as coisas que a agradava na TV. Coloquei meus olhos na TV, tentando saber o que estava passando. Mas não tive muito sucesso.
-O que esta passando?-perguntei indo me sentar ao lado de minha mãe.
-“O amor não tira férias”. -disse ela sem tirar os olhos da TV.
-Hum... -voltei meus olhos para a TV. - Esse realmente é muito bom...
Minha mãe não respondeu a minha afirmação, como sempre.
Levantei-me sem me importar se perderia o filme. A ultima coisa que eu queria era ver um filme romântico.
-Não se esqueça que é amanhã é o casamento!-gritou minha mãe. Enquanto eu subia as escadas com a mão no apoio da escada.
Como se eu fosse esquecer!-pensei suspirando.
Entrei no meu quarto trancando a porta. Sem testemunhas.
Sentei-me no chão, abraçando minhas pernas, encostada na porta, tentando comprimir o grito que estava preso na minha garganta, deixando só as lágrimas escaparem. Fiquei assim por horas, tentando aceita tudo o que estava acontecendo em minha vida. Meu celular começou a vibrar no bolso de trás da minha calça. Fiquei o vendo vibrar sem reação, ate que resolvi atender.
-Alo? - atendi com a minha voz ainda tremula.
-)
? - perguntou uma voz educada.
-Sim? - perguntei sem reconhecer a voz do outro lado da linha.
-Você esqueceu a sua bolsa na escola, então resolvi entregar pessoalmente.
-Edward? - perguntei ainda sem entender nada.
-Sim. - respondeu ele. Quase pude ver o sorriso em seu rosto. O que me fez rir, automaticamente. - Não acredito que esqueceu a minha voz, tão cedo!
-Desculpe. - suspirei tentando encontrar uma boa desculpa. - É que acabei de acorda.
-Você esta em casa?
-Sim, por quê?
-Posso levar a sua bolsa? - perguntou ele, com há voz um pouco mais baixa.
-Melhor não. - eu não estava em condições. -Eu pego segunda, pode ser?
-Claro. - suspirou. -Até segunda.
-Tchau. - foi tudo o que consegui dizer antes de desligar.
O cansaço vem ao meu corpo - finalmente-, meus olhos estavam se fechando, sem eu ao menos perceber.
Fui me arrastando até a cama, não tinha forças suficientes para me levantar. Deitei-me na cama e fechei os olhos, ainda tentando esquecer Jacob – tentando ignorar a dor em meu peito. Foi assim que acabei adormecendo.
Jacob olhava para mim com seus olhos cheios de lágrimas.
Ele simplesmente se virou e começou a caminhar se distanciando de mim.
Senti uma dor aguda em meu coração, mais ignorei. Comecei a correr atrás de Jacob, sem ligar pelos tombos no caminho.
Derepente ele não estava mais lá, e minhas pernas estremeceram.
Cai no chão, e sem perceber a dor estava tomando o meu ser.
-Jacob!-tentei gritar, mais a voz não saiu.
Derepente dois olhos dourados me fitaram. O anjo salvador estava se aproximando lentamente de mim, sem fazer barulho algum.
Edward se abaixou no chão ao meu lado, e estendeu a mão para mim.
Mais mesmo tendo o anjo perto de mim, não foi capaz de me tirar da escuridão. Minha mente se perdeu num mar de dor e agonia.
Eu queria falar com o anjo, mais não consegui encontrar a minha voz, em meio à dor.
O anjo desapareceu me deixando sozinha com o desespero. Estava tudo escuro, meus olhos estavam cheios de lágrimas. A dor cada vez me atingia mais forte.
Gritei por socorro, por horas, talvez dias. Mas ninguém vem ao meu encontro.
Eu estava sozinha e sem rumo, sem desejo de lutar com a escuridão que corrompia meu coração. Eu queria morrer!
Eu preferia morrer ao ver Jacob partir!
Mais no fundo eu sabia que ele nunca voltaria. Eu esperaria eternamente...
Escutei um barulho alto me tirando do pesadelo. Meu rosto estava molhado pelas lágrimas. Olhei ao redor procurando pelo meu celular que tocava. Ele ainda estava no chão perto da porta. Levantei lentamente, quase caindo algumas vezes. Era o despertador. Gritei.
Tinha adormecido o dia todo – o que geralmente nunca acontecia. A escuridão que estava alojada em meu coração o corrompendo, estava cada vez mais forte.
O dia passou rapidamente – diferente das minhas expectativas.
Aquele sonho me assombrou a tarde inteira.
Tentei pensar em um bom motivo para não ir ao casamento. Minhas tentativas tinham sido em vão, não valeram em nada.
No fundo do meu coração eu ainda tinha esperanças. Esperanças que não adiantariam em nada.
A dor no meu peito ainda estava lá, me assombrando.
Como eu já sabia perfeitamente, a dor seria inevitável!
Arrumei-me lentamente, tentando não desmoronar, ou pelo menos não chorar.
Eu não estava me sentindo muito bem. Minha cabeça parecia que iria explodir a qualquer momento. No fundo eu queria que explodisse, mesmo.
Seria melhor morrer de vez, do que aos poucos!
Alguns minutos eu já estava pronta. Quando dei por mim, já estava no velho carro de minha mãe, indo de encontro à casa de Ângela.
Ângela também não parecia estar com muita animação; Seus lindos olhos castanhos estavam inchados.
Talvez os meus tivessem também, não me incomodei de confirmar.
-Você não esta com uma cara muito boa. -sussurrei com a voz tremula. -Esta acontecendo alguma coisa?
Ângela se virou um pouco no banco do passageiro, para me fitar.
-Estou. -ela abriu um sorriso meigo, me reconfortando. -Bom, não é nada muito importante. -ela abaixou os olhos para as mãos tremulas. -Eu vi algo na floresta.
-Algo?-perguntei entrando de cabeça no assunto.
-Era um lobo enorme. Seus pelos eram pretos como a noite sem estrelas, e seus olhos negros tinha um brilha incomum. -ela suspirou. -Mas não foi isso que me assustou.
-Então o que foi?
-Ele estava atrás de um homem de olhos vermelhos. Lembrei-me dos Cullen, sei que não tem nada haver, mais... -ela começou a chorar desesperadamente.
Parei o carro rapidamente, tentando não bater.
-O que foi?-choraminguei colocando minhas mãos nos ombros de Ângela.
Ela era a minha melhor amiga, eu não queria vê-la chorar, daquele jeito.
Ângela levantou seus olhos cheios de lágrimas e me abraçou fortemente.
-Promete que não vai me deixar?-disse ela em meios aos soluços.
Não consegui entender a pergunta de minha melhor amiga. Mas aquilo não me importava. Eu nunca a deixaria, sempre estaria ao seu lado!
-Nunca vou deixá-la! -sussurrei.
-Obrigada por estar comigo. -ela suspirou. -Tenho medo de ficar sozinha.
-Não precisar ter medo. Estou aqui, sempre estarei.
Pela primeira vez Ângela chorou em meus braços. Não perguntei novamente pelo motivo, afinal, não importava.
Passaram-se minutos, e as lágrimas de Ângela não diminuíam, pelo contrario.
-Diga-me o motivo do medo. -sussurrei acariciando os seus cabelos negros.
-Para falar a verdade, eu sinceramente não sei. O sentimento que senti quando o vi na campina era assustador. Pensei que passaria quando ele se fosse, mas estava enganada.
-Ele te disse algo?-insisti.
-Ele disse que voltaria e me procuraria!- disse ela com a voz modificada pelo desespero.
As palavras dela me feriram profundamente, sem saber ao menos o motivo.
Queria dizer a ela, que era uma promessa que não seria cumprida, mais o sentimento de medo me atingiu antes.
Algo me dizia que o tal homem voltaria, e procuraria por Ângela.
Naquele momento senti raiva, pela primeira vez na vida. Meu corpo começou a tremer ferozmente. Tentei me acalmar, só que eu não estava mais no controle, minha raiva estava.
-O que foi?-perguntou Ângela saindo dos meus braços.
-Não sei. -sussurrei encarando minhas mãos. -Eu sinceramente não sei.
-Calma. -ela sussurrou colocando suas mãos em meus ombros. -Tente se acalmar!
A raiva foi diminuindo aos poucos e com ela a vibração que percorria todo o meu corpo que fazia parecer que minha cabeça iria explodir a qualquer momento.
-Esta melhor?-perguntou Ângela, ainda com suas mãos em meus ombros.
-Sim. – menti. Balancei minha cabeça em afirmação. -Estou calma.
-Que bom... -ela tirou suas mãos dos meus ombros. -Parecia que você ia explodir.
-Também pensei que iria. -sussurrei pensando em como a raiva tinha me tomado rapidamente, sem motivo.
-É melhor irmos!-apontou ela com a cabeça para a noite fora do carro.
-É. - foi tudo que pude dizer, antes de partimos.
Fiquei tentando encontrar forças dentro de mim para poder sair do carro. Ângela continuava me encarando esperando a minha reação.
-Ângela você se importaria de me deixar um pouco sozinha?- perguntei tentando ser o mais gentil possível, tentando esconder o desespero que estava preenchendo todo o seu ser.
Ângela simplesmente sorriu e saiu do carro.
Eu era realmente uma péssima amiga! Ângela era sempre paciente e compreensiva, e eu estava tentando afastá-la de mim.
Tinha que fazer alguma coisa, aquilo tudo só estava me afastando das pessoas que eram realmente importantes para mim. Não deixaria aquela dor me afastar do mundo, me afastar de Ângela. Eu era uma pessoa muito ruim!
“Eu aqui tentando arrumar um jeito de diminuir a minha dor enquanto Ângela estava sofrendo”.
Sai do carro como se fosse um raio, batendo a porta do velho carro de minha mãe com muita força. Havia muitas pessoas na porta da pequena igreja.
Na verdade não parecia ser uma igreja, parecia ser uma capela ou algo do tipo;
Ângela estava parada no primeiro degrau da escada, parecia que estava tentando arrumar coragem para entrar. Olhei ao redor procurando um sinal da presença de Jacob.
O que era típico de noivo, ele não estava lá. Tinhas uns garotos da reserva, mais nem sinal de Jacob – o que não me importava nenhum pouco.
-Oi!- gritou Leah se aproximando de mim, e com ela vinha Sam.
Aproximei-me lentamente, tentando sorrir algumas vezes.
Sam era uma pessoa muito legal, mas confesso que às vezes ele me dava muito medo. Talvez porque ele tinha o tamanho de um urso, talvez até maior.
-Você sumiu!- disse Leah quando finalmente se aproximou de mim.
-Minha agenda estava muito cheia!- menti, fingindo estar descontraia.
-Sei. - Leah balançou a cabeça confirmando, mais seus olhos e sua expressão demonstravam que não tinha acreditado em nem uma só palavra.
Ela me conhecia bem demais para acreditar naquelas simples mentiras, e isso por dois motivos.
Primeiro: Eu sempre fui uma péssima mentirosa.
Segundo: Todos sabiam dos meus sentimentos em relação a Jacob.
Não que eu tinha saído e espalhado pela cidade inteira, mais como todos diziam: eu era fácil de entender.
O único que não me entendia realmente era Jacob.
-Bom, eu vou entrar!- acenei tentando sorrir, mais acho que não fui muito convincente – como sempre.-Tchau!
Leah e Sam acenaram em resposta.
Respirei profundamente tentando arrumar mais um pouco de forças e coragem para entrar na pequena igreja.
Aquele sonho horrível invadiu minha mente me fazendo dar um passo para traz.
A igreja em si era muito pequena e também muito bonita. Parecia àquelas pequenas capelas de filmes antigos que não tinha nem mesmo espaço para a noiva.
Fiquei paralisada quando vi Jacob sentado na primeira fileira de bancos. Ele não parecia estar muito animado ou até mesmo feliz.
A minha vontade era sair correndo e me esconder em qualquer lugar, até que aquilo tudo acabasse.
Mais era tarde demais. Jacob se levantou e começou a caminhar ao meu encontro.
Seus lindos olhos negros estavam tristes e sem vida.
Olhou na roupa que Jacob estava usando. Aquilo me faria rir em outra situação.
Em momento algum pensei que Jacob usaria um terno. Na verdade, não tinha passado pela minha cabeça.
Eu tinha me preocupado tanto em arrumar uma desculpa convincente que tinha me esquecido dos detalhes.
-Você veio!- disse ele quando se aproximou de mim;
Ele parecia estar surpreso, como se estivesse certeza que eu não iria estar aqui.
-Eu não deixaria de ir ao casamento do meu melhor amigo!-falei como se fosse à coisa mais normal do mundo. E até certo ponto era mesmo, se não posse os meus sentimentos.
Jacob sorriu um pouco, parecendo que minha resposta tinha sido convincente.
-Eu tentei falar com você a semana toda!-murmurou ele. -Por onde você andou?
-Andei pelos mesmos lugares de sempre. -respondi sem humor e até com um pouco de raiva.
Ele que estava se casando, ele que estava me deixando, não ao contrario.
Ele estava construindo uma família e não tinha o direito de me querer por perto.
-Podemos conversar lá dentro?- apontou para a pequena sala que servia para se confessar.
Pensei no assunto por alguns instantes.
Seria bom acabar com tudo, de uma vez só.
A única coisa que pude fazer em resposta foi assentir.
A dor me invadiu de imediato, acho que estava começando a me acostumar com ela – se é que era possível.
Quando chegamos à pequena sala Jacob fechou a porta com muita força, fazendo um barulho muito alto.
-Então, sobre o que quer conversar?- dei uma de desentendida.
-Eu queria esclarecer as coisas entre nós. - ele se aproximou de mim. A minha reação automaticamente foi dar um largo passo para traz.
-Não quero que haja nada de errado entre nós. Quero que você entenda tudo, saiba de tudo!
-Eu já entendi tudo, Jake. -respondi.
-Não, você não entendeu!- ele deu mais um passo a minha direção.
Desta vez dei dois passos para traz. Eu não podia mais ter esperanças, não me adiantariam em nada. Só me causaria ainda mais dor.
-Pode falar daí mesmo, Jake?-perguntei encostando as minhas costas na parede.
Eu tinha lutado por ele o máximo que podia.
Tinha lutado por ele a minha vida inteira, já era hora de pensar só um pouquinho em mim.
-Depois do casamento Bella e eu iremos embora!- falou ele depois de alguns minutos.
Eu não esperava outra coisa, afinal, a família de Bella tirando seu pai, moravam em Los Angeles.
-Eu queria me despedir de você, antes. - sussurrou ele.
A voz rouca de Jacob estava mais rouca que o normal, mais ignorei.
-Eu queria que você soubesse que você é a pessoa mais importante neste mundo para mim. Sei que não estou sento muito justo com você, mais, não posso deixar de dizer novamente, que te amo, muito. -começou ele, me ferindo, novamente.
-É você não tem sido muito justo. -sussurrei.
-Você é tudo oque eu preciso neste mundo, você é tudo oque eu quero!
-Para, Jake!- ordenei. A dor naquele momento estava dez mil vezes pior.
Parecia que meus pulmões tinham se fechado, minha cabeça estava girando.
-Não posso ficar ouvindo estas coisas. Sei que você me ama, agora eu sei. Mais entenda não vai adiantar você ficar me falando isso agora, você vai se casar. Você vai embora, você terá uma família. -parei de falar. - Eu estou sendo muito rude com você. Eu estou sendo muito egoísta, mais é só para me proteger. Quando você for embora será muito pior, não quero ter nenhum sentimento bom em relação a você. Nenhum sentimento que eu já não tenha.
-Eu entendo você...
-Eu não quero ter memórias que me machuquem mais. - as lágrimas começar a invadir meus olhos. -Eu não quero ter esperanças, porque sei que não adiantariam em nada.
-Eu não quero mais machucar você!- Jacob se aproximou rapidamente e me abraçou.
-Eu não quero mais vê-la chorar. Ainda mais por mim... -então ele me beijou. Colocando a sua boca na minha.
Todas as minhas células gritavam para que eu correspondesse o beijo de Jacob.
Só que eu não podia, não podia me machucar mais.
Sei que estava sendo muito ruim com o Jacob, mais ele tinha que entender que eu não lutaria, mas por ele.
Eu estava cansada de lutar por algo que estava completamente perdido.
Jacob percebeu que eu não me movia nem um só centímetro, a única coisa que fiz foi chegar os com força. Então ele se afastou de mim, e seus olhos estavam ainda mais tristes, e aquilo também me machucava. Não suportava a idéia de vê-lo sofrer.
-Desculpa. - foi tudo que ele disse antes de partir.
Eu tinha feito tudo que eu não faria em uma ocasião normal, se eu ainda estivesse força.
A culpa me tomou. Eu tinha ferido Jacob, e o pior, era para me proteger. Nunca tinha sido egoísta, mais agora era preciso.
Ele iria embora e me deixaria sozinha com a minha dor, eu precisava fazer algo para diminuí-la. Afinal, quem conviveria com ela seria eu!
Passaram-se minutos e Jacob não voltou.
Escutei uma musica ao fundo e pude perceber que era a musica que tocava quando a noiva entrava.
Abri a porta e descobri que eu tinha razão. O casamento tinha começado.
Andei até o banco mais próximo e observei Bella entrando na igreja.
Ela usava um vestido bem simples. Era branco e longo.
Era evidente a felicidade de Bella. Eu nunca tinha visto ela daquele jeito.
A dor naquele momento estava presente, não era como a dor de antes.
Era uma dor que eu não conseguia descrevê-la.
Tampei minha boca com a mão comprimindo o grito que sairia a qualquer momento.
As lágrimas saiam livremente, sem freio. Eu já não tinha mais forças.
Jacob se virou e me encarou por uns segundo. Seus olhos negros vindo diretamente para mim.
-Desculpe. -sussurrou ele, sem voz.
Bella acompanhou seu olhar e seu largo sorriso se desfez. Era como se ela não quisesse que eu estivesse aqui, parecia que ela pensava que eu faria algo para impedir sua felicidade.
Eu nunca seria capaz de destruir uma família, uma família que ainda seria construída.
Eu não conseguiria viver com a culpa de ter sido a causa da destruição de uma família. Eu nunca tiraria um pai de um pequeno bebê que nem ao menos tinha nascido.
Eu preferia sofrer ao ver um pequeno bebê sofrer!
Bella cochichou algo no ouvido de Jacob, sem tirar seus olhos de mim.
Desviei meus olhos dos olhos de Bella que estavam cheios de raiva e receio.
O padre começou a falar, fazendo Bella e Jacob desviarem seus olhos de mim.
Eu estava me sentindo péssima. Parecia que eu era uma destruidora de lares.
Levantei-me do banco e andei até a pequena saída de igreja. Todos se viraram para me encarar, me fazendo andar ainda mais rápido.
Andei o mais rápido possível pelas pequenas ruas de La Push, sem ligar para o velho carro de minha mãe que eu tinha praticamente abandonado.
Eu não queria pensar. Pensar me trazia a realidade, e com a realidade vinha à dor assombrosa.
Talvez eu tivesse andado por horas, não sabia ao certo. Só me dei conta quando eu estava na rua da casa de minha mãe, em Forks.
Tinha um carro prata parado no meio do encostamento. Passei pelo Volvo sem ligar para quem estava dentro.
Subi a estada que levava a pequena entrada da casa branca.
-Finalmente eu te encontrei!-escutei uma voz doce e muito educada. A voz estava muito perto, parecia que estava bem atrás de mim.
Virei-me lentamente e encontrei um par de olhos dourados me fitando.
Não sabia o motivo, mais quando vi aqueles lindos olhos, meu coração parou de doer.
Agora ele estava acelerado como se eu estivesse participado de uma corrida Olímpica. Minhas pernas ficaram moles e por uns minutos esqueci de respirar. Não havia nem vestígio da dor, ela não estava mais comigo.
Eu não conseguia descrever o que estava sentido, mais era uma felicidade incomum.
Edward continuava me encarando em silencio, devia estar esperando a minha reação.
-Você estava esperando há muito tempo?-apontei para o Volvo que estava no encostamento.
-Um pouquinho. - ele abriu um sorriso torto que fez meu coração acelerar ainda mais. -Mais valeu a pena.
-Então, oque devo a visita?-perguntei a primeira coisa que venho a minha cabeça.
-Como você não tem aparecido nas aulas, ultimamente. -ele parecia envergonhado. -Resolvi entregar a sua bolsa pessoalmente.
-Eu tinha me esquecido completamente dela. –encarei a bolsa por uns instantes. - não precisava se preocupa.
-Precisava sim. -disse ele num tom mais serio. Parecia que eu tinha dito uma coisa absurda. –Talvez você precisasse dela.
-Muito obrigada, mesmo. -disse honestamente.
-Acho que estou atrapalhando, nê?- perguntou ele olhando para a minha mão na maçaneta da porta.
-Não, de forma alguma. - olhei a porta por uns instantes. -Você quer entrar?
Eu não podia deixá-lo lá sozinho, seria uma falta de educação.
-Claro!
Abri a porta e entramos na pequena casa de minha mãe.
-Você quer alguma coisa para beber?-perguntei.
-Não. -disse Edward olhando as fotos que tinha na prateleira. -Acho que o conheço.
Edward apontou para um retrato que estava quase escondido, não pude evitar a cara de dor quando vi a foto.
Era uma foto de Jacob e eu, nos tínhamos 5 anos, e estamos na velha cachoeira.
Naquela época eu era realmente feliz, e não sabia.
-Acho que não. -respondi ao comentário de Edward. -Ele nunca esta por aqui. E como você se mudou há pouco tempo.
-È, você tem razão. Aquele quem é?-perguntou ele para uma foto mais recente.
-Meu irmão. -respondi sorrindo com a lembrança daquele dia da foto.
-Você parece gostar muito dele. -murmurou Edward.
-Sim, ele é uma das pessoas mais importantes da minha vida. -eu não havia mentindo em nada, mais quando se falava em importante incluía Jacob, também.
-É muito difícil irmãos se darem bem. Você teve sorte.
-É eu tive. -meu sorriso se desfez.
-Eu falei alguma coisa errada?-perguntou Edward preocupado.
-Não, é que meu irmão vai se mudar para Chicago, então, não vou vê-lo por muito tempo.
-A despedida é sempre difícil.
-É. - a imagem de Jacob invadiu minha mente. -Mais também são inevitáveis.
-Posso te perguntar uma coisa?-perguntou ele.
-Claro. -respondi me sentando no sofá.
-Você se sente só?- perguntou ele, se sentando ao meu lado.
Pensei na pergunta por um bom tempo, tentando arrumar uma boa resposta.
A resposta me chocou, eu me sentia sim.
Sentia como se eu não tivesse ninguém ao meu lado, ninguém que lute por mim.
-Não. -menti descaradamente. -Você não venho aqui só por causa da bolsa, não é?
-Não, eu não vim. -respondeu ele, colocando seus lindos olhos nos meus.
-Então porque venho?
-Porque eu queria ver você. -respondeu ele.
Eu não fazia a mínima idéia de como iria responder aquela afirmação.
-Bom, Edward, esta ficando tarde!- me levantei do sofá.
-Você tem razão. -ele me ofereceu a bolsa e eu a coloque-a no sofá. -Desculpa se eu disse algo inconveniente, mais, eu quero ser totalmente sincero com você, eu tenho que ser sincero.
-Eu não estou entendendo. -coloquei minhas mãos na cabeça.
-Eu prometi a mim mesmo que não mentiria para você, e estou tentando cumprir esta promessa.
-Talvez eu esteja te colocando na parede, mais não é a minha intenção, de forma alguma.
Eu realmente estava tentando entender as palavras de Edward, mais era como se estivessem milhares de abelhas na minha cabeça. Fazendo um barulho horrível.
-Desde que eu te vi não paro de pensar em você. Eu fico pensando em um bom motivo para vir vê-la. È como se você fosse o oxigênio, o que estou tentando dizer é que estou perdidamente apaixonado por você.
Eu não era tão burra a ponto de não entender, agora. Era como se ele estivesse desenhando.
-Apaixonado?Por mim?
-Por que não estaria?-ele se aproximou ainda mais de mim, e colocou sua mão em meu rosto.
Quando ele colocou sua mão sobre meu rosto, era como se eu tivesse tomado um choque de alta voltagem.
-Por favor, é melhor você ir... -eu não queria sentir oque estava sentindo.
Era como se Jacob simplesmente não existisse mais, como se meu amor por ele tivesse se transformado em nada.
De repente, a gravidade da Terra não me prendia ao lugar onde eu estava. Todos os meus sentimentos em relação a Jacob desapareceram, eram como se nunca estivesse existido.
Todas as linhas que me seguravam na minha vida cortadas ao meio em pequenos pedaços como se tivessem recortado as cordas de um punhado de linhas. Tudo que havia me tornado aquilo que eu era - o amor pelo garoto que havia se casado, meu amor pelo meu pai, meu amor pelo meu irmão Eric, minha lealdade aos meus amigos, o amor pelos meus sonhos, meu lar, meu nome, eu mesma – se desconectado de mim naquele segundo - afundando, afundando, afundando - e flutuando.
Não importava mais nada, o mundo poderia explodir, eu não ligaria. Dês que estivesse com ele. Dês que eu tivesse o amor dele.
Dês que ele fosse feliz!
Eu não me importaria de morrer agora. Eu estava com um anjo, um anjo que era muito importante para mim!
Ele era mais importante que tudo, até mesmo que eu. Era como se a minha existência não importasse, até mesmo para mim.
Capitulo 05: O meu verdadeiro amor por você
A minha cabeça parecia que iria explodir a qualquer momento. E aquele sentimento estranho não havia me deixado, parecia que nunca deixaria.
Não conseguia tirar Edward da minha cabeça e do meu coração. E o pior era saber que algum dia teria que enfrentá-lo, teria que vê-lo. Mesmo lutando contra todas as minhas células para ficar bem longe dele. No fundo eu queria vê-lo, eu precisava ver aqueles lindos olhos dourados que faziam meu coração acelerar.
Deus, o que estava acontecendo comigo?
A menos de vinte e quatro horas eu estava sofrendo com o casamento de Jacob e agora era como se ele nunca estivesse estado em meu coração.
Eu estava sinceramente me sentindo muito mal em relação a isso, eu me sentia uma pessoa fácil, fútil.
Como eu poderia esquecer Jacob em tão pouco tempo?
Tinha conhecido Edward a menos de duas semanas, mais pareciam séculos.
-)
você vai chegar tarde na escola!- gritou minha mãe no andar de baixo.
Levantei-me rapidamente, era como se meu corpo se movimentasse sozinho, como se estivesse um imã enorme me puxando para a porta.
Desci as escadas rapidamente, tentando não cair. Minha mãe estava na cozinha preparando um bolo.
-Estou indo. - avisei passando pela porta indo para a pequena porta que levava ao grande gramado da casa.
Meu irmão estava sentado no primeiro degrau da estada.
-Então, você vai querer uma carona?-perguntei me sentando ao seu lado.
-Não, mais obrigada mesmo assim. -ele sorriu como se estivesse aprontando.
Eu conhecia aquele cara do meu irmão, como se estivesse escondendo algo.
-Posso saber oque você esta aprontando?-perguntei olhando no fundo de seus olhos azuis.
-Sabia que você às vezes é muito irritante?- ele abriu um sorriso de orelha a orelha deixando claro que estava brincando.
-Vou sentir a sua falta. -sussurrei me lembrando que ele iria para Chicago em breve.
-Você sabe que ira poder me ver sempre, ficara cheia de mim. - seus lindos olhos pareciam tristes. - Eu também sentirei falta da minha irmãzinha. -ele fez questão de fazer uma careta quando disse irmãzinha. Mas no fundo eu sempre gostei que ele me chamasse assim. - Se você quiser eu não vou. Eu posso adiar um pouco mais a universidade.
-Não quero prejudicar mais a sua vida. -sussurrei. -Mais logo visitarei você, eu sempre quis andar de avião.
-Eu te ligarei todos os dias. -ele me abraçou. - Sentirei falta de você, sentirei falta da minha irmãzinha. Você sabe que se precisar pode contar comigo, não sabe?
-Claro que sei. -fiz uma careta. -Você não para de repetir isso.
-E nunca pararei. -ele olhou para o céu. -Você não tem aula?
Levantei-me num salto da escada. -Te vejo mais tarde!
Entrei no velho fusca de minha mãe 1951 e foi para a escola.
O estacionamento estava muito cheio e tive que estacionar bem perto do Volvo prata. Olhei ao redor procurando por ele, mais não encontrei nada, nem sinal dos Cullen.
Respirei profundamente duas vezes, e sai do carro sem olhar para os lados.
Ângela estava me esperando na entrada da escola – como sempre-, eu ainda estava envergonhada por deixar ela na igreja sozinha.
-Desculpe por deixar você na igreja, sozinha!-sussurrei baixinho.
-Meu pai entregou seu carro direitinho?-perguntou ela, olhando para o fusca.
-Entregou. Mais você não me disse se me perdoa?
-Claro que te perdoou. -ela sorriu gentilmente. -Você esta diferente.
-Diferente?- olhei para as minhas roupas. -Diferente como?
-Não sei. -disse ela pegando na minha mão e praticamente me puxando para a escola.
Quando entrei na escola senti um perfume doce muito forte fazendo meu nariz arde um pouco, mais eu ainda gostava do cheiro.
-Nossa esse cheiro esta muito forte!- olhei para Ângela.
-Que cheiro?-perguntou ela levantando a sobrancelha.
-Não esta sentindo esse cheiro doce muito forte?-falei respirando fundo para ter certeza que aquele cheiro não era fruto da minha imaginação.
-Não, eu não estou sentindo. -ela piscou duas vezes, parecendo confusa. -Talvez seja porque estou gripada.
-Talvez...
As aulas passaram rapidamente, era como se o relógio estivesse contra mim. Como se ele quisesse que eu me encontrasse com Edward.
Entrei na sala de Matemática bem divagar, rezando para ele não ter vindo.
Olhei para a primeira carteira – onde era o meu lugar de sempre-, e ele não estava lá.
Eu fiquei triste e feliz ao mesmo tempo. Eu queria vê-lo, mais também queria ficar bem longe dele.
Me sentei na cadeira e coloquei minhas coisas em cima da mesa. A sala estava praticamente vazia, não havia muitos alunos, eu poderia contá-los a dedo
A professora entrou na sala e começou a escrever exercícios na lousa, sem olhar para o grosos livro em sua mão.
-Desculpe, professora pela demora!- disse Edward entrando na sala.
A senhorita Catharine olhou para Edward e abril um enorme sorriso.
-Não foi nada. -disse ela passando a mão no cabelo sutilmente. -Só não repita novamente, senhor Cullen.
-Obrigada pela compreensão. -ele abril um sorriso galanteador.
A senhorita Catharine corou instantaneamente. Será que ela não tinha notado que ele era muito novo para ela?
Parecia que Edward estava gostando muito de flertar com a professora.
Será que ele ainda não tinha notado que ele tinha idade para ser filho dela?
Edward se sentou ao meu lado e retirou suas coisas da bolsa as deixando espalhadas na mesa.
-)
você esta se sentindo bem?-perguntou ele, apanhando seu rosto de anjo na mão.
-Estou por quê?-perguntei rispidamente.
-Nada, mais você esta muito vermelha. -disse ele apontando para o meu rosto. -Parece que vai explodir a qualquer momento.
Eu iria explodir mesmo, mais era de raiva.
Meu corpo começou a tremer como no dia do casamento. Minha cabeça começou a latejar como se tivesse abelhas dentro dela, me impedindo de pensar.
Só que desta vez eu sabia perfeitamente o motivo da raiva. Eu estava morrendo de ciúmes de Edward e sabia perfeitamente que não tinha o direito de ter, mais eu queria ter esse direito.
Balancei a cabeça para afastar o pensamento. Tentei prestar atenção no que a senhorita Catharine estava explicando, mais era como se ela falasse em outra língua, as palavras não faziam sentido algum.
Eu ainda estava tremendo, mais não estava tanto como antes. A raiva e o ciúme estavam passando lentamente, mais eu sabia, se eu olhasse para Edward, aqueles sentimentos voltariam rapidamente.
A aula pareceu durar anos, ou até mesmo séculos. E quando escutei o sinal era como se tivessem tirado um grande peso de meus ombros.
Coloquei as coisas na bolsa e andei rapidamente para fora da sala.
O corredor estava lotado de pessoas, era até difícil conseguir andar. Tentei esquecer “ele” por alguns minutos, mais não tive muito sucesso, porque escutei sua linda e doce voz ao longe.
Forcei minhas pernas a andarem mais depressa mais parecia ser uma coisa impossível, mais até que eu não estava tão lenta como antes, aquilo só poderia ser um grande milagre.
Senti duas mãos grandes e macias me impedindo de continuar andando. Senti novamente aquele perfume doce, mais agora o cheiro não estava mais tão forte como antes, e não fazia meu nariz arder.
Esperei até que aquelas mãos me soltassem. Que para mim durou uma eternidade, e quando finalmente eu estava livre me virei para ver quem havia me prendido daquela maneira.
Edward estava com os seus olhos fechados, como se estivesse com dor ou como se estivesse se concentrando em fazer algo muito difícil.
-Posso saber por que me prendeu?- perguntei colocando minhas mãos na cintura.
-Você pareceu não me escutar. Então resolvi fazer alguma coisa para você me escutar. - disse ele abrindo os olhos.
-E oque você tem de tão importante para me falar?
-Não pode ser aqui. -ele olhou ao redor. -Aqui tem muitas pessoas. O que eu tenho pra falar com você têm que ser em particular.
-Então, onde o senhor deseja falar comigo?-perguntei, tentando esquecer aquele ciúme louco que agora estava me tomando.
-Pode ser na sua casa?-perguntou, levantando a sobranselha.
-Essa hora a minha casa tem muita gente. -respondi.
-Então pode ser na minha?-perguntou ele.
A idéia de ir a casa dele não era nada mal, quer dizer, ninguém sabia como era a tal casa e eu estava muito curiosa.
-Pode. -respondi, tentando esconder a minha animação.
A casa parecia ser bem longe porque já fazia vinte minutos que estávamos no carro.
O caminho todo observei as árvores e o céu cheio de nuvens carregadas. Eu estava pensando se seria melhor perguntar ou ser paciente quando ele virou numa estrada sem pavimento. Não havia sinalização, ela era praticamente invisível entre as árvores. A floresta se estendia pelos dois lados, deixando a estrada à frente visível apenas por causa de umas curvas em formato de serpente, ao redor das árvores antigas.
E entre, alguns quilómetros mais a frente, havia algo brilhando por entre as árvores, e então de repente apareceu uma pequena clareira, ou será que era um quintal? O brilho da floresta não desapareceu, pois havia seis árvores enormes que circundavam o lugar em todas as suas arestas. As sombras mantinham suas sombras seguras sobre as paredes da casa que se erguia por entre elas, tornando obsoletas as minhas primeiras explicações.
Eu não sabia o que esperar, mas definitivamente não era isso. A casa era antiga, graciosa, e tinha provavelmente uns cem anos. Era pintada de um branco suave, fraquinho, tinha três andares, era retangular e bem proporcionada. As janelas e portas faziam parte da estrutura original ou de uma restauração muito bem feita. Eu podia ouvir um rio por perto, escondido pela obscuridade da floresta.
Edward desligou o carro e ficou uns minutos em silencio, sem ao menos olhar para mim. Seus olhos estavam fechados com muita força.
-Não tenho mais forças para ficar longe de você. -ele sussurrou ainda com os olhos fechados.
Eu não sabia oque dizer ou oque fazer. Pensei em dizer a verdade, que meus sentimentos estavam me torturando e que eu também queria ficar com ele, então porque eu não dizia?
Porque eu me sentia culpada em relação a Jacob, me sentia estranha em deixar de amá-lo de um dia para o outro. Eu me sentia a pior mulher do mundo.
A vida inteira eu tinha amado Jacob e do nada aquele sentimento todo havia desaparecido. Será que tudo o resto tinha sido uma mentira?Será que eu nunca havia amado Jacob de verdade?
Não, eu sabia exatamente oque eu havia sentido, eu não havia me enganado.
Eu amei Jacob, mais parecia que tinha sido há muito tempo atrás.
O sentimento que eu estava sentindo em relação a Edward era completamente diferente, era um sentimento mil vezes maior.
Um sentimento que parecia que faria meu coração explodir a qualquer momento, como se ele não tivesse tamanho o bastante.
Eu ainda estava confusa, mais nunca tinha estado em relação a Edward. Eu estava porque não conseguia entender aquilo tudo. Era como se eu fosse outra pessoa.
Eu estava perdida em meus pensamentos, perdida na culpa de esquecer Jacob em tão pouco tempo, e não percebi quando Edward abril os olhos.
-Você me ama?-perguntou ele, colocando seus olhos nos meus.
Eu não poderia negar, não poderia negar que ele era a pessoa mais importante do mundo para mim. Que eu não poderia viver mais sem ele, não poderia mais.
-Sim, eu te amo. –admiti sem medo. -Eu não sei oque aconteceu. Eu só sei de uma única coisa, que te amo mais que tudo nessa vida.
Ele sorriu e se aproximou lentamente de mim, seus olhos fitando os meus com doçura. Então ele colocou sua mão em meu rosto e colocou seus lábios nos meus.
Era como se eu estivesse morrido e tinha ido para o paraíso. A sensação de ter seus lábios nos meus não era desse mundo, era uma sensação de paz, paixão, ternura e o mais importante de tudo, de amor. Eu podia sentir o amor em seus lábios, sentir a calma.
Eu queria que aquele momento paralisasse e que nunca acabasse.
Depois de alguns minutos seus lábios separaram-se dos meus.
-Eu quero fazer isso direito. – ele passou sua mão no banco de trás do carro a procura de algo. - )
Clearwater, você gostaria de ser minha namorada?- perguntou ele me entregando uma caixinha pequena preta.
-É tudo oque eu mais quero. -respondi abrindo a pequena caixinha. Destro havia um pequeno anel delicado com diamante perfeitamente bem colocado, o deixando ainda mais belo. Aquele anel era a coisa mais linda que eu já tinha visto, depois de Edward – claro. - Acho que não posso aceita esse anel, deve ser muito caro.
-Não me custou nada. -ele apontou para a caixinha em minha mão. -É a única coisa que minha mãe me deixou de lembrança.
-Por isso mesmo, não devo ficar com ele.
-Por favor, por mim!-ele choramingou.
-Se o deixa feliz. -respondi tirando o pequeno anel e colocando em meu delo. Quando eu ia colocá-lo em meu delo Edward o tirou de minhas mãos.
-Eu faço isso. -então ele colocou o lindo anel em meu delo.
Depois de colocar o lindo e pequeno anel em meu delo, Edward beijou minha mão sem tirar seus olhos dos meus.
Eu me sentia completa, como e eu estivesse encontrado a minha alma gemia. Eu sabia que tinha realmente encontrado, o amor da minha vida. Mas mesmo assim, a minha culpa não tinha diminuído, era como e estivesse algo prezo em minha garganta, me fazendo perder o ar.
-Eu não quero que ache nenhum segredo entre nós...
-Você tem algum segredo?-perguntei curiosa.
-Tenho. –respondeu ele ficando mais serio. -Mais acho que logo será o seu também.
-Não entendi. -respondi sinceramente.
-Eu vou te explicar tudo. -ele suspirou. -Sobre mim e sobre você.
-Sobre mim?-respondi confusa. -Mas eu não tenho nenhum segredo.
-Mais será. -ele abriu aquele sorriso torto que deixava meu coração ficar louco. -Eu vou te explicar desde o começo.
Capitulo 06: Amor além da vida
-Você lembra das lendas da sua tribo?-perguntou ele seriamente.
-Lembro. Mais o que elas tem a ver com isso?
-Na verdade, elas têm tudo a ver. -ele olhou ao redor. -Então, sobre o que você se lembra?
-Bom, lembro dos guerreiros que saiam de seus corpos, que lutavam com seus espíritos. Lembro também da terceira esposa e lembro um pouquinho das histórias da alcatéia.
-Não tem mais nada?-ele perguntou fazendo uma careta.
-Bom... -coloquei minha mente para funcionar. -Ah, lembro das historias dos frios.
-E sobre o que você lembra sobre os frios?- continuou ele.
-Lembro que eles bebiam sangue para sobreviver e que eram muito fortes. – sussurrei. -Não entendo a onde você quer chegar.
-Você acredita que essas histórias poderiam ser reais?-perguntou.
-Bom, não sei. -afirmei. -Poderiam.
-Então, você acreditaria se eu te dissesse que essas histórias realmente são verdadeiras?
Agora eu não sabia o que responder, eu poderia dizer que não mais estaria mentindo. Sempre gostei daquelas lendas e sempre quis que elas fossem verdadeiras.
-Eu acreditaria. - respondi finalmente depois de alguns minutos.
-Eu vou ser direto com você. -ele suspirou. -Espero que você ainda goste de mim, depois de saber o que eu sou, e o que eu faço para sobreviver.
-Eu sempre vou amar você. -coloquei minha mão em cima da dele. -Eu sempre vou estar com você.
-A primeira coisa que você deve saber, é que eu tenho um poder. -ele esperou minha reação.
-Um poder?-perguntei calmamente.
-Eu posso ler mentes, ouvir os pensamentos das pessoas. -continuou ele esperando a minha reação.
Parecia ser uma coisa absurda, mas, por incrível que pareça eu acreditava nas palavras de Edward, eu sentia que aquelas palavras eram verdadeiras.
-Você acredita em mim. -ele afirmou.
-Se você sabia o tempo todo que eu te amava porque não me falou nada?-perguntei curiosa.
-Eu só tive certeza quando eu fui à sua casa, eu ouvi o que você estava pensando. -o seu sorriso desapareceu. -Eu queria tirar aquela tristeza do seu coração e não sabia como.
O meu sorriso desapareceu também, eu não sabia o que fazer. Ele sabia de tudo!
-Sim, eu sei. Mais saiba isso não muda nada. -ele colocou sua mão fria em meu rosto. -Eu sempre vou estar com você, meu amor.
-É estranho saber que você ouviu meus pensamentos, mas, eu não me importo. -coloquei minha mão em seu rosto de anjo.
-Você amava Jacob verdadeiramente. -ele abaixou seus olhos. -Sei que você me ama, mais...
O meu coração doeu em ver a tristeza em seus olhos dourados.
-Eu amo você, isso que importa, não é?-me aproximei dele.
-Com a gente é muito mais que simplesmente amor. -ele levantou seus olhos fitando-me. - Com agente aconteceu uma coisa chamada imprinting.
-imprinting?-perguntei confusa.
-É como se fosse à mistura de todos os sentimentos. A mistura de todas as formas de amar. -ele passou seus dedos pelo meu braço, fazendo meus pelos se arrepiarem. -E por isso é muito mais forte.
-Eu já ouvi algo sobre isso, mais não sei onde... -murmurei.
-Você ouviu nas lendas Quileute. -sussurrou ele. -Eram comuns os lobos terem isso.
-Então você é um lobo?
-Eu não, mais você sim. -ele tirou uma mexa que caiu do meu cabelo tampando os meus olhos, colocando atrás da minha orelha. -Você é uma descendente Quileute. Seu avô foi um lobo, é assim que acontece.
-Então todas aquelas historias eram verdadeiras?-sussurrei.
-Sim, todas elas. -seus olhos ficaram sérios de novo me deixando angustiada. -Não precisar ficar assim. Só estava tentando arrumar coragem para te dizer o que eu sou.
-O que você é?-perguntei automaticamente.
-Eu sou um frio. -ele respirou fundo. -Eu sou um vampiro.
-Se você é um vampiro e eu sou uma loba, somos inimigos naturais. –afirmei. -Como poder haver um imprinting entre nós?
-Essa é uma pergunta que eu ainda estou procurando a resposta. -ele afirmou. -Você não vai me odiar, por ser um monstro?
-Você não é um monstro. Você não tem culpa de ser um vampiro. E eu não me importo de você ser um. Meu amor por você esta muito, além disso, pelo menos, para mim.
-Para mim também. -ele me abraçou. -E fique tranquila eu não tomo sangue humano, eu não mato ninguém.
-Isso nem passou pela minha cabeça, ainda. -confessei.
-Eu sei, mais queria deixar claro. -ele sorriu timidamente. –A sua transformação esta próxima.
-Como você sabe?
-Eu fiquei prestando atenção em seus pensamentos. Seus sentidos estão ficando cada vez melhor. Hoje você sentiu o cheiro doce que queimou um pouco o seu nariz. - ele ficou um minuto em silencio. -E aquele cheiro é o cheiro dos vampiros. – continuou ele. Ele sorriu quando viu a expressão de choque em meu rosto. –Você tem que falar com os anciões da tribo, só eles vão poder lhe ajudar, nessa parte.
-Tem mais lobos em forks?-perguntei.
-Por em quanto só tem um. -ele suspirou. -Seu nome é Sam, tive a oportunidade de vê-lo quando cheguei.
-Ele não te atacou?-perguntei assustada.
-Bem, que vontade não faltou. Mas, há muito tempo atrás minha família fez um trato com o alfa da matilha naquela época. Nós não mataríamos ninguém e eles não declarariam guerra, assim poderíamos viver em paz.
-Eu sei dessa historia. Meu pai me contou há muito tempo. -o lembrei.
-Você não tinha pensado nisso perto de mim. -ele declarou.
-Bem, na próxima me pergunte, seria bem mais fácil do que esperar eu pensar. -reclamei.
-Bom, agora eu já sei. -sussurrou ele se aproximando
-)
, onde você está?-perguntou uma voz grossa que eu reconhecia perfeitamente.
Já fazia anos que eu não escutava a voz grossa de meu amado avô. Ele morava no Texas, então eu nunca o via.
-Estou em Forks. -respondi simplesmente. - Quanto tempo eu não falo com o senhor, senti a sua falta.
-Eu também senti a sua falta, querida. -ouve uma pausa. –Estou aqui em La push, será que eu posso te ver, agora? Estou morrendo se saudades suas.
-Claro vovô. -olhei para Edward que estava prestando muita atenção. “Você se importaria?”-perguntei mentalmente. Em resposta Edward abriu aquele sorriso torto, e por alguns instantes me esqueci de como respirar. -O senhor esta na casa do tio Harry?
-Não, estou na casa do seu pai. -ele suspirou. -Você sabe como ele é insistente.
-Sei. -gargalhei imaginando a cena. Meu pai puxando meu velho avô pelo braço. – Que pena que perdi. - murmurei para mim, mesma. -Estou a caminho.
-Não precisa se apressar, querida. -teve uma pausa, novamente. -Mas, é claro que eu gostaria de ver a minha preciosa netinha, agora.
-Estou indo. -sorri. -Tchau.
-Tchau. -respondeu vovô, antes de desligar.
Coloquei meu celular no bolso de trás da minha calça. Edward estava sorrindo alegremente, eu não sabia idéia do motivo.
-Você parece gostar muito de seu avô. -ele passou sua mão pelo meu rosto, o acariciando.
-Sim. -sorri. -Ele é único.
-Posso te levar em casa?-perguntou ele, sorrindo.
-Claro que pode. -de repente, eu senti uma vontade louca de abraçá-lo, era como se a separação estivesse próxima. No fundo eu morria de medo de perdê-lo. Era como se eu já tivesse passado muito tempo sem ele, como se eu não o tivesse por muito tempo.
-Nunca vou deixá-la. -ele me abraço, atendendo meu desejo.
Nos seus braços eu me sentia segura, como se nada mais me machucaria. Como se eu posse invencível. Respirei seu perfume doce, como se eu pudesse prendê-lo em meus pulmões. Eu não queria ir, não queria deixá-lo, nem agora e nem nunca.
Sai de seus braços relutando.
A viagem passou rapidamente, e logo eu já estava na frente da casa de minha mãe.
Edward se virou e me fitou por alguns minutos, como se a separação também posso insuportável para ele.
-Eu te amo. - disse ele, vindo me beijar.
-Eu também, te amo. -sussurrei entre seus beijos.
Então ele saiu do carro e se foi, rápido demais.
Passei para o banco do motorista desajeitadamente. Dirigi sem tirá-lo dos meus pensamentos, seu rosto de anjo invadia minha mente, deixando o meu coração mais calmo.
Cheguei à pequena casa de meu pai, depois de alguns minutos. Meu velho pai estava largado no sofá assistindo um jogo de futebol americano, distraidamente. Senti um cheiro muito bom vindo da cozinha, só podia ser meu avô. Aposto que meu pai o vez fazer uma torta, nada bobo! As tortas do vovô eram as melhores.
-Oi, pai. -disse me sentando ao seu lado e dando-lhe um beijo no rosto.
-A nossa menininha chegou!-disse meu avô, entrando na sala.
Levantei-me num salto, indo abraçá-lo. Eu tinha passado anos sem vê-lo, o que me fez sofrer muito. A relação entre agente era maravilhosa.
-Vocês ainda me chamam assim?-perguntei, fazendo uma careta.
-Você sempre será a nossa menininha, não é Ben? – vovô olhou para meu pai esperando a resposta, mais meu pai estava tão distraído que nem percebeu. – O perdemos para o jogo. -murmurou fazendo uma cara de falsa chateação.
-Sim, o perdemos. -entrei na brincadeira.
-Podemos conversar lá na cozinha, enquanto eu termino te fazer à torta?-perguntou vovô, ficando sério de repente.
-Claro. –disse, o seguindo até a cozinha.
Sentei-me na bancada observando meu avô. Ele não tinha mudado muito. Na verdade a única coisa que tinha realmente mudado era o seu cabelo, que agora estava totalmente branco – diferente da ultima vez.
Vovô tirou à torta do forno e a colocou na pia esperando ela esfriar.
-Você ainda gosta de comê-la quente? –perguntou ele, apontando para a torta.
-Tem coisas que nunca mudam. -murmurei para mim mesma.
Vovô colocou um pedaço enorme em um prato e colocou em minha frente, sorrindo quando viu a minha empolgação.
Tratei de comer a torta em silêncio e meu avô só ficou observando sorridente.
Terminei de comer a torta depois de alguns minutos, e meu avô pegou mais um pedaço para mim.
Se meu pai lerdeasse acabaria ficando sem nenhum pedaço!
-Querida, eu vim aqui, especificamente, para falar com você. -vovô disse depois que terminei de comer o segundo pedaço.
-Comigo?-perguntei.
-Sim, com você. -ele ficou serio, novamente. -Você esta mudando e precisa da minha ajuda.
-O que o senhor quer dizer com mudando?- olhei no fundo dos olhos verdes de vovô.
-Acho que você sabe perfeitamente o que estou querendo dizer. -ele disse apenas, esperando a minha reação.
Claro que eu sabia! Meu avô sempre teve um sexto sentido em relação a mim.
Lembro-me que quando eu estava com problemas ele sempre sabia, e ele dizia que era porque tinha um dom, um dom que eu nunca desacreditei.
-Você esta se tornado uma loba. - meu avô não gostava de rodeios, então sempre ia direto ao assunto. -E também sei que você teve um imprinting, com um vampiro.
-Vovô, como você sabe dessas coisas? Quero dizer, você estava longe, e ninguém sabe disso.
-Eu sonhei com você nas ultimas noites. -ele pegou minha mão. -Sonhei com o seu impriting. Eu sempre soube que seria com um vampiro.
-O senhor esta com raiva de mim? Afinal, eles são nossos inimigos naturais.
-Claro que não estou. -vi a magoa nos olhos de meu querido avô. - As coisa não são mais como eram antes. Os vampiros não são mais nossos inimigos, pelo menos, os que não bebem sangue humano. - ele sorriu me reconfortando. - Eu queria lhe explicar direito o que é o imprinting. -ele se sentou no banco ao meu lado. -Diferente do que as pessoas pensam o imprinting não é uma mandinga ou algo do tipo. Na verdade o imprinting acontece com todas as pessoas, mas, claro, o imprinting que acontece com os lobos são mais fáceis de perceber.
-Então, isso não é uma coisa que só os lobos têm?-perguntei.
-Não, queria. -ele ficou pensativo, como se estivesse escolhendo as palavras certas para me explicar, melhor. -O imprinting é o reencontro de duas almas que se amam, e que já se amaram, muito. Os humanos chamam de amor à primeira vista. - ele ficou em silêncio, novamente. – O amor é tão forte que ultrapassou a morte, e continua ultrapassando.
-Então, eu já conheci Edward em outra vida?
-Sim, você o conheceu em outras vidas. -ele sorriu. - Muitas pessoas não acreditam nisso, mais, eu sei,que existe reencarnação. Eu tive sorte de lembrar das minhas vidas, anteriores.
-Então, o imprinting é como se fosse alma gêmea?
- Sim, exatamente. -ele olhou para a pequena janela a nossa frente. – Então quando a alma reconhece a outra acontece o imprinting. Esse sentimento te acompanhou por muito tempo, só que estava muito bem escondido, esperando Edward aparecer.
-Mas, antes de eu sentir isso, eu era completamente apaixonada pelo Jacob. Eu não tinha que sentir isso só pelo Edward, tipo, só uma vez na vida?
-O que você sentia pelo Jacob era outro sentimento. O sentimento era tão forte que fez você pensar que era um amor que apenas um homem sente pela mulher, e visse versa. Você pensou que era um amor para casar, ter filhos, etc.
-Então o que eu senti por ele era mentira?
-Não, não era. -ele colocou sua mão em meu rosto - Você e Jacob têm uma ligação muito forte, mais não como esse tipo de amor. Essa ligação é com um amor de irmão, amigo. E essa ligação é tão forte que confundiu você. -ele olhou para os passarinhos que pousaram na janela o fazendo rir.- Você e Edward já lutaram muito por esse amor, e continuaram.Lutaram tanto que acabaram perdendo a vida.
-Tipo, Romeu e Julieta?-perguntei.
-Nem Romeu e Julieta lutaram tanto. - o choque passou pelo meu rosto, fazendo meu avô rir. –Eu vou te contar uma historia.
“ Yonah foi à primeira loba da espécie e também foi à única alfa mulher. Ela dava a sua vida pela tribo, pela matilha. A sua vida era nos defender.
Mas um dia aquilo mudou completamente. O dia que ela encontrou o seu verdadeiro amor.
Ele estava na beira do penhasco, ele estava tentando acabar com a sua existência. Quando Yonah percebeu o que ele era, paralisou automaticamente.
Mas algo nele era diferente, seu cheiro não era como o cheiro de um vampiro qualquer.
Seu cheiro era o perfume mais delicioso que ela já havia sentido, e aquele perfume doce não fazia seu nariz arder.
Então o vampiro percebeu sua presença e se virou para fita-la, e quando seus olhos se encontraram algo surreal aconteceu.
Ela nunca tinha sentido algo tão forte tomando seu coração, e o vampiro sentiu o mesmo.
Ele não tinha mais desejo de arrancar sua vida, naquele momento ele tinha um motivo para lutar, para continuar vivo, se é que estava vivo.
Os dois ficaram muito próximos e quando finalmente Yonah decidiu contar para sua família era tarde demais.
Os lobos encontraram Heath em uma caverna escondido, a primeira reação dos lobos foi de completamente medo, mais então eles decidiram acabar com a vida do vampiro, claro, depois de se encherem de coragem. O motivo desse medo era porque o tal vampiro tinha seus olhos dourados, e eles nunca tinha visto algo assim antes.
Mas eles não sabiam que o vampiro tinha olhos assim por causa da sua escolha de vida. Heath tinha decidido não matar ninguém, ele tinha medo, pavor, de um dia matar a linda Yonah, tinha pavor de ser um mostro.
Quando os lobos iriam dar o golpe final Yonah chegou a caverna para ver seu amado.
Heath viu o pavor nos olhos cor de mel de Yonah. Ela estava cheia de medo, cheia de raiva, por a matilha estava tirando a vida de Heath.
A matilha que ela deu a vida para salvar, agora estava a matando, aos poucos;
Pela primeira vez na vida atacou seus irmãos, ela não podia deixá-lo morrer.
Ela lutou com todas as suas forças, mais a matilha estava forte demais, e eles acabaram perdendo a luta.
Os dois lutaram até o ultimo momento pelo amor deles.
Yonah estava muito ferida, mas, mesmo assim, continuou lutando pelo seu amor, lutando pela razão da sua existência.
Os lobos os colocaram no meio do povoado, ainda vivos. Todas as pessoas da tribo gritavam que a Yonah era uma traidora, que merecia morrer queimada.
Mais, em momento algum Yonah tinha os traído. Ela amava aquela tribo, mais não podia viver sem o seu amor, não podia deixá-los o matarem sem ao menos tentar o defender.
Eles colocaram fogo nela ainda viva. Ela gritava de dor e eles não faziam nada.
Heath viu sua amava morrer aos poucos, sem ao menos poder fazer nada, sem poder defendê-la.
A ultima coisa que ela gritou era que o amava, e que nunca o deixaria, que nunca o esqueceria.
Heath ainda estava vivo mais só por fora. Por dentro ele já havia morrido com Yonah.
Ele gritou que o matassem, mais a matilha resolveu o deixarem vivo, porque a morte era tudo o que ele queria, tudo o que ele precisava.
Eles deixaram que Heath partisse, mais oque eles não sabiam era que ele voltaria e se vingaria.
Heath não deixou ninguém vivo, nem mesmo os lobos. Na raiva ele tinha encontrado forças suficientes para acabar com todos.
As únicas pessoas que ele deixou vivo foram às crianças e as mulheres grávidas, porque as crianças não tinham culpa pelos erros dos pais.
Mesmo ele matando os culpados pela morte de Yonah, a dor dele não tinha diminuído, porque ele sabia que ela nunca voltaria.
Então um dia ele encontrou um vampiro nas montanhas e o pediu que o matassem.
O vampiro viu a dor nos olhos de Heath, e aquilo foi oque o deu coragem.
Dizem que um dia Yonah e Heath vão estar juntos novamente, e que vão ser felizes.
Porque Yonah esta em algum lugar esperando seu único amor, e o vampiro Heath faz o mesmo.
O amor deles foi tão forte que ultrapassou morte, ultrapassou reencarnações.
E quando eles estiverem juntos novamente, se reconheceram, por que são uma alma só dividida em duas.”
Aquela historia me trazia um sentimento de dor e agonia, como se eu entendesse perfeitamente o que Yonah havia sentido.
As lágrimas invadiram meus olhos caindo ferozmente sobre meu rosto. Eu estava sentindo uma dor tão grande, uma dor muito mais forte que tudo que já senti, antes.
O sentimento de perda não me deixava.
Meu avô continuou me encarando como se já soubesse que aquilo iria acontecer.
-Vovô, eu não sei o que acontece. -murmurei, tentando explicar o motivo do meu choro.
-Mas, eu sei. -ele me abraçou. -Sua alma reconheceu o passado. E isso faz a dor voltar novamente.
-Mas, eu não entendo. Reconheceu o que?-falei confusa.
-Você reconheceu o que aconteceu com você há muito tempo atrás. Você é Yonah e Edward é Heath. -ele me apertou entre seus braços, como se tentasse que a dor me abandonasse, mais a dor era forte demais. -Desculpe por fazer isso com você. Sei que é muito doloroso lembra de vidas passada, ainda mais uma que foi cheia de sofrimento. Mas eu precisava que você entendesse e assim era a única forma. - vovô colocou sua mão em meu queixo, me obrigando a fita-lo. –Agora você entende? Seu amor pelo Edward era forte demais para morrer, forte demais para esquecer. A sua alma procurava por ele, ela só descasaria se o encontrasse, e o mesmo aconteceu com ele. A parte Yonah dentro de você nunca descansaria, e agora, finalmente, ela o encontrou.
-Então, porque eu não o reconheci quando o vi pela primeira vez?
-Porque você estava sofrendo por outro, você estava confusa em meios os seus sentimentos, e na verdade toda aquela dor que você sentiu em relação a Jacob nunca foi por ele de verdade. A sua alma estava enganada, ela estava achando que Jacob era o Heath, mas mesmo depois de beijá-lo pela primeira vez a parte de Yonah em você pensou que tinha encontrado seu amor. Então precisou que Edward se declarasse, porque a alma dele sim te reconheceu imediatamente, então todo o amor que você sentiu, e sente, por ele finalmente apareceu, porque sempre foi ele, e sempre será, o único amor da sua vida.
-Eu estou confusa. -sussurrei soluçando. -E como o senhor sabe tanto sobre isso? Como o senhor sabe até mais que eu mesma, sobre meus sentimentos?
-Por causa do meu dom, como eu já tinha dito. -ele riu. -Porque eu estava lá, eu vi a dor nos olhos de Heath, eu era o vampiro que tirou a vida dele por piedade.
-Então, o senhor sempre soube que eu estava à procura dele?
-Sim, eu sempre soube. -ele continuou rindo. -Como eu já te disse, eu lembro de todas as minhas vidas passadas, e reconheço as pessoas, que faziam parte delas. Quando eu era um vampiro eu já tinha esse dom. Eu sempre soube que minha linda netinha era Yonah, e eu sempre estava aqui tentando lhe ajudar a encontra o seu amor.
-Obrigada...
-Mas eu tentei tanto que acabei não fazendo nada. Foi o destino que uniu vocês novamente, eu só fiquei com a explicação. –ele ficou serio. -Não mudara nada, eu ainda continuo sendo seu velho avô de sempre, um avô que sabe muitas coisas.
-Não, não mudara vovô. -afirmei.
Capitulo 07: Memórias do passado
O dia passou rapidamente e eu só fui perceber realmente que horas eram quando meu pai desligou a TV.
Aquela historia de vidas passadas não me importava, ou era isso que queria pensar. Mas a única coisa que eu realmente sabia era que eu amava Edward, mais que a minha própria vida, e não influenciaria em nada toda aquela historia.
No fundo eu tinha um medo, um medo que me fazia tremer por dentro só de pensar. Eu não queria que a minha pequena história com Edward terminasse como havia terminado a trágica história de Yonah e Heath.
Se eu fosse ela ou não, isso não importava agora. Eu lutaria com todas as minhas forças para não deixar esse amor, que fazia meu coração parecer pequeno, morrer.
Uma coisa eu tinha aprendido em relação aquela historia toda, não deixaria ninguém me afastar do meu amor, nem mesmo os lobos que ainda não faziam parte da minha vida.
Por alguma razão eu estava confusa, eu já amava a matilha, mesmo não sendo parte dela realmente. Mas eu não escolheria as escolhas erradas novamente. Não os deixaria me afastar do meu único e verdadeiro amor.
Ali naquela sala escura eu pude perceber o que era realmente importante para mim. Eu sempre amaria Edward, aquilo era a única coisa que eu realmente tinha certeza, e sem ele a minha vida não tinha nenhum sentido. Ele era a razão da minha vida, a razão pela qual eu estava viva e ainda estava respirando.
Sempre me senti deslocada e sem sentido algum e agora aquilo tinha mudado rapidamente.
-O que está fazendo ai? –perguntou uma voz rouca vindo do pequeno corredor me fazendo pular de susto.
Olhei ao redor e meu avô estava parado na porta com um sorriso enorme, era como se ele tivesse estado ali há anos e só eu que não tinha percebido.
-Estava pensando. -sussurrei sem jeito, envergonhada. Às vezes parecia que vovô lia meus pensamentos e isso me causava uma enorme vergonha.
-Eu posso saber sobre o que?-ele disse se sentando ao meu lado no pequeno sofá.
Eu estava escolhendo as palavras lentamente, sem ter resultado. Falar sobre aquele história me dava muita vergonha, não por mim, claro, mas por um único motivo, eu não tinha completamente certeza se eu era Yonah. Era como se eu estivesse falando dela pelas costas e isso era uma coisa horrível.
- Não precisa falar. -ele colocou sua mão em meu cabelo me fazendo sentir como uma menina de seis anos novamente. -Eu vou à casa do Harry, você quer vim comigo?
Seria ótimo ver meu tio novamente, afinal, já fazia meses que eu não o via, nem mesmo a meu primo que parecia ser o meu irmão mais novo.
-Claro. -me levantei do sofá num pulo. Eu estava com saudades de verdade de meu tio Harry, ele sempre foi muito bom para mim e meu irmão, quando a gente ficou alguns meses na casa dele quando meus pais se separaram. Sempre tive muita dificuldade de aceitar o segundo casamento de minha mãe. Ted era legal, mas não era o meu pai. Mas o real motivo de eu não gostar de Ted era porque o casamento tinha sido muito depressa. Minha mãe só tinha um mês de solteira. E ela não conhecia o seu novo namorado o bastante!
-O que exatamente vai ter lá?-perguntei saindo para a noite com meu avô ao meu alcanço.
-Uma reunião familiar. -disse ele pensativo.
-Então por que meu pai não vem?-perguntei interessada.
-Não é exatamente uma reunião familiar desse jeito. Vai ser alguns amigos, mas nada demais.
-Ah. -disse somente em quando andávamos pela reserva.
A casa do meu tio era uma das maiores casas deLa Push. Toda branca com portas e janelas largas. Tinha três andares e parecia mais ser uma pensão antiga. Mas tinha sido mesmo, antes de meu avô a dar para seu filho mais velho de presente de casamento.
-Que bom que você veio, querida! -disse minha tia Sue aparecendo na porta. Ela era uma das pessoas especiais na minha vida. Na verdade ela era como se fosse uma mãe para mim. Meu relacionamento com a minha mãe não era o melhor de todos, ela parecia ser mais uma tia do que uma mãe. Minha doce tia me deu um abraço materno cheio de amor e carinho. Como eu havia sentido falta dela!
O dia passou rapidamente e eu só fui perceber realmente que horas eram quando meu pai desligou a TV.
Aquela historia de vidas passadas não me importava, ou era isso que queria pensar. Mas a única coisa que eu realmente sabia era que eu amava Edward, mais que a minha própria vida, e não influenciaria em nada toda aquela historia.
No fundo eu tinha um medo, um medo que me fazia tremer por dentro só de pensar. Eu não queria que a minha pequena história com Edward terminasse como havia terminado a trágica história de Yonah e Heath.
Se eu fosse ela ou não, isso não importava agora. Eu lutaria com todas as minhas forças para não deixar esse amor, que fazia meu coração parecer pequeno, morrer.
Uma coisa eu tinha aprendido em relação aquela historia toda, não deixaria ninguém me afastar do meu amor, nem mesmo os lobos que ainda não faziam parte da minha vida.
Por alguma razão eu estava confusa, eu já amava a matilha, mesmo não sendo parte dela realmente. Mas eu não escolheria as escolhas erradas novamente. Não os deixaria me afastar do meu único e verdadeiro amor.
Ali naquela sala escura eu pude perceber o que era realmente importante para mim. Eu sempre amaria Edward, aquilo era a única coisa que eu realmente tinha certeza, e sem ele a minha vida não tinha nenhum sentido. Ele era a razão da minha vida, a razão pela qual eu estava viva e ainda estava respirando.
Sempre me senti deslocada e sem sentido algum e agora aquilo tinha mudado rapidamente.
-O que está fazendo ai? –perguntou uma voz rouca vindo do pequeno corredor me fazendo pular de susto.
Olhei ao redor e meu avô estava parado na porta com um sorriso enorme, era como se ele tivesse estado ali há anos e só eu que não tinha percebido.
-Estava pensando. -sussurrei sem jeito, envergonhada. Às vezes parecia que vovô lia meus pensamentos e isso me causava uma enorme vergonha.
-Eu posso saber sobre o que?-ele disse se sentando ao meu lado no pequeno sofá.
Eu estava escolhendo as palavras lentamente, sem ter resultado. Falar sobre aquele história me dava muita vergonha, não por mim, claro, mas por um único motivo, eu não tinha completamente certeza se eu era Yonah. Era como se eu estivesse falando dela pelas costas e isso era uma coisa horrível.
- Não precisa falar. -ele colocou sua mão em meu cabelo me fazendo sentir como uma menina de seis anos novamente. -Eu vou à casa do Harry, você quer vim comigo?
Seria ótimo ver meu tio novamente, afinal, já fazia meses que eu não o via, nem mesmo a meu primo que parecia ser o meu irmão mais novo.
-Claro. -me levantei do sofá num pulo. Eu estava com saudades de verdade de meu tio Harry, ele sempre foi muito bom para mim e meu irmão, quando a gente ficou alguns meses na casa dele quando meus pais se separaram. Sempre tive muita dificuldade de aceitar o segundo casamento de minha mãe. Ted era legal, mas não era o meu pai. Mas o real motivo de eu não gostar de Ted era porque o casamento tinha sido muito depressa. Minha mãe só tinha um mês de solteira. E ela não conhecia o seu novo namorado o bastante!
-O que exatamente vai ter lá?-perguntei saindo para a noite com meu avô ao meu alcanço.
-Uma reunião familiar. -disse ele pensativo.
-Então por que meu pai não vem?-perguntei interessada.
-Não é exatamente uma reunião familiar desse jeito. Vai ser alguns amigos, mas nada demais.
-Ah. -disse somente em quando andávamos pela reserva.
A casa do meu tio era uma das maiores casas de
-Que bom que você veio, querida! -disse minha tia Sue aparecendo na porta. Ela era uma das pessoas especiais na minha vida. Na verdade ela era como se fosse uma mãe para mim. Meu relacionamento com a minha mãe não era o melhor de todos, ela parecia ser mais uma tia do que uma mãe. Minha doce tia me deu um abraço materno cheio de amor e carinho. Como eu havia sentido falta dela!
-Eu estava morrendo de saudades, mas, parece que você se esqueceu que tem tia. -ela parecia triste ao dizer aquelas palavras acusadoras, eu sabia que aquelas palavras eram totalmente verdadeiras. E aquilo me causou uma coisa estrondosa.
-Prometo visitá-la mais vezes. -falei a abraçando mais forte e sem jeito. Aquele relacionamento não era muito comum para mim.
-Vamos entrar. -ela puxou minha mão. Como era comum as pessoas fazerem isso comigo. E aquele simples gesto me fazia sentir-me como uma criança. Mas eu não me importava de me sentir como uma criança. Porque eu só me sentia assim quando estava realmente feliz.
Sempre tentei esquecer a minha infância e lembra só dos momentos felizes. Mas às vezes parecia ser uma missão impossível.
Balancei minha cabeça para esquecer as lembranças más, mas não havia dado certo.
As imagens da minha infância passaram-se pela minha cabeça como se fossem flashs, me fazendo ficar tonta.
As imagens de minha mãe traindo meu pai bem em nossa frente. As memórias eram uma tortura para mim. Sempre tentei esquecer as coisas ruins e lembrar as boas.
Eu era muito pequena, mas as lembranças eram muito nítidas. Depois de algumas horas veio a fome e começou a chover e a única coisa que eu e meu irmão tínhamos era um ao outro.
Aquele rosto tinha me afastado do mundo por anos me deixando traumatizada, me fazendo ter pesadelos por anos, me fazendo acordar gritando.
Eu tinha finalmente conseguido apagar aquelas memórias e esquecido delas por anos, mas parecia que elas sempre voltavam para me assombrar.
O monstro quase conseguiria me violentar se não fosse pelo meu avô que chegou na mesma hora nos tirando da escuridão, do medo.
Mas não havia adiantado muito porque parecia que tudo estava acontecendo novamente. A raiva, o medo, o desespero, estavam de novo em mim, me torturando.
Apesar de tudo eu tinha perdoado minha mãe, diferente de meu irmão que sempre teve magoa e ressentimento.
-Você está bem, querida?-perguntou Sue se virando e encarando meus olhos cheios de lágrimas.
-Estou... -desabei sem querer, o silencio invadiu o meu mundo, um silencio mortal.
Encontrei uma força que eu não sabia que eu tinha no exato momento que o rosto de Edward apareceu em minha mente. Ele era a luz que iluminava o meu mundo, o anjo que me tirava da escuridão dando lugar à paz.
A paz era um sentimento que preenchia todos os espaços dentro do meu ser, deixados pela dor. Não havia mais dor, nem desespero. Só havia a paz e o amor insano, incondicional, que eu sentia pelo meu anjo que se chamava Edward Cullen. Ele era o sol que iluminava a minha vida.
Acompanhei minha doce e amada tia até a cozinha e fiquei a ajudando nos preparativos do jantar.
Depois de alguns minutos já estava tudo pronto, tudo no seu devido lugar. Ela não precisava mais da minha ajuda então eu fiquei procurando meu primo pela casa, sem encontrá-lo. Me sentei no sofá perto do meu tio e ele começou a falar sem freio, mas sinceramente eu não estava escutando nada de verdade. Eu só estava prestando atenção na paz que emanava dentro de mim.
Escutei um barulho estrondoso na escala da entrada da casa, era como se estivesse tendo um terremoto, como seLa Push estivesse desmoronando. Mas eu sabia perfeitamente que não era nenhum terremoto, mas sim Seth que estava entrando no casa, usando mais força do que o necessário para andar - Ele sempre faz a mesma coisa. -suspirei.
Depois de alguns segundos Seth apareceu na porta com um sorriso de orelha a orelha quando me viu sentada no seu lugar de costume no enorme sofá.
Ele estava quase maior até que Sam e aquilo me assustou. Afinal, ele só tinha quinze anos. Eu sabia perfeitamente o motivo de meu primo estar tão grande, ele já havia entrado para a alcatéia.
-Resolveu rever a família. -murmurou ele para mim quando se sentou ao meu lado no sofá se esparramando sem jeito, como ele fazia desde que éramos crianças.
Os olhos de Seth se fecharam deixando a mostra que estava muito casado. Depois de alguns instantes ele já estava roncando alto, parecendo que a casa iria desmoronar.
Comecei a fazer carinho em seu cabelo sedoso. Ele era o meu priminho querido, eu não podia deixar Sam fazer isso com ele. Ele tinha uma vida à frente para viver, sem intervenções.
Todos os meus medos se realizaram, Seth estaria preso ao bando para sempre, ou melhor, até que ele encontrasse o seu imprinting.
O imprinting era o único modo de alguém se ver livre da matilha, mas para alguns isso demorava muito, até mesmo séculos.
Eu tinha que fazer algo para deixar Seth livre, com as opções de vida que todos tinham, menos os lobos.
Escutei um barulho horrível, dez vezes pior que o barulho dos pés de Seth. Observei atentamente, sem desgrudar os meus olhos da porta de madeira. Depois de alguns segundo vários meninos da reserva apareceram, um atrás do outro.
Reconheci todos os rostos, Quil, Paul, Embry, Jared, quando meus olhos encontram os olhos negros do quinto na fila meu rosto esquentou. Eu não imaginava que ele poderia estar aindaem La Push , para mim ele tinha ido embora com a família de Bella.
Os olhos de Jacob me encaravam e parecia que meu rosto pegaria fogo pelo seu olhar penetrante. Desviei meus olhos rapidamente sem ligar para o que ele pensaria. Não queria magoá-lo, mas também não podia deixá-lo pensar que eu ainda o amava.
Seria difícil dizer que não o amava mais, mas seria a pura verdade.
-)
!-Paul veio me abraçar e acabou acordando Seth. Os olhos chocolate de Seth estavam ainda confusos, mas depois de alguns segundos já estavam normais. - Desculpa, cara. -disse Paul passando a mão pelo cabelo sem jeito me fazendo rir. Os outros garotos também começaram a gargalhar e aquilo durou por alguns minutos.
Os garotos aos poucos foram se espalhando no enorme sofá e parecia não ter mais fim no assunto. Todos tiravam com a cara de Paul e parecia que ele não estava gostando nada, ai era a hora que eu entrava na conversa para defendê-lo. O que fazia os meninos rirem mais ainda porque Paul estava sendo defendido por uma garota. O que me irritou um pouco.
- O que tem de errado uma garota defender um garoto?-perguntei carrancuda.
-Bom, isso mostra que ele não pode se defender e precisa de uma garota frágil para defendê-lo.-respondeu Quil ainda brincando.
-Sou mais forte que você... -murmurei.
-Vai nessa, gata.-disse Quil ainda rindo.
Os outros garotos riram quando eu fiz uma careta sem jeito.
Escutei um barulho novamente me fazendo olhar para a porta automaticamente e parecia que os garotos também tinham escutado porque eles também olharam para a porta de madeira.
Leah passou entre nós chorando e subiu a escada rapidamente quase caindo algumas vezes. Me levantei e andei rapidamente indo atrás dela, mas quando eu ia começar a subir as escada uma mão segurou meu braço me impedindo de prosseguir. Olhei para cima e Sam estava me encarando serio, a raiva fez meu corpo começar a vibrar ferozmente.
-Me solte.-ordenei. Mas Sam não se mexeu nenhum centímetro. -Me solte, agora.-as palavras saíram como se fossem palavrões e eu não me importei.
-Sam.-disse Jacob colocado uma mão no ombro de Sam para impedi-lo de me machucar.
As coisas começaram a se encaixarem como se fossem quebra cabeças.
-O que você fez com ela?-perguntei tentando tiram meu braço de sua mão firme. - Eu perguntei "o que você fez com ela" ?-gritei.
-É melhor você não fazer isso. -disse Embry colocando sua mão febril em meu ombro.
-Por quê?-perguntei olhando para o rosto de Embry que estava com uma expressão preocupada. -Por que ele é o mestre?-perguntei como se fosse à coisa mais normal do mundo. -Ele não é meu mestre!-o rosto de Embry se enrijeceu, mudando seus olhos para o rosto sério de Sam. Eu não me importava se Sam posse o alfa, se ele havia machucado a minha prima se veria comigo! Voltei meus olhos para o rosto de Sam que agora estava sem expressão alguma, parecia que ele estava distante, longe da órbita da Terra. -Escute bem Senhor alfa, eu não me importo se você manda neles. -olhei para os meninos que estava em silêncio. -Eu não faço parte da sua matilha e nunca farei. Por tanto, você não mandaem mim.
-Você não tem escolha. -sussurrou Sam, falando pela primeira vez.
-Tenho sim. -disse com firmeza sem olhar para os seus olhos. –Desde que eu tenha um imprinting.
-O imprinting é muito difícil de acontecer. -ele disse ainda serio.
-Mas não impossível. -disse rindo com sarcasmo. -Você não é o meu mestre. -eu sinceramente não fazia idéia do que estava acontecendo comigo, eu só sabia , eu só sentia, o sentimento de ódio que era enorme em relação a Sam. E esse ódio era tão grande que quase empatava com o amor que eu sentia pelo Edward.
Olhei pela primeira vez nos olhos cor de mel de Sam e parecia que eu estava entrando deles, entrando em um mundo distante.
Eu não estava mais na casa de meu tio Harry, eu estava em uma floresta escura. Escutei um uivo ao longe me trazendo um sentimento de perda. Olhei para o céu, ele estava totalmente escuro, não havia nem lua e nem estrelas.
Eu não estava consciente do que estava fazendo. Mas podia perceber que estava correndo porque minha respiração estava ofegante. As lágrimas rolavam pelo meu rosto sem freio, manchando o vestido rosa.
Parecia que cada vez que eu andava mais, tinha mais floresta a frente. Depois de alguns minutos eu já estava na frente de uma caverna enorme. Fiquei paralisada por alguns instantes sem saber qual deveria ser a minha atitude. Senti um cheiro amadeirado muito forte.
Então entrei correndo para dentro da enorme caverna. A caverna era muito escura e unida, mas mesmo assim, eu podia ver perfeitamente, era como estar na luz do dia, meus olhos não perdiam nada.
Houve uma parte da caverna que pude ser um circulo de lobos em volta de algo. Os lobos em si eram enormes, até maiores que uma pessoa, e olha que eles estavam em quatro patas, imagina se estivessem em duas.
Meus olhos encontraram um par de olhos dourados sem vida, aquilo era pior que tudo. A raiva possuiu o meu corpo o fazendo tremer.
Heath estava no chão sem vida alguma. Os lobos olharam para mim, e então eu soube que a partir dali eles não eram mais a minha família, e nunca voltariam a ser.
O meu corpo explodiu e tudo ficou diferente. Se eu podia ver tudo antes agora eu podia ver mais ainda.
Tudo foi tão rápido, meus olhos estavam cansados, minha cabeça latejava.
Voltei para a minha forma humana sem vida, sem forças. Eu estava nua e sem vida. Tentei lutar para fazer meus olhos ficarem abertos, mais meus esforços tinham sido em vão.
Afundei na escuridão, me desligando do mundo, do meu amor. Eu tinha lutado com todas as minhas forças, mas tinha sido tudo em vão.
Eu tinha que o ter defendido, mais havia falhado. Eu o amava tanto, não tinham palavras para descrever.
Era como se a vida dele fossem areias e agora ela estava escapando pelos meus dedos.
Às vezes eu conseguia abrir meus olhos, mas eles se fecharam rápido demais. Eu não conseguia mais saber o que era real e o que era a escuridão dentro de mim.
Não conseguia entender o que estava acontecendo na superfície. E a dor ainda estava lá me torturando.
A dor era extremamente forte.
Exatamente isso - eu estava desnorteada. Eu não podia entender, não podia fazer ideia do que estava acontecendo.
Meu corpo tentava rejeitar a dor, e eu era puxada continuamente para dentro de uma escuridão que cortava segundos ou até mesmo minutos inteiros da agonia, tornando muito mais difícil acompanhar a realidade.
A ilusão era negra, e não machucava muito. A realidade era vermelha, e me fazia sentir como se estivesse sendo serrada ao meio.
Realidade era sentir o meu corpo curvado, quando eu não podia ao menos me mexer por culpa da dor.
Realidade era saber que havia algo muito mais importante do que toda aquela tortura, e não ser capaz de se lembrar o que era.
E depois, mesmo ainda não podendo ver, de repente eu podia sentir algo. Desconfortavelmente agora. Muito quente. Muito, muito mais quente.
Tentei abrir meus olhos e pela primeira vez eu finalmente consegui. Eu estava em uma praça e havia muitas pessoas gritando coisas que eu não podia entender.
Procurei pelos olhos que eram a razão da minha vida, da minha existência.
Eles estavam longe. Mais longe do que eu podia ter imaginado.
Ele estava gritando, tentei entender o que ele dizia mais não tive sucesso. Havia uma luz muito forte perto de mim, e foi ai que percebi o que era. Era fogo.
O fogo estava subindo pelas minhas roupas, mas eu não estava com medo. Porque eu sabia que Heath estava comigo. Olhei novamente para Heath e foi ai que pude perceber os seus olhos cheios de dor e agonia. Eu não queria que ele sentisse dor, então prometi a mim mesma não gritar, não fazer ele sofrer.
O fogo ficou mais quente e eu queria gritar. Implorar para alguém me matar agora, antes que eu vivesse mais um momento com essa dor. Mas eu não podia mover meus lábios.
Eu percebi que não era a escuridão me segurando; era o meu corpo. Mantendo-me nas chamas que estavam mastigando o seu caminho espalhando uma dor inacreditável em meus ombros e estômago, subindo queimando pela minha garganta, surrando o meu rosto.
Tudo que eu queria era morrer. Nunca ter nascido. O conjunto da minha existência não valia essa dor. Não valia passar por isso para mais uma batida de coração.
-Deixe-me morrer, deixe-me morrer, deixe-me morrer. –gritei, quebrando a promessa.
E, por um tempo sem fim, isso era tudo. Somente a tortura inflamável, e meus gritos inaudíveis, implorando para a morte vir. Nada mais, nem mesmo tempo. Então isso foi infinito, sem começo nem fim. Um momento infinito de dor.
A única mudança veio quando, de repente, impossivelmente, minha dor dobrou. Poderiam ter sido segundos ou dias, semanas ou anos, mas, eventualmente, o tempo veio a significar algo novamente.
Apesar do fogo não ter diminuído nenhum grau - na verdade, eu comecei a desenvolver uma nova capacidade para experimentar isso, uma nova sensibilidade para apreciar, separadamente, - eu descobri que conseguia pensar através disso.
Eu conseguia lembrar o porquê que eu não deveria gritar. Eu conseguia lembrar a razão pela qual eu aguentei essa agonia insuportável. Eu conseguia lembrar que, apesar de parecer impossível agora, havia algo pelo qual talvez valesse a pena essa tortura.
Para mim, enquanto eu lutava para manter os gritos e a dor trancados dentro do meu corpo, onde eles não pudessem machucar mais ninguém, era como se eu tivesse passando de ser amarrada a uma estaca enquanto queimava, a me agarrar aquela estaca para me manter no fogo.
Juntei todas as forças que ainda tinham em meu corpo e abri os olhos. Heath ainda estava gritando e naquele momento pude perceber a realidade, eu estava morrendo, eu não ficaria com o amor da minha vida, da minha existência.
A vida estava saindo do meu corpo, me deixandoem pó. Aos poucos o meu corpo estava desaparecendo se tornando nada.
-Eu nunca vou te esquecer, meu amor! -gritei olhando diretamente para ele. -Nunca o deixarei!
Tinha usado todas as minhas últimas forças para me despedir, mas, mesmo assim, não tinha sido o suficiente.
Olhei para baixo e encontrei um par de olhos cor de mel me encarando. Ele percebeu o meu olhar.
-Por que nós traiu, Yonah?-perguntou ele.
Voltei meus olhos para os olhos dourados que me fazia sentir um pouco melhor.
A ultima coisa que vi foi o rosto de anjo do meu amado Heath.
A realidade voltou rapidamente. Eu ainda estava encarando os olhos sérios de Sam, mais então eu reconheci aqueles olhos, eram os olhos do homem que me viu queimar e não fez nada.
Agora eu entendi aquela raiva toda, era um ódio de outra vida.
Eu agora tinha certeza que tinha sido em outra vida Yonah.
Tinha sido tudo tão real, era como se eu realmente estivesse pegando fogo.
-)
, o que foi?-perguntou Jacob, olhando para mim.
-Não foi nada. -respondi. Olhei para Sam, eu não estava com forças para lutar agora. -Me solte, por favor. -disse calmamente, ignorando a vontade louca de lhe dar um soco.
Sam pensou por alguns segundo e depois me soltou.
Sai da casa sem falar com ninguém, a única coisa que eu queria era ir para minha casa.
-Prometo visitá-la mais vezes. -falei a abraçando mais forte e sem jeito. Aquele relacionamento não era muito comum para mim.
-Vamos entrar. -ela puxou minha mão. Como era comum as pessoas fazerem isso comigo. E aquele simples gesto me fazia sentir-me como uma criança. Mas eu não me importava de me sentir como uma criança. Porque eu só me sentia assim quando estava realmente feliz.
Sempre tentei esquecer a minha infância e lembra só dos momentos felizes. Mas às vezes parecia ser uma missão impossível.
Balancei minha cabeça para esquecer as lembranças más, mas não havia dado certo.
As imagens da minha infância passaram-se pela minha cabeça como se fossem flashs, me fazendo ficar tonta.
As imagens de minha mãe traindo meu pai bem em nossa frente. As memórias eram uma tortura para mim. Sempre tentei esquecer as coisas ruins e lembrar as boas.
Eu era muito pequena, mas as lembranças eram muito nítidas. Depois de algumas horas veio a fome e começou a chover e a única coisa que eu e meu irmão tínhamos era um ao outro.
Aquele rosto tinha me afastado do mundo por anos me deixando traumatizada, me fazendo ter pesadelos por anos, me fazendo acordar gritando.
Eu tinha finalmente conseguido apagar aquelas memórias e esquecido delas por anos, mas parecia que elas sempre voltavam para me assombrar.
O monstro quase conseguiria me violentar se não fosse pelo meu avô que chegou na mesma hora nos tirando da escuridão, do medo.
Mas não havia adiantado muito porque parecia que tudo estava acontecendo novamente. A raiva, o medo, o desespero, estavam de novo em mim, me torturando.
Apesar de tudo eu tinha perdoado minha mãe, diferente de meu irmão que sempre teve magoa e ressentimento.
-Você está bem, querida?-perguntou Sue se virando e encarando meus olhos cheios de lágrimas.
-Estou... -desabei sem querer, o silencio invadiu o meu mundo, um silencio mortal.
Encontrei uma força que eu não sabia que eu tinha no exato momento que o rosto de Edward apareceu em minha mente. Ele era a luz que iluminava o meu mundo, o anjo que me tirava da escuridão dando lugar à paz.
A paz era um sentimento que preenchia todos os espaços dentro do meu ser, deixados pela dor. Não havia mais dor, nem desespero. Só havia a paz e o amor insano, incondicional, que eu sentia pelo meu anjo que se chamava Edward Cullen. Ele era o sol que iluminava a minha vida.
Acompanhei minha doce e amada tia até a cozinha e fiquei a ajudando nos preparativos do jantar.
Depois de alguns minutos já estava tudo pronto, tudo no seu devido lugar. Ela não precisava mais da minha ajuda então eu fiquei procurando meu primo pela casa, sem encontrá-lo. Me sentei no sofá perto do meu tio e ele começou a falar sem freio, mas sinceramente eu não estava escutando nada de verdade. Eu só estava prestando atenção na paz que emanava dentro de mim.
Escutei um barulho estrondoso na escala da entrada da casa, era como se estivesse tendo um terremoto, como se
Depois de alguns segundos Seth apareceu na porta com um sorriso de orelha a orelha quando me viu sentada no seu lugar de costume no enorme sofá.
Ele estava quase maior até que Sam e aquilo me assustou. Afinal, ele só tinha quinze anos. Eu sabia perfeitamente o motivo de meu primo estar tão grande, ele já havia entrado para a alcatéia.
-Resolveu rever a família. -murmurou ele para mim quando se sentou ao meu lado no sofá se esparramando sem jeito, como ele fazia desde que éramos crianças.
Os olhos de Seth se fecharam deixando a mostra que estava muito casado. Depois de alguns instantes ele já estava roncando alto, parecendo que a casa iria desmoronar.
Comecei a fazer carinho em seu cabelo sedoso. Ele era o meu priminho querido, eu não podia deixar Sam fazer isso com ele. Ele tinha uma vida à frente para viver, sem intervenções.
Todos os meus medos se realizaram, Seth estaria preso ao bando para sempre, ou melhor, até que ele encontrasse o seu imprinting.
O imprinting era o único modo de alguém se ver livre da matilha, mas para alguns isso demorava muito, até mesmo séculos.
Eu tinha que fazer algo para deixar Seth livre, com as opções de vida que todos tinham, menos os lobos.
Escutei um barulho horrível, dez vezes pior que o barulho dos pés de Seth. Observei atentamente, sem desgrudar os meus olhos da porta de madeira. Depois de alguns segundo vários meninos da reserva apareceram, um atrás do outro.
Reconheci todos os rostos, Quil, Paul, Embry, Jared, quando meus olhos encontram os olhos negros do quinto na fila meu rosto esquentou. Eu não imaginava que ele poderia estar ainda
Os olhos de Jacob me encaravam e parecia que meu rosto pegaria fogo pelo seu olhar penetrante. Desviei meus olhos rapidamente sem ligar para o que ele pensaria. Não queria magoá-lo, mas também não podia deixá-lo pensar que eu ainda o amava.
Seria difícil dizer que não o amava mais, mas seria a pura verdade.
-)
!-Paul veio me abraçar e acabou acordando Seth. Os olhos chocolate de Seth estavam ainda confusos, mas depois de alguns segundos já estavam normais. - Desculpa, cara. -disse Paul passando a mão pelo cabelo sem jeito me fazendo rir. Os outros garotos também começaram a gargalhar e aquilo durou por alguns minutos.
Os garotos aos poucos foram se espalhando no enorme sofá e parecia não ter mais fim no assunto. Todos tiravam com a cara de Paul e parecia que ele não estava gostando nada, ai era a hora que eu entrava na conversa para defendê-lo. O que fazia os meninos rirem mais ainda porque Paul estava sendo defendido por uma garota. O que me irritou um pouco.
- O que tem de errado uma garota defender um garoto?-perguntei carrancuda.
-Bom, isso mostra que ele não pode se defender e precisa de uma garota frágil para defendê-lo.-respondeu Quil ainda brincando.
-Sou mais forte que você... -murmurei.
-Vai nessa, gata.-disse Quil ainda rindo.
Os outros garotos riram quando eu fiz uma careta sem jeito.
Escutei um barulho novamente me fazendo olhar para a porta automaticamente e parecia que os garotos também tinham escutado porque eles também olharam para a porta de madeira.
Leah passou entre nós chorando e subiu a escada rapidamente quase caindo algumas vezes. Me levantei e andei rapidamente indo atrás dela, mas quando eu ia começar a subir as escada uma mão segurou meu braço me impedindo de prosseguir. Olhei para cima e Sam estava me encarando serio, a raiva fez meu corpo começar a vibrar ferozmente.
-Me solte.-ordenei. Mas Sam não se mexeu nenhum centímetro. -Me solte, agora.-as palavras saíram como se fossem palavrões e eu não me importei.
-Sam.-disse Jacob colocado uma mão no ombro de Sam para impedi-lo de me machucar.
As coisas começaram a se encaixarem como se fossem quebra cabeças.
-O que você fez com ela?-perguntei tentando tiram meu braço de sua mão firme. - Eu perguntei "o que você fez com ela" ?-gritei.
-É melhor você não fazer isso. -disse Embry colocando sua mão febril em meu ombro.
-Por quê?-perguntei olhando para o rosto de Embry que estava com uma expressão preocupada. -Por que ele é o mestre?-perguntei como se fosse à coisa mais normal do mundo. -Ele não é meu mestre!-o rosto de Embry se enrijeceu, mudando seus olhos para o rosto sério de Sam. Eu não me importava se Sam posse o alfa, se ele havia machucado a minha prima se veria comigo! Voltei meus olhos para o rosto de Sam que agora estava sem expressão alguma, parecia que ele estava distante, longe da órbita da Terra. -Escute bem Senhor alfa, eu não me importo se você manda neles. -olhei para os meninos que estava em silêncio. -Eu não faço parte da sua matilha e nunca farei. Por tanto, você não manda
-Você
-Tenho sim. -disse com firmeza sem olhar para os seus olhos. –Desde que eu tenha um imprinting.
-O imprinting é muito difícil de acontecer. -ele disse ainda serio.
-Mas não impossível. -disse rindo com sarcasmo. -Você não é o meu mestre. -eu sinceramente não fazia idéia do que estava acontecendo comigo, eu só sabia , eu só sentia, o sentimento de ódio que era enorme em relação a Sam. E esse ódio era tão grande que quase empatava com o amor que eu sentia pelo Edward.
Olhei pela primeira vez nos olhos cor de mel de Sam e parecia que eu estava entrando deles, entrando em um mundo distante.
Eu não estava mais na casa de meu tio Harry, eu estava em uma floresta escura. Escutei um uivo ao longe me trazendo um sentimento de perda. Olhei para o céu, ele estava totalmente escuro, não havia nem lua e nem estrelas.
Eu não estava consciente do que estava fazendo. Mas podia perceber que estava correndo porque minha respiração estava ofegante. As lágrimas rolavam pelo meu rosto sem freio, manchando o vestido rosa.
Parecia que cada vez que eu andava mais, tinha mais floresta a frente. Depois de alguns minutos eu já estava na frente de uma caverna enorme. Fiquei paralisada por alguns instantes sem saber qual deveria ser a minha atitude. Senti um cheiro amadeirado muito forte.
Então entrei correndo para dentro da enorme caverna. A caverna era muito escura e unida, mas mesmo assim, eu podia ver perfeitamente, era como estar na luz do dia, meus olhos não perdiam nada.
Houve uma parte da caverna que pude ser um circulo de lobos em volta de algo. Os lobos em si eram enormes, até maiores que uma pessoa, e olha que eles estavam em quatro patas, imagina se estivessem em duas.
Meus olhos encontraram um par de olhos dourados sem vida, aquilo era pior que tudo. A raiva possuiu o meu corpo o fazendo tremer.
Heath estava no chão sem vida alguma. Os lobos olharam para mim, e então eu soube que a partir dali eles não eram mais a minha família, e nunca voltariam a ser.
O meu corpo explodiu e tudo ficou diferente. Se eu podia ver tudo antes agora eu podia ver mais ainda.
Tudo foi tão rápido, meus olhos estavam cansados, minha cabeça latejava.
Voltei para a minha forma humana sem vida, sem forças. Eu estava nua e sem vida. Tentei lutar para fazer meus olhos ficarem abertos, mais meus esforços tinham sido em vão.
Afundei na escuridão, me desligando do mundo, do meu amor. Eu tinha lutado com todas as minhas forças, mas tinha sido tudo em vão.
Eu tinha que o ter defendido, mais havia falhado. Eu o amava tanto, não tinham palavras para descrever.
Era como se a vida dele fossem areias e agora ela estava escapando pelos meus dedos.
Às vezes eu conseguia abrir meus olhos, mas eles se fecharam rápido demais. Eu não conseguia mais saber o que era real e o que era a escuridão dentro de mim.
Não conseguia entender o que estava acontecendo na superfície. E a dor ainda estava lá me torturando.
A dor era extremamente forte.
Exatamente isso - eu estava desnorteada. Eu não podia entender, não podia fazer ideia do que estava acontecendo.
Meu corpo tentava rejeitar a dor, e eu era puxada continuamente para dentro de uma escuridão que cortava segundos ou até mesmo minutos inteiros da agonia, tornando muito mais difícil acompanhar a realidade.
A ilusão era negra, e não machucava muito. A realidade era vermelha, e me fazia sentir como se estivesse sendo serrada ao meio.
Realidade era sentir o meu corpo curvado, quando eu não podia ao menos me mexer por culpa da dor.
Realidade era saber que havia algo muito mais importante do que toda aquela tortura, e não ser capaz de se lembrar o que era.
E depois, mesmo ainda não podendo ver, de repente eu podia sentir algo. Desconfortavelmente agora. Muito quente. Muito, muito mais quente.
Tentei abrir meus olhos e pela primeira vez eu finalmente consegui. Eu estava em uma praça e havia muitas pessoas gritando coisas que eu não podia entender.
Procurei pelos olhos que eram a razão da minha vida, da minha existência.
Eles estavam longe. Mais longe do que eu podia ter imaginado.
Ele estava gritando, tentei entender o que ele dizia mais não tive sucesso. Havia uma luz muito forte perto de mim, e foi ai que percebi o que era. Era fogo.
O fogo estava subindo pelas minhas roupas, mas eu não estava com medo. Porque eu sabia que Heath estava comigo. Olhei novamente para Heath e foi ai que pude perceber os seus olhos cheios de dor e agonia. Eu não queria que ele sentisse dor, então prometi a mim mesma não gritar, não fazer ele sofrer.
O fogo ficou mais quente e eu queria gritar. Implorar para alguém me matar agora, antes que eu vivesse mais um momento com essa dor. Mas eu não podia mover meus lábios.
Eu percebi que não era a escuridão me segurando; era o meu corpo. Mantendo-me nas chamas que estavam mastigando o seu caminho espalhando uma dor inacreditável em meus ombros e estômago, subindo queimando pela minha garganta, surrando o meu rosto.
Tudo que eu queria era morrer. Nunca ter nascido. O conjunto da minha existência não valia essa dor. Não valia passar por isso para mais uma batida de coração.
-Deixe-me morrer, deixe-me morrer, deixe-me morrer. –gritei, quebrando a promessa.
E, por um tempo sem fim, isso era tudo. Somente a tortura inflamável, e meus gritos inaudíveis, implorando para a morte vir. Nada mais, nem mesmo tempo. Então isso foi infinito, sem começo nem fim. Um momento infinito de dor.
A única mudança veio quando, de repente, impossivelmente, minha dor dobrou. Poderiam ter sido segundos ou dias, semanas ou anos, mas, eventualmente, o tempo veio a significar algo novamente.
Apesar do fogo não ter diminuído nenhum grau - na verdade, eu comecei a desenvolver uma nova capacidade para experimentar isso, uma nova sensibilidade para apreciar, separadamente, - eu descobri que conseguia pensar através disso.
Eu conseguia lembrar o porquê que eu não deveria gritar. Eu conseguia lembrar a razão pela qual eu aguentei essa agonia insuportável. Eu conseguia lembrar que, apesar de parecer impossível agora, havia algo pelo qual talvez valesse a pena essa tortura.
Para mim, enquanto eu lutava para manter os gritos e a dor trancados dentro do meu corpo, onde eles não pudessem machucar mais ninguém, era como se eu tivesse passando de ser amarrada a uma estaca enquanto queimava, a me agarrar aquela estaca para me manter no fogo.
Juntei todas as forças que ainda tinham em meu corpo e abri os olhos. Heath ainda estava gritando e naquele momento pude perceber a realidade, eu estava morrendo, eu não ficaria com o amor da minha vida, da minha existência.
A vida estava saindo do meu corpo, me deixando
-Eu nunca vou te esquecer, meu amor! -gritei olhando diretamente para ele. -Nunca o deixarei!
Tinha usado todas as minhas últimas forças para me despedir, mas, mesmo assim, não tinha sido o suficiente.
Olhei para baixo e encontrei um par de olhos cor de mel me encarando. Ele percebeu o meu olhar.
-Por que nós traiu, Yonah?-perguntou ele.
Voltei meus olhos para os olhos dourados que me fazia sentir um pouco melhor.
A ultima coisa que vi foi o rosto de anjo do meu amado Heath.
A realidade voltou rapidamente. Eu ainda estava encarando os olhos sérios de Sam, mais então eu reconheci aqueles olhos, eram os olhos do homem que me viu queimar e não fez nada.
Agora eu entendi aquela raiva toda, era um ódio de outra vida.
Eu agora tinha certeza que tinha sido em outra vida Yonah.
Tinha sido tudo tão real, era como se eu realmente estivesse pegando fogo.
-)
, o que foi?-perguntou Jacob, olhando para mim.
-Não foi nada. -respondi. Olhei para Sam, eu não estava com forças para lutar agora. -Me solte, por favor. -disse calmamente, ignorando a vontade louca de lhe dar um soco.
Sam pensou por alguns segundo e depois me soltou.
Sai da casa sem falar com ninguém, a única coisa que eu queria era ir para minha casa.
Capitulo 08: Tragédia
Fiquei alguns minutos revirando a minha bolsa de escola que estava em meus ombros à procura da minha chave.
Meu corpo estava todo dolorido, como se eu tivesse sido atropelado por um caminhão. Eu quase podia sentir o fogo novamente. Queimando-me aos poucos, me torturando, me transformando em simplesmente – completamente - nada. Afinal, era isso que eu era/seria se eu ficasse sem o meu anjo. Sem o seu amor eu estaria completamente perdida. Seria como se eu fosse um trem sem trilhos, sem destino.
Quando encontrei a chave e ia a abrir a porta escutei um grito horrível vindo do andar de cima. Entrei na casa rapidamente e coloquei minha bolsa na sala e fui ao encontro de onde tinha vindo o misterioso grito de dor e agonia.
Fiquei alguns minutos parada na frente da porta do banheiro da minha mãe, tentando não fazer barulho, tentando prestar atenção em qualquer ruído, qualquer barulhinho que vinha do banheiro.
Mas tudo estava completamente silencioso, era como se não tivesse ninguém na casa. Como se aquele grito tinha sido fruto da minha imaginação fértil.
Mas, eu tinha completamente certeza que tinha escutado. Eu não havia ficado louca, ainda não.
Tentei abrir a porta, mas estava trancada por dentro. Forcei a porta a abrir, mas não consegui.
Aquele silêncio mortal estava me matando, me fazendo sentir um medo assombroso, como eu nunca havia sentido antes.
O medo estava me fazendo sentir um vazio dentro do meu coração, um vazio que eu não sabia qual era o motivo de estar sentido.
Tinha certeza que tinha escutado a minha mãe gritar. Ela podia estar ferida gravemente e eu tinha que fazer alguma coisa.
Fechei meus olhos e respirei profundamente algumas vezes. Tentei novamente forçar a maçaneta a abrir, mais eu não era forte o suficiente.
Afinal, eu ainda era humana e não tinha ganhado ainda a super-força, ainda não.
Tentei pensar eu um bom plano para poder entrar no banheiro. E todas as minhas alternativas me levavam a uma só opção.
Lembrei que a janela do meu quarto era a mais próxima da janela do pequeno banheiro de minha mãe. Eu poderia tentar entrar por lá.
Entrei no meu quanto indo diretamente na direção da pequena janela. Destranquei as fechaduras e empurrei a janela para cima.
Coloquei a minha cabeça para fora da janela olhando na direção da outra janela. Respirei fundo e olhei para baixo tentando imaginar como seria estará ali desprotegida.
Eu realmente nunca havia tido medo de altura, mas poder ver todos os detalhes tão claramente fizeram a idéia de escalar até a outra janela menos atraente. Os ângulos das rochas em baixo eram mais agudos do que eu os teria imaginado.
Virei-me para a direção da porta e coloquei meu corpo totalmente para fora, ficando somente as minhas pernas para dentro do quarto.
Eu nunca em minha vida tinha feito algo assim. Mas tudo tinha uma primeira vez e essa seria a minha.
Levantei a minha mão esquerda na direção da outra janela tentando encontra algo para me apoiar mais estava longe demais.
Com um movimento automático me coloquei de pé na janela. Nem eu mesma consegui entender como eu tinha conseguido ficar naquela maneira. Tive uma certeza, todos os meus sentidos estavam mais aguçados, mas não completamente.
Tirei a minha mão esquerda novamente e a ergui na direção da janela. Naquela hora perdi o equilíbrio e quase cai para trás.
Eu não havia caído, mais havia machucado o meu braço. Da altura do pulso a altura do meu ombro estava completamente machucada do meu braço esquerdo.
Eu realmente deveria estar querendo me matar!
Coloquei minhas pernas novamente dentro do quarto e depois coloquei o resto do meu corpo.
Eu tinha que pensar em outra coisa se não acabaria me matando e não conseguiria entrar naquele banheiro.
Ignorei a ardência que emanava do meu braço e coloquei minha cabeça para funcionar.
Todas as minhas tentativas de um plano, todas as minhas alternativas me levavam a uma única opção.
Eu não tinha super-força, mais conhecia alguém que tinha. Peguei o meu celular no bolso de trás da minha calça jeans.
Revirei a lista de chamadas atendidas a procura de um único número que eu não tinha imaginado que ligaria tão rapidamente.
Chamou duas vezes antes de eu poder escutar a voz doce e linda do meu anjo.
-)
? - perguntou Edward.
Eu realmente estava muito envergonhada de estar ligando para ele, mas, eu estava desesperada e ele era a única maneira de salvar a minha mãe.
-Sim, sou eu, Edward. - fechei meus olhos tentando arrumar alguma coragem, e vi que a única maneira era dizer de uma vez só. -Edward, eu preciso muito da sua ajuda. - esperei a reação dele, mas a outra linha estava muito silenciosa e tive medo de ele ter desligado na minha cara, apesar de ter completamente certeza que ele nunca faria uma coisa dessas. -Edward, você ainda esta ai?
-Claro, meu amor. -disse ele rapidamente. -Desculpe por ficar em silêncio é que estava pegando o carro. Não se preocupe já estou a caminho. - disse ele com a voz mais doce ainda (o que eu pensei não seria possível). - Já estou indo, meu amor. - ele desligou.
Desci a escada rapidamente e fui para a cozinha a procura de uma toalha para estancar o sangue que saia do meu ferimento.
A minha camiseta de manga comprida estava completamente acabada. Depois de tudo aquilo era iria para o lixo, o que me deixava triste. Ela era a minha camiseta preferida.
Estava sangrando bastante, o que não era uma coisa muito boa.
Escutei uma batida na porta da frente e foi abrir a porta para Edward.
Quando abri a porta me assustei. Edward estava com o seu rosto todo retorcido e sua expressão era de dor. Por alguns segundo eu tinha me esquecido que Edward era um vampiro e que aquilo era difícil para ele.
Seus olhos não estavam mais dourados como de costume, eles estavam pretos, o que eu não sabia bem o que significava.
-Você esta bem? - perguntou ele olhando para o meu braço.
-Não foi nada grave. - apertei mais ainda a toalha contra o meu ferimento, como se eu pudesse fazer aquele cheiro desaparecer e não ferir mais o meu anjo.
-Eu estou bem, meu amor. -ele colocou sua mão em meu rosto fazendo uma caricia. -Só você que importa, realmente. - ele voltou os seus olhos completamente negros para o meu braço. -Deixe-me ver isso. -ele tirou a toalha do meu braço lentamente, deixando a mostra o meu grande ferimento. -Como não é tão grave? -ele olhou para o meu rosto novamente. -Amor, isso está na carne viva.
-Não é nada importante. -coloquei novamente a toalha em cima do ferimento. -O que importa agora é a minha mãe. -olhei para cima.
Ele olhou por uns segundos para mim e depois subiu as escadas rapidamente, indo diretamente para a direção do banheiro.
Quando chegamos ele me olhou novamente e depois colocou a mão na porta. Ouve um barulho estrondoso como se estivesse um trator na casa.
Observei o teto por uns segundos e depois voltei a minha atenção para a porta. Simplesmente não havia mais maçaneta, a porta estava com um buraco enorme no lugar onde deveria ser o lugar da maçaneta. Olhei nas mãos de Edward e a maçaneta estava lá um pouco amassada.
Senti um cheiro não muito agradável no ar. Quando eu finalmente ia entrar no banheiro Edward colocou seu braço na frente para me impedir.
-Melhor você não entrar. -sussurrou ele olhando para o banheiro, fitando algo que meus olhos não podiam ver.
-Me deixe entra. -sussurrei. Se fosse algo com a minha mãe eu tinha o direito de ver, eu tinha a obrigação de ver.
Quando tive esse pensamento Edward retirou a sua mão e me deixou livre para escolher o que eu iria fazer.
Tentei respirar algumas vezes. Mas aquele cheiro horrível estava muito forte. Reuni toda a coragem que pode e entrei no banheiro.
A cena que vi não queria ter visto. Edward tinha razão, eu não tinha que ter entrado no banheiro.
Minha mãe estava deitada no chão e tinha uma poça enorme de sangue em sua volta. Seus olhos estavam fechados e seu rosto estava mais branco que o giz.
Fui rapidamente até ela e me abaixei para poder olhá-la melhor. Não percebi que eu estava chorando, na verdade eu estava completamente perdida. Eu só fui perceber que estava chorando porque as minhas lágrimas estavam se misturando ao sangue de minha mãe. Coloquei minha mão sobre seu rosto e quando senti sua pele fria a dor invadiu o meu coração.
Virei meu rosto na direção de Edward e ele estava com a mão no nariz e seu rosto estava mais pálido que o normal. Por incrível que pareça o rosto da minha mãe morta estava mais branco que o rosto de anjo de Edward.
-Ela não esta morta. -disse ele olhando para a minha mãe. -Seu coração ainda bate lentamente. -ele se aproximou de mim e se agachou ao meu lado. -Vamos leva-la para o hospital. Carlisle cuidara dela.
Como um movimento rápido Edward colocou minha mãe em seus braços e começou a carregá-la para o andar de baixo.
Eu fiquei só o observando sem reação. Parecia que as coisas não faziam sentindo.
Eu podia ver tudo perfeitamente, mas não consegui me movimentar, não conseguia pensar. Fechei meus olhos para tentar entender as coisas.
Eu estava agarrada a algo, isso eu sabia. Mas meus olhos estavam fechados e eu estava com muito frio mesmo. Não queria abri-los e achei que nunca mais fosse me aquecer de novo. Senti a mão de alguém em meu antebraço, então ouvi a voz doce de Edward murmurar qualquer coisa.
Como se eu tivesse recebido um choque elétrico, meu corpo de repente deu um pulo, tomando por um incrível senso de consciência. Contra minhas pálpebras fechadas vi o rosto de minha mãe sorrindo. Não estava ensangüentado nem pálido
Meus olhos se abriram e eu pode ver o rosto de Edward muito próximo do meu. Agora eu sabia o porquê de estar com frio. Os braços de Edward estavam a minha volta e eu estava agarrada a ele. Eu o abraçava fortemente e ele apenas me abraçava de volta fraquinho como se não quisesse me machucar.
Ele pegou a minha mão e me fez levantar do chão. Sinceramente eu não fazia idéia que estava sentada na escada.
De repente, as coisas começaram a fazer sentido e o medo novamente me bateu. Independente do passado eu amava minha mãe. Tinha sido ela que tinha me dado à vida, e isso não tinha preço.
Caminhei até o carro prata de Edward e ele abriu a porta do carona para mim e eu entrei.
Eu não queria olhar para trás e ter que ver a minha mãe quase morta, então fiquei olhando para as minhas mãos manchadas de sangue.
Aquilo devia ser uma tortura para Edward. Eu não queria que ele passasse por isso, mais aquilo era o único modo de salvar a minha mãe.
Edward colocou seu braço em minha volta e partimos para o pequeno e único hospital da pequena cidadezinha.
Capitulo 09: Espera
Quando chegamos ao hospital Edward pediu que chamassem Carlisle imediatamente. Fiquei observando os enfermeiros colocarem minha mãe em uma maca e a levarem.
Eu queria ir com ela, mais não tinha forças suficientes para isso. Sentei-me no banco da sala de espera e fechei meus olhos.
Mesmo estando com os olhos fechados às lágrimas ainda saiam, parando na minha camiseta rasgada.
Senti uma mão fria em meu rosto, o acariciando. Eu não precisava abrir meus olhos para saber que o meu anjo estava comigo.
-Sempre estarei. - sussurrou no meu ouvido.
Sem ele eu tinha certeza que estaria completamente perdida. As lágrimas continuavam a sair pelos meus olhos fechados e Edward as secava.
Escutei uma voz doce mais não familiar vindo do corredor ao encontro de onde estávamos.
-Edward, como ela está? - perguntou a voz.
-Vai ficar bem, Carlisle. - sussurrou Edward em resposta. - Ela tem um ferimento grande no braço, será que você pode fazer algo?
-Claro. -disse a voz. -Vou pegar matérias necessários e já volto.
Edward começou a fazer carinho em meu cabelo e por pouco, por muito pouco, quase dormi.
-)
? - Edward perguntou depois de alguns minutos.
-Sim? - perguntei abrindo os olhos e encarando o seu lindo rosto.
-Carlisle pode ver o seu ferimento? - perguntou ele olhando para a direção a nossa frente. Foi só ai que percebi que tinha um homem a nossa frente.
Eu nunca tinha o visto, mais já sentia um sentimento bom em relação a ele. Ele era um homem loiro bonito e parecia ser bem simpático.
Sua pele era até mais branca que a pele de Edward. E quando eu vi seus olhos dourados tive completamente certeza que ele também era um vampiro.
-Será que eu posso da uma olhada no seu ferimento? - perguntou ele sorrindo.
Eu não conseguia encontrar a minha voz e apenas balancei a cabeça.
Edward se levantou dando o lugar a Carlisle para se sentar ao meu lado.
Ele se sentou ao meu lado lentamente, parecendo que não queria me assustar.
-Posso tirar? - perguntou ele olhando para a toalha que ainda estava em meu braço esquerdo.
-Pode. -disse sem forças. Carlisle apenas sorriu.
Ele tirou a toalha e examinou o meu ferimento cuidadosamente. Ele pegou algo na sua maleta e colocou em meu braço, o que fez arder um pouquinho, mais não era nada de mais.
-Esta doendo? - perguntou ele.
-Não. -desse agora com mais forças.
As minhas forças estavam em algum lugar que eu não pude encontra. Fechei meus olhos me deixando levar pelo cansaço, pela dor, pela angústia.
Assim acabei pegando no sono.
(...)
Senti uma mão fria acariciando o meu rosto lentamente. Eu não estava mais casada e também não estava mais com medo.
Em algum lugar, que eu não sabia aonde, eu tinha encontrado forças para superar a tristeza de ver a minha mãe daquela maneira. No fundo eu sabia que ela ficaria bem, ficaria consciente novamente.
Percebi que meu braço também não doía mais. Deveria ser pelos cuidados do doutor Carlisle. Eu estava tão casada que nem ao menos tinha agradecido.
-Você esta melhor? - perguntou Edward em meu ouvido.
-Sim, estou. - disse abrindo os olhos.
O rosto de Edward estava mais calmo. Era como se nada houvesse acontecido.
E isso era uma coisa boa. Odiava vê-lo triste e com o rosto tomado pela dor.
Ele sorriu para mim, aquele sorriso que eu adorava vê-lo sorrir. Era como se o sol estivesse em minha frente me tirando da noite, me tirando da escuridão.
-Esta com fome? - perguntou ele ainda sorrindo.
-Não. - olhei ao redor. - Onde esta minha mãe?
-Agora ela esta no quarto. - disse ele apontando para a direção dos quarto. -Daqui a pouco, ela ira fazer alguns exames, só para garantir.
-Será que eu posso vê-la? - perguntei olhando para as minhas mãos sujas.
-Não quer ir para casa e tomar um banho primeiro? - perguntou olhando também para as minhas mãos.
-Vou dar uma olhada na minha mãe, primeiro. Depois vou para casa. -disse me levantando. Eu fiquei completamente tonta e Edward teve que me ajudar a ficar de pé.
-Eu te levo até lá. -disse ele passando seu braço pela minha cintura.
Andamos pelo enorme corredor até chegamos a uma porta que dizia “Internamentos”.
Entramos e também havia outro corredor enorme.
Eu simplesmente odiava hospitais, já tinha passado muito tempo nesses na minha infância.
Lembro que eu chorava muito quando as enfermeiras iam pegar a minha veia para colocar o soro.
-Você nunca me disse sobre a sua infância. -murmurou ele.
-Não achei que fosse importante.
-Tudo sobre você é importante. -sussurrou ele no meu ouvido. Fazendo o meu coração quase sair pela boca, o fazendo rir.
Paramos em uma porta e Edward ficou parado esperando a minha reação.
Simplesmente empurrei a porta e nós entramos no pequeno quarto.
O quanto era todo brando - o que é muito comum em hospitais. Tinha uma cama no meio e alguns aparelhos que eu não sabia para que serviam.
Logo pude ver a minha mãe deitada sobre a cama. Fui até ela e pude ver que agora o seu rosto não estava tão branco como antes.
Tinha uns aparelhos ligados a ela. Tinha um que apitava loucamente.
Aquele eu conhecia perfeitamente. Ele media os batimentos cardíacos.
Minha mãe estava respirando com a ajuda do balão de ar. Era um caninho que entrava pelo seu nariz, a ajudando a respirar.
Mesmo que eu odiando hospitais queria estar no lugar dela. Eu não queria que ela sentisse dor.
Soltei-me de Edward e fui mais perto de minha mãe.
Coloquei minha mão sobre a mão dela. Não estava mais tão gelada como antes, isso era bom.
-Você vai ficar bem... -sussurrei lhe dando um beijo na testa.
Os minutos se passaram e minha mãe continuava adormecida. Senti um frio na espinha e depois o frio se espalhou por todo o meu corpo.
Dei-lhe um outro beijo e me despedi.
Edward me ajudou a andar de volta pelos corredores até onde estávamos antes.
Na pequena sala de espera.
-Tem certeza que não quer ir agora para casa? - perguntou ele preocupado.
-Tenho. - tentei sorrir. -Você disse que meu irmão está vindo e eu quero esperá-lo.
Edward apenas sorriu me dando um beijo na testa.
Ficamos esperando por alguns minutos.
Os músculos de Edward se enrijeceram e pude perceber que ele estava muito nervoso, eu só não consegui entender porquê.
Ele me apertou contra seu corpo de mármore e ficou olhando na direção da pequena porta.
-O que foi? - perguntei preocupada.
Edward me apertou mais ainda e passou seu braço gelado pela minha cintura, como se precisasse me defender de algo.
A porta se abriu e eu pode ver meu irmão, mais havia alguém atrás dele.
Jacob estava com o seu rosto sério e não parecia que estava de bom humor.
Seus olhos estavam diretamente na direção de Edward. Sinceramente eu puder ver a raiva que ele estava pelos seus olhos negros.
Edward também encarava Jacob, como se quisesse matá-lo e Jacob parecia também querer matar Edward.
Os olhos azul-safira de meu irmão deixavam claro que ele estava confuso, como eu.
Ele passou a mão pelo cabelo preto ondulado algumas vezes percebendo o clima ruim que estava.
-O que você pensa que esta fazendo aqui? -disse Edward olhando e falando diretamente para Jacob.
-Se você não sabe, eu estou aqui pela )
. - disse Jacob no mesmo tom de ameaça.
Edward se levantou e eu pude perceber que ele ia dar um soco na cara de “poucos amigos” de Jacob.
-Pare. -entrei na frente. Jacob até podia ser um lobo mais não era invencível. E ao falar que Edward era umas 100 vezes mais forte que ele. -Não provoque Jacob.
-Você esta no lado dele, )
?-disse Jacob incrédulo.
-Não importa no lado de quem eu estou, agora. - me virei para encarar Edward. -Dá um desconto para ele. - Apesar de estar com raiva Edward me escutou, o que eu agradeceria eternamente. Virei-me para Jacob. -Vamos conversar na lanchonete. -olhei novamente para Edward e parecia que ele tinha ficado um pouco magoado. Mas eu tinha que fazer aquilo. Eu tinha que dizer para Jacob que não tinha e nem teria algo entre a gente, nunca mais. Porque eu amava incondicionalmente Edward Cullen e nada e nem ninguém mudaria isso.
-Não tenho nada para conversar. -disse Jacob rispidamente.
-Mas, eu tenho. -disse no mesmo tom.
Eu não queria fazer aquilo. Não queria deixar o meu amor triste mais isso seria para o nosso bem.
Peguei a mão quente de Jacob e praticamente o puxei para fora da pequena sala deixando para trás o meu anjo triste.
Quando chegamos à lanchonete procurei uma mesa vazia e me sentei e fiz Jacob se sentar na minha frente.
Apesar de tudo, eu ainda gostava de Jacob. Não do modo que eu gostava de Edward, claro.
Agora eu podia ver as coisas como elas eram de verdade. Eu sempre amei Edward e sempre amaria, e nada e nem ninguém mudaria isso.
E eu podia ver também que eu amava Jacob, mais era um amor de irmão. Era como o amor que eu sentia por Eric.
A minha vida toda eu tinha pensado que amava Jacob de uma forma, mais eu estava completamente enganada.
Eu só fui saber realmente o que era amor verdadeiro quando conheci o meu anjo, quando conheci Edward Cullen.
Eu tinha obrigação de dizer tudo isso a Jacob. Não podia deixá-lo pensar que eu o amava, não da forma que ele pensava.
-Eu preciso esclarecer as coisas entre a gente. -disse firmemente.
Capitulo 10: Eu te amo, mas não da forma que você pensa.
Tentei escolher as palavras certas para explicar a Jacob o que eu realmente sentia.
Mais não via um modo de não machucá-lo e isso era o pior de tudo.
Eu tinha que dizer que nunca o amei, não da forma que ele pensa.
-Estou esperando. - disse ele impaciente.
Juntei toda a coragem do meu corpo. E prometi a mim mesma que seria somente uma vez. Eu o machucaria só uma vez.
-Eu estive o tempo todo enganada, Jake. - disse olhando dentro dos seus olhos negros. -Eu estava tentando arrumar uma maneira de lhe dizer isso sem te magoar, mas vejo que isso é impossível.
-Sobre o que você estava enganada? - perguntou ele demonstrando que estava completamente confuso.
-Sobre nós. - disse virando meu rosto. Agora seria a pior parte. -Eu nunca te amei da maneira que pensava. Você é como se fosse um irmão para mim. - voltei a olhar para seu rosto. - O sentimento que sinto por você é o mesmo sentimento que sinto por Eric.
-Não é verdade! -disse ele mais alto. -Eu vi o quanto você sofreu quando eu me casei com a Bella. -ele continuou. Ele realmente parecia não ter acreditado nas minhas palavras. -Não pode ter sido mentira!
-Não tudo, Jake. - disse sinceramente. - Eu te amo, mais não da forma como você pensa.
-É por causa dele que você não quer entrar na matilha? - ele disse rispidamente. -É por causa daquele sanguessuga?
-Edward não tem nada a ver com isso. -menti. -E não o chame assim!
-Por que não? - ele se levantou. -Porque você o ama?
-Sim, eu o amo. - quando Jacob ouviu aquelas palavras se sentou novamente, como se fosse cair. - Ele é o amor da minha vida, não posso viver sem ele. E não deixarei a matilha me separar dele, novamente.
-Novamente? - a voz dele era apenas um sussurro.
-Não vou deixar Sam mandar em mim como se ele fosse o meu mestre. -mudei de assunto. -Eu sei como a voz do alfa é. Se ele me disser para ficar longe de Edward eu terei que ficar, mesmo não querendo. Seria uma ordem de alfa e eu sei muito bem que as ordens do alfa são cumpridas de um jeito ou de outro.
-Que bom que você sabe. -ele disse num tom ameaçador. -Você não pode lutar contra isso, não pode deixar de ser uma loba. Não pode impedir de fazer parte da matilha. Isso é uma coisa que não se pode escolher.
-Posso sim. -disse.
-Só tem uma coisa nesse mundo que é mais forte que o comando do alfa. -ele sussurrou. -O imprinting. E isso é muito raro de acontecer.
Eu apenas sorri. Sam não podia me prender e não prenderia.
-Você teve um imprinting com o sanguessuga? - gritou.
A reação de Jacob tinha sido melhor do que eu pensava. Ele não estava tão bravo como eu tinha imaginado e isso era uma coisa ótima.
-Porque você fez isso, )
?-gritou ele me acusando.
-Eu não fiz nada, Jake. - disse olhando para as pessoas que estavam olhando. - Você sabe perfeitamente que ninguém tem culpa de ter um imprinting, apenas acontece.
-Por quê? - disse ele me ignorando.
-Agora esta tudo esclarecido. -disse me levantando e indo na direção da sala de espera.
-Se é realmente um imprinting eu não posso fazer nada, ninguém pode. -disse ele pegando o meu braço me fazendo olhar para ele. -Mas, isso não quer dizer que eu não vou tentar. Eu amo você, )
. E não vou desistir, nunca.
Aquelas palavras eu não tinha imaginado. Será que ele não podia entender que nada adiantaria?
-Você é o amor da minha vida. -ele se aproximou de mim. – E eu nunca vou desistir de você. -ele passou seu dedo indicador em meu rosto. - Se você me ama, pelo menos um pouco, já quer dizer alguma coisa. Não importa a forma que você me ame.
Não importava o que eu diria, Jacob estava convencido que faria meus sentimentos mudarem. A única coisa que eu queria era que ele não se machucasse e que entendesse logo que não importasse o que ele fizesse, eu nunca deixaria de amar Edward, nunca.
Ele me soltou lentamente e eu continuei andando até a pequena sala de espera para encontrar o meu amor, o meu anjo.
Quando entrei na sala Edward levantou rapidamente vindo ao meu encontro.
-Agora está tudo esclarecido. -sussurrei o abraçando.
Eu apenas tinha ficado minutos longe dele, mas parecia que eram eternidades.
-Que bom. -disse ele me dando um beijo na testa. -Agora você quer ir para casa?
-Onde esta o meu irmão? - olhei ao redor.
-Esta com sua mãe. Ele disse que vai ficar mais um tempo aqui.
-Você me leva para casa? - perguntei.
-Claro. -ele sorriu.
Eu estava querendo me livrar daquelas roupas sujas de sangue e tomar um bom banho.
-Antes o Carlisle quer falar com você. -disse olhando para a porta. Segundos depois Carlisle entrou na pequena sala.
-)
, fizemos uns exames na sua mãe e eu quero lhe falar sobre o resultado. -disse ele sorrindo.
-Claro. -sussurrei.
Carlisle fez um sinal com a mão para que eu me sentasse e eu o fiz esperando o que ele tinha para me dizer.
-Bom, eu vou ser sincero com você. -ele começou. - Sua mãe tem um sério problema no coração. -disse ele esperando a minha reação.
-Como? É perigoso? Ela vai morrer? - perguntei desesperada.
-Não ela não vai morrer. -ele colocou sua mão no meu ombro para me reconfortar. -Não se ela não sofrer emoções muito fortes. Ela não pode ter qualquer alteração. Ela não pode passar nervoso. -ele olhou de relance para Edward. -Deixe eu te explicar melhor. Sua mãe estava nervosa, pelo qual o motivo eu não sei. Então, ela acabou desmaiando com uma faca ou algo cortante na mão. Foi onde ela se feriu profundamente. Mas lhe digo, na próxima pode ser muito perigoso.
-Então, ela terá que evitar emoções fortes? - perguntei.
-Sim. -ele respondeu sorrindo.
-Então, se ela não tiver essas emoções ela vai ficar perfeitamente bem?
-Sim, claro, ela vai ter que tomar alguns remédios controlados, mais nada demais.
-Entendi. -disse sorrindo para ele. -Eu vou cuidar dela.
-Bom, agora, você já pode ir. -ele apertou a minha mão e se fui.
Edward praticamente me carregou pelos corredores até o carro. Mesmo eu tendo dormido estava morrendo de cansaço.
Fechei meus olhos e encostei a minha cabeça no banco.
Seria fácil a minha missão de evitar que a minha mãe tivesse alguma emoção forte.
Agora eu estava completamente tranqüila. Nada de mal aconteceria com a minha mãe e ela estaria completamente bem.
Chegamos rapidamente em minha casa e eu estava cansada demais para me levantar do banco do carro.
Eu praticamente já estava dormindo.
Eu só senti as mãos firmes e frias de Edward me levando para dentro de casa e depois me colocando na cama.
-Durma com os anjos, meu amor. -foi a única coisa que escutei antes de dormir.
Capitulo 11: Traidor
Abri meus olhos e tudo estava completamente escuro. Minha cabeça ainda girava como se eu estivesse rodando loucamente.
Sentei-me na cama e foi ai que pude perceber que estava completamente sozinha.
Não havia nem sinal de Edward Cullen, o que me deixou profundamente triste.
Levantei-me ainda sem consegui enxergar nada, o quarto estava completamente escuro, até mesmo que o normal. Fui até onde estava o abajur e acendi luz.
Olhei para mim mesma. As minhas roupas ainda manchadas de sangue. A minha nova camiseta preta estava ensopada de sangue, que já estava seco e endurecido. Os fios prateados ainda tentavam brilhar pela luz, mas ao invés da pura luz que emanavam antes, agora eles cintilavam com um tom de cobre. Eu não conseguia parar de olhar para eles.
Tirei minha camiseta, minha calça, o sutiã e a calcinha e joguei tudo no cesto, envolvido por um saco plástico que ficava no canto do meu quarto.
Entrei no banheiro na intenção de ir direto para debaixo do chuveiro, mas parei ao ver o meu reflexo. Eu estava horrorosa, pálida, com círculos debaixo dos meus olhos que pareciam socos. Meus olhos estavam grandes e anormalmente escuros, não havia nem sinal do tom de mel.
Me virei um pouco para poder ver o meu braço esquerdo. Ele estava com algumas ataduras enormes.
Entrei debaixo do chuveiro e fiquei lá parada durante um bom tempo, vendo a água vermelha que escorria pelo ralo.
Depois de alguns minutos eu saí do chuveiro e me enrolei na toalha e fui para o meu quarto.
Coloquei um vestido azul-safira de meia manga e penteei os meus cabelos que estavam muito embaraçados.
Coloquei a toalha de volta no banheiro e me deitei na cama novamente.
Eu, apesar de tudo, ainda estava muito casada e com muita fome.
Desci as escadas e fui para a cozinha. A casa estava totalmente escura deixando a mostra que eu estava completamente sozinha.
Liguei a luz da cozinha e fui procurar algo na geladeira. Peguei algumas coisas para poder fazer um lanche e um suco de laranja.
Quando tudo estava finalmente pronto eu fui para a sala e liguei a TV.
Estava passando um filme que me interessou. Me deitei no sofá ainda com as luzes apagadas.
Terminei de comer o lanche e de beber o suco e fechei meus olhos.
Como o dia de hoje tinha sido agitado. Minha mãe, o meu namoro com o Edward, as histórias antigas, a descoberta que eu era realmente a Yonah .
Todos os acontecimentos uns atrás dos outros. Uns até felizes e outros nem tanto.
Mas, pensando bem, a minha vida sempre tinha sido assim. Um milhão de problemas, um milhão de felicidades.
Minha vida toda passou diante das minhas pálpebras fechadas.
De repente, comecei a sentir algo que de imediato não pude perceber o que era.
Era uma mão cheia de calos apertando o meu seio direito. Abri meus olhos rapidamente não acreditando no que estava acontecendo.
Ted estava em cima de mim. Seus olhos estavam fechados e às vezes ele gemia alto.
Tentei me livrar de suas mãos, mais ele era mais forte que eu. Ele continuou com os olhos fechados e naquela hora eu pude ver claramente o que realmente estava acontecendo.
Ted estava tentando me violentar.
-Está gostando do carinho do pai? - Perguntou ele com a voz transformada pela excitação.
Como aquilo poderia ser um carinho de pai?
Só para começar ele não era o meu pai e nunca seria.
Ele segurou os meus pulsos fortemente.
-Socorro! - Gritei.
Ted parecia ter ficado bravo comigo e colocou um pedaço de papel na minha boca me impedindo de gritar por socorro.
Ele levantou o meu vestido e eu queria gritar e dizer que não, mais não consegui por causa do papel.
Ele ficou observando a minha calcinha por alguns segundos antes de tirá-la completamente.
Eu estava desesperada, em pânico.
De repente todo o trauma que um dia eu lutei para afastar de mim estavam ali, me perseguido novamente.
Eu me sentia novamente uma criança indefesa. Todos os sentimentos ruins possíveis se misturaram dentro de mim.
Eu já estava implorando pela morte. Eu preferia morrer a ser violentada.
As lágrimas invadiram os meus olhos e depois escorreram pelo meu cabelo recém-lavado.
-Por que estava chorando? - Ele disse descaradamente sorrindo. - O que eu estou fazendo com você não é nada de ruim, você vai ver. Depois você vai até gostar.
Como eu poderia gostar de uma coisa nojenta dessas?
Tentei me soltar novamente, sem nenhum sucesso.
Eu estava perdida, completamente perdida.
Ted continuou tirando o resto da minha roupa. E quando terminou começou a lamber o meu seio direito.
Tentei gritar novamente a procura de ajuda, mas novamente não consegui. Aquilo era completamente nojento.
Balancei meu corpo tentando escapar de suas garras, mas não consegui.
A imagem no hospital invadiu minha mente, ai foi o momento que a dor invadiu o meu peito.
Ted me penetrou brutalmente, me deixando com nojo até de mim.
Mas eu não tinha feito nada para acontecer aquilo, eu não queria aquilo!
O homem que passou a ser o homem que eu mais odiava na vida puxou meu cabelo com muita força. Senti uma segunda dor aguda me atingindo, porque eram duas.
Primeira: A penetração horrível.
Segunda: A minha cabeça estava latejando e ardendo muito.
O meu braço esquerdo, que estava muito machucado, começou a dor muito. Uma dor forte e aguda me atingiu novamente.
Ted pegou o meu braço esquerdo e o girou o quebrando.
Eu gritei de dor, gritei de medo, de agonia.
Depois o traidor me deu um soco com toda a sua força em meu braço já quebrado.
Eu preferia morrer novamente queimada aos poucos a viver agora.
Começou a sair sangue pela minha boca, nariz, ouvido.
Eu estava quase engasgando com o meu próprio sangue e o estuprador ainda continuava me violando.
Eu já estava completamente sem vida, por dentro e por fora.
Todas as dores possíveis me atingiram, me torturando, me matando.
Nem mesmo o rosto do anjo que invadia minha mente fazia a minha dor passar, nem mesmo um pouco.
Fechei meus olhos e tentei esquecer daquilo.
De repente escutei um barulho vindo do lado de fora da casa. Era um barulho estrondoso, como se estivesse caindo uma árvore.
-)
! - Gritou Leah batendo na porta e me tirando da escuridão.
! - Gritou Leah batendo na porta e me tirando da escuridão.
-Será que ela esta ai? - Perguntou Sam.
-Eu estou sentindo o cheiro dela. - Disse Paul.
-Vamos entrar! - Disse Embry.
-Vai entrar como? - Perguntou Seth.
-Derrubando a porta. - Disse Jared.
Ted também podia escutar as vozes que vinham da porta. Ele sabia perfeitamente que se vissem ele fazendo o que estava comigo era um homem morto.
-Vai lá para cima. - Ele me soltou finalmente.
-Tem duas pessoas ai dentro. - Disse Sam. -Não esta me cheirando nada bem. Agora é uma ordem de alfa, derrubem a porta!
Eu nunca tinha estado tão feliz em ver o bando. Eles iriam me salvar, mais não apagar.
Primeiro ouvi o barulho e depois eu vi os rostos dos meninos da alcateia.
Eles pareciam estar chocados pelo que acabaram de ver.
Eu estava toda ensangüentada, no que desta vez o sangue era realmente meu, e estava nua.
-)
! - Disse Leah vindo ao meu encontro. - O que fizeram com você?
! - Disse Leah vindo ao meu encontro. - O que fizeram com você?
Ela pegou a sua jaqueta e colou em mim.
-Acabem com ele! - Sam ordenou.
-Eu vou te tirar daqui. -Disse Leah segurando a minha mão.
Não pude ver direito o que os lobos estavam fazendo com o desgraçado do Ted, mais eu queria ter visto.
-Onde esta me levando? - Sussurrei baixinho.
-Para um lugar seguro. - Ela passou a mão pelo meu cabelo e tentou sorrir, mais nós duas sabíamos perfeitamente o que tinha acontecido.
E o que estava dentro de mim, gravado. Nunca mais sairia.
(...)
Quando cheguei à casa de minha tia, Leah me olhou por alguns instantes.
-Vamos, agora vai ficar tudo bem. - Ela disse me ajudando a sair do carro.
Entramos na enorme casa branca e a primeira coisa que vi foi a minha tia Sue.
Ela estava sentada no sofá assistindo alguma coisa.
-Mãe? – Perguntou Leah.
-Sim. - Minha tia respondeu se virando. Quando os seus olhos passaram por mim o seu rosto ficou triste e preocupado. – Deus, o que aconteceu?
-Primeiro ajuda e pergunta depois. - Respondeu Leah me levando para o seu quarto.
Quando chegamos ao quarto, Leah me colocou sentada na cadeira.
-Eu vou chamar um médico. - Disse minha tia muito preocupada saindo do quarto.
Leah se sentou ao meu lado e ficou alguns minutos me olhando.
- Você não precisa me dizer nada. - Ela passou a mão em meu rosto. - Eu sei o que eu vi.
-Eu juro que não tive culpa. - Tentei me explicar.
-Claro que você não teve. - Ela me fez levantar e tirou o que ainda tinha sobrado da minha roupa.
-Quero que você saiba de uma coisa. -Ela disse. -Sempre estarei do seu lado, prima.
Depois daí eu não vi mais nada, eu estava mergulhando na escuridão
Capitulo 12: Transformação
Versão Leah
Eu não estava realmente acreditando até agora que minha doce e frágil prima tinha desafiado o grande senhor alfa.
Apesar de Sam ter despedaçado o meu coração em mil pedaços, eu ainda o amava e parecia que realmente nunca deixaria.
A coragem da minha prima era assombrosa. Eu em toda a minha vida nunca tinha visto alguém falar com Sam naquela maneira, nunca tinha visto alguém me defender daquela maneira.
Mas de uma coisa eu tinha completamente certeza. Seria muito difícil o Sam conseguir que a )
aceitasse fazer parte da alcateia.
Nós, ou melhor, ele, precisava dela. Minha prima tinha uma força que nem ela mesma sabia que tinha.
Ela tinha sido a primeira mulher alfa e isso Sam não poderia mudar. Ele tinha apenas duas escolhas.
Primeira: Dar o seu lugar para Jacob, afinal, ele era neto de um grande alfa. Mas eu conhecia Sam perfeitamente, mesmo ele sendo um doce, ele ainda era muito egoísta e nunca aceitaria dar o seu trono para Jacob.
Segunda: Ele podia dar o seu lugar para a )
. Bom, seria menos humilhante para ele – claro.
Mas o que eu realmente não entendia nessa história toda era o que seria a missão da minha prima. O que eu sabia era que ela era muito importante e que nós a ajudariamos a fazer algo mais importante ainda, mas eu tinha medo. Medo por ela. Ela não merecia sofrer, afinal, ela sempre tinha sido uma pessoa maravilhosa.
Mas, também, ela já havia sofrido muito nessa vida. Lembro perfeitamente o dia que sua mãe a abandonou. Os seus lindos olhos cor de mel radiavam medo.
E apesar de tudo ela tinha conseguido superar os seus medos e acabou perdoando a sua mãe.
Eric não era como a minha prima, ele não tinha um coração puro. Eu sabia que ele nunca conseguiria perdoar a minha tia completamente.
No fundo, eu seria como ele, eu era como ele. Depois daquele dia eu tinha uma repulsa da minha tia. Ela tinha sido muito cruel com os meus primos. Mas a que mais sofreu foi a minha prima.
Durante anos ela tinha se calado completamente. Ela não falava com ninguém além do sem cérebro do Jacob.
Mesmo eu não gostando muito do Jacob, eu podia ver claramente como ele tinha feito muito bem a minha prima.
E sinceramente ele tinha sido muito burro de a ter deixado escapar. Somente eu via claramente as coisas que giravam ao meu redor.
Eu sempre vi a inveja que Bella tinha com relação à )
. Bella não era uma santa como as pessoas pensavam, mas, afinal, quem era eu para julgar uma pessoa?
Eu era uma simples garota do interior que só pensava na minha família e nunca deixaria alguém fazer qualquer mal a um só deles.
-Filha, os garotos estão lá em baixo e querem falar com você. -disse minha mãe me tirando dos meus devaneios.
-Já estou indo, mãe. -disse me levantando da cama.
Olhei-me no espelho por alguns minutos. Eu não queria parecer triste na presença de Sam. Não queria demonstrar o sofrimento que estava dentro do meu coração.
Mas, no fundo eu sabia que ele nunca mais seria meu, se é que ele tinha sido realmente.
Ninguém podia desfazer um imprinting, nem mesmo eu.
Abri a porta do meu quarto e me dirigi à grande sala da minha casa.
Estavam todos lá e pareciam que estavam para falar alguma coisa realmente muito importante.
Tentei ao máximo não olhar nos olhos de Sam. A pior coisa que ele podia sentir em relação a mim seria pena e isso e eu não queria de jeito nenhum.
-Bom, então, o que vocês querem falar comigo? -perguntei diretamente para Jacob.
-Temos problemas graves. -começou Jacob. -Tem um vampiro misterioso rondando a cidade e também tem dois homens muito estranhos e que não parecem ser apenas duas pessoas comuns.
-E vocês têm certeza que esses dois homens têm alguma coisa com o vampiro? -perguntei entrando de cabeça no assunto.
-Isso a gente não tem completamente certeza. -disse Jacob com uma cara de desanimado.
Olhando agora ele não parecia estar bem. Os seus olhos estavam meio vermelhos, parecia que tinha andado chorando.
Será mesmo que sua vida estava tão ruim assim?
Bom, isso não me importava nenhum pouco!
-Estamos observando eles atentamente. Qualquer coisa que pareça suspeito nós iremos falar diretamente com eles. -disse Sam pela primeira vez.
-Vocês têm alguma notícia da minha prima? -perguntei.
-Sua tia passou mal e agora esta no hospital. -disse Jacob baixinho.
-E a )
, como está? - disse rapidamente preocupada. -Ela deve estar arrasada!
-Na verdade, ela parece estar muito bem. -disse Jacob, agora com os seus olhos cheios de raiva e ódio. – Ela parece estar em boa companhia. -ele trincou o seu maxilar e fechou a sua mão em punho com muita força.
-Eu não acho que ela esteja tão bem assim. -disse pensativa. -Apesar de tudo ela ama a sua mãe.
-Acho que a mãe dela não é mais tão importante. -disse ele para si mesmo. – Ninguém é mais tão importante para ela. -dessa vez eu pude ver a pontada de dor em sua voz. E pode perceber também que ele estava se referindo a si mesmo.
-Bom, seja como for ela deve estar sofrendo muito com tudo isso. -murmurei.
-Na verdade o que a gente veio falar com você é sobre a )
. -sussurrou Embry.
- O que tem a minha prima? -perguntei olhando para o rosto preocupado de Embry.
-A transformação dela está muito perto. -disse Paul seriamente, o que não era muito típico daquele garoto irritante.
-Mas, não é uma coisa muito grave então. -disse me jogando no sofá ao lado de Quil que estava completamente calado.
-Aí que você está muito enganada. -disse Seth entrando na sala.
-Então, me expliquem! -ordenei.
-Lembra que o velho Quil disse que quando a )
fosse se transformar ela teria que passar por uma grande prova, como todos nós? -sussurrou Jacob me lembrando da minha prova.
O meu pior pesadelo era perder o amor da minha vida, e no fim eu realmente tinha perdido.
-Temos que ajudá-la a passar por isso! -disse Quil.
-Mas como vocês planejam fazer isso? -perguntei a mim mesma.
-A primeira coisa que a gente tem que fazer é ficar perto dela e ficar de olho para ela não sofrer um grande perigo. -disse Sam. -Todos nós sabemos que temos que pagar para ser da alcateia, mesmo não desejando realmente. – ele ficou serio. -Pode ser qualquer coisa e pode colocar a vida da )
em perigo.
-Mas, não pedimos para pagar um preço. Não pedimos para ser da matilha. -disse nervosa.
-Você sabe que não é assim. -disse Embry. -Essa é a única regra que a gente precisa cumprir antes de ser um lobo. Está escrito nas lendas. Todos os lobos têm que pagar um preço pela imortalidade, pela força.
-Um preço que pode ser muito alto. -sussurrei olhando para Sam. -Qual seria o maior medo da minha prima? -perguntei para mim mesma.
-Não precisa ser o maior. -corrigiu Sam. -É melhor a gente ir logo. -ele fez um sinal com a mão para que agente o seguisse.
-Eu não posso ir. -disse Jacob tristemente. -Não estou pronto.
-Como desejar. -sussurrou Sam antes de sair pela porta.
Todos saímos com Sam, até mesmo eu, mesmo não querendo realmente. Mesmo doendo o meu coração só de estar perto dele.
Todos têm que pagar um preço para entrar para o bando e esse tinha que ser o meu, tinha que ser o meu fardo para sempre.
Entramos na velha camioneta de Sam e fomos de encontro para a casa de )
em Forks.
A viajem foi o tempo todo muito silenciosa, todos estávamos muito preocupados com a segurando de )
. Fisicamente e emocionalmente.
Saímos do carro e fomos de encontro com a porta da pequena estrada da casa.
A casa estava muito silenciosa, mais tinha algo, algo que eu não fazia idéia que estava muito errado.
Ficamos todos silenciosos para capitar qualquer barulho que vinha da casa.
-)
! -gritei batendo na pequena porta com força, finalmente tomando uma atitude.
-Será que ela esta ai? -perguntou Sam.
-Eu estou sentindo o cheiro dela. -disse Paul.
-Vamos entrar! -disse Embry.
-Vai entrar como? -perguntou Seth.
-Derrubando a porta. -disse Jared.
Eu estava cheia daqueles garotos que pensavam que tudo era na base da força.
Mas eu também estava achando que tinha algo muito estranho e poderia ser algo muito grave, poderia custar à vida da minha doce e meiga prima.
-Tem duas pessoas ai dentro. -disse Sam. -Não esta me cheirando nada bem. Agora é uma ordem de alfa, derrubem a porta!
Jared sorriu um pouco com a ordem de Sam. Aquele garoto gostava de destruir tudo a sua frente. Não pude deixar de revirar os meus olhos com a atitude do garoto.
Depois de alguns segundo a pequena porta já estava destruída no chão. Quando isso aconteceu venho um cheiro de sangue muito forte vindo da casa. E o cheiro parecia estar fresco.
Quando os olhos de Sam viram o que eu não pude ver se encheram de raiva, e eu quase pude jurar que tinha visto dor também.
Dei três passos, rapidamente, ficando na mesma direção de Sam e foi ai que meus olhos viram a pior coisa que eu podia ver no mundo, na minha vida.
)
estava no chão e sua roupa estava completamente rasgada. O seu rosto de anjo estava completamente transformado. Ela estava com o seu rosto muito inchado e saia sangue ferozmente pela sua boca, nariz, ouvido e até mesmo os seus olhos.
Eram como lágrimas vermelhas. Lágrimas misturadas ao seu sangue.
Não havia mais nenhum traço de seus olhos cor de mel, os seus olhos estavam transformados pela dor.
Aquilo me atingiu como um golpe no estômago. )
era a minha prima, mais parecia que era a minha irmã mais nova e eu não suportava que algo a ferisse.
O seu braço esquerdo estava totalmente roxo e também tinha umas feridas profundas. Eu não sabia de onde aquele força veio, mais eu sabia que ela estava comigo.
Foi rapidamente até a minha prima e me abaixei ao seu lado pegando a sua mão. Olhei por alguns segundos para a sua mão e tinha umas marcas roxas também. Tinha um sinal de mão em seu pulso fino. Era como se alguém tivesse o apertado fortemente.
Segurei sua mão a ajudando a se levantar do chão. Então, quando os meus olhos passaram novamente para a sala eu vi o Ted com o sinal da mão de )
em seu rosto.
Então as coisas começaram a fazerem completamente sentido e foi ai que eu descobri qual era o preço da minha prima.
Mas o preço dela tinha sido alto demais, um preço que poucos seriam capazes de agüentar. Mais não importava o que tinha acontecido eu sempre estaria ao seu lado e nunca mais deixaria nenhum desgraçado a ferir, nunca.
-)
. - sussurrei sem força. -O que fizeram com você?
Então com um movimento rápido eu tirei a minha jaqueta preta e a coloquei em minha prima, para a defendê-la da vergonha. Mas eu sabia que naquela hora aquilo não era a coisa mais importante.
-Acabem com ele! -ordenou Sam, e no fundo eu sabia que ele também estava muito chocado pelo que acabara de ver.
-Eu vou te tirar daqui. -disse passando o seu braço bom pelo meu pescoço para colocar o seu peso sobre o meu corpo.
Comecei a tirá-la daquela confusão, daquele lugar horrível.
-Onde está me levando? -sussurrou baixinho.
A sua voz estava completamente sem vida e aquilo me trouxe uma dor muito forte. Parecia que o meu mundo tinha acabado completamente e a única coisa que me dava forças era que a minha prima precisava de mim.
-Para um lugar seguro. -disse tirando o seu cabelo dos olhos que agora estavam grudando com o sangue que ainda saia dos seus olhos.
A coloquei no carro com todo o cuidado possível e eu pude perceber que algumas vezes ela gemia de dor baixinho, parecendo que não queria me preocupar mais ainda.
Sentei-me no banco do motorista e liguei o carro.
Às vezes eu olhava para a minha prima e colocava a minha mão em seu rosto para ter completamente certeza que ela ainda estava respirando, ainda estava com vida.
A viajem pareceu durar horas e eu pude ver que )
estava ainda com muita dor e isso me fazia acelerar ainda mais.
Depois de alguns minutos a minha prima fechou os olhos parecendo estar muito casada e eu tive que tocá-la para ter completamente certeza que ela estava bem, novamente.
Observei a minha casa ao longe e depois de alguns minutos eu já estava estacionando o carro. Sai do carro e fui para o outro lado. Abri a porta do carona e coloquei a minha mão no rosto de )
. Ela abriu os olhos instantaneamente e isso me deu mais força.
-Vamos, agora vai ficar tudo bem. -Passei meu braço em sua cintura e a levei lentamente para a entrada da enorme casa branca.
Quando eu entrei a primeira coisa que eu vi foi a minha mãe assistindo um filme antigo na Tv.
-Mãe? -a chamei.
-Sim? -perguntou minha mãe se virando para ver de onde a voz vinha.
Quando os seus olhos cor chocolate passaram pela minha prima o rosto da minha doce mãe mudou completamente.
Estava claro que estava também estava muito preocupada com a )
e isso nós duas tínhamos de sobra.
– Deus, o que aconteceu? -disse minha mãe se levantando.
-Primeiro ajuda e pergunta depois. – foi a única coisa que consegui pensar em dizer.
Minha mãe passou o braço pela cintura de )
como eu já estava fazendo e me ajuntando a levá-la até as escadas.
A pior parte foi conseguir subir as escadas, o que durou alguns minutos a mais.
-Eu vou chamar um médico. – disse minha mãe quando finalmente chagamos no meu quarto.
Depois ela me olhou por alguns segundos e saiu do quarto fechando a porta.
Coloquei )
com muito cuidado na cadeira que havia em meu enorme quarto azul-safira.
Depois de arrumar muita coragem para olhar novamente naqueles olhos cheios de dor me sentei na outra cadeira ao lado de minha prima.
Fiquei a observando por alguns minutos enquanto ela abria e chegava à boca parecendo que queria me explicar alguma coisa.
- Você não precisa me dizer nada. - passei minha mão em seu rosto, tentando mandar todo o amor que eu sentia dentro de mim para ela. Tentando tirar a tristeza de seu coração. - Eu sei o que eu vi.
-Eu juro que não tive culpa. – ela tentou explicar mais começou a chorar e isso cortou o meu coração, novamente.
-Claro que você não teve. – a fiz levantar para eu tirar o resto que tinha sobrado de sua roupa. -Quero que você saiba de uma coisa. -comecei. -Sempre estarei do seu lado, prima.
Minha doce prima fechou os olhos e parecia que estava em um mundo muito distante.
A levei até o meu banheiro e liguei o chuveiro.
Minha prima parecia estar longe e não percebeu que eu dei banho nela. Depois que ela estava totalmente limpa, sem sangue.
Coloquei uma roupa minha nela e a coloquei deitada na minha cama.
-Edward... -sussurrou minha prima. – Edward... -a sua voz estava cada vez mais exigente.
Eu sabia exatamente o que estava acontecendo. Meu velho e doce avô me disse tudo sobre o imprinting que )
teve como o vampiro que se chamava Edward.
Coloquei a minha mão na testa da minha prima e por incrível que pareça estava mais quente que eu.
Ela precisava de Edward para curar o seu coração, o seu corpo.
Não importava o que me custasse, eu daria um jeito de trazer Edward até a minha prima. Eu sabia que se o Sam descobrisse ficaria muito bravo comigo, mais eu sabia muito bem qual seria o meu argumento.
-Filha, o médico acabou de chegar. -avisou a minha mãe sussurrando para não acordar a )
.
-Mãe, eu vou dar uma saídinha mais não vou demorar muito. -olhei para )
. -Cuida bem dela enquanto eu estiver fora.
Desci as escadas correndo e foi diretamente para a porta. A rua estava totalmente escura, mesmo assim eu podia ver perfeitamente bem com os meus olhos de loba.
Andei na direção da casa de Emily, eu sabia que Sam estaria lá. A cada passo que eu me aproximava o meu coração começava a doer mais. Mas aquela dor não me impediria de fazer o que eu tinha que fazer.
Respirei fundo e bati na porta de madeira. Depois de alguns minutos Emily atendeu a porta com um sorriso enorme e quando ela me viu o seu sorriso desapareceu.
-Leah. -disse ela tristemente como se estivesse vendo o próprio diabo.
-O Sam esta? -perguntei tentando ser gentil.
-Estou aqui. -respondeu Sam parecendo atrás da Emily. Ele passou os seus braços em volta da cintura de Emily, como se eu fosse machucá-la.
Ele era realmente um idiota de pensar isso de mim. Em todos esses anos que estivemos juntos ele não me conhecia de verdade.
Eu seria incapaz de fazer qualquer coisa de mal a minha prima, eu nunca faria isso.
Senti-me o próprio lobo mal tentando matar a Chapeuzinho Vermelho.
Balancei a cabeça para afastar os pensamentos que me feriam e tentei pensar no que realmente importava.
-Posso falar com você? -perguntei tentando esconder a vergonha que estava dentro de mim. - Sozinho?
-Bom, eu vou terminar de fazer os meus bolinhos. -disse Emily me deixando sozinha com Sam.
-Sobre que você ver falar? -disse Sam rispidamente.
-É sobre a )
. -comecei tentando escolher as palavras certas.
-Ela está bem? -perguntou ele preocupado.
-Não muito. -respirei fundo. -Na verdade eu estou aqui para te pedir um coisa.
-Não começa, Leah. -disse ele se virando para me deixar sozinha.
-Não é sobre nós. -disse entrando em sua frente e o impedindo de me deixar falando sozinha. -Como eu te disse é sobre a )
.
-Então, o que você quer me pedir?
-Sei que você vai me entender, claro, depois de eu te pedir muito. -comecei. -A )
não esta nada bem e eu sei de um jeito de fazê-la melhorar um pouco.
-Então, fala então. -disse ele curioso.
-Não briga comigo, tá? - sussurrei tomando coragem. - Só tem um jeito de ela ficar um pouco melhor, e eu sei qual jeito é esse. -tentei enrolar mais um pouco. -Esse jeito é ela se encontrar com o seu imprinting.
-Isso não vai ser possível. -disse ele imediatamente.
-Por favor, tente pensar mais um pouco. -suspirei. -Se fosse você e a Emily...
-Não a coloque nisso! -ele ordenou.
-Se ela estivesse muito machucada e você não pudesse vê-la e se esse fosse o único modo dela realmente melhorar, pelo menos um pouquinho. -coloquei as cartas na mesa. -Você a deixaria morrer?
-Claro que não. -ele fechou os olhos. -Mas entenda isso é uma coisa impossível.
-Não, não é. - disse sorrindo. -Você é o grande alfa e pode deixar o Edward vir ver a )
por alguns minutos.
-Isso vai depender do que os outros garotos falarem. -ele murmurou.
-Você é o alfa ou não é? -mexi com o seu orgulho. -Se você não deixar o Edward vir aqui eu mesma vou até lá e levo a )
comigo.
-Mas você terá que largar a matilha antes. -ele jogou na minha cara.
-Não importa. Eu sei o que devo fazer e não vou desistir. -o desafiei. -Está mais que pensado, ou eu vou ou ele vem.
-Por favor, não faça isso. -ele implorou. -Não faça isso. Por mim!
Desta vez ele tinha jogado muito sujo comigo.
-Então, me faça um pequeno favor. -comecei. -Eu esquecerei tudo o que você fez comigo se você fizer esse pequeno fazer por mim. -joguei mais sujo ainda, eu estava jogando na mesma moeda, na mesma chantagem barata.
-Tudo bem. -ele disse por fim.
Eu não tinha mais nada o que fazer ali, eu apenas sai correndo e peguei o meu carro preto.
Eu não sabia exatamente onde ficava a casa dos Cullen, mas podia sentir o cheiro deles e isso me ajudou bastante.
Depois de alguns minutos eu já estava em frente a grande casa branca tentando arrumar coragem para bater na porta.
Abri a porta do carro e foi até a porta de entrada da casa.
-O que estava fazendo aqui? -perguntou um homem que parecia ser mais um armário.
-Eu posso falar com o Edward? -perguntei tentando ser educada.
-O que você esta fazendo aqui? -perguntou ele num tom mais alto. -Você esta quebrando o trato e isso não vai ser muito legal, para você.
-Pare, Emmett! -ordenou um garoto de cabelos cor de bronze vindo ao meu encontro. -Ela não esta aqui para brigar.
-Você é o Edward? -chutei.
-Sou. -ele respondeu sorrindo.
-Eu estou precisando muito fala com você. -olhei com um pouco de medo para o homem armário. -É sobre a )
.
-Vamos conversar lá fora. -ele fez final para que eu o seguisse.
-Eu vou falar rápido, porque não temos muito tempo. -ele ficou serio. -Eu consegui a autorização do Sam para você poder entrar na reserva. -ele parecia estar confuso. Então deixei a minha mente repassar a ele toda a história.
Menos algumas partes. Eu já conseguia controlar os meus pensamentos. Afinal, eu convivia com um bando de garotos idiotas que podiam ler a minha mente. Depois de um tempo você acaba acostumando.
-Então você vai me ajudar a vê-la? -perguntou ele desconfiado.
-Claro, se isso for ajudar a minha prima!
(...)
Abri a porta do meu quarto deixando Edward entrar primeiro.
Os seus olhos dourados foram diretamente para a cama e eu pude ver a tristeza quando viu os ferimentos de )
.
-Nunca um lobo foi tão bom comigo. -disse ele sorrindo para mim. -Nunca nenhum gostou de mim.
-Eu não gosto de você realmente. -confessei. -Mas se você faz a minha prima feliz, por mim está tudo bem.
-Mesmo assim muito obrigada. -ele continuou sorrindo.
-Só não demore muito. -sussurrei. -Sam já vai me matar.
-Você é uma boa pessoa Leah, você não é como os lobos pensam. -disse.
-Que bom saber que alguém pensa isso de mim. -disse tentando rir. -Acho que sou boa para as pessoas que fazem as pessoas que eu amo feliz.
Sai do quando e fechei a porta.
Fim versão Leah
Capitulo 13: Finalmente aliados: Parte 1
Versão )
A memória me esmagou, me afogando em desespero e escuridão e a realidade do meu próprio mundo se despedaçou, e tudo ficou preto.
Eu estava em uma floresta e estava completamente escuro. Os pingos da chuva que caiam sobre a linda floresta, estavam me molhando completamente. Minhas roupas estavam completamente molhadas, e o meu cabelo longo estava grudando em meu rosto. Aquele sentimento de perda não me abandonava nem por um segundo. E a pior coisa era não saber o porquê de estar sentindo aquilo.
Tentei vasculhar a minha mente à procura de resposta, mais minha memória parecia um buraco negro. Eu não me lembrava de absolutamente nada.
Olhei ao redor, e pude ver uma linda criança a minha frente. Ela parecia ter aproximadamente uns cinco anos. Seus cabelos eram escuros, uma cor que não era realmente preto e nem castanho.
Os seus olhinhos eram verdes esmeraldas doces e grandes. Sua pele era apenas alguns tons mais claros que a minha.
Ela sorriu para mim docemente, deixando à mostra os seus dentinhos brancos, em contraste com a pele morena.
As suas covinhas me lembravam alguém, mas eu realmente não me lembrava quem. Balancei a minha cabeça, eu não queria realmente pensar.
A pequena se aproximou de mim docemente, e colocou sua mão na minha. Sua pele era quente, alguns graus mais quente que a minha.
Abaixei-me em sua frente, e os meus olhos ficaram na mesma altura dos dela. Agora vendo ela melhor, ela tinha traços fortes da tribo.
Ela sorriu alegremente, o seu doce sorriso era como um sol iluminando a minha vida. De repente eu escutei ao longe uma criancinha chorar. Era como se estivesse chamando pela mãe.
Os olhinhos verdes esmeraldas da pequena ficaram tristes e o seu doce sorriso desapareceu.
-Ele não pode nos deixar... - choramingou ela. As lágrimas começaram a rolar pelo rostinho angelical.
Eu não sabia de quem ela estava se referindo, mas aquelas palavras me machucaram profundamente. Era como se a minha alma estivesse se despedaçando em mil fragmentos.
Tentei me concentrar apenas na criança na minha frente.
-Quem não pode nos deixar? - perguntei enxugando as suas lágrimas.
Os seus olhinhos fitaram os meus por alguns instantes, parecia que ela estava pensando se deveria fala ou não.
-Papai. – respondeu ela somente.
Agora eu tinha ficado completamente perdida. Eu entendi as palavras dela.
A pequena menininha se virou e saiu correndo, entrando na floresta adentro. A minha reação automática foi ir atrás dela.
A floresta era mais bela vendo-se por dentro. As árvores eram grandes e belas. Tinham grandes galhos e o seu verde era o mais belo que eu já tinha visto.
A menina corria muito rapidamente, e eu não pode acompanhá-la de perto.
De repente eu senti uma mão gelada me tirando da floresta. Ela estava me puxando para a realidade.
Eu já não estava mais na bela floresta. Agora eu estava em uma cama macia e quente. Eu não queria realmente abrir os olhos, no fundo, eu sabia que se abrisse os olhos a realidade me atingiria rapidamente.
Continuei a sentir os dedos gelados acariciando o meu rosto, não precisava pensar muito para saber quem era.
A memória me voltou rapidamente, e aquele sentimento voltou rapidamente. Era um sentimento de perda, de nojo.
As cenas se passaram diante das minhas pálpebras fechadas com força. Eu não podia encarar a realidade agora, talvez nunca pudesse.
Eu não queria encarar o anjo agora. A vergonha era muito mais forte agora. Sei que não tive culpa por nada que aconteceu, mas...
Senti uma quentura subindo pelo meu corpo rapidamente. Meu corpo começou a vibrar, me fazendo ofegar.
Era como se eu fosse explodir a qualquer momento. Era como se estivesse um animal dentro de mim louco para sair.
Abri os meus olhos, e a primeira coisa que eu pude ver era aqueles olhos dourados, me fitando com intensidade.
Algum dia eu teria que enfrentar a realidade.
-Eu sempre vou estar com você. – sussurrou Edward colocando os seus lábios na minha testa.
Era como se um choque da maior voltagem tivesse me atingido.
As lágrimas começaram a sair pelos meus olhos sem freios. Eu sempre amaria Edward, mas, aquele sentimento não me deixava.
Eu não era mais a pessoa certa para ele, eu não era mais pura, como ele merecia.
Eu agora era suja, eu não poderia fingir que eu ainda era a velha )
.
De repente lembrei-me de onde estava realmente. Eu estava na casa da minha tia, em La Push.
Edward não poderia estar ali, era muito perigoso. Se a alcatéia soubesse que um Cullen estivesse lá seria guerra declarada.
-Edward, você não pode estar aqui. -disse me levantando na cama rapidamente. Eu tinha me levantado rápido demais e a tontura me atingiu.
Senti as mãos de mármore de Edward me ando apoio, me impedindo de cair.
-Você não precisa se preocupar, já esta tudo em absoluta ordem. -disse ele me tranqüilizando.
-Você não pode estar aqui. -disse sobressaltada. -Se o Sam souber que você esta aqui. -meu coração doeu. -Ele vai te matar!
-Não se preocupe meu amor. -disse ele me levando para a cama, e me fazendo me sentar. -Sam me deixou vim ver você.
-Ele não faria isso. -disse pensativa.
-Bem, se tivesse uma ajudinha extra, ele faria sim. -disse Edward rindo da piada que eu ainda não sabia.
-Ajudinha?
-Leah me ajudou a vir ver você. -disse ele passando o dedo em meu rosto com carinho. -Na verdade, essa reação dela me surpreendeu.
-Eu conheço a minha prima, e ela não faria isso. Ela simplesmente odeia vampiros. -expliquei.
-Talvez ela não odiasse tanto assim. -disse ele.
-Talvez... -sussurrei.
-)
, agora você pode me explicar o que aconteceu com você? -perguntou ele mais sério.
-Er... você não sabe? - perguntei assustada.
-Sua prima fez questão de manter isso em sigilo. -disse ele olhando para a porta. -Ela está tentando ao máximo não pensar.
-Ah... - aquilo era bem típico da minha prima. Ela nunca contaria uma coisa que não soubesse que poderia contar. E ela me conhecia bem demais, ela sabia que eu não queria que Edward soubesse.
-Soubesse do quê? -perguntou ele lendo a minha mente.
Eu não queria falar, não agora. Eu ainda estava muito chocada para falar.
E a última pessoa do mundo que eu iria falar era Edward. No fundo, eu tinha um medo, medo que ele não me quisesse mais.
-Isso nunca vai acontecer. -disse.
Quando eu menos esperava, Edward passou os seus braços em minha volta e me levou mais para perto dele.
Aquele cheiro delicioso que emanava dele me fazia ficar mais tranqüila. Não importava o que acontecesse comigo, se eu estivesse ele ao meu lado, tudo ficaria mais fácil.
Eu não poderia mais suportar, não podia mais viver, sem ele ao meu lado.
Ele era o anjo que acalmava a minha vida. Ele era o anjo que tirava a minha vida da escuridão.
Ele era a calma que me fazia sentir em casa. Sentir-me no paraíso, me sentir na luz.
-Você pode me contar qualquer coisa. -disse ele. A sua respiração lenta estava fazendo os meus pelos da nuca se arrepiar. -Nunca duvide disso.
-Eu sei, eu sei. -disse me afastando para fitar os seus lindos olhos. -Eu só não estou pronta, não ainda.
-Não se preocupe com nada, eu sempre vou estar aqui com você, meu anjo. -disse ele. Depois ele me apertou mais contra o seu corpo de mármore, era como se eu realmente estivesse no céu. -Não posso ficar muito tempo, o Sam ficara muito bravo com a sua prima, ela já esta fazendo muito.
Olhei no fundo dos olhos de Edward e quase pude ver a sua alma. Agora ele não estava mais sereno, agora, ele estava com o rosto sério.
-O que foi?
-Problemas. -sussurrou. -Mas, não é nada muito grave, eu só tenho que fazer algumas coisas.
Coloquei minhas mãos em seu rosto, e fitei os seus olhos com intensidade.
-Eu te amo. -sussurrou ele fechando os olhos. Como se quisesse que aquele momento nunca passasse.
-Eu também. -sussurrei fechando os olhos também.
Senti os lábios de Edward encostarem-se nos meus lentamente. Os nossos lábios se moveram lentamente, em um beijo calmo, suave.
Era como uma dança sem pausa. A língua dele dançando com a minha em sincronia.
Suas mãos foram para o meu rosto, o acariciando. As minhas, em resposta, foram para os seus cabelos macios.
Edward me puxou mais para ele, o que não era muito fácil, mas a cada segundo ele ficava mais urgente.
As nossas respirações já estavam ofegantes, e naquele momento, a tristeza me invadiu completamente.
As cenas se passaram rapidamente pela minha cabeça, me fazendo sair dos braços de Edward rapidamente.
Eu não podia ficar com ele, eu não o merecia, não mais.
-O que...? -sussurrou ele ainda confuso.
Deixei a minha mente vagar pelos acontecimentos. Um dia ele teria que saber, era inevitável.
-Eu vou entender se você não me quiser mais. -disse olhando para a parede, envergonhada.
Talvez, era para ser assim. Mesmo que eu amasse Edward eternamente, nós nunca poderíamos ficar juntos.
Talvez, fosse para ser assim, mesmo doendo pensar assim, eu tinha que aceitar a realidade da minha vida.
-Não importa. -disse ele depois de alguns minutos.
-O quê? -perguntei incrédula me virando para fita-lo. – Você não se importa se eu não sou mais pura? -abaixei meus olhos. -Se eu não te mereço mais?
-Não importa. -disse ele se aproximando de mim. – Nada me fará deixá-la, nunca. Será que você não pode entender isso? -ele me abraçou. -Eu te amo mais que tudo no mundo, eu nunca mais poderei viver sem você.
-Jura que nunca vai me abandonar? -sussurrei chorando.
-Nunca. -ele me abraçou mais forte. -Você agora é a minha vida. Eu não tenho mais forças para ficar longe de ti.
Escutamos uma batida na porta, me fazendo ir para mais longe de Edward. Depois de alguns minutos Leah apareceu.
-Desculpe, mas o tempo acabou. -disse ela olhando diretamente para Edward. -Sam está louco, ele não vê a hora de você ir embora. -disse ela mais baixo.
-Tudo bem Leah, não se preocupe. -disse Edward. -Você já se arriscou demais.
Edward deu um beijo na minha testa e se foi, me deixando na escuridão novamente.
Eu fiquei na escuridão da minha alma por horas, talvez dias. Eu simplesmente não vi o tempo passar. Às vezes aquela cena se passava pela vinha cabeça me fazendo vomitar.
Eu não queria sentir aquilo, mais era uma coisa maior que eu. Agora eu estava com nojo de mim, do meu corpo. Nojo de simplesmente tudo.
Eu me sentia suja, era como se eu estivesse cheia de terra ou algo pior.
Leah e minha tia sempre estavam comigo, às vezes ficavam em silêncio e outras elas bem que tentavam conversar.
Mas eu não conseguia falar, não consegui me mexer, nem mesmo pensar.
Todas as vezes que eu tentava falar, me mexer ou falar, aquela cena se passava novamente, me fazendo odiar o dia em que nasci. Fazendo odiar-me acima de tudo.
Sei que eu não tive culpa de nada do que aconteceu, mas nem por isso aquele sentimento me abandonava.
Eu me sentia um imã de problemas e desgraças. Sempre tinha algo que me fazia mal, me fazia sofrer. Não havia época que eu era realmente, plenamente feliz.
Eu tinha que descobrir uma maneira de esquecer tudo, esquecer coisas que eu não queria, não podia lembrar.
-Você esta com fome? -perguntou minha doce tia, entrando no quarto com uma bandeja de alimentos que deveria ser para mim.
Ela se inclinou e colocou sua mão em meu rosto. Eu me sentia bem quando ela ou Leah estavam comigo, mais não era o suficiente.
-Sabe, eu fiz esses bolinhos especialmente para você. -ela apontou para o bolinho na enorme bandeja de madeira. -Se você não comer não vai sobrar. -ela fez uma careta horrível, e pela primeira vez eu sorri. -Como é bom ver esse seu sorriso, novamente. -ela me abraçou. Um abraço materno que fazia eu me sentir em casa. Mas, agora eu não tinha casa realmente. A casa que vivi a minha vida inteira tinha sido o cenário do meu pior e real pesadelo.
-Querida, os lobos estão lá em baixo e querem conversar com você. -minha tia disse depois de alguns minutos.
-Sobre o que eles querem conversar? -falei pela primeira vez. Era realmente estranho ouvir a minha voz, era como se fosse à voz de outra pessoa. Uma voz fraca que nem ao menos podia se entender.
-Sinceramente, eu não sei. -disse ela me fazendo rir, novamente. -Mas, acho que não é nada de ruim, eles estão com uma cara boa. -ela disse passando a mão em meu cabelo. -Mas se eles te encherem pode me falar que eu dou umas boas palmadas naqueles meninos levados.
-Pode deixar. -sussurrei sem força.
Levantei-me da cama e andei lentamente para o andar de baixo.
Quando os garotos me viram, a conversa que estava boa se silenciou. O único que sorriu realmente foi o Sam, o que me surpreendeu.
-Como você está? -perguntou Sam se aproximando de mim.
Eu realmente tinha sido muito rude com ele e tinha o julgado. Mas, afinal, ele tinha me visto queimar e não fez absolutamente nada. Mas ele também tinha me salvado das garras daquele desgraçado. E isso eu seria grata para sempre.
-Estou melhorando. -respondi também sorrindo.
-Você parece bem melhor do que ontem! -disse Quil.
Paul bateu na cabeça do pobre Quil com força porque fez um barulho muito alto. Eu tinha certeza que ele não queria ter dito uma coisa daquela.
-Ele tem razão. -disse somente. Todos os olhares daquela sala se viraram para mim. -Estou bem melhor que ontem.
-Eu estava querendo falar com você sobre outro assunto. -Sam disse tentando mudar de assunto, o que novamente fiquei muito agradecida. -Eu estava querendo falar sobre o imprinting que você teve com o Edward Cullen.
-Sam, se você vai falar para eu tentar esquecer ele não perca o seu tempo. – disse, me sentando no sofá ao lado se Seth.
-Não, claro que não. -disse ele me surpreendendo. – Olha, eu sei de toda a história e também sei que a alcatéia foi muito ruim com você e o Edward.
-Espera. Não estou entendendo. -disse confusa.
Sam se aproximou de mim e se abaixou em minha frente colocando sua mão em meu ombro.
-Eu sei sobre a história da sua vida passada. -ele começou. -Também sei que especialmente, sou eu que sou culpado de tudo que aconteceu com Yonah naquele dia. -continuou. -Eu vi você morrer e não fiz nada, simplesmente te vi se transformar em nada. -confessou. -Eu me culpo por ter feito tudo o que fiz com você e sei que você não vai me perdoar tão facilmente, mas eu vou tentar conseguir o seu perdão sincero. -ele olhou para os garotos a nossa volta. -Não precisa mais ser como antes. Você não precisa morrer pelo motivo de amar verdadeiramente alguém. Nós, os seus irmãos, sempre estaremos com você e mesmo que o seu amor seja um vampiro. -ele olhou novamente para mim. – Eu particularmente sei o que é um imprinting e me imagino no seu lugar. Pagando por uma coisa que você nem mesmo cometeu. -ele passou a mão em meu cabelo. -Nós sabemos que Yonah dava a vida pela tribo, pela matilha. Mas, éramos egoístas demais para perder uma alfa maravilhosa.
-Então vocês a mataram. -sussurrei sem pensar.
-Sim, nós a matamos. -ele me olhou nos olhos. -Mas somente uma pessoa era verdadeiramente culpada pela morte da jovem alfa e esse culpado sou eu. Mas, eu posso lhe dar a minha palavra, pelo amor da minha vida, nunca mais isso acontecera com você.
-Então, você esta dizendo que não vai se importar se eu ficar com o Edward? -perguntei olhando para Emily que estava no canto da sala.
-Não, a gente não se importa. -ele olhou para os outros garotos. – Claro que a gente não vai ficar melhores amigos dos vampiros, mas, também, não seremos os seus inimigos.
-Obrigada. -disse olhando para ele. -Obrigada a todos, de verdade.
-Você não esta com saudades do Edward? -ele perguntou rindo. – Sabe, eu não posso ficar nem mesmo vinte minutos sem a Emily. -ele riu envergonhado. -Você pode até escolher um motorista particular. -ele apontou para os garotos.
-Obrigada, mas acho que ainda vou ficar por aqui. -disse olhando para os garotos que não pareciam ter gostado da conversa de eu ter um motorista.
-Você quem sabe. -disse Sam desaparecendo na sala e indo para cozinha.
Eu estava realmente precisando ver o meu anjo, mais não podia ser agora. O pensamento me causou um pouco mais de dor
-Posso falar com você? -perguntou Jacob se sentando ao meu lado.
-Claro. -respondi. Foi como reação automática, simplesmente não havia mais ninguém na sala. Era apenas Jacob e eu.
-Como você esta se sentindo? -perguntou preocupado.
-Sinceramente? -ele balançou a cabeça em resposta. -Estou me sentindo um lixo. Tenho nojo de mim mesma.
-Você não tem culpa pelo que aconteceu. -disse rapidamente. Parecendo ter ficado magoado com as minhas palavras. -Não se sinta assim. -ele me abraçou. E eu tratei de sair de seus braços rapidamente. -O que foi?
-Estou suja, Jake. -sussurrei olhando para as minhas mãos. -Eu sou suja.
-Não, você não é. - ele pegou a minha mão. -Por favor, não pense assim.
-Acho que eu vou até a casa dos Cullen - disse me levantando.
-Quer que eu vá com você? -perguntou se levantando também.
-Obrigada, Jake. -tentei sorrir. -Mas, não precisa.
Sai da enorme casa branca e foi para a direção do meu carro que os garotos tinham dado um jeito de buscar.
Uma coisa eu queria ter visto. Queria ter visto os meninos acabarem com o desgraçado do Ted. Pena que eles não o mataram mais, uma boa surra já deu para ele sentir um pouco do que ele vai sentir mais a frente.
A minha transformação já estava quase completa. Parecia que quanto mais eu ficava perto dos lobos a transformação agia mais rapidamente.
A única coisa que ainda me prendia de não matar aquele desgraçado era a minha mãe que ainda estava no hospital.
Decidi não falar para ninguém, tirando os lobos e minha tia e meu tio. Eu não queria que minha mãe morresse e esse era o único modo de deixá-la completamente segura.
Entrei no meu, ou melhor, no carro da minha mãe e foi em direção à casa dos Cullen.
Eu me lembrava a onde ficava a casa, isso era uma coisa boa, eu não queria ficar perdida por ai.
Diferente do que eu pensava, a viagem passou rapidamente e logo eu já estava parando o carro na frente da casa de Edward.
Fiquei alguns minutos pensando se deveria realmente entrar. Mas por um impulso totalmente insano eu já tinha saído do carro e bati na porta.
-Sim? - a porta se abriu e uma mulher totalmente desconhecida apareceu. Ela tinha os cabelos cor de chocolate e seu rosto tinha forma de coração.
-Bom er ... -eu comecei a engasgar e atropelar as palavras. Eu fechei meus olhos me concentrando bem no que eu iria dizer. -Eu sou )
, será que eu posso falar com o Edward? -falei rapidamente, mas, ainda sem jeito.
-Finalmente, conheci a famosa )
Clearwater! -disse ela rindo alegremente. – Venha querida. -ela pegou a minha mão.
-Acho que você já conheceu a Esme. -disse Edward descendo a escada sorridente. - Você esta melhor? -perguntou ele preocupado, olhando as marcas roxas no meu corpo.
-Nada, eu já estou melhor. -menti descaradamente, tentando não pensar no dia anterior. Todo o medo que eu tinha sentido a noite inteira voltou desesperadamente.
-Como não é nada? -ele olhou para o meu rosto cheio de marcas. -Olhe para você. Está cheia de marcas roxas. -ele colocou a sua mão em meu braço e a minha reação automática fui tirar o meu braço da sua direção. Eu estava imaginando como seria novamente sentir aquela dor aguda.
-Estou bem, de verdade. -sussurrei indo abraçá-lo.
Como era bom ter o meu anjo novamente perto de mim. Perto dele toda a escuridão da minha alma evaporava.
-Promete que nunca vai de deixar? -perguntei ainda em seus braços. As lágrimas começaram a escorrer pelo meu rosto.
Edward segurou o meu rosto entre suas mãos e me beijou.
Capitulo 14: Finalmente aliados: Parte 2
Versão Edward
Eu tinha tentado não demonstrar a raiva e o ódio perto da minha )
. Mas, agora, eu não podia me controlar.
Todas as minhas células gritavam por vingança. No fundo, tinha sido tudo culpa minha. Se eu não a tivesse deixado, não teria acontecido uma coisa dessas com a minha )
. Mesmo tentando pensar racionalmente, eu ainda tinha a louca vontade de ir até onde o desgraçado se encontrava e matá-lo.
Os lobos deviam o ter matado quando puderam.
O monstro que estava escondido dentro de mim, na parte mais obscura, estava louco para sair. Louco pelo desejo de vingança.
Eu me perguntava se )
ficaria magoada comigo se eu o matasse. Mas, eu sabia perfeitamente que ela ficaria até feliz, só que o problema era a sua mãe.
)
amava sua mãe demais para partir o coração dela. E todos sabiam que sua mãe amava Ted mais que tudo, até mais que seus próprios filhos.
Acelerei o mais que o meu carro podia agüentar. Foi diretamente para a casa da )
.
Seria muita sorte minha se o desgraçado estivesse em casa. Bom, seria sorte apenas minha.
O desejo estava muito mais forte agora, a minha garganta começou a arder e isso me fez rir, talvez se eu perdesse o controle com o Ted, não seria nada mal.
Então o rosto de Carlisle veio em minha mente. Eu não podia fazer isso com ele. Ele tinha lutado tanto por mim.
Eu não poderia fazer uma coisa com o homem que me salvou, apesar de me tornar um monstro.
Quando finalmente eu já me encontrava na frente da casa de )
, as luzes da casa estavam completamente apagadas, mais eu ainda podia sentir o cheiro que emanava da casa.
Eu podia ler a mente do desgraçado. Ele estava pensando que deveria ter feito aquilo com a )
há muito tempo.
Pude perceber que ele já fazia isso com crianças há muito tempo. E essa era a primeira vez que ele tinha feito com uma criança mais madura, era assim que ele se referia a minha )
.
Segurei o volante com mais força, tentando expressar a minha raiva. As imagens se passaram pela cabeça ele, e foi aí que eu perdi o controle completamente.
Sai rapidamente do carro, com a minha velocidade sobre-humana e foi diretamente para a casa.
As portas estavam completamente trancadas, pude ver que o Ted estava em pânico quando ouviu a minha mão na maçaneta, fazendo um barulho estrondoso.
Girei a maçaneta com mais força, a fazendo ceder. Entrei na casa escura, contando cada passo, cada batida de coração da pessoa presente na casa. O coração estava mais rápido a cada segundo.
Olhei para a escada na minha frente, pensando em não deixar aquele desgraçado sair com apenas alguns ferimentos.
Subi as escadas, contando cada passo meu. Quando finalmente eu cheguei ao corredor, olhei para o quarto onde estava Ted. Ele estava escondido em um canto escuro, como se isso fosse realmente me impedir.
Andei até a pequena porta de madeira branca, e me concentrei em apenas causar dor no desgraçado, e não beber do seu sangue.
Abri a porta e eu pude ver os olhos de Ted brilharem na escuridão. Andei lentamente na sua direção. Afinal, eu tinha muito tempo.
Quando os seus olhos finalmente me encontraram ele tentou correr. Mas aquela velocidade não era exatamente muito rápida para minha espécie.
Agarrei o seu frágil pescoço e o segurei com o mínimo de forças que eu tinha.
Deixei o monstro dentro de mim, o monstro que estava escondido há muito tempo, sair completamente.
(...)
Depois que terminei com o desgraçado, o deixando quase sem vida. Fui resolver um outro problema que me rodeava.
Andei lentamente pelas pequenas ruas de Forks. Quando finalmente cheguei ao pequeno, e único, hotel da cidade. Olhei ao redor, e fui diretamente para a recepção.
- Por favor... -olhei para a mulher que estava no grande balcão. - Onde eu posso encontrar os Smith?
-Eles não estão no momento. – disse ela. Os seus pensamentos eram em volta dos jovens homens misteriosos.
-Você sabe se eles iram demorar? -perguntei prestando muita atenção nos seus pensamentos.
-Nunca se sabe. - disse ela. -Eles sempre demoram, mais hoje pode ser diferente.
-Em todo o caso, eu vou esperar. -disse indo para o sofá de espera. Sentei-me e fiquei prestando muita atenção nos pensamentos da jovem mulher. Qualquer informação poderia ser muito importante.
Depois que os pensamentos da mulher esqueceram completamente os homens misteriosos, eu fiquei pensando na minha doce )
.
Eu ainda não podia contar a ela que eu me lembrava da minha vida passada. Agora que a )
também já se lembrava, isso não era tão importante. A verdade era que eu sempre me lembrei de tudo. Na minha curta vida humana, eu sempre procurei à linda jovem que me visitava em sonhos todos os dias.
Eu sonhava com a )
desde criancinha, e quando finalmente me tornei vampiro, os sonhos se tornaram memórias, então tudo começou a se encaixar.
Ela era o único amor da minha existência. O meu amor por ela era tão forte que não havia palavras para explicá-lo.
Eu nunca mais a deixaria, não deixaria ninguém a machucá-la, fisicamente e mentalmente.
Ela era a razão da minha existência, a razão para eu permanecer vivo, se era que eu estava realmente, o que eu não tinha completamente certeza.
Eu tinha feito uma promessa a mim mesmo. Nunca a faria sofrer por mim, e por outra pessoa, de todas as maneiras que podiam haver.
Alice viu o meu futuro desaparecendo, e isso era um sinal bom, um sinal que eu ficaria finalmente com o meu amor, o amor de vidas passadas, de muitas vidas.
Tive a sensação de estar sendo observado, e vasculhei as mentes que haviam na pequena sala, para saber quem estava me observando.
“ O que um vampiro estaria fazendo nesse hotel?” - escutei uma voz vindo de trás de mim.
Virei-me lentamente para poder ver o dono do pensamento. Ele era um homem que aparentava ter uns vinte anos. Seus cabelos eram pretos e grandes, na altura do queixo. Os seus olhos eram verdes escuros, e ele era bastante alto. Ele usava uma roupa bem casual.
Camiseta branca de manga comprida e uma bermuda preta.
Ao seu lado tinha outro homem, esse aparentava ser mais sério e era um pouco mais baixo. Seus cabelos eram castanhos claros acinzentado, os seus olhos eram verdes musgo. E seus traços eram mais sérios e rígidos. Diferente do outro, ele usava uma roupa estilo Bad Boy. Usava uma camiseta branca, uma jaqueta de couro por cima, e uma calça jeans surrada.
Eles estavam me fitando com intensidade. Decidi falar primeiro.
-Vocês não são os Smith? -perguntei me levantando.
Os dois trocaram um olhar, e depois o mais alto abriu a boca para falar, mas o outro o impediu.
-Somos. -respondeu. A voz dele era um pouco mais grossa que a voz do outro, e tinha um tom mais sério. -Você estava nos esperando? -Indagou ele fazendo uma careta sem jeito.
-Estava. -disse olhando no fundo dos seus olhos verdes. Por algum motivo que eu não conhecia, os pensamentos dele eram como um buraco negro. Eu não podia escutar absolutamente nada.
-Será que agente pode falar em um lugar mais vazio? -perguntou o mais alto, olhando para o seu companheiro.
-Claro. -respondi automaticamente.
Os dois andaram lentamente pelos corredores. E eu andei também lentamente atrás deles.
Entramos em um quarto que tinha duas camas de casal. O quarto não era muito luxuoso mas era bonitinho, apesar de ser totalmente bagunçado.
-Então, como nós encontrou? -perguntou o mais baixo, com os olhos sérios.
-Não é muito difícil encontrar pessoas nesta cidadezinha. -sussurrei automaticamente.
-Você sabe o que somos? -perguntou o mais alto com os olhos confusos.
-Na verdade, não. -disse tentando sorrir. -Mas, faço uma idéia.
-Fale direito! -ordenou o mais baixo.
Ele era um baixinho invocado. Seus olhos demonstravam isso.
-Estou falando. -falei ainda calmamente.
-Desculpa o meu irmão. -disse o mais alto. -Ele não teve intenção.
-Claro que tive. -disse o outro lhe dando um tapa no ombro. -Não seja insolente.
-Claro Dean. -disse o mais alto rindo.
De repente, eu entendi tudo. A mente do mais alto me fez entender. Eu sabia perfeitamente quem eles eram, o que faziam.
Eles eram caçadores. Os seus nomes eram: Samuel Winchester e Dean Winchester. Os irmãos que caçavam monstros e demônios.
Eles saiam pelo mundo procurando monstros, salvando vidas.
As histórias passaram-se pelos meus olhos. A morte da mãe no quarto do bebê.
O pai que estava desaparecido. Era isso que eles estavam procurando. A morte da namorada do Sam, aquilo ainda o machucava muito.
Ele ainda amava Jéssica, e se culpava pela morte dela. Ele sentia que poderia ter a salvado se tivesse contado tudo antes. Contado que era diferente e que a sua vida não era nada fácil.
-Vocês estão caçando um monstro? -perguntei olhando nos fundos dos olhos de Sam.
Pude ver pelos seus pensamentos o que eles estavam caçando realmente.
Eles estavam caçando um vampiro que se chamava Christian. Ele era um vampiro que só se sentia feliz quando via o sofrimento das pessoas, especialmente dos humanos.
Ele viajava pelo mundo procurando mulheres bonitas que tinham um dom escondido, ele as transformava e depois que usava de seus dons para seu próprio beneficio, ele as matava.
Agora ele estava na pequena cidadezinha de Forks, e estava procurando uma outra mulher. Ele era um ótimo rastreador, e podia sentir onde estava o melhor poder.
Os irmãos Winchester já estavam atrás desse vampiro há muito tempo, e até agora não tinham conseguido nada.
Se esse vampiro estava em Forks a minha família teria que se intrometer. Até porque, os irmãos não tinham conseguido nada ainda, e esse vampiro era muito forte para eles lutarem sozinho.
Afinal, eles eram apenas humanos, não tinham nenhum poder. Eles eram fracos demais, para tentar lutar com um imortal.
E esse vampiro destruía todas as cidades onde passava, e isso não poderia acontecer com Forks, até porque, os lobos se meteriam nisso e eu não queria que acontecesse nada com a minha )
.
A transformação dela já estava quase completa, e se tivesse uma guerra ela entraria. Ela não teria escolha.
E a Yonah ainda estava escondida no passado de )
. Eu conhecia Yonah bem demais para saber que ela nunca deixaria os seus irmãos lutarem sozinhos.
Eu não poderia deixar a )
se meter nisso. Eu não poderia suportar novamente a dor de perdê-la, de vê-la morrer novamente.
Aquela memória me causou uma dor enorme, cruel. A memória de vê-la pegar fogo e eu não puder fazer absolutamente nada. Ver os seus lindos olhos cor de mel sem vida alguma.
-Vocês aceitariam se aliar a mim? -perguntei olhando para o rosto sério de Dean Winchester.
(...)
Voltei para casa rapidamente. A enorme casa estava totalmente silenciosa. Mesmo não tendo qualquer barulhinho, eu ainda podia sentir os cheiros dos meus irmãos na casa.
Estacionei o meu carro e entrei na casa pela janela. Esme detestava a maneira que eu entrava casa, mas eu apenas seguia os meus instintos.
Não tinha sido nada ruim a conversa que eu tive com os irmãos Winchester. Eles ficariam de olho, e me avisariam se o vampiro Christian aparecesse.
Senti o cheiro amadeirado que me fazia sentir como se estivesse nas nuvens.
-Finalmente, conheci a famosa )
Clearwater! - escutei a voz doce e calma de Esme. – Venha querida!
Andei rapidamente pelo corredor da enorme casa branca. Quando eu finalmente cheguei a enorme escada, pude ver o rosto angelical de )
.
Esme estava segurando a mão de )
com delicadeza. Os olhos de )
estavam brilhando pela luz. O seu rosto ainda estava roxo, com umas marcas horríveis. Era difícil para mim vê-la daquele jeito.
Os seus cabelos caiam docemente pelos olhos, me impedindo de ver melhor o seu rosto.
-Acho que você já conheceu a Esme. – disse terminando de descer a escada. Os olhos de )
se viraram para mim e ela sorriu docemente. - Você esta melhor? - perguntei olhando para as marcas roxas em seu rosto.
-Nada, eu já estou melhor. -disse ela abaixando um pouco os olhos por uns segundos. Eu sabia perfeitamente que ela estava mentindo. Ela sempre abaixava os olhos quando mentia.
Apesar de eu conseguir ler a mente de )
, às vezes tinha uns pontos em brancos que me impediam.
E naquele exato momento era como se estivesse uma nuvem negra sobre os seus pensamentos.
Ela parecia triste, os seus olhos continham uma tristeza enorme. Andei rapidamente até a razão da minha existência, para abraçá-la, mas me contive quando pude ver melhor o seu rosto.
-Como não é nada? -perguntei levantando a minha sobrancelha. - Olhe para você. Esta cheia de marcas roxas. -coloquei a minha mão em seu braço, mais antes que eu pudesse tocá-lo )
o tirou da minha direção. Olhei para o seu rosto. Ela estava com o rosto retorcido, parecia que estava sentindo dor.
-Estou bem, de verdade. - sussurrou ela baixinho. Ela andou rapidamente e me abraçou. -Promete que nunca vai de deixar?
Como ela poderia dizer uma coisa dessas? Eu nunca a deixaria, por mim, por ela.
Como era bom ter a minha amada em meus braços. Era como se agora tudo estivesse em plenamente calma.
A seu cheiro amadeirado, levemente doce me atingiu, fazendo a minha garganta doer. Mas eu não me importei. O meu amor por ela era muito, muito, maior que aquela dor insignificante.
Nada mais importava. Se eu tivesse )
ao meu lado, tudo estaria bem.
Tudo seria seguro.
Afastei-me um pouco dela, para poder vê-la melhor. Segurei o seu rosto angelical com as mãos e a beijei docemente.
Capitulo 15: Encontro.
Versão )
Os dias se passaram rapidamente. A dor em meu peito estava melhor, mas não havia me deixado realmente.
Mas quando eu estava com o meu anjo ela desaparecia. A dor e aquele sentimento de repulsa me deixavam completamente.
Edward estava totalmente carinhoso, não que ele não fosse antes, só que agora havia algo a mais.
Ele não me deixou voltar para La Push. Ele ticava comigo sempre, e não me deixava nem por um segundo.
Mesmo eu detestando a idéia de ficar na casa dele, resolvi não discutir. Afinal, eu queria ficar com ele para sempre, mas era meio estranho com aqueles vampiros todos por perto.
Não que eles não fossem bons comigo, pelo contrário. Eles estavam sempre conversando comigo e me perguntando alguma coisa.
Abri os olhos rapidamente e a primeira coisa que eu pude ver foi o rosto do meu amor. Ele sorriu docemente quando os meus olhos encontraram os seus.
Edward estava sentado ao meu lado na cama. Os seus cabelos estavam totalmente bagunçados, o que me fez rir.
Nunca em minha vida eu tinha visto o meu anjo com os cabelos daquele jeito.
Ele se aproximou lentamente de mim e colocou os seus lábios nos meus. Os seus braços passaram a minha volta, me puxando mais para ele.
Os nossos lábios se moviam lentamente. Os lábios dele com ternura. Às vezes ele passava sua mão gelada pelo meu braço bom, me fazendo estremecer.
Ele começou a sussurrar que me amava e eu sussurrava que o amava também. Ele me deitou lentamente na cama, sem interferir o nosso beijo.
O meu coração começou a se acelerar e aos poucos eu pude escutar o som dele em meus ouvidos.
Edward me apertava contra o seu corpo de mármore. O gelado do seu corpo me fazia sentir cócegas, e os meus pelos da nuca se arrepiaram.
Nossas respirações ficaram ofegantes e o meu amado retirou os seus lábios dos meus lentamente, em relutância.
Ele me alinhou em seu peito de mármore e segurou a minha mão com delicadeza. Depois de alguns segundos ele começou a fazer carinho em meu pulso com o dedo indicador.
-É melhor nós irmos. - disse ele passando o seu dedo gelado em meu pescoço. -Sua mãe já deve estar tendo alta.
Mesmo eu não querendo me encontrar com o cretino do Ted, eu ainda tinha que ir ao hospital.
Depois de algumas semanas a minha mãe já estava de alta e seria bom para ela ter os seus filhos ao seu lado.
Eu não tinha visto o meu doce e carinhoso irmão há semanas e muito menos a minha mãe. Eu falava com o Eric pelo telefone de vez em quando.
Não tinha ido a La Push nas últimas semana. Edward não podia entrar lá, então, eu resolvi ficar com ele.
Eu já estava completamente diferente do que era antes. A minha visão estava dez vezes melhor e os meus outros sentidos também.
Edward dizia que faltava apenas dias para a minha transformação. Na verdade eu já podia sentir isso.
Eu não estava mais caindo frequentemente, e também era muito raro sentir frio.
-Então vamos. -disse me levantando da cama de casal do quarto de Edward.
Ele se levantou rapidamente e segurou a minha mão boa. Apesar de ter se passado três semanas dês que o meu braço foi quebrado, ainda doía muito.
O tempo tinha se passado rapidamente, desde o dia que o Ted tinha acabado com a minha paz. Não parecia mas tinha se passado três semanas.
Balancei a minha cabeça tentando afastar aquelas memórias que me causavam dor. Edward me colocou na sua frente e colocou os seus olhos nos meus.
Os seus lindos olhos dourados estavam preocupados e no fundo eu sabia perfeitamente o motivo.
Eu não era a única preocupada com o encontro inevitável. Seria horrível fingir que nada tinha acontecido.
Seria horrível encarar a minha mãe. Encarar o monstro dos meus pesadelos.
Todas as noites eu sonhava com aquele dia horrível. Acordava chorando no meio da noite. Muitas vezes eu tive medo de dormir e apenas tentava ficar completamente acordada, mas tinha uma hora que o cansaço me tomava, então eu dormia.
Era nessas horas onde eu começava a gritar. Quando eu abria os olhos e encontrava aqueles lindos olhos do meu anjo completamente apavorados, cheios de medo.
Ele me abraçava com força e me aninhava em seu peito de mármore e cantarolava em meu ouvido para me acalmar.
Então eu apenas ficava em silêncio, tentando esquecer os sonhos, e apenas prestar atenção em sua voz doce.
Era exatamente assim que aconteciam todas as noites, e para a minha sorte, eu ainda tinha o meu anjo ao meu lado, porque sem ele eu estaria completamente perdida.
-Tem certeza que quer ir? -perguntou ele me puxando para a realidade.
Eu ainda não estava pronta para o encontro, para encarar. Mas não havia outra madeira.
Tentei memorizar exatamente o que eu ira fazer. Eu apenas tinha que chegar lá e fingir que nada tinha acontecido. Ah, eu também tinha que tentar sorrir.
Edward percebeu que eu estava muito longe, perdida em meus pensamentos, e me abraçou fortemente.
Aquilo era exatamente o que eu precisava. Aquilo me deu um pouco mais de forças para encarar a realidade.
-Agora eu estou. -sussurrei lhe dando um selinho.
Andamos de mãos dadas pela casa. Quando nós estávamos chegando a enorme escada, eu encontrei três pares de olhos me encararam.
Esme estava sorrindo para mim. Mesmo eu tendo passado muito pouco tempo com ela, eu já tinha aprendido a amá-la, era como se ela posse uma terceira mãe.
Os seus olhos dourados estavam me encarando com intensidade. Os seus olhinhos estavam cheios de amor e ternura.
Olhei para o outro par de olhos, ao lado de Esme. Alice estava sorrindo alegremente.
Alice já era uma pessoa muito especial na minha vida, mesmo ela me usando para ser o seu manequim.
Olhei lentamente para a outra pessoa que estava parada no topo da escada. A loira de cabelos longos estava me olhando preocupadamente. Ela sorriu gentilmente quando encontrou os meus olhos. Rosalie e eu tínhamos passado horas conversando sobre vidas passadas, sobre crianças. Na verdade, o que tinha nos aproximado era o nosso amor por crianças. Eu sempre tive um amor insano por aquelas coisinhas pequenas. E parece que Rosalie era como eu.
Eu conseguia entender os sentimentos de Rosalie sobre a imortalidade. Eu não pensava como ela, mas conseguia entender.
Edward passou o seu braço pela minha cintura e praticamente me carregou até o seu carro.
Entramos no carro prata de Edward, então ele ligou o carro.
A viajem foi muito silenciosa e às vezes eu podia sentir a quentura subindo pelas minhas pernas e indo a direção a minha cabeça.
Quando chegamos ao pequeno hospital, Edward ficou me olhando por alguns segundos antes de abrir a porta.
-Eu estou bem. -sussurrei, tentando sorrir.
Parecia que Edward não tinha acreditado nas minhas palavras, mas para falar a verdade, nem eu mesma tinha acreditado nisso. Eu estava repetindo mentalmente que eu estava bem e que tudo ficaria bem, mas nem mesmo isso me acalmou.
Minhas mãos começaram a tremer e a quentura estava cada vez mais forte. Parecia que eu iria explodir a qualquer momento.
Os olhos de Edward ficaram sérios e naquele momento eu pude perceber que iria me transforma em loba, bem ali, na frente do hospital.
Edward me puxou para seus braços. Naquele momento, eu tive medo de machucá-lo. Se eu me transformasse perto demais poderia feri-lo profundamente.
-Sei que você não vai me machucar. -disse ele em meu ouvido.
-Eu não tenho completamente certeza. -disse a ele, tentando sair de seus braços.
Quando ele viu o que eu estava tentando fazer, ele me apertou mais contra o seu corpo esculpido. Então como fosse uma reação automática, eu fiquei completamente calma.
-Não se preocupe com nada, meu amor. -disse ele me beijando.
-Irmã! -gritou alguém ao longe.
Retirei os meus lábios dos lábios do meu amado, sem ao menos realmente querer.
Virei-me para poder fitar o dono da voz que me chamava.
Eric estava sorrindo alegremente, ele estava andando rapidamente vindo na minha direção. Os seus lindos olhos azul-safira brilhavam de alegria. Os seus cabelos estavam ligeiramente bagunçados.
-Como eu estava saudade de você! -disse ele me abraçando. -Você simplesmente se esqueceu de mim. -murmurou ele olhando nos meus olhos.
-Não fale isso nem de brincadeira. -disse para ele.
O meu doce irmão estava muito diferente.
Ele estava muito maior que da ultima vez que eu o vi. Ele estava bem mais musculoso.
Parecia que o mundo tinha acabado naquele momento. O meu irmão estava se parecendo com um....um...lobo.
Ele estava muito parecido com os garotos da alcatéia. Estava muito parecido especialmente com o Jacob. Quero dizer, os seus músculos e o seu tamanho. Porque na verdade, o meu irmão não tinha nada a ver com o Jacob.
Eric tinha os cabelos pretos ondulado, ele me lembrava muito o super-homem. Sua pele era bem mais clara que a minha, ele era bastante alto. E os seus olhos eram azulinhos. E o seu rosto era doce e calmo.
-Eric o que aconteceu com você? -perguntei olhando para as suas roupas.
Ele estava usando uma bermuda e uma camiseta sem manga preta.
-Eu não acho que devemos falar sobre isso, agora. -disse ele olhando ao redor.
-Você agora é um lobo? -perguntei baixinho.
-Por incrível que pareça eu sou. -disse ele passando a mão nos cabelos, envergonhado. - Melhor agente entrar! -disse ele depois de alguns minutos.
Eric olhou para Edward depois de alguns segundos. E por incrível que pareça não era um olhar que geralmente os lobos olhavam para os vampiros. Era um olhar amigável, o que me surpreendeu.
Os dois trocaram um sorriso e depois a gente começou a andar pelo hospital.
Depois de alguns minutos, já estávamos na frente do quarto da minha mãe. Edward me olhou, e eu entendi a pergunta silenciosa.
Balancei a cabeça, respondendo à pergunta. Quando entramos no pequeno quarto branco eu pode ver a minha mãe sentada na cama com um copo d’água em suas mãos. Ela parecia preocupada com alguma coisa.
Então ela encontrou os meus olhos e ela ficou mais séria.
Edward me apertou mais forte contra o seu corpo. Então os meus olhos visualizaram o ser que estava sentado na cadeira ao lado da minha mãe.
O meu sorriso se desmanchou. Por um segundo, só por um segundo, eu pensei que seria capaz de ficar calada e não chorar.
Mas, quando eu acabei de ter aquele pensamento, lágrimas invadiram os meus olhos com suavidade.
Eu fiquei ali, apenas esperando a dor passar, esperando as lágrimas pararem de me consumir.
Elas escoriam lentamente pelo meu rosto, e manchando a minha blusa roxa de manga comprida.
Ted me encarava com ódio, como se fosse eu que tivesse feito algum mal a ele.
Pude perceber que ele estava muito machucado. O seu rosto estava com muitos machucados e os seus braços e pernas estavam enfaixados.
Voltei os meus olhos para a minha mãe e naquele momento eu pude ver a raiva em seus olhos.
Respirei profundamente algumas vezes, depois andei lentamente até a cama.
-Será que vocês podem me deixar sozinha com a minha filha? -perguntou minha mãe, sem olhar para mim.
-Será que você pode me ajudar garoto? -perguntou Ted, olhando para o meu irmão.
Eu realmente não tinha percebido que o cretino do Ted estava em uma cadeira de rodas.
Meu irmão se aproximou dele e o empurrou para fora do quarto.
Edward me olhou e andou até o meu lado.
-Você vai ficar bem? -perguntou ele.
-Vou. -tentei sorrir. -Afinal, o que poderia me acontecer?
Ele beijou a minha testa e andou lentamente até a porta, e depois quando já estava fora do quanto, fechou a porta.
-Eu fiquei sabendo de uma coisa que eu não gostei nada. -disse a minha mãe. - )
, você esta espalhando por ai que o meu marido tentou te violentar?
O choque atingiu o meu rosto. Eu não tinha dito a ninguém.
Espera ai. Tentou?
Um bolo se formou na minha garganta.
-Você está inventando uma coisa dessas? -ela disse mais alto. – Como você pode? Ele nos ajudou quando nós mais precisamos. Quando o seu pai não estava, era ele que estava lá nos ajudando. -o rosto da minha mãe ficou vermelho pela raiva. – Quantas vezes ele lhe comprou remédios? Quantas )
? -ela gritou.
-Muitas... -sussurrei enxugando as minhas lágrimas.
-Se não fosse ele eu não sei o que seria da gente. -ela sussurrou. -E você paga como? O difamando por ai...
-Eu não estou difamando ninguém. -encontrei a minha voz. -Eu só estou dizendo a verdade.
-Se ele tentou alguma coisa com você foi porque você procurou. -disse ela ferindo o meu coração. -O que você tinha que cheirar atrás dele? -ela gritou. - Era porque você estava querendo mesmo. Você estava querendo dar pra ele!
Aquilo era o máximo que eu podia agüentar. As lágrimas começaram a saírem mais ferozmente e os soluços vieram com elas.
A minha mãe estava dizendo aquelas coisas mesmo? Ela estava acreditando nele? E não na sua filha?
Aquilo era a pior coisa que eu podia suportar. Eu naquele momento queria morrer queimada novamente, eu precisava.
-E onde você esteve esse tempo todo? -perguntou ela. -Não minta, eu sei que você não esta dormindo em casa.
-Na casa da tia Sue. -menti.
-Está tudo explicado. -ela colocou as mãos na cabeça. – É a Leah que estava colocando minhocas na sua cabeça.
-Isso não tem nada haver com a Leah! -gritei.
Leah tinha me ajudado na hora que eu mais precisava e eu não deixaria minha mãe falar assim dela.
-Eu estou sabendo muito bem que a sua prima está metida em problemas. -disse ela me fuzilando com os olhos. – Ela até já faz parte de uma gangue.
-Não é uma gangue. -disse.
-Então você também faz parte?
-Ainda não. -disse me sentando. Eu estava totalmente sem força, até para falar.
Fechei os meus olhos deixando a dor me tomar.
-Você vai retirar tudo o que esta dizendo do meu marido. -gritou ela.
O silêncio tomou conta do quarto. Depois de alguns segundos eu senti uma mão fria em meu rosto.
-E você garoto! -começou a minha mãe. -Eu quero a minha filha na minha casa hoje à noite. Se ela não aparecer, eu chamo a polícia para você!
Senti um frio percorrer o meu corpo. O cheiro doce de Edward ficou mais forte.
Eu estava longe demais para abrir os olhos. A tristeza, o desgosto, já tinham tomado o meu ser.
Capitulo 16: Decisão
As lágrimas continuavam a escorrer pelos meus olhos. Eu estava completamente cansada de tudo. Eu não tinha mais forças para continuar lutando.
Tudo o que eu acreditava, tudo por que um dia eu tinha lutado, tinha desmoronado. A minha vida estava se desmantelando bem na minha frente, e o pior era saber que eu não podia fazer nada.
Eu estava cansada de lutar e não sair do mesmo lugar. Nem mesmo a presença de Edward estava cessando a dor.
O meu amor por ele era maior que tudo, mas tinha chegado a um momento que não estava dando mais para suportar.
Eu tinha que colocar a minha cabeça no lugar. Eu tinha que esperar a dor passar completamente.
Tinha tentado tanto, eu realmente tinha tentado segurar a barra. Tentado esquecer tudo e viver como se nada tivesse acontecendo, mas simplesmente não dava mais.
Eu tinha um problema, e tinha que enfrentá-lo de frente. Eu não podia viver remoendo uma coisa dentro de mim, sem ao menos tentar enfrentá-lo.
Eu não queria admitir, não queria aceitar, mas chegou à hora de tentar aceitar as coisas e colocar a minha cabeça no lugar. Se realmente ela voltaria no lugar isso eu não tinha completamente certeza.
Eu tentei me livrar da memória, mas agora tudo estava ali, me obrigando a enfrentá-lo.
Levantei-me da casa e andei pelo quarto escuro. A dor me obrigava a chegar a uma decisão.
Eu tentaria viver a minha vida, tentaria colocar a minha cabeça no devido lugar. Doeria muito deixar o amor da minha vida, mas não seria para sempre. Depois que tudo estivesse melhor eu poderia ficar com Edward sem medo, sem nojo de mim mesma. Claro, se ele ainda me amasse e me quisesse ao seu lado.
Eu tinha que me livrar daquilo. Daquele sentimento de repulsa, de nojo. Respirei fundo, tentando arrumar coragem suficiente.
Quando eu abri a porta, Edward já estava parado me olhando com intensidade. Os seus olhos estavam tristes e ao mesmo tempo estavam compreensivos. Alice não podia ver o meu futuro e não poderia saber da minha decisão. Mas Edward podia ler a minha mente, e naquele momento, ele poderia saber exatamente o que eu estava pensando.
-Você vai voltar para casa? -perguntou ele me olhando nos olhos.
-Não, eu não vou. -disse olhando para a janela. Seria muito difícil dizer aquelas palavras, mas aquilo era realmente muito preciso. -Eu tomei uma decisão. -sussurrei me afastando um pouco de Edward. Doía muito aquelas palavras que estavam presas na minha garganta, mais doeria mais se eu não as falasse.
-Eu sei. -disse ele. Os seus olhos ficaram mais tristes ainda.
-Edward, eu tenho que arrumar um tempo para mim. Um tempo para pensar, para superar, tudo isso. -confessei.
Andei lentamente para a cama. Mesmo doendo eu sabia que seria melhor assim.
Ele era o meu imprinting, e eu faria tudo por ele. Eu seria tudo por ele.
Na verdade a minha dor seria bem pior se eu não o amasse.
-Eu te amo mais que tudo. -comecei. -Mas eu não estou mais conseguindo lidar com tudo isso. Não estou mais suportando isso. -ele esperou que eu continuasse. - Tudo aconteceu tão rápido. A minha vida mudou tão rapidamente. -abaixei meus olhos. -Eu não estou conseguindo me encontrar no meio disso tudo.
-Eu a entendo. -disse ele se aproximando de mim. Depois ele se abaixou na minha frente. -Você aguentou tempo demais. -ele pegou a minha mão. -Você tentou esquecer tudo por mim, mas você não pode pensar apenas em mim. Você tem que pensar em si, pensar no que a sua vida se tornou. -ele tentou sorrir, mas não conseguiu. -Me dói muito lhe dizer adeus, mas se isso vai te ajudar a superar tudo isso...
-Eu estou sendo muito egoísta...
-Não, não está. - ele me interrompeu. – Você pensou em mim em todas essas semanas, tentou disfarçar a dor, mas você não pode viver como se nada tivesse acontecido. Eu te conheço bem demais, eu sei que você esta sofrendo, muito. E você estava tentando esconder esse sofrimento só para me proteger.
-Mas eu falhei. -sussurrei tristemente. - Não consegui.
-Eu quero que você saiba de uma coisa. -ele colocou sua mão em meu rosto. -Eu sempre vou te esperar. Eu nunca vou deixar de amá-la.
-Eu seria mais egoísta ainda se eu te pedisse para me esperar. -disse me levantando.
-Então não peça. -ele se levantou. - Isso nunca vai mudar. O meu amor por você nunca vai deixar existir.
-Eu sinto muito. -sussurrei entre lágrimas.
- Não sinta, meu amor. - ele enxugou as minhas lágrimas. - Você está ferida e precisa se curar, isso é completamente normal com algum que... -sua voz desapareceu.
-Eu tenho que encarar tudo de frente. -tentei sorrir. -Não posso mais continuar fugindo de mim mesma.
-Eu só não quero vê-la sofrer. -ele beijou a minha testa. Eu fechei os meus olhos com força.
Eu não queria fazer o que estava fazendo, mais se eu não me fizesse, nunca poderia viver normalmente. -Eu te amo.
-Eu também. -sussurrei. - Até logo. - andei lentamente até a porta, depois desci a escada da casa dos Cullen lentamente.
Sai da casa. O dia estava realmente muito nublado, não dava sem para ver o sol.
Andei até o carro da minha mãe, depois de alguns minutos eu o liguei.
As minhas lágrimas estavam me impedindo de poder ver realmente a estrada a minha frente, mas eu não me importei, apenas continuei dirigindo.
Era como se a minha alma estivesse sendo despedaçada. E no fundo estava mesmo.
Edward e eu éramos uma alma só, e agora eu estava me distanciando dele.
Quando eu fui ver a pequena reserva a minha frente, eu me senti um pouco melhor.
Eu estaria com o meu pai, e isso me ajudaria muito.
Estacionei o carro na frente da pequena casa do meu pai. Ele estava já na porta e sorria alegremente.
Meu doce pai não sabia de nada, nem ele e nem o meu irmão.
Sai do carro e foi correndo para os braços de meu pai.
-Querida, o que houve? -perguntou ele quando eu comecei a chorar desesperadamente.
-Não houve nada. -menti ainda em seus braços. -Eu apenas estava com saudades.
-Sabe que sempre poderá contar com o seu velho pai? -perguntou ele fazendo uma careta no “velho”.
-Claro que sei, pai. -deixei a criança que havia em mim sair totalmente.
-Não fique assim, meu anjinho. -disse ele me reconfortando. – Vou sempre estar com a minha menininha.
Sai de seus braços e sorri para ele timidamente, igual ao que eu fazia quando era criança.
-Eu vou me deitar um pouco. -disse ainda sorrindo. -Estou muito cansada.
-Vai sim. -ele me encorajou.
Entrei na pequena casa e subi as escadas rapidamente. Entrei no meu pequeno quarto e me deitei na cama.
Meus pensamentos vagaram pelo passado. Quando eu me vi perdida, o meu anjo que manteve acesa a minha esperança. Nada mais fazia sentido.
E foi ele quem me deu colo, como quem protege uma criança. E quando se apagaram as luzes, foi ele quem me deu a mão e me tirou do escuro.
E mesmo contra o mundo, ele acreditou em mim. Eu nunca tive alguém no mundo que me amasse assim.
E agora eu estava sem o meu anjo. Eu estava completamente perdida.
Mas aquele seria o único jeito de eu poder viver em paz com ele.
Eu não podia mais ter uma relação com ele, não agora. Todas as vezes que eu o beijava, eu sentia o desejo de me afastar.
Eu não suportava ser tocada por ele, não por ele claro, mas por mim. Quando isso me acontecia eu me sentia um lixo, era esse o meu sentimento.
Eu não merecia ter o amor dele. Mesmo eu amado ele mais que tudo, eu não podia beijá-lo, tocá-lo, sem sentir aquela repulsa de mim mesma.
Talvez, eu nunca pudesse beijá-lo sem me odiar, talvez, eu nunca mais pudesse ter uma relação afetiva assim.
____Capitulo 17: Completamente medo
Três meses depois...
Olhei para a pequena escola à minha frente. O dia estava muito lindo. O sol finalmente tinha aparecido, não muito, mas dava para ver um pouquinho.
Estacionei o carro do meu pai na única vaga que estava vazia no pequeno estacionamento.
Respirei fundo. Essa seria a primeira vez que eu veria Edward depois das férias de verão.
O meu coração começou a acelerar rapidamente. O meu amor por ele tinha aumentado dez vezes, o que eu pensava não ser possível.
Eu já estava bem melhor que antes. Eu já não sentia aquela repulsa de mim mesma. O que já era um grande progresso.
Eu já estava conseguindo viver comigo mesma e com as minhas memórias obscuras.
Respirei profundamente, tentando me acalmar. As minhas mãos começaram a tremer pelo nervosismo.
-Olha, quem finalmente apareceu! -escutei uma voz vindo de fora do carro.
Jéssica estava sorrindo alegremente, o que não era uma coisa que acontecia com frequência.
Ela estava muito diferente. Os seus cabelos estavam um pouco mais escuros, na verdade, estavam muito mais escuros. O seu cabelo estava com o mesmo corte do meu, e a cor também.
Tentei fingir que era apenas uma coisa normal. Quem eu estava tentando enganar?
Jéssica estava muito parecida comigo. Até a sua pele estava mais bronzeada.
Peguei a minha bolsa e sai do carro. Coloquei a toca da minha camiseta de manga comprima branca.
Apesar de eu não estar sentindo realmente frio. Eu tinha percebido que todos estavam muito protegidos do frio, e resolvi fazer o mesmo.
Todos à minha volta estavam reclamando do frio. Olhei para céu novamente. O céu agora estava com mais nuvens negras.
-Parece que vai cair uma chuva. -disse Jéssica acompanhando o meu olhar. Jéssica fazia umas caretas enquanto olhava para o céu cheio de nuvens.
-Não quero estar aqui quando isso acontecer. -disse olhando para Jéssica. Ela simplesmente riu do meu comentário.
Eu nunca fui muito amiga da Jéssica, e agora eu estava tentando ser o mais gentil possível. Mesmo tendo uma louca vontade de dar risada da sua cara. Ela parecia uma versão mais branca de mim.
Não, ela não se parecia nada comigo. Mas parecia que ela pensava isso.
Então uma pergunta surgiu na minha cabeça: Porque ela estava querendo se parecer comigo?
Eu nunca tinha sido popular. Na verdade, essas coisas nunca fizeram o meu género. Diferente de Jéssica. Ela sempre estava tentando entrar para a “elite” da escola, mas até agora, não tinha conseguido.
-)
! -escutei uma voz fina vindo na minha direção.
Eu reconheceria aquela voz a qualquer lugar, a qualquer distância.
Ângela estava vindo na minha direção rapidamente. Os seus braços abertos para me receber, e o sorriso estampado em seu rosto.
Ela praticamente me agarrou. Ângela me apertou contra os seus braços.
-Você sumiu. -disse ela em meu ouvido. O seu tom tinha sido triste.
A preocupação ficou óbvia em meu rosto. Afastei o meu rosto do ombro de Ângela, e fitei o seu rosto procurando qualquer vestígio de tristeza.
O seu rosto doce estava muito preocupado. Ela tinha olheiras enormes em volta dos olhos escuros.
Ela percebeu o meu olhar e apenas tentou sorrir timidamente.
-Onde esteve esses meses? -perguntou ela me encarando com os seus olhinhos cheios de preocupação.
-Eu fui para a casa do meu avô nas férias. -disse olhando agora para a Jéssica. Ela parecia estar totalmente entediada, como se já tivesse visto tudo aquilo mil vezes.
Não pude deixar de revirar os olhos, mas sem tirar os meus olhos de Jéssica. Ângela percebeu a minha atitude e riu docemente.
Ângela se aproximou de mim e sussurrou no meu ouvido.
-As coisas estão muito diferentes. - os seus olhos voltaram para a Jéssica que estava olhando alguma coisa. -Jéssica esta tentando arrumar um namorado pelas suas costas. -disse ela baixinho.
-Como assim? -sussurrei olhando por alguns segundo para a minha cover.
- Depois eu te conto. -sussurrou Ângela fazendo um sinal de relógio com os dedos.
-Ta bem. -disse olhando para as escadas a minha frente.
Um sinal tocou freneticamente. As pessoas praticamente correram para a escola.
Eu apenas fiquei no mesmo lugar parada. Sem ao menos mexer algum músculo.
-Vamos! - disse Ângela pegando a minha mão, e praticamente me carregando para a escola.
Andamos pelos corredores rapidamente. Olhei para trás e vi Jéssica correndo atrás de mim freneticamente. Os seus cabelos estavam totalmente bagunçados pelos movimentos rápidos.
Apesar de o corredor estar totalmente cheio, nós podemos nos mover rapidamente. E às vezes os meus ombros encostavam-se a outro. Eu não me dava a ordem de me virar e ver de quem era o outro ombro. Eu apenas sussurrava um “Desculpe” e deixava Ângela me arrastar pelos corredores.
Ângela andava rapidamente, eu fiquei vendo os seus pés se moverem rapidamente. A sua respiração estava ofegante e eu me perguntei se ela nunca mais pararia de correr e de praticamente me arrastar.
Finalmente os pés de Ângela começaram a se mover mais lentamente. Pude perceber que os seus olhos se fecharam por algumas instantes.
A sua cabeça se virou lentamente e ela colocou os seus olhos nos meus.
-Achei que agente iria acabar perdendo a aula. -era óbvia que ela estava tendo dificuldades para falar. Andes de cada palavra ela respirava profundamente e fechava os olhos com força.
Ela colocou a sua mão no peito e sorriu docemente quando abriu os olhos. Os seus cabelos escuros estavam totalmente bagunçados. Eles caiam bagunçadamente sobre seu rosto.
-Nossa que consideração que vocês têm para com a minha pessoa! -disse Jéssica ficando na minha frente. A sua mão estava na cintura e o seu pé batia constantemente no chão raivosamente.
-Desde quando você fala formalmente? -perguntou Ângela olhando para o rosto serio de Jéssica.
-Desde agora. -respondeu Jéssica colocando a outra mão na cintura. - Que tipo de amigas vocês são? -perguntou ela olhando friamente para mim.
Eu abri a minha boca para responder, mas Ângela fez um sinal com a mão, como se fosse parar as minhas palavras. Eu apenas fiquei calada.
Mas uma coisa eu tinha completamente certeza. Ângela estava muito diferente, eu não sabia o que era exatamente, mas que ela estava, estava.
-Jéssica porque você já estar nervosa? -disse Ângela cruzando os braços em volta de si.
Quando eu ouvia a voz de Ângela um frio percorreu a minha espinha. Não havia nenhum traço da voz doce e meiga da minha melhor amiga. A sua voz estava completamente fria e maligna.
Balancei a minha cabeça ferozmente. Ângela nunca tinha falado daquela maneira, ainda mais naquele tom de ameaça. O frio continuou a percorrer o meu corpo.
-O que você esta esperando? -perguntou Ângela batendo o pé no chão, exatamente como Jéssica fizera.
-Já estou indo. -disse Jéssica com os olhos cheios de lágrimas.
As lágrimas percorreram o seu rosto rapidamente. Então se passou alguns segundo e Jéssica saiu correndo, às vezes eu podia escutar os seus soluços altos e frenéticos.
-Jéssica! -a chamei e deu um passo para frente com o desejo de ir atrás dela.
Antes que eu pudesse continuar o meu desejo, Ângela colocou a sua mão na minha frente. Levantei os meus olhos para o seu rosto. Os seus olhos continham um brilho maligno muito forte.
-A deixe ir. -disse ela ainda friamente.
Então como se nada tivesse acontecido, o seu rosto voltou ao normal. O seu rosto estava calmo e doce novamente. Ângela me olhou de cima a baixo e sorriu. -Estamos atrasadas. -disse ela calmamente.
-Vamos! -disse ela pegando a minha mão novamente e me carregando para dentro da sala.
Ângela me fez sentar ao seu lado, e eu não me atrevi a discutir.
Ângela não estava normal. Ela não parecia nenhum pouco com a minha melhor amiga.
Eu nunca tinha visto Jéssica choram por nada. Nem mesmo quando o seu pai morreu, ela simplesmente não derrubou nenhuma lágrima no intero.
Olhei lentamente para Ângela que estava ao meu lado. Por um segundo eu tinha jurado que tinha visto uma nuvem negra sobre a sua cabeça.
Mas ela desaparecendo tão rápido que eu não pude realmente jurar.
Ângela olhou para mim rapidamente, e eu fiquei congelada.
-O que foi? -perguntou ela me encarando. -Como você esta estranha... -escutei ela murmurar quando voltou os seus olhos para o caderno.
-Agora era eu que estava estranha? -perguntei a mim mentalmente.
Ângela que estava agindo daquele jeito e ainda vem me falar que eu estava estranha... Só por Deus!
A verdade era que eu estava tendo um pressentimento muito ruim em relação à Ângela.
Eu realmente nunca tive medo de coisas sobrenaturais, mas naquele momento eu estava com muito medo de Ângela.
Abaixei os meus olhos para o meu caderno aberto na mesa. Parecia que eu estava em um filme de terror e que Ângela viraria a qualquer momento para mim.
A aula terminou finalmente. Para mim tinha durado séculos e que eu ficaria presa lá para sempre.
Levantei rapidamente e coloquei as minhas coisas na bolsa. Quando eu finalmente ira passar por Ângela para eu poder sair da sala ela pegou a minha mão e olhou para o meu rosto.
Os olhos de Ângela estavam um pouco fechado. O seu rosto estava com uma expressão seria e fria.
Os seus olhos estavam brilhando de raiva.
-Onde você pensa que vai? -perguntou ela entre dentes. Depois de alguns segundos ela fechou a boca e trincou o dente. Eu pude escutar o barulho de seus dentes se encontrando uns com os outros e causando um barulho irritante.
-Para casa. -respondi tentando soar normalmente. -Aonde mais eu iria? - tentei sorrir.
-Não sei. -disse ela ainda me encarando friamente. -Pensei que você ira me dizer.
-Eu já disse, Ângela. -disse puxando o meu braço lentamente. -Estou indo para casa.
-Você não mentiria para mim, não é? -perguntou ela levantando a sobrancelha.
-De maneira alguma. -disse abrindo a minha bolsa.
Peguei uma blusa de frio e comecei a colocá-la. Eu realmente não queria colocar uma blusa de frio, mas aquela era a única maneira que eu tinha encontrado para fazer Ângela soltar o meu braço. -Amanha agente se vê. -sussurrei depois que coloquei a minha blusa preta. Sai da sala antes que Ângela pudesse dizer qualquer coisa, e me obrigasse a ficar perto dela.
Coloquei a minha bolsa nas costas e terminei de fechar a minha blusa. Coloquei o capuz da blusa na minha cabeça tampando completamente os meus olhos.
Continuei andando pelos corredores rapidamente. A única coisa que eu conseguia ver eram os meus próprios pés.
De repente, eu vi uma sombra na minha frente. Pude perceber que era uma pessoa que estava impedindo a minha passagem.
Tirei o capuz da minha cabeça e olhei para frente. Por alguns segundos eu tive medo que fosse Ângela, mas felizmente não era.
Capitulo 18: Transformação
O meu coração começou a acelerar de medo. Mesmo eu sabendo que não tinha perigo algum. O meu coração estava quase saindo pela boca.
O real motivo do meu medo absurdo era o pânico que ainda corria em minhas veias. Os sentimentos de medo e agonia, estavam se fundindo em mim.
Olhei para cima lentamente, encontrando dois pares de olhos verdes.
Respirei profundamente, tentando acalmar a minha respiração ofegante. Todos os meus músculos estavam fracos, e por um segundo, eu pensei que iria cair, mas antes que isso pudesse acontecer, senti uma mão firme em meu braço, me impedindo de cair.
Depois que eu já estava completamente normal, sem nenhum vestígio de fraqueza, olhei para os olhos verdes do meu salvador.
Ele era um homem que deveria ter uns vinte anos. Os seus cabelos eram castanhos-claros, levemente arrepiados. E um pouco mais claro nas pontas.
Os olhos eram verdes-esmeralda, que escondiam uma tristeza sem fim. O seu rosto era bem sério, mas os seus olhos diziam ao contrário.
Eles diziam que o seu dono não era uma pessoa seria realmente, mas que era uma pessoa simpática e doce, e guardava uma tristeza muito grande em seu coração.
-Obrigada... - sussurrei.
-Não há de que. - disse ele soltando o meu braço.
-Será que podemos falar com você? -perguntou o outro homem, que estava um pouco atrás do meu salvador.
Olhei por uns segundo para o homem que estava mais atrás. Ele sim parecia ser mais simpático e doce, mas olhando nos seus olhos eu pude ver a tristeza, também.
Voltei os meus olhos para o meu salvador. Ele estava agora um pouco mais simpático, e quando percebeu o meu olhar, ele tentou sorrir.
Mas estava na cara que ele estava se esforçando bastante para sorrir daquele jeito. Os seus músculos estavam todos enrijecidos.
Eu queria dizer alguma coisa naquele instante. Dizer para ele não forçar tanto no sorriso, mas eu simplesmente ignorei.
-Então, podemos? -perguntou o meu salvador me encarando. Os seus olhos estavam um pouco mais calmos agora, e isso por incrível que pareça, me acalmou também.
Eu não sabia o motivo real daquele sentimento. Mas eu sentia uma gratidão muito forte em relação ao meu salvador. E eu sabia perfeitamente, que não era só porque ele tinha me impedido de cair, era bem mais que isso. Mas eu também tinha completamente certeza que eu nunca tinha o visto na vida.
-O que? -perguntei ainda confusa.
A minha mente parecia uma cachoeira. Eu tentava entender o que estava acontecendo, mas as coisas iam embora rápido demais.
Naquele momento eu me senti uma completa idiota. Nada na minha cabeça fazia sentido. E não era por causa do meu salvador. Não que ele fosse feio, pelo contrário, ele era realmente muito bonito, mas não era isso.
Eu só tinha olhos para uma pessoa no mundo, essa pessoa tinha um único nome:Edward Cullen.
Era como se algo estivesse me impedindo de pensar. Era como se estivesse uma nuvem negra nos meus pensamentos, os bloqueando completamente de mim mesma.
Então como se posse um choque elétrico. Eu já estava pensando normalmente. Eu podia sentir algo muito estranho. Era como se fosse uma áurea maligna sobre mim, mas não era eu exatamente, mas estava muito perto.
Tive a sensação de estar sendo observada. Virei a minha cabeça rapidamente, mas não havia nada atrás de mim.
-Ele estava aqui... -disse o homem que estava atrás do meu salvador. Ele deu um largo passo para frente, e olhou para a direção onde eu estava olhando.
Os seus olhos estavam apavorados, e eu também estava com muito medo. Um medo que me impedia de falar ou fazer qualquer outra coisa. A única coisa que eu podia ouvir era o meu coração ecoando nos meus ouvidos freneticamente.
Eu estava completamente apavorada e paralisada. O medo que estava sentindo naquele momento era muito mais forte. Muito mais forte que o medo que eu tinha sentido em relação à Ângela. O medo que Ângela me fizera sentir era insignificante perto daquilo.
Olhei lentamente para o rapaz de cabelos negros que estava também apavorado ao meu lado. Ele também olhou para mim na mesma hora. Os seus olhos estavam parados e apavorados.
Depois que ele me encarou por uns segundos, ele olhou para trás e encarou o meu salvador.
-O que vamos fazer Dean? -perguntou ele. Sua voz estava tão baixa e sem vida.
Os meus olhos foram para o meu salvador, e naquele momento eu vi o pânico nos seus olhos tristes.
-Vamos pegá-lo. - disse ele me encarando. Ele olhou para a minha expressão de choque e colocou a suas mãos nos meus ombros. – Está tudo bem? O pavor vai passar depois de alguns minutos.
-Será mesmo? -perguntou o outro. Os seus olhos voltaram para mim. ¬ – Elá esta completamente em choque. Será que não é melhor a gente conversar depois com ela? - ele se aproximou de mim. – ¬Ela não esta acostumada com isso. E no começo é sempre difícil.
-Não temos tempo, Sammy. – murmurou o meu salvador. – Se não agimos agora, será tarde demais.
-E haverá muitas mortes. -completou Sammy.
Eles me olharam lentamente. Ficaram me observando alguns minutos. Aquele pavor estava passando lentamente, me deixando calma novamente. Quando não havia mais nenhum sinal de medo ou desespero, olhei para os meninos em minha frente. Eles estavam me encarando como se eu fosse uma louca. Como se eu não entendesse nada do que estava acontecendo.
E no fundo, era realmente tudo verdade, a minha cabeça estava completamente confusa. Eles me encaravam de tal forma, que até chegava à dor. Era como se eu tivesse uma arma apontada para a minha cabeça. Aquele olhar estava acabando comigo. Não que eu estivesse com medo, mas eu sentia um mau pressentimento. O meu coração estava doendo muito, era como se eu tivesse perdendo uma pessoa muito querida. Então o rosto calmo de Ângela invadiu minha mente.
Um sentimento de proteção me tomou. Um sentimento muito forte e puro.
Uma imagem se passou na minha cabeça rapidamente. O rosto de Ângela cheio de sangue. Os seus olhos estavam completamente sem vida. Também tinha um brilho maligno no fundo deles. Um brilho vermelho sangue vivo.
-Podemos falar com você? – perguntou o meu salvador seriamente. – Realmente é muito importante. – ele passou a mão pelo cabelo impaciente. Os seus olhos me fitavam com impaciência.
Balancei a minha cabeça rapidamente. E no mesmo momento Dean sorriu docemente. Sammy apenas me olhou com compreensão.
Dean fez um sinal com a cabeça para que eu o acompanhasse. Sammy andou rapidamente pelos corredores me deixando sozinha com Dean, então o meu salvador sorriu e andou pelo mesmo caminho que o seu amigo percorreu. Ele virou a cabeça para trás e me olhando.
-Vamos. –ele fez um sinal com a mão, para que eu também andasse.
Andei em sua direção, e quando eu já estava andando ao seu lado, ele me olhou e sorriu. Andamos lentamente pelos corredores, enquanto isso eu pensava, revirava a minha mente á procura de algo que pudesse me fazer entender o que estava acontecendo. Meus pensamentos estavam um turbilhão. Vários sentimentos estavam em torno de mim. Mas o pior, o maior, era o de proteção.
Chegamos ao refeitório da escola. Sammy já estava sentado na cadeira. Sua cabeça estava um pouco curvada e suas mãos estavam fechadas em punho. Procurei no seu rosto vestígios de raiva, mas simplesmente não havia nada.
Dean e eu nos sentamos na mesa. O silêncio durou por alguns minutos, até que, eu finalmente escutei a voz grossa e suave de Dean.
Ele se virou lentamente na cadeira, ficando se frente para mim.
-Você notou alguma coisa estranha com a sua amiga, Ângela?
Pensei por um momento na pergunta. Claro que eu tinha notado. Ela estava completamente diferente. O seu jeito estava maligno, igual ao seu rosto.
-Ela realmente estava muito estranha. – comecei. - Eu nunca tinha visto a Ângela daquela maneira. – abaixei os meus olhos me lembrando. O frio percorreu pela minha espinha, coloquei os meus braços a minha volta, tentando me aquecer novamente. – Ela sempre foi muito doce e meiga, mas ela estava... estava... – minha voz simplesmente desapareceu, não consegui terminar a frase.
- Era como se ela fosse outra pessoa? – perguntou Sammy.
- Como você... – eu estava muito mais confusa. – Quem são vocês? – fiz a pergunta que já estava na minha cabeça há muito tempo.
- Pessoas que podem ajudar. – disse Dean, seriamente. Seus olhos verdes voltaram para o meu rosto, e depois de alguns instantes, se viraram para a enorme janela de vidro que tinha a nossa frente. – )
, precisamos da sua ajuda. Sua amiga esta precisando da sua ajuda. Ela está correndo um grande perigo. – ele olhou para Sammy, como se tivesse pensando em como me dizer algo. – Tem um vampiro atrás dela.
-Um vampiro? – fiquei totalmente apavorada. Como eles sabiam que existiam vampiros? E porque estavam falando disso comigo? E como esse tal de vampiro estava atrás da minha amiga? E o que tinha isso a ver com a mudança de personalidade dela?
-Não precisa ficar assim, )
. – Sammy sorriu, parecia estar se divertindo com o meu pânico. – Sabemos que você é uma loba.
-Sabemos de tudo. – continuou Dean.
Aos poucos eu fui ficando mais calma. E quando minha cabeça estava finalmente em ordem, eu realmente me dei conta da situação.
-Ângela... – não consegui falar mais nada. As lágrimas estavam escorrendo pelo meu rosto. As coisas estavam se esclarecendo. A minha mente viajou no passado. No dia em que Ângela me disse que tinha visto um homem na floresta.
“Os seus olhos eram vermelhos sangue.” – a voz de Ângela ecoou nos meus ouvidos.
-Christian é um vampiro rastreador. Ele viaja pelo mundo à procura de humanas que terão poderes incríveis quando se tornarem vampiras. – começou Dean. – O poder de Christian é deixar as pessoas completamente loucas. É assim que ele faz com as humanas. Ele as deixa completamente loucas, e sem nenhum traço de humanidade. Assim são mais fáceis, assim elas não serão problemas para ele. Elas não se lembrarão da família deixada. Não se revelarão contra ele. – sua voz estava só por um fio. Eu pude sentir a sua tristeza, sentir a sua agonia. Dean fechou sua mão em punho com força.
-Ele está fazendo isso com ela? – choraminguei.
-Sim, ele está. – sussurrou Sammy. – Se não formos agora, será tarde demais.
-Então vamos. – afirmei me levantando da cadeira rapidamente.
A cadeira fez um barulho horrível, um barulho que me fez estremecer. Se Ângela estivesse em perigo eu tinha que ajudá-la. Eu lutasse por ela, nem que eu tivesse que dar a minha vida por isso. Eu não deixaria um vampiro a fazer mal.
[...]
Dean e Sam ficaram no hotel, a procura de pistas, um lugar onde o vampiro pudesse estar. Eu já não estava mais aguentando aquela espera, eu tinha que fazer alguma coisa. Qualquer minuto poderia ser único. Me levantei do sofá da recepção e andei rapidamente para a direção da saída. Eu não podia ficar ali parada, eu tinha que fazer alguma coisa.
Andei pelas pequenas ruas até o estacionamento onde estava o carro do meu pai. Depois que eu “briguei” com a minha mãe, eu não aceitava nada dela. Para falar a verdade, eu tinha a cortado da minha vida completamente. Ela tinha escolhido o marido, e eu não mudaria isso, mas não viveria com ela.
Ela tinha dito coisas ruins demais para mim. Coisas que ainda estava em mim. Eu nunca esqueceria das suas palavras. Nunca esqueceria a dor que ela me causou. Entrei na picape preta do meu pai. E liguei o carro. Dean ficaria muito bravo comigo. Afinal, eu tinha prometido que esperaria por ele. Mas ele tinha que me entender, era vida ou morte.
Depois de alguns minutos eu já estava estacionando o carro na frente da casa de Ângela. Saí do carro e andei rapidamente até a porta.
Bati na porta com força, rezando para a minha melhor amiga estar em casa com os pais, completamente segura.
-)
? – perguntou o irmão de Ângela abrindo a porta. Os seus olhos estavam vermelhos.
O medo me tomou, mas depois de alguns segundos, eu fiquei um pouco mais calma. Nate estava com a expressão confusa, estava óbvio que tinha acabado de acordar. Os seus cabelos estavam meio amassados. Ele estava usando um pijama todo verde.
-A sua irmã esta? – perguntei rapidamente. Nate balançou a cabeça negando.
-Nataniel, quem está ai? – gritou alguém do andar de cima.
-A )
, mãe! – gritou o garoto de sete anos em resposta. O garoto se virou para mim e sorriu docemente. – Acho que a minha irmã vai dormir na casa de uma amiga hoje. – disse ele coçando os olhos com as mãos. – Vai esperar por ela?
- Não, Nate. Mas se ela chegar em casa pede para ela me ligar, realmente é muito importante. – o menino escutou o que eu disse. Ele não se lembraria, ele estava praticamente dormindo em pé. – Não esquece! – falei o fazendo pular. Depois que ele me olhou, eu andei até o meu carro. Bem, o carro do meu pai.
O meu celular começou a tocar, e quando eu vi quem era o meu coração se acalmou.
- Ângela, onde você esté?
-Na escola. Será que tem como você vir me buscar? Estou sem carro.
-O que você esta fazendo na escola uma hora dessas?
-Nada importante. Bom, pra falar a verdade, eu acabei dormindo. Então o Conner não me deu carona.
Eu realmente não tinha acreditado naquela história. Tinha algo que me dizia para não cair na conversa de Ângela. Mas eu tinha que ir ajudá-la.
-Estou indo. – desliguei o telefone e fui para a escola.
Quando eu finalmente chegue à pequena escola. o meu coração acelerou rapidamente. Era como se eu estivesse em um grande perigo. Estava tudo completamente escuro. Não tinha nenhuma pessoa no estacionamento. Estava chovendo lentamente fora do carro.
Sai do carro e o tranquei. O sentimento de estar sendo observada me assombrou. Era como se estivesse uma aura maligna sobre a pequena escola. No fundo, bem no fundo, eu estava morrendo de medo, mas tentei pensar nas possibilidades de que a minha amiga estivesse bem, salva, então andei até a estrada da escola. A porta estava trancada por dentro, olhei pelo vidro escuro, para poder encontrar, ver algo na escola. A escola estava completamente vazia, não tinha nenhuma luz acesa, virei a minha cabeça a procura de algo que me ajudasse a entrar na escola.
Não havia simplesmente nada. E naquele exato momento eu escutei um grito vindo de dentro da escola. Olhei apavorada para a porta a minha frente. O medo estava me impedindo de pensar racionalmente. A única coisa que eu pude encontrar na minha mente, era a lembrança da minha melhor amiga. Olhei para o meu braço. Ele ainda não estava completamente bom, mas era ele ou a vida da minha amiga. Respirei fundo, esperando a dor aguda me atingir. Dei um soco na porta de vidro, e por incrível que pareça, ela estava completamente acabada, igual ao meu braço. Tinha umas feridas nele enormes, e também tinha alguns cacos de vidro dentro dos machucados. Escorria o liquido vermelho, manchando a minha blusa branca. Eu estava me sentindo deslocada. Eu estava tentando pensar que era realmente um motivo bom para acabar com o meu braço, novamente. Mas ou era o braço esquerdo que já estava quase bom, ou seria o meu outro braço que ainda estava muito machucado. Apesar, de eu ter escolhido o braço que já estava melhor, a dor realmente era bem fortinha. Eu ainda era humana, meus ferimentos demoravam bastante para curarem. Eu realmente estava apavorada, não por mim, claro. Mas pela minha amiga que estava correndo perigo. Nunca me importei com a minha vida, realmente. A minha existência não era importante. Uma lembrança me perturbou.
A dor estava novamente me assombrando. A dor de ser queimada vida. Mas por quê?
O que tudo isso tinha a ver com Yonah?
As respostas estavam na minha cara. Yonah tinha morrido para salvar uma pessoa que amava, muito. E era isso que eu estava disposta a fazer. Eu preferia morrer novamente no lugar de uma pessoa que eu amo.
Consegui abrir a porta e finalmente entrar na escola completamente escura. Andei lentamente pelos corredores escuros. Parecia que eu estava fazendo parte de um filme de terror. Mas aquilo era bem real.
Enquanto eu andava lentamente, e me esforçando para tentar ouvir qualquer barulho, eu senti um cheiro horrível. Era um cheiro que fazia o meu estômago girar, a vontade de vomitar era muito forte.
Coloquei a mão no meu nariz e na minha boca. Os meus pés estavam ficando sem forças, os meus joelhos ficaram moles. Era como se o meu corpo estivesse mil vezes mais pesado.
Era como se eu estivesse caindo em um poço muito fundo. Mas eu não estava em poço, eu estava na escola, tentando salvar a minha melhor amiga.
Forcei as minhas pernas a se mexerem. Era uma força enorme que estava sobre o meu corpo, naquele momento.
Escutei uma risada maligna vindo de trás de mim. Uma risada roupa e no mesmo tempo grave. Olhei para trás rapidamente, mas não havia nada no corredor escuro, era apenas eu e o meu medo incontrolável.
A risada estava ficando cada vez mais distante, então como se fosse uma luz me iluminado, decidi segui-la.
Eu realmente deveria estar querendo morrer, pensei comigo mesma. Não pude deixar de sorrir sarcasticamente. Quem eu estava querendo enganar?
Andei rapidamente, na verdade, eu estava correndo rapidamente atrás daquela risada que me fazia sentir o pior sentimento do mundo.
A risada parou de repente. Então eu olhei para as duas direções. Eu estava muito perto da quadra da escola. Era a única porta que tinha perto de mim.
Passei pela porta rapidamente, tentando não pensar.
A quadra de esportes estava muito mais escura que a escola inteira. Mas depois de alguns segundos os meus olhos começaram a se acostumarem. Eu não estava vendo tudo exatamente, mas às vezes eu podia ver algumas coisas.
Algo me atingiu rapidamente, me fazendo voar para o outro lado da quadra. Não tinha dado nem tempo para eu perceber de que lado tinha vindo o impacto.
Minha cabeça começou a dor, quando eu cai rapidamente no chão. Olhei para as minhas mãos, e elas estavam cheias de sangue. Automaticamente coloquei a minha mão direita na testa, então uma dor aguda e forte me tomou. Saia sangue da minha testa, mas não era aquilo que doía realmente. Passei a minha mão pena nunca, senti meus cabelos molhados, e a dor ficou mais forte.
Apoie-me no meu cotovelo para me levantar do chão. Quando eu finalmente estava em pé, a minha perna direita doeu. Olhei para baixo e pude ver que ela também estava ferida. Apoie o meu corpo todo na minha outra pena, e olhei para os lados. Estava tudo igual a antes, se eu não estivesse sentindo aquelas dores, poderia jurar que não tinha acontecido nada.
- Fico feliz que tenha vindo. Será ótimo ter mais uma pessoa na festa. – escutei uma voz masculina vindo trás de mim. Virei-me e pude ver o rosto do vampiro.
Ele era moreno e bastante alto. Os seus cabelos eram negros e sua pele era muito branca. O seu rosto era calmo. Ele sorriu para mim, não era realmente um sorriso sincero, era um sorriso irónico e maligno.
Ele usava roupas simples: Uma camiseta sem manga e uma calça preta desbotada.
-Onde esta a minha amiga? – sussurrei sem força. Ele sorriu em resposta e olhou para trás de mim. Acompanhei o seu olhar.
Tinha mais duas vampiras logo mais atrás. Uma parecia ser uma onça, o seu jeito felino. Os seus cabelos eram vermelhos, quase laranja.
Os cabelos caiam bagunçadamente pelo seu rosto branco. Tinha outra mulher no lado esquerdo da ruiva. Ela era menor.
Seus cabelos eram castanhos-escuros, o seu corpo era pequeno e frágil.
-Deixe-me apresentá-las. – o vampiro se aproximou de mim e olhou pra a ruiva. – Esta é Victoria. – ele apontou para a mulher felina. Depois de alguns segundos ele olhou para a garota menor. – Esta é Bree. – ele apontou para a garota de cabelos escuroscacheados.
-Oi. – disseram a duas juntas.
Então eu pude ver algo no chão. Passaram-se minutos, então eu consegui ver a minha amiga no chão inconsciente.
- Ângela! – gritei indo até a minha melhor amiga. Mas o vampiro me impediu, ele entrou na minha frente, rapidamente.
O meu corpo começou a tremer todo. Os olhos vermelhos do vampiro olharam rapidamente para o meu rosto.
Então como se eu não estivesse mais controlando o meu corpo, eu me transformei.
Era como se eu fosse outra pessoa, outro ser. Eu estava mais alta. Olhei para baixo e pude ver os meus pelos brancos.
O vampiro tentou correr, mas não conseguiu. Eu pulei em cima dele rapidamente, o agarrei com os meus dentes afiados e o lancei para a parede e antes que ele se chocasse com a parede eu arranquei o meu braço direito.
A vampira de cabelos vermelhos veio salvar o seu mestre. Ela agarrou o meu corpo enorme e me deu um abraço de ferro.
Senti todos os meus ossos se quebrando. O barulho deles se despedaçando. Depois que a vampira quebrou os meus ossos ela me jogou contra a parede.
No mesmo instante eu me transformei novamente em humana. Contorci-me no chão de dor.
Fechei os meus olhos com força, esperando a morte. Eu não era tão forte para acabar com três vampiros.
Um barulho forte ecoou nos meus ouvidos, me fazendo abrir os olhos rapidamente. A primeira coisa que eu pude ver foi os olhos do meu anjo. Seus olhos estavam tristes, parecia que ele estava chorando, um choro sem lágrimas.
Os seus olhos passaram por Ângela que estava desacordada. Os seus olhos estavam sem vida, eles estavam vazios.
Eu tinha caído muito perto dela. Comecei a fazer o meu corpo a se mover, mas doía demais. Mesmo doendo muito, eu me arrastei até minha melhor amiga.
Quando eu cheguei perto de Ângela coloquei as minhas mãos em seu rosto frio.
-Você não pode morrer! – disse chorando. Ela não podia me deixar, ela era minha melhor amiga, e eu não podia viver sem ela. Ângela continuou ali sem vida.
A balancei desesperada, eu não podia a deixar morrer, isso era mil vezes pior que o fogo que tinha me consumindo. O meu coração, a minha alma, estava se despedaçando.
As lágrimas que saindo dos meus olhos desesperadamente se fundiam com o sangue da minha melhor amiga, e também com o meu.
A dor de ter quebrados todos os meus ossos estava passando lentamente, mas eu preferia aquilo ao invés de ver a minha amiga daquele jeito. – Vamos acorde! – a balancei ferozmente. Mas era tarde demais.
Coloquei o corpo sem vida da minha melhor amiga em meus braços, fechei os meus olhos, e naquele momento, nada mais me importava, eu também queria morrer.
_ )
, sai daí! – gritou Edward. Então eu abri os olhos e vi o vampiro correndo na minha direção. O impacto me fez soltar o corpo da minha amiga sem vida. Fiquei esperando a dor me atingir com os olhos fechados, mas não veio.
Abri os olhos e pude ver o vampiro com a minha amiga morte em seus braços. Ele sorriu para mim, e olhou para a minha amiga.
Me levantei ainda muito fraca. Deixei a raiva tocar conta do meu coração, do meu corpo. Eu explodi ainda sem forças, mas eu não me importava mais, eu lutaria até morrer.
Corri rapidamente até o vampiro e pulei em cima dele rapidamente. Mas antes que ele pudesse sair da minha direção ele mordeu a minha amiga morta. Será que não via que não tinha mais jeito?
Pulei em cima dele e mordi a sua cabeça a separando o corpo gelado. A raiva era o único sentimento que estava presente em mim.
Quando não tinha mais nada a se retirar daquele corpo eu me virei para a outra vampira. A vampira pequena, mas ela não estava me encarando com raiva, eu pude ver até a gratidão.
Um gritou me fez olhar para os lados. Tinha saído um grito agudo dos lábios gelados de Ângela.
Ela ainda estava viva!
Olhei para Edward, ele estava com os lábios no pescoço da vampira ruiva. O corpo da vampira caiu no sem vida, imóvel.
Seis vampiros apareceram de repente, eu pude ver os rostos dos Cullen. Alice andou até a minha direção e eu também pude ver Esme falando com a vampira Bree.
-)
, eu trouxe um par de roupas para você. – disse-me Alice. Eu estava completamente perdida, meu corpo ficou completamente imóvel.
Edward se aproximou de mim e passou a mão pela minha cabeça. Eu me senti um pouco melhor e fui fazer o que a baixinha tinha me dito.
Andei até o outro lado da quadra, Alice o tempo todo comigo. Quando eu tive completamente certeza que ninguém podia me ver, me transformei de volta em humana. Não foi uma coisa realmente difícil, apenas deixei o fogo do meu corpo me tomar novamente.
Coloquei a roupa que Alice me deu e voltei rapidamente até onde a minha amiga estava.
Ângela estava com os seus olhos abertos. Ela gemia alto de dor, e eu sabia perfeitamente que ela estava se transformando em vampira.
Edward andou até onde eu estava e olhou para Ângela.
Ele se abaixou no chão ao meu lado e me olhou docemente.
-Ela esta se transformando. – ele olhou para Alice que estava do meu outro lado. – Alice, viu isso.
Parecia que a voz do meu amado estava longe, muito longe. A única coisa que eu pensava naquele momento era se a minha melhor amiga ficaria bem.
Ângela começou a gritar cada vez alto, e eu fiquei em pânico. Eu tentava falar algumas vezes com ela, mas ela apenas gritava.
-Eles querem falar com você. – disse Edward olhando para trás. Eu acompanhei o seu olhar e vi os lobos me encarando com tristeza.
Olhei para mim por um momento. Minhas feridas não estava mais horrível como antes, agora nem a dor eu estava mais sentindo.
Olhei para a minha amiga, eu não queria deixá-la, eu não podia.
-Ela vai ficar bem.
Escutei a voz longe e baixa de Alice. Aquilo me deu mais forças e eu andei lentamente até os meus irmãos.
-Você está bem? – perguntou alguém, mas eu não consegui ver quem era.
-Estou.
-Ela vai ficar bem? – continuou a voz.
-Eu não sei, não sei.
- O vampiro a mordeu? – perguntou a voz rouca.
- Sim. Ela está se transformando.
Olhei para onde Ângela estava e vi Carlisle a pegando no colo. Ele percebeu o meu olhar e sorriu, e então ele disse.
-Vamos levá-la para a minha casa. – disse ele para mim, vendo o meu olhar de preocupação.
Eu apenas balancei a minha cabeça, olhei novamente para os lobos.
-Eu vou com eles. Não quero deixar a minha amiga sozinha agora.
Comecei a andar lentamente, mas senti uma mão em meu braço, me virei para olhar e vi o rosto de Jacob preocupado.
-Se você quiser eu te levo.
-Obrigada, mas não precisa, Jake.
- Mas eu faço questão.
-Eu vou com eles, não se preocupe.
- Não é hora para ciúmes, Jake. – Sam falou rapidamente me fazendo olhá-lo. Eu realmente estava muito grata por ele ter me ajudado.
Ele tinha completamente razão, não era hora para ciúmes, e Jacob não fazia mais parte da minha vida, ele não tinha mais nada comigo.
-O Sam esta certo. – andei até o meu anjo e ele sorriu para mim.
-Vem, eu te levo. – disse Edward pegando a minha mão.
Capitulo 19: Coração despedaçado
Quando Edward pegou a minha mão com delicadeza, o meu coração se acalmou automaticamente. O choquei elétrico passou pelo meu corpo rapidamente e os olhos de Edward pararam em mim, deixando claro que ele também tinha sentindo aquilo.
Ele sorriu para mim, lendo os meus pensamentos. E eu também sorri feito uma boba. Eu o amava tanto, o meu coração parecia que sairia pela boca. Aquele sorriso torto me fez ficar parada por alguns minutos. Tentando me lembrar de como respirar.
Senti aquela sensação de estar sendo observada e olhei para os lados procurando por alguém que estivesse me observando. Encontrei um par de olhos vermelhos, me encarando com intensidade, era como se a vampira quisesse arrancar a minha cabeça. Bree estava parada no outro lado da quadra, encostada na parede. Os seus braços em volta de seu corpo pequeno e os seus olhos me irritando. Eu não tinha nada contra ela, mas tinha algo nos seus olhos que eu não gostava nada. Ela não tinha me atacado anteriormente, mas era como se ela quisesse agora.
Edward acompanhou o meu olhar e os seus olhos pararam nos olhos vermelhos da vampira. Havia algo que eu não estava gostando, algo que me irritava profundamente. Tinha algo no olhar de Edward que eu não entendi, mas não gostei de ver.
Parecia que ele já conhecia Bree, era como se eles já tivessem se encontrado há muito tempo.
Os olhos de Edward mudaram-se para mim, rapidamente. Às vezes eu esquecia completamente que ele podia ler os meus pensamentos. Edward não disse mais nada, sem me respondeu à pergunta que eu o fiz mentalmente. Tinha algo ali, algo que eu descobriria.
Ele andou lentamente pela quadra de esportes, ainda de mãos dadas comigo. Mas quando passamos pela vampira, os músculos do meu anjo se enrijeceram.
Fingi não perceber o olhar que eles trocaram. Seria melhor tentar esquecer, talvez fosse da minha cabeça. Mas no fundo, eu tinha certeza que estava certa, tinha algo entre eles, mas eu não sabia o que.
Andamos até o carro prata de Edward. Ele abriu a porta para mim, mesmo eu fazendo uma careta em resposta. Eu amava aquele jeito dele, mas ele não precisava se preocupar comigo.
Entrei no carro e fechei a porta lentamente. Coloquei o cinto e pude ver Edward sorrir com o meu ato. Eu era muito nova para morrer, sei que eu não morreria em um simples acidente de carro, mas é bom sempre ter cuidado.
Lembrei-me que agora eu estava bem mais forte. Agora eu tinha entrado oficialmente para a alcateia. Aquele pensamento me fez sorrir.
Edward ligou o carro. Os minutos foram se passando rapidamente, e quando eu menos pensava, já estávamos em frente à enorme casa branca.
Edward saiu do carro rapidamente e abriu a porta para mim. Saí do carro e encarei a casa branca por uns segundo. Eu realmente tinha sentido saudade daquele lugar, saudade dos momentos que eu tinha passado com o meu anjo. Dei-me conta do que eu tinha pensando, e comecei a pensar na minha melhor amiga.
Não olhei para o rosto de Edward, eu já estava com muita vergonha dele. E na verdade, eu não fazia a mínima idéia de porque estava sentindo aquilo.
Entrei na enorme casa. Todos os Cullen estavam sentados na sala. Olhei ao redor a procura da minha amiga, mas eu não precisei procurar muito. Um grito me atingiu rapidamente. Fiz uma careta de dor, sem perceber.
- Eu posso vê-la? – perguntei olhando para a escada a minha frente.
Ninguém disse nada, eles apenas sorriram em resposta. Subi as escadas e andei até onde ficava o quarto.
Caminhei pelo corredor claro. Quando eu entrei nele eu pude ver que tinha uma porta aberta. Olhei para o quarto por uns segundos. O quarto era bem claro. Tinha uma cama enorme, e uma cadeira ao lado da cama.
A minha amiga estava deitada na cama. O seu rosto estava transformado pela dor. Os seus olhos estavam fechados com força.
O meu coração se apertou ainda mais, respirei fundo, e entrei no quarto.
Sentei-me na cadeira e olhei para a minha amiga. Ela gritava desesperadamente e o pior era que eu, e nem ninguém, podia fazer nada.
Eu sabia exatamente como era aquela sensação e isso era o pior. Lembrei da dor agonizante; eu queria estar no lugar dela.
Peguei a mão de Ângela docemente. Sua mão já estava muito gelada, mais gelada que o normal. Ângela apertou a minha mão com força, e eu não me importei.
- Estou aqui com você. – sussurrei limpando as minhas lágrimas que escorriam pelo meu rosto rapidamente. – Não se preocupe, sempre estarei. – passei minha mão livre pelos cabelos negros de Ângela. Ela sorriu quando eu comecei a acariciar os seus cabelos, mas mesmo assim ela não abriu os olhos.
- Está queimando...
-Eu sei, seu sei. – sussurrei rapidamente.
Eu sabia exatamente com era. Tudo o que você deseja naquele momento é morrer, a morte por alguns motivos seria maravilhosa. Balancei a minha cabeça, tentando afastar aquelas lembranças. – Vai melhorar, você vai ver.
Ângela não disse mais nada, apenas se contorcia de dor.
Fechei os meus olhos e viajei para um mundo distante. Um mundo onde não tinha dor e sofrimento.
Senti um dedo gelado em meu rosto, abri os olhos rapidamente. Edward sorriu quando encontrou os meus olhos. Eu também sorri gentilmente.
-)
, você precisa descansar. – os seus lindos olhos foram para a minha amiga. – Ela ficará melhor.
- Eu estou bem aqui. Não se preocupe. – disse rapidamente. Mas a minha voz me entregou. Eu estava completamente cansada.
Edward sorriu quando viu que eu iria fazer o que ele dizia. Ele pegou a minha mão e me fez levantar. Tirei a minha outra mão da mão gelada de Ângela.
Edward me conduziu para as escadas me fazendo descer. Diferente daquela hora, não tinha mais ninguém na sala, além de Bree. E eu me perguntei se ela ficaria com os Cullen.
- Bree, vai ficar connosco. A partir de agora ela é uma Cullen. – disse Edward andando até a cozinha. Deixando-me sozinha com a vampira.
Bree estava sentada no enorme sofá. Os seus olhos vindo diretamente para mim. Suas pernas estavam cruzadas.
Notei que ela não estava com a mesma roupa de antes. Ela usava um vestido azul, igualzinho ao que eu estava usando.
Sentei-me no sofá, o mais longe da vampira. Por alguma razão desconhecida, eu não estava gostando que ela ficasse ali, com os Cullen.
-Não me importa que você não goste de mim. – disse ela depois de alguns minutos.
Olhei para ela chocada.
Será que ela lia as mentes também?
-Eu também não gosto de você. – disse ela colocando a cabeça mais para frente. – Não acredito que ele goste de você. – ela olhou para a direção da cozinha. – Mas não por muito tempo.
Aquela vampira tinha conseguido me tirar do sério. Fechei os meus olhos, tentando acalmar os meus nervos. O meu corpo tremia ferozmente. Eu estava completamente certa, ela queria alguma coisa com o meu namorado. Bem, ele não era o meu namorado, mas...
- )
, o que foi? – escutei uma voz fina e doce. Era uma voz completamente desconhecida.
Abri os meus olhos e vi a minha melhor amiga parada na minha frente. Ângela estava completamente diferente. O seu rosto estava muito lindo, não que não fosse antes, mas...
-Ângela? – perguntei me levantando.
- Você está muito estranha, )
.
-Eu? Você tem certeza?
-Claro. – respondeu ela se sentando ao meu lado. – Edward me contou tudo, não precisa se preocupar. – ela sorriu para algo atrás de mim. – Você realmente escondia muitas coisas da sua melhor amiga. – sussurrou ela pensativa. Depois de alguns segundo, ela fez uma falsa cara de chateação e quando me viu tremer sorriu. – Mas eu sei que era preciso.
-Será que a gente pode conversar lá fora, Edward? – perguntou Bree. Eu simplesmente fingi não ter ouvido nada.
Então os dois saíram da sala rapidamente, e eu fingi não ligar. Mas por dentro eu estava morrendo de raiva.
-Como está se sentindo? – perguntei rapidamente.
A minha amiga pareceu pensar por uns instantes. Mas depois sorriu para mim, envergonhada.
-Diferente. Sabe, a minha garganta está queimando muito. Mas Alice vai me levar para caçar.
- Como você pode se controlar, assim?
- Não sei. – respondeu ela pensativa. – Nem eles mesmos sabem. – disse ela olhando para a escada.
-E você se transformou tão rápido. Pensei que não fosse assim tão rápido.
- )
, você dormiu por dias.
-Sério?
-Sim. Você realmente estava muito cansada. – ela se levantou rapidamente. – Eu vou caçar. Depois a gente se fala. Certo?
-Certo. – sussurrei fechando os olhos.
Eu ainda estava muito cansada e com muita raiva.
Eu estava com vontade de matar aquela vampira. Imaginei a cena, e aquilo me sorrir mentalmente.
Será que Edward não me amava mais? Será que essa Bree tinha dito a verdade? Que ele não me amaria por muito tempo?
De toda forma ele tinha ido falar com ela. Então significava que ele gostava dela e que se importava.
Levantei-me rapidamente. Eu tinha o perdido. Será que Bree em tão pouco tempo tinha o roubado de mim?
Eu não ficaria ali para descobrir. Andei até a porta e saí para a chuva. Nem que eu fosse a pé para a minha casa, eu tinha que sair dali.
Andando pela floresta e pude ver algo.
Edward estava beijando Bree. Meu coração, meu mundo, acabou. Sei que eu tinha o deixado, mas aquilo doía demais.
As lágrimas me impediram de ver. As limpei rapidamente.
Quando eu iria virar as costas e deixar aquele lugar, vi os olhos de Edward me encarar.
- )
...
Eu o tinha perdido, tinha perdido o amor da minha vida.
Tentei sorrir. Eu o tinha deixado livre, não tinha?
Se eu tinha deixado realmente, ele tinha aquele direito.
-Desculpa interromper. - me virei e sai dali.
Andei o mais rápida que minhas pernas agüentavam. O pior foi que Edward não veio atrás de mim. Ele me deixou partir.
Andei pela floresta escura. Quando eu finalmente cheguei à estrada vi uma luz forte na minha cara.
Eu reconheci o carro preto. Dean Winchester saiu do carro e me olhou preocupado.
- )
?
- Será que você pode me levar para casa? – perguntei desmoronando.
Dean apenas balançou a cabeça. Entrei no seu carro lentamente. Dean me olhou por alguns minutos e finalmente me levou para casa.
Depois de alguns minutos, Dean parou o carro na casa do meu pai.
Olhei para ele e tentei sorrir. Levantei-me e sai do carro rapidamente.
Entrei na casa do meu pai sem falar nada.
Andei pela casa rapidamente. E fui para o meu quarto.
A dor era muito, muito, pior do que um dia eu tinha sentindo em relação a Jacob. Parecia que a minha alma estava se dividindo em dois pedaços. E estava realmente. Se Edward e eu éramos uma só alma. Ela estava repartida agora.
Talvez seja assim, mesmo. Apesar de amar Edward, não fosse para a gente ficar juntos.
Deitei-me na cama e deixei a dor me tomar completamente. Não havia nada a se fazer, eu tinha o perdido para sempre.
Abracei as minhas pernas fortemente. A dor no meu peito era insuportável. Mas eu não lutei com ela, apenas fiquei ali, parada, congelada.
Eu tinha tomado uma decisão que não tinha mais volta. Eu tinha feito a pior coisa da minha vida. Eu tinha o deixado partir, e isso não tinha mais volta.
Era como se estivesse uma estaca no meu coração. Olhei para baixo para ver o sangue vermelho, mas não tinha nada.
Eu tinha me afastado do amor da minha vida, para tentar superar as coisas que tinham acontecido na minha vida, mas agora tinha ficado mil vezes pior.
Eu preferia quebrar os meus ossos, queimar novamente, mas eu não suportava perdê-lo. Ele era a minha vida. A luz no fim do túnel, mas agora, não tinha mais nada. Eu estava sozinha na escuridão.
Eu estava completamente perdida. Não tinha mais motivos para continuar lutando. Eu tinha perdido a razão da minha vida. Eu queria morrer.
Era o único jeito de superar a dor, mas pensando bem, nem mesmo quando eu reencarnei, eu não consegui superar a dor. Eu tinha trazido comigo o mesmo sentimento. O mesmo amor incondicional e insano. Minha vida estava agora mais escura ainda. O anjo não estava mais comigo. Todas as dores me tomaram. Pela minha mãe, pelo sofrimento que o Ted me causou, e agora o pior de todos, pela perda do meu anjo.
Eu podia suportar tudo, menos perdê-lo.
Não, eu não podia mais viver sem ele. Ele era o meu chão, sem ele eu cairia e nunca mais me levantaria. Bem, era isso que estava acontecendo realmente. Nada mais me importava na vida. O que importava era que ele fosse feliz verdadeiramente com Bree. Ele tinha que ser.
Pelo mesmo, um de nós seria.
Um grito se formou na minha garganta. Eu coloquei minhas mãos na minha boca com força, e gritei. Mas a dor não passava, nunca passaria.
Fechei os olhos e me deixei levar, a dor estava me levando para onde ela quisesse.
A partir de hoje, eu estava perdida, mas eu não me meteria mais na vida de Edward Cullen.
Capitulo 20: Conseqüências do passado
Versão de Bree:
Em 1918...
Eu estava prestes a me casar com o solteiro mais lindo e rico da cidade em que eu morava. Edward Masen era lindo, o mais lindo de todos.
Quando o vi pela primeira vez, me apaixonei imediatamente e totalmente.
Ele era educado e sensível. Quando eu fiquei sozinha com ele – o que foram muitas poucas vezes – ele sempre estava distante. Sempre pensando em algo, e quando ele olhava para mim e tentava sorrir, eu sabia que ele estava triste com o nosso casamento.
Eu ficava triste por ele, não queria me casar com ele se ele não quisesse realmente. Mas ao mesmo tempo, eu queria me casar com ele e ter muitos filhos lindos. Talvez com o tempo, ele pudesse me amar verdadeiramente, eu rezava por isso.
Eu já não tinha mais forças para ficar longe dele, e sabia que nunca mais teria. Ele era como o ar para mim, era como a minha própria vida. Minha vida estava em suas mãos e eu queria que sempre ficasse.
Eu queria tirar a tristeza de Edward com o meu amor e curar todas as feridas que existiam nele.
Mas simplesmente não sabia como, mesmo tentando muito.
Será que havia outra em seu coração?
Eu sabia que não poderia lutar contra os sentimentos de Edward, mesmo tentando. Se ele amasse outra, eu não teria escolha. Teria que deixá-lo, não poderia ser de outra maneira.
Mesmo amando Edward, eu o deixaria para ser completamente feliz ao lado de outra. Eu sabia que se não me casasse com ele, não me casaria com mais ninguém. Seria uma velha sozinha, apesar de não ser velha agora, mais seria. A solidão tomaria conta de mim e nada mais reverteria isso. Mas se o meu amado fosse realmente feliz, estaria tudo bem, porque, o meu amor era maior que tudo.
- O que foi, senhorita? – perguntou Edward, com a sua voz linda, me fazendo sorrir.
Ele estava sentado em uma cadeira bem distante de mim, seus olhos ainda continuavam preocupados e tristes e aquilo me machucou muito. Tentei sorrir um pouco, escondendo a minha dor.
- Não foi nada, Edward. – disse rapidamente. Às vezes a educação de Edward me perturbava. Ele sempre me chamava de senhorita, em vez, de me chamar de Bree. Era realmente muito estranho, estávamos a semanas de nosso casamento e ele simplesmente agia como se não nós conhecêssemos. – Por favor, não me chame de senhorita. – implorei. – Fica meio estranho você me chamar assim.
- Como preferir. – disse ele sorrindo. Seu sorriso era meio torto, deixando o seu rosto ainda mais lindo – o que pensei não ser mais possível.
- Edward? – perguntei me levantando da cadeira onde eu estava. Andei lentamente, até onde ele se encontrava.
- Sim? – disse ele em resposta.
Seus olhos cor de esmeraldas estavam mais sérios agora, deveria ser pela minha aproximação.
Continuei andando até ele, lentamente. Quando finalmente, cheguei e fiquei na frente de Edward, me abaixei em sua frente, colocando os meus olhos nos dele.
- Por que está assim? – perguntei. Minha voz estava fraca, causada pela dor em meu peito. – Você está apaixonado por outra? – minhas palavras me machucaram. – Se estiver, não precisa se casar comigo, eu posso entendê-lo. Não quero que você se case por obrigação, pelos seus pais ou por mim. Se você for se casar comigo, quero que seja porque você realmente quer.
- Não estou apaixonado por outra. – disse ele sorrindo. – Não por uma pessoa que conheço realmente.
- Como? – perguntei confusa.
- Não é nada, Bree. – ele pegou a minha mão docemente. – Vou me casar com você, não se preocupe. – ele me ajudou a me levantar. – Agora, eu realmente preciso ir. – ele tirou a sua mão da minha, o que me deixou completamente triste. – Eu venho lhe visitar semana que vem. Até mais, querida Bree. – disse ele indo embora.
Ele tinha me chamado de querida, realmente? Ou era eu que estava imaginando coisas?
Certamente eu deveria estar sonhando, era o dia mais feliz da minha vida. Pela primeira vez, Edward tinha me chamado de algo tão carinhoso, e não amava outra, o que me deixava completamente em paz.
- Como foi à visita de seu noivo? – perguntou minha mãe entrando na grande sala. Ela estava sorrindo docemente, deveria ter ouvido alguma coisa.
- Muito promissora. - respondi, me sentando novamente, mas desta vez, na cadeira que Edward esteve sentado.
- Ele irá se casar com você de qualquer maneira, não se preocupe. – disse minha mãe.
- Não quero que ele se case comigo obrigado. – repeti.
- Como já disse, não se preocupe. – repetiu minha mãe. – Está tudo em perfeita ordem, tudo correra perfeitamente bem.
- Tudo bem, tudo bem. – me levantei. – Agora, se você me permitir, vou para o meu quarto. Estou realmente muito cansada.
- Como preferir. – disse minha mãe.
Sorri para a minha amada mãe, e me retirei do local. Andei pela casa rapidamente, subindo as escadas enormes e entrando em meu quarto.
O meu quarto era enorme e muito luxuoso, minha família era a mais rica da região.
Era um quarto que parecia ser da realeza. Tinha grandes móveis, decorados perfeitamente, com cores lindas. Na entrada do enorme local, tinha uma espécie da sala, pequena. No pequeno local, tinha uma mesa perfeitamente colocada, para que eu pudesse escrever ou ler. Tinha um espelho médio colocado na parede, bem na frente da mesa. A parede era de cores escuras, mais completamente lindas.
Eu não via a hora de entrar na igreja e ver Edward me esperando, e finalmente, nós nos casaríamos e seriamos felizes para sempre, assim eu espero.
Dias depois:
Meu coração estava completamente despedaçado. Não tinha sobrado nada dele, completamente nada, além da dor, claro.
Edward não poderia estar realmente morto, não poderia. Minha vida não tinha mais sentindo, eu estava completamente perdida.
- Não fique assim, querida. – choramingou minha mãe, tentando aliviar a minha dor. – Você encontrar outro.
- Não, eu não vou encontrar! – gritei.
Como minha mãe poderia dizer uma coisa dessas? Edward estava em meu coração, e nunca saíria. Nunca haveria outro, nunca. – Ele é o amor da minha vida, nunca haverá outro.
Caí de joelhos no chão, meu rosto estava completamente molhado pelas lágrimas, eu estava completamente desesperada. Os soluços ficavam cada vez mais altos e agonizantes. Não tinha mais como ficar viva, não tinha mais motivos para isso.
- Um dia a sua tristeza irá passar. – disse minha mãe. – Mais enquanto isso, você ficará aqui, sozinha. – minha mãe saiu do quarto e trancou a porta.
Ela estava preocupada de outros homens me verem daquele jeito e não me quisessem mais. Nada importava realmente.
Edward Masen estava morto e com ele o meu coração. Eu nunca me apaixonaria novamente, nunca.
Eu estava presa na minha dor e na minha solidão para sempre. Nunca mudaria isso, nunca...
Eu era a prisioneira da minha própria dor. Eu tinha uma foto de Edward em minhas mãos, eu a segurava com toda a minha força – o que tinha sobrado dela.
- Você disse que se casaria comigo. – sussurrei para a foto. – Você mentiu. Levou tudo com você, levou a minha alma, a minha alegria.
Não sei quanto tempo fiquei ali, sozinha, sentindo a minha dor. Mas meu corpo estava completamente sem forças e meus olhos estavam se fechando sozinhos, não sei por que, não era sono.
Eu estava mergulhando na escuridão e, pouco segundos depois, não vi absolutamente mais nada.
[...]
Meu corpo estava completamente pesado, era como se ele estivesse pesando mil vezes mais que o peso normal.
Meus olhos estavam fechados com forças, e eu tentei os abrir, mas simplesmente não tinha mais forças para isso.
- Ela ficará bem, Doutor? – perguntou minha mãe. Sua voz estava abafada e dolorosa.
- Ela acabou pegando a gripe espanhola, será muito difícil ela sobreviver. Irei tentar. – escutei uma voz calma e muito doce responder.
- Mas como é possível ela ter pegado essa gripe? – minha mãe perguntou. – Ninguém da família pegou.
- Sua filha não estava se alimentando há dias e isso a deixou mais vulnerável ao vírus. – respondeu.
- Por favor, Carlisle, tente salvar a minha filha. – implorou a minha mãe. – Ela é tudo o que eu tenho nessa vida.
- Não se preocupe, Valentine. Vou tentar o que for preciso.
- Minha filha entrou nessa tristeza depois que Edward Masen morreu. E ele também morreu assim... – a voz da minha mãe simplesmente desapareceu.
Edward, o nome ecoou na minha cabeça. Eu estava muito preocupada com minha mãe, não queria que ela ficasse completamente sozinha, mas...
Eu queria encontrar Edward, não importava como ou aonde.
Eu não tinha forças para lutar contra a gripe, e queria morrer, eu precisava.
- Bree? – escutei uma voz familiar, me lembrava a voz de Edward.
Aquilo me deu forças para abrir os olhos, eu tinha que os abrir.
Depois de alguns minutos, eu consegui abrir os olhos e encontrei um par de olhos vermelhos me encarando. Sim, era o meu Edward, mas estava diferente, mas não importava... Eu deveria estar vendo coisas, mas não queria deixar de ver.
- Vai ficar tudo bem. – disse ele. – Estou com você, não se preocupe.
Edward se aproximou de mim e eu sorri. Seus lábios gelados beijaram meu pescoço e eu fechei os olhos.
Senti uma dor completamente insuportável. Mais eu ainda lutava contra o fogo, lutava por Edward, sempre lutaria.
Eu estava completamente desesperada, mas simplesmente esperei o fogo me tomar completamente.
Eu comecei a gritar, mesmo não querendo. Mas eu ficaria ali, não me mexeria, porque eu sabia que de alguma forma eu ficaria com Edward.
[...]
O fogo parecia ter durado séculos, mais não me importei. Quando finalmente abri os olhos, o mundo estava diferente, com mais brilho.
Mas Edward não estava mais lá, ele tinha me deixado.
Ao invés do meu amado tinha um outro homem na minha frente, me encarando e sorrindo.
- Quem é você? – minha voz estava completamente diferente, com certeza não era a minha.
- Meu nome é Christian. – disse ele. – Fui muito bom conhecer você, sem precisei a transformar, outro já fez isso por mim. – disse ele.
- Onde está Edward? – perguntei.
- O vampiro que lhe transformou? – disse ele. – Vou ajudá-la a encontrá-lo.
Agora:
Ver Edward depois de muito tempo me fazia muito feliz, o que eu já não sentia há muito tempo. Mas ele estava com outra, eu podia ver a maneira como ele olhava para ela, era como um cego vendo pela primeira vez, não era justo. Eu tinha esperado por ele por tanto tempo, não era justo outra tomar o meu lugar.
A mulher que segurava a mão de Edward era realmente muito bonita. Seus cabelos negros caiam levemente pelas costas. Seus olhos eram lindos, eu tinha que admitir, era um tom de mel.
O corpo dela era bem definido, tinha curvas, o que eu não tinha. Ela tinha matado Christian, o que me deixou feliz de certa forma. Ela realmente lutava muito bem, tinha matado o vampiro mais poderoso que eu já tinha visto.
Edward e )
- assim eu tinha escutado Edward falar -, estavam andando lentamente vindo na minha direção. Edward me lançou um olhar antes de sair, o que eu não entendi realmente.
- Você pode morar com a gente. – disse Esme, mais eu não estava prestando realmente atenção.
- Claro. – respondi a primeira coisa que venho na minha cabeça.
Capitulo 21: Nosso primeiro beijo
Versão Bree
Esme era realmente muito bondosa, me lembrava a minha mãe, elas tinham o mesmo jeito.
Fomos para a casa dos Cullen, não era realmente muito longe mas esse não era o motivo da minha raiva.
A loba que tinha me roubado Edward parecia ser bem disputada, eu vi o jeito que o tal de Jacob olhava para ela. Era como se ele a quisesse a qualquer preço.
O lobo não era nada feio, mas Edward era muito mais que isso. Ele era como um anjo, ele era único. )
deveria saber disso. Eu também notei que ela olhava para Edward de uma maneira diferente, era como se ele fosse o único e nisso ela tinha razão.
Quando entrei na enorme casa branca, pude ver que Edward estava ao lado de )
, ela parecia estar realmente cansada.
Por alguma razão, eu não conseguia odiar ela. Se ela não estivesse me roubando Edward, poderia ser diferente. Algo dentro de mim dizia que ela era uma pessoa boa, eu era a prova disso. Eu tinha escutado as palavras dela, eu vi o jeito que ela ficou quando viu a amiga. A voz dela era como cacos de vidro.
- Eu posso vê-la? – Perguntou )
, olhando para a escada.
Os vampiros que estavam na sala apenas sorriram para )
em resposta. Ela realmente parecia estar desesperada. Se eu tivesse tido uma amiga na vida, estaria do mesmo jeito.
)
subiu as escadas rapidamente, eu pude perceber que ela fazia uma careta, enquanto, escutava os gritos vindo do segundo andar.
Edward continuava olhando para )
, e isso, partiu o meu coração.
- Devemos conversar. – Disse Edward, se virando para mim.
- Quando você me transformou eu fiquei completamente confusa. - Comecei. – Porque foi embora?
- Realmente é uma longa história. – Disse ele. Ele não tinha mudado em nada, se meu coração ainda estivesse batendo, estaria frenético agora.
- Tenho a eternidade para escutar. – Disse tentando sorrir, mas não consegui.
- Eu sinto muito. – Disse ele olhando para o andar de cima. – Eu preciso ver se ela está realmente bem, e depois a gente conversa.
Edward subiu as escadas rapidamente, ele deveria realmente a amar muito.
-Você está bem? – Perguntou Esme, com preocupação nos olhos.
- Não, não estou. – Sussurrei. Automaticamente eu coloquei a mão em meu rosto, esperando pela lágrima que nunca sairia. – Eu nunca pensei que seria assim. Encontrar Edward foi a coisa que eu mais quis na minha existência. – Disse rapidamente. – E encontrar ele foi à coisa mais dolorosa da minha vida.
- Querida... – disse Esme.
- Ela tem o coração dele, qualquer um pode perceber isso. – Disse.
- A história deles é bem longa. – Disse ela.
- Será mesmo?
- Eu vou te contar tudo. – Disse ela, pegando a minha mão.
Esme me contou completamente tudo.
E naquele momento, eu entendia completamente a )
, ela também tinha esperando por Edward por muito tempo, assim como eu.
Eu a entendia, mas nunca deixaria de lutar. Eu tinha que lutar por Edward, o meu amor por ele era tudo que tinha sobrado em mim.
Dias depois:
Edward estava me evitando há dias, ele simplesmente fingia que nada tinha para me dizer.
)
estava dormindo há dias, realmente ela estava cansada. Edward estava com ela o todo o momento, não a abandonava nem por um segundo.
Escutei a doce voz de Edward e em seguida, escutei a voz de )
. Pude escutar os passos dos dois andando pela casa, lentamente.
- Bree, vai ficar connosco. A partir de agora ela é uma Cullen. – Disse Edward soltando a mão da garota e nos deixando sozinhas.
)
fez uma careta levemente, pareceu nem perceber. Ela andou lentamente e se sentou no sofá, o mais longe de mim.
- Não me importa que você não goste de mim. – Disse rapidamente, em quanto ela se sentava. - Eu também não gosto de você. – Coloquei a minha cabeça mais para frente. - Não acredito que ele goste de você. – Olhei para a direção da cozinha. - Mas não por muito tempo.
A loba começou a tremer levemente, fechando os olhos. Ela parecia estar perdendo o controle, e isso me fez sorrir.
- )
, o que foi? – Disse a recém-criada. Ela realmente tinha ficado muito bonita, acho que todas eram.
)
se levantou e começou a conversar com a vampira, simplesmente não prestei atenção na conversa, nada me importava.
Edward entrou na sala rapidamente e eu me levantei. )
já estava acordada e não tinha como Edward escapar de falar comigo.
- Será que a gente pode conversar lá fora, Edward? – Perguntei.
Edward simplesmente assentiu e olhou para )
, provavelmente vendo a sua reação. A garota não olhou para Edward, agiu como se nada tivesse acontecido.
Edward me acompanhou até a floresta, e seus olhos estavam distantes.
- Sei que você está muito confusa e eu vou lhe contar tudo. – Ele disse. – Carlisle me transformou em vampiro, antes que a gripe me matasse. Quando eu fiquei sabendo que você estava muito doente por minha culpa, fui rapidamente até a sua casa e você já não estava mais lá. – Começou. - Eu te encontrei no hospital, faltavam poucos minutos para que a gripe te matasse, eu nem mesmo pensei. – Os seus olhos estavam em um passado distante. – Bree, não fui justo com você. A deixei pensar que eu tinha morrido, mas, acredite, seria melhor assim.
- Quando você foi embora, levou tudo com você. Eu não queria mais viver sem você. – Comecei.
- Eu não queria a ter feito sofrer desta maneira. Depois que eu te transformei, fui arrumar as coisas para lhe tirar do hospital e quando eu fui te pegar, você não estava mais lá. Eu li na mente de Christian, ele te pegou e mentiu para você.
- Sempre soube que ele mentia para mim. – Murmurei.
- A minha intenção era que você ficasse comigo, mas tudo mudou.
- Como assim? – Perguntei.
- Quando eu me transformei em vampiro me lembrei de muitas coisas. – Disse ele. – Quando eu ainda era humano, sonhava com uma índia que invadia os meus sonhos. E quando me transformei, descobri que eram memórias de outras vidas.
- Era por isso que você estava sempre distante?
- Sim, era. Eu sempre amei a )
, ela sempre será o meu único amor. – Eu tinha ido longe demais, agora sim eu estava completamente acabada.
Era como se Edward estivesse arrancando o meu coração com a mão, doeria menos se ele tirasse mesmo.
- Entendo... – eu estava completamente acabada, eu tinha esperado tanto tempo por nada.
- Não fique assim, por favor... – ele se aproximou de mim.
- Não tem como ser de outra maneira. – Terminei. – Eu realmente pensei que um dia ficaria com você, mas estava completamente enganada. Seu coração sempre foi de outra.
- Eu não queria que fosse assim...
- As coisas são o que são. Não podem mudar. – O impedi de falar. – Você deveria ter me deixado morrer, me deixado pensar que você tinha morrido. – Agora eu estava completamente desesperada. – Eu preferia que você tivesse morrido realmente. Ou melhor, que você tivesse me deixado morrer, porque a morte realmente seria melhor que isso.
- Não fale assim...
- Porque não? – Gritei. – Eu lutei tanto tempo, mais não adiantou em nada. Você sabe o quanto me fez sofrer? - perguntei. – Não é só porque você não quer ficar comigo, mas porque você me transformou em um mostro. Eu deixei a minha mãe morrer sozinha de tristeza. Ela se matou Edward... – disse coisas que estavam em meu peito há tanto tempo. – Minha mãe se matou e eu não pude impedir. – Cai no chão. – Eu tinha que ter impedido. – Disse para mim mesma. – Mas a única coisa que aliviava a minha dor era ter esse amor que estava presente em mim. Talvez eu não morresse e minha mãe também não. – Completei.
- Eu sinto tanto...
- Não sinta. – Me levantei. – Não quero a sua pena, Edward. – Olhei dentro de seus lindos olhos. – Seja muito feliz com o seu amor! – Gritei.
Eu não estava nada bem, eu estava ficando completamente louca. Não era realmente justo falar todas aquelas coisas, mas tudo era verdade. Virei-me rapidamente para Edward, eu tinha que perguntar somente uma coisa. – Se você nunca me amou, porque me transformou? Por quê?
- Eu…eu não sei. – Confessou.
- Eu também não. – Sussurrei. – Você realmente deveria ter me deixado morrer. – Aquilo era tudo.
- Espere. – Disse Edward pegando o meu braço.
- O que? – Olhei pra ele.
Edward me olhava com intensidade e, pela primeira vez, ele me beijou. Era um beijo cheio de culpa, mas tinha algo mais.
Edward me apertava contra o seu corpo e eu o apertei também. De repente, Edward tirou os lábios dos meus e olhos para o lado.
- )
... – Sussurrou ele.
Olhei rapidamente para o lado, )
estava completamente congelada, e olhando dentro de seus olhos, eu vi uma dor enorme. E por um momento, eu senti muita culpa.
- Desculpa interromper. – Disse ela rapidamente.
Sua voz estava abafada, era evidente que estava se esforçando muito para não chorar.
)
se virou e andou rapidamente para a floresta. Olhei para Edward, chocada, ele deveria realmente ir atrás de )
. Dei-me conta do meu pensamento.
“Em que lado você está Bree?” – perguntei para mim mesma. Mas eu estava realmente com muita pena de )
, eu sabia perfeitamente como era.
- Você não vai atrás dela? – Perguntei.
- Não, eu não vou. – Respondeu ele friamente.
Eu não estava reconhecendo Edward, ele mesmo tinha me dito que amava )
. Mas não tinha e não iria atrás dela, eu realmente estava muito confusa.
Capitulo 22: O motivo para não tê-la em meus braços – parte 1
Versão Edward:
Naquele beijo eu depositei a minha última esperança, mesmo não gostando nada do que senti quando os lábios de Bree tocaram os meus. Eu sabia que me arrependeria pelo resto da minha existência pelo que estava fazendo, mas eu tinha que deixar )
partir. Seria o melhor para ela, era isso que ainda me dava forças para continuar com aquele plano doloroso. Naquele momento, eu tive, pela primeira vez, vontade de vomitar. Usei todas as minhas forças para não deixar Bree ali, mesmo todos os meus músculos me implorando para parar com aquele ritual doloroso.
Naqueles lábios não havia a quentura que eu necessitava, não havia amor, não havia paixão e muito menos desejo. Mas eu não deixaria )
morrer por mim, novamente. Eu havia feito uma promessa e, por mais que fosse torturante, eu cumpriria.
Naquela dor eu encontrei forças para continuar com aquilo, ali eu encontrava um motivo para me torturar eternamente. )
era forte, era a pessoa mais forte que eu já conheci em minha existência, ela iria ficar bem. Eu sabia que ela me amava e eu a amava mais ainda, mas eu não cometeria os mesmos erros do passado. Deixá-la morrer por mim era egoísmo, mesmo eu sabendo que ela estaria disposta a chegar a esse ponto.
Eu também morreria por ela, seria a melhor forma de morrer, mas eu não a deixaria fazer isso por mim. Além do mais, ela encontraria alguém que poderia lhe dar tudo o que eu não podia, pretendentes que não faltavam. Alice me obrigará a acabar com essa loucura, mas ela sabia até mais que eu que tudo estava lutando para que eu não ficasse com a minha amada.
- Você não vai atrás dela? – a voz de Bree ecoou em minha mente, me fazendo olhá-la por alguns segundos.
- Não, eu não vou. – a minha voz saiu tão fria que até me assustou. Mas eu estava disposto a tudo para proteger a minha )
.
Os olhos de Bree ficaram por segundos confusos, vi em sua mente a pena que tanto me torturava. Apesar de tudo, Bree era uma boa pessoa, seria incapaz de fazer qualquer mal a um ser. Eu deveria deixá-la fora de tudo aquilo, mas eu já tinha ido longe demais, e ela seria muito útil para afastar )
de mim. A culpa me corroia por dentro, me torturando mais um pouco. Eu nunca deveria ter deixado Bree sozinha naquele hospital, a sua existência estava assim por mim. Eu queria fazê-la feliz, não como ela queria – claro. Mas eu queria amenizar a sua dor, porque era por minha culpa que ela estava onde estava.
- Eu acho que você deveria. – a voz de Bree era suplicante.
- Eu já disse que não vou. – a raiva estava óbvia em minha voz. Bree se encolheu como se tivesse medo de mim, e isso me machucou. – É melhor voltarmos para casa, Esme deve estar preocupada. - continuei.
Olhei por mais uns segundos para Bree, então comecei a andar pelo curto caminho até a grande casa branca.
- Por que você fez isso? – Alice se aproximou de mim. Eu nunca a tinha visto daquela maneira, ela estava desesperada.
- Não me encha! – ordenei, entrando na casa, indo para o meu quarto.
Deitei-me na cama, suspirando. Os meus olhos queimavam pelas lágrimas não caídas. Passei meus dedos sob o local que mais ardia, era como se o meu coração estivesse sendo arrancado com a mão de meu peito. Por um segundo, eu pensei em correr atrás de )
, implorando que ela me perdoasse. Mesmo querendo muito, eu não podia.
A última visão de Alice tinha sido nítida demais, era assustador lembrar.
Os olhos de )
se fechando lentamente, enquanto as chamas altas do fogo a tomavam. Suas suplicas pela morte, me torturando por não poder fazer mais nada. Aro sorrindo como se estivesse vendo fogos de artifício, os seus olhos brilhando pela vitória recém conquistada.
Se existia alguém nesse mundo que mais odiasse )
, esse era Aro. Ele sabia que não poderia lutar contra a loba que já tinha o matado uma vez, e por mais que quisesse esconder, ele tinha medo dela. Tudo estava acontecendo como ele tinha planejado, Aro estava escondido em algum lugar, esperando )
deixar de lutar, então, ele terminaria o que tinha começado há um século e meio atrás. Ele queria torturá-la assim como ela o fez antes, não fisicamente, claro. Quando eu conheci Yonah, estava implorando pela morte, estava fugindo do meu criador louco. Mas por mais que eu me escondesse de Aro, ele me encontrou. Assim como aconteceu comigo, Aro se apaixonou por Yonah. Mas não era amor que ele sentia por ela, era obsessão. Mas era simplesmente impossível não se apaixonar por ela, tudo nela era raro. Sua bondade, seu sorriso que iluminava o mundo, seu olhos cheios de compaixão. Por mais que ela fosse uma alfa forte, ela ainda respeitava a vida. Ela sabia que não tínhamos culpa por ser assim, e quem escolhia o lado bom, ela os deixava partir. Ela acreditava que ainda existia um lado bom em nós. Aro ficou encantado com Yonah, e estava disposto a conquistá-la.
Mas ele começou a perceber que tinha muito mais que amizade entre nós, e então, ele decidiu me matar para não perdê-la.
Ele estava louco pelo ciúme, tudo o que ele queria no mundo era ela e estava disposto a tudo para tê-la.
Yonah e eu estávamos sentados em uma clareira, conversando sobre o verdadeiro amor.
Fechei meus olhos, vendo a cena se passar novamente em minha mente.
O seu rosto calmo sorrindo para mim, como se eu fosse o único em sua vida.
- Yonah, não sei como lhe dizer... – tremi, fechando os meus olhos.
- Apenas diga, você sabe que pode me dizer qualquer coisa. – a confiança e o conforto estavam em sua voz doce, me acalmando. – Eu sempre vou estar aqui com você, Heath. – então, eu senti suas mãos em meu rosto, sua respiração quente tão próxima, me fazendo querer beijá-la.
Como eu diria a ela que a amava e precisava dela assim como os humanos precisavam de ar? Como?
- Heath? – perguntou ela, me fazendo abrir os olhos. O seu sorriso me deixava mais seguro, era incrível o quando eu a amava, não existiam palavras para explicar. – Não se preocupe com nada, eu sempre estarei com você, meu amor. – então ela me abraçou, provando que sentia o mesmo por mim, me fazendo feliz por tê-la apenas para mim.
Passei meus dedos entre seus cabelos longos, os acariciando.
- Eu te amo Yonah. – minha voz saiu tão baixa, nem mesmo eu podia ouvi-la. – Preciso de você assim como os humanos precisam de ar para sobreviver. Você é a coisa mais importante da minha vida.
Yonah tirou o seu rosto do meu peito, me olhando como se o sol estivesse bem ali, em sua frente.
- Eu também te amo Heath. Não posso viver sem você. – aquelas palavras me fizeram perder a cabeça e beijá-la.
- Heath eu te mato! – a voz de Aro atravessou a floresta, nos atingindo rapidamente.
Sua mente era apenas escuridão, e eu sabia que o ciúme tinha o tomado completamente.
Yonah paralisou, olhando com calma em cada detalhe da floresta. Não existia ninguém melhor em uma luta que ela. Todos os seus sentidos estavam em alerta, fitando a floresta. Eu ainda era um recém-criado e nunca tinha lutado com um vampiro, ainda mais um como Aro, tão experiente.
Todos os músculos de Yonah estavam tremendo, sua mente se desligava aos poucos.
Ela respirou profundamente, se levantando com cuidado, no mesmo momento que Aro apareceu em nossa frente.
Na mente de Yonah era só tristeza, apesar de tudo, ela gostava de Aro, ele tinha sido um ótimo amigo. Ela se culparia para sempre se o ferisse. Mas ela já estava decidida, não deixaria ninguém me matar.
“Quando ela começou a me amar?” – perguntei a mim mesmo.
O sentimento dela por mim era tão forte quando o meu por ela, e eu nunca tinha percebido isso. Mas era tão difícil ler a sua mente, até mais que os outros lobos.
Eu queria poupá-la do arrependimento futuro, mas eu nunca tinha lutado com alguém e acabaria perdendo. Yonah sabia disso, ela mesma já tinha me dito que eu era tão parecido com um humano.
Mas por trás da fortaleza que era Yonah, ainda existia uma pessoa frágil e que se culparia para sempre.
- Por que ele, Yonah? – a voz de Aro era como espinhos, ele estava desesperado. Os olhos vermelhos de Aro pararam em mim, era tão horrível ver o quando ele me odiava. – Ele nunca será bom o bastante para você.
Era como se Yonah tivesse levado um tapa em seu rosto, os seus olhos estavam tão raivosos.
- Quem é você para dizer isso? – quando ela falou, era apenas um sussurrou, mas a sua voz tinha um poder grandioso. – Por favor, Aro, não me obrigue a perder o controle com você. – então uma lágrima rolou sobre o seu rosto de anjo. Quando Yonah começava uma luta, era como se ela fosse outra pessoa, sua mente desligava-se.
- Não vou deixá-la ficar com ele! – ele gritou. – Sou capaz de tudo para fazê-la minha.
- Nunca serei sua. – ela respondeu, olhando para mim por apenas um segundo.
- Se não é minha, não vai ser de mais de ninguém. – Aro estava pensando em matá-la e isso me provocou uma reação inesperada.
Com apenas um movimento, em pulei nele, o socando. Nunca o deixaria fazer o que estava pensado, nem mesmo que eu tivesse que morrer tentando.
Um lobo uivou no mesmo instante, nos fazendo paralisar e olhar a enorme loba branca. Yonah ainda tremia, fazendo seus pelos balançarem. Era como se ela tivesse se controlando mundo para não atacar, eu não podia ler sua mente, era impossível quando ela estava transformada.
Eu estava tão concentrado em ler sua mente, que não percebi quando Aro começou a me atacar, tudo foi tão rápido, que nem mesmo os meus olhos puderam ver quando Yonah impediu Aro de tirar a minha cabeça do lugar, tirando seu braço fora.
Ela uivou quando fez esse movimento, era como se gritasse para que eu tomasse cuidado. Foi tudo tão rápido e, então, a luta terminou e Aro estava morto.
Voltei lentamente para o presente, olhando para o meu quarto. As lembranças eram tão claras, como se eu tivesse as vivendo novamente.
- Você não pode deixá-la sozinha. – disse Alice, entrando no quarto. – Se Aro ver que ela está sozinha, será o fim, Edward. – ela estava tão preocupada, seus músculos estavam como se estivesse sobre o fogo. – Sei que você está disposto a continuar com isso. – ela se sentou na minha cama, bem ao meu lado. – Mas talvez não dê certo. – ela vasculhava o futuro, rapidamente. – Aro quer vingança e não vai descansar até tê-la. Ele não vai ousar atacar abertamente, ele ainda tem medo de )
, mas ele tem Jane e Alec ao seu lado. Não é como antes, ele não está mais sozinho.
- Talvez se ele perceber que eu e )
não estamos mais juntos, ele desista dessa vingança. – argumente, me sentando.
- Eu não acho isso. – ela franziu o cenho, colocando sua mão na cabeça. – Não importa como, ele quer lê-la sofrer. Você sabe muito bem que ele já esta planejando essa vingança há muito tempo, não tem erros. – ela se levantou atordoada. Alice amava )
, ela queria proteger a sua irmã mais nova com todas as forças, mas não via como. – É tudo tão escuro, eu não vejo nada. – Alice deixou os seus joelhos cederem, caindo no chão.
Levantei-me rapidamente, tomando Alice em meus braços, tentando aliviar a sua dor.
- Vamos dar um jeito, Alice. – sussurrei rapidamente, passando minha mão em seu rosto.
- Como? – os seus soluços estavam mais altos, sua dor era uma tortura para mim, que se misturava a minha. – Eu a vi morrer quatro vezes, e todas são tão dolorosas. – ela enterrou seu rosto em meu peito. – Todas são lentamente... – disse ela por fim.
- Você sabe que eu não vou deixá-lo tocar nela. – minha voz estava tão rouca, afinal, eu também estava chorando. – Você sabe que eu vou fazer tudo que estiver ao meu alcance e até mais. – Alice olhou para mim, seus olhos estavam sem vida alguma, eles estavam mergulhados na tristeza profunda do seu coração. Mergulhado no passado distante, onde ela tinha criado Yonah como se fosse sua própria filha.
- Eu não quero ver a minha irmã morrer, novamente. – ela suplicou. – Você tem que ficar perto dela. Nem mesmo os lobos podem impedir Aro.
- É isso que eu estou fazendo. – disse. – Mas eu ainda acho que ficar longe será a melhor solução.
Continua...
Capitulo 22: O motivo para não tê-la em meus braços – parte 2
Continuação
Alice afundou novamente seu rosto de fada em meu colo. Sempre fomos muito ligados, mas agora a distância entre a gente tinha ficado como um abismo escuro. Ela queria proteger )
acima de tudo, assim como eu, mas ela ficava descontrolada quando cogitava a possibilidade de )
sair ferida. Eu queria proteger a razão da minha existência, mas talvez fosse melhor ficar distante, Aro a queria e era por minha culpa. Ser forte, ou tentar, era a única coisa que eu podia fazer. Eu não podia simplesmente levar )
para algum lugar e esperar que tudo ficasse bem.
O sentimento de ódio não me abandonava, aquele sentimento me tomava e me fazia dele completamente.
)
era forte, e por mais que eu odiasse admitir, ela tinha os lobos ao seu lado, tinha Jacob...
Se eu não estivesse nessa situação, nunca largaria mão da única razão da minha vida, nunca a daria de mãos beijadas para outro.
Jacob amava )
, todos podiam ver isso. Ele sempre amou )
, mesmo lutando contra isso, ela era como um anjo em sua vida. Ela sempre esteve ao seu lado, e isso só o fez a amar mais.
Mas ele também amava Bella, não era nem comparado ao amor dele pela )
, mas ele a amava.
- Edward? – Alice sussurrou, tirando o seu rosto do meu colo.
- Sim? – olhei para ela.
Fui completamente arrastado para os pensamentos de Alice.
)
estava sorrindo, seus cabelos voavam em direção ao vendo. Tinha mais alguém com ela ali, mas eu não podia ver que era.
- Você me ama? – perguntou a voz rouca, mas eu não conhecia essa voz.
)
ficou séria, seus olhos estavam apavorados, como se lutassem para permanecer firmes.
- Você sabe que eu gosto de você... – quando ela disse isso, eu vi o rosto do rapaz. Ele era forte, seus cabelos eram castanhos escuros. – Mas eu não posso te enganar, meu coração está fechado, eu nunca amarei ninguém, novamente. – algo na voz de )
me fez tremer, ela estava tão fria, vazia. Não tinha nada que me fosse familiar, era como se fosse outra pessoa.
- Ele te fez sofrer muito. – a voz do rapaz era como se ele suplicasse. – Eu entendo...
- Ele não importa agora. – )
olhou para outra direção, desviando os seus olhos vazios. – Ele era um monstro e eu não sabia. Não importa o passado agora, ele morreu e me levou junto.
- Mas você está viva...
- Não, não estou. Quando o meu coração foi quebrado, algo dentro de mim morreu. – )
olhou novamente para o rapaz. – Eu não sou mais a mesma de antes, não sou mais aquela que acreditava no amor acima de tudo. O amor não existe, ele te machuca e depois lhe deixa sozinha, acabando com tudo o que tinha de bom dentro de você. Ele destrói tudo, deixando apenas escuridão, deixando apenas o vazio.
- Eu não quero que você se sinta assim. – o rapaz passou seus braços em torno de )
, tentando a proteger, a mesma se encolheu como se aquele toque fosse doloroso.
- Não importa o que eu sinto agora. O que realmente importa é tentar salvar as pessoas que estão desaparecidas.
- Você não pode salvar todos, )
. – o rapaz se afastou, olhando para os olhos de )
.
- Eu não tenho nada a perder, a única coisa que me sobrou foi isso. – ela apontou para o colar em seu pescoço. – Pelo menos, vou salvar alguém, já que não pude salvar a mim mesma.
Versão )
Lágrimas escoriam pelo meu rosto, as limpei rapidamente, tentando não chorar, novamente.
Os meus sentimentos estavam me matando, o que não era uma coisa difícil. Mas agora, hoje, eu chorava por uma coisa maior, muito maior.
Eu chorava pela perda, pelo meu coração, pela minha alma. Eu já não podia sentir a minha alma, simplesmente não estava presente em mim.
Edward já não estava mais presente, e com ele, a minha alma também se fora. Ele levou tudo, não me restou nada...
Sobreviver era a coisa mais difícil, a mais difícil entre as outras coisas. Eu já tinha me decidido, não iria interferir na vida de Edward, não importava o quanto era doloroso pra mim, não importava o quando eu estava sofrendo. Ele tinha que ser feliz com a pessoa que podia oferecer coisas que eu não podia. Bree podia oferecer a ele muitas coisas, isso eu não podia negar. Eu estava tentando não pensar nas horas anteriores, não pensar em como Edward parecia gostar de Bree.
Dormir era uma sorte que eu não tinha. Os meus olhos já estavam cansados, mas quando eu os fechava, Edward reaparecia e me assombrava, novamente.
Eu queria dormir, talvez assim, a minha dor diminuiria. Esquecer seria o melhor, mas eu não tinha esse privilégio.
O grito ainda estava amarrado a minha garganta, me fazendo ofegar.
Fechei os meus olhos, tentando ignorar a dor, sem sucesso.
- Você não vai tomar café? – perguntou-me meu pai, entrando no meu quarto, se sentando ao meu lado na cama. Ele me olhava como se eu posse uma pequena menina indefesa, novamente.
- Não. – respondi, sorrindo. – Eu tenho que fazer algumas coisas, ainda não falei com os lobos.
- Entendo. – ele assentiu, passando a mão em meu rosto. – Mas você parece cansada, filha. Está com umas olheiras enormes, acho que os meninos não vão se importa se você ficar em casa.
- Tudo bem, pai. – me levantei, eu tinha que sair dali. – Eu estou me sentindo ótima, e acho que ficar com os meninos será muito bom.
- Como preferir. – ele sussurrou, levantando as mãos em sinal de rendição. – Apenas tente não passar muito tempo com aqueles garotos. – ele fez uma careta, mostrando estar apavorado. – Dizem que eles são de uma gangue... – ele sussurrou, como se fosse um segredo.
- Não deixa a minha mãe enfiar minhocas na sua cabeça. – era muito difícil a chamar de mãe, já que ela nunca tinha sido uma pra mim, realmente.
- Ela se preocupa com você. – ele se levantou, defendendo aquela pessoa. – Ela está simplesmente apavorada, você não quer falar com ela, age como se ela simplesmente não existisse, como se não fosse a sua mãe.
- Eu só não quero ficar perto dela, e muito menos das pessoas que estão ao seu redor.
- Você não era assim, filha. Eu não estou te reconhecendo, e nem mesmo Eric.
- Pai, eu não quero falar sobre isso. – me aproximei, eu tinha que tentar não ficar brava com meu pai, ele era inocente, não sabia de nada.– Eu sei que estou sendo uma péssima filha, nunca estou em casa e sempre estou calada.
- Você é ótima. – ele se aproximou de mim, passando os seus braços a minha volta. – Mas acho que você não está sendo justa com a sua mãe, ela se preocupa com você. Sei que Helena não é a melhor mãe do mundo, mas ela está passando por coisas muito difíceis e você tem que procurar entendê-la.
- Claro que ela está. – disse ironicamente, revirando os olhos. – Mas acho que ela realmente não precisa de mim. – meu pai ficava triste por minha mãe, afinal ele ainda a amava muito, mesmo tentando esconder isso. – Vou tentar, prometo. – o sorriso de meu pai finalmente apareceu em eu rosto, me deixando um pouco mais feliz. Ele era uma das poucas pessoas que era realmente importante para mim, ele era o melhor pai que podia existir.
Sai dos braços de meu pai, tentando não chorar. Eu estava realmente tentando não parecer triste, mas eu precisava de um ombro amigo. A solidão e a dor estava me deixando ainda mais apavorada, eu não sabia o que iria fazer, mas sem Edward eu estava perdida, e não sabia a qual direção ir. Às vezes o vazio me tomava, era o pior sentimento que já existiu. O vazio me apavorava, eu nunca fui uma pessoa vazia. Eu não estava me reconhecendo mais.
- Tenha cuidado na floresta. – alertei.
- Eu sempre tenho. – ele disse sorrindo.
Andei pela casa rapidamente, a noite anterior ainda estava alojada em meu peito. Ver Edward beijando Bree estava me corroendo.
Parecer fria e forte era a única coisa que eu podia fazer, mesmo não estando realmente. Era uma maneira de provar que eu estava bem, eu não queria que Edward se preocupasse comigo, não queria que ele deixasse de viver a sua vida por mim. Mas eu estava machucada, estava me sentindo sozinha, e mesmo tentando muito, estava vegetando.
Peguei a minha bolsa e sai da casa. Um frio percorreu a minha espinha, aquele sentimento me congelou.
Era como se eu tivesse sendo observada de perto. O perigo estava evidente no ar, olhei para os lados, não tinha ninguém na rua.
- Não tem nada de errado. – tentei me convencer, voltando a andar.
“Você ainda continua sendo a mais linda.” – uma voz me atingiu, me fazendo olhar para trás, por alguns instantes eu podia jurar que tinha visto alguém atrás de mim. Era um rosto retorcido, eu nem mesmo podia identificá-lo.
“Eu ainda te quero com a mesma intensidade” – a voz ecoou novamente, me fazendo caiu no chão, eu me sentia tão sozinha e desprotegida.
Em toda a minha vida, eu nunca tinha sentindo aquele sentimento, era como se eu estivesse na escuridão da minha alma, como se ali fosse o fim.
Mesmo eu sendo uma loba, eu ainda achava que não podia vencer aquilo. Eu não podia vencer o que fosse.
O frio percorreu novamente o meu corpo, eu me encolhi no chão. Por fração de segundos, eu senti uma mão tocar o meu rosto, passando os dedos gelados por todo o comprimento.
Eu precisava lutar contra aqui, mesmo tendo certeza que eu nunca venceria. O que fosse aquilo, estava me matando aos poucos. Deixei a minha cabeça cair no chão, a fazendo sangrar por alguns segundos, antes do ferimento desaparecer.
“Você fica fraca quando está triste” - sussurrou a voz no meu ouvido, fazendo o frio aumentar.
“Você não pode lutar contra mim, querida”.
- Eu sei que não. – sussurrei em resposta.
Fechei os meus olhos, me deixando tomar pela dor e o medo. Minha mente estava se desligando rapidamente, me tirando dali.
Versão terceira pessoa
Aro sorriu amargamente quando viu a escuridão tomar o corpo de )
. Ela não podia lutar e nem se esconder.
Ela estava fraca demais para ao menos tentar lutar, ela simplesmente se rendia ao lado negro.
Aro estava feliz por tudo estar saindo como ele planejou. Se )
estivesse sozinha, ela estaria indefesa. Afinal, mesmo ela sendo a reencarnação de Yonah, ainda era apenas uma adolescente, não sabia lutar contra um mal daquele nível.
Apesar de tudo, Aro ainda amava aquela criança indefesa, mesmo lutando muito contra aquele sentimento idiota.
Mas o sentimento de rejeição ainda era maior que o amor, ele queria vê-la sofrer, queria ver a sua alma se romper, não estava longe disso.
)
estava sendo manipulada por Aro, ele ainda tinha o poder do colar dos sentimentos, ele podia a fazer se sentir sozinha e vazia.
Pelo menos, ela não estava sentindo a sua dor realmente, ela apenas estava sentindo a escuridão e o vazio.
- Mestre, você acha que será fácil vencê-la? – perguntou Jane, aparecendo de repente.
- Será como planejamos querida. – ele se virou respondendo. – Ela vai se sentir cada vez mais sozinha e quando finalmente não restar nenhum sentimento bom nela, eu a levarei para o castelo.
- Você acha mesmo que Edward continuará longe? – perguntou a criatura de manto negro, se abaixando e passando a mão no rosto angelical de )
.
- Claramente, querida. – Aro colocou a mão no ombro de Jane, ele não queria que ninguém tocasse em )
, ele ainda a queria só para ele. – Eu quero que Yonah desperte, quero que ela veja por quem se apaixonou. – os olhos de Aro brilharam pela possibilidade de ficar com Yonah. – Eu vou fazê-la odiar Edward, e ele só está me ajudando cada vez mais. Ele não pode lutar contra mim, nunca pode. E agora, ele está fazendo tudo o que eu quero que faça, ele vai deixar )
cada vez mais desprotegida.
Com um movimento rápido, Aro desapareceu, deixando )
e Jane para trás. Depois de alguns segundos, Jane também desapareceu.
Versão Jacob
Eu sabia que uma coisa muito ruim estava prestes a acontecer. Continuei andando em direção a casa de )
, mesmo que ela me pedisse para deixá-la, eu nunca a deixaria realmente. Eu sabia que tinha sido um idiota no passado, a fazendo sofrer e a afastando cada vez mais de mim. Ela tinha tido uma impressão com aquele vampiro topetudo, mas eu ainda continuaria lutando por ela.
Fazer Bella sofrer era a pior coisa, mas eu não podia simplesmente fingir que estava feliz, porque não estava.
Bella era uma pessoa querida pra mim, mas não era amor o que eu sentia por ela e todos sabiam disso, até a mesma.
Um cheio de sangue me atingiu, me fazendo correr em direção ao local. Logo vi uma figura no chão, não demorou muito para que eu reconhecesse quem era.
Corri ainda mais, ficando apavorado. )
estava simplesmente horrível, tinha um ferimento em sua cabeça, mas não era isso que me assombrou. Sua pele estava totalmente pálida, era como se estivesse morta.
Cheguei até ela, passando meus braços ao seu redor, tentando ao máximo não machucá-la. Ao tocar sua pele, todo o meu corpo se encolheu, ela estava tão fria.
- Estou sozinha. – )
sussurrou, as lágrimas rolaram pelo seu rosto, mas ela ainda continuava desacordada. – Ele não está mais aqui para me proteger.
- Eu estou aqui, eu não vou deixar nada te fazer mal. – sussurrei, tentando, inutilmente, acordá-la.
- Estou sozinha... Estou sozinha. – ela continuou a sussurrar.
Coloquei )
em meu braço, me levantando rapidamente.
- Não me deixe Edward... – quando aquelas palavras foram ditas, era como se uma faca tivesse me ferido. Olhei para )
, ela ainda chorava.
- Está tudo bem, )
. – sussurrei, lutando contra as malditas lágrimas que invadiram os meus olhos. Eu sabia que ela amava mais que tudo aquele vampiro idiota, mas aquilo ainda não deixava de ser doloroso.
Andei rapidamente em direção a casa, entrando com toda velocidade dentro dela. A casa estava totalmente vazia, apenas os sussurros de )
que tinham vida ali.
Levei )
para o seu quarto, a colocando na cama com delicadeza, abri o armário e peguei uma coberta, a colocando ao redor de )
.
- Sozinha... – ela sussurrou novamente. – Não posso lutar contra a escuridão da minha alma.
- Você nunca estará sozinha )
. – peguei a sua mão fria. – Eu sempre estarei ao seu lado, mesmo que você nunca me queira por perto.
A cada segundo, )
ficava mais fria, me deixando apavorado. Eu não sabia o que fazer, me levantei da cama rapidamente, olhando para o rosto de )
.
- Você precisa de um medico. – sussurrei. – Mesmo que eu tenha que implorar para aquele doutor, eu vou trazê-lo aqui. - prometi.
Capitulo 23: O fim de um pequeno romance
Versão )
:
Eu já não sabia o que era real ou o que era fruto da minha maluca imaginação. Todos os meus músculos gritavam para que aquela tortura passasse. Para que aquela dor que vinha bem do fundo da minha alma, finalmente acabasse. Por alguns segundos, eu pude ver dois pares de olhos dourados me encarando, mas eu sabia que deveria estar imaginando. Edward não estava mais comigo, nunca mais estaria.
Eu sabia que aquela tortura estava longe de acabar, sabia que aquilo nunca mais terminaria. Aquilo continuaria me arrastando para algum lugar dentro de mim, um lugar que não era nada bonito.
Eu podia sentir a minha alma se separando do meu corpo, sendo arrastada para escuridão.
Eu estava com tanto medo, nem mesmo o fogo me fazia sentir assim. Quando eu estava sendo queimada vida, sabia que iria morrer, seria doloroso, mais eu ainda me sentia em paz, eu sabia que não estava sozinha.
Mais agora, eu tinha completamente certeza que estava sozinha, mesmo tentando me convencer que existia alguém, em algum lugar, que lutasse por mim.
- Você vai ficar bem. Prometo. – escutei uma voz doce, bem próxima do meu ouvido.
- Ela ficará bem, Edward? – uma voz fina chegou até mim.
- Sinceramente, eu não sei. – a voz ficou mais fraca.
O frio percorreu o meu corpo novamente, me fazendo gemer alto.
- Você não pode deixar a sua alma se despedaçar, )
. – a voz ficou mais próxima, era como se estivesse bem ao meu lado. Um frio percorreu o meu rosto, senti dedos tocarem a minha boca, lentamente. – Você não pode partir. – suplicou. – Você sempre foi tão forte. Não pode simplesmente me deixar...
Como se fosse um choque elétrico, minha mente começou a voltar aos poucos, me fazendo lembrar da voz de Edward.
- Seja forte! – suplicou novamente.
Era tão doloroso ver a tristeza em sua voz. Eu queria abrir os meus olhos, dizendo que estava bem. Mas o meu corpo simplesmente não respondia aos meus desejos, era como se eu tentasse mover uma rocha pesada com apenas um dedo.
- Você realmente vai embora? – escutei a voz de Jacob ao longe. – Você sabe que isso vai a fazer sofrer ainda mais. – ele quase gritou, pude escutar a sua garganta rugir pelo esforço. –
Você não pode simplesmente partir, a deixando aqui. Ela ama você, sei que isso é doloroso admitir, mais você é o único pra ela.
- Acredite em mim, ela ficará melhor sem mim. – Edward respondeu. – Hoje só foi uma confirmação disso.
- Você vai simplesmente fugir? – escutei os passos pesados de Jacob se aproximando, enquanto falava. – A deixe escolher! Você não pode fugir só porque acha que ela vai estar em perigo com você aqui. Se esse vampiro está atrás dela, fique e a proteja!
Eu podia escutar as palavras perfeitamente, mais não podia entender. Minha mente estava uma confusão, a única coisa que eu podia perceber era de quem eram as vozes.
Escutei passos leves se aproximando, vindo em minha direção.
- Edward, a mente dela está voltando. – disse Alice, próxima de meu ouvido. – Por favor, seja rápido. – a tristeza era óbvia na voz de Alice.
O silêncio se alastrou pelo local, mas eu ainda podia escutar uma respiração calma, bem próxima.
O meu corpo começou a se esquentar, levando com o frio, a escuridão da minha alma. Tudo começou a ficar mais claro, me fazendo respirar profundamente. Um aparelho irritante começou a apitar, me fazendo virar a minha cabeça para a direção de onde vinha o barulho. O barulho ecoava em meus ouvidos, me fazendo feliz por um lado.
Meus sentidos estavam voltando, e com ele, a minha insanidade mental. Pude sentir que algo prendia a minha mão com força, trazendo-me certo desconforto. O meu braço direito estava envolvido por algo resistente e muito frio, me fazendo estremecer, com medo que aquela escuridão voltasse a me assombrar.
Forcei o meu corpo a se mover, tentando ficar sentada, mas duas mãos fortes seguraram meus ombros, me impedindo de concluir a ação.
- Você não pode se mover assim, tão rápido. – disse Edward, me fazendo sentir o seu hálito gelado em minha pele.
Abri meus olhos lentamente, sentindo a dor aguda, que me atingia pelo esforço. Olhei meio confusa o local onde me encontrava, era tudo tão claro, que não pude ver as coisas nitidamente.
- Acho que vou deixá-la descansar um pouco. – Edward se virou, se levantando. Forcei a minha mão a se mover, tocando o seu antebraço com delicadeza, lentamente.
Edward virou o seu rosto para mim, imediatamente. O seu rosto estava diferente, não havia mais aquele brilho que me aquecia, nem a calma que me reconfortava. Seus olhos estavam apagados, suas sobrancelhas estavam justas, seus lábios estavam reprimidos com força. Depois de alguns segundos, Edward se móvel lentamente, votando a se sentar ao meu lado.
- )
, esta não é a melhor hora para a gente ter essa conversa. – ele sussurrou.
Meus pensamentos ficaram confusos, e então, eu me lembrei um pouco da conversa que ele teve com Jacob. A única coisa que eu conseguia me lembrar era que ele dizia que ia embora. As lágrimas invadiram meus olhos, e a cada segundo passado, o choro ficava mais forte, me fazendo reprimi-lo em minha garganta, a fazendo arder. Fechei as minhas mãos, cravando as unhas finas em minha pele, a forçando ceder. Por algum motivo, eu pensei que ter uma dor física, aliviarianaquela dor que me invadia brutalmente emocionalmente.
Senti o liquido quente escorrer sob meu pulso, fazendo Edward olhar assustado para o local.
- )
... – ele sussurrou, segurando a minha mão. Havia dor em sua voz, mais eu estava assombrada demais para me permitir fazer alguma coisa em relação aquilo.
- Tudo bem, Edward. – minha voz era como espinhos, perfurando a minha garganta quando as pronunciei.
- Não quero que você sofra... – ele disse, suspirando.
- Não se importe comigo. – choraminguei, fechando os olhos. Eu tinha que aliviar a culpa dele, mesmo isso me machucando ainda mais.
- Eu estou indo embora com Bree... – ele disse rápido demais, me atingindo rápido demais.
- Claro que vai. – tentei me convencer a não chorar em sua frente. Por mais que eu quisesse ficar com ele, por mais que eu precisasse de seu amor, o desejo que ele fosse feliz, ainda estava ali, me fazendo mais forte, aparentemente. Suspirei abrindos os olhos, Edward estava tão tristeza.Forcei os meus lábios a sorrirem, o reconfortando. – Não se preocupe comigo. – minha voz era tão baixa e fraca, mais se eu tentasse falar mais alto, acabaria desmoronando. – Eu te desejo tudo de bom, Edward. Sei que você será muito feliz com Bree. – o choro ficou evidente em minha voz, a embaralhando. Eu queria gritar e implorar que ele não me deixasse, mais eu não faria isso, ele era importante demais para mim, nunca o deixaria ficar comigo por egoísmo. Passei minha mão em seu rosto com carinho, acariciando sua pele com meus dedos, o mesmo fechou os olhos, suspirando. – Edward, eu quero que você me prometa uma coisa.
Ele abriu os olhos, colocando sua mão em cima da minha, a acariciando com as pontas dos dedos.
- O que quiser... – sussurrou, fechando os olhos, novamente.
- Que você vai ser plenamente feliz... – sussurrei, eu precisava ter certeza que ele ficaria bem, que seria feliz.
Edward abriu os olhos, me fitando intensamente. Ele colocou sua mão em meu rosto, calmamente, e passou os seus dedos sobre o local.
- Vou fazer o que estiver ao meu alcance... – sussurrou. Depois sua expressão ficou mais fria, dura. – Tenho certeza que serei. Eu amo a Bree com todo o meu coração.
Forcei o meu sorriso a continuar, mesmo tendo vontade de gritar como uma criança.
- Isso é o que importa. – sussurrei para mim mesma.
- Vamos partir daqui a alguns minutos. Eu só queria ter certeza que você ficaria bem...
- Como eu disse: não se preocupe. – o encorajei.
Desviei os meus olhos dos de Edward por alguns segundos, tomando coragem para dizer adeus. O meu coração estava indo com ele, mesmo ele não o querendo. Eu sempre amaria Edward.
- Acho que ela deve estar te esperando. – o alertei. – Melhor você ir...
- Verdade. – ele se levantou. – Virei te visitar algum dia.
- Claro. – balancei a cabeça, tranquilamente.
Edward se aproximou, e colocou seus lábios no alto da minha cabeça, depositando um beijo carinhoso.
- Se cuida. – ele sussurrou, ainda com os seus lábios em minha testa.
- Pode deixar. – disse rapidamente.
Edward se afastou lentamente, ainda olhando para mim. Seus olhos ainda continuavam tristes, mais eu sabia que ele iria ser plenamente feliz, então estava tudo bem.
Então, Edward saiu do quarto, fechando a porta atrás de si.
Cinco semanas depois...
Hoje estou triste, muito triste. Tão triste que não consigo descrever essa tristeza nem com palavras, mas se alguém olhar em meus olhos, veras a marca da tristeza e da solidão que me invade. Essa tristeza que vem de dentro e que me deixa calada, e sem forças para esquecer Edward. Mais aquele amor tinha muita força sobre mim, essa força tomou meu coração e transbordou a minha alma, e quando ele se foi, fiquei sem rumo...
Uma dor possuiu o lugar onde ele deixou, que dói muito sem doer, mas aos poucos me sufoca.
A cada instante que lembro de Edward, dos seus doces e belos lábios, a cada segundo que me lembro do seu doce perfume e de sua voz doce invadindo meu ouvido e penetrando em meus pensamentos até chegar a meu coração, cada vez que lembro da sua pele macia e perfumada como rosa, tocando minha pele, meu olhos se enchem de lágrimas.
È triste, desafiador, viver essa dor de não ter ele aqui. Ao mesmo tempo, me sinto forte por resistir. Resisto à saudade, aos sonhos que tenho em que Edward é sempre o herói. Resisto a mim mesma e ao meu coração que luta por manter vivo em mim. Cada vez que lembro do seu olhar, do seu sorriso, sinto a necessidade de estar com ele. Sentir-te comigo por apenas um instante novamente, guardando esse momento em minha alma eternamente.
Eu não sei como preencher o vazio da minha alma sem a dele. Os pensamentos embaralham na minha cabeça como um redemoinho.
Mais eu ainda estou tentando viver, ainda continuo visitando os Cullen, mesmo isso me ferindo ainda mais.
Olhei para o relógio em cima da pequena mesa do meu quarto, ele ainda dizia que era duas horas da manha.
Sentei-me na cama, ainda observando o relógio. Eu queria que o tempo passasse rapidamente, eu queria que aquela tortura acabasse.
Ficar sozinha tornava as coisas ainda piores. Tudo em que minha mente pensava era: como a falta de Edward me sufocava e de como eu tinha me transformado em uma pessoa deprimida e solitária.
Comecei a balançar seus pés impacientemente, desejando com todas as minhas forças que amanhecesse logo.
Levantei-me, andando pelo meu quarto, de um lado para o outro. Tudo o que eu mais queria era não ter tempo para pensar, assim eu podia enganar um pouco a minha dor.
O meu celular começou a tocar desesperadamente, me fazendo pular quando escutei o barulho.
Andei até a minha cama e peguei o meu celular, o atendendo.
- )
eu preciso de você... – escutei a voz fraca de Bella. – Você tem que me ajudar! – ela choramingou.
- O que está acontecendo Bella?
- Eu cai e bati a minha barriga. – ela começou a chorar. –Você tem que me ajudar! Nada de ruim pode acontecer com o meu bebê...
- Calma. – tentei acalmá-la. – Eu já estou indo até ai. – desliguei o telefone.
Capitulo 24: Sonhos
Sinto que estou despedaçando,
Olhando de perto a escuridão que me invade.
Me sentindo abandonada, como nunca jamais senti.
A escuridão voltou a me assombrar, mas desta vez,
É realmente assombrador, como se eu fosse morrer e nunca mais retornar.
Preciso de você aqui, trazendo a luz contigo, novamente.
Me tirando desse vazio, finalmente me libertando.
Tirando essa frieza que está alojada em meu coração, me fazendo voltar a ser a mesma de antes.
Nunca em minha curta vida eu tinha sentido o que estava sentindo nesse momento.
Eu podia sentir o misto dos sentimentos desesperadores em minhas veias, se espalhando rapidamente por todo o meu corpo.
A voz de Bella implorando por ajuda ecoava em meus pesamentos, repetidamente. Trazendo aquele sentimento que já era tão conhecido para mim. Desespero.
Este tão conhecido sentimento se espanhava em mim, torturando-me.
Era como se eu estivesse em um filme de terror, onde eu tentava – inutilmente – lutar contra um mostro cruel. Só que desta vez, o mostro não era apenas fruto da minha imaginação.
Naquele momento, eu me sentia mais humana do que nunca. Mesmo que eu usasse todas as minhas forças, meus pés nunca se moviam rápido o suficiente.
A escuridão naquele momento nunca esteve mais forte, me fazendo parar algumas vezes para poder me recuperar da dor aguda que estava alojada em meu peito.
Eu podia senti-la ali – em qualquer lugar obscuro da minha alma – corrompendo o pouco de luz que ainda me restava.
Eu realmente estava tentando ser forte, lutando para fingir que estava completamente curada da ausencia de Edward. A cada segundo que se passava sem ele, eu desejava mais morrer, odiando eternamente o dia em que nasci.
Por mais que eu tentasse ser forte pelos outros, por mais que por fora eu estivesse me tornando uma pessoa completamente fria, eu ainda estava sofrendo em silêncio.
A cada segundo, a escuridão se tornava mais forte, mais impossivel de vencê-la. Tentar lutar contra ela era tudo o que eu jamais poderia fazer, eu era fraca demais para mim. Então, eu apenas esperava ela arrancar tudo de mim.
Eu tentava me convercer que assim seria mais facil, menos doloroso. E, finalmente, eu estava me acostumando com a companhia da grande escuridão da minha alma. O que tornava as coisas um pouco mais fáceis.
E por mais que aquilo doesse muito – por mais que eu desejasse morrer -, eu nunca deixaria de lutar pelas pessoas que amo. Nunca deixaria de lutar por Bella.
Eu sentia que a cada passo que meus pés davam, a minha alma se destruia ainda mais. Me importar realmente com ela já não era o que eu fazia naquele momento, e em qualquer outro momento.
Eu não me importava realmente com a minha alma, ela era apenas mais uma coisa que existia apenas para me assombrar e causar ainda mais dor.
Realmente não consigo me lembrar de quando as coisas realmente começaram a mudar dentro de mim, era como se aquilo tivesse ido completamente apagado de minha mente, como se eu simplesmente não tivesse notado.
E por mais que fosse dificil entender, eu tinha completamente certeza que já não era a mesma pessoa e isso me dava medo. Era uma sensação de perda, como se eu mesma estivesse me perdendo.
Era como se, aos pouco, algo dentro de mim estivesse morrendo. Fazendo a escuridão ficar mais e mais forte.
Eu realmente não acreditava que havesse uma possibílidade pra mim, muito menos para a minha alma corrompida. E por mais que fosse absurdo, eu realmente não queria que tivesse.
Eu sabia – tinha completamente certeza -, que se a minha alma estivesse sem a escuridão, eu não conseguiria agüentar os fatos que tornavam a minha vida.
Por mais que fosse inacreditável, era como se a escuridão fosse uma maneira de fugir de meus próprios sentimentos. Uma barreira para me proteger da verdadeira dor que se alastrava mais e mais em mim.
Eu já não podia controlar o rumo perigoso que meus pensamentos estavam me levando. Então, apenas, obriguei as minhas pernas a continuarem correndo até onde Bella – possivelmente – se encontrava.
Era realmente uma sensação desesperadora aquele sentimento de estar sem rumo, sem destino. Era como se, simplesmente, não existisse um lugar para mim no mundo. Um lugar que realmente me pertencia.
Saber que tudo tinha haver com a partida de Edward não me ajudava muito. Naquele momento, ao pensar o nome da pessoa que eu mais amei na minha vida e que continuaria amando, meu coração falhou. Coloquei minha mão sob meu peito, no lugar de meu coração, respirando com tanta força que nem mesmo eu acreditei.
Eu não podia e não queria pensar realmente, mas tudo estava ali, me fazendo cair no chão, completamente sem forças.
Meus joelhos simplesmente cederam, me fazendo cair de joelhos no chão. Minha visão ficou embaçada, me fazendo olhar atordoada para os lados, tentando enxergar qualquer coisa.
Meus olhos conseguiram captar o lugar onde eu estava. Tinha uma árvore a poucos metros de mim.
Aquilo me reconfortou de alguma maneira, me fazendo tirar a mão do peito e a levar até os meus olhos completamente banhados pelas lágrimas.
- Eu tenho que ser forte... – sussurrei, respirando fundo. – Tenho que ser forte pelas pessoas que realmente precisam de mim. – tentei reuni forças, colocando minhas mãos em meus joelhos, me levantando.
Notei que eu não estava muito longe da casa dos Black. Eu reconheci as casas miúdas e velhas que me rodeavam.
Sob aquele local escuro, tinha uma névoa sobrenatural e maligna por toda parte, me fazendo estremecer. Meus ombros, automaticamente, se encolheram.
Tinha algo ali que não era uma coisa normal, era como se algo muito ruim estivesse ali, me observando.
Um alerta vermelho praticamente acendeu em mim, me fazendo olhar tudo com tanta atenção.
Inalei todo o ar que meus pulmões agüentavam, captando tudo que estava em minha volta.
Tinha um cheiro de mofo em algum lugar. O cheiro se misturava com sangue e escuridão.
O medo de não chegar á tempo me assombrou, me fazendo respirar mais fundo. Um cheiro totalmente conhecido encheu os meus pulmões, me deixando completamente paralisada por alguns segundos.
Em algum lugar ali – onde a escuridão e névoa estavam mais fortes – tinha um vampiro ali.
Aquele cheiro forte fez o meu estômago ocelar várias vezes. Nenhum cheiro como aquele tinha me causado o mesmo efeito, era como se eu fosse vomitar a qualquer momento.
Me enchi de forças, olhando para todos os lados. Meus músculos estavam totalmente sem controle, tremendo brutalmente.
Realmente não importava o que aconteceria comigo, mas eu temia por Bella.
Voltei a correr, já não estava mais tão longe como antes. Por mais que eu me sentisse fraca, eu não era. Já tinha tido várias provas disso.
Por mais que em toda a minha vida eu me sentisse fraca e deslocada, eu já não era isso agora. Não fisicamente.
Mentalmente, eu ainda continuava aquela garotinha frágil e assustada que tentava, inutilmente, se esconder da escuridão.
Por alguns segundos, minha mente se encheu de medo, enquanto o rosto do homem que assombrou minha infância reaparecia.
Um sorriso cheio de amargura brotou em meus lábios carnudos, enquanto alguns pensamentos sádicos surgiam em minha mente.
Se, naquela época, eu fosse a mesma que sou hoje, mataria lentamente aquele desgraçado que tentou me violentar quando eu era apenas uma criança indefesa.
Por sorte, naquela época eu tive o meu avô para me proteger e me tirar daquele lugar.
Por mais que eu tivesse escapado de um, outro tinha conseguido completar o ritual tortuoso.
Ted tinha conseguido cumprir o desejo sádico de outro, acabando com a minha vida e com o único bem que me restava.
Um dia – que não estava longe – eu acertaria as minhas contas com Ted, o fazendo sentir o que era realmente a verdadeira dor.
Eu o faria sentir tudo o que ele me fez, todas as dores, mentalmente e fisicamente.
“Isso minha bela rainha, deixe a raiva e a dor lhe tornar uma pessoa completamente maligna. Se torne tudo o que você jamais teve oportunidade de ser. Você mesma.” – escutei a voz masculina da escuridão em meu ouvido.
Lutar contra a escuridão já não era realmente uma coisa que eu podia fazer. Ela sussurrava tudo o que meu lado escuro desejava escutar.
O sorriso amargo aumentou em meus lábios. Eu já estava tão acostumada com aquela sensação de congelamento que aquela voz me trazia.
Talvez aquela voz estivesse completamente certa, eu estava me tornando uma pessoa maligna e fria. Talvez.
O odor de sangue ficava cada vez mais forte, me fazendo estremecer. Não demorou muito para que eu pudesse enxergar a pequena casa dos Black.
Era uma copia fiel da minha, como se eu tivesse corrido tanto e voltado para o mesmo lugar.
A casa estava escura e vazia, me fazendo prestar atenção em cada detalhe. A porta de madeira estava fechada e a pequena janela ao seu lado também.
Dei dois largos passos para frente, ficando centímetros da porta de madeira. Fechei meus olhos, escutando tudo á minha volta.
O coração de Bella batia lentamente em qualquer lugar da casa, como se fosse um relógio velho que estava prestes a parar. Tinham a sua volta, leves barulhos de gotas caindo no chão, como se uma pia estivesse aberta. Um relógio também martelava ali, mais rápido que o coração de Bella.
Tinha algo ali que me chamou ainda mais a minha atenção. Era como um coração de uma ave, batendo rapidamente. Tive certeza que era o coração do bebê de Bella.
Abri meus olhos, tentando encontrar uma maneira de entrar na casa. Coloquei a mão na maçaneta da morta, girando-a completamente.
Por sorte, a porta estava destrancada, me fazendo suspirar de alivio. Entrei na casa rapidamente, observando tudo.
A cada passo meu, o cheiro de sangue ficava mais forte, me fazendo tampar o nariz com as duas mãos. O cheiro era como ferrugem, ferindo meu nariz.
Tentei não prestar atenção naquele cheiro totalmente forte, obrigando-me a mudar o foco de minha atenção.
Passei meus olhos pela pequena sala, olhando para os cantos pequenos onde Bella poderia estar.
Bella estava no chão ao lado do sofá. Suas mãos estavam em sua barriga grande, como se pudesse defendê-la de tudo. Como se pudesse fazê-la parar de sangrar.
Aproximei-me com apenas um largo passo, me agachando ao lado de Bella.
Puxei Bella para mim, passando meus braços ao seu redor. O corpo dela estava completamente sem vida, pesando mais que o normal. Porém, Bella era tão leve para mim que era como se eu estivesse pegando uma boneca de pano.
A segurei com mais firmeza, me levantando rapidamente, sem fazer qualquer força.
- Meu bebê... – os lábios de Bella se moveram, sem sair qualquer som. Era como se ela estivesse chorando, se lamentando. Aquela suplica me fez olhar para o rosto de Bella, enxergando o que não tinha antes.
Ela estava realmente assustadora. Seu rosto estava mais pálido do que de costume e estava sangrando muito. Seu rosto estava modificado, era como se fosse outra pessoa. Ele estava completamente inchado, sangrando muito.
Sua boca estava levemente machucada por dentro, como se ela estivesse a mordido com muita força.
- Está tudo bem, Bella. Estou aqui e não vou deixar nada de ruim acontecer. – minha voz saiu tão fria e confiante. Era como se fosse o próprio gelo, me fazendo sentir aquela escuridão tão conhecida.
“ Por que você não a deixa morrer? ” – sussurrou a escuridão.
Fechei meus olhos, fingindo não ter ouvido aquela loucura. Aquilo me fez sentir a pior pessoa do mundo.
Durante as ultimas semanas, eu escutei as loucuras que saiam da escuridão. Mas, antes, não era uma crueldade dessas.
Eu poderia estar me tornando uma pessoa completamente fria, mas no fundo, em algum lugar – onde eu quase nunca poderia chegar – ainda existia algo de bom em mim, mesmo que fosse mínimo – mesmo que eu nunca mais tenha sentido. Eu sabia que aquela parte ainda existia.
- Pare de falar bobagens! – ordenei, deixando minha mente esquecer a escuridão por hora, começando a andar. Tirando Bella daquela casa, a levando para um hospital mais próximo.
Pensando bem, no meio do pequeno caminho que saia da casa dos Black, eu realmente não poderia sair por ai, andando com Bella em meu colo como se ela fosse uma criança de colo. Então, resolvi ir até a minha casa pegar o carro do meu pai.
O caminho foi tão rápido que nem percebi. A única coisa que eu notava era Bella, tentando arrumar o jeito mais confortável para ela.
Entrei em minha casa como um raio, indo diretamente para a cozinha. Passei minha mão pela mesa, fazendo tudo que estava nela cair no chão. Depois que tive certeza que não tinha nada que machucasse Bella, a coloquei ali, a deitando sob a mesa de madeira.
Sem tirar os meus olhos de Bella, foi até o armário que meu pai guardava toalhas e coisas de limpeza.
Abaixei-me, agachando-me e ficando na mesma altura do pequeno armário. Abri a pequena porta, olhando dentro do armário por alguns segundos. Peguei algumas toalhas, fechando a porta e me levantando.
Voltei até onde Bella estava, passando a toalha ao seu redor. Depois que ela estava completamente envolvida, a coloquei em meu colo, alinhando sua cabeça em meu ombro.
Eu tentava estancar a grande quantidade de sangue que saia de sua barriga , enquanto eu me dirigia até a garagem da casa. Simplesmente havia muito sangue, e eu não conseguia dar conta, enquanto andava.
O corte que havia na barriga de Bella era profundo demais, me deixando completamente desesperada. A blusa branca que Bella estava usando estava completamente vermelha, me deixando mais nervosa. Puxei a blusa de Bella, deixando sua barriga completamente exposta. A pele totalmente fina da barriga de Bella estava roxa, me fazendo respirar tão rapidamente, atordoada. Tampei o local com mais toalhas limpas que estavam em minhas mãos, me impedindo de ver a barriga de Bella.
Quando cheguei a garagem, fui diretamente para o carro. Abri a porta com a mão que menos usava, puxando a porta com meu pé.
Coloquei Bella no banco do passageiro, abaixando um pouco o banco para que ela ficasse deitada. Fechei a porta com força, indo diretamente para o portão da garagem. Ele era cinza e muito resistente. Apertei o pequeno botão vermelho que tinha na parede ao lado do portão, o fazendo abrir lentamente.
Voltei para o carro, entrando no banco do motorista. Enquanto o portão abria lentamente, eu vasculhei o carro a procura da chave.
- Vamos, vamos. – sussurrei impaciente, passando minha mão pelo painel.
O portão já estava aberto e eu não tinha encontrado a bendita chave. Respirei fundo, e olhei para o banco de trás. Não estava lá a chave.
Quando girei minha cabeça, vi algo brilhar prateadamente. Passei minha mão no banco onde Bella estava, pegando a chave e a colocando na ignição.
Segurei o volante com força, reprimindo o meu nervosismo. Naquele momento, eu me senti tão impotente e fraca.
Eu tinha que salvar a vida de Bella, minha insanidade mental dependia disso – mesmo que fosse o pouco que tinha sobrado. Eu não podia suportar mais uma culpa.
Mesmo estando convicta que estava louca – já não restava duvidas disso. Não é lá a coisa mais natural do mundo conversar com uma fumaça negra.
Tentei mudar o percurso dos meus pensamentos, eu sabia que estava louca, mas não queria pensar mais naquilo.
Liguei o carro e acelerei o máximo que o carro agüentava.
O caminho era longe e preocupante, me fazendo olhar várias vezes para Bella. Meus olhos apenas viam borrões e mais borrões pelo caminho.
Os minutos se passavam lentamente, como se eu nunca fosse chegar ao hospital.
Uma chuva leve caia sob Forks, molhando os meus cabelos pelo vidro aberto.
Eu olhava de um em um minuto para Bella, me certificando que ela ainda respirava e seu coração ainda batia.
Notei que seus músculos estavam tremendo, me fazendo acelerar ainda mais.
Quando, finalmente, cheguei ao pequeno hospital, foi como se um peso estivesse sendo arrancado de meus ombros, me fazendo respirar calmamente por um segundo.
Meus olhos procuraram uma vaga, mas – estranhamente – não tinha nenhuma perto o bastante. Os meus olhos simplesmente não conseguiram enxergar nenhuma vaga.
Estacionei o carro em uma rua atrás do hospital, onde não tinha ninguém. Era mais uma viela, onde ninguém guardava carros.
Sai do carro, fechando a porta. Dei a volta no carro, depois, abri a porta do carona e peguei Bella em meus braços.
Ela parecia tão assombrada e preocupada, mesmo estando completamente desacordada.
Sua respiração lenta estava bem no vão do meu pescoço, me fazendo chutar levemente a porta do carro e correr para o hospital.
A chuva estava ficando cada vez mais forte, me fazendo puxar Bella mais para mim, tentando protegê-la da chuva.
Andei pelas ruas rapidamente, sem prestar atenção no local. Minha velocidade era sobre-humana, não era realmente importante me importar com aquilo agora, em poucos segundos, eu já estava na frente do hospital.
Entrei no hospital, ainda correndo. A luz forte atingiu meus olhos no mesmo instante, os ferindo.
Fazia realmente muito tempo que eu não via a luz, sempre que estava em meu quarto ficava com os olhos fechados.
Andei com Bella pelos corredores, me concentrando em sentir apenas o cheiro de Carlisle e segui-lo.
Ele não estava muito longe, o que eu agradeci profundamente.
Aproximei-me da sala onde Carlisle se encontrava, rapidamente. Quando cheguei, bati na porta com uma mão, sem tirar a outra do corpo frágil de Bella.
Pude sentir que o corpo de Carlisle ficou rígido no mesmo momento, enquanto ele abria a porta e me fitava.
- O que aconteceu com ela? – me perguntou apavorado. Seus olhos estavam analisando Bella.
- Ela bateu a barriga em algum lugar... – disse, fechando os meus olhos um pouco, enquanto as cenas se passavam pelas minhas pálpebras.
As mãos geladas de Carlisle foram para ao redor de Bella, me obrigando a soltá-la.
Em poucos segundos, ele já tinha desaparecido completamente, entrando em uma sala grande, onde estava escrito “emergência”.
Olhei para os lados, procurando qualquer pessoa no corredor.
O corredor estava completamente vazio. O corredor em si era enorme. As paredes eram totalmente brancas, com apenas alguns centímetros azul no final. Tinha algumas portas brancas ao decorrer do corredor, elas também eram brancas.
No lado do corredor onde não tinha portas, havia alguns bancos. Eles eram pregados na parede.
Andei lentamente até lá, me sentando com cuidado, como se aquilo fosse uma coisa perigosa.
Eu simplesmente odiava hospitais, não era só o cheiro estranho que ele tinha.
De somente sentir aquele cheiro forte, meu estômago girava como em uma roda-gigante.
Coloquei minha mão na barriga, tentando aliviar aquela sensação horrível. Estar naquele lugar me fazia lembrar de Jacob e de como éramos unidos.
Lembro que em todas as vezes que eu estava internada, Jacob vinha sempre me visitar com uma rosa na mão e com um sorriso de sol estampado em seus lábios carnudos.
Ele me fazia esquecer completamente de onde estava.
Eu realmente sentia muita falta daquela época, as coisas eram tão simples. Jacob era apenas o meu melhor amigo, aquele que sempre estava tentando me alegrar, mesmo que parecesse impossível. Era tudo tão natural, bastava Jacob aparecer que tudo era perfeito.
Mais as coisas já não eram como antes, existia uma muralha entre mim e Jacob.
Para mim, ele sempre seria o mesmo que me fazia sorrir apenas em vê-lo, aquele que sempre significou mais que apenas o meu melhor amigo.
Ele era como meu irmão mais novo, aquele que sempre estaria em meu coração.
E por mais que eu o amasse, nunca poderia dar o amor que ele me pedia.
Eu nunca poderia amar alguém dessa maneira que não fosse Edward, mesmo que arrancassem meu coração.
E ver o quando eu estava fazendo Jacob sofrer, acabava comigo.
A dor dele sempre seria a minha dor, sempre seria a tortura que nós tínhamos construído, eu tinha construído.
Eu jurei que nunca voltaria a quebrar o coração de Jacob, mas sempre estava quebrando essa promessa. Eu via o jeito que ele me olhava, era como se ele olhasse para a sua própria dor física.
Será que isso nunca acabaria? Será que eu nunca pararia de fazer as pessoas que amo sofrerem por mim?
Não era justo tudo aquilo, não era justo eu os levar para o fundo do abismo comigo.
Não era justo fazer Jacob sofrer a todo o momento. Não era justo eu prender Edward apenas por pena. Não era justo eu prender meu irmão nessa cidade apenas para não me deixar sozinha. Não era justo fazer Jacob fazer Bella sofrer como se ela tivesse culpa de tudo.
Bella era uma boa pessoa, independente do passado. Eu sabia que ela também não estava feliz em seu casamento, e a culpada era minha por isso.
Deveria ser horrível mesmo se casar com uma pessoa que nem ao menos lhe dá atenção e te culpa por não ser feliz.
Era duro pra mim ver isso na mente de Jacob, era como se ele esfregasse o seu sofrimento na minha cara.
A vida não tinha sido muito justa com nós três. Mais Jacob tinha que deixar de culpar Bella pela sua infelicidade. Vai onde for, ela era a mais infeliz naquela história. Eu podia ver em seus olhos – as poucas vezes que fui á sua casa durante essas semanas – o seu sofrimento calado.
Se existia alguém que era culpado nessa história, esse alguém sou eu.
A culpa estava me matando, indo para diretamente para a minha lista de “coisas que me assombram”.
Eu esperava ansiosa pelo dia em que Jacob se daria conta de que não me amava de verdade. E que, veria a pessoa maravilhosa que tinha ao seu lado.
Encostei minha cabeça na parede, fechando meus olhos.
Eu estava cansada demais para me ordenar a não dormir, para não me entregar aos pesadelos.
As olheiras estavam ficando a cada dia piores, me deixando parecia com um defunto.
Eu tinha que admitir, não estava conseguindo viver a minha vida. Seguir em frente parecia uma coisa tão longe, impossível. Era como se eu tivesse caído em um abismo.
As paredes de eram tão altas, e não tinha nada que eu pudesse me agarrar. E as únicas coisas que existiam a minha volta, eram a culpa e a escuridão.
- Olá, estranha... – escutei uma voz próxima ao meu ouvido. Abri os meus olhos imediatamente.
Eu estava tão perdida em meu próprio mundo que não tinha percebido a aproximação de Dean.
Ele estava ao meu lado direito, na mesma direção onde eu tinha chegado, a direção oposta onde Carlisle tinha ido.
Dean estava apoiado na parede, seu braço esquerdo estava segurando a parede, sustentando o seu corpo. Ele estava meio curvado, me olhando preocupadamente.
Aquele sentimento estava sendo contrariado pelo sorriso em seus lábios carnudos. Ele parecia estar feliz de alguma forma, como se a minha presença o deixasse feliz.
Observei atentamente seus movimentos, ele se moveu lentamente, com um pouco de dificuldade, como se estivesse ferido gravemente.
Dean usava uma camiseta preta sem manga, deixando seus braços fortes a mostra. O seu braço direto estava enfaixado, da altura do ombro até o cotovelo.
- O quê aconteceu com você? – perguntei com as minhas sobrancelhas unidas, deixando a preocupação transparecer em meu rosto.
Dean se movimentou, se sentando ao meu lado, com dificuldade. - Um lobisomem. – ele respondeu, dando de ombros, como se aquilo não fosse realmente importante.
Notei que a calça jeans de Dean estava rasgada no joelho, mostrando o seu joelho completamente acabado.
- Parece que o lobisomem acabou com você. – murmurei, sem tirar os olhos do seu joelho totalmente machucado e acabado.
- Ele parecia tão fraco. – pensou com sigo mesmo, olhando um pouco para o seu braço machucado. – Mas acontece...
- O quê faz aqui? Eu pensei que você tivesse ido embora. – tentei me lembrar de algum caso de lobisomem pelas redondezas.
- Na verdade eu fui. – disse ele, rapidamente. Parecia que ele estava com medo de alguma coisa, o que me deixou preocupada. – Eu realmente não sei por que vim aqui... – ele pareceu procurar as palavras certas, mas nem ele realmente sabia. Então, ele começou a abrir a boca várias vezes, ainda procurando as palavras. – E o que você faz aqui? – ele mudou de assunto.
- Bella bateu a barriga. – disse automaticamente, me endireitando na cadeira, tirando a cabeça da parede.
- Você estava com ela? – a voz de Dean ficou mais alta, era como se estivesse entrado em pânico. Tive a sensação que ele estava escondendo alguma coisa, mas resolvi não ligar.
- Não.
Com a minha resposta, Dean se moveu a minha frente. As suas sobrancelhas estavam unidas e ele esticou o pescoço, ficando com o seu rosto bem próximo do meu. Era como se Dean procurasse algum sinal de hostilidade em mim.
- O quê foi Dean? – perguntei desconfiada.
Por algum motivo, aquele simples ato de Dean, tinha me deixado muito desconfiada.
-Nada. – respondeu, voltando a se sentar normalmente na cadeira – de frente para a porta a minha frente.
- Onde está o Sam? – olhei em volta, procurando pelo irmão mais novo.
- Ele está lá dentro. – Dean apontou com a cabeça para a emergência.
- Ele está muito machucado?
- Não. – ele sorriu. – Ele só bateu a cabeça e vai ter que ficar de observação.
- Espero que ele fique bem.
Escutei passos rápidos se aproximando, me fazendo olhar para a direção oposta de Dean.
Carlisle se aproximava rapidamente. O seu rosto estava preocupado, e aquilo me fez tremer por dentro, me levantando.
- Bella está bem? – perguntei quando ele já estava na minha frente.
- Sim. – pude perceber que tinha mais. Então, apenas esperei que ele terminasse. – Mas a criança teve uma lesão e vai ter que ser operada. Como o parto teve que ser precoce, a criança pode não resistir.
Eu estava paralisada com a noticia, eu não sabia se chorava ou gritava. Senti braços fortes se passando a minha volta, me dando apoio.
Olhei para rosto próximo de Dean e disse:
- Obrigada.
- Sem problemas. – disse Dean, me conduzindo até o banco.
- Mas têm mais uma coisa. – disse Carlisle.
Olhei para o rosto jovem e bonito do medico. Ele estava obviamente preocupado, seus lindos olhos dourados estavam tristes.
- O quê?
- O tipo sanguíneo da criança é difícil de ser encontrado e não temos doador.
- Qual é o tipo? – perguntou Dean, disposto a ajudar.
- O-. – ele respondeu.
- Carlisle este é o meu tipo sanguíneo. – afirmei, me levantando num pulo da cadeira e indo até Carlisle.
[...]
A agulha olhou pra mim e eu olhei pra ela.
- Não vai doer nada, querida. – disse a enfermeira.
- Claro. – sussurrei, virando a minha cabeça para não olhar mais aquela agulha.
- Não acredito que uma mulher do seu tamanho tem medo de agulha. – disse Dean, aparecendo na pequena sala. Eu sabia que ele estava fazendo aquilo para me dar mais coragem, mais não estava ajudando. O que ele estava conseguindo era me deixar furiosa.
A agulha que a enfermeira estava tentando enfiar em meu braço era bem maior que o normal, por causa da cicatrização super acelerada.
No começo, a enfermeira ficou assustada quando Carlisle disse que teria que ser com uma agulha bem maior, mais depois, ela assentiu com a cabeça e pegou a agulha.
No fundo, eu acho que ela não entendeu, mas Carlisle estava ocupado demais com a cirurgia da filha de Bella, não podia parar tudo para pegar a minha veia.
- Quantos anos você têm, ? – perguntou Dean, tentando puxar assunto e me distrair.
-Dezoito. – respondi.
- Eu pensei que você fosse mais nova... – murmurou ele, se sentando na cadeira ao lado da maca.
- Eu fiquei um ano sem estudar. Acabei sendo reprovada. – disse. Dean estava fazendo um bom trabalho, estava conseguindo me distrair.
- Por quê? – continuou.
- Porque quando eu era criança era muito doente e faltava muito na escola.
- Entendi. – ele sorriu. – Quando é o seu aniversário?
- Daqui a um mês. – respondi, fechando os olhos. A voz de Dean estava ficando cada vez mais longe.
- )
? – senti uma mão em meu rosto.
Eu já não tinha mais forças para responder, estava flutuando na inconsciência.
Todo o meu corpo flutuava. Os meus olhos fechados e os meus lábios rígidos em um sorriso sincero.
Tinha um aroma suave no ar, um perfume que se aproximava lentamente com o vento.
Eu podia sentir o doce e suave vento tocando o meu rosto, me fazendo sorrir ainda mais.
Tinha um barulho ao longe, era como gotas de água sendo derramadas. Podia ser uma pequena e passageira chuva.
Eu me sentia feliz, não era como se eu tivesse perdido o único amor da minha vida, mas como se ele ainda estivesse comigo.
Eu sabia que tinha perdido Edward eternamente, mas de alguma forma, ele ainda estava comigo.
Um barulho horrível tomou o ar a minha volta, era como morcegos voando sobre a minha cabeça, me fazendo estremecer, automaticamente.
Um vento gelado tocou o meu rosto, o fazendo queimar. Passei a minha mão pelo local, tentando aliviar a ardência.
Quando eu abri os meus olhos, encontrei um par de olhos vermelhos me encarando, aquilo me assustou.
Edward estava parado em minha frente, seus cabelos estavam bagunçados, em seu rosto continha certa maldade. Era aquele sorriso maligno que estava me assombrando, o sorriso que estava estampado dos lábios de Edward.
No canto direito da boca de Edward, escoria um liquido vermelho. Edward percebeu o meu olhar e limpou com a costa da mão esquerda, lentamente.
Os seus olhos me faziam gelar, não era como eu me sentia quando estava com Edward.
Aquela sensação me fez lembrar de Christian, era exatamente assim que eu tinha me sentido quando estava lutando contra ele.
Mas pensando racionalmente, Edward não era como Christian, ele era bom.
- Não tenha medo de mim... – os lábios de Edward se moveram lentamente, me fazendo prestar atenção.
- Não tenho... – sussurrei automaticamente. Eu nunca tinha sentido medo de Edward, mas agora, eu estava completamente congelada.
- Porque você não fica do meu lado? – Edward deu um passo a minha frente, me fazendo dar dois para trás.
Eu não estava entendendo a minha reação, mas era automaticamente.
- Você ainda acredita em mim? Não acredita? – eu sinceramente, não estava entendendo nada.
Eu não conseguia entender o porquê das perguntas de Edward. Claro que eu acreditava nele, mas...
Meus pensamentos foram interrompidos rapidamente. Edward estava parado em minha frente, sua mão gelada tocava o meu rosto.
- Eu apenas matei uma pessoa, não é nada demais... – as palavras saíram dos lábios de Edward, rapidamente.
Não podia ser realmente verdade, ele não podia ter matado ninguém.
- Você não... – tentei falar. Antes que eu pudesse terminar de falar, eu vi Bella no chão.
Seus olhos estavam sem vida, escoria sangue pelo ferimento recém-aberto no pescoço.
Eu coloquei a mão na minha boca, tentando comprimir o grito de terror que sairia a qualquer momento.
Bella sempre foi uma amiga para mim, até mesmo, depois que começou namorar Jacob.
- Bella... – minha voz era como cacos de vidros.
Eu queria gritar e correr, mas simplesmente estava presa. Eu estava tão apavorada. Simplesmente não conseguia me mexer.
Edward começou a se aproximar ainda mais de mim. Eu estava apavorada demais para me mexer, para fazer qualquer coisa.
- Prometo que não vai haver dor. – quando Edward disse isso, ele já estava segurando o meu pescoço.
- Não! – gritei apavorada.
Edward não me escutou e colocou seus lábios em meu pescoço, enterrando seus dentes em minha pele.
Então o sonho mudou, era como se eu estivesse sendo puxada brutalmente para ele, como se eu estivesse sendo sugada.
Minha mente se desligou, eu simplesmente não controlava os meus movimentos, nem meus pensamentos. Era como se não fosse um sonho.
Era como se eu realmente estivesse vivendo aquilo.
Parecia que eu estava em um daqueles pesadelos que você luta para manter as suas pernas em movimento, mas elas simplesmente não se mexer, como se pesasse duzentas vezes mais.
O sentimento de perda era grande demais - como se fosse espinhos sendo cravados lentamente em meu órgão vital -, era uma sensação torturante. Como se o meu coração fosse, lentamente, drenado de meu corpo, me fazendo sentir o grande vazio que me assombrava há muito tempo.
Eu realmente não deveria estar pensando naquilo – pensando na minha dor –, mas era inevitável não pensar na ausência de Edward. Era impossível não olhar para os lados e não ver que o anjo de olhos dourados não estava comigo, me protegendo como sempre fez.
Ele era o meu chão, o ar que me fazia viver por mais alguns instantes. E agora, o chão tinha sido arrancado cruelmente de meus pés, me fazendo cair em um grande abismo, sem volta. O ar simplesmente já não existia, era como se meu corpo se mexesse, ele estivesse ali, mas minha alma não. Minha alma viajava pelos caminhos escuros e úmidos que existiam dentro de mim.
Mas Edward não era obrigado a me amar apenas por causa de um imprinting idiota e nem de uma história de amor impossível que já tinha sido vivida há muito tempo.
Eu queria que ele fosse feliz, eu precisava apenas disso. Precisava saber que aqueles olhos continuavam sorrindo, que seus lábios ainda sorriam com a mesma ternura.
Eu não me importaria de morrer novamente por Edward, seria a melhor forma de morrer.
Balancei minha cabeça brutalmente, afastando aqueles sentimentos perturbadores.
Eu tinha que ser forte, tinha que resistir a aquela tortura, eu tinha prometido que ficaria bem para Edward.
Respirei fundo, sentindo a conhecida sensação de vazio em mim. Minhas pernas se moviam com tanta rapidez que pouco os meus olhos podiam captar qualquer coisas.
Eram apenas borrões pretor em minha cabeça, se passando rapidamente. A casa onde Bella e Jacob moravam não era muito longe da minha, era apenas alguns quilômetros.
Pensar em Jacob não era apenas uma tortura, em sim me ver queimar novamente. Eu sabia que estava o magoando, novamente.
Eu jurei que nunca o magoaria e estava sempre quebrando essa promessa.
Todas as vezes que me aproximei dele nos últimos dias, tentando fazê-lo entender que eu o ama e que ele sempre seria o meu melhor amigo, meu irmão.
E ver a tristeza causada por mim naqueles olhos negros, me fazia sentir a garota mais cruel do mundo.
Meus pensamentos se desligaram quando avistei a pequena casa branca feita de madeira.
Uma súbita onda de adrenalina se espalhou pelo meu corpo, me fazendo correr até lá. Era incrível o quanto as pessoas realmente acreditavam em mim, pensavam que eu era heroína da história.
Dês que me tornei loba oficialmente, as pessoas da reserva me olhavam com olhos diferentes, para elas eu já não era mais a menina que cresceu entre eles, enquanto eles contavam histórias aterrorizantes.
Agora eu era a reencarnação de uma heroína para todos eles, que salvou milhares de pessoas e morreu por amor.
As mudanças de minha vida eram evidentes, não apenas em minha vida e sim em mim.
Eu já não era aquela mesma garota imatura que sempre lutou contra os seus sentimentos e com a escuridão do passado.
Fechei os meus olhos por alguns instantes, sentindo a grande força que comandava o meu corpo.
Eu podia sentir a presença de Yonah em mim, podia sentir os seus sentimentos eternos.
Era como se fosse duas pessoas em um mesmo corpo, como se apenas a não fosse o suficiente.
“Isso mesmo minha linda Yonah. Deixe que sua alma desperte para um novo mundo” – A escuridão sussurrou em meu ouvido, me fazendo sentir o leve e frio de sua voz. Aquela voz me fez paralisar, fazendo minhas pernas levemente cederem, me levando para o chão. Todos os sentimentos por quem lutei contra estavam ali, forte, invisível. Eu pude sentir, no mesmo instante, a minha alma se despedaçando, lentamente. Deixei meu corpo cair, gritando de dor. Era uma dor pior que o fogo, mil meses. Era como se aos poucos, minha alma estivesse se desconectando de meu corpo, me deixando Edward vazia. “Você sempre será minha Yonah” – A voz criou mais força, aumentando a minha dor.
Um vento forte tocou minha pele e, por alguns segundos, pude ver um rosto na escuridão. Era um homem realmente lindo, seus cabelos eram negros e longos. Seus olhos eram vermelhos sangue, me deixando completamente apavorada. O rosto que saia da escuridão era jovem aparentava ter dezessete anos, assim como Edward. Assim como o meu anjo, aquele rosto era angelical. Seus traços eram opostos do de Edward, mas ainda era belo.
Um cheiro muito forte de vampiro atingiu minhas narinas, e depois, um grito assustado venho da casa a mina frente.
Eu queria poder salvar quem quer que fosse, mas minhas forças estavam em qualquer lugar menos em mim.
Fechei meus olhos com força, tentando, lutando, para encontrar os movimentos de meu corpo.
Era como se eu estivesse em um ciclo de tortura, entre a minha alma e o forte desejo de recobrar os meus movimentos.
O rosto de Edward invadiu minha mente, como se fosse um raio de luz entre a escuridão. Olhei para os lados desesperada, e ele estava lá, me olhando com aqueles olhos cheios de amor de ternura.
Minha mente já não conseguia saber o que era realmente real, mas eu estava tão satisfeita e feliz de ver Edward ali sorrindo para mim, que não me importei com a dor que aquilo me trazia.
Ver aquele rosto me fez sorrir entre as lágrimas que saiam de meus olhos rapidamente.
- Estou com você. – disse ele, pegando minha mão, fazendo a escuridão ir embora. – Sempre estarei...
- Preciso de você... – desabafei, sentindo todo o meu corpo arder. – Não me deixe Edward.
- Será que você não entende que eu sempre estarei com você, mesmo que eu não esteja aqui? – perguntou ele, se aproximando cada vez mais de mim.
Edward se aproximava cada vez mais, diminuindo a distância entre nossos rostos.
Respirei inúmeras vezes, querendo não acordar aquele sonho.
Quando o rosto de Edward estava a centímetros do meu, ele passou sua mão lentamente pelo meu rosto, acariciando-o com carinho.
Seus olhos me diziam que ele me amava, e minha consciência me dizia que aquilo não passava de um sonho.
- Você precisa ser forte. – Edward pareceu sério. Olhou para a direção da casa e fechando os seus olhos. – Por Bella... – ele sussurrou desaparecendo, levando a escuridão com ele.
Meu corpo finalmente se moveu, sem eu ao menos perceber, me levando até a casa.
Minha mente estava completamente desligada naquele momento, como se com Edward minha mente tinha ido.
Abri a porta da casa com o mínimo de força que tinha, olhando para todos os lados.
O cheiro de sangue era forte demais, me fazendo estremecer na hora.
Entrei na casa com grandes passos, procurando por Bella.
A casa estava totalmente escura, me fazendo olhar várias vezes para ter certeza se Bella não estava.
Encontrei Bella na cozinha, caída entre alguns móveis totalmente fechados. O cheiro forte de sangue se misturava com o forte cheiro de vampiro que ali continha.
Aquele acidente não tinha sido acidental, Bella tinha sido atacada por algum vampiro que estava na região.
O cheiro era totalmente desconhecido, ferindo meu nariz.
O choque me tomou. Nunca aquilo tinha acontecido comigo, nunca algum cheiro tinha me ferido, nem mesmo dos Cullen.
Aproximei-me de Bella, tentando não pensar e, apenas, agir.
- Você vai ficar bem, Bella. Eu te prometo. – sussurrei em seu ouvido, pegando-a no colo.
Alinhei Bella em meu ombro, vendo o seu rosto mais pálido que o normal.
- Ele está aqui... – Bella gemeu. – Aro ainda está aqui.
- Quem estava aqui, Bella? – olhei para os lados, mas não tinha ninguém.
- Aro. – ela disse.
“Aro...” – minha mente repetiu aquele nome, me fazendo ter uma sensação de estar sendo observada. “Quem é Aro? E porque senti isso quando escutei o seu nome? Porque sinto pena, raiva, angustia e remorso?” – minha mente perguntou.
Segurei Bella com mais firmeza, começando a andar, saindo da casa rapidamente, quase correndo.
Pulei da cama, era como se eu ainda estivesse naquele pesadelo. Minha respiração estava ofegante e o meu coração acelerado.
O meu cabelo estava grudando em meu rosto, por causa do suor que escoria pela minha testa.
- Você está bem? – perguntou Dean, me assustando.
Dean ainda estava sentado na mesma cadeira, era como se não tivesse se movido. Agora ele estava usando uma jaqueta preta e seus cabelos estavam molhados. Ele tinha uma revista em sua mão, mais seus olhos me encaravam com intensidade.
- Pesadelo? – perguntou ele, novamente. O modo como ele me perguntou era como se tivesse certeza e não como se estivesse perguntando.
- É. – respondi ainda ofegante. Coloquei a mão em meu peito, tentando fazer o meu coração bater mais lentamente. Olhei ao redor e tudo estava como antes.
- Quanto tempo eu dormi?
- Não muito. – respondeu ele. Ele se levantou e chegou mais perto. – Só deu tempo de eu dar um pulo no hotel e tomar banho.
- Como está a Bella? – perguntei, tirando o fino lençol de cima de mim e me levantando.
- Você doou muito sangue. Fiquei mais um pouco deitada. – disse Dean colocando as mãos em meus ombros, me impedindo de levantar completamente.
- Estou bem Dean. – logo que terminei de falar, a minha cabeça girou e eu tive que voltar a deitar.
- Eu não disse? – ele murmurou, voltando a sentar na cadeira.
- Como está a Bella e a filha? – perguntei, preocupada.
- Bella está descansando, sugiro que faça o mesmo. – ele mandou. – E Renesmee está na UTI. – eu fiquei apavorada quando ele disse onde estava a criança. – Mais é só por precaução, ela está bem.
- Renesmee? – perguntei.
- Esse é o nome que Bella deu a sua filha. – ele disse, sorrindo.
- Nunca tinha ouvido esse nome antes. – murmurei, deixando a minha cabeça pesar sobre o travesseiro.
- Acho que ela inventou esse nome...
- Porque está aqui Dean? – perguntei, olhando em seus olhos verdes.
- Eu não ia te deixar aqui sozinha. – ele disse, mais depois pareceu se arrepender. – E depois, eu não tinha nada melhor pra fazer. – disse ele dando de ombros.
- Entendi. – fechei meus olhos, deixando minha mente vagar.
- A )
está acordada? – disse Carlisle entrando no quarto, me fazendo abrir os olhos imediatamente.
- Estou. – disse me sentando na cama.
- Ótimo. – murmurou Carlisle.
- O quê foi? – perguntei preocupada. O rosto de Carlisle estava totalmente preocupado, e eu já me preparava mentalmente para o que veria a seguir.
- Bella está totalmente fora de controle. – ele começou. – Já demos um calmante pra ela, mas ela simplesmente não dorme. Ela disse que não vai descansar até falar com você. Ela está fazendo os outros pacientes ficarem com medo.
- Comigo? – absorvei a noticia.
- É.
- Então, vamos lá. – disse me levantando da cama. Eu estava dando graças á Deus de sair daquela cama e poder me mexer.
- Você tem certeza? – perguntou Dean preocupado. A preocupação de Dean estava me deixando intrigada.
- Claro. – respondi.
Carlisle me olhou por mais alguns segundos, me analisando com cuidado. Depois, finalmente, saiu do quarto, comigo em seu alcanço.
O hospital estava mais movimentado, tinha algumas mulheres na recepção e quando Dean passou, eu pude as ver suspirando, o que me fez rir muito.
- O Dean está arrasando os corações. – brinquei, enquanto andávamos pelos corredores.
- Não têm graça. – o rosto de Dean ficou muito sério, igual à primeira vez que o vi. – Quem eu amo nem sabe que eu existo. – ele apenas abriu a boca e não saiu som algum, e mesmo eu estando na frente ele, eu pude escutar perfeitamente.
Carlisle fez uma careta brevemente e lançou um olhar mortal para Dean, o que me assustou. Eu nunca tinha visto Carlisle daquele jeito, mais parecia que ele estava furioso.
Imaginei o motivo, ligando as palavras de Dean ao meu calculo. Dean só poderia estar apaixonado por Esme, isso explicava o olhar de Carlisle.
Não pude deixar de gargalhar alto, fazendo todos olharem para mim como se eu fosse uma louca.
Por mais que eu estivesse com vergonha, ainda não parava de rir.
Imaginei a cena: Dean ajoelhado na frente de Esme e Carlisle lhe dando um soco na cara. Dean acabaria perdendo a cabeça, literalmente.
- O que foi? – perguntou Dean, enquanto eu olhava para ele, ainda rindo.
-Nada. – respondi inocentemente.
- Sei. – ele murmurou, desviando os seus olhos dos meus e cruzando os braços na altura do peito.
- É aqui. – disse Carlisle, parando em frente á uma porta verde. Olhei para eles, sem saber o que fazer. – Acho que é melhor você entrar sozinha. – Carlisle me ajudou.
- Tudo bem. – disse abrindo a porta e entrando.
Capítulo 25: Paternidade – segredos revelados parte 1
O grande segredo dela enfim foi revelado,
Levando-me até o inferno,
E me prendendo lá.
Sinceramente, não sei o que faço,
Nada mais parece certo, nada mais parece confiável.
Os lados foram separados,
Enquanto estou perdida entre eles.
Não existe o bem ou o mal,
Nem o certo ou errado.
Existe apenas o que mentiu menos.
Eu podia escutar o oco desesperadouro de seu coração, se misturando com o martelar do meu. Era como se aqueles simples barulhos fossem os únicos á nossa volta. Eu, também, podia sentir a grande tensão que se alastrava pelo local claro, saindo de Bella e vindo até o meu encontro.
Olhei pelo canto do olho o local á minha volta, sem me mover nenhum centímetro, como se meus pés estivessem presos e meus ombros congelados.
Não se podia explicar o que estava me atingindo naquele exato momento. A única coisa que eu podia saber era que aquilo estava me matando.
Ver as pessoas que eram realmente importantes para mim daquela maneira era torturante, como se eu fosse fraca demais para protegê-los.
Como se eu tivesse a obrigação de mantê-los em segurança. Porém, eu tinha falhado com Bella. Tinha falhado com todos...
Eu estava tão assustada e preocupada com a escuridão que não cheguei a tempo de tentar, pelo menos, aliviar os ferimentos de Bella.
Ela tinha se ferido gravemente, por pouco não perdeu a vida. Agora, Renesmee estava morrendo aos poucos e, por mais que quisesse, eu não podia fazer absolutamente nada.
Eu realmente era um monstro egoísta, me preocupando apenas com a minha dor e deixando os outros desprotegidos. Tudo bem, eu não podia salvar todos, mas poderia tentar. Porque, por mais que doesse pensar – lembrar-, alguém há muito tempo me ensinou o verdadeiro significado do amor, e o quanto é doloroso pensar em perdê-lo.
Esse alguém me ensinou a ser forte, me fez ser o que considerei ser impossível. E quando eu descobri que podia, tinha sido tarde demais...
Ele entrou em meu coração, me fazendo ser apenas dele, para sempre. Ele me fez ver a verdade, ver o que eu não queria.
A vida não era apenas se mover como se você fosse um robô, ou tentar fazer o que é realmente certo e não seguir o seu coração. Ele me transformou em mim mesma, a verdadeira, a que estava escondida em algum lugar dentro de mim.
Não bastava apenas ser forte por fora. Isso nunca seria o suficiente... Então, como se o sol finalmente tivesse aparecido em minha vida pela primeira vez, ele entrou em minha vida, abalando todas as estruturas, mudando todos os meus conceitos, tudo no que eu acreditava. Ele me mostrou que eu realmente poderia ser feliz.
Ele pegou a minha mão e me puxou da escuridão, dizendo-me que tudo ficaria bem. Suas palavras foram como o cantar de um anjo, me hipnotizando, soando tão levemente em meus ouvidos. Eu podia ver a sinceridade nelas.
Com os seus simples gestos, eu voltei a respirar. Dali por diante, tudo foi ele, tudo sempre seria ele. O meu coração ainda batia por ele, louco para ver aquele seu sorriso torto que me deixava embriagada.
Era como uma música eterna, como se o bater de meu coração sussurrasse o seu nome inúmeras vezes, feliz por ele existir.
Aquela música era lenta e doce, como o tocar de um piado, cada nota tocada com amor. E, por mais que eu quisesse calar a música, por mais que eu quisesse sufocar esse amor em meu peito, o calando para sempre, a música nunca se calaria, o amor nunca morreria. Aquele amor me tornava quem sou hoje. Era como uma tatuagem em meu coração, gravando o nome dele para sempre.
Como uma vez eu havia prometido: seria eternamente dele, mesmo que ele não fosse meu. Mesmo que outra tivesse roubado o seu coração paralisado para sempre.
- Há quanto tempo você está aqui? – a fraca voz de Bella ecoou sob o local, surpreendo-me. Abri meus olhos com dificuldade, como se algo me puxasse – sem permissão – de meus devaneios. Eu não queria voltar para a realidade rápido demais, o baque seria evidente. Ficar em um mundo de lembranças seria bem melhor do que voltar para a realidade cruel que tanto me machucava. Olhar para os lados e não ver o rosto de quem minha existência se resumia era torturante. Mais eu não podia continuar a viver assim, de alguma maneira, eu tinha que tentar, pelo menos, seguir a minha vida.
Respirei fundo, como se meus ombros pesassem milhares de quilos. Ao terminar aquele ritual doloroso que era respirar, depois que as agulhas imaginarias – mas assustadoramente notáveis – pararam de me ferirem, como se o meu peito estivesse sendo sugado, eu tentei abrir um sorriso reconfortante para Bella.
Todos os meus músculos lutavam para que eu desabasse ali mesmo, mas eu me seguirei ali, firme.
Bella se moveu na cama, puxando seu corpo frágil para cima, em uma tentativa – inútil – de se sentar. Era evidente que ela não estava em condições de fazer o mínimo de força. Afinal, ela tinha acabado de ser operada.
Um barulho frustrado saiu da minha garganta, como se espinhos e cacos de vidro estivessem no interior dela, mostrando o quanto eu estava abalada com aquele seu movimento.
Eu realmente não podia saber qual tinha sido o motivo maior daquilo; se era por causa do caminho perigoso que meus pensamentos seguiram, ou pelo jeito que Bella havia se movimentado. Em todo caso, ambos tinham o mesmo efeito sofre mim.
Andei até a cama onde Bella se encontrava, ainda com as minhas mãos em punho. Quando cheguei perto o suficiente, coloquei minhas mãos nos ombros frágeis de Bella, a impedindo de fazer qualquer outro movimento. Obrigando-lhe a ficar deitada.
- Bella, você têm um corte enorme na barriga, não seria nada legal se os pontos se abrissem. Então, seja uma boa garota e fique bem quietinha. – lhe adverti, com a minha voz um pouco mais alta do que o normal. Acho que consegui lhe mostrar o quanto estava preocupada com ela, e com a realização das minhas palavras. Se Bella tivesse que voltar para o centro cirúrgico, certamente não resistiria.
Os músculos de Bella se suavizaram em baixo de minhas mãos, enquanto ela fazia uma careta carrancuda e dava de ombros.
Eu realmente não gostava de ter que advertir alguém, ainda mais se esse alguém fosse Bella. Aquilo me fazia sentir como se eu fosse à mãe dela.
- Eu não sou tão louca a ponto de querer voltar para aquela sala. – Bella murmurou, fechando os olhos.
Era óbvio que ela estava realmente se mantendo acordado com muito curto. Sua expressão mudava rapidamente, enquanto ela respirava profundamente.
Tirei as minhas mãos dos ombros de Bella lentamente, tentando fazer o mínimo de barulho possível. Ela parecia estar a ponto de dormir, eu não queria acordá-la. Ela precisava descansar, isso era o fundamental para a sua melhora.
- Não vá embora, )
... – Bella pediu abrindo os olhos. Suas sobrancelhas se uniram levemente, enquanto ela pegou a minha mão com força. – Não quero ficar sozinha... – ela confessou, deixando a tristeza que estava em seu interior aparecer. – Se você me deixar, eu não vou conseguir falar o que eu tenho... – Bella já não dizia coisa com coisa. Sua voz estava totalmente grogue. – Eu tenho que te contar... – então, ela começou a chorar desesperadamente.
- Bella, não chore. – minha mão direita foi para seu rosto. Um aperto corrompeu meu coração. Ver Bella daquele jeito era torturante, eu não podia fazer nada para aliviar sua dor. – Bella, não chore. – sussurrei novamente, diminuindo a distância entre nossos rostos. Com um movimento de conforto, eu lhe abracei, tentando transferir sua dor para mim.
Os braços de Bella contornaram meu pescoço, enquanto meu rosto encostava no travesseiro braço com cheiro de remédio. Meus braços passavam-se pelos ombros finos de Bella, lhe reconfortando de alguma forma.
Bella sussurrava coisas que nem eu mesma conseguia ouvir. Seus lábios apenas se abriam, em um choro desesperado.
- Você é tão boa. Obrigada. – Bella sussurrou, segurando meu rosto com as duas mãos, me fazendo olhar seus olhos profundos. – Você sempre foi uma boa pessoa, sempre ajudou todos que te rodeavam. – uma lágrima escorreu sob meu rosto. Eu não sabia o motivo de estar chorando, mas uma dor diferente me consumiu. – Você é tudo o que eu um dia quis ser. – um sorriso fraco brotou em seus lábios. – Eu nunca chegaria em seus pés, apesar de querer muito. – para mim, as palavras de Bella já não faziam mais sentido. Tudo o que eu podia fazer, era escutar calmamente. – Sentir inveja de você era tudo o que eu tinha. Eu sempre quis o que você tinha, sempre quis ser exatamente como você. Você sempre teve o que quis., todos os garotos da escola olhavam para você, todas as meninas se sentiam ameaçadas por você, incluindo eu. – eu não conseguia acreditar no que ela estava dizendo. Minha vida estava muito longe de ser perfeita. Eu estava longe de ser perfeita... – Mas você nunca olhou para outro garoto, além de Jacob. Então, eu pensei que, se tivesse ele, seria um pouco como você. Eu teria o que você queria e não tinha. E isso me encheu de alegria, eu sabia que seria fácil. – ela desviou os olhos, olhando para a janela aberta. Era como se eu estivesse em uma bolha, não conseguia entender – acreditar – em nada. Eu não poderia ter me enganado tanto com uma pessoa só. Podia?
Meus braços soltaram Bella, como se eu a repelisse. Endireitei meu corpo, ficando completamente reta. Meus braços foram – automaticamente – para em torno de mim, me protegendo. Eu tentava não me magoar, tentava não deixar a magoa entrar em meu coração, porque seria muito pior. Um gosto amargo subiu pelo meu pescoço, deixando minha boca amarga, também.
- Quando eu descobri que Jacob te amava, enlouqueci. Eu comecei a criar um ódio tão grande dentro de mim. – o coração de Bella se acelerou. – Eu não podia acreditar que você tinha o coração de Jacob e não sabia. Eu comecei a fazer de tudo para te deixar para baixo. Todas as vezes que te via, dizia que Jacob era o melhor namorado de todos. Fazia de tudo para te rebaixar, mas parecia que não bastava. – andei até a parede mais perto, me encostando lá. Meus nervos estavam a flor da pele, eu perderia o controle em qualquer momento. Olhei para minhas mãos já tremulas, fixando minha atenção apenas nelas. – Eu sabia que a melhor maneira de te machucar era me casar com Jacob. Isso era o que eu tinha que fazer. Separar vocês para sempre... – a voz dela ficou amarga, como o próprio fel. – Jacob nunca transaria comigo, ele não seria tão burro. Não mais do que ele já era. – outra vez ela me chocou. – Eu sai naquela noite mais cedo do trabalho, indo para um boate qualquer. Eu sabia o que tinha que fazer, só não sabia se eu iria realmente engravidar. Estava no dia fértil, não teria erro. – então, as coisas começaram a se encaixar. – Encontrei um cara com o mesmo perfil de Jacob, o levei para um motel e transei com ele. Quando sai de lá, liguei para Jacob e pedi que ele fosse até a minha casa, não teria ninguém lá. Quando Jacob chegou, já estava tudo pronto. O suco com o calmante de meu pai já estava pronto, posto sobre a mesa da sala. – a raiva começou a ficar pior. Eu não tinha sangue de barata, e não poderia a deixar brincar com os sentimentos de Jacob. Ele já estava sofrendo demais com aquela história, não poderio deixá-lo sofrer ainda mais. Mas a historinha ainda não tinha sido terminada, e eu queria escutá-la até o fim. – Jacob dormiu feito uma pedra, enquanto eu tirava minhas roupas e as dele. No outro dia, eu disse que tínhamos transado, mas ele não se lembrava, é claro. O resto você já sabe...
- Você não poderia ter brincado com os sentimentos de Jacob dessa madeira. Você não poderia ter o feito sofrer. – disse entre dentes. Minha paciência tinha se acabado. – Se o seu problema era comigo, não podia metê-lo nisso tudo.
- Mas agora tudo acabou. Você e Jacob podem ser felizes, eu e minha filha vamos embora, assim que sairmos daqui. – sussurrou. – Eu só achei que devia te contar. Afinal, você me salvou e salvou a coisa mais importante da minha vida. Minha filha. – ela fechou os olhos, como se sofresse. – Por mais que seja difícil dizer isso, eu me apaixonei por Jacob. Ele sempre foi tão bom comigo. E, agora, eu não quero o ver sofrer, não quero vê-lo todas ás manhãs chorando por não ter se casado com a garota certa! – ela gritou, segurando a cabeça com força, chorando muito. – Não quero que ele pense que é obrigado a ficar comigo só porque acha que a minha filha é sua, porque não é!
- Que droga é essa que você está dizendo, Bella?– Jacob gritou, abrindo com força a porta, quase a quebrando. O seu rosto estava transformado pela raiva. Eu já estava o vendo explodindo em lobo, ali mesmo. Jacob foi andando até bella, dando grandes passos com força. Jacob nunca soube se controlar, ele estava a ponto de fazer uma loucura.
Andei rapidamente até Jacob, ficando de frente para ele, segurando seus ombros, o impedindo de dar mais um passo.
- Se acalme, Jacob.
- Você está do lado dela? – disse ele rispidamente, tirando os olhos de Bella e me encarando com raiva.
- Eu não estou. – disse rapidamente, respirando com dificuldade.
- Então, me deixe passar. Eu vou acertar minhas contas com essa garota!
- Eu não vou deixar você passar. – disse decidida.
- Porque você fica no lado de todos, menos no meu? – ele perguntou triste. Eu vi a magoa em seus olhos, o que me feriu.
- Eu não estou no lado de ninguém. Apenas quero que você não faça nada sem pensar. – olhei para Bella. Ela parecia um raro indefeso, fugindo do rato que a queria morta.
- Será que você não entende? Essa daí acabou com a minha vida, acabou com todas as chances que eu tinha de ser realmente feliz. Ela acabou com tudo, acabou com o nosso futuro, )
. Se não posse ela, você ainda me amaria, e seriamos felizes.
- Jacob, nunca poderíamos saber... – sussurrei, lutando para não dizer que mesmo que eu tivesse ficado com ele no começo, eu iria o magoar de qualquer maneira, não se pode lutar contra um imprinting.
- ME DEIXE PASSAR! – ele gritou, olhando para Bella.
- Não. – disse calmamente. – Se você quiser passar, vai ter que passar por mim. Você vai me machucar, Jacob? – passei meus braços em torno de mim, olhando seriamente em seus olhos.
- Que droga, )
! – ele gritou, se virando e indo até a porta. Jacob deu um soco na porta, antes de sair do quarto rapidamente. – QUE MERDA! – escutei ele gritar do corredor.
- Obrigada. – Bella sussurrou, me fazendo virar e encará-la.
- Não fiz isso por você. – disse seca. – Se Jacob fizesse alguma loucura, se arrependeria depois. – terminei rispidamente, a olhando com desprezo.
Eu não permitiria que Jacob sofresse mais. Eu tinha prometido a mim mesmo que nunca o faria sofrer, e que não deixaria ninguém fazer.
Sai do quarto rapidamente, deixando Bella sozinha com sua culpa.
A verdade é que,
eu o amei de alguma forma.
Seu sofrimento sempre será o meu sofrimento.
Ele enxugou minhas lágrimas quando estive sozinha,
Eu enxuguei as ele quando éramos unidos pelo sentimento confuso.
A verdade é que,
eu sempre o amarei de alguma forma.
Avistei Jacob sentado em uma cadeira no canto do corredor. Ele segurava sua cabeça com força. Suas lágrimas rolavam pelo rosto moreno. Sua dor sempre seria a minha dor, a ligação que eu tinha com Jacob era grande demais. O único erro foi, eu entender essa ligação diferente.
Lei cada passo lentamente, tentando não magoá-lo novamente. Por algum motivo, eu sempre estava o magoando, sempre estava dizendo à verdade que era dolorosa para ele. Se, para fazê-lo feliz, eu tivesse que mentir sobre meus sentimentos, eu o faria. Porque, vê-lo assim não dava mais.
- Eu não entendo... – ele disse, levantando a cabeça, quando parei em sua frente.
Me abaixei em sua frente, ficando de joelhos. Passei minha mão lentamente sob o rosto de Jacob, o fazendo fechar os olhos.
- Eu também não. – respondi.
- Porque você sempre fica do lado “deles”, e não no meu? – perguntou, abrindo os olhos.
- Eu não sei. – admiti. – Eu sei que sou uma idiota por não dizer as palavras certas. Eu realmente queria fazer tudo ficar bem, mas não posso... – confessei.
- Eu só acho que você nunca está do meu lado. – sua voz ficou fraca, enquanto dizia.
- È claro que eu estou ao seu lado, Jake...
- Não parece.
- Eu sei que nunca concordo com as coisas que você fala, mas é que eu não quero que você sofra.
- Eu já estou sofrendo, )
. – ele disse, me provando o que eu já sabia.
- Me diz o que eu posso fazer para parar com isso? – eu queria o tirar desse sofrimento. Eu já não agüentava mais o fazer sofrer. Não era justo...
- Fica comigo... – ele sussurrou, aproximando seu rosto do meu.
Respirei fundo, fechando os olhos com força. Eu tinha prometido que faria tudo que estivesse em meu alcance... Mas se eu o fizesse, estaria brincando com seus sentimentos, dando esperanças que nunca teriam chances.
- Eu sei que posso te provar que está enganada. – sussurrou ele em meu ouvido. – Eu sei que você voltará a me amar assim como me amou antes...
Abri meus olhos, encontrando o rosto de Jacob ainda mais perto, tão perto que seus lábios estavam a ponto de tocar nos meus.
-Você sabe que... – tentei dizer, balançado a cabeça. Mas Jacob me impediu, colocando um delo em meus lábios.
- Porque você resiste tanto há felicidade? – ele perguntou, passando sua mão em meu rosto. A outra mão de Jacob foi para minha cintura, me puxando para mais perto. – Eu sei que há algo entre nós.
- Jake, isso é loucura. – finalmente disse, olhando para baixo.
- Não, não é. – ele sorriu suavemente. De repente, Jacob ficou sério novamente; seus olhos ficaram tristes novamente. – Sabe qual foi o dia mais feliz da minha vida? – balancei a minha cabeça, quase encostando nossos lábios. – O dia que você disse que me amava. – aquilo doeu mais que espinhos. Eu pude sentir as lágrimas em meus olhos, loucas para sair. – E o dia mais triste, foi o dia em que você me disse que amava outro, e que nada mudaria isso.
Fechei meus olhos, trazendo o rosto de quem eu mais amava na vida. Edward...
Sua lembrança era como uma tempestade, me levando a morte.
Mas Edward nunca voltaria, ele estava feliz, em qualquer lugar com Bree. E eu nunca o veria novamente, o amor dele nunca seria meu novamente. Já estava na hora de deixá-lo para trás, mesmo que nunca deixasse realmente. Jacob estava sofrendo, e eu seria capais de tudo para mudar isso. Até mesmo ficar com ele...
Eu nunca poderia amá-lo como ele queria, mas não havia o que perder. Eu já tinha perdido...
Abri meus olhos, abri um sorriso calmo para Jacob, lhe dizendo tudo.
- Tudo bem, Jacob. – sussurrei, me aproximando mais dele. – Eu farei o que você está pedindo...
Jacob não esperou até que eu terminasse de falar, antes os seus lábios já estavam nos meus. Seus lábios quentes tocavam os meus com paixão, me pedindo passassem, enquanto eu dava.
Mais no momento que isso aconteceu, algo aconteceu. Parecia aquilo tudo tão... errado.
Não era a temperatura que eu precisava, não eram os mesmos lábios, não era Edward...
Bastou que eu apenas pensasse em Edward para que eu me entregasse ao beijo, para que eu realmente acreditasse que era ele ali, e não Jacob.
Por mais que ele tenha ido embora,
Eu ainda sinto ele aqui,
Sinto seu cheiro doce e delicado.
Por mais que ele ame outra,
Meu sentimento ainda será o mesmo.
O amor não se escolhe,
Muito menos o imprinting.
Com ele, está minha alma.
Meu coração.
Você nunca pode escolher quem é o certo para amar, ou o quem lhe magoe mesmo. Você nunca ama quem te ama. E sabe porque?
Porque não é sua cabeça que escolhe, e sim o seu coração.
Eu queria amar Jacob, queria ser feliz ao seu lado. Mais a quem eu estava tentando enganar?
Eu nunca amaria ele daquele jeito, Edward me fazia em eu sou. Mais eu tentaria seguir ao lado de Jacob, para lhe fazer feliz.
Tirei os lábios de Jacob dos meus lentamente, abrindo um sorriso para ele. Jacob também sorria, sua felicidade era como uma luz, iluminando o meu mundo escuro.
- Eu te amo. – ele sussurrou.
- Obrigada. – sussurrei em resposta.
Um barulho irritante ecoou no corredor, fazendo Jacob olhar para baixo, pegando o seu celular. Suas sobrancelhas grossas se uniram preocupadamente. Enquanto, ele suspirou alto.
- O que foi? – perguntei preocupada.
- O Sam achou um rastro no meio da floresta e quer que eu vá ver. – ele sorriu, dando de ombros. – Quer que eu te leve pra casa? – perguntou ele, se levantando e me ajudando a levantar.
- Eu vou ficar mais um pouco... – sussurrei, fazendo uma careta. Eu não sabia se ele iria gostar de saber que eu estava preocupada com a filha da Bella.
- Como quiser. – ele disse, parecendo não se impostar. – A gente de vê depois?
- Claro. – sorri. – Eu passo lá na sua casa, mais tarde.
- Então ta. – ele pegou a minha mão. Ele me puxou, de repente, me abraçando. – Você não sabe o quanto é bom saber que estamos juntos.
Jacob me soltou depois de alguns minutos, andando até a saída mais próxima.
- Vocês não podem ficar juntos! – escutei a voz da minha mãe, bem atrás de mim.
- Porque não? – perguntei rispidamente, me virando.
- Porque vocês são irmãos. – ela disse, acabando com meu mundo.
O grande segredo dela enfim foi revelado,
Levando-me até o inferno,
E me prendendo lá.
Sinceramente, não sei o que faço,
Nada mais parece certo, nada mais parece confiável.
Os lados foram separados,
Enquanto estou perdida entre eles.
Não existe o bem ou o mal,
Nem o certo ou errado.
Existe apenas o que mentiu menos.
Capítulo 25: Paternidade – segredos revelados parte 2
O grande segredo dela enfim foi revelado,
Levando-me até o inferno,
E me prendendo lá.
Sinceramente, não sei o que faço,
Nada mais parece certo, nada mais parece confiável.
Os dois lados foram separados,
Enquanto estou perdida entre eles.
Não existe o bem ou o mal,
Nem o certo ou o errado.
Existe apenas o que mentiu menos.
As palavras dela ecoavam em minha mente inúmeras vezes, sufocando minha cabeça e meus pensamentos.
O mundo parecia ter desmoronado em cima de mim, deixando tudo completamente sem sentido. E, por mais que eu tentasse não acreditar naquelas palavras dolorosas, algo dizia - me que era real e que estava muito longe de terminar.
Sim, aquele pesadelo era real e estava muito longe de terminar.
Meus pensamentos estavam confusos. Eu não conseguia entender absolutamente nada, por mais que tentasse muito.
Era como se eu estivesse trancada em uma parte do meu celebro que simplesmente não conseguisse raciocinar claramente.
Todas as possibilidades passaram-se pela minha mente, tentando encontrar respostas diretas.
Eu estava trancada em uma bolha que apenas repetiam as ultimas palavras que meus ouvidos escutaram, sem entendê-las de fato. E, a cada segundo passado, a voz ecoava em meus ouvidos mais alta, mais forte. Eram gritos torturantes, fazendo minha cabeça doer em chamas.
Minhas mãos foram até meus ouvidos automaticamente, tentando parar com aquilo de uma vez por todas.
Como se não fosse possível, a dor ficou ainda mais forte; arrancando um gemido alto de meus lábios.
Minha cabeça explodiria á qualquer segundo, acabando finalmente com aquela tortura. Porém, até que isso não acontecesse, a dor ainda continuaria ali, intacta.
Pude sentir lágrimas em meu rosto, fazendo meus cabelos longos e escuros grudarem em meu rosto.
As lágrimas continuaram escorrendo sem freio por muito tempo indo de encontro até minha boca, deixando aquele sabor salgado tão conhecido para mim.
Eu não conseguia saber exatamente ao certo quanto tempo fiquei chorando e sentindo aquela dor. Tudo o que meus pensamentos sabiam era que algo não estava certo. Não podia estar.
Aquilo era horrível demais para conseguir aceitar. Meu mundo estava afundando em um oceano de tristeza e eu não podia fazer absolutamente nada, além de ficar olhando de perto tudo afundar e desaparecer para sempre.
Meus últimos sonhos estavam desaparecendo como o vendo, me impedindo de enxergá-los. Porém, eu ainda podia senti-los ali no fundo do meu ser. Eles estavam bem ali, mas eu não poderia tocá-los ou alcançá-los.
– Eu vou te contar toda verdade. – a voz dela ecoou ao longe, me fazendo olhar para sua direção. Seus olhos marcantes se encontraram com os meus, segundos depois. Ela me olhava de um jeito que era totalmente novo para mim, como se realmente se importasse pela primeira vez na vida comigo. Aqueles olhos brilhantes carregavam um sentimento que eu nunca pensei que existisse ali: Dor. A mesma dor cruel e torturante que existia em mim. – Eu sinto tanto, minha filha. – ela choramingou com a sua voz ainda mais fraca que antes. Era como se o ar estivesse lhe faltando, a fazendo querer chorar. – Eu vou te fazer entender... – sua voz soou ainda mais fraca – o que jurei, segundos atrás, não ser possível. Sua respiração ficou ainda mais lenta, como se doesse respirar, como se a dor fosse grande demais para suportar. Mas eu não poderia a deixar me enganar tão facilmente. Não quando a mulher que estava ali era a mulher que mais tinha prazer em me fazer sofrer. Ela era a pessoa que mais sabia fazer isso, como se simplesmente fosse como respirar. Fácil demais. – Vamos conversar em um lugar mais reservado. – disse ela olhando em volta, procurando um lugar não especifico.
A dor tinha me deixado tão desnorteada que me fez esquecer completamente de onde me encontrava. Olhei rapidamente para o corredor mais movimentado do que antes.
Aquele não era o lugar certo para ter aquela conversa.
Minha mente ficou um pouco mais clara, me fazendo esquecer por um segundo a dor que me torturava cruelmente. Mas aquilo só durou apenas um segundo, logo a lembrança me fez a sentir ainda mais forte que nunca.
– Eu sei onde podemos ter essa conversa. – disse minha mãe, me fazendo olhá-la por um segundo. Ela estava aparentemente melhor do que antes; seus braços estavam ao redor de si, lhe abraçando com força; Sua respiração estava um pouco mais rápida do que antes – o que não era uma coisa muito boa. Ou exatamente uma melhora. – Venha. – ela chamou sinalizando com a mão ao mesmo tempo em que falava.
Lhe segui tomando um pouco mais de distância do que o necessário. Me protegendo da maldade que eu sabia que existia naquela mulher.
Ela poderia parecer uma pessoa passiva agora, mas não me enganava.
Eu era a pessoa que mais sabia o que ela era capaz de fazer. Principalmente comigo.
Ela tinha suas armas para me atacar, mas eu tinha as minhas para me defender. Não a deixaria fazer como nas ultimas vezes, despedaçando e pisando em meu coração sem dó e nem piedade.
A dor que ela me fez passar tinha me ensinado muito bem como ela poderia ser má, como ela poderia ser terrivelmente cruel. Justamente por isso que eu já esperava qualquer coisa vendo dela, mesmo que ela fosse minha mãe. Porque, simplesmente, ela nunca tinha sido uma. Muito menos para mim.
Meu coração já estava calejado demais para não ter aprendido a lição com todos os exercícios que a vida me deu.
Eu já tinha aprendido minhas lições e não cometeria os mesmos erros idiotas.
Eu tinha aprendido muito bem com os exemplos e, terrivelmente, tinha decorado muito bem quais eram eles. Tinha decorado tão bem que aquilo estava gravado em mim de tal forma que seria impossível esquecer. Impossível não lembrar de quão grande era a dor e de como ela poderia ser cruel e poderosa.
Não, certamente, eu não cometeria os mesmos erros...
Minha mãe parou de andar, parando em frente á uma porta qualquer de madeira escura. Ela me encarava com as sobrancelhas erguidas e seus lábios em um bico forçado.
Andei lentamente até ela, sem nem ao menos ter qualquer presa. Minha mãe revirou os olhos, aceitando aquilo como uma provocação – o que era a minha verdadeira intenção.
Eu mostraria a ela o quanto à dor que ela me fez passar tinha me mudado deixando aquela menininha para trás. Mostrando-lhe que eu não iria simplesmente abaixar minha cabeça e a deixar me machucar. Eu estava cansada demais para fazer isso. Cansada como se tivesse envelhecido anos em poucos minutos. Como se a presença dela sugasse todas as minhas forças vitais.
Eu estava tão cansada de ver os outros pisarem em meu coração como se fosse um lixo qualquer. Cansada de sofrer pelos outros. Cansada de simplesmente sofrer...
Cheguei a sua frente respirando fundo, a minha batalha interna estava longe de terminar.
Era a batalha que mudaria tudo, mudaria o percurso das coisas.
Ou eu continuaria sendo a menina que sempre fui; deixando os outros fazerem o que quiserem de mim. Ou deixaria aquele lado mais forte meu aparecer, transformando toda dor presente em mim em raiva, me libertando. Por que, de certa forma, a raiva conseguia ficar maior que a dor, deixando tudo mais fácil. Eu transformaria a dor em raiva, me obrigando a seguir em frente. Vivendo de qualquer maneira...
Adentrei na sala que minha mãe escolhera, passando por ela sem tocá-la ou encará-la.
A porta se fechou segundo depois que entrei, me fazendo cruzar os braços e esperar.
Eu tinha parado de frente para minha mãe, olhando sem medo em seus olhos, com o ar de força que me tomava pela raiva.
Ela respirou fundo, me encarando com a mesma intensidade de volta. Seus olhos me queimavam, enquanto os meus lhe faziam a mesma coisa.
– Parece que você tem algumas coisas para me falar. – disse apertando os meus braços com mais força em minha volta. Minha voz estava tão transformada pela raiva que chegava a chocar. Não era eu quem estava falando ali e sim a minha raiva, a minha dor. Por mais que eu lutasse para não deixar aparecer, aquilo ainda doía muito. Se eu deixasse a minha dor aparecer, acabaria lhe mostrando o quão fraca eu realmente era, e isso eu não poderia fazer. De alguma forma, minha mãe era minha pior inimiga. Olhar-lhe me lembrava de tudo que Ted me fez, me fazendo olhá-la com nojo supremo. Ela era tão suja quanto ele, o que me fazia acreditar que eram a mesma pessoa. – Parece que você ainda não cansou de tentar me machucar. Vive tentando alguma coisa nova. – sorri amargamente, lembrando da ultima vez que nos encontramos. Lembrando de como ela tinha defendido Ted e me humilhado. Se eu fechasse os olhos seria capaz de reviver tudo de novo. Mas, certamente, eu não queria reviver nada daquilo. Eu apenas queria esquecer. – Tenho que te dar os parabéns, você desta vez quase me fez acreditar que estava falando a verdade. Você realmente me surpreendeu. – o sarcasmo praticamente escorria em minhas palavras. Os olhos dela tinham uma faísca de dor que me deixou por um segundo abalada. Eu não poderia me deixar enganar por um olhar de dor, não depois de tudo o que ela me fez. O meu sorrido aumentou de qualquer forma, enquanto eu lhe aplaudia. – Parabéns. Desta vez você se superou...
– Pare. – ela disse com firmeza, me interrompendo. Ela fechou os olhos com fúria, antes de sussurrar: – Eu ainda sou a sua mãe.
– Não parecia quando você estava praticamente me chamando de vadia. – retruquei ainda com a voz cheia de ódio, mas totalmente calma.
– Sei que fui longe demais com você... – ela disse com a voz meio abalada, abrindo os olhos e me encarando com certo receio.
– É, você foi sim. – minha voz perdeu o tom de calma, mudada para dor. – Mas isso não pareceu incomodar você. Você nunca se importou mesmo com os meus sentimentos. Tudo o que você queria era me fazer sofrer. – me aproximei dela, dando um longo passo à sua frente. – Você sempre esteve ocupada demais me machucando para ligar para os meus sentimentos.
– Eu sei... – ela choramingou – derrotada -, fechando os olhos com força. – O que eu fui não foi nem de perto uma mãe. Mas, entenda, - ela abriu os olhos, mostrando aquela dor que eu não queria perceber. – Eu tive os meus motivos, filha. Eu posso não ser a mãe que você merece, mas tudo o que eu fiz até hoje foi para te proteger.
Foi como um tapa na minha cara. Doeria menos se tivesse sido. – Me proteger? – disse incrédula, entre dentes, praticamente gritando. – Não se protege ninguém assim...
– Eu sei. – ela me interrompeu, novamente. – Como eu disse antes, “tive motivos para fazer o que fiz”. – ela se aproximou de mim. – Eu te amo tanto, minha filha. – ela sussurrou, como se tentasse tirar a dor que se alastrava por meu ser. Eu não podia acreditar que ela realmente me amava. Eu me obrigava a não acreditar em nenhuma só palavra que saia de sua boca. – Se você soubesse o quanto você é importante para mim, me entenderia pelo menos um pouco. – ela se aproximou mais ainda, olhando-me com aqueles olhos que eram tão estranhos para mim. Em seguida, sua mão estava em meu rosto, alisando com cuidado a maçã de meu rosto. Eu não poderia me lembrar de quanto tempo ela não fazia qualquer carinho em mim. Mas tinha a quase certeza que nunca tinha sentido seus dedos me fazendo carinho. E aquilo era bom. Inacreditavelmente bom.
Aquele carinho me fazia sentir algo que nunca pude sentir realmente: amor de mãe vindo dela. Fechei meus olhos com força, deixando as lágrimas escorrerem pelo meu rosto, deixando a verdadeira tristeza aparecer. Ao mesmo tempo em que aquele toque me fazia sentir a melhor sensação do mundo, me machucava. A dor de nunca ter tido uma mãe me atingiu ao mesmo tempo em que seus dedos. Eu simplesmente não conseguia acreditar que nunca tinha sentido aquela sensação que era tão normal para todo o mundo. Aquilo era tão novo e desconhecido que chegava a doer.
– Você sempre foi um sonho para mim. Quando eu tinha a sua idade, tudo o que eu mais queria era ter uma filha que me deixasse orgulhosa. E agora, eu tenho... – disse minha mãe, depois de alguns minutos. Escutei o soluço alto vindo dela. Sua respiração estava fraca demais, como se ela obrigasse a si mesma guardar o choro dentro de si. – Você é tudo no mundo que eu sempre quis. Tudo no mundo que eu mais me orgulho... Que mais amo. Você é a melhor filha que alguém poderia ter.
Eu não conseguia entender mais nada. Se aquilo era uma armadilha para me fazer acreditar em uma só palavra ela ou para me deixar completamente confusa, estava realmente funcionado. A confusão praticamente saia pelos meus poros, fazendo minha mãe rir por qualquer razão que não pude entender.
Sua risada era um som estranho para mim, um som que me fez sorrir também. Era uma risada gostosa e doce – o que pensei nunca existir nela.
Lembro de ouvir minha mãe dizer inúmeras vezes que eu era um completo fracasso, o peso que ela teria que carregar por toda sua vida.
Abri meus olhos com dificuldade. Minha cabeça ainda doía como se estivesse pegando fogo. – Eu não entendo... – minha voz saiu sem vida, como se a vida simplesmente já não existisse em mim.
– Eu era tão jovem que não conseguia entender o que estava fazendo. Não conseguia enxergar a gravidade daquilo tudo. – ela abaixou os olhos – vergonhosamente. Suas sobrancelhas se juntaram com força, enquanto algumas lágrimas escorreram sem freio pelo seu rosto. – Quando eu realmente me apaixonei já estava casada com Ben. – ela tirou sua mão do meu rosto, olhando para suas mãos já tremulas, como se tivesse algo ali. Após isso, ela passou suas mãos pelo rosto molhado. As palavras dela tinham vida própria. A dor era evidente demais.
Mesmo eu tentando não me enganar e fingir que não podia ver aquela dor em seus olhos, agora a dor tinha ficado grande mais para fingir não notar. Aquela dor me assustava, me fazendo querer abraçá-la e dizer que tudo ficaria bem. Mas eu realmente não podia, a dor em mim conseguia ser maior que a vontade de tirar a dor dela. Eu não podia simplesmente tentar aliviar a dor ela, por que, simplesmente, ela nunca se importou de aliviar a minha.
– Sei que nunca fui uma mãe de verdade, mas acredite, eu sempre amei você. – ela continuou respirando fundo, levantado mais a cabeça, tomando coragem para algo. Era obvio que ela estava se esforçando muito para encarar os seus fantasmas de frente – o que me assustava. Se ela estava assim, era porque seus fantasmas eram grandes demais. Talvez eu não pudesse suportar a dor da verdade que eu lutava para não enxergar. – Eu era muito jovem – sei que isso não justifica -, mas estava cansada de fazer o que meus pais queriam, sem nem ao menos questionar. Pela primeira vez, eu realmente estava sendo a garota que nunca tive chance de ser. – Aquilo era tão novo para mim que chegava a chocar. Minha mãe nunca falava de seus pais, era como se lutasse para esquecer. Eu, porém, sempre fiquei muito curiosa em relação a isso, mesmo sem dizer nada. Eu nem ao menos sabia os nomes dos meus avôs maternos, quem dirá como eles eram – fisicamente e mentalmente.
– Me casei com Ben quando tinha 17 anos. Era uma garota sonhadora, tão diferente dele que chegava a incomodar. Ben sempre teve seus pés grudados no chão. Sonhava apenas em poder me dar o luxo que ele achava que eu queria. Seus sonhos eram nem de longe parecidos com os meus... – ela continuou falando, andando até uma cadeira que estava atrás da enorme mesa da sala. Aparentemente, ali era um consultório medico. Era estranho eu não ter percebido aquilo antes... – Eu queria encontrar o verdadeiro amor, sentir o que todos diziam que não existia. Eu queria ter filhos em volta de mim, enquanto esperava meu marido chegar do trabalho. – ela sorriu amargamente, como se seus sonhos estivessem morrido há muito tempo. Ela virou um pouco a cabeça, olhando a janela atrás da cadeira. Antes, eu nem tinha notado a existência daquela janela, estava perdida em muitos pensamentos para prestar atenção em qualquer coisa que não fosse aquela história. A história que fez a garota sonhadora, que era minha mãe, morrer. – Talvez eu tenha feito à escolha certa em relação ao amor verdadeiro, mas tenha escolhido a pessoa errada para isso. – ela se virou para mim, novamente, suspirando alto. – Sabe, o amor é como uma serpente disfarçada de um colar. Quando você o coloca no pescoço, pensando que ele irá lhe trazer alegrias, tudo o que ele faz é partir seu coração. A serpente reaparece, te atacando com total crueldade. – a comparação dela me fez fechar os olhos. Não, o amor não era como uma serpente. Ele era como um punhal de duas pontas. Ferindo-te de qualquer jeito... – O amor pode ser um sentimento bom, mas também pode ser um sentimento perverso. – abri meus olhos, encarando seus olhos. Minha mãe sorria para mim docemente, me obrigando a retribuir. – Talvez você nunca tenha sentido isso, talvez tenha. – ela se levantou. – Pode não parecer, mas eu te conheço melhor que você mesma. – ela afirmou convencida, dando um sorrisinho torto. Um tanto quanto bobo. – Você está sofrendo. Basta olhar em seus olhos para perceber isso. E apenas uma única palavra é o motivo disso: amor.
Uma facada atacou meu coração. Desviei os meus olhos dos olhos marcantes que pareciam ver minha alma. Eu não queria que ela soubesse da existência da minha dor. Eu não queria que ninguém soubesse que eu estava sofrendo e vivendo como uma morta viva. Ainda mais esse alguém sendo minha mãe, que poderia usar aquilo para me fazer sofrer, ainda mais, no futuro. Porém, as palavras dela tinham razão. O amor era uma coisa boa em um ponto, mais era muito cruel em outro. Aquele sentimento avassalador sabia ser cruel como ninguém.
Coloquei minha mão no peito – bem em cima do meu coração -, sentindo a dor praticamente escapar para todo canto. Fechei meus olhos, travando o maxilar com força.
– Viu como eu te conheço tão bem? – a voz da minha mãe ecoou em meus ouvidos. – Sabe por quê? – eu neguei com a cabeça, virando minha cabeça e abrindo os olhos, encontrando aqueles olhos que me faziam temer até o ultimo centímetro do meu corpo.
– Porque sou sua mãe. – ela respondeu simplesmente.
Minha mãe me olhava com uma dor completamente diferente agora. Era... Pena?
– O amor não foi justou conosco, não é? – ela perguntou, passando seus braços em volta de mim. Abraçando-me de um jeito estranho, como se não soubesse fazer isso muito bem.
– Não, ele não foi. – respondi, travando minha respiração e colocando minha cabeça no ombro frágil da minha mãe. Minha garganta travou, prendendo o grito e o choro.
– Eu sei o quanto dói. Acredite. – ela passou sua mão entre os fios longos do meu cabelo, delicadamente. Senti seus lábios no alto da minha cabeça – depositando um pequeno beijo ali –, enquanto ela respirava profundamente. – Um dia a dor não vai ter a mesma intensidade, mas ela nunca passará se o amor for verdadeiro.
Nunca pensei que um dia minha mãe me abraçaria daquela maneira, tentando aliviar a minha dor.
Uma parte minha estava feliz por ela estar ali, me consolando de tal maneira que eu não poderia descrever.
Sim, eu estava muito feliz por ela estar ali... – aquele pensamento me chocou assim que surgiu em minha cabeça.
Fim POV )
POV Versão terceira pessoa:
Helena (Mãe da ))
Helena ainda podia se lembrar de como a dor em seu peito era cruel. Em algum lugar de seu coração – um lugar tão pequeno e frágil – ainda existia aquela dor assustadora, acabando com o mundo de frieza que a mesma criou. Ela queria poder voltar no tempo, mudando sua história infeliz, mudando o rumo cruel que sua vida tomou.
Porém, ela nunca poderia desfazer os erros do passado – o que só piorava a dor e a culpa dentro de si -; ela nunca poderia respirar aliviada.
Felicidade era uma palavra que já não existia em seu mundo há muito tempo. E com essa simples palavra que significa tantas coisas, o mundo perdeu o brilho. Seu mundo hoje era apenas escuridão e desespero.
Ela queria que aquele sentimento desaparecesse como névoa, a fazendo respirar aliviada pelo menos uma única vez.
E por mais que ela tenha sufocado aquele sentimento durante todos esses anos, aquele sentimento nascia entre as cinzas, trazendo aquele ódio tão grande junto com sigo.
O ódio chegava a ser maior do que o amor que ainda existia em seu coração frio. Ela queria tirar aqueles sentimentos com suas próprias mãos.
Entretanto, ela nunca mereceu o amor que o seu ex-marido lhe dera durante esses anos. Não merecia a paciência que ele lhe dera apesar de tudo.
Ele, apesar de tudo, tinha tentado cuidar de seu coração cruel e frio. Porém, nem mesmo o seu coração puro foi capaz de fazer isso.
Helena sempre foi àquela que destruía o coração das pessoas que a rodeava sem dó e nem piedade. No fundo, ela sabia que tudo o que tocava era destruído cruelmente, assim como o seu próprio coração.
Entretanto, ela nunca foi capaz de descobrir em que momento que se tornou uma pessoa assim. Tudo o que ela podia saber era que tinha se tornado uma pessoa amarga e fria.
Ninguém mais podia ver os seus erros do que ela mesma. Ela tinha destruído o coração das pessoas que mais amava na vida: seus dois filhos.
Eles nunca a perdoariam por ter sido tão cruel e egoísta. Porém, ela tinha tido os seus próprios motivos para não querer que eles a amassem.
Seria cruel demais permitir que eles a amassem de verdade. Seria cruel demais quando o tumor que existia nela rompesse e os seus filhos sofressem.
Ela não se importava de morrer – sabia que realmente merecia isso –, mas se importava com seus filhos. Não era justo os fazer sofrer ainda mais por sua causa.
Cada um tinha seguido o seu próprio caminho. Suas vidas tinham seguidos caminhos que não mereciam ter mais um aborrecimento.
Eles já tinham muito para se preocupar e ela não queria que eles se preocupassem com sua mãe moribunda.
Se ela os tivesse tratado com o amor que eles mereciam – com o amor que ela tinha necessidade de lhes dar –, eles sentiriam sua falta quando o inferno a levasse.
Ela não poderia ter feito às coisas diferentes – mesmo que quisesse muito –; mesmo que ela tente ser forte a ponto de parecer o monstro que todos pensam que ela realmente é.
Dizer todas aquelas palavras para sua filha no hospital fora o mais difícil de fazer. Era torturante demais dizer que não acreditava nas palavras da jovem, pois sabia que era tudo verdade.
Era torturante ver o quanto o coração de sua filha estava despedaçado e ela não poderia fazer absolutamente nada para melhorar aquilo. Pelo contrario, tudo o que ela foi capaz de dizer foi coisas que despedaçou o coração da menina ainda mais. Olhar naqueles olhos que demonstravam a dor da sua filha e dizer aquilo tudo foi torturante demais. Mas ela tinha que ser forte, tinha que evitar que sua filha sofresse ainda mais.
Se ela não dissesse tudo aquilo, Ted contaria para todos que ) não era filha de Ben. ) não merecia tanta dor de uma só vez. Não merecia que todo seu mundo fosse destruído em apenas um instante.
Bastava olhar nos olhos de ) naquele momento para ver que ela não suportaria aquela dor. Bastava ver Ben e ) juntos para saber que eles não mereciam tudo aquilo.
) amava aquele pai demais para que aquilo fosse destruído.
Helena sabia que sua filha não suportaria aquilo, mas ela tinha que contar a verdade agora.
O quê fazer quando sabe que todos os caminhos que você pode seguir irão ferir a criatura mais preciosa de sua vida? Seguir o que doeria menos?
Helena fez tudo o que tinha que ser feito para evitar que sua pequena preciosa sofresse ainda mais.
Ela tinha feito tudo o que pôde para não ver o mundo de sonhos de ) ser completamente destruído, mas tudo falhou no exato momento em que viu ) e Jacob se beijando mais cedo.
Helena tinha sido tola demais acreditando que nunca houve a possibilidade de ) e Jacob ficarem juntos. Ah, Céus, ela estava tão enganada!
Ela viu o brilho nos olhos de Jacob quando os seus lábios separaram-se dos lábios de ). Ele disse alto e em bom som que a amava.
Aquilo doeu muito, como espinhos e facas ferindo o coração de Helena.
Ela não estava apenas destruindo o coração de sua filha, mas o de Jacob também.
Aquele garoto sempre esteve lá quando ) precisava, mesmo que seu pai dissesse que aquilo era perda de tempo.
Jacob sempre cuidou do coração triste de ), fazendo uma luz que apenas existia nele.
Achar que quando eles crescessem o amor entre eles diminuiria era o grande era da vida de Helena.
Deus, eles eram irmãos. Aquele erro era grande demais e Helena era a culpada.
Helena nem poderia imaginar se ) e Jacob já tivessem transado, seria um pecado ainda maior. Ela tinha que impedir se houvesse a possibilidade deles ficarem daquela maneira.
Porém, ela estava destruindo o coração deles assim como Billy Black tinha destruído o seu há anos atrás.
Aquele homem não teve piedade de seu coração fraco, tudo o que ele realmente queria era a machucar ainda mais. Porém, mesmo que Billy tenha destruído seu coração, doía ver que estava destruindo o coração de Jacob da mesma forma.
Ela não era tão cruel assim em ficar feliz com aquilo. Ela não era tão má em encarar aquilo como uma vingança.
Jacob não merecia sofrer. Ele não era um monstro como seu pai. Pelo contrário, ele era um garoto bom que lutava pelos seus sonhos, e ) era um deles. Não havia palavras para dizer o quando Helena estava se sentindo suja.
Ela realmente era o pior monstro que podia existir. Pensando bem, existia apenas um que conseguia ser pior que ela: Ted
Aquele monstro pagaria com a própria vida pelo que fez a ). Ele sentiria na pele tudo o que ele a fez sentir e, Helena, seria a mulher que o faria isso. Já não havia motivos para continuar no mesmo teto que aquele monstro, já não havia nada que ele pudesse fazer contra ela.
Ele não teria o prazer de destruir o coração de sua filha mais uma vez. Helena o destruiria primeiro.
Ela o levaria para o inferno junto com ela, os fazendo pagar por todos os seus pecados.
Morrer agora ou mais tarde não a faria diferença nenhuma. Não mesmo.
Fim versão terceira pessoa.
POV )
– Quando Billy Black chegou á cidade, eu tinha acabado de me casar. – minha mãe continuou com a voz mais grave. – Ele era tão doce – não que Ben não fosse –, mas eu já nem conseguia pensar... Estava completamente apaixonada. – tentei ver minha mãe apaixonada por Billy Black, o homem mais desprezível e cruel da cidade. Aquilo parecia tão errado e impossível. Nas poucas vezes que os vi juntos, eles apenas trocaram palavras ofensivas e olhares cheios de puro ódio. – Eu não sabia que Billy também era casado. Na verdade, eu nunca soube nada dele realmente. – uma faísca de puro ódio passou pelos olhos de minha mãe. Ela respirou profundamente, aparentemente, tentando se controlar. Suas mãos tremiam bruscamente, enquanto ela dava um longo passo para trás. Seus braços me deixaram tão rápido que não pude deixar de estremecer. Eu não queria perder aquela sensação de proteção, mas tinha que me acostumar com aquilo. No fundo, eu sabia que minha mãe apenas tinha feito aquilo tudo para amenizar um pouco a minha dor. Ela ainda continuava sendo a mulher que me fazia sofrer apenas com um olhar, eu não poderia me esquecer disso. Ela apenas estava tentando me enganar mais uma vez, mas não iria conseguir. – Eu agüentei o quanto pude, mas Billy me seguia por onde eu fosse. Ele me dizia que eu era a mulher de sua vida e que faria de tudo para ficar comigo. – ela passou seus braços em torno de si, respirando algumas vezes antes de continuar. – Se passaram anos assim, enquanto eu fugia de Billy como o Diabo da cruz. A culpa de amar outro homem apenas aumentava dentro de mim, me fazendo fazer de tudo para que Ben se sentisse amado. Todas as vezes que eu olhava para Ben, o imaginava sendo Billy. – seus olhos viajavam por um passado triste e muito distante. Eu não queria estar ouvindo aquilo tudo por que, no fundo, já sabia qual seria o final daquela história e não queria acreditar que aquilo realmente era verdade. Era a minha vida ali, os segredos que eu nunca pensei que existisse. Aos poucos, eu estava perdendo tudo. – Em uma noite, eu estava sozinha em casa, me sentido tão só e tão culpada. As lágrimas simplesmente escorriam pelo meu rosto, enquanto a culpa só aumentava mais e mais. Billy apareceu do nada, me fazendo levar um susto horrível. Então, foi ai que tudo aconteceu... – eu não queria ouvir mais nada, aquilo era uma loucura. A cada palavra, meu mundo se despedaçava mais um pouco. Eu não podia suportar aquilo, a dor era grande demais. As lágrimas e os soluços saíram sem freio de mim, enquanto eu finalmente entendia aquilo tudo. Até então, a ficha ainda não tinha realmente caído. - Quando eu descobri que estava grávida, meu mundo simplesmente se desfez. Eu não sabia o que fazer, estava me sentindo culpada demais para fazer alguma coisa. – não era o mundo dela que estava se desfazendo, era o meu. Coloquei a mão na boca, tentando não gritar. Eu queria implorar para que ela parasse, mas não tinha forças para isso. Eu repudiava tudo aqui.
Minha garganta fazia um ruído desesperado, mas não conseguia ser um grito de verdade. As forças estavam desaparecendo do meu corpo rapidamente, enquanto a dor me consumia por inteiro. Fechei meus olhos, tentando esquecer aquelas palavras. Tentando me fazer acreditar que aquilo era apenas um pesadelo e que logo eu acordaria. Meu pai continuaria sendo meu pai e Billy Black continuaria sendo o homem que despedaçou meu coração inúmeras vezes quando criança.
Eu ainda poderia me lembrar de suas palavras quando eu ia a sua pequena casa.
Não, eu não poderia ser filha do homem que me humilhou inúmeras vezes quando criança.
Eu não poderia acreditar que o homem que me amou e me protegeu desde o dia em que nasci não era meu verdadeiro pai. Aquilo era cruel demais para acreditar.
– Eu tentei falar com Billy, mas ele simplesmente desapareceu. Era como se tivesse virado pó. – a voz grave da minha mãe continuou, me fazendo querer morrer ali mesmo, antes que aquela história dissesse o que eu já sabia.
Eu não poderia permitir que ela dissesse em voz alta aquilo tudo, doeria ainda mais. Mas eu simplesmente não conseguia fazer mais nada, estava sem forças para ao menos abrir a boca. Olhei sob as lágrimas o local onde me encontrava, tentando encontrar a saída e fugir dali o mais rápido possível, mas as lágrimas eram tantas que eu não conseguia enxergar absolutamente nada.
– Um convite misterioso chegou em casa; Ele era vermelho com letras brancas. Eu só tive coragem de abrir quando Ben voltou do trabalho, com Eric nos braços. – ela continuou com a voz sussurrante.
Eu não queria mais escutar. Será que ela não conseguia entender?
– No dia seguinte, eu e Ben fomos pela primeira vez na casa dos Black. Era uma casa realmente simples, mas muito bonita. E quando eu conheci a Senhora Black e as suas duas filhas, meu coração se quebrou em tantos pedaços miúdos.
– Pare. – consegui encontrar o que tinha sobrado da minha voz. – Por favor... – sussurrei entre soluços, me abraçando com força. Eu queria desaparecer, apenas isso.
– Eu estava tão magoada que simplesmente sai correndo, sem nem ver o que estava fazendo ou por onde pisava. – ela continuou mesmo depois do meu pedido implorador.
Forcei as minhas pernas a se moverem, eu não podia escutar o final daquela história.
Eu não podia escutar a voz grave dela dizendo alto e em bom som que eu era filha daquele homem. Aquilo já doía demais agora, não suportaria depois.
Meus pés perderam a força no meu segundo passo, me fazendo cair de joelhos no chão. Não liguem para a dor aguda de meus joelhos ralando no chão. Aquela dor nem se comparava com a dor do meu coração.
Cravei minhas unhas nas palmas de minhas mãos, fechando minhas mãos em punho. Logo o sangue fervente escorreu sob meus dedos finos, me fazendo passar a mão na minha calça.
– Billy foi atrás de mim, gritando meu nome. Quando ele me alcançou, me segurou pelo braço, gargalhando alto de mim. Naquela hora, ele me disse que eu tinha sido o brinquedo mais emocionante da vida dele. Ele nunca me amou. Ele nunca amou ninguém... – disse minha mãe mais rapidamente, me fazendo levar as mãos até os meus ouvidos. Manchando meu rosto se sangue.
– Eu não quero mais escutar. – disse entre dentes, fechando os olhos. – Eu não posso mais escutar essa loucura. – choraminguei, me sentando no chão gelado. Abracei minhas pernas com força, como se eu fosse uma bola. Tudo o que eu queria era desaparecer. Para sempre.
– Eu jurei a mim mesma que nunca mais voltaria a procurá-lo. Ele tinha sido cruel demais comigo, mais eu tinha que dizer que estava grávida. – continuou a mulher, como se eu não tivesse dito nada, simplesmente. No fundo, tudo o que ela queria era me torturar e estava realmente conseguindo. Ela podia dizer tudo o que queria, me machucar das piores maneiras, mas aquela era sem duvidas a pior. – Fui até a casa dele uma noite, você já tinha nascido e Jacob estava prestes a nascer. Eu estava com tanta culpa em cima de meus ombros, Billy tinha obrigação de dividir um pouco comigo. Deus sabe o quando era ruim olhar de novo para aquele ser desprezível, mas eu tinha que ter forças para contar a verdade. Eu, no fundo, queria que ele também se sentisse culpado e infeliz. A culpa dentro de mim conseguia ser bem maior que a raiva e o rancor... – minha mãe se abaixou perto de mim, seus olhos me olhavam com pela. Mas era como se ela não conseguisse mais parar de falar, como se as palavras tivessem vida própria. Sua mão foi se aproximando de meu rosto e eu quis me afastar rapidamente. Eu estava enjoada demais para suportar aquilo tudo. Me arrastei no chão, me distanciando da minha mãe. Seus olhos ficaram tristes na mesma hora, enquanto eu me encostava na parede mais longe possível dela. – Quando eu comecei a dizer tudo, Billy simplesmente teve um ataque de raiva, me batendo com todas as suas forças. – minha mãe limpou a garganta antes de continuar, fingindo que nada tinha acontecido. Ignorando o meu nojo por ela. Mas no fundo, eu sabia que ela tinha ficado magoada. – Ele me chamava de louca e de tudo que podia pensar naquele momento, menos a mãe de uma das três filhas dele. – tentei ignorar aquilo, encostando meu rosto na parede. Eu não era filha dele, eu não era filha dele. – Quando já não tinha mais nada a ser dito, Billy me disse que nunca iria querer saber da maldita criança que nascera de mim e dele. – meu corpo estremeceu, congelando-se. – E que nós - eu e você -, não lhe importava, simplesmente. Juntei todas as forças que tinha e lhe soquei, provando para o mundo que não o amava e que nunca acreditaria em uma só palavra vinda dele. Ele, como sempre, apenas riu. Era como se ele visse uma coisa patética demais... – sua voz estremeceu. Eu pude ver a dor ali e me perguntei se no fundo ela ainda o amava. Sob a magoa, o rancor e a raiva eu pude ver amor ali. Por mais que Billy tivesse sido um desgraçado, ela ainda o amava... – Alguns anos se passaram e a mulher de Billy descobriu tudo, assim como Ben. – ela suspirou, entanto dizia com a voz baixa. Ela andou lentamente até a cadeira em que antes estava sentada, se sentando. Notei que os olhos da minha mãe encaravam tudo, menos os meus olhos. – A mulher apareceu em casa desesperada, gritando e chorando como uma louca. Eu tive pena dela, ela não merecia ter aquele monstro como marido. Ela era doce e bondosa, diferente de mim que já tinha se tornado um poço de rancor e ódio. Ben simplesmente me olhou com dor, dizendo que nunca mais queria me ver na vida, mas que você continuaria sendo filha dele. Eric acordou assustado, chorando e me perguntando se você não era a irmãzinha dele.
– Billy conseguiu segurar a mulher pelo braço e levá-la para o carro, ambos estavam desesperados. – a cada palavra o meu coração se partia ainda mais. Todos sabiam de tudo, menos eu. Eric sabia desde o inicio que eu não era totalmente irmã dele, mas nunca disse absolutamente nada. Meu pai, ou o meu não pai, sempre soube de tudo, mas sempre me tratou como a sua verdadeira filha. – Peguei você no berço e o seu irmão dos braços de Ben, dizendo que sentia muito. Naquela hora, eu não conseguia pensar em mais nada. Tudo o que eu sabia era que tinha que sair dali, antes de ver Ben chorar. Eu já tinha culpa demais para carregar...
– Levei você e seu irmão para um parque de diversões, os colocando em baixo da roda gigante. Eu tinha uma amiga lá perto, eu imploraria para que ela me deixasse ficar na casa dela por um tempo, com vocês. Falei com ela rapidamente, com medo que algo acontecesse á vocês. Quando voltei para pegar vocês e os levar comigo, vocês já não estavam mais lá. Eu simplesmente surtei. Tinha completamente certeza que tinha os deixado embaixo da roda gigante. Liguei para todos os números conhecidos, até que descobri que o pai de Ben descobriu onde vocês estavam e os levou, antes que um homem te roubasse. – minha mãe sabia muito bem que aquele homem queria muito mais do que apenas me roubar. Ele era um monstro assim como Ted. Assim como ela. – Eu estava apavorada demais para pensar, então tudo o que pude fazer foi voltar para casar e ver que vocês estavam bem. Então, venho à notícia que me destruiu ainda mais: o carro de Billy tinha tombado e a mulher dele tinha morrido e ele nunca mais andaria. – minha mãe praticamente revivia tudo aquilo enquanto falava.
Eu correria se pudesse mexer um centímetro de meus músculos ou apenas uma parte do meu corpo.
Agora tudo fazia sentido, eu lembro perfeitamente da noite em que minha mãe nos deixou. Lembro do pânico se espalhando pelas minhas veias como acido fervente. Ela não tinha nos deixado, ela estava tentando nos tirar da confusão apavorante que se alastrava pela casa onde as verdades tinham sido reveladas. E por mais que eu soubesse de tudo agora, não mudava nada. Ela tinha me feito sofrer de mais, tinha destruído meu coração inúmeras vezes em anos de convivência.
Ela poderia ter não me contado para me proteger, mas ainda sim doía muito.
Não, doer era muito pouco para descrever o que eu estava sentindo aquele momento.
Era muito mais que dor. Era ódio, raiva, magoa, desilusão e rancor.
Aquilo tudo se misturava em mim, destruindo o ultimo fio de esperança que tinha me sobrado.
A vida já não tinha mais sentido nenhum para mim. Eu já não sabia mais pelo quê valia a pena lutar.
Eu estava no final da estrada, tinha perdido o controle de tudo. Meus pensamentos estavam me assombrando junto com a verdade; e meu mundo estava destruído. Minha vida, meu mundo, estava em ruínas.
Sinceramente, eu não sabia mais o que fazer. Nada mais parecia certo ou confiável.
Eu estava trancada no meu próprio inferno particular, sentindo todos os pedaços do meu coração se quebrar em tantos pedaços que seria impossível colá-los desta vez.
A dor era insuportável demais, como se fosse uma dor física. Todos os meus fantasmas estavam se fundindo em apenas um, fazendo a dor focar mil vezes mais forte.
Aquilo tudo tinha virado uma bola de neve, se fundindo e criando mais força. A avalanche estava se chocando contra mim com tanta força que doía demais. Eu já não conseguia encontrar forças para lutar contra ela. Era simplesmente grande demais. Eu me sentia pequena demais. Fraca demais.
Minha vida se resumia numa mentira. Todas as memórias boas ou ruins se resumiam numa grande mentira. E aquilo era grande demais para ignorar.
Me perguntei se tudo teria sido diferente se eu soubesse que eu era filha dele. Eu teria sido diferente? Minha infância teria sido mais ou menos dolorosa? Eu continuaria me preocupando com Ben Clearwater mesmo sabendo que ele não era meu pai? Eu o amaria? Amaria seus pais? Amaria Leah e Seth? Amaria meus tios amorosos? Odiaria todos eles?
Eu continuaria sendo Clearwater a partir de hoje? Lutaria pelos mesmos motivos?
Quem era essa Clearwater, afinal de contas? Eu realmente não sabia. Eu não conseguia saber quem ela era ou o que ela faria naquelas circunstâncias. Eu não sabia dos seus gostos, do seu jeito ou até do seu passado.
Tudo tinha sido uma grande mentira. Nada era verdadeiro. Nada valia apenas no fim das contas.
Tinha sido outra pessoa que tinha vivido aquilo tudo, não eu. Não a garota que estava sem saber o que fazer a partir de agora. Não a garota que nem ao menos sabia quem era de verdade. Não eu.
Os lados enfim tinham sido separados cruelmente, enquanto eu estava perdida entre eles. E não havia nada que eu pudesse fazer hoje ou amanhã sobre isso. Não havia nada que eu pudesse fazer nunca.
Eu não poderia simplesmente fingir que nada havia acontecido. Eu nunca poderia esquecer aquela pequena história que resumia minha vida inteira. Como se aquilo não fosse nada. Como se fosse apenas areias jogadas ao mar aberto. Elas nunca poderiam ser recuperadas, assim como minha vida. Eu nunca poderia olhar para trás e ficar feliz por qualquer coisa. Por que, simplesmente, tudo tinha sido mentira.
Tudo tinha sido um sonho ou um pesadelo, mas agora eu estava acordada. Encarando a realidade de perto e não havia como escapar. Não havia como adormecer, novamente.
Por fim, a verdade estava bem diante de meus olhos e eu tinha que admiti-las ou ficaria louca. Eu tinha que sair do mundo de ilusão.
Eu não era Clearwater e sim Black. Eu não era filha de Ben Clearwater e sim de Billy Black.
– Eu sinto muito, filha. Você é filha de Billy Black. – disse minha mãe por fim, acabando com tudo que tinha sobrado da minha vida.
Uma coisa era pensar, outra era dizer em voz alta aquelas palavras. Aquilo machucava ainda mais.
Me levantei lentamente, sentindo que cairia a qualquer momento.
Em apenas minutos, eu me sentia como se tivesse envelhecido anos. As minhas pernas estavam fracas demais para me manter em pé, enquanto minha cabeça doía como se alguém estivesse á mastigando lentamente, sentindo prazer em minha dor.
Não demorou muito para que minhas pernas cedessem, enquanto eu parava de lutar com todas as minhas forças para ficar em pé. Para ficar bem.
Era como ver em câmera lenta, me ver caindo de joelhos no chão frio, novamente. Meus ombros bateram contra algo, mas eu não levantaria minha cabeça para ver. Estava fraca demais para fazer alguma coisa.
Aquilo tinha sido a ultima gota que fez meu copo expludir. Eu estava cansada demais de lutar contra tudo. Cansada demais para, ao menos, me dar ao trabalho de me levantar e fingir que estou bem.
Não, eu estava longe de estar bem. Eu estava destruída, magoada, cansada e doente.
Eu estava me sentindo tão doente. Todas as partes do meu corpo doíam. Até mesmo meus olhos. Como se eu chorasse acido quente.
Como eu queria morrer ali mesmo, sem nem, ao menos, me preocupar com nada. Não seria uma promessa que me manteria viva naquele momento.
Edward se importaria se eu desistisse de tudo? Desistisse da minha vida?
Não, ele não se importava. Ele estava feliz demais para se importar com uma garota idiota que o ama com todas as forças. Ele estava feliz demais com Bree para se lembrar que a idiota aqui existia.
Ele nem ao menos estava aqui...
Ele nunca foi obrigado a me amar. Nunca foi obrigado a se importar comigo e nunca foi obrigado a fingir que se importava. Tentei me convencer disso tudo. Tentei tirar aquele meu lado egoísta de dentro de mim. Edward nem estava aqui para de defender. Não era realmente justo. Ou era?
“Ele nunca te amou verdadeiramente, meu anjo.” – a escuridão sussurrou em meu ouvido, me fazendo apertar as mãos em punho, quando senti o frio que emanava dela. “ Tudo o que ele disse era mentira. Ele nunca te amou. Nunca...”
- Você está certo. Edward nunca me amou. – sussurrei, respirando com dor, profundamente. As agulhas imaginarias atingiam meus pulmões com força. Cruelmente doloroso.
“ Ele foi tão cruel com você ao mentir...”
- Não importa. – com uma força sobre-humana me apoiei no chão, o segurando com uma mão e, finalmente, me levantando daquele lugar frio. – Eu não vou continuar vivendo na sombra de um amor não correspondido.
Um sorriso fraco e amargo surgiu nos meus lábios. Uma força escura se apossava do meu coração. Eu estava cansada demais para fazer qualquer coisa contra isso ou sobre isso.
A escuridão estava forte demais para controlar meus movimentos. Eu, apenas, assistia o que ela faria de mim.
Já não valia a pena lutar. Meu coração já estava quebrado mesmo, e nada mudaria isso.
- Aonde você vai, filha? – minha mãe perguntou. Sua voz estava longe, como se eu estivesse me afastando rapidamente.
Então, só naquele momento, percebi que estava correndo feito uma louca pelo hospital.
E então eu corri ainda mais, tentando fugir de mim mesma, fugir da dor cruel que existia em meu peito.
Corri sem nem ao menos pensar em nada, nem sentir ou me importar. Estava tão cansada de tudo, tão cansada de me importar com os outros me deixando para trás.
Pela primeira vez na vida, eu não queria e não iria me preocupar com eles, eu apenas me importava de continuar correndo. Como se minha vida dependesse daquilo. Minha vida não, minha insanidade sim.
Continuei correndo com mais força pelos corredores, procurando á saída. Eu podia sentir meu coração batendo forte no peito, as batidas fortes ecoando em meus ouvidos, enquanto as batidas continuavam a bombear sangue para o resto do meu corpo.
Ao invés de sangue, parecia que corriam em minhas veias com rapidez acido fervente, se misturando com a dor cruel do meu coração.
Eu sabia que aquilo só estava piorando por que meu corpo estava ainda mais quente que o normal, assim como minha cabeça.
Eu estava com tanta raiva da vida que aquilo me deixava totalmente cega. Todas as vezes que eu conseguia me levantar algo vinha em seguida me derrubando de novo.
Céus, eu estava cansada demais para me levantar dessa vez. A dor era grande mais para isso.
Desta vez eu não vou lutar. Não vou me esconder ou me importar. A dor que há em meu peito é grande demais para encarar.
Estou no limite,
Já lutei todas às vezes possíveis.
Desta vez eu não vou lutar,
Não vou fugir ou me importar.
Desta vez a dor é grande demais para suportar.
Então, se você tiver, me dê um motivo para continuar.
Mostre-me o quê meus olhos turvos não podem ver.
Salve-me de mim mesma.
Se você olha por mim,
Lute comigo.
Mostre-me que ainda há algo de bom
E talvez, você me tire da escuridão.
Fim POV ).
POV Versão terceira pessoa:
Edward Cullen
Um vento gelado e sombrio espalhou as folhas de carvalho por entre as longas fileiras de lápides de mármore cinza.
Os galhos das árvores sacudiam-se em um frenesi constante e apavorante, avisando que o perigo estava próximo.
O vento praticamente gritava através dos uivos da fina camada sob a neblina, trazendo o som da voz e o cheiro do inimigo com ele. O vendo ficava a cada instante mais forte, a cada toque do passo do inimigo. Podia-se ouvir o pequeno ruído quando os pés do predador tocavam o solo com força, pisando nas folhas secas de carvalho esparramadas pelo chão do cemitério abandonado.
Havia um crepúsculo sobrenatural que suspendia-se por sobre o local, enquanto a neblina constante tomava o cemitério todo com rapidez.
Edward sabia que aquele tempo era uma pequena demonstração do Poder negro do inimigo, com a intenção de intimidá-lo e impedi-lo de cumprir com o que ele tinha vindo fazer. Mas isso não funcionaria nunca. Apenas o pensamento desse mesmo poder negro sendo usado contra ) acordou um lado morto dentro de Edward. Á fúria quente que existia dentro dele queimava contra o vento e a sua pele morta.
Edward fez uma promessa silenciosa naquele momento. Ele não sabia se continuasse vivo depois daquele encontro. Ele não poderia saber se Aro iria tentar algo novo ou agir passivamente desta vez. A mente de Aro era um mistério que Edward já não poderia mais revelar. Já não existia escuridão em sua alma. Já não existia nada que o ligasse a Aro. Ele estava simplesmente no escuro desta vez, assim como ficava quase sempre quando estava com ).
Ele não sabia o que esperar daquele encontro, mas tinha certeza que não seria uma coisa nada boa. Coisas boas não vinham de monstro como Arolin Volturi. Edward sabia disso mais do que sabia que ele amava Clearwater. Ele sabia mais do que qualquer coisa no mundo. Coisas assim nunca se esquecem, mesmo que se passem séculos. Sendo assim, se ele vivesse está noite, ele voltaria correndo para sua amada. Ele imploraria para que ela o aceitasse de volta. Ele lhe contaria que mentiu ao dizer que amava outra. Ele contaria com detalhes o que o fez deixá-la, ele diria que ele a amava mais que tudo. Ele a faria acreditar que ela era o único motivo de tudo. Ele lhe contaria a verdade.
Ele já não conseguia suportar mais nenhum segundo longe de sua amava. Ela era o mundo dele, ela era tudo no mundo que ele mais queria. Ela era o único motivo pela existência dele. E foi exatamente por tudo isso que ele a deixou.
Ele não poderia saber se voltaria ou não para casa, então séria melhor se ela não o esperasse. Ele não poderia apenas dizer que iria viajar e nunca mais voltar. Ele não poderia fazer isso com ela. Então, se ele realmente voltasse, ele faria de tudo para que ela o aceitasse de volta.
Se Aro visse antes as intenções de Edward de retorno, ele nunca deixaria Forks para vim atrás de Edward. Ele continuaria trás de ) e, por esse motivo, Edward fingiu que estava realmente deixando Forks. Aro viria atrás dele, para acabar com aquela história de uma vez por todas, deixando ), temporariamente, em paz.
Edward tinha que fazer Aro se afastar de Forks, apenas assim ele poderia atacar sem ) estar no meio da luta. Pela primeira vez, ele teve certeza que ela estaria segura em Forks. Mentalmente e Fisicamente.
Edward tinha que arriscar. Tinha que tirar Aro de Forks antes que ele ousasse aparecer para ) e machucá-la, mesmo não querendo. No fundo, Aro não queria ferir ), ele apenas queria que o lado negro dela despertasse. Se o outro lado negro de ) despertasse, ninguém conseguiria segurá-la, nem mesmo ele.
) poderia ter um lado repleto de luz, mas ela tinha o outro lado que era simplesmente apavorante. Ele não poderia deixar aquilo acontecer, ele lutaria e morreria para que isso não acontecesse.
) tinha sido beijada pelas sombras, e aquilo estava gravado em sua alma para sempre. Ela retornou do outro mundo no momento em que não devia. Ela voltou para vida rápido demais, trazendo com sigo algo negro que não se poderia descrever. Ela vendeu sua alma para voltar naquele momento, sendo assim, corrompeu sua alma.
Mais, mesmo antes de voltar do outro mundo sem ter permissão ou passado pelo ciclo, a alma de ) já era negra antes isso. Ela se abraçou nas sombras uma vez e bastava apenas uma coisa para que ela retornasse a ser a maldade em pessoa.
Bastava apenas algumas palavras, basta que ela se lembre de onde venho antes da história de amor entre ela e Edward começar, só bastava aquilo e ela se tornaria a mesma de antes.
Ela mataria pessoas a sangue frio, ela mataria apenas para se divertir. Para vez o medo nos olhos das suas vitimas. Ela se divertia em ver o quão era grande o seu poder.
), definitivamente, não poderia descobrir a verdade, ela não poderia se lembrar. Ela não poderia voltar a ser a mesma que matou milhares e milhares de pessoas apenas para se divertir. Se isso acontecesse, o mundo iria ser destruído por ela e Aro. Era por isso que Aro estava aqui, ele estava querendo a sua parceira de destruição de volta. Edward tinha tirado isso dele, mostrando o amor para ), a tirando da escuridão. E Aro se vingaria e acabaria com o mundo se vencesse nessa guerra.
Aquilo tudo era apenas uma parte da história. A outro, Edward não ousava a se lembrar. Se ele pensasse muito, poderia trazer o mal apenas com a força de seus pensamentos.
Mais Edward jamais poderia esquecer os olhos de ) naquela época. Aqueles olhos aterrorizavam Edward até mais do que os olhos de Aro. Aqueles olhos vermelhos sangue conseguiam ser mais aterrorizantes que tudo. Tinha tanta frieza e maldades neles que chegava a doer. Não havia uma alma neles, não havia nada de bom ali. Apenas existia o sofrimento das pessoas que ela tinha matado. Perto da antiga ), Aro era apenas uma criança brincando de fazer maldade.
Edward respirou fundo, tentando afastar aquelas memórias, ele não queria se lembrar das piores partes. Ele não permitiria que Aro a faça-se lembrar. Sua alma seria completamente destruída pelas trevas.
Esta vez era vida ou morte. O bem ou o mal. Apenas um ganharia aquela batalha. Aquilo decidiria se a alma de ) ficaria salva no final ou se o outro lado ganharia para sempre. Era morrer ou viver.
Edward sentiu raiva e frustração ardendo em sua garganta, ele teria que dar tudo de si para impedir que aquilo acontecesse. Ele lutaria até o ultimo segundo. Ele lutaria por ) até a “vida” não existir mais para ele. Ela iria querer isso se soubesse. E, é por isso que ela não poderia saber, ela não poderia se lembrar.
Edward fechou os olhos, ouvindo mais um passo pesado de Aro ao se aproximar. Ele queria que aquilo acabasse logo, mas sabia que não seria tão simples assim. Então, as perguntas apareceram na mente de Edward:
Se ele morresse esta noite, quem cuidaria de )? Quem lutaria para salvar sua alma? Dean seria capaz de cumprir a sua promessa? Ele cuidaria dela assim como ele disse que cuidaria? Ele tiraria a escuridão de seu coração?
Ele seria capaz? Quem seria se ele não pudesse? E Edward, se ele vivesse, ele conseguiria tirar a escuridão de uma vez por todas do coração de ) com o seu amor?
As tantas perguntas perturbavam Edward no exato momento que uma gargalhada ecoou entre o cemitério. Naquele momento, ele não sabia mais de nada. Ele já não seguia mais se lembrar da promessa de sangue que ele e Dean tinham feito há tanto tempo atrás. Ele já não se lembrava que Dean e ) tinham uma ligação quase parecia com o Imprinting. O laço de sangue deles era apenas um pouco mais fraco que o que Edward e ela tinham, mas tinha uma grande diferença: ) amou Edward antes mesmo de ter uma impressão com ele. Eles eram eternos amantes presos em um ciclo em que Edward vê sua amada morrer inúmeras vezes. Já com o Dean, para ), as coisas não são desse modo. Mas para Dean, Edward realmente não poderia saber. Eles tinham um laço de sangue e, era apenas um pulo para ser uma coisa mais intensa. Ele realmente poderia se ligar a ) de uma maneira muito mais intensa.
Edward suspirou, mesmo não querendo, ele sabia que se ) se apaixonasse por Dean, seria uma boa coisa. No fundo, Dean e Edward eram amigos. E não havia um outro homem que saberia amar ) com uma intensidade quase parecida com a intensidade de Edward se não fosse Dean. Afinal, Dean era guardião de ), assim como Edward. Eles morreriam por ela. Mesmo que houvesse amores diferentes.
Era a missão deles salvar a alma de ), eles tinham sido destinados a isso. Esse foi o motivo para que eles tenham vindo ao mundo.
E, para Edward, não era apenas uma missão. ) era o amor da sua existência, mas também era a pessoa que ele tinha que guardar. Essas duas ligações eram fortes demais. Já para Dean, era um completo mistério.
A única coisa que Edward sabia naquele momento era que Dean daria a sua alma para salvar a de ), e Edward poderia confiar nele. Ambos tinham a mesma missão, ambos fariam de tudo para cumpri-la. E não importava mais nada. Não naquele momento.
A figura de um homem alto apareceu entre a neblina. Ele estava se aproximando rapidamente, trazendo um cheiro de morte e sangue para Edward.
Aro se movimentava rapidamente, como se fosse uma fera louca por sangue e vingança. Seus movimentos eram felinos e perigosos. Os cabelos negros e longos de Aro voavam em torno de seu rosto pálido. O cabelo dele era até a altura do queixo fino. Seus cabelos eram lisos e tão escuros que o faziam parecer ainda mais pálido.
Seus cabelos negros impediam Edward de encontrar aqueles olhos vermelhos cheios de selvageria e maldade. Lembrar daqueles olhos provocava um frio negro na espinha de Edward. Aqueles olhos frios e perturbadores sempre existiriam para lembrar que Edward era um completo fracasso. Ele não pôde terminar com aquilo quando teve a sua maior chance e, agora, as chances eram mínimas. Aro estava muito mais forte do que antes, aquela missão séria completamente impossível.
Edward nunca séria capaz de lutar contra um mal daquela grandeza, mesmo que tentasse muito. Ele nunca séria capaz de lutar e vencer contra o seu segundo maior pesadelo: Arolin. Tão conhecido como Aro Volturi. O Deus dos Deuses. O segundo Diabo na Terra.
Aro nunca deixaria Edward esquecer do passado, ele sempre estaria lá para lembrá-lo quando as memórias tinham sido jogadas contra o vento. Ele nunca deixaria Edward esquecer do que ele fez no passado. Ele sempre estaria ali para lembrar que, no fundo, Edward tinha sido como ele.
Edward tinha matado inocentes, tinha destruído o coração da única pessoa que realmente amou. A única que conseguiu ultrapassar a grande barreira que ele pos em volta de seu coração. Ela tinha o ensinado o verdadeiro significado do amor há tantos séculos atrás. Ela acreditava dele como ninguém nunca acreditou. Inacreditavelmente, ela realmente acreditava que ele séria capaz de lutar contra aquilo novamente. Mas, nem mesmo Edward, acreditava que ele realmente seria capaz, nem mesmo ele acreditava em si. E a grande prova “viva” estava bem ali, trazendo tudo com ele, trazendo a escuridão que Edward lutou tanto para esquecer.
Aquele era o vampiro que provava tudo. Apenas com os seus movimentos felinos, ele fazia os pesadelos e as memórias retornarem. Edward estava revivendo tudo, novamente. Ele se sentia tão humano agora. Mesmo que ele lutasse, ele nunca poderia vencê-lo. Perto de Aro, Edward era apenas uma criança sem nenhuma experiência.
Aro continuava se aproximando, lentamente. As folhas de carvalho que estavam caídas ao chão a sua volta se tornavam redemoinhos pequenos. Os redemoinhos aumentavam com forme ele se aproximava, mostrando apenas um pouco do verdadeiro Poder do inimigo. Era como se tudo a sua volta estivesse no centro de algum grande circulo de poder. Parecia que tudo, o céu pesado, os carvalhos e as faias roxas, o próprio solo, estavam conectados diretamente á ele, como se ele sugasse o Poder de tudo aquilo.
As células de Edward estavam completamente congeladas, mostrando que o pânico estava cada vez mais próximo.
Por mais que ele lutasse, ele não conseguia se livrar daquilo. Ele não conseguia fazer seus músculos se moverem com rapidez.
Ele queria atacá-lo primeiro, dando-lhe um segundo de vantagem naquela luta quase pedida. Ele queria poder arrancar a cabeça de Aro com apenas um golpe e acabar com aquele mal de uma vez. Mas ele não podia. Tudo o que ele podia fazer, naquele momento, era observar com cuidado a aproximação do inimigo. Ele tentava encontrar uma brecha na guarda de Aro, mas ele não encontrou nenhuma. Aro era esperto demais para vim sozinho...
– Finalmente nos encontramos Edward. – a voz tão conhecida de Aro chegou até Edward como um soco no estômago. Sua voz ainda tinha a mesma intensidade de frieza e maldade que Edward recordava. Edward quase podia ver entre as memórias e a realidade o sorriso diabólico de Aro enquanto falava. – Fico muito feliz que você tenha vindo encontrar o seu velho amigo. Você não pode imaginar o quanto eu esperei por esse dia. – Aro continuava se aproximando, enquanto falava. Sua voz ficava ainda mais forte contra a tempestade de vendo que ele mesmo criou. Seus movimentos estavam mais lento que antes, como se ele não tivesse motivos para ser mais rápido. Era como se Edward realmente fosse um velho amigo que ele queria muito rever e, ele tinha a necessidade, que aquele momento fosse único. – Espero que tenha gostado no meu palco, desta vez. – Aro passou o seu braço no ar, mostrando o cemitério. Ele, obviamente, tinha prazer em escolher os seus palcos como se fosse o seu ultimo espetáculo. Como era o seu desejo, ele queria que fosse um momento único, ele queria ter certeza que aquilo ficaria na memória de seu oponente, se ele vivesse claro. – Você não tem idéia de como eu fiz de tudo para que fosse realmente assim esse nosso encontro. – o tom de brincadeira estava irritando Edward profundamente. E, Edward, sabia que era essa a verdadeira intenção.
– Posso imaginar. – a voz de Edward saiu cortada contra o vento. A fúria dentro dele estava visível agora. Ele queria acabar com aquilo agora mesmo, mas não podia. Qualquer movimento era único, ele não poderia arriscar tudo agora.
– Não, você não pode. – a voz de Aro perdeu todo o tom de brincadeira. Sua voz ficou inacreditavelmente perigosa. Como se ele fosse atacar naquele momento mesmo. Mas, Edward sabia, ele também não arriscaria tudo. Ambos conheciam o seu oponente bem demais para isso.
Os olhos de Edward procuraram os olhos de Aro, mas seus cabelos longos impediam.
Aro tinha parado de se movimentar enquanto falava, tentando parecer inatingível. As duas figuras que estavam ao lado de Aro, uma de cada lado, pararam com ele. Elas estavam completamente imóveis, enquanto um longo capuz tampava seus rostos totalmente. As duas figuras usavam mantos negros, que cobria seus corpos inteiros.
Aro acompanhou o olhar de Edward, olhando para a pequena figura que estava ao seu lado esquerdo, virando sua cabeça. Um sorriso vitorioso apareceu em seus lábios cruéis. Ele se abaixou um pouco, sussurrando algo para figura, enquanto a mesma balançava a cabeça, assentindo.
Um segundo após, a figura pequena levou suas mãos até a cabeça, colocando ambas de cada lado do seu rosto, empurrando com as pontas pálidas de seus dedos finos para trás, tirando o capaz de sua cabeça, dando uma visão ampla de seu rosto suave.
Os olhos de Edward se arregalaram imediatamente, enquanto ele analisava a pequena figura. Ele não conseguia acreditar no que seus olhos enxergavam naquele momento. O choque era evidente em seu rosto bonito, enquanto ele transformava sua grossa sobrancelha em uma linha perfeita. Ele apertava sua sobrancelha com força, tentando entender.
Era a mesma de anos atrás, Edward tinha certeza. Seus traços estavam mais claros e mais velhos, mas ainda era ela.
A vampira ainda era muito pequena, mostrando que tinha sido transformada com pouca idade. Aproximadamente, quatorze anos. Ou até menos que isso.
Os cabelos da pequena vampira eram grossos e ainda tinham o mesmo tom de castanho pálido. Seus cabelos caiam pelo seu rosto como uma cascata inocente, fazendo o coração de Edward se apertar.
A vampira era bastante magra e andrógina, mas com os traços bonitos demais para ser um menino. Seu rosto era magro e muito delicado, fazendo Edward se lembrar de um formado perfeito de coração. Seus olhos eram tão assustadores quanto aos de Aro. Não havia mais aquele dom verde-jade, trazendo a inocência perdida. Pelo contrario, tudo que Edward encontrou ali era grandes olhos vermelhos profundos, como grandes rubis.
Não havia maldade com a mesma intensidade de Aro naquele olhar, mas ainda incomodava. Edward sentia falta daqueles olhos verdes, trazendo a menininha dele de volta. Ele queria abraçá-la e fizer que tudo ficaria bem, mas não podia. Seus músculos estavam petrificados para ele ousar fazer qualquer coisa, além de olhar completamente chocado para aquele ser que o fazia querer chorar pela perda.
Era doloroso demais para saber que ele tinha perdido sua menininha daquele jeito.
Ele queria gritar, mas sabia que aquilo não mudaria nada. Sua garganta fez um barulho apavorado, enquanto ele prendia a respiração.
Encarando aqueles olhos profundamente, Edward encontrou um misto de confusão e receio. Então a resposta ficou clara: ela não o conhecida. Ela não se lembrava de quem ele era ou o que ele representava.
– Vejo que você já conhece a minha pequena Jane. – Aro quebrou o silêncio, sorrindo ainda mais. Ele colocou a mão no ombro da pequena vampira, a fazendo virar e o encarar por um segundo. Ela parecia assustada naquele momento, fazendo uma pergunta silenciosa para seu criador. Ela parecia uma pequena criança indefesa, com medo de Edward.
– Impossível não conhecer. – Edward sussurrou, mudando seu olhar para Aro. Suas mãos fecharam-se em punho, enquanto a raiva só aumentava. Ele sabia o que Aro queria, sabia qual era o motivo de tudo. Aro queria que ele lutasse contra Jane, mas ele e Aro sabiam que isso ele nunca poderia fazer. Mesmo que ela estivesse diferente, ele nunca poderia enxergá-la como um monstro. Nunca poderia olhá-la como se fosse o inimigo. Mesmo que ela fosse uma vampira, Edward nunca poderia olhá-la daquela forma. Bastava apenas que ele a olhasse para ver aquela menininha indefesa novamente. Para ele, ela sempre seria uma menininha pequena de colo, mesmo que ela fosse mais velha que ele. Vampiricamente falando.
Ele sempre iria vê-la como o fruto do seu amor por Yonah. Sempre a olharia como um bebê desprotegido que ele não pôde defender.
– Ela está diferente, mas ainda é ela. – a voz de Edward saiu como o próprio gelo. Seus olhos voltaram para a vampira, suspirando. Ele não poderia atacar, mas sua raiva estava incontrolável naquele momento.
Seus olhos voltaram-se para Aro, tentando encontrar uma distração. Ele não poderia perder a paciência, tudo estaria perdido se o fizesse. Ao invés disso, ele observou Aro com atenção:
Aro estava vestindo como Edward viu na visão de Alice, em preto. Suaves e longas botas pretas, jeans pretos, suéter preto, com uma jaqueta de couro preta por cima. Ele tinha o mesmo cabelo preto na altura do queixo, a mesma pele pálida e o mesmo jeito felino. O seu rosto ainda continuava o mesmo, com aqueles traços finos. Era obvio que ele estava mais novo. Na ultima vez, ele tinha a aparecia de um homem de 25 anos. Hoje, ele parecia ter 18 anos completo. Ele, certamente, devia ter encontrado o seu guardião, Félix Volturi, mas cedo. O transformando e trazendo as memórias mais cedo do que realmente necessitava.
Quando um anjo é expulso do céu assim como Aro e ) caem na Terra, eles se tornam a maldade em pessoa. Sendo assim, são mandados dois guardiões, anjos lutadores, para que eles recuperem a alma do anjo caído. No momento em que os anjos caídos tocam na Terra, sua alma é completamente destruída, os transformando em demônios.
Edward e Dean foram mandados para Terra para recuperar a alma de ), assim como Felix e Renata para recuperar a alma de Aro. Porém, Felix também se tornou um demônio, já que achava a maldade uma coisa bonita. Renata, porém, ainda está em algum lugar, tentando lutar contra o mal.
Quando um Anjo Guardião cai na Terra, eles se tornam criaturas diferentes. Um com força física suficiente para lutar contra o Anjo Caído. O outro, porém, não possui força física, mas ele tem o poder de restaurar a alma do Anjo Caído. Exatamente por isso que Edward era um vampiro e Dean era humano. Vampiros não têm sua alma completa, mas humanos sim.
Quando alguém se transforma em vampiro, perde parte de sua alma. E sem uma alma completa, nunca conseguiria restaurar outra.
Como humano, Dean ou Renata, pode restaurar a alma do Anjo Caído, o trazendo para luz. Mas, porém, eles não teriam forças físicas para lutar e prender o Anjo Caído até que sua alma fosse salva. Então, por fim, são dois guardiões.
A Terra não tinha sido feita para anjos. Então, quando um caia na Terra, deixava de ser anjo, se transformando em demônio. Por que, tudo o que não era humano desde o começo, nunca se torna humano.
Edward ainda podia se lembrar do dia em que ) e Aro foram expulsos do céu. Se ele se esforçasse muito, ainda poderia ver.
– Você realmente tem certeza do quê quer? – perguntou Deus, olhando seriamente para os olhos profundos do anjo que estava a sua frente. – Se você for, não terá mais volta. Você nunca mais poderá retornar.
– Eu sei... – sussurrou ), olhando para o chão. Seu rosto estava triste, enquanto ela parecia estar tentando se controlar. Ninguém a entendia; ninguém conseguia enxergar o quanto aquilo parecia ser errado. Ela queria respeitar o seu criador porque o amava, não porque era o seu dever. Era isso que lhe faltava: amor.
Ela queria sentir o que os humanos eram capazes de sentir. Ela não queria respeitar uma pessoa por que era o seu dever, mas sim porque ela o amava o bastante para respeitar.
Para ela, o amor era a chave de tudo. Se ela amasse, poderia respeitar sem dever ou obrigação. Era isso que a incomodava. Ela queria ser capaz de amar e respeitar sem obrigação. Sem obrigação.
No seu interior, ela não conseguia sentir simplesmente nada. Era como um corpo vário, sem sentimentos. Ali, só existia obrigação, nada mais.
Era esse o grande problema. Se seu interior era vazio, ela simplesmente não devia existir.
E se ela tivesse que deixar o seu “lar” para sentir qualquer tipo de sentimento, ela deixaria. Por que, mesmo assim, ela não conseguia se sentir triste. Ela não sentia nada.
Ela queria ser capaz de dar sua vida por outro ser apenas porque o ama. Não haveria obrigação ou dever, apenas o amor. A grande chave de tudo.
– Mas se esse é o preço que eu terei que pagar para sentir o amor. Eu pagarei. – disse ela, levantando a cabeça. Seus olhos encontraram o seu criador, mas ela não conseguia descrevê-lo. Tinha uma grande luz em volta dele. A luz era forte demais para ver seu rosto. – Eu sei que estou sendo egoísta. Mas eu preciso sentir. Entende? – ela balançou a cabeça, suspirando. – Eu sei que não entende. Nem eu mesmo entendo. – ela sorriu fracamente. Tentando encontrar as palavras certas. – Se você ama alguém, você o respeitará sem obrigação. Não por que isso é o certo, mas por que você o ama o bastante para isso. – ela olhou para o chão, desviando seus olhos. – Eu o respeito, mas não o amo. Eu me colocaria em frente ao Diabo para lhe proteger, mas não por que o amo. Eu te defenderia por que esse é o meu dever. Você me criou. Mas séria apenas isso. – ela suspirou, olhando para seu Criador. – Não é o motivo certo. Parece errado demais. Olhe para eles... – ela apontou para a Terra. – Pode existir a maldade, mas também há a bondade. Uma mãe morreria pelo filho por que o ama, não por que é sua obrigação. Ela faria de tudo para protegê-lo, ela faria tudo milhares de vezes, mas pelo motivo certo. Nossos motivos são diferentes.
– Mais você sabe que, quando tocar na Terra, sua alma será transformada. – O Grande Criador falou, olhando para o anjo a sua frente. – Você primeiro terá que se reencontrar para sentir o amor. Você terá que recuperar a bondade para saber o quanto o amor é poderoso. Você é capaz de arriscar? – as palavras dele morreram. Um silêncio tomou o local, enquanto outros anjos se juntavam á eles. – Você pôde nunca mais ser você, novamente. Você pode se tornar a maldade em pessoa. Você será capaz de arriscar?
) desviou os olhos, pensando. Seus olhos se encontraram com um par de olhos verdes.
Ela encarou Edward, tentando tirar respostas dali. Ela não o amava, não sentia nada em relação a ele. E o mesmo acontecia com ele. Mas, ela sabia, se ela fosse capaz de amar, ela o amaria.
Ele não conseguia entender suas razões de deixar seu “lar” para ir procurar um sentimento humano. Estava tudo bem ali, nada os faltava. Então, porque ela queria partir? Edward se perguntava.
) suspirou, voltando seus olhos para o Criador. Ela não queria deixá-lo, mas não chegava a ser realmente um sentimento. Era apenas a obrigação tomando conta. Nada mais.
– Se isso vai me fazer sentir. Eu irei arriscar. – disse ela por fim. – Eu quero entender. Então, quem sabe assim, eu possa amá-lo.
– Eu realmente sinto em te perder. – Deus pareceu sorrir. – Quando você se reencontrar, você amará. Não por que é o certo, mas porque apenas é. – disse ele, fazendo ) sorri. Aquilo era tudo o que ela queria. – Você será capaz de dar sua vida para salvar outra por amor. Você entenderá a grandeza e o poder dele. Ninguém nunca amará tanto como você.
– É apenas isso que eu quero. – disse ), sussurrando.
– Então você vai ter. – Deus andou até ). Ele passou sua mão no rosto do anjo a sua frente. Mais uma vez, ela não sentia nada. – Mas, antes, você terá que passar pela prova de fogo. Você terá que lutar pela sua humanidade. Você terá que lutar pela bondade. Então, você encontrará as respostas. Você sentirá.
– Se isso vai me fazer sentir... – ela sussurrou mais uma vez.
O Criador pegou a mão de ), a conduzindo até a saída da grande sala. ) olhou mais uma vez para o Anjo Edward, sentindo de alguma forma por não vê-lo de novo. Seus olhos se encontraram, dando um olhar que significou tantas coisas naquele momento. Então, ) teve certeza, se ela fosse capaz de amar, ela o amaria.
A mente de Edward voltou rapidamente, enquanto ele se lembrava daquele ultimo olhar. ) esteve certa o tempo todo. Você não poderia apenas respeitar uma pessoa apenas por obrigação, mas sim por que o ama.
Ela o fez entender o sentido das suas palavras naquele dia. Ela o fez sentir o amor que ambos tinham necessidade de sentir. Edward, naquele tempo, não sabia que faltava algo. Mas faltava. Falta ela e o amor que ele sentia por ela.
– Eu fico feliz que você conheça a minha pequena. Mas, sinto muito em dizer que, ela não tem a mínima idéia de quem é você. – Aro disse gravemente, trazendo Edward das memórias de tantos e tantos séculos atrás. Agora Edward conseguia enxergar o porquê de Aro ter sido expulso naquele dia. Assim como ) teve motivos bons, Aro teve motivos desprezíveis. Ele queria poder. Ele queria ser um Deus, mas ele não poderia fazer isso no céu.
Depois de alguns segundos, Edward entendeu o sentido das palavras de Edward. Aquele vampiro não poderia ter apagado as memórias de Jane, mas era claro que ele tinha feito. Sem memórias, era mais fácil manipulá-la.
– Você não tinha esse direito! – gritou Edward entre dentes, rosnando e pulando em Aro, os levando ao chão.
Edward socou Aro com todas as forças de seu corpo, segurando o corpo de Aro no chão. Aro se debatia com força, tentando se livrar de Edward, mas sem grande sucesso.
– Jane. – Aro sussurrou simplesmente.
Uma dor insuportável atacou Edward no mesmo segundo. O corpo de Edward caiu para trás no mesmo segundo, enquanto ele se contorcia de dor no chão. Instantaneamente, gritos agudos saíram de seus lábios. Aquela dor era completamente torturante. Era como se milhares de agulhas estivessem furando o seu corpo, misturado com um fogo apavorante. Era como se puro acido corresse em seu corpo, o fazendo gritar mais ainda.
Aro se levantou do chão, passando suas mãos pelas roupas, as limpando. Um sorriso diabólico estava estampado em seu rosto bonito, enquanto ele olhava para Edward. Ele se divertia com aquilo, sentindo a vingança em seu corpo.
– Mais forte Jane. – Aro disse, olhando para a vampira. – Eu quase não o escuto gritar.
Então, como se não fosse possível, a dor ficou pior. Edward queria que Aro terminasse com aquilo ali mesmo. Tudo o que ele realmente queria era a morte. Ele queria que aquilo passasse... Então, o rosto dela apareceu em sua mente.
Ele não poderia ter sido mais fraco. Ele tinha que lutar, mesmo não sabendo como. Ele tinha que lutar por ). Ele tinha que salvar sua alma de uma vez por todos. Ele tinha que tirar a escuridão que havia em seu coração. Ele não podia desistir assim. A alma dela era bem mais importante do que a dor, muito mais.
Ele tentou afastar a dor, se convencendo que aquilo era apenas uma ilusão, mas falhou no momento em que ele sentiu um fogo subindo por sua perna. Aquele fogo não era fruto da sua imaginação, ele realmente estava lá.
Edward tentou apagar o fogo, mas isso só fez Aro rir mais e mais.
– Você pode tentar, mas não vai conseguir. – Aro disse se abaixando na frente de Edward. – Essa noite realmente vai ser muito longa. – murmurou, sorrindo. – Mas, como eu não estou sentindo nada, eu não me importo de ficar aqui quanto tempo for preciso.
Aro se levantou, andando até uma árvore de carvalho e se encostando dela. Seus olhos sorriam, se divertindo com a dor de Edward. Nos seus olhos, Edward percebeu que seria o fim. No fundo, ele sempre soube que nunca séria capaz de lutar contra Aro. Ele não poderia lutar contra a pequena Jane, mesmo que ela o provocasse dor.
Ela era sua filha, assim como Alec. Ele nunca poderia fazer nada em relação a isso. Eles eram filhos do amor de Yonah e Heath. Ele os amava assim como amava ), nada poderia ser feito.
Ele tinha perdido. Nada poderia mudar aquilo, nem mesmo ). Edward tinha feito tudo o que pôde, mas nem assim foi o bastante. Ele tinha falhado com ela, mais uma vez.
Ele não pôde cumprir a promessa de mantê-la viva e salva.
Então, naquele momento, Edward teve certeza de uma coisa: tinha sido bom ele dizer para ) que não voltaria. Tinha sido bom ele não lhe contar a verdade. Ela passaria muito tempo achando que ele estaria viajando com Bree. Ela, por algum tempo, poderia viver sem se preocupar com a escuridão. Dean estaria lá por ela, essa era a única coisa que reconfortava Edward.
As memórias de Edward invadiam sua mente, o fazendo fechar os olhos. Ele queria poder dizer a ) que sentia muito. Ele queria dizer que a amava, mesmo que ela não acreditasse. Ele queria memorizar o seu rosto para sempre.
Ela sempre esteve certa, deste o começo. Uma vida sem amor não era vida.
A mente de Edward viajava por entre as grossas paredes do tempo. Nas memórias, ele encontrava refugio. Ele encontrava ) de novo.
Ele acariciava seu rosto e dizia que tudo ficaria bem, mesmo que não ficasse realmente. Ela sorria, acreditando em suas palavras. Edward se chocava, tentando entender o porquê dela ter escolhido justo ele.
Edward não era perfeito. Tinha seus defeitos e tinha suas qualidades, mesmo sendo um vampiro. Ele tinha cometido seus erros. Tinha cometido suas ações boas. Mas, mesmo assim, ele não conseguia entender o porquê de ser ele.
Ele não merecia o amor dela, mas, mesmo assim, ela o amava. Ela o entregou seu coração.
Ela acreditava em suas palavras, mesmo se o mundo inteiro não acreditasse. Isso tudo só deixava mais e mais duvidas na cabeça de Edward.
Ele nunca tinha sido melhor que ninguém e, mesmo assim, ela o escolheu. Ele realmente morreria sem entender aquilo.
O mundo parecia estar ficando cada vez mais silencioso para Edward. Ele já nem escutava mais seus gritos, mas sabia que estava gritando com todas as suas forças. Sua garganta ardia muito, como se ali tivesse larva quente. Mas ele não se importava, continuava gritando. Ele sabia que não melhoraria se gritasse – pelo contrario –, mas ele não conseguia impedir. Era como se fosse uma reação natural, ele nem mesmo pensava antes de gritar. Ele nem queria gritar. Apenas o fazia com todas as suas forças. Como se sua vida dependesse disso.
Edward se lembrou de quando venho para Terra. Tudo era tão novo para ele. Os sentimentos eram tão desconhecidos. Ele enxergava o mundo completamente diferente do que antes. Como se o mundo tivesse um brilho a mais.
Ele não sabia por onde iria começar a procurar ), mas sabia que tinha que encontrá-la antes que ela matasse mais inocentes. Por ela querer sentir amor antes de chegar a Terra, esse sentimento era tudo o que ela não tinha quando chegou. Ela se tornou um ser completamente maligno.
Quando Edward a viu pela primeira vez depois de sua chegada, foi como ser o seu pior pesadelo. Definitivamente, não era a mesma ). Ela tinha perdido tudo de bom que existia nela, deixando o mal reinar por muito tempo.
Entretanto, no instante que Edward olhou no fundo daqueles olhos, ele soube.
Um sentimento completamente desconhecido apareceu em seu coração. Mal sabia ele que, aquele sentimento estaria em seu coração por muito tempo. Sua alma – ou pelo menos a parte que restou – estava completamente transbordada. Ele a amou desde aquele dia. Mesmo ela sendo um monstro, mesmo que ela matasse, ele ainda a amava. E naquele momento, ele prometeu que não a deixaria nunca mais. Ele cuidaria de sua alma. Ele arrancaria aquela escuridão de seu interior, a trazendo de volta para luz. Aquele era o destino dele. Sempre foi.
O destino dele era a amar, mesmo antes dele saber que poderia. O destino dele era proteger ela, mesmo que tivesse que morrer por isso.
Tantos anos se passaram depois disso. Várias vidas se passaram como se fossem apenas borrões. Eles se amaram quem cada uma delas, lutando um pelo outro.
Eles tinham sido pessoas tão diferentes em cada uma dessas vidas, mas o amor continuava o mesmo, sempre.
Eles estavam presos em um ciclo sem fim, onde Edward sempre via sua amada morrer no final. Aquilo nunca teria fim, não se Aro não fosse destruído. Não se a escuridão não posse destruída.
Para salvar ), teria que salvar Aro. Teria que trazer sua alma de volta para luz, para acabar com as trevas do coração de ) também. E isso sim era uma missão impossível, Edward sabia.
Esse mantra foi o ultimo pensamento coerente que surgiu na mente de Edward:
Teria que salvar Aro para acabar de uma vez por todas com o outro lado de ))...
Versão :
Capítulo 25: Paternidade – segredos revelados parte 3
Parte Final
As lágrimas rolavam sem freio pelo meu rosto, quanto eu me sentia cada vez mais fraca. Com a visão embaçada, continue correndo pelos corredores do hospital, tentando encontrar uma saída, como se, daquela maneira inútil, os sentimentos que estavam me afligindo fossem deixados para trás, quanto eu já estivesse finalmente bem longe.
Enquanto minhas pernas se movimentavam rapidamente, imagens se passavam repetidamente em minha mente, como um filme constante da minha vida. Momentos felizes, momentos tristes, tudo o que eu tinha vivido até este presente momento, se transformava em uma dolorosa lembrança. Chegava a ser difícil admitir para mim mesma que, o meu único desejo era apenas esquecer tudo, não importava as coisas boas, tampouco as coisas ruins. Eu apenas desejava esquecer-se de mim mesma, esquecer do meu passado, mesmo que para isso, as coisas boas tivessem que serem enterradas juntas com as coisas que eu tanto repudiava; que eu tanto lutava para esquecer.
De repente o chão começou a ficar cada vez mais escorregadio, só que eu não me permitir parar de correr. Tudo o que eu precisava era fugir dali, como se fugisse de mim mesma, como se a pior parte de mim estivesse se materializado e estivesse em meu alcanço. Olhei para trás em uma tentativa vã de encontrar minha perseguidora, desesperada, esperando encontrá-la mais distante do que a imagem que eu tinha em minha mente. Meus olhos alcançaram o vazio mutuo me tomando por todas as direções. Estranhamente, tudo o que havia ali era o surpreendente nada, liso e indescritível. Sorri amargamente, tentando entender por que tinha feito aquilo, concluindo que eu realmente tinha chegado ao estado mais lamentável de mim mesma.
Ainda olhando desesperada para trás, não percebi quando o corredor a minha frente começará a diminuir, levando-me a uma grande escada descente, que me levaria ao estacionamento interno do hospital. Meus pés mal perceberam quando o chão escorregadio foi substituído por degraus curtos e numerosos. Por um instante, meus pés ficaram sem apoio, encontrando o nada. Olhei assustada para frente, tentando encontrar o solo, só que o solo se transformara em uma descida cheia de degraus. Me preparei para a queda, fechando os olhos... só que a mesma não venho.
Em troca, meu corpo se chocou fortemente contra algo quente e fortemente cheiroso. Devorou um milésimo para que eu percebesse que tinha me chocado contra uma pessoa, mais especificamente um homem. Seus braços fortes me seguraram com força, puxando-me mais para perto, enquanto caiamos. Houve alguns gemidos em seguida, enquanto suas costas largas se chocavam dolorosamente contra o solo. Tentei impedir, mas seus braços eram fortes, apertando os meus, impedindo-me de fazer qualquer movimento. Xinguei qualquer coisa entre dentes, tentando, inutilmente, fazê-lo me soltar. Ele estava se machucando, impedindo meu corpo de se chocar contra algo que não fosse o seu corpo. Por um segundo fiquei com raiva, concluindo que ele era um idiota, porém no segundo seguindo apenas fiquei agradecida por ele estar me protegendo. Era burrice, isso era fato. Porém, era admirável.
O cheiro fortemente masculino que emanava dele ficou mais forte, enquanto eu parava de lutar contra seus braços fortes, abraçando-me ainda mais a ele. Sua respiração forte se suavizou, chocando-se contra meu ombro. Ele murmurou qualquer coisa em meu ouvido, rosando seus lábios carnudos e quentes na minha pele extremamente quente. Seu hálito quente de menta, misturado com álcool, me deixou abalada por alguns segundos, enquanto me causava fortes arrepios por todo corpo. Aquele cheiro me lembrou brevemente alguém, porém eu não soube dizer ao certo.
Nos chocamos, finalmente, contra o solo liso, enquanto eu caia completamente sobre seu corpo musculoso. Pensei em dizer qualquer coisa, porém as palavras não saiam. Elas apenas passeavam pela minha mente, me fazendo tentar encontrar qualquer sentido. O cheiro de sangue fresco invadiu minha mente, me obrigando a abrir os olhos, encontrando um peito extremante forte diante de meus olhos. Me deixei guiar pelo aroma do seu hálito, olhando para cima, a procura de seu rosto.
O choque foi evidente, enquanto eu logo formulei qualquer coisa para dizer.
– Dean? – minha voz saiu estranhamente chocada. – Dean, você está bem?
Um sorriso torto surgiu em seus lábios carnudos, enquanto ele suavemente revirou os olhos verdes, encontrando qualquer graça nas minhas palavras.
– Não podia estar em melhores condições. – ele falou com sua voz forte, se aproximando do meu ouvido. – Com você, qualquer homem encontra o paraíso... – sua voz não hesitou, apenas parou para observar minha reação. Sua respiração ficou mais forte contra meu ouvido, trazendo novamente a sensação estranha que me deixava nervosa. Os arrepios não demoram a aparecer por toda parte, me fazendo ficar sem ação por algum tempo.
– Você quer eu pare? – ele perguntou, ainda mais próximo.
Não consegui entender os sentidos das suas palavras, porém meu coração parecia entender. Minha respiração parou, enquanto meu coração disparava no peito. Continue tentando entender as palavras de Dean, porém tudo o que eu conseguia era entender era o desejo aumentando entre nós. Não era meu desejo, porém era tão notável que chegava a me atingir.
No fundo eu sabia do que ele estava falando. Claro que eu sabia. Ele estava só esperando minha reação para prosseguir ou parar com tudo de vez. Ele literalmente estava esperando minha autorização.
Eu já conhecia Dean há um tempo relativamente longo, e nunca houve qualquer coisa parecida entre nós. Não de verdade. Claro, quem conhece sabe: Dean era um conquistador de carteirinha, porém isso nunca tinha acontecido comigo. Nosso relacionamento sempre foi extremamente limitado. Eu gostava dele, ele parecia ter simpatia por mim, mas nada que chegasse à área amorosa. Nos divertíamos juntos, até chegamos a lutar contra um inimigo em comum, porém nunca passou disso. Sempre fomos amigos.
Ou será que era apenas eu que pensava isso?
Não, duvido muito. Dean era um cara legal, e para falar a verdade, eu sempre o achei extremante gostoso. Porém, nunca tinha pensado nele desta forma. Para falar a verdade, eu nunca tinha pensando em ninguém – além de Edward – desta forma. E Dean... bom, seria o último dos homens que eu pensaria.
Dean era lindo, e acho que seria maravilhoso ter qualquer caso amoroso com ele. Eu não poderia dizer que ele não fazia meu tipo, até por que este caçador seria capaz de fazer qualquer tipo, só que eu nunca tinha o imaginado desta forma. Era estranho.
– Você quer realmente que eu pare? – ele prosseguiu, com a voz um pouco abalada. Suas mãos me apertaram ainda mais contra seu corpo, me fazendo por um segundo, esquecer completamente tudo. Seu cheiro estava por toda parte, e eu já não poderia negar que tinha uma parte em mim que o desejava.
Não tinha nada haver com sentimentos, por mais que eu tivesse uma simpatia extremante forte por Dean. Era algo extremamente físico, que chegava a queimar. Eu o desejava. Acho que eu sempre o desejei, apenas não tinha percebido isso antes.
O meu amor por Edward sempre broqueou tudo, até o ponto que me tornei cega para qualquer homem que estivesse diante de mim. Eu o amava, eu sempre o amaria. Só que ele não estava aqui agora e isso era um fato que deveria mudar tudo. Claro que mudaria.
Edward simplesmente não se importava. E para falar a verdade, já nem eu estava me importando mais com isso.
Todo meu corpo chamava o corpo que estava diante de mim, em um desejo descontrolado. Era um desejo que me fazia esquecer qualquer coisa. Eu o desejava, meu corpo clamava pelo dele. Minha boca ardia em desejo pela dele.
– Você não quer me beijar? – sussurrou forte contra meu ouvido, tão próximo que me fez ferver. Eu estava desconfortavelmente com vontade de beijá-lo. Apenas a idéia de tomar sua boca com a minha, sentir seu gosto quente e me entregar ao desejo que eu estava sentindo, apenas isso já me deixava louca.
Tudo nele era convidativo. Atrativo demais. Não teria forças para me obrigar a não ceder a aquele desejo que me queimava de dentro para fora. Eu tinha a necessidade de beijá-lo ali mesmo, sem me importar com mais nada, além da boca dele na minha. Levantei minha cabeça, olhando hipnotizada para sua boca. Quando percebeu meu olhar, ele sorriu, um sorriso que disse coisas que jamais poderiam ser ditas por meras palavras.
– Eu quero você. – as palavras fortes saíram lentamente de sua boca, como se cada silaba tivesse um gosto distinto, que ele precisasse apreciar. Os sentidos delas me fizeram procurar por seus olhos. Estes ardiam em fogo. – E eu sei que você também me quer. – confirmou o que ambos já sabíamos. Me dei conta de que aquele fogo sempre esteve lá, escondido, esperando para que eu finalmente notasse. Não sei como pude não ter percebido isso antes, mas a verdade é que eu nunca quis ver. Esse era o sentido real das coisas. O pior cego é aquele que não quer ver.
– Eu te quero. – as palavras saíram com vida própria, sem meu consentimento. Não tinha por que negar aquilo. Eu o queria. Eu sempre quis. – Eu sempre quis você, Dean. – a confiança nas minhas palavras me surpreendeu. Dean sorriu, um sorriso que me dizia que aquilo era tudo o que ele queria. Ele tinha ansiado por aquelas palavras. E só Deus pode dizer por quanto tempo. – Eu não sei há quanto tempo te quero.. – falei tentando entender, porém a confiança não foi embora. Com Dean eu me sentia uma pessoa diferente, mais segura... Mais mulher. – Por favor... – implorei já não agüentando. Eu o queria. Eu precisava prová-lo.
Dean entendeu o que quis dizer com aquelas palavras. Passando sua mão pelo meu rosto, com uma calma que me matava. Ele sorriu. Era torturante querer beijá-lo.
– Me diga o que você quer, que eu darei. Apenas diga...
– Eu quero que você me beije.
Como se aquelas fossem as palavras que ele tanto precisava, sua boca não demorou a tomar a minha. Me puxou com mais força contra seu corpo musculoso, me fazendo sentir, mesmo sobre a roupa, cada centímetro do seu corpo, rosando o meu. Minhas mãos foram para seu cabelo macio, alisando e puxando. Seu beijo era selvagem, porém tinha tantas coisas que eu não conhecia. Mesmo por trás da selvageria, existia uma doçura que me fascinava. Ambos ardiámos em desejo pelo corpo do outro.
Seus lábios me devoravam, com fome, com força e os meus não tardavam em retribuir com o mesmo desejo. Suas mãos fortes me apertavam cada vez mais, porém eu sempre queria mais. Eu o queria de uma forma que jamais quis ninguém, nem mesmo Edward.
Edward...
A lembrança trouxe a culpa, uma tão grande que me fez sentir pior do que um lixo. O que eu estava fazendo? Eu simplesmente não sabia. Não era o certo fazer o que eu estava fazendo, mesmo que algo em mim dissesse ao contrário. Não havia amor naquilo que eu estava fazendo, apenas desejo físico. Nada, além disso. Não havia sentimentos, não havia nada. Era apenas meu corpo agindo por si próprio.
O desejo continuava ardendo, porém uma culpa se tornava ainda maior. Eu queria parar, queria não estar sentindo o que estava em cada célula do meu corpo, porém meu desejo era ainda maior. Continue beijando Dean, com mais força, com mais desejo, porém suas mãos me seguraram de uma maneira diferente, impedindo qualquer movimento meu. Sua boca se separou da minha, me fazendo lamentar e o desejar mais ainda. Sua respiração ficou forte, como se lutasse contra algo. E... No fundo, eu sabia contra o que era.
Meus olhos se abriram, encontrando seus olhos verdes. Havia algo que me incomodava ali, porém eu não sabia o que era. Me perguntei o que tinha o feito parar de me beijar, já que o desejo ainda ardia em seus olhos.
– Como eu estava dizendo, estou bem. – ele disse, como se não tivesse acontecido nada. Ele se levantou, levantando-me com ele, porém fazendo meu corpo manter certa distancia. – Um tombinho desses não é nada para um homem como eu. –ironizou, sorrindo. Porém, eu o conhecida. Seu sorriso era falso. Algo nos seus olhos me disse isso. Algo estava me dizendo repetitivamente que eu tinha feito alguma coisa, por que, por alguma razão, Dean estava magoado. Profundamente magoado. Apenas havia magoa em seus olhos, essas que ele lutava tanto para esconder.
– Dean.. – comecei a falar, porém ele me calou, colocando seu dedo sobre minha boca.
– Não diga nada, . Está tudo bem. – ele suspirou e sorriu. – Eu nunca deveria ter beijado você. Foi um erro. Sou um canalha mesmo, sem pensar nos seus sentimentos. – a cada segundo eu me sentia mais confusa. – Por favor, esqueça que isso um dia aconteceu.
– Dean, você está enganado. Não me senti ofendida ou qualquer coisa parecida. Pelo contrário. – coloquei minha mão em seu peito e me aproximei. Ele, automaticamente se afastou, com os olhos fechados.
– Por que você estava chorando? – perguntou, com os olhos fechados. – Não gosto nenhum pouco de ver você chorando. – soltou sem pensar, se lamentando. – Olha que ultimamente eu tenho sido o premiado de encontrar você fazendo isso. – abriu os olhos e sorriu friamente, de uma forma que me surpreendeu.
– Não é nada demais Dean. – sussurrei, abaixando a cabeça, lutando para que as lágrimas não voltassem.
– Você sabe que pode confiar em mim, não sabe? – sua voz voltou a ser suave e calma, reconfortando-me. Ele se aproximou, passando seus braços ao meu redor, abraçando-me com ternura. Seu cheiro forte me tomou, de alguma forma me acalmando. – Eu sempre vou estar aqui por você. Nunca duvide disso.
– As coisas... as coisas estão tão complicadas Dean. – lamentei, encostando-se a seu peito. – Já não sei por qual caminho devo seguir. Tento ser forte, juro que tento. Só que agora...
– Oh minha linda loba. – ele lamentou, me apertando ainda mais forte contra seu peito. – A vontade que tenho é de te levar comigo, para que nunca mais você sofra. Odeio ver teu sofrimento, por que de uma forma ele também é o meu. Tudo o que eu quero é que você fique bem. Que você seja finalmente feliz. – sua voz forte ecoava pelo local, e eu apenas me prendia ao som da sua voz.
– O desejo que tenho é arrancar todo mal que te persegue. Mas sou fraco. Não posso fazer isso. Sou um filho da puta fraco. – gritou consigo mesmo.
Olhei para seu rosto, tão próximo do meu. Há quanto tempo ele sentia isso em relação a mim? Que Dean Winchester era este? Eu não o conhecia.
– Não fale como se você tivesse culpa sobre meus problemas, por que você não tem Dean.
– Então por que eu me sinto como se tivesse?
– Eu... eu não sei Dean. – neguei com a cabeça. – Eu já não sei mais de nada na minha vida. – sussurrei sem forças, pensando em tudo o que havia me acontecido.
– Saiba que eu estou aqui, bem aqui do seu lado. – sussurrou suavemente no meu ouvido. – Sempre estarei aqui, minha preciosa loba.
– Por que você tem o poder de acalmar meu coração desta maneira? – perguntei, pegando sua mão e levando-a até meu coração, segurando bem firme, até que ele sentisse o bater forte dele, ficando cada vez mais suave.
– Como eu queria que não fosse apenas com seu coração, mas também com sua vida. – sorriu, porém seus olhos estavam tristes novamente. – ele apertou minha mão mais forte, sorrindo, um sorriso sem vida que me doeu.
Um gritar de uma guitarra tocou entre nos, enquanto algo vibrava urgente no bolso da frente de sua calça Jean surrada. Dean olhou por alguns segundos para o local, pensando se atenderia ou não. A guitarra gritava cada vez mais alto, enquanto Dean parecia não se decidir. Suspirou por vencido, me pedido um minuto com a mão e simplesmente se desculpando. Andou um pouco para se afastar, enquanto pegava o celular e o encarava, com certa raiva por aquilo ter – de certa forma – acabado com o nosso momento.
– Fala. – Dean disse serio, em alto e bom som, quase sem paciência.
“ Não tenho notícias nada boas para você. “ – a voz masculina do outro lado da linha sussurrou, se lamentando, urgentemente.
Dean olhou brevemente para mim, tentando disfarçar, parecendo muito preocupado. Seus olhos verdes me encararam por breve segundo, pensativos. Ele balançou a cabeça e murmurou consigo mesmo qualquer coisa que eu não pude entender. Andou inquieto pelo pequeno corredor, se afastando ainda mais de mim. Sua respiração parou completamente, enquanto ele parecia ficar cada vez mais angustiado.
– Estou escutando. – respondeu, brevemente, se virando e me encarando novamente. Seus olhos ficavam cada vez mais distantes da realidade em que estávamos. Parecia que ele estava prestes a explodir. Balançou a cabeça novamente, ainda pensativo, dizendo qualquer coisa novamente. Então percebi que se tratava de algo em outro idioma.
“Refizemos os exames com o sangue que você mandou. Encontramos o que você já suspeitava. O sangue realmente está contaminado com o vírus. Seja como for, você já deveria saber que era perigoso enfrentar um lobisomem original sozinho.”
– Quanto tempo eu tenho?
“ Não posso ter certeza. Talvez dias... talvez horas. Isto não é algo que se possa controlar.”
– Tudo bem. Por isso eu já esperava. – Dean suspirou, voltando a andar pelo corredor, de um lado para o outro. – Tem mais alguma coisa que eu deva saber?
“O pegaram. “ – a voz disse simplesmente, com uma preocupação evidente na voz. Suspirou por vezes, parecendo também estar aflito.
O coração de Dean simplesmente pareceu responder a aquelas palavras, batendo cada vez mais forte. Ele me encarou novamente, voltando-se para mim. Seus olhos pareciam-me quererem dizer alguma coisa, aquele brilho no seu olhar ficava cada vez mais apagado. Apertou mais o celular contra a orelha, e suspirou.
– Droga! – xingou entre dentes. – Vivo? – parecia que essas palavras pesavam em sua voz. Ele mal teve vontade para proniciá-la.
“ Vivo.” – Dean suspirou aliviado. – “ Não devemos contar vitória com isso. Dean sei que isso dói para você o mesmo que dói para mim, só que seria mais simples e mais fácil se ele tivesse sido pego morto. Arolin ira usá-lo como arma contra nós, você sabe muito bem disso.”
– Eu sei, eu sei. Isso não poderia ter acontecido. – Dean socou a parede, com raiva. Obviamente, ele lutava para manter o controle.
“ A informante me disse que estão o mantendo sob total vigilância. Ninguém entra, ninguém saí. “ – houve barulhos do outro lado da linha, como se fosse barulho de maquinas trabalhando. “ Vão dar sangue humano para ele. Por enquanto ele se recusa a aceitar. Você sabe, ele é osso duro de roer. Mas até quanto ele vai agüentar ficar sem sangue? Não muito. Posso apostar.”
O silêncio pairou sobre ambos os lados da linha. Me senti desconfortável por estar ouvindo a conversar de Dean, ainda mais algo que parecia ser tão serio. Andei mais para longe de Dean, tentando ao máximo não ouvir o que dizia, porém isso fica difícil quando se têm uma audição como a minha.
“Ele insiste em não beber sangue humano. Chegará uma hora que não irá agüentar, cederá de uma forma ou de outra. Nenhum vampiro agüenta ficar sem sangue por muito tempo. Isso é apenas questão de tempo.”
– Você está coberto de razão. Por mais que ele tente agüentar, não irá conseguir. Nenhum vampiro agüenta. – Dean murmurou mais para ele do que para seu companheiro.
“ Arolin já conseguiu tirá-lo do caminho. É questão de tempo para que faça o mesmo com você, Dean.” – a voz ficou urgente. – “Sinto muito. Realmente sinto.”
– O que podemos fazer para mantê-la longe de Arolin?
“ Creio que não muito. Arolin está indo para Forks, com todo seu exercito, incluindo Alec e Jane. Ele deixou bem claro que está indo buscá-la.”
– Eles não podem se encontrarem... – a voz de Dean já nem era mais um fio. Ele parecia transtornado.
“Exatamente, meu amigo. Tudo o que Arolin quer está ai. Não importa o quanto tentemos impedir, uma hora eles vão acabar se encontrando. De uma maneira ou de outra. Apenas podemos adiar isso o máximo possível.”
“Não quero fazer isso, mas serei obrigado a deixar isso, antes que minha família acabe sendo prejudicada, assim como foi no passado, quando ela se transformou.. bem você sabe. Não quero ver, novamente, a morte das pessoas que amo. Mesmo que eu queira de todo o coração te ajudar. Já estou velho, não posso fazer muita coisa. Lamento Dean.” – ele suspirou, após falar rapidamente. – “ Daqui por diante você segue sozinho. Não conte mais comigo. Nem mesmo para informações. Não quero mais me meter nesta guerra, muito menos ser morto nela. Já sabemos como termina, não sabemos?”– a última frase soou fria, amargurada.
Ambos esperamos a resposta de Dean, esta porém não venho.
“ Sinto muito ser o portador de má notícia.” – tentou se desculpar. “Saia daí logo, antes que Arolin chegue. A leve com você, mesmo que seja a força. Esta é a única coisa que você pode fazer para evitar as coisas por ai. Pelo menos por agora. Você não vai querer ter uma luta sozinho com Arolin, ainda mais com ela no meio disso, vai?”
Nenhuma resposta, novamente. Porém não estávamos surpresos.
“Acho que não. Você não é tolo para tal coisa. Se cuida meu filho amado. Você sabe que eu tentei te ajudar, até mais do que a situação me possibilitava. Eu estarei aqui, se você terminar vivo desta vez. Eu e a nossa família estaremos te esperando. Eu...”
“ Eu te amo meu filho.” – a linha ficou muda em seguida, enquanto percebi que uma pequena lágrima rolava pelo belo rosto de Dean. Quis tanto poder ajudá-lo, poder fazer qualquer coisa para que as coisas não fossem tão difíceis para ele.
Andei até Dean, abraçando-o. Eu não fazia idéia do que estava acontecendo, porém pude sentir que as coisas estavam muito difíceis para Dean. Parecia uma despedida. Uma despedida que me tocou, que me fez perceber que a vida era uma droga mesmo, porém tem pessoas que não a mereciam.
– Sinto muito. – sussurrei em seu ouvido. – Queria muito poder te ajudar, seja lá o que quer que seja.
– , vou ter que deixar a cidade. – Dean disse algo que eu já esperava. Minha expressão ficou muito triste. Não queria vê-lo partir. Eu já tinha perdido tantas coisas hoje, não queria perder Dean também. – Houve um problema e vou ter que ir para casa antes do tempo. Não sei se volto, na verdade, acho que não volto tão cedo.
– Eu não quero que você vá embora, Dean. – confessei.
– Nem eu, pequena. Nem eu... – ele me abraço fortemente, acariciando suavemente meus cabelos longos. – Tem um vampiro que virá para a cidade se eu continuar aqui. Ele não machucará ninguém, não se preocupe. O seu único alvo sou eu. E se eu não estiver aqui...
– Ele vai embora. – conclui, olhando para seus olhos.
– Garota esperta. – Dean elogiou, tentando fazer o clima suavizar. – É por isso que eu gosto de você.
– Gosto de garotas espertas... E gostosas.
Lá estava o Dean que eu tanto conhecia. Seus olhos ainda estavam tristes, porém ele ainda tentava brincar com a situação. Aquilo não era uma coisa que funcionava comigo, porém eu apenas queria ajudá-lo, então resolvi entrar na brincadeira. Bati no seu ombro e resmunguei, como fazíamos quando ele dizia alguma coisa boba.
– Você quer uma carona para casa? – perguntou, se afastando um pouco, para ter uma ampla visão do meu rosto.
– Não quero voltar para casa, Dean. – confessei, me lembrando do dia que tive. Não agüentaria olhar meu pai, novamente. Em meu coração, ele sempre continuaria sendo meu pai, só que eu não estava pronta para vê-lo novamente. Não agora. – Tudo o que eu queria era fugir de mim mesma. Era exatamente isso que eu estava fazendo quanto te encontrei. – fechei meus olhos, e Dean apertou seus braços ao meu redor. – Não estou preparada para voltar para casa.
– Uma hora ou outra, você vai ter que enfrentar seus problemas de frente, Pequena.
– Sei disso. Não posso me esconder aqui pela minha vida inteira. – olhei para seus olhos. – Só não quero parecer tão frágil quando voltar para casa.
– O que você está pretendendo fazer? – me encarou seriamente.
– Na verdade, não pensei sobre isso. – lamentei.
Dean sorriu, abraçando-me com mais força. Seu perfume invadiu minha mente, trazendo-me a lembrança de seu beijo. A sensação de ter sua boca colada com a minha era indescritível. O desejo ainda estava lá, consumindo-me. Apenas de pensar que ele estava ali, abraçando-me, era enlouquecedor.
– Eu tenho uma proposta para te fazer. – Sua voz sussurrou, enquanto ele segurava em meu rosto com uma mão, movendo meu olhar até ele. – Vem comigo?
– Ir com você? – a proposta me surpreendeu.
– Não quero deixá-la. – acariciou meu rosto com a ponta de seus dedos. – Vem comigo?
Seus olhos me fitavam com tanta força que tive que me lembrar de respirar, ou me lembrar de não beijá-lo. Não pensei muito no que eu faria quando saísse daquele hospital. Para falar a verdade, eu simplesmente não tinha pensado em nada. Eu estava desesperada, atordoada. Apenas com a lembrança, a dor ameaçava a voltar. Tentei não pensar sobre aquilo. Tudo o que eu desejava era esquecer. E Dean estava me dando uma oportunidade para poder realizar o que eu tanto queria. Se eu voltasse para casa, eu teria que enfrentar meus problemas de frente, querendo ou não, tendo força ou não tendo. Mas se eu fosse com Dean, eu estaria fugindo como uma covarde. Como Dean mesmo me disse, uma hora eu teria que enfrentar meus problemas, querendo ou não querendo. Só que se eu voltasse para casa agora, minha ferida se abriria ainda mais. Eu não estava preparada para encarar tudo de frente. Principalmente Jacob.
Eu tinha prometido que tentaria acertar as coisas entre a gente, amando-o ou não amando-o. Realmente estava disposta a lhe entregar minha vida, em troca de sua felicidade. Jacob merecia ser feliz, e sua felicidade estava em minhas mãos. Só que agora eu seria incapaz de encarar Jacob novamente. Não depois de descobrir a verdade. Jamais ficaríamos juntos. Teria que ter um motivo bem convincente para que ele desistisse de mim, mas eu não seria capaz de lhe contar a verdade, seria crueldade de mais.
Edward não voltaria. Mesmo que minha vontade fosse ficar lhe esperando para todo o sempre. Ele estava em qualquer lugar, tendo a felicidade que ele tanto merecia, ao lado da mulher que ele tanto amava. Nem mesmo meu nome se passava por sua cabeça.
Eu jamais teria o final feliz que eu tanto sonhei. Jamais ficaria com Edward Cullen. Jamais voltaria a sentir seus beijos, ouvir sua voz aveludada em meu ouvido, sentir seu olhar em mim, queimando-me, sentir seu toque, que me levava até o paraíso. Eu jamais voltaria a vê-lo.
Ele jamais me faria sua mulher. Eu jamais seria dele.
Foram todos esses motivos que me levaram a tomar uma decisão em relação a minha vida. Foram todos esses motivos que me levaram a finalmente me libertar daquela vida vazia que eu estava vivendo.
– Eu vou com você, Dean. – disse com firmeza, olhando em seus olhos. – Não vou deixar você ir embora sem mim.
Dean soltou um suspiro aliviado, sorrindo – um sorriso verdadeiro. Ele parecia estar aliviado, como se evitasse uma guerra.
– Só tenho que pegar o Samy. Ele já foi para o hotel onde estávamos, já que eu decidi ficar mais um pouco aqui no hospital.
– Tudo bem, então.
– Tem alguma coisa que você quer fazer antes de partir? – perguntou, lendo minha mente.
– Tem sim. – sorri tristemente. Estranho como este sorriso tinha virado meu único sorriso. – Quero ver meu pai.
Dean sorriu, entendendo meus motivos. Tudo bem que eu estava deixando tudo e todos, mas eu não era louca de, pelo menos, não dar uma explicação. Jamais faria isso com meu pai. Ele merecia, pelo menos, uma despedida decente. Mesmo que isso partisse meu coração. A lei era: Antes o meu do que o dele.
Dean pegou minha mão e começou a andar, me puxando consigo. Andamos por um pequeno corredor, que nos levou até o estacionamento. Não demorou para que meus olhos encontrassem o carro preto de Dean. Dean sorria cada vez mais, olhando para o carro, fazendo aquilo parecer um reencontro de novela. Aquilo me divertiu.
– Sinta como se fosse seu. – disse quando nos aproximamos do carro.
– Então, eu vou poder dirigir? – brinquei, já sabendo a resposta.
– Não. – o sorriso de Dean diminuiu enquanto falava. Andou mais para perto do carro, passando por mim, indo até o outro lado do carro, enquanto alisada cada pedaço do carro que conseguia. Se apoiando no teto do carro, ele sorriu triunfante. – Eu gosto de você, mas isso não muda as coisas sobre dirigir meu carro.
Fiz uma cara de chateada, o que o fez dar ainda mais risada, até chegando a gargalhar.
– Este rosto bonito não me convence. – terminou, piscando e entrando no carro.
Eu apenas revirei os olhos, me divertindo com aquela situação toda. Acho que as coisas vão melhorar se eu estiver com Dean. Ele me faz esquecer as coisas ruins, esquecer do que minha alma se lamenta tanto por não poder esquecer.
– Vai entrar ou quer que eu chame o reboque? – perguntou, ironicamente, apontando para a porta do carro já aberta.
Entrei no carro sem demoras, sentindo o suave aroma de couro limpo e qualquer bebida alcoólica de menta. O banco macio me fez lembrar da última vez que estive dentro daquele carro. Não era uma memória que me agradasse, porém não era algo que eu poderia esquecer com facilidade.
Naquela noite as coisas começavam a piorarem para mim. Naquela noite eu perdi Edward Cullen para sempre. Naquela noite a ilusão de tê-lo na minha vida foi morta e enterrada. Ele estava com outra, dizendo que a amava. Como meu coração doeu ao vê-los se beijando. Quanta inveja senti daquela vampira. Quanto ódio senti por ela ter tudo o que eu tanto queria. Quanta raiva senti por ser ela, e não eu.
– ? – Dean tocou suavemente meu ombro, chamando-me para realidade.
Me dei conta de que estava com os olhos fechados, presa a um mundo que ficava cada vez mais distante. Lembro-me de ter sonhado com Edward, sonhado com aqueles olhos que eu jamais voltaria a ver. Ele dizia qualquer coisa sobre estar feliz. Sorri amargurada, olhando pela janela a noite escura. O carro já não estava mais em movimento.
– Pelo menos, um de nós dois está, amor. – sussurrei baixinho, olhando para a noite escura, tentando adivinhar onde ele estava.
– Você quer que eu vá com você? – Dean perguntou, olhando para meu rosto. Lembrei que o carro não estava mais em movimento.
Sorri agradecida, porém um sorriso sem brilho, sem vida.
– Não, Dean. Eu vou sozinha. – sussurrei. – Não vou demorar.
Sai do carro, demorando um pouco para ter noção de que já estava na frente da cada do meu pai. Agora as coisas se complicavam. Não queria deixá-lo. Porém meu coração não agüentaria todo o tormento que enfrentar as coisas me causaria.
Andei lentamente até a casa, com passos pequenos e suaves. A casa estava completamente escura, porém havia vida dentro da cada. Abri a porta lentamente, tentando não fazer barulho algum. A sala estava completamente escura, porém meu pai estava jogado no sofá, adormecido. Parecia até um anjo dormindo. Meu coração se alegrava de vê-lo, porém ele se quebrava em pedaços a cada segundo que eu o olhava. Eu não era sua filha. Seu sangue não corria em minhas veias.
Andei até o sofá, me abaixando em sua frente. O melhor pai que uma pessoa poderia ter estava diante de mim. Eu o amava tanto. Lembranças da minha infância invadiram minha mente. Não importava o quanto eu tentasse lembrar das coisas com alegria, sempre haveria o amargo sabor de saber que tudo era mentira. Eu não sabia quem realmente era. Nada mais fazia sentido. Será que tinha algo verdadeiro?
Passei minha mão pelo seu rosto já envelhecido pelo tempo. Ele suspirou e sorriu, fazendo-me sorrir automaticamente.
– Eu te amo pai. – beijei seu rosto. As lágrimas já tomavam meu gosto, me fazendo limpá-las rapidamente. – Nada nunca mudará meu amor por você. Nunca.
– ? – Ben sussurrou, confuso, abrindo os olhos brevemente. Seus olhos me encontraram por poucos segundos. Fechou novamente os olhos, suspirando. – Senti sua falta, filha.
Sorri, acariciando seu rosto.
– Eu te amo pai. – disse beijando sua testa cheia de rugas.
– Também te amo muito minha filha. – disse, entre a realidade e o seu próprio mundo.
Suspirei me levantando, olhando ao redor, a procura de qualquer coisa que pudesse servir de papel para que eu escrevesse um pequeno bilhete de despedida. Andei até o armário, abrindo a gaveta de maneira escura, a procura de papel e caneta. Ao encontrar, foi até o outro sofá, sentando-me.
“Querido e amado Pai,
Não se preocupe comigo, estarei bem, em qualquer lugar que seja. Não estou te deixando, até por que eu jamais faria isso. Voltarei logo, quando as coisas começarem a voltarem para seu lugar de direito. Não posso ficar aqui. Não posso viver uma vida que nunca foi a minha. Sei que é egoísmo, só que não posso continuar. Espero que você entenda meus motivos por estar indo embora.
Só nunca se esqueça que jamais deixarei de amá-lo. Se houve um pai que mais amou sua filha, esse pai foi você. Nada neste mundo mudará o que sinto.
Com todo amor, Analise.”
Coloquei o bilhete em cima da mesinha do lado do sofá em que meu pai estava dormindo. Eu voltaria pelo meu pai. Só que eu não poderia continuar aqui. Não agora. Não posso pensar em todas as coisas que perdi. São coisas demais para serem lamentadas de uma só vez.
Saí da casa com lágrimas nos olhos, mas isso não me impediria de tomar um novo caminho na minha vida. Quero começar as coisas do jeito certo desta vez.
Dean me esperava do lado de fora, com os olhos tristonhos. Parecia que ele entendia a dor que eu estava sentindo. Caminhou até mim, tomando-me em seus braços. Ali chorei, chorei toda dor que lutava para se libertar de mim. Chorei pelas grandes perdas em minha vida. Chorei por mim mesma.
Ele apenas me apoiou, acariciando meus cabelos e beijando o alto da minha cabeça. Por algum motivo, eu me sentia segura em seus braços. Por algum motivo, Dean estava me dando um motivo para continuar esta longa caminhada. Seus lábios tocaram minha testa com ternura, enquanto ele sussurrava que cuidaria de mim agora.
Seus lábios foram caminhando pelo meu rosto, deixando um rastro de fogo pelo caminho. Os arrepios começaram a dar sinal desconfortáveis, entretanto hesitantes. Eu queria aquilo. Eu o desejava. Seus lábios continuaram até encontrar o caminho da minha boca. Houve um momento de espera até que ele pudesse ver que eu também queria. Sua boca tomou a minha com força, com paixão. Suas mãos fortes seguraram minha cintura, enquanto nossos corpos lutavam para ocupar o mesmo lugar. Segurei seus cabelos com uma de minhas mãos, enquanto a outra brincou com o zíper da sua jaqueta de couro.
Talvez nada na minha vida tivesse sido real. Porém eu estava experimentando uma coisa nova e saborosa, que me parecia real. Dean era real. Era ele quem estava me beijando nesse momento, não um príncipe que foi embora com a promessa de nunca mais voltar. Dean me desejava e igualmente eu o desejava. Bastava apenas isso, por hora.
O meu desejo por ele era real. Eu poderia sentir o fogo me consumindo por inteira, até as ultimas das minhas células.
Apenas isso bastava para que eu me sentisse vida mais uma vez. Não importava o que quer que tenha acontecido em minha vida, nada fora real.
Entretanto, eu desejo Dean Winchester. Isso é real, isso me basta.
Notas finais do capítulo
Olá meus amores. Tenho tantas desculpas para lhes dar e meus sinceros lamentos. Para começar, está fanfic foi parada de atualizar primeiramente por que eu a escrevia como um diário, uma realidade da minha vida. Quando comecei a escrever esta fanfic, eu não tinha notação das coisas que aconteceriam ao decorrer da história. Eu apenas pensava em fazer uma história team Jacob e nada mais. Mantendo sempre o fofo no triangulo entre a personagem criada por mim e Jacob/Bella. Depois de alguns capítulos, minha vida mudou completamente. E fui colocando coisas minhas na personagem, realmente a transformando em um diário particular. A versão que eu pensei, não havia nenhuma coisa relacionada a estrúpo. Porém, como disse logo aqui em cima, minha vida mudou.
Posso dizer que se tornou uma forma de me espelhar ao mundo. Aconteceu comigo a mesma coisa que aconteceu com a e o Ted. E assim como a mãe da , a minha não ficou do meu lado. As coisas se tornaram complicadas para mim. Foi colocando tanta coisa de mim nesta história, que por vez penso que ela se sentiu sufocada.
Depois não quis mais postar nada. Querendo apenas esquecer a que existia dentro de mim. Porém toda história merece um final, e não posso negar isso a essa história. Obrigada por tudo meninas.
Grandes beijos. Layra Cristina.
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