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O Outro Lado
Memórias do Passado
Nome da Fanfic: O Outro Lado
Nome da Autora: Layra Cristina
E-mail: cristina_layra@yahoo.com
Sinopse:
Você pensava que era apenas uma garota normal, mas nunca esteve mais enganada. Tentava apenas seguir sua vida, mas jamais poderia prever o que estava prestes a acontecer em sua vida. Jamais havia se passado em sua cabeça que estava sendo observada - e esse foi seu maior erro. Um grande erro que futuramente ela irá almejar esquecer.
Ao redor de sua existência existem segredos ocultos, que nem mesmo as criaturas das trevas podem decifrar. Um lado negro dentro de si é oculto para sua própria alma, para lhe manter intacta, humana, mas você apenas tentar resistir e tomar o controle. O quê você realmente é? Será que tudo o que viveu até agora eram apenas mentiras jogadas ao vento?
Será mesmo que é apenas uma humana comum? Já não poderia ter certeza.
Uma humana normal? Ou um lobo disfarçado?
Classificação: +18
Categorias: Sobrenatural, Saga Crepúsculo, A breve segunda vida de Bree Tanner, Vampire Academy,The Vampire Diaries
Personagens: Edward Cullen, Dean Winchester
Gêneros: Universo Alternativo, Ação, Amizade, Aventura, Drama, Fantasia, Mistério, Romance
Avisos: Estupro, Álcool, Linguagem Imprópria, Sexo, Tortura, Violência
Capitulo 01: Infância
Na Península Olímpica, no noroeste do estado de Washington, nos Estados Unidos, existe uma cidadezinha chamada Forks que estava quase que constantemente coberta por nuvens. Nessa cidade desimportante chove mais do que em qualquer outro lugar do país. Eu simplesmente amo Forks. Não consigo imaginar minha vida em outro lugar. Sempre morei aqui, para ser mais sincera, nunca nem ao menos consegui sai daqui. Nem mesmo para outra cidade ou até mesmo estado. Apesar das minhas incontáveis tentativas, havia alguma coisa sobrenatural que me mantinha amarrada aquela cidade.
O único lugar que sempre visito è as pequenas praias La Push. Tenho muitas lembranças da minha infância lá. Minha mãe trabalhava muito no hospital onde era enfermeira, então me deixava na casa da minha doce tia Sue, que era esposa do meu único tio paterno. Meu pai sempre estava presente, até mesmo, quando o casamento dele com minha mãe acabou. Não gosto muito de pensar sobre isso, por que parece que no passado, junto com minha família, parecia que tinha ficado um pouco de mim. Meus pais eram meus heróis, e agora eles estavam separados, se odiando, brigando como dois loucos.
Agora meu pai também mora lá em La Push, o visito todos os finais de semana – claro, quando minha mãe não resolvia me proibir de ver meu pai, já que eles não estão mais tão bem como antes. Sempre fui muito próxima do meu pai, até mais, que meu irmão mais velho Erick.
Ele sempre estava implicando comigo, mas agora tudo mudou. Nós éramos muito unidos, desde o momento que meu pai ultrapassou a porta da nossa antiga casa, dizendo que não agüentava mais as loucuras da minha mãe.
Sempre que visito La Push meu coração se enche de alegria. Especialmente, principalmente, por um motivo, e esse motivo tinha um único nome: Jacob Black.
Ele sempre fora um amigo pra mim, até que um dia, quando eu fui buscar Jacob em uma festa, na qual ele bebido além da conta. Naquele dia descobri que meu pobre coração morria de amores por ele. Quando Jacob me beijou, achando que era outra, eu tive consciência de que meu coração o amava com toda força da minha alma.
Só que meu pobre sentimento não era correspondido. Jacob tinha uma namorada que se chamava Isabella Swan, uma garota que havia se mudado há alguns anos para a cidade, depois que seus pais resolveram também se separar e sua mãe acabou casando com outro, assim como a minha mãe havia feito. Depois que eu descobri a verdade sobre seus pais, acabei gostando dela, até por que ela também sabia como era ver sua família ser destruída. Jacob, Bella e Eu, nos tornamos inseparáveis. Éramos o que se poderia se chamar de amigos. Claro, Jacob sempre passava mais tempo comigo, até por que nossa amizade era maior do que qualquer coisa que conhecíamos, mas algo me dizia, bem no fundo do meu peito, que aquilo mudaria. Bella se apaixonou por Jacob, inevitavelmente. E passou a fazer de tudo para conquistá-lo.
Nunca a culpei nunca por isso, apesar de meu coração doer a todo o momento em que eles se aproximam de mim. Afinal, quem não se apaixonaria por Jacob?
Bella e eu estudávamos na pequena e única escola de Forks. E isso complicava tudo, já que ela não parava de falar em como seu namoro com Jacob era perfeito. Meus sentimentos nunca seriam correspondidos e por consideração a Bella, acabei nunca realmente tentando fazer Jacob me ver com outros olhos. Nunca tentei apostar nas minhas verdadeiras chances.
Bella era uma garota bonita de grandes olhos chocolate, seus cabelos castanhos avermelhados, levemente ondulados. Apesar de sempre achar que ela era muito branca, sua pele só perdia para o giz, ela até que tinha sua beleza. Enquanto eu, dona de longos cabelos escuros, levemente ondulados nas pontas; Meus olhos eram um pouco puxados cor de mel, eu podia perfeitamente me passar por descendente japonesa, apesar de não ter nada haver; meus traços eram inconfundíveis. Minha pele era morena - mais isso era típico dos descendentes da pequena tribo indígena Quileute.
Todos os meus parentes paternos eram Quileute, por tanto, eu era uma Quileute, também.
Meu pai sempre contava histórias da tribo para meu irmão e eu. Meu irmão nunca ligou muito pra isso, ele dizia que era apenas bobagens, diferente de mim;
Não culpo o meu irmão, as histórias saiam da realidade, mas era isso que me fascinava. Minha vida era tão problemática, que eu preferia acreditar nas histórias que meu pai contava. Sempre gostei de histórias assim, sempre vivi no mundo da fantasia, diferente de Erick que sempre teve seus pés no chão.
O sorriso de Jacob invadiu minha mente, deixando uma trilha de dor, por onde passava. Por mais que eu tentasse, pensar nele me deixava sem forças. Eu sempre gostei dele, até mesmo quando ele me disse que era loucamente apaixonado por Bella. Parecia que meu coração só tinha espaço pra ele nessa área, parecia que só ele seria o dono do meu coração.
Escutei um barulho do lado de fora do carro, me fazendo fitar a noite com preocupação. Estava escuro demais para eu poder ver alguma coisa. Meu coração acelerou por causa do medo. Eu ainda continuava a encarar o nada. Foi quando eu vi um vulto se aproximando do carro com velocidade. Fiquei logo nervosa, preocupada e com muito medo.
-Oi. - disse Jacob batendo no vidro do velho carro de minha mãe, enquanto se aproximava, me assustando. Automaticamente, fiquei paralisada, tentando me decidir se ao ver Jacob ali era uma coisa boa ou não era, ainda mais naquele breu que era a estrada. Ùltimamente eu estava tentando evitá-la ao máximo. - Vai me deixar aqui?- fez ele uma careta ainda batendo no vidro, parecendo prever que eu estava indecisa.
Continuei tentando acalmar meu coração, mas agora tinha ficado impossível com a presença de Jacob. Conclui que preferiria ver um estranho ali, tentando me matar, a ao ver Jacob.
-Vai me deixar na chuva, mesmo?- continuou ele, perdendo um pouco a paciência, olhando para a chuva que o molhava.
Abri a porta rapidamente tentando não encostar em Jacob, para não provocar meu louco desejo por sua pele morena convidativa. Era muito difícil ficar tão perto ele e conseguir não beijá-lo. Se dependesse só de mim, eu esqueceria o mundo e o beijaria, como naquela noite. Me entregaria a ele, como eu havia feito de corpo e alma. Seus beijos, suas caricias, estavam apenas gravados em mim, me torturando todos os dias.
-Nossa, eu pensei que você me deixaria lá fora - afirmou ele entrando no carro escuro, revirando os olhos, como se aquilo fosse alguma piada.
-Não, eu nunca faria isso! -ele sorri com a minha afirmação. -Mas você me assustou, muito.
-Foi mal, não foi a minha intenção!
-Tudo bem, só não faça isso novamente, ok?- peguei meu celular no painel do carro, sem encostar em Jacob.
-Nossa já é muito tarde!- eu estava muito constrangida de estar muito próxima de Jacob.
Ele estava lindo, como de costume. Seus cabelos negros estavam molhados pela chuva que caia desesperadamente em La Push.
Não pude deixar de estremecer quando percebi que ele estava sem camisa, deixando a mostra seu perfeito peitoral, musculoso.
Ele não era mais o menino magrelo de antes, seu corpo já estava perfeitamente evoluído.
-Não tem camisa, não?-perguntei apontando para seu peito nu.
-Ah. -ele passou sua mão pelo cabelo molhado, constrangido. -Sabe como é, né?
-Sei?-levantei uma sobrancelha, tentando ao máximo não rir da careta estampado em seu lindo rosto.
-O que está fazendo aqui?-mudou ele de assunto. -Já está muito tarde!
-Vim ver o meu pai. Hoje é sábado.
- Não tem como passar de carro. Há chuva está muito forte. -apontou com a cabeça para a chuva.
-Eu sei, por isso estou aqui!
-Você pode ficar na minha casa, até a chuva passar. É a casa mais próxima daqui.
Não suportava a idéia de ir até lá, não podia ficar mais perto dele, sem meu coração doer.
-Não, estou bem aqui. Volte para casa Jacob!
-Você não quer a minha companhia?-fez ele uma cara de falsa chateação.
-Não é isso, mas Bella pode não gostar. Afinal, estamos no meio do nada, sozinhos.
-Até parece que Bella vai ligar para isso. Todos sabem que você é como uma das minhas irmãs.
As palavras dele eram como garras afiadas indo diretamente para o meu encontro, como um tapa na minha cara. Logo as lágrimas estavam em meus olhos, tentei ao máximo segura-las, mas fora tarde demais.
-O que foi?-perguntou ele se aproximando mais de mim.
-Não é nada. -limpei as lágrimas que caiam ferozmente pelo meu rosto. -É melhor você ir embora.
-Claro que não!Eu não vou deixar você aqui, desse jeito!
Senti seus braços em minha volta, fechei meus olhos para tentar esquecer da aproximação;
-Será que não entende?-sussurrou ele em meu ouvido, fazendo-me estremecer. -Você é como uma irmã para mim. Nunca a deixarei... Nunca. Conte-me o que está acontecendo. -ele ficou esperando eu começar a falar, mas isso nunca aconteceria. -Por favor... -implorou ele.
Tentei não pensar na dor que invadia meu peito, ele nunca me amara como eu precisava. Essa era uma luta perdida.
Jacob amava Bella desde que éramos crianças, eu o entendia perfeitamente. Até mais que queria entender.
-É algo com sua mãe?-continuou ele, ainda tentando entender meus motivos. Balancei minha cabeça em negação.
-Não é nada disso Jake. -sussurrei em seus braços.
-Então me conte, talvez eu possa ajudar. Eu quero ajudar!
-Você pode. -deixei escapar dos meus lábios sem pensar.
Como eu poderia deixar escapar uma coisa dessas? Claro que ele podia, ele era o único que poderia.
Os minutos foram se fossando e o silêncio estava me matando. Eu precisava ouvir aquela voz rouca em meu ouvido.
-Jacob eu te amo!-sussurrei. Não podia mais guardar esse segredo.
-Eu sei... Somos amigos há muito tempo...
-Não é desse jeito. -o interrompi.
-Então é como?
No começo tive medo de lhe contar toda a verdade, mas parecia que esse era o único jeito de afastar a angustia que estava alojada em meu peito.
-Eu sempre te amei... Sei que não deveria. Afinal, você ama a Bella, mas... - me dei conta do que estava fazendo. Não queria que fosse assim. Não queria que ele sentisse pena de mim.-Esqueça tudo o que falei.
-Como esquecer?Você diz uma coisa dessas e fala para esquecer?-senti a raiva em sua rouca voz.
Eu sabia que seria assim, eu sempre soube.
Tinha perdido o único amor que Jacob me dera: á amizade.
Agora a dor era evidente, meu rosto se desfez.
Não restava mais nada, eu já tinha caído no mar sem fim. Agora as lágrimas escoriam pelo meu rosto sem freio, não tive forças para detê–las.
Jacob se afastou um pouco de mim, e pude ver seu peito molhado pelas minhas lágrimas. Desviei meus olhos de seu peito para a escuridão fora do carro. Eu não podia encontrar seus lindos olhos negros cheios de pena.
- ?-perguntou ele num sussurro.
-Sim?-suspirei me enchendo de coragem para encontrar aqueles olhos.
Quando meus olhos encontram os dele tive a impressão de ver compreensão.
Mas eu não podia ter falsas esperanças. Eu tinha que entender e colocar na minha cabeça que Jacob nunca me amara.
Jacob foi se aproximando de mim lentamente, no começo não entendi, mas quando seus lábios encontraram os meus, era como se tudo estivesse se esclarecido.
Coloquei minha mão nos cabelos negros de Jacob o puxando mais para mim. Sua mão foi para a minha cintura, fazendo nossos corpos se encontrarem ainda mais, se é que isso é possível.
O beijo foi ficando mais exigente, e os lábios de Jacob devoravam os meus com impaciência.
Sua mão direita estava na minha coxa, aquele toque me fez gemer baixinho;
A imagem de Bella veio a minha cabeça, fazendo-me sentir a culpa e o remorso que me invadiram.
Ela não era uma má pessoa, sempre gostei muito dela.
Paralisei no mesmo instante, saindo dos braços de Jacob.
-Jake... Eu sinto muito!-sussurrei com a minha voz tremula pela culpa.
-Não foi você que me beijou, portanto a culpa não é sua. -suspirou Jacob. –Me perdoe .
-Não tenho nada há perdoar. Você sabe que eu sempre quis isso? Mas não assim...
Minhas palavras foram interrompidas pelo toque do celular que estava no banco.
Não pude deixar de fazer uma cara de choque quando vi quem estava ligando.
-Alô? -atendi com a voz ainda tremula pela culpa.
-Oi, tudo bem ? -perguntou Bella com sua voz fraca, me chamando pelo único apelido estranho que ela me dera.
-Estou e você? -olhei para Jacob, que escutava a conversa ao longe;
-Estou ótima. Tenho uma ótima noticia para lhe dar!-gritou ela, no outro lado.
-Fale. -a encorajei.
-Jacob me pediu em casamento hoje no almoço. Não é incrível?Eu quero que você seja a nossa madrinha. Seria tão lindo, já que você sempre esteve ao nosso lado, desde quando éramos crianças e eu nem sabia o que sentia pelo Jacob direito. O que você acha? Não é ótimo amiga? -perguntou ela cravando uma estaca no meu coração, com toda aquela empolgação.
Tentei encontrar as palavras em meio ao desespero, mas eu estava paralisada.
-Você ainda está ai?-perguntou Bella preocupada.
-Estou. Só estava pensando. -respondi, encontrando a minha voz.
-Então o que você acha? - continuou ela;
-É uma noticia que me pegou de surpresa.
-É seu sei. Pegou-me também. -suspirou ela.
-O que foi? -perguntei preocupada.
-Depois eu te conto. Tenho que ir dormi. Amanhã eu tenho que fazer muitas coisas.
-Tem? -perguntei sem animo.
-Vou arrumar os preparativos. -cravou mais ainda a estaca em meu coração.
-Mas você só está no colegial. Vai te prejudicar. -não pude disfarça a agonia.
-Tenho mesmo que desligar. Tchau. -desligou na minha cara.
Ela havia jogado uma bomba em meu colo que estava preste a explodir. Não queria pensar quando explodisse, doeria demais;
“Foi tarde, demais.” - disse mentalmente a mim mesma; - “Essa luta, ou melhor, guerra eu tinha perdido. Não havia nada a se fazer.” - acrescentei.
- ? -perguntou Jacob me tirando das lamentações.
Tinha esquecido totalmente da presença de Jacob. Ele estava me encarando com seus olhos negros cheios de preocupação.
-Sim Jacob? -respondi me virando para encará-lo;
-Eu ia te contar. -sua voz saiu tão baixa que quase não pude ouvir.
-Você não tem nada que se explicar. -me esforcei para não implorar que ele não se casasse e ficasse comigo. -Esta tudo bem.
-Eu queria ter te falado antes, mas...
-Bella contaria primeiro. Afinal, somos amigas. -interrompi. -Eu sabia que um dia aconteceria. -suspirei. -Você a ama, é normal.
-Não é nada isso. -Jacob parou de falar, como se estivesse com medo. -Bella está grávida;
-O que?-gritei.
-È, eu sei. -suspirou, depois pegou a minha mão esquerda. -Eu sempre te amei. Mas nunca passou pela minha cabeça que você também me amava. -confessou.
Sempre sonhei com aquele momento, mas não daquele jeito. Tudo indicava que eu nunca o teria. Nunca...
-Jacob está ficando tarde. -olhei para a noite. Agora estava chovendo levemente. -Tenho que ir. Se você quiser te deixo em casa.
Ele pensou por uns instantes segundos segurando o rosto com a mão livre. A preocupação era evidente.
-Ta. -foi tudo o que ele disse.
Dirigi lentamente pelas estradas de La Push. Prestei muita atenção nas estradas de terra, tentando, me esforçando, para não pensar. Avistei a cada de Jacob ao longe.
A casa dos Black era muito parecida com a casa que meu pai estava morando, uma pequena casa de madeira com janelas apertadas, a pintura fraca desgastada a deixava parecida com um celeiro.
Estacionei na frente da pequena varanda, me virei para fitar Jacob que estava muito quieto.
-Bom, chegamos. -avisei.
-Vai ficar amanhã em La Push?-perguntou ele levantando sua grossa sobrancelha.
-Não sei. -admiti. -Tenho umas coisas pra fazer.
-Posso saber?-perguntou ele.
-Pode. -sussurrei. -Vou sair com umas pessoas da escola.
-Ah... -Jacob abriu o meu sorriso preferido. -Esta trocando o povo da reserva, pelos caras pálidas?
-Claro que não. -liguei o carro. -Mas é bom se misturar.
-Esta com tanta pressa, assim?
-Esta ficando tarde. -menti. O real motivo era que se eu ficasse doeria muito mais, mas tarde. -Meu pai deve está preocupado.
-Mande lembranças minhas a ele. -ele se levando e saiu do carro. -Depois a gente se fala?
-Claro. -menti.
Eu tinha que sair de perto de Jacob, antes que minha mascara se desmantelasse bem em sua frente.
-Então, até mais tarde. -despediu ele.
-Até. -respondi.
Liguei o carro ainda com a máscara em meu rosto. Mas não demorou muito, ela estava quebrada. As lágrimas invadiram o meu rosto, não consegui mais ver a estrada a minha frente. Estacionei o carro entre as árvores.
Não podia chegar na casa do meu pai daquele jeito.
Fiquei minutos chorando, mas a dor não diminuía só aumentava.
O grito estava preso em minha garganta, mas não tinha ninguém para me ver daquele jeito.
Gritei como uma louca, mas no fundo eu estava ficando mesmo. Bati minha cabeça com força contra o volante.
Dei-me conte só quando vi os raios de sol, que fizeram meus olhos arderem.
Pequei meu celular, que estava agora dentro do porta luvas. Tinha sete chamadas não atendidas. Suspirei, não estava com cabeça para conversar com ninguém.
Meu celular começou a vibrar na minha mão, encarei meu celular por uns instantes.
-Alo? -atendi.
-Onde você está? -perguntou minha mãe, brava.
-Em La Push. Por quê?
-Seu pai está preocupado. Ele me ligou e disse que você não apareceu.
-Estava chovendo muito. Então encostei o carro e acabei dormindo. -menti. Eu não tinha pregado o olho à noite inteira.
-Está vindo pra cá? -perguntou ela preocupada.
-Sim, até daqui a pouco. -desliguei o telefone.
Fiquei olhando as árvores por uns segundos, até que decidi dar um passeio até a praia. Ninguém estaria lá tão cedo.
Sai do carro e andei pelas trilas que davam até a praia mais próxima.
O mar estava lindo. A água estava bem clara.
Então notei que estava fazendo sol, isso era muito raro em La Push, em Forks.
Tirei meu tênis e caminhei pela areia macia. Respirei fundo, tentando prender aquele perfume em meus pulmões.
Eu realmente amava tudo aqui. Isso sempre fora a única coisa que me acalmava.
-O que está fazendo aqui, tão cedo?-perguntou Leah.
Ela realmente me assustou, o que não era nada difícil.
Minha prima estava segurando seus sapatos na mão, como eu fizera.
-Só dando umas voltas. -me sentei na areia. Sem ligar para minhas roupas. Leah fez o mesmo. -E você?
-Vou encontrar Sam, aqui daqui a pouco. Disse que tem alguma coisa importante para me dizer. - ela suspirou ao terminar de falar. -Ele está muito estranho ultimamente.
-Eu percebi na ultima vez que o vi. -respondi.
-Sam está diferente desde que aquele tal de Doutor Cullen apareceu na cidade, semana passada. -disse ela.
-Não tive oportunidade de vê-lo ainda. - suspirei. -Dizem que ele tem uma beleza incomum.
-Tem uma coisa que estou pensando há algum tempo. -ela pegou minha mão.
Leah e eu éramos muito amigas, na verdade ela era a minha melhor amiga.
-Lembra das lendas, do nosso povo?-perguntou ela.
Claro que lembrava, eu simplesmente amava aquelas histórias.
-Sim. Por quê?-eu queria saber o que os Cullen tinham haver com isso.
-O nosso povo fez um trato com aqueles frios. -Leah fez uma careta que me fez rir. -O nome da tal família era Cullen. Será que não são os mesmos?
Minha prima tinha razão, será que eles eram os mesmos?
Levantei-me num pulo da areia.
-Eu tenho que ir!-ela também se levantou. -Vou tentar descobrir isso, sobre os Cullen. Depois te conto.
Já estava andando me afastando de Leah, quando senti uma mão quente pegar meu braço.
-Leah você está bem?-perguntei preocupada.
-Sim, por quê?-perguntou ela em resposta.
-Você está muito quente. –eu não poderia deixa aquela dor me afastar de minha família. -Venha, vou te levar ao medico.
Peguei o braço de Leah a puxando pelo caminho que saia da praia.
-Não, eu estou bem!-gritou ela. -Tenho que esperar o Sam!
-Ta. -a soltei relutante, ainda muito preocupada.
-Nossa prima Emily vem nos visitar depois de amanhã. -avisou-me ela.
Tinha me esquecido totalmente da visita da minha outra prima Emily, que morava em outra reserva Quileute distante.
-Estarei aqui!-gritei, saindo correndo.
Fui diretamente para a casa do meu pai.
A casa estava completamente vazia, sem testemunhas.
Subi as estadas lentamente, tentando não pensar em Jacob. Mas isso para mim era uma coisa impossível.
Ele se casaria com Bella, e seria pai.
Nunca tive muitas chances em relação a ele, mas agora nada mais adiantava. Eu tinha o perdido. Tinha perdido a pessoa que mais amava na vida.
Eu só queria que ele fosse realmente feliz.
Era muito estranho imaginar Jacob com um bebezinho nos braços. Eu tinha que me acostumar.
Ele estava saindo da minha vida, mas não do meu coração. Talvez nunca saísse!
-O que está fazendo ai, parada no meio da escada?-perguntou Erick, me dando um baita susto.
-Pensei que não tinha ninguém aqui. -me virei para ver meu irmão que estava ainda no primeiro degrau da enorme escada.
-Você sumiu. -ele passou a mão em seus cabelos pretos. -Já estava quase ligando para a policia.
-Eu sei que você me ama irmão. -eu realmente estava precisando tirar com a cara de Erick. -Você não ficou nem um dia sem me ver, e já estava entrando em depressão. -coloquei minha mão esquerda na cabeça. -Oh, como ele me ama!
-Chega de tirar com a minha cara. -ordenou ele. -Estava preocupado com você!
-Porque estaria?-perguntei curiosa.
-Eu sei que você sabe que o Jake vai se casar. Eu acabei de encontrar com ele. - começou ele. -E como eu sei que você arrasta um caminhão por ele. Pensei que você estaria precisando de mim.
Mesmo que eu fugisse, Jacob sempre aparecia em minha vida.
-Esta tudo bem. -menti. -Ele não era tão importante.
-Sei... -ele suspirou. -Se você precisar eu estou aqui. Não se esqueça!
-Não me esquecerei. -terminei de subir os degraus que faltavam. -Onde está indo tão elegante?
-Vou visitar a Anne!-ele estava com um sorriso de orelha a orelha.
Pelo menos um na família tinha sorte no amor!
-Mande lembranças minha!-gritei entrando no corredor onde ficavam os quartos.
O corredor era bem claro, fora em mesma que escolhi as cores;
Tinha três portas no corredor.
Do lado esquerdo ficava a porta que dava para o quarto do meu irmão; Também tinha outra porta no lado esquerdo, que era o quarto do meu pai.
A única porta que tinha no lado direito era a porta do meu quanto. Entrei. Meu irmão e eu tínhamos dois quartos. Um na casa da mamãe e outro na do papai. A casa do papai não era muito grande, típico de La Push. Mas era muito confortável. Meu quarto era como de qualquer outra adolescente. Tinha alguns pôsteres na parede, dos meus cantores e bandas preferidas. Também tinha vários livros espalhados, pelos cantos. A parede do meu quarto era roxo bem claro, eu mesma tinha escolhido a cor. Roxo sempre fora a minha cor preferida. A cama ficava no meio do quarto, com os lençóis e edredons rosa bebê. Sempre gostei de combinar as cores, e roxo e rosa bebe combinava.
Tinha uma escrivaninha no lado esquerdo da cama. No lado direito ficava o meu armário de roupas e outras coisa. E também ficava a janela de madeira. A cortina da janela era azul bebê.
Mesmo não tendo dormido a noite eu não estava nenhum pouco cansada, pelo contrario. Andei lentamente para o meu banheiro que ficava no lado direito do quarto.
Tomei um banho bem demorado, para tentar esquecer tudo, mas como sempre, Jacob sempre estava em meus pensamentos.
Coloquei um vestido azul de manga curta, de pano bem levinho, e também coloquei meu casaco branco de lã. Quando desci não havia nem sinal do meu irmão, ele realmente amava Anne. Ela tinha muita sorte de ter meu irmão como namorado. Meu irmão não era nada feio e sempre fora simpático. Escutei batidas na porta, e foi imediatamente ver quem era.
Bella estava com seus cabelos castanhos presos num rabo de cavalo. Ela usava uma calça preta e uma camiseta regata rosa. Quando me viu seu sorriso alargou.
-Entre!-fiz final que ela entrasse na pequena casa.
-Eu vim te trazer pessoalmente, o convite do meu casamento. -ela esticou um envelope azul para mim.
"Você está convidada a comparecer há união de Isabella Swan e Jacob Black.
Contamos com a sua presença!
Este evento acontecera na igreja de La Push, no dia 17 de janeiro, às 20 horas.”
Li o convide lentamente tentando não desmoronar bem na frente de Bella. Afinal, ela era a noiva. O casamento seria em poucas semanas, hoje era dia oito, segunda-feira.
-Você vai estar ocupada neste dia?-perguntou ela, vendo a tristeza que não pude disfarça.
-Não é isso. -eu tinha que inventar um bom motivo. -Esse dia será ótimo.
-Que bom que está tudo ótimo pra você. - sua felicidade estava me matando. -Tenho que entregar os outros convites. Te vejo mais tarde?
-Não sei. -apertei o convite contra meus dedos. -Tenho muitas coisas a fazer hoje.
Levei Bella até a porta vendo a alegria que emanava dela. Fiquei a observado partir com um sorriso estampado em seus lábios. Estava perto demais. O dia estava muito perto. Não sentia inveja de Bella, por nenhum segundo senti. Mas a dor estava cada vez mais forte, a dor que estava no meu peito.
Corri para meu quarto, eu me deitei na minha cama alguns minutos depois. Era uma coisa assustadora, essa sensação de que um buraco havia sido construído no meu peito, fazendo meus órgãos vitais pararem de funcionar e deixando- os em trapos.
Racionalmente, eu sabia que meus pulmões deviam estar intactos, mas mesmo assim eu lutava por ar e minha cabeça rodava como se os meus esforços me levassem a nada. Eu me curvei, abraçando minhas costelas pra me manter junta.
Capitulo 02: Tristeza em meu coração
Tinha tentado não pensar - não ver - Jacob nas ultimas semana. Mas o encontro seria inevitável – a dor seria inevitável. Estava na véspera do casamento, parecia impossível, a dor em meu peito só aumentara.
Foi ali, sentada no refeitório, tentando esquecer Jacob Black, que eu os vi pela primeira vez.
Eles estavam sentados num canto do refeitório, o mais longe possível de onde eu estava. Eram cinco. Não conversavam e não comiam, apesar de cada um deles ter uma bandeja intocada de comida na sua frente.
Dos três garotos, um era grande - musculoso como um levantador de peso profissional, com cabelo escuro e encaracolado. Outro era alto, mas magro, mas ainda musculoso, e com cabelo loiro escuro. O outro era mais magro, menos musculoso, com cabelo cor de bronze, meio bagunçado. Ele parecia mais jovem do que os outros que pareciam que poderiam estar na faculdade, ou ate mesmo serem professores ao invés de alunos.
As garotas eram opostas. A mais alta era maravilhosa. Ela tinha uma silhueta linda, do tipo que se vê na capa da revista Sports Illustrated, na edição de roupas de banho, e daquelas que fazem as outras garotas se sentirem mal consigo só por estarem na mesma sala. O cabelo dela era dourado, gentilmente balançando até o meio das costas. A outra garota era mais baixa e parecia uma fadinha. Bem magra, com feições pequenas. O cabelo dela era totalmente preto, cortado curtinho e apontando para todas as direções.
O garoto com cabelo cor de bronze se virou e colocou seus olhos dourados em mim.
Nossos olhos se encontraram por alguns segundos, me fazendo corar instantaneamente.
-Já comprou o seu vestido?-perguntou Jéssica;
-Não. -respondi virando meu rosto, para encarar–la.
-Onde você vai comprar?-perguntou ela, novamente.
-Não sei. -respondi sem humor.
-Você não parece muito animada. -foi tudo o que ela disse antes de se virar para conversar com Mike.
Jéssica estava muito feliz nos últimos dias, e eu sabia muito bem o motivo.
Bella se casaria com Jacob não com Mike!
O sinal tocou me fazendo pular de susto. Olhei na direção dos Cullen, mas eles não estavam mais lá.
-Eu também não comprei o vestido. Podemos comprar juntas. O que você acha?-perguntou Ângela.
-Pra mim está perfeito!-falei com falsa animação. -Que horas?
-Depois da aula?-perguntou ela levantando a sobrancelha.
-Perfeito!-foi tudo que conseguir dizer.
Andei lentamente pelos corredores da escola olhando para o chão;
Tropecei nos meus próprios pés, senti duas mãos frias me segurando pelos ombros, me impedindo de cair.
-Desculpe. -levantei meus olhos para ver quem era o meu salvador. A primeira reação que tive foi ficar olhando naqueles lindos olhos dourados.
-Não foi nada. -respondeu o garoto de cabelos cor de bronze.
-Você é um Cullen!-afirmei sem pensar.
-Sou Edward Cullen. -se apresentou, tirando suas mãos dos meus ombros e ofereceu sua mão direita para mim. -Prazer em conhecê-la.
-Sou Clearwater. -falei pegando usa mão. -E um prazer conhecê-lo também!-depois que falei meu sobrenome, o rosto calma de Edward, mudou para uma expressão de choque; - Tem alguma coisa errada com o meu sobrenome?
-Não. Você é da reserva?-perguntou ele, ainda com a expressão de choque em seu lindo rosto de anjo.
-Não exatamente. -suspirei pela longa história a seguir. -Meu pai é de La Push, e minha mãe é daqui mesmo.
-Então você é uma Quileute?-perguntou ele interessado.
-Sim, por quê?
-Não é nada demais. -ele se virou um pouco mais para mim, colocando seus olhos nos meus, e abrindo aquele sorriso torto. - Já ouvi muitas histórias da sua tribo.
Olhei ao redor, e não havia mais ninguém no corredor, além de Edward e eu.
-Qual será a sua próxima aula?-perguntou ele interessado.
-Matemática. -respondi.
-A minha também. Posso acompanhá-la?
-Claro. -foi tudo que consegui dizer.
Andamos em silêncio pelos corredores até a sala de Matemática.
-Bom, chegamos. - avisei apontando para a porta da sala de Matemática.
-Posso sentar ao seu lado?-perguntou ele olhando para a única mesa vazia.
-Claro. -respondi indo até a mesa. -Vai ser bom ter uma companhia nessa aula... -murmurei para mim mesma.
-Você sempre fica sozinha nessa aula?-perguntou ele se sentando ao meu lado.
-Sim. -suspirei. - Nessa aula não conheço ninguém.
-Então, posso sentar ao seu lado, sempre?
-Nossa seria ótimo. -foi tudo que disse antes da professora entra na sala.
“Por favor. Não agora!” - choraminguei mentalmente para a dor em meu peito.
Jacob invadia minha mente deixando um rastro de dor pelo caminho. Respirei fundo, tentando não gritar, tentando prender as lágrimas. Mas toda aquela dor era inevitável, ele nunca seria meu, ele nunca foi meu! Eu preferia morrer ao vê Jacob partir!
-Você está bem?-perguntou Edward.
Foi como um anjo me tirando da dor, puxando-me para a superfície do mar escuro.
-Sim. - sussurrou.
-Você não parece bem. - me virei para encontrar seus olhos. -Acho que você deveria ir para casa!
Mas nem o anjo era capaz de me tirar do sofrimento por muito tempo.
A dor voltou mais forte me fazendo gemer.
-Acho que vou pra casa!-levantei-me cruzando meus braços na altura do peito, apertando para ver se a dor diminuía.
Sai da sala sem falar com a senhorita Catharine, e sem pegar as minhas coisas. Aquela dor estava me impedindo de pensar, a única coisa que estava em minha mente, era sair dali. Corri pelos corredores até chegar ao vestiário na quadra de esportes. Não teria ninguém lá, o senhor Carter estava doente. Não estava tendo aula de Educação Física, nessa semana.
Quando cheguei ao vestiário desmoronei. Estava sem chão e sem motivos para continuar lutando. Minhas lágrimas pareciam não ter fim, minha tristeza parecia não ter fim. Eu tinha perdido o pouco de esperanças que ainda me restava. Fiquei no vestiário por horas, até que escutei o sinal tocar. As aulas de hoje tinha acabado;
Eu tinha combinado com Ângela de ir comprar o vestido. Não a deixaria esperando, não poderia fazer isso com ela!
Levantei-me do chão tentando não desmoronar novamente. Andei até o grande espelho que havia na parede. Meu rosto estava todo vermelho e meus olhos estavam inchados. Não me importava de estar com uma boa aparecia - nunca me importei. Olhei ao redor procurando minha bolsa, mas me lembrei que tinha deixado na sala de aula.
Voltei a andar pelos corredores da pequena escola, tentando não cair. Sempre fui desajeitada e sem nenhum equilíbrio, então sempre estava caindo.
Vi Ângela encostada na porta da sala de Português - essa seria nossa ultima aula.
-Oi, Ângela. -cumprimentei quando já estava muito perto dela.
-Achei que você tinha me dado um bolo!-disse ela com os olhos cheios de lágrimas.
-Claro que não. -coloquei minha mão na cabeça, tentando encontra um bom motivo para a minha demora. -Eu não estava me sentindo bem, mas já estou aqui!
-Olha não tem problema se você não quiser ir... -disse ela colocando sua mão em meu ombro.
-Já estou me sentindo melhor. -sorri para Ângela, ela era sempre muito compreensiva, ela era uma ótima amiga. -Onde agente vai comprar os vestidos?
-Pode ser em Port Angeles?-perguntou ela levantando a sobrancelha.
-Como você preferir... -sussurrei suspirando.
-Você tem certeza que está bem?- vi a preocupação novamente em seus olhos.
-Estou. -suspirei. -Não estou muito animada com esse casamento. -deixei escapar.
-Eu percebi! -olhei assustada para ela. Com medo que ela fosse como a Jéssica, e me fizesse falar tudo. -Não precisa contar nada. Mas se você precisar estou bem aqui.
Como eu podia pensar uma coisa dessas de Ângela?Ela nunca seria como a Jéssica!
-Obrigada, por ser minha amiga!-falei com lágrimas nos olhos. Eu estava muito feliz que Ângela fosse minha amiga.
-Obrigada?-ela olhou incrédula para mim. -Sempre serei sua amiga.
Quando percebi já estava abraçando Ângela e ela nem reclamou como Jéssica fazia.
-Vamos?-perguntou ela, quando tirei meus braços ao seu redor.
-Claro!-respondi pela primeira vez, animada de verdade.
Fomos conversando no carro o tempo inteiro, mas o único assunto que não era realmente tocado era o casamento e isso era uma coisa maravilhosa. No fundo eu tinha impressão que Ângela sabia que o real motivo da minha tristeza era o casamento, mas não tive coragem de perguntar a ela. Ângela e eu não éramos do tipo que ama fazer compras. Mas nós tínhamos realmente nos divertido nas compras. Sempre estávamos rindo das minhas piadas bobas, e só o som da risada dela me fazia rir também. Pela primeira vez na semana eu tinha realmente esquecido Jacob – esquecido completamente a dor em meu peito.
-O que você acha desse?-perguntou ela.
Ângela estava com um vestido azul claro de seda. Ele era aberto nas costas e tinha rendas no comprimento. Ela estava maravilhosa! O vestido estava dando um contraste em sua pele, que a deixa ainda mais bonita.
-Está perfeito em você!-gritei de empolgação.
Ângela me fez experimentar um vestido rosa de alça. E quando eu voltava para mostrar como havia ficado, vi um vestido roxo aberto nas costas, meus olhos se encheram de lágrimas. Ele era o vestido mais lindo que eu já tinha vida na minha curta vida. Ângela acompanhou o meu olhar, e instantaneamente abriu um sorriso.
-Vá experimentar aquele!-apontou ela para o vestido.
Fui rapidamente experimentar o vestido com um sorriso estampado em meus lábios. Quando voltei Ângela começou a bater palmas, e isso me fez sorrir instantaneamente. Virei-me ficando de frente para o grande espelho, para ver como ficara o vestido. Ele tinha ficado perfeito, mas meu sorriso se desfez automaticamente, quando lembrei o real motivo de estar o comprando. O rosto de Jacob invadiu minha mente, deixando um rastro de dor pelo caminho percorrido.
-O que foi?-perguntou Ângela se aproximando de mim.
-Não sei por que estou feliz de compra esse vestido. -sussurrei sem perceber.
Ângela me levou pelo braço até o único banco que havia na pequena loja.
-Porque ficou lindo em você!-afirmou ela.
-Eu amei esse vestido... -apontei para o vestido em meu corpo. -Mas odeio o motivo de estar o comprando.
-Eu sabia que o motivo da sua tristeza era esse casamento... -ela suspirou colocando usa mão em cima da minha.
-Sabe Ângela, não encontro motivos para continuar lutando por uma coisa, que sei que está perdida. -confessei.
-Não é exatamente uma coisa, né?-ela tirou a mecha de cabelo que caiu sobre meus olhos. -Eu sempre soube que você o amava. -ela esperou a minha reação, mas como sempre eu não fiz nada. -Você é tão clara como a água.
-Eu sempre quis esconder. Sempre tentei lutar em segredo, mas agora não tem mais como continuar lutando. Ele vai se casar com Bella, eu espero, no fundo do meu coração que seja muito feliz.
-Eu te entendo perfeitamente. -ela sorri tentando me reconfortar, mas naquela hora era impossível!
-Vamos?-perguntou ela pagando o vestido que acabara de comprar.
-Sim. -respondi pagando o meu também.
À volta pra casa não fui tão alegre como tinha sido na ida. O meu coração estava cheio de dor e agonia. Eu só esperava que o casamento passasse logo e minha dor, também.
-Chegamos. -disse a Ângela, enquanto eu encostava o carro na frente de sua casa.
-Vamos juntas ao casamento?-perguntou ela abrindo a porta do carona e saindo para a noite.
-Claro... -eu quase disse que seria ótimo ir com ela a qualquer lugar. Mas me contive. -Eu te pego às 19h30min?
-Claro. -seus lindos olhos escuros me reconfortavam, só com apenas um olhar de amizade.
Observei minha amiga entrar em casa, e a dor ainda estava presente. Dirigi com todo cuidado pelas estradas de Forks, me esforçando para não chorar. Estacionei na garagem de casa com toda a atenção. Eu tinha que manter minha mente ocupada o máximo possível. Sai do carro lentamente sem me importar com a chuva que molhava meus longos cabelos escuros. Entrei em casa sem ligar para barulho que fiz, quando fechei a porta com toda a minha força. Minha mãe estava jogada no sofá -como sempre- quando estava passando as coisas que a agradava na TV. Coloquei meus olhos na TV, tentando saber o que estava passando. Mas não tive muito sucesso.
-O que está passando?-perguntei indo me sentar ao lado de minha mãe.
-“O amor não tira férias”. -disse ela sem tirar os olhos da TV.
-Hum... -voltei meus olhos para a TV. - Esse realmente é muito bom...
Minha mãe não respondeu a minha afirmação, como sempre.
Levantei-me sem me importar se perderia o filme. A ultima coisa que eu queria era ver um filme romântico.
-Não se esqueça que é amanhã é o casamento!-gritou minha mãe. Enquanto eu subia as escadas com a mão no apoio da escada.
Como se eu fosse esquecer! -pensei suspirando.
Entrei no meu quarto trancando a porta. Sem testemunhas.
Sentei-me no chão, abraçando minhas pernas, encostada na porta, tentando comprimir o grito que estava preso na minha garganta, deixando só as lágrimas escaparem. Fiquei assim por horas, tentando aceita tudo o que estava acontecendo em minha vida. Meu celular começou a vibrar no bolso de trás da minha calça. Fiquei o vendo vibrar sem reação, ate que resolvi atender.
-Alo? - atendi com a minha voz ainda tremula.
-? - perguntou uma voz educada.
-Sim? - perguntei sem reconhecer a voz do outro lado da linha.
-Você esqueceu a sua bolsa na escola, então resolvi entregar pessoalmente.
-Edward? - perguntei ainda sem entender nada.
-Sim. - respondeu ele. Quase pude ver o sorriso em seu rosto. O que me fez rir, automaticamente. - Não acredito que esqueceu a minha voz, tão cedo!
-Desculpe. - suspirei tentando encontrar uma boa desculpa. - É que acabei de acorda.
-Você está em casa?
-Sim, por quê?
-Posso levar a sua bolsa? - perguntou ele, com há voz um pouco mais baixa.
-Melhor não. - eu não estava em condições. -Eu pego segunda, pode ser?
-Claro. - suspirou. -Até segunda.
-Tchau. - foi tudo o que consegui dizer antes de desligar.
O cansaço vem ao meu corpo - finalmente-, meus olhos estavam se fechando, sem eu ao menos perceber.
Fui me arrastando até a cama, não tinha forças suficientes para me levantar. Deitei-me na cama e fechei os olhos, ainda tentando esquecer Jacob – tentando ignorar a dor em meu peito. Foi assim que acabei adormecendo.
Jacob olhava para mim com seus olhos cheios de lágrimas.
Ele simplesmente se virou e começou a caminhar se distanciando de mim.
Senti uma dor aguda em meu coração, mas ignorei. Comecei a correr atrás de Jacob, sem ligar pelos tombos no caminho.
De repente ele não estava mais lá, e minhas pernas estremeceram.
Cai no chão, e sem perceber a dor estava tomando o meu ser.
-Jacob!-tentei gritar, mas a voz não saiu.
Derepente dois olhos dourados me fitaram. O anjo salvador estava se aproximando lentamente de mim, sem fazer barulho algum.
Edward se abaixou no chão ao meu lado, e estendeu a mão para mim.
Mas mesmo tendo o anjo perto de mim, não foi capaz de me tirar da escuridão. Minha mente se perdeu num mar de dor e agonia.
Eu queria falar com o anjo, mas não consegui encontrar a minha voz, em meio à dor.
O anjo desapareceu me deixando sozinha com o desespero. Estava tudo escuro, meus olhos estavam cheios de lágrimas. A dor cada vez me atingia mais forte.
Gritei por socorro, por horas, talvez dias. Mas ninguém vem ao meu encontro.
Eu estava sozinha e sem rumo, sem desejo de lutar com a escuridão que corrompia meu coração. Eu queria morrer!
Eu preferia morrer ao ver Jacob partir!
Mas no fundo eu sabia que ele nunca voltaria. Eu esperaria eternamente...
Escutei um barulho alto me tirando do pesadelo. Meu rosto estava molhado pelas lágrimas. Olhei ao redor procurando pelo meu celular que tocava. Ele ainda estava no chão perto da porta. Levantei lentamente, quase caindo algumas vezes. Era o despertador. Gritei.
Capitulo 03: Despedidas.
Tinha adormecido o dia todo – o que geralmente nunca acontecia. A escuridão que estava alojada em meu coração o corrompendo, estava cada vez mais forte.
O dia passou rapidamente – diferente das minhas expectativas.
Aquele sonho me assombrou a tarde inteira.
Tentei pensar em um bom motivo para não ir ao casamento. Minhas tentativas tinham sido em vão, não valeram em nada.
No fundo do meu coração eu ainda tinha esperanças. Esperanças que não adiantariam em nada.
A dor no meu peito ainda estava lá, me assombrando.
Como eu já sabia perfeitamente, a dor seria inevitável!
Arrumei-me lentamente, tentando não desmoronar, ou pelo menos não chorar.
Eu não estava me sentindo muito bem. Minha cabeça parecia que iria explodir a qualquer momento. No fundo eu queria que explodisse, mesmo.
Seria melhor morrer de vez, do que aos poucos!
Alguns minutos eu já estava pronta. Quando dei por mim, já estava no velho carro de minha mãe, indo de encontro à casa de Ângela.
Ângela também não parecia estar com muita animação; Seus lindos olhos castanhos estavam inchados.
Talvez os meus tivessem também, não me incomodei de confirmar.
-Você não está com uma cara muito boa. -sussurrei com a voz tremula. -Esta acontecendo alguma coisa?
Ângela se virou um pouco no banco do passageiro, para me fitar.
-Estou. -ela abriu um sorriso meigo, me reconfortando. -Bom, não é nada muito importante. -ela abaixou os olhos para as mãos tremulas. -Eu vi algo na floresta.
-Algo?-perguntei entrando de cabeça no assunto.
-Era um lobo enorme. Seus pelos eram pretos como a noite sem estrelas, e seus olhos negros tinha um brilha incomum. -ela suspirou. -Mas não foi isso que me assustou.
-Então o que foi?
-Ele estava atrás de um homem de olhos vermelhos. Lembrei-me dos Cullen, sei que não tem nada haver, mas... -ela começou a chorar desesperadamente.
Parei o carro rapidamente, tentando não bater.
-O que foi?-choraminguei colocando minhas mãos nos ombros de Ângela.
Ela era a minha melhor amiga, eu não queria vê-la chorar, daquele jeito.
Ângela levantou seus olhos cheios de lágrimas e me abraçou fortemente.
-Promete que não vai me deixar?-disse ela em meios aos soluços.
Não consegui entender a pergunta de minha melhor amiga. Mas aquilo não me importava. Eu nunca a deixaria, sempre estaria ao seu lado!
-Nunca vou deixá-la! -sussurrei.
-Obrigada por estar comigo. -ela suspirou. -Tenho medo de ficar sozinha.
-Não precisar ter medo. Estou aqui, sempre estarei.
Pela primeira vez Ângela chorou em meus braços. Não perguntei novamente pelo motivo, afinal, não importava.
Passaram-se minutos, e as lágrimas de Ângela não diminuíam, pelo contrario.
-Diga-me o motivo do medo. -sussurrei acariciando os seus cabelos negros.
-Para falar a verdade, eu sinceramente não sei. O sentimento que senti quando o vi na campina era assustador. Pensei que passaria quando ele se fosse, mas estava enganada.
-Ele te disse algo?-insisti.
-Ele disse que voltaria e me procuraria!- disse ela com a voz modificada pelo desespero.
As palavras dela me feriram profundamente, sem saber ao menos o motivo.
Queria dizer a ela, que era uma promessa que não seria cumprida, mas o sentimento de medo me atingiu antes.
Algo me dizia que o tal homem voltaria, e procuraria por Ângela.
Naquele momento senti raiva, pela primeira vez na vida. Meu corpo começou a tremer ferozmente. Tentei me acalmar, só que eu não estava mais no controle, minha raiva estava.
-O que foi?-perguntou Ângela saindo dos meus braços.
-Não sei. -sussurrei encarando minhas mãos. -Eu sinceramente não sei.
-Calma. -ela sussurrou colocando suas mãos em meus ombros. -Tente se acalmar!
A raiva foi diminuindo aos poucos e com ela a vibração que percorria todo o meu corpo que fazia parecer que minha cabeça iria explodir a qualquer momento.
-Esta melhor?-perguntou Ângela, ainda com suas mãos em meus ombros.
-Sim. – menti. Balancei minha cabeça em afirmação. -Estou calma.
-Que bom... -ela tirou suas mãos dos meus ombros. -Parecia que você ia explodir.
-Também pensei que iria. -sussurrei pensando em como a raiva tinha me tomado rapidamente, sem motivo.
-É melhor irmos!-apontou ela com a cabeça para a noite fora do carro.
-É. - foi tudo que pude dizer, antes de partimos.
Fiquei tentando encontrar forças dentro de mim para poder sair do carro. Ângela continuava me encarando esperando a minha reação.
-Ângela você se importaria de me deixar um pouco sozinha?- perguntei tentando ser o mais gentil possível, tentando esconder o desespero que estava preenchendo todo o seu ser.
Ângela simplesmente sorriu e saiu do carro.
Eu era realmente uma péssima amiga! Ângela era sempre paciente e compreensiva, e eu estava tentando afastá-la de mim.
Tinha que fazer alguma coisa, aquilo tudo só estava me afastando das pessoas que eram realmente importantes para mim. Não deixaria aquela dor me afastar do mundo, me afastar de Ângela. Eu era uma pessoa muito ruim!
“Eu aqui tentando arrumar um jeito de diminuir a minha dor enquanto Ângela estava sofrendo”.
Sai do carro como se fosse um raio, batendo a porta do velho carro de minha mãe com muita força. Havia muitas pessoas na porta da pequena igreja.
Na verdade não parecia ser uma igreja, parecia ser uma capela ou algo do tipo;
Ângela estava parada no primeiro degrau da escada, parecia que estava tentando arrumar coragem para entrar. Olhei ao redor procurando um sinal da presença de Jacob.
O que era típico de noivo, ele não estava lá. Tinhas uns garotos da reserva, mas nem sinal de Jacob – o que não me importava nenhum pouco.
-Oi!- gritou Leah se aproximando de mim, e com ela vinha Sam.
Aproximei-me lentamente, tentando sorrir algumas vezes.
Sam era uma pessoa muito legal, mas confesso que às vezes ele me dava muito medo. Talvez porque ele tinha o tamanho de um urso, talvez até maior.
-Você sumiu!- disse Leah quando finalmente se aproximou de mim.
-Minha agenda estava muito cheia!- menti, fingindo estar descontraia.
-Sei. - Leah balançou a cabeça confirmando, mas seus olhos e sua expressão demonstravam que não tinha acreditado em nem uma só palavra.
Ela me conhecia bem demais para acreditar naquelas simples mentiras, e isso por dois motivos.
Primeiro: Eu sempre fui uma péssima mentirosa.
Segundo: Todos sabiam dos meus sentimentos em relação a Jacob.
Não que eu tinha saído e espalhado pela cidade inteira, mas como todos diziam: eu era fácil de entender.
O único que não me entendia realmente era Jacob.
-Bom, eu vou entrar!- acenei tentando sorrir, mas acho que não fui muito convincente – como sempre.-Tchau!
Leah e Sam acenaram em resposta.
Respirei profundamente tentando arrumar mais um pouco de forças e coragem para entrar na pequena igreja.
Aquele sonho horrível invadiu minha mente me fazendo dar um passo para traz.
A igreja em si era muito pequena e também muito bonita. Parecia àquelas pequenas capelas de filmes antigos que não tinha nem mesmo espaço para a noiva.
Fiquei paralisada quando vi Jacob sentado na primeira fileira de bancos. Ele não parecia estar muito animado ou até mesmo feliz.
A minha vontade era sair correndo e me esconder em qualquer lugar, até que aquilo tudo acabasse.
Mas era tarde demais. Jacob se levantou e começou a caminhar ao meu encontro.
Seus lindos olhos negros estavam tristes e sem vida.
Olhou na roupa que Jacob estava usando. Aquilo me faria rir em outra situação.
Em momento algum pensei que Jacob usaria um terno. Na verdade, não tinha passado pela minha cabeça.
Eu tinha me preocupado tanto em arrumar uma desculpa convincente que tinha me esquecido dos detalhes.
-Você veio!- disse ele quando se aproximou de mim;
Ele parecia estar surpreso, como se estivesse certeza que eu não iria estar aqui.
-Eu não deixaria de ir ao casamento do meu melhor amigo!-falei como se fosse à coisa mais normal do mundo. E até certo ponto era mesmo, se não posse os meus sentimentos.
Jacob sorriu um pouco, parecendo que minha resposta tinha sido convincente.
-Eu tentei falar com você a semana toda!-murmurou ele. -Por onde você andou?
-Andei pelos mesmos lugares de sempre. -respondi sem humor e até com um pouco de raiva.
Ele que estava se casando, ele que estava me deixando, não ao contrario.
Ele estava construindo uma família e não tinha o direito de me querer por perto.
-Podemos conversar lá dentro?- apontou para a pequena sala que servia para se confessar.
Pensei no assunto por alguns instantes.
Seria bom acabar com tudo, de uma vez só.
A única coisa que pude fazer em resposta foi assentir.
A dor me invadiu de imediato, acho que estava começando a me acostumar com ela – se é que era possível.
Quando chegamos à pequena sala Jacob fechou a porta com muita força, fazendo um barulho muito alto.
-Então, sobre o que quer conversar?- dei uma de desentendida.
-Eu queria esclarecer as coisas entre nós. - ele se aproximou de mim. A minha reação automaticamente foi dar um largo passo para traz.
-Não quero que haja nada de errado entre nós. Quero que você entenda tudo, saiba de tudo!
-Eu já entendi tudo, Jake. -respondi.
-Não, você não entendeu!- ele deu mais um passo a minha direção.
Desta vez dei dois passos para traz. Eu não podia mais ter esperanças, não me adiantariam em nada. Só me causaria ainda mais dor.
-Pode falar daí mesmo, Jake?-perguntei encostando as minhas costas na parede.
Eu tinha lutado por ele o máximo que podia.
Tinha lutado por ele a minha vida inteira, já era hora de pensar só um pouquinho em mim.
-Depois do casamento Bella e eu iremos embora!- falou ele depois de alguns minutos.
Eu não esperava outra coisa, afinal, a família de Bella tirando seu pai, moravam em Los Angeles.
-Eu queria me despedir de você, antes. - sussurrou ele.
A voz rouca de Jacob estava mais rouca que o normal, mas ignorei.
-Eu queria que você soubesse que você é a pessoa mais importante neste mundo para mim. Sei que não estou sendo muito justo com você, mas, não posso deixar de dizer novamente, que te amo, muito. -começou ele, me ferindo, novamente.
-É você não tem sido muito justo. -sussurrei.
-Você é tudo o que eu preciso neste mundo, você é tudo o que eu quero!
-Para, Jake!- ordenei. A dor naquele momento estava dez mil vezes pior.
Parecia que meus pulmões tinham se fechado, minha cabeça estava girando.
-Não posso ficar ouvindo estas coisas. Sei que você me ama, agora eu sei. Mas entenda não vai adiantar você ficar me falando isso agora, você vai se casar. Você vai embora, você terá uma família. -parei de falar. - Eu estou sendo muito rude com você. Eu estou sendo muito egoísta, mas é só para me proteger. Quando você for embora será muito pior, não quero ter nenhum sentimento bom em relação a você. Nenhum sentimento que eu já não tenha.
-Eu entendo você...
-Eu não quero ter memórias que me machuquem mais. - as lágrimas começar a invadir meus olhos. -Eu não quero ter esperanças, porque sei que não adiantariam em nada.
-Eu não quero mais machucar você!- Jacob se aproximou rapidamente e me abraçou.
-Eu não quero mais vê-la chorar. Ainda mais por mim... -então ele me beijou. Colocando a sua boca na minha.
Todas as minhas células gritavam para que eu correspondesse o beijo de Jacob.
Só que eu não podia, não podia me machucar mais.
Sei que estava sendo muito ruim com o Jacob, mas ele tinha que entender que eu não lutaria, mas por ele.
Eu estava cansada de lutar por algo que estava completamente perdido.
Jacob percebeu que eu não me movia nem um só centímetro, a única coisa que fiz foi chegar os com força. Então ele se afastou de mim, e seus olhos estavam ainda mais tristes, e aquilo também me machucava. Não suportava a idéia de vê-lo sofrer.
-Desculpa. - foi tudo que ele disse antes de partir.
Eu tinha feito tudo que eu não faria em uma ocasião normal, se eu ainda estivesse força.
A culpa me tomou. Eu tinha ferido Jacob, e o pior, era para me proteger. Nunca tinha sido egoísta, mas agora era preciso.
Ele iria embora e me deixaria sozinha com a minha dor, eu precisava fazer algo para diminuí-la. Afinal, quem conviveria com ela seria eu!
Passaram-se minutos e Jacob não voltou.
Escutei uma musica ao fundo e pude perceber que era a musica que tocava quando a noiva entrava.
Abri a porta e descobri que eu tinha razão. O casamento tinha começado.
Andei até o banco mais próximo e observei Bella entrando na igreja.
Ela usava um vestido bem simples. Era branco e longo.
Era evidente a felicidade de Bella. Eu nunca tinha visto ela daquele jeito.
A dor naquele momento estava presente, não era como a dor de antes.
Era uma dor que eu não conseguia descrevê-la.
Tampei minha boca com a mão comprimindo o grito que sairia a qualquer momento.
As lágrimas saiam livremente, sem freio. Eu já não tinha mais forças.
Jacob se virou e me encarou por uns segundo. Seus olhos negros vindo diretamente para mim.
-Desculpe. -sussurrou ele, sem voz.
Bella acompanhou seu olhar e seu largo sorriso se desfez. Era como se ela não quisesse que eu estivesse aqui, parecia que ela pensava que eu faria algo para impedir sua felicidade.
Eu nunca seria capaz de destruir uma família, uma família que ainda seria construída.
Eu não conseguiria viver com a culpa de ter sido a causa da destruição de uma família. Eu nunca tiraria um pai de um pequeno bebê que nem ao menos tinha nascido.
Eu preferia sofrer ao ver um pequeno bebê sofrer!
Bella cochichou algo no ouvido de Jacob, sem tirar seus olhos de mim.
Desviei meus olhos dos olhos de Bella que estavam cheios de raiva e receio.
O padre começou a falar, fazendo Bella e Jacob desviarem seus olhos de mim.
Eu estava me sentindo péssima. Parecia que eu era uma destruidora de lares.
Levantei-me do banco e andei até a pequena saída de igreja. Todos se viraram para me encarar, me fazendo andar ainda mais rápido.
Andei o mais rápido possível pelas pequenas ruas de La Push, sem ligar para o velho carro de minha mãe que eu tinha praticamente abandonado.
Eu não queria pensar. Pensar me trazia a realidade, e com a realidade vinha à dor assombrosa.
Talvez eu tivesse andado por horas, não sabia ao certo. Só me dei conta quando eu estava na rua da casa de minha mãe, em Forks.
Tinha um carro prata parado no meio do encostamento. Passei pelo Volvo sem ligar para quem estava dentro.
Subi a estada que levava a pequena entrada da casa branca.
-Finalmente eu te encontrei!-escutei uma voz doce e muito educada. A voz estava muito perto, parecia que estava bem atrás de mim.
Virei-me lentamente e encontrei um par de olhos dourados me fitando.
Não sabia o motivo, mas quando vi aqueles lindos olhos, meu coração parou de doer.
Agora ele estava acelerado como se eu estivesse participado de uma corrida Olímpica. Minhas pernas ficaram moles e por uns minutos esqueci de respirar. Não havia nem vestígio da dor, ela não estava mais comigo.
Capitulo 04: Descobertas
Eu não conseguia descrever o que estava sentido, mas era uma felicidade incomum.
Edward continuava me encarando em silencio, devia estar esperando a minha reação.
-Você estava esperando há muito tempo?-apontei para o Volvo que estava no encostamento.
-Um pouquinho. - ele abriu um sorriso torto que fez meu coração acelerar ainda mais. -Mas valeu a pena.
-Então, oque devo a visita?-perguntei a primeira coisa que venho a minha cabeça.
-Como você não tem aparecido nas aulas, ultimamente. -ele parecia envergonhado. -Resolvi entregar a sua bolsa pessoalmente.
-Eu tinha me esquecido completamente dela. –encarei a bolsa por uns instantes. - não precisava se preocupa.
-Precisava sim. -disse ele num tom mais serio. Parecia que eu tinha dito uma coisa absurda. –Talvez você precisasse dela.
-Muito obrigada, mesmo. -disse honestamente.
-Acho que estou atrapalhando, nê?- perguntou ele olhando para a minha mão na maçaneta da porta.
-Não, de forma alguma. - olhei a porta por uns instantes. -Você quer entrar?
Eu não podia deixá-lo lá sozinho, seria uma falta de educação.
-Claro!
Abri a porta e entramos na pequena casa de minha mãe.
-Você quer alguma coisa para beber?-perguntei.
-Não. -disse Edward olhando as fotos que tinha na prateleira. -Acho que o conheço.
Edward apontou para um retrato que estava quase escondido, não pude evitar a cara de dor quando vi a foto.
Era uma foto de Jacob e eu, nos tínhamos 5 anos, e estamos na velha cachoeira.
Naquela época eu era realmente feliz, e não sabia.
-Acho que não. -respondi ao comentário de Edward. -Ele nunca está por aqui. E como você se mudou há pouco tempo.
-È, você tem razão. Aquele quem é?-perguntou ele para uma foto mais recente.
-Meu irmão. -respondi sorrindo com a lembrança daquele dia da foto.
-Você parece gostar muito dele. -murmurou Edward.
-Sim, ele é uma das pessoas mais importantes da minha vida. -eu não havia mentindo em nada, mas quando se falava em importante incluía Jacob, também.
-É muito difícil irmãos se darem bem. Você teve sorte.
-É eu tive. -meu sorriso se desfez.
-Eu falei alguma coisa errada?-perguntou Edward preocupado.
-Não, é que meu irmão vai se mudar para Chicago, então, não vou vê-lo por muito tempo.
-A despedida é sempre difícil.
-É. - a imagem de Jacob invadiu minha mente. -Mas também são inevitáveis.
-Posso te perguntar uma coisa?-perguntou ele.
-Claro. -respondi me sentando no sofá.
-Você se sente só?- perguntou ele, se sentando ao meu lado.
Pensei na pergunta por um bom tempo, tentando arrumar uma boa resposta.
A resposta me chocou, eu me sentia sim.
Sentia como se eu não tivesse ninguém ao meu lado, ninguém que lute por mim.
-Não. -menti descaradamente. -Você não venho aqui só por causa da bolsa, não é?
-Não, eu não vim. -respondeu ele, colocando seus lindos olhos nos meus.
-Então porque venho?
-Porque eu queria ver você. -respondeu ele.
Eu não fazia a mínima idéia de como iria responder aquela afirmação.
-Bom, Edward, está ficando tarde!- me levantei do sofá.
-Você tem razão. -ele me ofereceu a bolsa e eu a coloque-a no sofá. -Desculpa se eu disse algo inconveniente, mas, eu quero ser totalmente sincero com você, eu tenho que ser sincero.
-Eu não estou entendendo. -coloquei minhas mãos na cabeça.
-Eu prometi a mim mesmo que não mentiria para você, e estou tentando cumprir esta promessa.
-Talvez eu esteja te colocando na parede, mas não é a minha intenção, de forma alguma.
Eu realmente estava tentando entender as palavras de Edward, mas era como se estivessem milhares de abelhas na minha cabeça. Fazendo um barulho horrível.
-Desde que eu te vi não paro de pensar em você. Eu fico pensando em um bom motivo para vir vê-la. È como se você fosse o oxigênio, o que estou tentando dizer é que estou perdidamente apaixonado por você.
Eu não era tão burra a ponto de não entender, agora. Era como se ele estivesse desenhando.
-Apaixonado?Por mim?
-Por que não estaria?-ele se aproximou ainda mais de mim, e colocou sua mão em meu rosto.
Quando ele colocou sua mão sobre meu rosto, era como se eu tivesse tomado um choque de alta voltagem.
-Por favor, é melhor você ir... -eu não queria sentir oque estava sentindo.
Era como se Jacob simplesmente não existisse mais, como se meu amor por ele tivesse se transformado em nada.
De repente, a gravidade da Terra não me prendia ao lugar onde eu estava. Todos os meus sentimentos em relação a Jacob desapareceram, eram como se nunca estivesse existido.
Todas as linhas que me seguravam na minha vida cortadas ao meio em pequenos pedaços como se tivessem recortado as cordas de um punhado de linhas. Tudo que havia me tornado aquilo que eu era - o amor pelo garoto que havia se casado, meu amor pelo meu pai, meu amor pelo meu irmão Erick, minha lealdade aos meus amigos, o amor pelos meus sonhos, meu lar, meu nome, eu mesma – se desconectado de mim naquele segundo - afundando, afundando, afundando - e flutuando.
Não importava mais nada, o mundo poderia explodir, eu não ligaria. Dês que estivesse com ele. Dês que eu tivesse o amor dele.
Dês que ele fosse feliz!
Eu não me importaria de morrer agora. Eu estava com um anjo, um anjo que era muito importante para mim!
Ele era mais importante que tudo, até mesmo que eu. Era como se a minha existência não importasse, até mesmo para mim.
Capitulo 05: O meu verdadeiro amor por você
A minha cabeça parecia que iria explodir a qualquer momento. E aquele sentimento estranho não havia me deixado, parecia que nunca deixaria.
Não conseguia tirar Edward da minha cabeça e do meu coração. E o pior era saber que algum dia teria que enfrentá-lo, teria que vê-lo. Mesmo lutando contra todas as minhas células para ficar bem longe dele. No fundo eu queria vê-lo, eu precisava ver aqueles lindos olhos dourados que faziam meu coração acelerar.
Deus, o que estava acontecendo comigo?
A menos de vinte e quatro horas eu estava sofrendo com o casamento de Jacob e agora era como se ele nunca estivesse estado em meu coração.
Eu estava sinceramente me sentindo muito mal em relação a isso, eu me sentia uma pessoa fácil, fútil.
Como eu poderia esquecer Jacob em tão pouco tempo?
Tinha conhecido Edward a menos de duas semanas, mas pareciam séculos.
- você vai chegar tarde na escola!- gritou minha mãe no andar de baixo.
Levantei-me rapidamente, era como se meu corpo se movimentasse sozinho, como se estivesse um imã enorme me puxando para a porta.
Desci as escadas rapidamente, tentando não cair. Minha mãe estava na cozinha preparando um bolo.
-Estou indo. - avisei passando pela porta indo para a pequena porta que levava ao grande gramado da casa.
Meu irmão estava sentado no primeiro degrau da estada.
-Então, você vai querer uma carona?-perguntei me sentando ao seu lado.
-Não, mas obrigada mesmo assim. -ele sorriu como se estivesse aprontando.
Eu conhecia aquele cara do meu irmão, como se estivesse escondendo algo.
-Posso saber oque você está aprontando?-perguntei olhando no fundo de seus olhos azuis.
-Sabia que você às vezes é muito irritante?- ele abriu um sorriso de orelha a orelha deixando claro que estava brincando.
-Vou sentir a sua falta. -sussurrei me lembrando que ele iria para Chicago em breve.
-Você sabe que ira poder me ver sempre, ficara cheia de mim. - seus lindos olhos pareciam tristes. - Eu também sentirei falta da minha irmãzinha. -ele fez questão de fazer uma careta quando disse irmãzinha. Mas no fundo eu sempre gostei que ele me chamasse assim. - Se você quiser eu não vou. Eu posso adiar um pouco mais a universidade.
-Não quero prejudicar mais a sua vida. -sussurrei. -Mas logo visitarei você, eu sempre quis andar de avião.
-Eu te ligarei todos os dias. -ele me abraçou. - Sentirei falta de você, sentirei falta da minha irmãzinha. Você sabe que se precisar pode contar comigo, não sabe?
-Claro que sei. -fiz uma careta. -Você não para de repetir isso.
-E nunca pararei. -ele olhou para o céu. -Você não tem aula?
Levantei-me num salto da escada. -Te vejo mais tarde!
Entrei no velho fusca de minha mãe 1951 e foi para a escola.
O estacionamento estava muito cheio e tive que estacionar bem perto do Volvo prata. Olhei ao redor procurando por ele, mas não encontrei nada, nem sinal dos Cullen.
Respirei profundamente duas vezes, e sai do carro sem olhar para os lados.
Ângela estava me esperando na entrada da escola – como sempre-, eu ainda estava envergonhada por deixar ela na igreja sozinha.
-Desculpe por deixar você na igreja, sozinha!-sussurrei baixinho.
-Meu pai entregou seu carro direitinho?-perguntou ela, olhando para o fusca.
-Entregou. Mas você não me disse se me perdoa?
-Claro que te perdoou. -ela sorriu gentilmente. -Você está diferente.
-Diferente?- olhei para as minhas roupas. -Diferente como?
-Não sei. -disse ela pegando na minha mão e praticamente me puxando para a escola.
Quando entrei na escola senti um perfume doce muito forte fazendo meu nariz arde um pouco, mas eu ainda gostava do cheiro.
-Nossa esse cheiro está muito forte!- olhei para Ângela.
-Que cheiro?-perguntou ela levantando a sobrancelha.
-Não está sentindo esse cheiro doce muito forte?-falei respirando fundo para ter certeza que aquele cheiro não era fruto da minha imaginação.
-Não, eu não estou sentindo. -ela piscou duas vezes, parecendo confusa. -Talvez seja porque estou gripada.
-Talvez...
As aulas passaram rapidamente, era como se o relógio estivesse contra mim. Como se ele quisesse que eu me encontrasse com Edward.
Entrei na sala de Matemática bem divagar, rezando para ele não ter vindo.
Olhei para a primeira carteira – onde era o meu lugar de sempre-, e ele não estava lá.
Eu fiquei triste e feliz ao mesmo tempo. Eu queria vê-lo, mas também queria ficar bem longe dele.
Me sentei na cadeira e coloquei minhas coisas em cima da mesa. A sala estava praticamente vazia, não havia muitos alunos, eu poderia contá-los a dedo
A professora entrou na sala e começou a escrever exercícios na lousa, sem olhar para o grosos livro em sua mão.
-Desculpe, professora pela demora!- disse Edward entrando na sala.
A senhorita Catharine olhou para Edward e abril um enorme sorriso.
-Não foi nada. -disse ela passando a mão no cabelo sutilmente. -Só não repita novamente, senhor Cullen.
-Obrigada pela compreensão. -ele abril um sorriso galanteador.
A senhorita Catharine corou instantaneamente. Será que ela não tinha notado que ele era muito novo para ela?
Parecia que Edward estava gostando muito de flertar com a professora.
Será que ele ainda não tinha notado que ele tinha idade para ser filho dela?
Edward se sentou ao meu lado e retirou suas coisas da bolsa as deixando espalhadas na mesa.
- você está se sentindo bem?-perguntou ele, apanhando seu rosto de anjo na mão.
-Estou por quê?-perguntei rispidamente.
-Nada, mas você está muito vermelha. -disse ele apontando para o meu rosto. -Parece que vai explodir a qualquer momento.
Eu iria explodir mesmo, mas era de raiva.
Meu corpo começou a tremer como no dia do casamento. Minha cabeça começou a latejar como se tivesse abelhas dentro dela, me impedindo de pensar.
Só que desta vez eu sabia perfeitamente o motivo da raiva. Eu estava morrendo de ciúmes de Edward e sabia perfeitamente que não tinha o direito de ter, mas eu queria ter esse direito.
Balancei a cabeça para afastar o pensamento. Tentei prestar atenção no que a senhorita Catharine estava explicando, mas era como se ela falasse em outra língua, as palavras não faziam sentido algum.
Eu ainda estava tremendo, mas não estava tanto como antes. A raiva e o ciúme estavam passando lentamente, mas eu sabia, se eu olhasse para Edward, aqueles sentimentos voltariam rapidamente.
A aula pareceu durar anos, ou até mesmo séculos. E quando escutei o sinal era como se tivessem tirado um grande peso de meus ombros.
Coloquei as coisas na bolsa e andei rapidamente para fora da sala.
O corredor estava lotado de pessoas, era até difícil conseguir andar. Tentei esquecer “ele” por alguns minutos, mas não tive muito sucesso, porque escutei sua linda e doce voz ao longe.
Forcei minhas pernas a andarem mais depressa mas parecia ser uma coisa impossível, mas até que eu não estava tão lenta como antes, aquilo só poderia ser um grande milagre.
Senti duas mãos grandes e macias me impedindo de continuar andando. Senti novamente aquele perfume doce, mas agora o cheiro não estava mais tão forte como antes, e não fazia meu nariz arder.
Esperei até que aquelas mãos me soltassem. Que para mim durou uma eternidade, e quando finalmente eu estava livre me virei para ver quem havia me prendido daquela maneira.
Edward estava com os seus olhos fechados, como se estivesse com dor ou como se estivesse se concentrando em fazer algo muito difícil.
-Posso saber por que me prendeu?- perguntei colocando minhas mãos na cintura.
-Você pareceu não me escutar. Então resolvi fazer alguma coisa para você me escutar. - disse ele abrindo os olhos.
-E oque você tem de tão importante para me falar?
-Não pode ser aqui. -ele olhou ao redor. -Aqui tem muitas pessoas. O que eu tenho pra falar com você têm que ser em particular.
-Então, onde o senhor deseja falar comigo?-perguntei, tentando esquecer aquele ciúme louco que agora estava me tomando.
-Pode ser na sua casa?-perguntou, levantando a sobranselha.
-Essa hora a minha casa tem muita gente. -respondi.
-Então pode ser na minha?-perguntou ele.
A idéia de ir a casa dele não era nada mal, quer dizer, ninguém sabia como era a tal casa e eu estava muito curiosa.
-Pode. -respondi, tentando esconder a minha animação.
A casa parecia ser bem longe porque já fazia vinte minutos que estávamos no carro.
O caminho todo observei as árvores e o céu cheio de nuvens carregadas. Eu estava pensando se seria melhor perguntar ou ser paciente quando ele virou numa estrada sem pavimento. Não havia sinalização, ela era praticamente invisível entre as árvores. A floresta se estendia pelos dois lados, deixando a estrada à frente visível apenas por causa de umas curvas em formato de serpente, ao redor das árvores antigas.
E entre, alguns quilómetros mais a frente, havia algo brilhando por entre as árvores, e então de repente apareceu uma pequena clareira, ou será que era um quintal? O brilho da floresta não desapareceu, pois havia seis árvores enormes que circundavam o lugar em todas as suas arestas. As sombras mantinham suas sombras seguras sobre as paredes da casa que se erguia por entre elas, tornando obsoletas as minhas primeiras explicações.
Eu não sabia o que esperar, mas definitivamente não era isso. A casa era antiga, graciosa, e tinha provavelmente uns cem anos. Era pintada de um branco suave, fraquinho, tinha três andares, era retangular e bem proporcionada. As janelas e portas faziam parte da estrutura original ou de uma restauração muito bem feita. Eu podia ouvir um rio por perto, escondido pela obscuridade da floresta.
Edward desligou o carro e ficou uns minutos em silencio, sem ao menos olhar para mim. Seus olhos estavam fechados com muita força.
-Não tenho mais forças para ficar longe de você. -ele sussurrou ainda com os olhos fechados.
Eu não sabia oque dizer ou oque fazer. Pensei em dizer a verdade, que meus sentimentos estavam me torturando e que eu também queria ficar com ele, então porque eu não dizia?
Porque eu me sentia culpada em relação a Jacob, me sentia estranha em deixar de amá-lo de um dia para o outro. Eu me sentia a pior mulher do mundo.
A vida inteira eu tinha amado Jacob e do nada aquele sentimento todo havia desaparecido. Será que tudo o resto tinha sido uma mentira?Será que eu nunca havia amado Jacob de verdade?
Não, eu sabia exatamente oque eu havia sentido, eu não havia me enganado.
Eu amei Jacob, mas parecia que tinha sido há muito tempo atrás.
O sentimento que eu estava sentindo em relação a Edward era completamente diferente, era um sentimento mil vezes maior.
Um sentimento que parecia que faria meu coração explodir a qualquer momento, como se ele não tivesse tamanho o bastante.
Eu ainda estava confusa, mas nunca tinha estado em relação a Edward. Eu estava porque não conseguia entender aquilo tudo. Era como se eu fosse outra pessoa.
Eu estava perdida em meus pensamentos, perdida na culpa de esquecer Jacob em tão pouco tempo, e não percebi quando Edward abril os olhos.
-Você me ama?-perguntou ele, colocando seus olhos nos meus.
Eu não poderia negar, não poderia negar que ele era a pessoa mais importante do mundo para mim. Que eu não poderia viver mais sem ele, não poderia mais.
-Sim, eu te amo. –admiti sem medo. -Eu não sei oque aconteceu. Eu só sei de uma única coisa, que te amo mais que tudo nessa vida.
Ele sorriu e se aproximou lentamente de mim, seus olhos fitando os meus com doçura. Então ele colocou sua mão em meu rosto e colocou seus lábios nos meus.
Era como se eu estivesse morrido e tinha ido para o paraíso. A sensação de ter seus lábios nos meus não era desse mundo, era uma sensação de paz, paixão, ternura e o mais importante de tudo, de amor. Eu podia sentir o amor em seus lábios, sentir a calma.
Eu queria que aquele momento paralisasse e que nunca acabasse.
Depois de alguns minutos seus lábios separaram-se dos meus.
-Eu quero fazer isso direito. – ele passou sua mão no banco de trás do carro a procura de algo. - Clearwater, você gostaria de ser A Minha Namorada?- perguntou ele me entregando uma caixinha pequena preta.
-É tudo o que eu mais quero. -respondi abrindo a pequena caixinha. Destro havia um pequeno anel delicado com diamante perfeitamente bem colocado, o deixando ainda mais belo. Aquele anel era a coisa mais linda que eu já tinha visto, depois de Edward – claro. - Acho que não posso aceita esse anel, deve ser muito caro.
-Não me custou nada. -ele apontou para a caixinha em minha mão. -É a única coisa que minha mãe me deixou de lembrança.
-Por isso mesmo, não devo ficar com ele.
-Por favor, por mim!-ele choramingou.
-Se o deixa feliz. -respondi tirando o pequeno anel e colocando em meu delo. Quando eu ia colocá-lo em meu delo Edward o tirou de minhas mãos.
-Eu faço isso. -então ele colocou o lindo anel em meu delo.
Depois de colocar o lindo e pequeno anel em meu delo, Edward beijou minha mão sem tirar seus olhos dos meus.
Eu me sentia completa, como e eu estivesse encontrado a minha alma gemia. Eu sabia que tinha realmente encontrado, o amor da minha vida. Mas mesmo assim, a minha culpa não tinha diminuído, era como e estivesse algo prezo em minha garganta, me fazendo perder o ar.
-Eu não quero que ache nenhum segredo entre nós...
-Você tem algum segredo?-perguntei curiosa.
-Tenho. –respondeu ele ficando mais serio. -Mas acho que logo será o seu também.
-Não entendi. -respondi sinceramente.
-Eu vou te explicar tudo. -ele suspirou. -Sobre mim e sobre você.
-Sobre mim?-respondi confusa. -Mas eu não tenho nenhum segredo.
-Mas será. -ele abriu aquele sorriso torto que deixava meu coração ficar louco. -Eu vou te explicar desde o começo.
Capitulo 06: Amor além da vida
-Você lembra das lendas da sua tribo?-perguntou ele seriamente.
-Lembro. Mas o que elas tem a ver com isso?
-Na verdade, elas têm tudo a ver. -ele olhou ao redor. -Então, sobre o que você se lembra?
-Bom, lembro dos guerreiros que saiam de seus corpos, que lutavam com seus espíritos. Lembro também da terceira esposa e lembro um pouquinho das histórias da alcatéia.
-Não tem mais nada?-ele perguntou fazendo uma careta.
-Bom... -coloquei minha mente para funcionar. -Ah, lembro das historias dos frios.
-E sobre o que você lembra sobre os frios?- continuou ele.
-Lembro que eles bebiam sangue para sobreviver e que eram muito fortes. – sussurrei. -Não entendo a onde você quer chegar.
-Você acredita que essas histórias poderiam ser reais?-perguntou.
-Bom, não sei. -afirmei. -Poderiam.
-Então, você acreditaria se eu te dissesse que essas histórias realmente são verdadeiras?
Agora eu não sabia o que responder, eu poderia dizer que não mais estaria mentindo. Sempre gostei daquelas lendas e sempre quis que elas fossem verdadeiras.
-Eu acreditaria. - respondi finalmente depois de alguns minutos.
-Eu vou ser direto com você. -ele suspirou. -Espero que você ainda goste de mim, depois de saber o que eu sou, e o que eu faço para sobreviver.
-Eu sempre vou amar você. -coloquei minha mão em cima da dele. -Eu sempre vou estar com você.
-A primeira coisa que você deve saber, é que eu tenho um poder. -ele esperou minha reação.
-Um poder?-perguntei calmamente.
-Eu posso ler mentes, ouvir os pensamentos das pessoas. -continuou ele esperando a minha reação.
Parecia ser uma coisa absurda, mas, por incrível que pareça eu acreditava nas palavras de Edward, eu sentia que aquelas palavras eram verdadeiras.
-Você acredita em mim. -ele afirmou.
-Se você sabia o tempo todo que eu te amava porque não me falou nada?-perguntei curiosa.
-Eu só tive certeza quando eu fui à sua casa, eu ouvi o que você estava pensando. -o seu sorriso desapareceu. -Eu queria tirar aquela tristeza do seu coração e não sabia como.
O meu sorriso desapareceu também, eu não sabia o que fazer. Ele sabia de tudo!
-Sim, eu sei. Mas saiba isso não muda nada. -ele colocou sua mão fria em meu rosto. -Eu sempre vou estar com você, meu amor.
-É estranho saber que você ouviu meus pensamentos, mas, eu não me importo. -coloquei minha mão em seu rosto de anjo.
-Você amava Jacob verdadeiramente. -ele abaixou seus olhos. -Sei que você me ama, mas...
O meu coração doeu em ver a tristeza em seus olhos dourados.
-Eu amo você, isso que importa, não é?-me aproximei dele.
-Com a gente é muito mais que simplesmente amor. -ele levantou seus olhos fitando-me. - Com agente aconteceu uma coisa chamada imprinting.
-imprinting?-perguntei confusa.
-É como se fosse à mistura de todos os sentimentos. A mistura de todas as formas de amar. -ele passou seus dedos pelo meu braço, fazendo meus pelos se arrepiarem. -E por isso é muito mais forte.
-Eu já ouvi algo sobre isso, mas não sei onde... -murmurei.
-Você ouviu nas lendas Quileute. -sussurrou ele. -Eram comuns os lobos terem isso.
-Então você é um lobo?
-Eu não, mas você sim. -ele tirou uma mexa que caiu do meu cabelo tampando os meus olhos, colocando atrás da minha orelha. -Você é uma descendente Quileute. Seu avô foi um lobo, é assim que acontece.
-Então todas aquelas historias eram verdadeiras?-sussurrei.
-Sim, todas elas. -seus olhos ficaram sérios de novo me deixando angustiada. -Não precisar ficar assim. Só estava tentando arrumar coragem para te dizer o que eu sou.
-O que você é?-perguntei automaticamente.
-Eu sou um frio. -ele respirou fundo. -Eu sou um vampiro.
-Se você é um vampiro e eu sou uma loba, somos inimigos naturais. –afirmei. -Como poder haver um imprinting entre nós?
-Essa é uma pergunta que eu ainda estou procurando a resposta. -ele afirmou. -Você não vai me odiar, por ser um monstro?
-Você não é um monstro. Você não tem culpa de ser um vampiro. E eu não me importo de você ser um. Meu amor por você está muito, além disso, pelo menos, para mim.
-Para mim também. -ele me abraçou. -E fique tranquila eu não tomo sangue humano, eu não mato ninguém.
-Isso nem passou pela minha cabeça, ainda. -confessei.
-Eu sei, mas queria deixar claro. -ele sorriu timidamente. –A sua transformação está próxima.
-Como você sabe?
-Eu fiquei prestando atenção em seus pensamentos. Seus sentidos estão ficando cada vez melhor. Hoje você sentiu o cheiro doce que queimou um pouco o seu nariz. - ele ficou um minuto em silencio. -E aquele cheiro é o cheiro dos vampiros. – continuou ele. Ele sorriu quando viu a expressão de choque em meu rosto. –Você tem que falar com os anciões da tribo, só eles vão poder lhe ajudar, nessa parte.
-Tem mais lobos em forks?-perguntei.
-Por em quanto só tem um. -ele suspirou. -Seu nome é Sam, tive a oportunidade de vê-lo quando cheguei.
-Ele não te atacou?-perguntei assustada.
-Bem, que vontade não faltou. Mas, há muito tempo atrás minha família fez um trato com o alfa da matilha naquela época. Nós não mataríamos ninguém e eles não declarariam guerra, assim poderíamos viver em paz.
-Eu sei dessa historia. Meu pai me contou há muito tempo. -o lembrei.
-Você não tinha pensado nisso perto de mim. -ele declarou.
-Bem, na próxima me pergunte, seria bem mais fácil do que esperar eu pensar. -reclamei.
-Bom, agora eu já sei. -sussurrou ele se aproximando e eu quase senti seus lábios colados ao meu, se não fosse pelo barulho irritante do meu celular, tocando no meu bolso. Olhei por alguns segundos, realmente não querendo atender e estragar aquele momento com Edward, mas quando a pessoa insistiu notei que era importante e não tive outra alternativa se não atender.
- , onde você está?-perguntou uma voz grossa que eu reconhecia perfeitamente.
Já fazia anos que eu não escutava a voz grossa de meu amado avô. Ele morava no Texas, então eu nunca o via.
-Estou em Forks. -respondi simplesmente. - Quanto tempo eu não falo com o senhor, senti a sua falta.
-Eu também senti a sua falta, querida. -ouve uma pausa. –Estou aqui em La push, será que eu posso te ver, agora? Estou morrendo se saudades suas.
-Claro vovô. -olhei para Edward que estava prestando muita atenção. “Você se importaria?”-perguntei mentalmente. Em resposta Edward abriu aquele sorriso torto, e por alguns instantes me esqueci de como respirar. -O senhor está na casa do tio Harry?
-Não, estou na casa do seu pai. -ele suspirou. -Você sabe como ele é insistente. Benjamin não muda.
-Sei. -gargalhei imaginando a cena. Meu pai puxando meu velho avô pelo braço. – Que pena que perdi. - murmurei para mim, mesma. -Estou a caminho.
-Não precisa se apressar, querida. -teve uma pausa, novamente. -Mas, é claro que eu gostaria de ver a minha preciosa netinha, agora.
-Estou indo. -sorri. -Tchau.
-Tchau. -respondeu vovô, antes de desligar.
Coloquei meu celular no bolso de trás da minha calça. Edward estava sorrindo alegremente, eu não sabia idéia do motivo.
-Você parece gostar muito de seu avô. -ele passou sua mão pelo meu rosto, o acariciando.
-Sim. -sorri. -Ele é único.
-Posso te levar em casa?-perguntou ele, sorrindo.
-Claro que pode. -de repente, eu senti uma vontade louca de abraçá-lo, era como se a separação estivesse próxima. No fundo eu morria de medo de perdê-lo. Era como se eu já tivesse passado muito tempo sem ele, como se eu não o tivesse por muito tempo.
-Nunca vou deixá-la. -ele me abraço, atendendo meu desejo.
Nos seus braços eu me sentia segura, como se nada mais me machucaria. Como se eu posse invencível. Respirei seu perfume doce, como se eu pudesse prendê-lo em meus pulmões. Eu não queria ir, não queria deixá-lo, nem agora e nem nunca.
Sai de seus braços relutando.
A viagem passou rapidamente, e logo eu já estava na frente da casa de minha mãe.
Edward se virou e me fitou por alguns minutos, como se a separação também posso insuportável para ele.
-Eu te amo. - disse ele, vindo me beijar.
-Eu também te amo. -sussurrei entre seus beijos.
Então ele saiu do carro e se foi, rápido demais.
Passei para o banco do motorista desajeitadamente. Dirigi sem tirá-lo dos meus pensamentos, seu rosto de anjo invadia minha mente, deixando o meu coração mais calmo.
Cheguei à pequena casa de meu pai, depois de alguns minutos. Meu velho pai estava largado no sofá assistindo um jogo de futebol americano, distraidamente. Senti um cheiro muito bom vindo da cozinha, só podia ser meu avô. Aposto que meu pai o vez fazer uma torta, nada bobo! As tortas do vovô eram as melhores.
-Oi, pai. -disse me sentando ao seu lado e dando-lhe um beijo no rosto.
-A nossa menininha chegou!-disse meu avô, entrando na sala.
Levantei-me num salto, indo abraçá-lo. Eu tinha passado anos sem vê-lo, o que me fez sofrer muito. A relação entre agente era maravilhosa.
-Vocês ainda me chamam assim?-perguntei, fazendo uma careta.
-Você sempre será a nossa menininha, não é Ben? – vovô olhou para meu pai esperando a resposta, mas meu pai estava tão distraído que nem percebeu. – O perdemos para o jogo. -murmurou fazendo uma cara de falsa chateação.
-Sim, o perdemos. -entrei na brincadeira.
-Podemos conversar lá na cozinha, enquanto eu termino te fazer à torta?-perguntou vovô, ficando sério de repente.
-Claro. –disse, o seguindo até a cozinha.
Sentei-me na bancada observando meu avô. Ele não tinha mudado muito. Na verdade a única coisa que tinha realmente mudado era o seu cabelo, que agora estava totalmente branco – diferente da ultima vez.
Vovô tirou à torta do forno e a colocou na pia esperando ela esfriar.
-Você ainda gosta de comê-la quente? –perguntou ele, apontando para a torta.
-Tem coisas que nunca mudam. -murmurei para mim mesma.
Vovô colocou um pedaço enorme em um prato e colocou em minha frente, sorrindo quando viu a minha empolgação.
Tratei de comer a torta em silêncio e meu avô só ficou observando sorridente.
Terminei de comer a torta depois de alguns minutos, e meu avô pegou mais um pedaço para mim.
Se meu pai lerdeasse acabaria ficando sem nenhum pedaço!
-Querida, eu vim aqui, especificamente, para falar com você. -vovô disse depois que terminei de comer o segundo pedaço.
-Comigo?-perguntei.
-Sim, com você. -ele ficou serio, novamente. -Você está mudando e precisa da minha ajuda.
-O que o senhor quer dizer com mudando?- olhei no fundo dos olhos verdes de vovô.
-Acho que você sabe perfeitamente o que estou querendo dizer. -ele disse apenas, esperando a minha reação.
Claro que eu sabia! Meu avô sempre teve um sexto sentido em relação a mim.
Lembro-me que quando eu estava com problemas ele sempre sabia, e ele dizia que era porque tinha um dom, um dom que eu nunca desacreditei.
-Você está se tornado uma loba. - meu avô não gostava de rodeios, então sempre ia direto ao assunto. -E também sei que você teve um imprinting, com um vampiro.
-Vovô, como você sabe dessas coisas? Quero dizer, você estava longe, e ninguém sabe disso.
-Eu sonhei com você nas ultimas noites. -ele pegou minha mão. -Sonhei com o seu impriting. Eu sempre soube que seria com um vampiro.
-O senhor está com raiva de mim? Afinal, eles são nossos inimigos naturais.
-Claro que não estou. -vi a magoa nos olhos de meu querido avô. - As coisa não são mais como eram antes. Os vampiros não são mais nossos inimigos, pelo menos, os que não bebem sangue humano. - ele sorriu me reconfortando. - Eu queria lhe explicar direito o que é o imprinting. -ele se sentou no banco ao meu lado. -Diferente do que as pessoas pensam o imprinting não é uma mandinga ou algo do tipo. Na verdade o imprinting acontece com todas as pessoas, mas, claro, o imprinting que acontece com os lobos são mais fáceis de perceber.
-Então, isso não é uma coisa que só os lobos têm?-perguntei.
-Não, queria. -ele ficou pensativo, como se estivesse escolhendo as palavras certas para me explicar, melhor. -O imprinting é o reencontro de duas almas que se amam, e que já se amaram, muito. Os humanos chamam de amor à primeira vista. - ele ficou em silêncio, novamente. – O amor é tão forte que ultrapassou a morte, e continua ultrapassando.
-Então, eu já conheci Edward em outra vida?
-Sim, você o conheceu em outras vidas. -ele sorriu. - Muitas pessoas não acreditam nisso, mas, eu sei,que existe reencarnação. Eu tive sorte de lembrar das minhas vidas, anteriores.
-Então, o imprinting é como se fosse alma gêmea?
- Sim, exatamente. -ele olhou para a pequena janela a nossa frente. – Então quando a alma reconhece a outra acontece o imprinting. Esse sentimento te acompanhou por muito tempo, só que estava muito bem escondido, esperando Edward aparecer.
-Mas, antes de eu sentir isso, eu era completamente apaixonada pelo Jacob. Eu não tinha que sentir isso só pelo Edward, tipo, só uma vez na vida?
-O que você sentia pelo Jacob era outro sentimento. O sentimento era tão forte que fez você pensar que era um amor que apenas um homem sente pela mulher, e visse versa. Você pensou que era um amor para casar, ter filhos, etc.
-Então o que eu senti por ele era mentira?
-Não, não era. -ele colocou sua mão em meu rosto - Você e Jacob têm uma ligação muito forte, mas não como esse tipo de amor. Essa ligação é com um amor de irmão, amigo. E essa ligação é tão forte que confundiu você. -ele olhou para os passarinhos que pousaram na janela o fazendo rir.- Você e Edward já lutaram muito por esse amor, e continuaram.Lutaram tanto que acabaram perdendo a vida.
-Tipo, Romeu e Julieta?-perguntei.
-Nem Romeu e Julieta lutaram tanto. - o choque passou pelo meu rosto, fazendo meu avô rir. –Eu vou te contar uma historia.
“ Yonah foi à primeira loba da espécie e também foi à única alfa mulher. Ela dava a sua vida pela tribo, pela matilha. A sua vida era nos defender.
Mas um dia aquilo mudou completamente. O dia que ela encontrou o seu verdadeiro amor.
Ele estava na beira do penhasco, ele estava tentando acabar com a sua existência. Quando Yonah percebeu o que ele era, paralisou automaticamente.
Mas algo nele era diferente, seu cheiro não era como o cheiro de um vampiro qualquer.
Seu cheiro era o perfume mais delicioso que ela já havia sentido, e aquele perfume doce não fazia seu nariz arder.
Então o vampiro percebeu sua presença e se virou para fita-la, e quando seus olhos se encontraram algo surreal aconteceu.
Ela nunca tinha sentido algo tão forte tomando seu coração, e o vampiro sentiu o mesmo.
Ele não tinha mais desejo de arrancar sua vida, naquele momento ele tinha um motivo para lutar, para continuar vivo, se é que estava vivo.
Os dois ficaram muito próximos e quando finalmente Yonah decidiu contar para sua família era tarde demais.
Os lobos encontraram Heath em uma caverna escondido, a primeira reação dos lobos foi de completamente medo, mas então eles decidiram acabar com a vida do vampiro, claro, depois de se encherem de coragem. O motivo desse medo era porque o tal vampiro tinha seus olhos dourados, e eles nunca tinha visto algo assim antes.
Mas eles não sabiam que o vampiro tinha olhos assim por causa da sua escolha de vida. Heath tinha decidido não matar ninguém, ele tinha medo, pavor, de um dia matar a linda Yonah, tinha pavor de ser um mostro.
Quando os lobos iriam dar o golpe final Yonah chegou a caverna para ver seu amado.
Heath viu o pavor nos olhos cor de mel de Yonah. Ela estava cheia de medo, cheia de raiva, por a matilha estava tirando a vida de Heath.
A matilha que ela deu a vida para salvar, agora estava a matando, aos poucos;
Pela primeira vez na vida atacou seus irmãos, ela não podia deixá-lo morrer.
Ela lutou com todas as suas forças, mas a matilha estava forte demais, e eles acabaram perdendo a luta.
Os dois lutaram até o ultimo momento pelo amor deles.
Yonah estava muito ferida, mas, mesmo assim, continuou lutando pelo seu amor, lutando pela razão da sua existência.
Os lobos os colocaram no meio do povoado, ainda vivos. Todas as pessoas da tribo gritavam que a Yonah era uma traidora, que merecia morrer queimada.
Mas, em momento algum Yonah tinha os traído. Ela amava aquela tribo, mas não podia viver sem o seu amor, não podia deixá-los o matarem sem ao menos tentar o defender.
Eles colocaram fogo nela ainda viva. Ela gritava de dor e eles não faziam nada.
Heath viu sua amava morrer aos poucos, sem ao menos poder fazer nada, sem poder defendê-la.
A ultima coisa que ela gritou era que o amava, e que nunca o deixaria, que nunca o esqueceria.
Heath ainda estava vivo, mas só por fora. Por dentro ele já havia morrido com Yonah.
Ele gritou que o matassem, mas a matilha resolveu o deixarem vivo, porque a morte era tudo o que ele queria, tudo o que ele precisava.
Eles deixaram que Heath partisse, mas oque eles não sabiam era que ele voltaria e se vingaria.
Heath não deixou ninguém vivo, nem mesmo os lobos. Na raiva ele tinha encontrado forças suficientes para acabar com todos.
As únicas pessoas que ele deixou vivo foram às crianças e as mulheres grávidas, porque as crianças não tinham culpa pelos erros dos pais.
Mesmo ele matando os culpados pela morte de Yonah, a dor dele não tinha diminuído, porque ele sabia que ela nunca voltaria.
Então um dia ele encontrou um vampiro nas montanhas e o pediu que o matassem.
O vampiro viu a dor nos olhos de Heath, e aquilo foi oque o deu coragem.
Dizem que um dia Yonah e Heath vão estar juntos novamente, e que vão ser felizes.
Porque Yonah está em algum lugar esperando seu único amor, e o vampiro Heath faz o mesmo.
O amor deles foi tão forte que ultrapassou morte, ultrapassou reencarnações.
E quando eles estiverem juntos novamente, se reconheceram, por que são uma alma só dividida em duas.”
Aquela historia me trazia um sentimento de dor e agonia, como se eu entendesse perfeitamente o que Yonah havia sentido.
As lágrimas invadiram meus olhos caindo ferozmente sobre meu rosto. Eu estava sentindo uma dor tão grande, uma dor muito mais forte que tudo que já senti, antes.
O sentimento de perda não me deixava.
Meu avô continuou me encarando como se já soubesse que aquilo iria acontecer.
-Vovô, eu não sei o que acontece. -murmurei, tentando explicar o motivo do meu choro.
-Mas, eu sei. -ele me abraçou. -Sua alma reconheceu o passado. E isso faz a dor voltar novamente.
-Mas, eu não entendo. Reconheceu o que?-falei confusa.
-Você reconheceu o que aconteceu com você há muito tempo atrás. Você é Yonah e Edward é Heath. -ele me apertou entre seus braços, como se tentasse que a dor me abandonasse, mas a dor era forte demais. -Desculpe por fazer isso com você. Sei que é muito doloroso lembra de vidas passada, ainda mais uma que foi cheia de sofrimento. Mas eu precisava que você entendesse e assim era a única forma. - vovô colocou sua mão em meu queixo, me obrigando a fita-lo. –Agora você entende? Seu amor pelo Edward era forte demais para morrer, forte demais para esquecer. A sua alma procurava por ele, ela só descasaria se o encontrasse, e o mesmo aconteceu com ele. A parte Yonah dentro de você nunca descansaria, e agora, finalmente, ela o encontrou.
-Então, porque eu não o reconheci quando o vi pela primeira vez?
-Porque você estava sofrendo por outro, você estava confusa em meios os seus sentimentos, e na verdade toda aquela dor que você sentiu em relação a Jacob nunca foi por ele de verdade. A sua alma estava enganada, ela estava achando que Jacob era o Heath, mas mesmo depois de beijá-lo pela primeira vez a parte de Yonah em você pensou que tinha encontrado seu amor. Então precisou que Edward se declarasse, porque a alma dele sim te reconheceu imediatamente, então todo o amor que você sentiu, e sente, por ele finalmente apareceu, porque sempre foi ele, e sempre será, o único amor da sua vida.
-Eu estou confusa. -sussurrei soluçando. -E como o senhor sabe tanto sobre isso? Como o senhor sabe até mais que eu mesma, sobre meus sentimentos?
-Por causa do meu dom, como eu já tinha dito. -ele riu. -Porque eu estava lá, eu vi a dor nos olhos de Heath, eu era o vampiro que tirou a vida dele por piedade.
-Então, o senhor sempre soube que eu estava à procura dele?
-Sim, eu sempre soube. -ele continuou rindo. -Como eu já te disse, eu lembro de todas as minhas vidas passadas, e reconheço as pessoas, que faziam parte delas. Quando eu era um vampiro eu já tinha esse dom. Eu sempre soube que minha linda netinha era Yonah, e eu sempre estava aqui tentando lhe ajudar a encontra o seu amor.
-Obrigada...
-Mas eu tentei tanto que acabei não fazendo nada. Foi o destino que uniu vocês novamente, eu só fiquei com a explicação. –ele ficou serio. -Não mudara nada, eu ainda continuo sendo seu velho avô de sempre, um avô que sabe muitas coisas.
-Não, não mudara vovô. -afirmei.
Capitulo 07: Memórias do passado
O dia passou rapidamente e eu só fui perceber realmente que horas eram quando meu pai desligou a TV.
Aquela historia de vidas passadas não me importava, ou era isso que queria pensar. Mas a única coisa que eu realmente sabia era que eu amava Edward, mas que a minha própria vida, e não influenciaria em nada toda aquela historia.
No fundo eu tinha um medo, um medo que me fazia tremer por dentro só de pensar. Eu não queria que a minha pequena história com Edward terminasse como havia terminado a trágica história de Yonah e Heath.
Se eu fosse ela ou não, isso não importava agora. Eu lutaria com todas as minhas forças para não deixar esse amor, que fazia meu coração parecer pequeno, morrer.
Uma coisa eu tinha aprendido em relação aquela historia toda, não deixaria ninguém me afastar do meu amor, nem mesmo os lobos que ainda não faziam parte da minha vida.
Por alguma razão eu estava confusa, eu já amava a matilha, mesmo não sendo parte dela realmente. Mas eu não escolheria as escolhas erradas novamente. Não os deixaria me afastar do meu único e verdadeiro amor.
Ali naquela sala escura eu pude perceber o que era realmente importante para mim. Eu sempre amaria Edward, aquilo era a única coisa que eu realmente tinha certeza, e sem ele a minha vida não tinha nenhum sentido. Ele era a razão da minha vida, a razão pela qual eu estava viva e ainda estava respirando.
Sempre me senti deslocada e sem sentido algum e agora aquilo tinha mudado rapidamente.
-O que está fazendo ai? –perguntou uma voz rouca vindo do pequeno corredor me fazendo pular de susto.
Olhei ao redor e meu avô estava parado na porta com um sorriso enorme, era como se ele tivesse estado ali há anos e só eu que não tinha percebido.
-Estava pensando. -sussurrei sem jeito, envergonhada. Às vezes parecia que vovô lia meus pensamentos e isso me causava uma enorme vergonha.
-Eu posso saber sobre o que?-ele disse se sentando ao meu lado no pequeno sofá.
Eu estava escolhendo as palavras lentamente, sem ter resultado. Falar sobre aquele história me dava muita vergonha, não por mim, claro, mas por um único motivo, eu não tinha completamente certeza se eu era Yonah. Era como se eu estivesse falando dela pelas costas e isso era uma coisa horrível.
- Não precisa falar. -ele colocou sua mão em meu cabelo me fazendo sentir como uma menina de seis anos novamente. -Eu vou à casa do Harry, você quer vim comigo?
Seria ótimo ver meu tio novamente, afinal, já fazia meses que eu não o via, nem mesmo a meu primo que parecia ser o meu irmão mais novo.
-Claro. -me levantei do sofá num pulo. Eu estava com saudades de verdade de meu tio Harry, ele sempre foi muito bom para mim e meu irmão, quando a gente ficou alguns meses na casa dele quando meus pais se separaram. Sempre tive muita dificuldade de aceitar o segundo casamento de minha mãe. Ted era legal, mas não era o meu pai. Mas o real motivo de eu não gostar de Ted era porque o casamento tinha sido muito depressa. Minha mãe só tinha um mês de solteira. E ela não conhecia o seu novo namorado o bastante!
-O que exatamente vai ter lá?-perguntei saindo para a noite com meu avô ao meu alcanço.
-Uma reunião familiar. -disse ele pensativo.
-Então por que meu pai não vem?-perguntei interessada.
-Não é exatamente uma reunião familiar desse jeito. Vai ser alguns amigos, mas nada demais.
-Ah. -disse somente em quando andávamos pela reserva.
A casa do meu tio era uma das maiores casas de " Toda La Push> branca com portas e janelas largas. Tinha três andares e parecia mais ser uma pensão antiga. Mas tinha sido mesmo, antes de meu avô a dar para seu filho mais velho de presente de casamento.
-Que bom que você veio, querida! -disse minha tia Sue aparecendo na porta. Ela era uma das pessoas especiais na minha vida. Na verdade ela era como se fosse uma mãe para mim. Meu relacionamento com a minha mãe não era o melhor de todos, ela parecia ser mais uma tia do que uma mãe. Minha doce tia me deu um abraço materno cheio de amor e carinho. Como eu havia sentido falta dela!
-Eu estava morrendo de saudades, mas, parece que você se esqueceu que tem tia. -ela parecia triste ao dizer aquelas palavras acusadoras, eu sabia que aquelas palavras eram totalmente verdadeiras. E aquilo me causou uma coisa estrondosa.
-Prometo visitá-la mais vezes. -falei a abraçando mais forte e sem jeito. Aquele relacionamento não era muito comum para mim.
-Vamos entrar. -ela puxou minha mão. Como era comum as pessoas fazerem isso comigo. E aquele simples gesto me fazia sentir-me como uma criança. Mas eu não me importava de me sentir como uma criança. Porque eu só me sentia assim quando estava realmente feliz.
Sempre tentei esquecer a minha infância e lembra só dos momentos felizes. Mas às vezes parecia ser uma missão impossível.
Balancei minha cabeça para esquecer as lembranças más, mas não havia dado certo.
As imagens da minha infância passaram-se pela minha cabeça como se fossem flashs, me fazendo ficar tonta.
As imagens de minha mãe traindo meu pai bem em nossa frente. As memórias eram uma tortura para mim. Sempre tentei esquecer as coisas ruins e lembrar as boas.
Eu era muito pequena, mas as lembranças eram muito nítidas. Depois de algumas horas veio a fome e começou a chover e a única coisa que eu e meu irmão tínhamos era um ao outro.
Aquele rosto tinha me afastado do mundo por anos me deixando traumatizada, me fazendo ter pesadelos por anos, me fazendo acordar gritando.
Eu tinha finalmente conseguido apagar aquelas memórias e esquecido delas por anos, mas parecia que elas sempre voltavam para me assombrar.
O monstro quase conseguiria me violentar se não fosse pelo meu avô que chegou na mesma hora nos tirando da escuridão, do medo.
Mas não havia adiantado muito porque parecia que tudo estava acontecendo novamente. A raiva, o medo, o desespero, estavam de novo em mim, me torturando.
Apesar de tudo eu tinha perdoado minha mãe, diferente de meu irmão que sempre teve magoa e ressentimento.
-Você está bem, querida?-perguntou Sue se virando e encarando meus olhos cheios de lágrimas.
-Estou... -desabei sem querer, o silencio invadiu o meu mundo, um silencio mortal.
Encontrei uma força que eu não sabia que eu tinha no exato momento que o rosto de Edward apareceu em minha mente. Ele era a luz que iluminava o meu mundo, o anjo que me tirava da escuridão dando lugar à paz.
A paz era um sentimento que preenchia todos os espaços dentro do meu ser, deixados pela dor. Não havia mais dor, nem desespero. Só havia a paz e o amor insano, incondicional, que eu sentia pelo meu anjo que se chamava Edward Cullen. Ele era o sol que iluminava a minha vida.
Acompanhei minha doce e amada tia até a cozinha e fiquei a ajudando nos preparativos do jantar.
Depois de alguns minutos já estava tudo pronto, tudo no seu devido lugar. Ela não precisava mais da minha ajuda então eu fiquei procurando meu primo pela casa, sem encontrá-lo. Me sentei no sofá perto do meu tio e ele começou a falar sem freio, mas sinceramente eu não estava escutando nada de verdade. Eu só estava prestando atenção na paz que emanava dentro de mim.
Escutei um barulho estrondoso na escala da entrada da casa, era como se estivesse tendo um terremoto, como se La Push estivesse desmoronando. Mas eu sabia perfeitamente que não era nenhum terremoto, mas sim Seth que estava entrando no casa, usando mais força do que o necessário para andar - Ele sempre faz a mesma coisa. -suspirei.
Depois de alguns segundos Seth apareceu na porta com um sorriso de orelha a orelha quando me viu sentada no seu lugar de costume no enorme sofá.
Ele estava quase maior até que Sam e aquilo me assustou. Afinal, ele só tinha quinze anos. Eu sabia perfeitamente o motivo de meu primo estar tão grande, ele já havia entrado para a alcatéia.
-Resolveu rever a família. -murmurou ele para mim quando se sentou ao meu lado no sofá se esparramando sem jeito, como ele fazia desde que éramos crianças.
Os olhos de Seth se fecharam deixando a mostra que estava muito casado. Depois de alguns instantes ele já estava roncando alto, parecendo que a casa iria desmoronar.
Comecei a fazer carinho em seu cabelo sedoso. Ele era o meu priminho querido, eu não podia deixar Sam fazer isso com ele. Ele tinha uma vida à frente para viver, sem intervenções.
Todos os meus medos se realizaram, Seth estaria preso ao bando para sempre, ou melhor, até que ele encontrasse o seu imprinting.
O imprinting era o único modo de alguém se ver livre da matilha, mas para alguns isso demorava muito, até mesmo séculos.
Eu tinha que fazer algo para deixar Seth livre, com as opções de vida que todos tinham, menos os lobos.
Escutei um barulho horrível, dez vezes pior que o barulho dos pés de Seth. Observei atentamente, sem desgrudar os meus olhos da porta de madeira. Depois de alguns segundo vários meninos da reserva apareceram, um atrás do outro.
Reconheci todos os rostos, Quil, Paul, Embry, Jared, quando meus olhos encontram os olhos negros do quinto na fila meu rosto esquentou. Eu não imaginava que ele poderia estar ainda em La Push, para mim ele tinha ido embora com a família de Bella.
Os olhos de Jacob me encaravam e parecia que meu rosto pegaria fogo pelo seu olhar penetrante. Desviei meus olhos rapidamente sem ligar para o que ele pensaria. Não queria magoá-lo, mas também não podia deixá-lo pensar que eu ainda o amava.
Seria difícil dizer que não o amava mais, mas seria a pura verdade.
- !-Paul veio me abraçar e acabou acordando Seth. Os olhos chocolate de Seth estavam ainda confusos, mas depois de alguns segundos já estavam normais. - Desculpa, cara. -disse Paul passando a mão pelo cabelo sem jeito me fazendo rir. Os outros garotos também começaram a gargalhar e aquilo durou por alguns minutos.
Os garotos aos poucos foram se espalhando no enorme sofá e parecia não ter mais fim no assunto. Todos tiravam com a cara de Paul e parecia que ele não estava gostando nada, ai era a hora que eu entrava na conversa para defendê-lo. O que fazia os meninos rirem mais ainda porque Paul estava sendo defendido por uma garota. O que me irritou um pouco.
- O que tem de errado uma garota defender um garoto?-perguntei carrancuda.
-Bom, isso mostra que ele não pode se defender e precisa de uma garota frágil para defendê-lo.-respondeu Quil ainda brincando.
-Sou mais forte que você... -murmurei.
-Vai nessa, gata.-disse Quil ainda rindo.
Os outros garotos riram quando eu fiz uma careta sem jeito.
Escutei um barulho novamente me fazendo olhar para a porta automaticamente e parecia que os garotos também tinham escutado porque eles também olharam para a porta de madeira.
Leah passou entre nós chorando e subiu a escada rapidamente quase caindo algumas vezes. Me levantei e andei rapidamente indo atrás dela, mas quando eu ia começar a subir as escada uma mão segurou meu braço me impedindo de prosseguir. Olhei para cima e Sam estava me encarando serio, a raiva fez meu corpo começar a vibrar ferozmente.
-Me solte.-ordenei. Mas Sam não se mexeu nenhum centímetro. -Me solte, agora.-as palavras saíram como se fossem palavrões e eu não me importei.
-Sam.-disse Jacob colocado uma mão no ombro de Sam para impedi-lo de me machucar.
As coisas começaram a se encaixarem como se fossem quebra cabeças.
-O que você fez com ela?-perguntei tentando tiram meu braço de sua mão firme. - Eu perguntei "o que você fez com ela" ?-gritei.
-É melhor você não fazer isso. -disse Embry colocando sua mão febril em meu ombro.
-Por quê?-perguntei olhando para o rosto de Embry que estava com uma expressão preocupada. -Por que ele é o mestre?-perguntei como se fosse à coisa mais normal do mundo. -Ele não é meu mestre!-o rosto de Embry se enrijeceu, mudando seus olhos para o rosto sério de Sam. Eu não me importava se Sam posse o alfa, se ele havia machucado a minha prima e se veria comigo! Voltei meus olhos para o rosto de Sam que agora estava sem expressão alguma, parecia que ele estava distante, longe da órbita da Terra. -Escute bem Senhor alfa, eu não me importo se você manda neles. -olhei para os meninos que estava em silêncio. -Eu não faço parte da sua matilha e nunca farei. Por tanto, você não manda em mim.
-Você não tem escolha. -sussurrou Sam, falando pela primeira vez.
-Tenho sim. -disse com firmeza sem olhar para os seus olhos. –Desde que eu tenha um imprinting.
-O imprinting é muito difícil de acontecer. -ele disse ainda serio.
-Mas não impossível. -disse rindo com sarcasmo. -Você não é o meu mestre. -eu sinceramente não fazia idéia do que estava acontecendo comigo, eu só sabia , eu só sentia, o sentimento de ódio que era enorme em relação a Sam. E esse ódio era tão grande que quase empatava com o amor que eu sentia pelo Edward.
Olhei pela primeira vez nos olhos cor de mel de Sam e parecia que eu estava entrando deles, entrando em um mundo distante.
Eu não estava mais na casa de meu tio Harry, eu estava em uma floresta escura. Escutei um uivo ao longe me trazendo um sentimento de perda. Olhei para o céu, ele estava totalmente escuro, não havia nem lua e nem estrelas.
Eu não estava consciente do que estava fazendo. Mas podia perceber que estava correndo porque minha respiração estava ofegante. As lágrimas rolavam pelo meu rosto sem freio, manchando o vestido rosa.
Parecia que cada vez que eu andava mais, tinha mais floresta a frente. Depois de alguns minutos eu já estava na frente de uma caverna enorme. Fiquei paralisada por alguns instantes sem saber qual deveria ser a minha atitude. Senti um cheiro amadeirado muito forte.
Então entrei correndo para dentro da enorme caverna. A caverna era muito escura e unida, mas mesmo assim, eu podia ver perfeitamente, era como estar na luz do dia, meus olhos não perdiam nada.
Houve uma parte da caverna que pude ser um circulo de lobos em volta de algo. Os lobos em si eram enormes, até maiores que uma pessoa, e olha que eles estavam em quatro patas, imagina se estivessem em duas.
Meus olhos encontraram um par de olhos dourados sem vida, aquilo era pior que tudo. A raiva possuiu o meu corpo o fazendo tremer.
Heath estava no chão sem vida alguma. Os lobos olharam para mim, e então eu soube que a partir dali eles não eram mais a minha família, e nunca voltariam a ser.
O meu corpo explodiu e tudo ficou diferente. Se eu podia ver tudo antes agora eu podia ver mais ainda.
Tudo foi tão rápido, meus olhos estavam cansados, minha cabeça latejava.
Voltei para a minha forma humana sem vida, sem forças. Eu estava nua e sem vida. Tentei lutar para fazer meus olhos ficarem abertos, mas meus esforços tinham sido em vão.
Afundei na escuridão, me desligando do mundo, do meu amor. Eu tinha lutado com todas as minhas forças, mas tinha sido tudo em vão.
Eu tinha que o ter defendido, mas havia falhado. Eu o amava tanto, não tinham palavras para descrever.
Era como se a vida dele fossem areias e agora ela estava escapando pelos meus dedos. Às vezes eu conseguia abrir meus olhos, mas eles se fecharam rápido demais. Eu não conseguia mais saber o que era real e o que era a escuridão dentro de mim.
Não conseguia entender o que estava acontecendo na superfície. E a dor ainda estava lá me torturando.
A dor era extremamente forte. Exatamente isso - eu estava desnorteada. Eu não podia entender, não podia fazer ideia do que estava acontecendo. Meu corpo tentava rejeitar a dor, e eu era puxada continuamente para dentro de uma escuridão que cortava segundos ou até mesmo minutos inteiros da agonia, tornando muito mais difícil acompanhar a realidade. A ilusão era negra, e não machucava muito. A realidade era vermelha, e me fazia sentir como se estivesse sendo serrada ao meio.
Realidade era sentir o meu corpo curvado, quando eu não podia ao menos me mexer por culpa da dor.
Realidade era saber que havia algo muito mais importante do que toda aquela tortura, e não ser capaz de se lembrar o que era.
E depois, mesmo ainda não podendo ver, de repente eu podia sentir algo. Desconfortavelmente agora. Muito quente. Muito, muito mais quente.
Tentei abrir meus olhos e pela primeira vez eu finalmente consegui. Eu estava em uma praça e havia muitas pessoas gritando coisas que eu não podia entender. Procurei pelos olhos que eram a razão da minha vida, da minha existência.
Eles estavam longe. Mais longe do que eu podia ter imaginado.
Ele estava gritando, tentei entender o que ele dizia mais não tive sucesso. Havia uma luz muito forte perto de mim, e foi ai que percebi o que era. Era fogo.
O fogo estava subindo pelas minhas roupas, mas eu não estava com medo. Porque eu sabia que Heath estava comigo. Olhei novamente para Heath e foi ai que pude perceber os seus olhos cheios de dor e agonia. Eu não queria que ele sentisse dor, então prometi a mim mesma não gritar, não fazer ele sofrer.
O fogo ficou mais quente e eu queria gritar. Implorar para alguém me matar agora, antes que eu vivesse mais um momento com essa dor. Mas eu não podia mover meus lábios. Eu percebi que não era a escuridão me segurando; era o meu corpo. Mantendo-me nas chamas que estavam mastigando o seu caminho espalhando uma dor inacreditável em meus ombros e estômago, subindo queimando pela minha garganta, surrando o meu rosto.
Tudo que eu queria era morrer. Nunca ter nascido. O conjunto da minha existência não valia essa dor. Não valia passar por isso para mais uma batida de coração.
-Deixe-me morrer, deixe-me morrer, deixe-me morrer. –gritei, quebrando a promessa.
E, por um tempo sem fim, isso era tudo. Somente a tortura inflamável, e meus gritos inaudíveis, implorando para a morte vir. Nada mais, nem mesmo tempo. Então isso foi infinito, sem começo nem fim. Um momento infinito de dor.
A única mudança veio quando, de repente, impossivelmente, minha dor dobrou. Poderiam ter sido segundos ou dias, semanas ou anos, mas, eventualmente, o tempo veio a significar algo novamente.
Apesar do fogo não ter diminuído nenhum grau - na verdade, eu comecei a desenvolver uma nova capacidade para experimentar isso, uma nova sensibilidade para apreciar, separadamente, - eu descobri que conseguia pensar através disso.
Eu conseguia lembrar o porquê que eu não deveria gritar. Eu conseguia lembrar a razão pela qual eu aguentei essa agonia insuportável. Eu conseguia lembrar que, apesar de parecer impossível agora, havia algo pelo qual talvez valesse a pena essa tortura.
Para mim, enquanto eu lutava para manter os gritos e a dor trancados dentro do meu corpo, onde eles não pudessem machucar mais ninguém, era como se eu tivesse passando de ser amarrada a uma estaca enquanto queimava, a me agarrar aquela estaca para me manter no fogo.
Juntei todas as forças que ainda tinham em meu corpo e abri os olhos. Heath ainda estava gritando e naquele momento pude perceber a realidade, eu estava morrendo, eu não ficaria com o amor da minha vida, da minha existência.
A vida estava saindo do meu corpo, me deixando em pó poucos o meu corpo estava desaparecendo se tornando nada.
-Eu nunca vou te esquecer, meu amor! -gritei olhando diretamente para ele. -Nunca o deixarei!
Tinha usado todas as minhas últimas forças para me despedir, mas, mesmo assim, não tinha sido o suficiente.
Olhei para baixo e encontrei um par de olhos cor de mel me encarando. Ele percebeu o meu olhar.
-Por que nós traiu, Yonah?-perguntou ele.
Voltei meus olhos para os olhos dourados que me fazia sentir um pouco melhor.
A ultima coisa que vi foi o rosto de anjo do meu amado Heath.
A realidade voltou rapidamente. Eu ainda estava encarando os olhos sérios de Sam, mas então eu reconheci aqueles olhos, eram os olhos do homem que me viu queimar e não fez nada.
Agora eu entendi aquela raiva toda, era um ódio de outra vida.
Eu agora tinha certeza que tinha sido em outra vida Yonah.
Tinha sido tudo tão real, era como se eu realmente estivesse pegando fogo.
- o que foi?-perguntou Jacob, olhando para mim.
-Não foi nada. -respondi. Olhei para Sam, eu não estava com forças para lutar agora. -Me solte, por favor. -disse calmamente, ignorando a vontade louca de lhe dar um soco.
Sam pensou por alguns segundo e depois me soltou.
Sai da casa sem falar com ninguém, a única coisa que eu queria era ir para minha casa.
Capitulo 08: Tragédia
Fiquei alguns minutos revirando a minha bolsa de escola que estava em meus ombros à procura da minha chave.
Meu corpo estava todo dolorido, como se eu tivesse sido atropelado por um caminhão. Eu quase podia sentir o fogo novamente. Queimando-me aos poucos, me torturando, me transformando em simplesmente – completamente - nada. Afinal, era isso que eu era/seria se eu ficasse sem o meu anjo. Sem o seu amor eu estaria completamente perdida. Seria como se eu fosse um trem sem trilhos, sem destino.
Quando encontrei a chave e ia a abrir a porta escutei um grito horrível vindo do andar de cima. Entrei na casa rapidamente e coloquei minha bolsa na sala e fui ao encontro de onde tinha vindo o misterioso grito de dor e agonia.
Fiquei alguns minutos parada na frente da porta do banheiro da minha mãe, tentando não fazer barulho, tentando prestar atenção em qualquer ruído, qualquer barulhinho que vinha do banheiro.
Mas tudo estava completamente silencioso, era como se não tivesse ninguém na casa. Como se aquele grito tinha sido fruto da minha imaginação fértil.
Mas, eu tinha completamente certeza que tinha escutado. Eu não havia ficado louca, ainda não.
Tentei abrir a porta, mas estava trancada por dentro. Forcei a porta a abrir, mas não consegui.
Aquele silêncio mortal estava me matando, me fazendo sentir um medo assombroso, como eu nunca havia sentido antes.
O medo estava me fazendo sentir um vazio dentro do meu coração, um vazio que eu não sabia qual era o motivo de estar sentido.
Tinha certeza que tinha escutado a minha mãe gritar. Ela podia estar ferida gravemente e eu tinha que fazer alguma coisa.
Fechei meus olhos e respirei profundamente algumas vezes. Tentei novamente forçar a maçaneta a abrir, mas eu não era forte o suficiente.
Afinal, eu ainda era humana e não tinha ganhado ainda a super-força, ainda não.
Tentei pensar eu um bom plano para poder entrar no banheiro. E todas as minhas alternativas me levavam a uma só opção.
Lembrei que a janela do meu quarto era a mais próxima da janela do pequeno banheiro de minha mãe. Eu poderia tentar entrar por lá.
Entrei no meu quanto indo diretamente na direção da pequena janela. Destranquei as fechaduras e empurrei a janela para cima.
Coloquei a minha cabeça para fora da janela olhando na direção da outra janela. Respirei fundo e olhei para baixo tentando imaginar como seria estará ali desprotegida.
Eu realmente nunca havia tido medo de altura, mas poder ver todos os detalhes tão claramente fizeram a idéia de escalar até a outra janela menos atraente. Os ângulos das rochas em baixo eram mais agudos do que eu os teria imaginado.
Virei-me para a direção da porta e coloquei meu corpo totalmente para fora, ficando somente as minhas pernas para dentro do quarto.
Eu nunca em minha vida tinha feito algo assim. Mas tudo tinha uma primeira vez e essa seria a minha.
Levantei a minha mão esquerda na direção da outra janela tentando encontra algo para me apoiar mais estava longe demais.
Com um movimento automático me coloquei de pé na janela. Nem eu mesma consegui entender como eu tinha conseguido ficar naquela maneira. Tive uma certeza, todos os meus sentidos estavam mais aguçados, mas não completamente.
Tirei a minha mão esquerda novamente e a ergui na direção da janela. Naquela hora perdi o equilíbrio e quase cai para trás.
Eu não havia caído, mas havia machucado o meu braço. Da altura do pulso a altura do meu ombro estava completamente machucada do meu braço esquerdo.
Eu realmente deveria estar querendo me matar!
Coloquei minhas pernas novamente dentro do quarto e depois coloquei o resto do meu corpo.
Eu tinha que pensar em outra coisa se não acabaria me matando e não conseguiria entrar naquele banheiro.
Ignorei a ardência que emanava do meu braço e coloquei minha cabeça para funcionar.
Todas as minhas tentativas de um plano, todas as minhas alternativas me levavam a uma única opção.
Eu não tinha super-força, mas conhecia alguém que tinha. Peguei o meu celular no bolso de trás da minha calça jeans.
Revirei a lista de chamadas atendidas a procura de um único número que eu não tinha imaginado que ligaria tão rapidamente.
Chamou duas vezes antes de eu poder escutar a voz doce e linda do meu anjo.
-? - perguntou Edward.
Eu realmente estava muito envergonhada de estar ligando para ele, mas, eu estava desesperada e ele era a única maneira de salvar a minha mãe.
-Sim, sou eu, Edward. - fechei meus olhos tentando arrumar alguma coragem, e vi que a única maneira era dizer de uma vez só. -Edward, eu preciso muito da sua ajuda. - esperei a reação dele, mas a outra linha estava muito silenciosa e tive medo de ele ter desligado na minha cara, apesar de ter completamente certeza que ele nunca faria uma coisa dessas. -Edward, você ainda está ai?
-Claro, meu amor. -disse ele rapidamente. -Desculpe por ficar em silêncio é que estava pegando o carro. Não se preocupe já estou a caminho. - disse ele com a voz mais doce ainda (o que eu pensei não seria possível). - Já estou indo, meu amor. - ele desligou.
Desci a escada rapidamente e fui para a cozinha a procura de uma toalha para estancar o sangue que saia do meu ferimento.
A minha camiseta de manga comprida estava completamente acabada. Depois de tudo aquilo era iria para o lixo, o que me deixava triste. Ela era a minha camiseta preferida.
Estava sangrando bastante, o que não era uma coisa muito boa.
Escutei uma batida na porta da frente e foi abrir a porta para Edward.
Quando abri a porta me assustei. Edward estava com o seu rosto todo retorcido e sua expressão era de dor. Por alguns segundo eu tinha me esquecido que Edward era um vampiro e que aquilo era difícil para ele.
Seus olhos não estavam mais dourados como de costume, eles estavam pretos, o que eu não sabia bem o que significava.
-Você está bem? - perguntou ele olhando para o meu braço.
-Não foi nada grave. - apertei mais ainda a toalha contra o meu ferimento, como se eu pudesse fazer aquele cheiro desaparecer e não ferir mais o meu anjo.
-Eu estou bem, meu amor. -ele colocou sua mão em meu rosto fazendo uma caricia. -Só você que importa, realmente. - ele voltou os seus olhos completamente negros para o meu braço. -Deixe-me ver isso. -ele tirou a toalha do meu braço lentamente, deixando a mostra o meu grande ferimento. -Como não é tão grave? -ele olhou para o meu rosto novamente. -Amor, isso está na carne viva.
-Não é nada importante. -coloquei novamente a toalha em cima do ferimento. -O que importa agora é a minha mãe. -olhei para cima.
Ele olhou por uns segundos para mim e depois subiu as escadas rapidamente, indo diretamente para a direção do banheiro.
Quando chegamos ele me olhou novamente e depois colocou a mão na porta. Ouve um barulho estrondoso como se estivesse um trator na casa.
Observei o teto por uns segundos e depois voltei a minha atenção para a porta. Simplesmente não havia mais maçaneta, a porta estava com um buraco enorme no lugar onde deveria ser o lugar da maçaneta. Olhei nas mãos de Edward e a maçaneta estava lá um pouco amassada.
Senti um cheiro não muito agradável no ar. Quando eu finalmente ia entrar no banheiro Edward colocou seu braço na frente para me impedir.
-Melhor você não entrar. -sussurrou ele olhando para o banheiro, fitando algo que meus olhos não podiam ver.
-Me deixe entra. -sussurrei. Se fosse algo com a minha mãe eu tinha o direito de ver, eu tinha a obrigação de ver.
Quando tive esse pensamento Edward retirou a sua mão e me deixou livre para escolher o que eu iria fazer.
Tentei respirar algumas vezes. Mas aquele cheiro horrível estava muito forte. Reuni toda a coragem que pode e entrei no banheiro.
A cena que vi não queria ter visto. Edward tinha razão, eu não tinha que ter entrado no banheiro.
Minha mãe estava deitada no chão e tinha uma poça enorme de sangue em sua volta. Seus olhos estavam fechados e seu rosto estava mais branco que o giz.
Fui rapidamente até ela e me abaixei para poder olhá-la melhor. Não percebi que eu estava chorando, na verdade eu estava completamente perdida. Eu só fui perceber que estava chorando porque as minhas lágrimas estavam se misturando ao sangue de minha mãe. Coloquei minha mão sobre seu rosto e quando senti sua pele fria a dor invadiu o meu coração.
Virei meu rosto na direção de Edward e ele estava com a mão no nariz e seu rosto estava mais pálido que o normal. Por incrível que pareça o rosto da minha mãe morta estava mais branco que o rosto de anjo de Edward.
-Ela não está morta. -disse ele olhando para a minha mãe. -Seu coração ainda bate lentamente. -ele se aproximou de mim e se agachou ao meu lado. -Vamos leva-la para o hospital. Carlisle cuidara dela.
Como um movimento rápido Edward colocou minha mãe em seus braços e começou a carregá-la para o andar de baixo.
Eu fiquei só o observando sem reação. Parecia que as coisas não faziam sentindo.
Eu podia ver tudo perfeitamente, mas não consegui me movimentar, não conseguia pensar. Fechei meus olhos para tentar entender as coisas.
Eu estava agarrada a algo, isso eu sabia. Mas meus olhos estavam fechados e eu estava com muito frio mesmo. Não queria abri-los e achei que nunca mais fosse me aquecer de novo. Senti a mão de alguém em meu antebraço, então ouvi a voz doce de Edward murmurar qualquer coisa.
Como se eu tivesse recebido um choque elétrico, meu corpo de repente deu um pulo, tomando por um incrível senso de consciência. Contra minhas pálpebras fechadas vi o rosto de minha mãe sorrindo. Não estava ensangüentado nem pálido
Meus olhos se abriram e eu pode ver o rosto de Edward muito próximo do meu. Agora eu sabia o porquê de estar com frio. Os braços de Edward estavam a minha volta e eu estava agarrada a ele. Eu o abraçava fortemente e ele apenas me abraçava de volta fraquinho como se não quisesse me machucar.
Ele pegou a minha mão e me fez levantar do chão. Sinceramente eu não fazia idéia que estava sentada na escada.
De repente, as coisas começaram a fazer sentido e o medo novamente me bateu. Independente do passado eu amava minha mãe. Tinha sido ela que tinha me dado à vida, e isso não tinha preço.
Caminhei até o carro prata de Edward e ele abriu a porta do carona para mim e eu entrei.
Eu não queria olhar para trás e ter que ver a minha mãe quase morta, então fiquei olhando para as minhas mãos manchadas de sangue.
Aquilo devia ser uma tortura para Edward. Eu não queria que ele passasse por isso, mas aquilo era o único modo de salvar a minha mãe.
Edward colocou seu braço em minha volta e partimos para o pequeno e único hospital da pequena cidadezinha.
Capitulo 09: Espera
Quando chegamos ao hospital Edward pediu que chamassem Carlisle imediatamente. Fiquei observando os enfermeiros colocarem minha mãe em uma maca e a levarem.
Eu queria ir com ela, mas não tinha forças suficientes para isso. Sentei-me no banco da sala de espera e fechei meus olhos.
Mesmo estando com os olhos fechados às lágrimas ainda saiam, parando na minha camiseta rasgada.
Senti uma mão fria em meu rosto, o acariciando. Eu não precisava abrir meus olhos para saber que o meu anjo estava comigo.
-Sempre estarei. - sussurrou no meu ouvido.
Sem ele eu tinha certeza que estaria completamente perdida. As lágrimas continuavam a sair pelos meus olhos fechados e Edward as secava.
Escutei uma voz doce mais não familiar vindo do corredor ao encontro de onde estávamos.
-Edward, como ela está? - perguntou a voz.
-Vai ficar bem, Carlisle. - sussurrou Edward em resposta. - Ela tem um ferimento grande no braço, será que você pode fazer algo?
-Claro. -disse a voz. -Vou pegar matérias necessários e já volto.
Edward começou a fazer carinho em meu cabelo e por pouco, por muito pouco, quase dormi.
- ? - Edward perguntou depois de alguns minutos.
-Sim? - perguntei abrindo os olhos e encarando o seu lindo rosto.
-Carlisle pode ver o seu ferimento? - perguntou ele olhando para a direção a nossa frente. Foi só ai que percebi que tinha um homem a nossa frente.
Eu nunca tinha o visto, mas já sentia um sentimento bom em relação a ele. Ele era um homem loiro bonito e parecia ser bem simpático.
Sua pele era até mais branca que a pele de Edward. E quando eu vi seus olhos dourados tive completamente certeza que ele também era um vampiro.
-Será que eu posso da uma olhada no seu ferimento? - perguntou ele sorrindo.
Eu não conseguia encontrar a minha voz e apenas balancei a cabeça.
Edward se levantou dando o lugar a Carlisle para se sentar ao meu lado.
Ele se sentou ao meu lado lentamente, parecendo que não queria me assustar.
-Posso tirar? - perguntou ele olhando para a toalha que ainda estava em meu braço esquerdo.
-Pode. -disse sem forças. Carlisle apenas sorriu.
Ele tirou a toalha e examinou o meu ferimento cuidadosamente. Ele pegou algo na sua maleta e colocou em meu braço, o que fez arder um pouquinho, mas não era nada de mais.
-Esta doendo? - perguntou ele.
-Não. -desse agora com mais forças.
As minhas forças estavam em algum lugar que eu não pude encontra. Fechei meus olhos me deixando levar pelo cansaço, pela dor, pela angústia.
Assim acabei pegando no sono.
(...)
Senti uma mão fria acariciando o meu rosto lentamente. Eu não estava mais casada e também não estava mais com medo.
Em algum lugar, que eu não sabia aonde, eu tinha encontrado forças para superar a tristeza de ver a minha mãe daquela maneira. No fundo eu sabia que ela ficaria bem, ficaria consciente novamente.
Percebi que meu braço também não doía mais. Deveria ser pelos cuidados do doutor Carlisle. Eu estava tão casada que nem ao menos tinha agradecido.
-Você está melhor? - perguntou Edward em meu ouvido.
-Sim, estou. - disse abrindo os olhos.
O rosto de Edward estava mais calmo. Era como se nada houvesse acontecido.
E isso era uma coisa boa. Odiava vê-lo triste e com o rosto tomado pela dor.
Ele sorriu para mim, aquele sorriso que eu adorava vê-lo sorrir. Era como se o sol estivesse em minha frente me tirando da noite, me tirando da escuridão.
-Esta com fome? - perguntou ele ainda sorrindo.
-Não. - olhei ao redor. - Onde está minha mãe?
-Agora ela está no quarto. - disse ele apontando para a direção dos quarto. -Daqui a pouco, ela ira fazer alguns exames, só para garantir.
-Será que eu posso vê-la? - perguntei olhando para as minhas mãos sujas.
-Não quer ir para casa e tomar um banho primeiro? - perguntou olhando também para as minhas mãos.
-Vou dar uma olhada na minha mãe, primeiro. Depois vou para casa. -disse me levantando. Eu fiquei completamente tonta e Edward teve que me ajudar a ficar de pé.
-Eu te levo até lá. -disse ele passando seu braço pela minha cintura.
Andamos pelo enorme corredor até chegamos a uma porta que dizia “Internamentos”.
Entramos e também havia outro corredor enorme.
Eu simplesmente odiava hospitais, já tinha passado muito tempo nesses na minha infância.
Lembro que eu chorava muito quando as enfermeiras iam pegar a minha veia para colocar o soro.
-Você nunca me disse sobre a sua infância. -murmurou ele.
-Não achei que fosse importante.
-Tudo sobre você é importante. -sussurrou ele no meu ouvido. Fazendo o meu coração quase sair pela boca, o fazendo rir.
Paramos em uma porta e Edward ficou parado esperando a minha reação.
Simplesmente empurrei a porta e nós entramos no pequeno quarto.
O quanto era todo brando - o que é muito comum em hospitais. Tinha uma cama no meio e alguns aparelhos que eu não sabia para que serviam.
Logo pude ver a minha mãe deitada sobre a cama. Fui até ela e pude ver que agora o seu rosto não estava tão branco como antes.
Tinha uns aparelhos ligados a ela. Tinha um que apitava loucamente.
Aquele eu conhecia perfeitamente. Ele media os batimentos cardíacos.
Minha mãe estava respirando com a ajuda do balão de ar. Era um caninho que entrava pelo seu nariz, a ajudando a respirar.
Mesmo que eu odiando hospitais queria estar no lugar dela. Eu não queria que ela sentisse dor.
Soltei-me de Edward e fui mais perto de minha mãe.
Coloquei minha mão sobre a mão dela. Não estava mais tão gelada como antes, isso era bom.
-Você vai ficar bem... -sussurrei lhe dando um beijo na testa.
Os minutos se passaram e minha mãe continuava adormecida. Senti um frio na espinha e depois o frio se espalhou por todo o meu corpo.
Dei-lhe um outro beijo e me despedi.
Edward me ajudou a andar de volta pelos corredores até onde estávamos antes.
Na pequena sala de espera.
-Tem certeza que não quer ir agora para casa? - perguntou ele preocupado.
-Tenho. - tentei sorrir. -Você disse que meu irmão está vindo e eu quero esperá-lo.
Edward apenas sorriu me dando um beijo na testa.
Ficamos esperando por alguns minutos.
Os músculos de Edward se enrijeceram e pude perceber que ele estava muito nervoso, eu só não consegui entender porquê.
Ele me apertou contra seu corpo de mármore e ficou olhando na direção da pequena porta.
-O que foi? - perguntei preocupada.
Edward me apertou mais ainda e passou seu braço gelado pela minha cintura, como se precisasse me defender de algo.
A porta se abriu e eu pode ver meu irmão, mas havia alguém atrás dele.
Jacob estava com o seu rosto sério e não parecia que estava de bom humor.
Seus olhos estavam diretamente na direção de Edward. Sinceramente eu puder ver a raiva que ele estava pelos seus olhos negros.
Edward também encarava Jacob, como se quisesse matá-lo e Jacob parecia também querer matar Edward.
Os olhos azul-safira de meu irmão deixavam claro que ele estava confuso, como eu.
Ele passou a mão pelo cabelo preto ondulado algumas vezes percebendo o clima ruim que estava.
-O que você pensa que está fazendo aqui? -disse Edward olhando e falando diretamente para Jacob.
-Se você não sabe, eu estou aqui pela . - disse Jacob no mesmo tom de ameaça.
Edward se levantou e eu pude perceber que ele ia dar um soco na cara de “poucos amigos” de Jacob.
-Pare. -entrei na frente. Jacob até podia ser um lobo mais não era invencível. E ao falar que Edward era umas 100 vezes mais forte que ele. -Não provoque Jacob.
-Você está no lado dele, ?-disse Jacob incrédulo.
-Não importa no lado de quem eu estou, agora. - me virei para encarar Edward. -Dá um desconto para ele. - Apesar de estar com raiva Edward me escutou, o que eu agradeceria eternamente. Virei-me para Jacob. -Vamos conversar na lanchonete. -olhei novamente para Edward e parecia que ele tinha ficado um pouco magoado. Mas eu tinha que fazer aquilo. Eu tinha que dizer para Jacob que não tinha e nem teria algo entre a gente, nunca mais. Porque eu amava incondicionalmente Edward Cullen e nada e nem ninguém mudaria isso.
-Não tenho nada para conversar. -disse Jacob rispidamente.
-Mas, eu tenho. -disse no mesmo tom.
Eu não queria fazer aquilo. Não queria deixar o meu amor triste mas isso seria para o nosso bem.
Peguei a mão quente de Jacob e praticamente o puxei para fora da pequena sala deixando para trás o meu anjo triste.
Quando chegamos à lanchonete procurei uma mesa vazia e me sentei e fiz Jacob se sentar na minha frente.
Apesar de tudo, eu ainda gostava de Jacob. Não do modo que eu gostava de Edward, claro.
Agora eu podia ver as coisas como elas eram de verdade. Eu sempre amei Edward e sempre amaria, e nada e nem ninguém mudaria isso.
E eu podia ver também que eu amava Jacob, mas era um amor de irmão. Era como o amor que eu sentia por Erick.
A minha vida toda eu tinha pensado que amava Jacob de uma forma, mas eu estava completamente enganada.
Eu só fui saber realmente o que era amor verdadeiro quando conheci o meu anjo, quando conheci Edward Cullen.
Eu tinha obrigação de dizer tudo isso a Jacob. Não podia deixá-lo pensar que eu o amava, não da forma que ele pensava.
-Eu preciso esclarecer as coisas entre a gente. -disse firmemente.
Capitulo 10: Eu te amo, mas não da forma que você pensa.
Tentei escolher as palavras certas para explicar a Jacob o que eu realmente sentia.
Mas não via um modo de não machucá-lo e isso era o pior de tudo.
Eu tinha que dizer que nunca o amei, não da forma que ele pensa.
-Estou esperando. - disse ele impaciente.
Juntei toda a coragem do meu corpo. E prometi a mim mesma que seria somente uma vez. Eu o machucaria só uma vez.
-Eu estive o tempo todo enganada, Jake. - disse olhando dentro dos seus olhos negros. -Eu estava tentando arrumar uma maneira de lhe dizer isso sem te magoar, mas vejo que isso é impossível.
-Sobre o que você estava enganada? - perguntou ele demonstrando que estava completamente confuso.
-Sobre nós. - disse virando meu rosto. Agora seria a pior parte. -Eu nunca te amei da maneira que pensava. Você é como se fosse um irmão para mim. - voltei a olhar para seu rosto. - O sentimento que sinto por você é o mesmo sentimento que sinto por Erick.
-Não é verdade! -disse ele mais alto. -Eu vi o quanto você sofreu quando eu me casei com a Bella. -ele continuou. Ele realmente parecia não ter acreditado nas minhas palavras. -Não pode ter sido mentira!
-Não tudo, Jake. - disse sinceramente. - Eu te amo, mas não da forma como você pensa.
-É por causa dele que você não quer entrar na matilha? - ele disse rispidamente. -É por causa daquele sanguessuga?
-Edward não tem nada a ver com isso. -menti. -E não o chame assim!
-Por que não? - ele se levantou. -Porque você o ama?
-Sim, eu o amo. - quando Jacob ouviu aquelas palavras se sentou novamente, como se fosse cair. - Ele é o amor da minha vida, não posso viver sem ele. E não deixarei a matilha me separar dele, novamente.
-Novamente? - a voz dele era apenas um sussurro.
-Não vou deixar Sam mandar em mim como se ele fosse o meu mestre. -mudei de assunto. -Eu sei como a voz do alfa é. Se ele me disser para ficar longe de Edward eu terei que ficar, mesmo não querendo. Seria uma ordem de alfa e eu sei muito bem que as ordens do alfa são cumpridas de um jeito ou de outro.
-Que bom que você sabe. -ele disse num tom ameaçador. -Você não pode lutar contra isso, não pode deixar de ser uma loba. Não pode impedir de fazer parte da matilha. Isso é uma coisa que não se pode escolher.
-Posso sim. -disse.
-Só tem uma coisa nesse mundo que é mais forte que o comando do alfa. -ele sussurrou. -O imprinting. E isso é muito raro de acontecer.
Eu apenas sorri. Sam não podia me prender e não prenderia.
-Você teve um imprinting com o sanguessuga? - gritou.
A reação de Jacob tinha sido melhor do que eu pensava. Ele não estava tão bravo como eu tinha imaginado e isso era uma coisa ótima.
-Porque você fez isso, ?-gritou ele me acusando.
-Eu não fiz nada, Jake. Você fala como se eu tivesse culpa, como se eu pudesse ter escolhido.- disse olhando para as pessoas que estavam olhando. - Você sabe perfeitamente que ninguém tem culpa de ter um imprinting, apenas acontece.
-Por quê? - disse ele me ignorando.
-Agora está tudo esclarecido. -disse me levantando e indo na direção da sala de espera.
-Se é realmente um imprinting eu não posso fazer nada, ninguém pode. -disse ele pegando o meu braço me fazendo olhar para ele. -Mas, isso não quer dizer que eu não vou tentar. Eu amo você, . E não vou desistir, nunca.
Aquelas palavras eu não tinha imaginado. Será que ele não podia entender que nada adiantaria?
-Você é o amor da minha vida. -ele se aproximou de mim. – E eu nunca vou desistir de você. -ele passou seu dedo indicador em meu rosto. - Se você me ama, pelo menos um pouco, já quer dizer alguma coisa. Não importa a forma que você me ame.
Não importava o que eu diria, Jacob estava convencido que faria meus sentimentos mudarem. A única coisa que eu queria era que ele não se machucasse e que entendesse logo que não importasse o que ele fizesse, eu nunca deixaria de amar Edward, nunca.
Ele me soltou lentamente e eu continuei andando até a pequena sala de espera para encontrar o meu amor, o meu anjo.
Quando entrei na sala Edward levantou rapidamente vindo ao meu encontro.
-Agora está tudo esclarecido. -sussurrei o abraçando.
Eu apenas tinha ficado minutos longe dele, mas parecia que eram eternidades.
-Que bom. -disse ele me dando um beijo na testa. -Agora você quer ir para casa?
-Onde está o meu irmão? - olhei ao redor.
-Esta com sua mãe. Ele disse que vai ficar mais um tempo aqui.
-Você me leva para casa? - perguntei.
-Claro. -ele sorriu.
Eu estava querendo me livrar daquelas roupas sujas de sangue e tomar um bom banho.
-Antes o Carlisle quer falar com você. -disse olhando para a porta. Segundos depois Carlisle entrou na pequena sala.
- , fizemos uns exames na sua mãe e eu quero lhe falar sobre o resultado. -disse ele sorrindo.
-Claro. -sussurrei.
Carlisle fez um sinal com a mão para que eu me sentasse e eu o fiz esperando o que ele tinha para me dizer.
-Bom, eu vou ser sincero com você. -ele começou. - Sua mãe tem um sério problema no coração. -disse ele esperando a minha reação.
-Como? É perigoso? Ela vai morrer? - perguntei desesperada.
-Não ela não vai morrer. -ele colocou sua mão no meu ombro para me reconfortar. -Não se ela não sofrer emoções muito fortes. Ela não pode ter qualquer alteração. Ela não pode passar nervoso. -ele olhou de relance para Edward. -Deixe eu te explicar melhor. Sua mãe estava nervosa, pelo qual o motivo eu não sei. Então, ela acabou desmaiando com uma faca ou algo cortante na mão. Foi onde ela se feriu profundamente. Mas lhe digo, na próxima pode ser muito perigoso.
-Então, ela terá que evitar emoções fortes? - perguntei.
-Sim. -ele respondeu sorrindo.
-Então, se ela não tiver essas emoções ela vai ficar perfeitamente bem?
-Sim, claro, ela vai ter que tomar alguns remédios controlados, mas nada demais.
-Entendi. -disse sorrindo para ele. -Eu vou cuidar dela.
-Bom, agora, você já pode ir. -ele apertou a minha mão e se fui.
Edward praticamente me carregou pelos corredores até o carro. Mesmo eu tendo dormido estava morrendo de cansaço.
Fechei meus olhos e encostei a minha cabeça no banco.
Seria fácil a minha missão de evitar que a minha mãe tivesse alguma emoção forte.
Agora eu estava completamente tranqüila. Nada de mal aconteceria com a minha mãe e ela estaria completamente bem.
Chegamos rapidamente em minha casa e eu estava cansada demais para me levantar do banco do carro.
Eu praticamente já estava dormindo.
Eu só senti as mãos firmes e frias de Edward me levando para dentro de casa e depois me colocando na cama.
-Durma com os anjos, meu amor. -foi a única coisa que escutei antes de dormir.
Capitulo 11: Traidor
Abri meus olhos e tudo estava completamente escuro. Minha cabeça ainda girava como se eu estivesse rodando loucamente.
Sentei-me na cama e foi ai que pude perceber que estava completamente sozinha.
Não havia nem sinal de Edward Cullen, o que me deixou profundamente triste.
Levantei-me ainda sem consegui enxergar nada, o quarto estava completamente escuro, até mesmo que o normal. Fui até onde estava o abajur e acendi luz.
Olhei para mim mesma. As minhas roupas ainda manchadas de sangue. A minha nova camiseta preta estava ensopada de sangue, que já estava seco e endurecido. Os fios prateados ainda tentavam brilhar pela luz, mas ao invés da pura luz que emanavam antes, agora eles cintilavam com um tom de cobre. Eu não conseguia parar de olhar para eles.
Tirei minha camiseta, minha calça, o sutiã e a calcinha e joguei tudo no cesto, envolvido por um saco plástico que ficava no canto do meu quarto.
Entrei no banheiro na intenção de ir direto para debaixo do chuveiro, mas parei ao ver o meu reflexo. Eu estava horrorosa, pálida, com círculos debaixo dos meus olhos que pareciam socos. Meus olhos estavam grandes e anormalmente escuros, não havia nem sinal do tom de mel.
Me virei um pouco para poder ver o meu braço esquerdo. Ele estava com algumas ataduras enormes.
Entrei debaixo do chuveiro e fiquei lá parada durante um bom tempo, vendo a água vermelha que escorria pelo ralo.Depois de alguns minutos eu saí do chuveiro e me enrolei na toalha e fui para o meu quarto.
Coloquei um vestido azul-safira de meia manga e penteei os meus cabelos que estavam muito embaraçados.Coloquei a toalha de volta no banheiro e me deitei na cama novamente.
Eu, apesar de tudo, ainda estava muito casada e com muita fome. Desci as escadas e fui para a cozinha. A casa estava totalmente escura deixando a mostra que eu estava completamente sozinha.
Liguei a luz da cozinha e fui procurar algo na geladeira. Peguei algumas coisas para poder fazer um lanche e um suco de laranja.
Quando tudo estava finalmente pronto eu fui para a sala e liguei a TV.
Estava passando um filme que me interessou. Me deitei no sofá ainda com as luzes apagadas.
Terminei de comer o lanche e de beber o suco e fechei meus olhos.
Como o dia de hoje tinha sido agitado. Minha mãe, o meu namoro com o Edward, as histórias antigas, a descoberta que eu era realmente a Yonah.
Todos os acontecimentos uns atrás dos outros. Uns até felizes e outros nem tanto.
Mas, pensando bem, a minha vida sempre tinha sido assim. Um milhão de problemas, um milhão de felicidades.
Minha vida toda passou diante das minhas pálpebras fechadas.
De repente, comecei a sentir algo que de imediato não pude perceber o que era.
Era uma mão cheia de calos apertando o meu seio direito. Abri meus olhos rapidamente não acreditando no que estava acontecendo.
Ted estava em cima de mim. Seus olhos estavam fechados e às vezes ele gemia alto.
Tentei me livrar de suas mãos, mas ele era mais forte que eu. Ele continuou com os olhos fechados e naquela hora eu pude ver claramente o que realmente estava acontecendo.
Ted estava tentando me violentar.
-Está gostando do carinho do pai? - Perguntou ele com a voz transformada pela excitação.Como aquilo poderia ser um carinho de pai?
Só para começar ele não era o meu pai e nunca seria.
Ele segurou os meus pulsos fortemente.
-Socorro! – Gritei.
Ted parecia ter ficado bravo comigo e colocou um pedaço de papel na minha boca me impedindo de gritar por socorro.
Ele levantou o meu vestido e eu queria gritar e dizer que não, mas não consegui por causa do papel.
Ele ficou observando a minha calcinha por alguns segundos antes de tirá-la completamente.Eu estava desesperada, em pânico.
De repente todo o trauma que um dia eu lutei para afastar de mim estavam ali, me perseguido novamente.
Eu me sentia novamente uma criança indefesa. Todos os sentimentos ruins possíveis se misturaram dentro de mim.
Eu já estava implorando pela morte. Eu preferia morrer a ser violentada.
As lágrimas invadiram os meus olhos e depois escorreram pelo meu cabelo recém-lavado.
-Por que estava chorando? - Ele disse descaradamente sorrindo. - O que eu estou fazendo com você não é nada de ruim, você vai ver. Depois você vai até gostar.
Como eu poderia gostar de uma coisa nojenta dessas?
Tentei me soltar novamente, sem nenhum sucesso.
Eu estava perdida, completamente perdida.
Ted continuou tirando o resto da minha roupa. E quando terminou começou a lamber o meu seio direito.
Tentei gritar novamente a procura de ajuda, mas novamente não consegui. Aquilo era completamente nojento.
Balancei meu corpo tentando escapar de suas garras, mas não consegui.
A imagem no hospital invadiu minha mente, ai foi o momento que a dor invadiu o meu peito.
Ted me penetrou brutalmente, me deixando com nojo até de mim.
Mas eu não tinha feito nada para acontecer aquilo, eu não queria aquilo!
O homem que passou a ser o homem que eu mais odiava na vida puxou meu cabelo com muita força. Senti uma segunda dor aguda me atingindo, porque eram duas. Primeira: A penetração horrível. Segunda: A minha cabeça estava latejando e ardendo muito.
O meu braço esquerdo, que estava muito machucado, começou a dor muito. Uma dor forte e aguda me atingiu novamente.
Ted pegou o meu braço esquerdo e o girou o quebrando.
Eu gritei de dor, gritei de medo, de agonia
Depois o traidor me deu um soco com toda a sua força em meu braço já quebrado.
Eu preferia morrer novamente queimada aos poucos a viver agora.
Começou a sair sangue pela minha boca, nariz, ouvido.
Eu estava quase engasgando com o meu próprio sangue e o estuprador ainda continuava me violando.
Eu já estava completamente sem vida, por dentro e por fora.
Todas as dores possíveis me atingiram, me torturando, me matando.
Nem mesmo o rosto do anjo que invadia minha mente fazia a minha dor passar, nem mesmo um pouco.
Fechei meus olhos e tentei esquecer daquilo.
De repente escutei um barulho vindo do lado de fora da casa. Era um barulho estrondoso, como se estivesse caindo uma árvore.
- ! - Gritou Leah batendo na porta e me tirando da escuridão.
-Será que ela está ai? - Perguntou Sam.
-Eu estou sentindo o cheiro dela. - Disse Paul.
-Vamos entrar! - Disse Embry.
-Vai entrar como? - Perguntou Seth.
-Derrubando a porta. - Disse Jared.
Ted também podia escutar as vozes que vinham da porta. Ele sabia perfeitamente que se vissem ele fazendo o que estava comigo era um homem morto.
-Vai lá para cima. - Ele me soltou finalmente.
-Tem duas pessoas ai dentro. - Disse Sam. -Não está me cheirando nada bem. Agora é uma ordem de alfa, derrubem a porta!
Eu nunca tinha estado tão feliz em ver o bando. Eles iriam me salvar, mas não apagar.
Primeiro ouvi o barulho e depois eu vi os rostos dos meninos da alcateia.Eles pareciam estar chocados pelo que acabaram de ver.
Eu estava toda ensangüentada, no que desta vez o sangue era realmente meu, e estava nua.
-! - Disse Leah vindo ao meu encontro. - O que fizeram com você?
Ela pegou a sua jaqueta e colou em mim.
-Acabem com ele! - Sam ordenou.
-Eu vou te tirar daqui. -Disse Leah segurando a minha mão.
Não pude ver direito o que os lobos estavam fazendo com o desgraçado do Ted, mas eu queria ter visto.
-Onde está me levando? - Sussurrei baixinho.
- Para um lugar seguro. - Ela passou a mão pelo meu cabelo e tentou sorrir, mas nós duas sabíamos perfeitamente o que tinha acontecido.
E o que estava dentro de mim, gravado. Nunca mais sairia.
Quando cheguei à casa de minha tia, Leah me olhou por alguns instantes.
-Vamos, agora vai ficar tudo bem. - Ela disse me ajudando a sair do carro.
Entramos na enorme casa branca e a primeira coisa que vi foi a minha tia Sue.
Ela estava sentada no sofá assistindo alguma coisa.
-Mãe? – Perguntou Leah.
-Sim. - Minha tia respondeu se virando. Quando os seus olhos passaram por mim o seu rosto ficou triste e preocupado. – Deus, o que aconteceu?
-Primeiro ajuda e pergunta depois. - Respondeu Leah me levando para o seu quarto.
Quando chegamos ao quarto, Leah me colocou sentada na cadeira.
-Eu vou chamar um médico. - Disse minha tia muito preocupada saindo do quarto.
Leah se sentou ao meu lado e ficou alguns minutos me olhando.
- Você não precisa me dizer nada. - Ela passou a mão em meu rosto. - Eu sei o que eu vi.
-Eu juro que não tive culpa. - Tentei me explicar.
-Claro que você não teve. - Ela me fez levantar e tirou o que ainda tinha sobrado da minha roupa.
-Quero que você saiba de uma coisa. -Ela disse. -Sempre estarei do seu lado, prima.
Depois daí eu não vi mais nada, eu estava mergulhando na escuridão
Capitulo 12: Transformação
Versão Leah
Eu não estava realmente acreditando até agora que minha doce e frágil prima tinha desafiado o grande senhor alfa.
Apesar de Sam ter despedaçado o meu coração em mil pedaços, eu ainda o amava e parecia que realmente nunca deixaria.
A coragem da minha prima era assombrosa. Eu em toda a minha vida nunca tinha visto alguém falar com Sam naquela maneira, nunca tinha visto alguém me defender daquela maneira.
Mas de uma coisa eu tinha completamente certeza. Seria muito difícil o Sam conseguir que a aceitasse fazer parte da alcateia.
Nós, ou melhor, ele, precisava dela. Minha prima tinha uma força que nem ela mesma sabia que tinha.
Ela tinha sido a primeira mulher alfa e isso Sam não poderia mudar. Ele tinha apenas duas escolhas.
Primeira: Dar o seu lugar para Jacob, afinal, ele era neto de um grande alfa. Mas eu conhecia Sam perfeitamente, mesmo ele sendo um doce, ele ainda era muito egoísta e nunca aceitaria dar o seu trono para Jacob.
Segunda: Ele podia dar o seu lugar para a . Bom, seria menos humilhante para ele – claro.
Mas o que eu realmente não entendia nessa história toda era o que seria a missão da minha prima. O que eu sabia era que ela era muito importante e que nós a ajudariamos a fazer algo mais importante ainda, mas eu tinha medo. Medo por ela. Ela não merecia sofrer, afinal, ela sempre tinha sido uma pessoa maravilhosa.
Mas, também, ela já havia sofrido muito nessa vida. Lembro perfeitamente o dia que sua mãe a abandonou. Os seus lindos olhos cor de mel radiavam medo.
E apesar de tudo ela tinha conseguido superar os seus medos e acabou perdoando a sua mãe.
Erick não era como a minha prima, ele não tinha um coração puro. Eu sabia que ele nunca conseguiria perdoar a minha tia completamente.
No fundo, eu seria como ele, eu era como ele. Depois daquele dia eu tinha uma repulsa da minha tia. Ela tinha sido muito cruel com os meus primos. Mas a que mais sofreu foi a minha prima.
Durante anos ela tinha se calado completamente. Ela não falava com ninguém além do sem cérebro do Jacob.
Mesmo eu não gostando muito do Jacob, eu podia ver claramente como ele tinha feito muito bem a minha prima.
E sinceramente ele tinha sido muito burro de a ter deixado escapar. Somente eu via claramente as coisas que giravam ao meu redor.
Eu sempre vi a inveja que Bella tinha com relação à . Bella não era uma santa como as pessoas pensavam, mas, afinal, quem era eu para julgar uma pessoa?
Eu era uma simples garota do interior que só pensava na minha família e nunca deixaria alguém fazer qualquer mal a um só deles.
-Filha, os garotos estão lá em baixo e querem falar com você. -disse minha mãe me tirando dos meus devaneios.
-Já estou indo, mãe. -disse me levantando da cama.
Olhei-me no espelho por alguns minutos. Eu não queria parecer triste na presença de Sam. Não queria demonstrar o sofrimento que estava dentro do meu coração.
Mas, no fundo eu sabia que ele nunca mais seria meu, se é que ele tinha sido realmente.
Ninguém podia desfazer um imprinting, nem mesmo eu.
Abri a porta do meu quarto e me dirigi à grande sala da minha casa.
Estavam todos lá e pareciam que estavam para falar alguma coisa realmente muito importante.
Tentei ao máximo não olhar nos olhos de Sam. A pior coisa que ele podia sentir em relação a mim seria pena e isso e eu não queria de jeito nenhum.
-Bom, então, o que vocês querem falar comigo? -perguntei diretamente para Jacob.
-Temos problemas graves. -começou Jacob. -Tem um vampiro misterioso rondando a cidade e também tem dois homens muito estranhos e que não parecem ser apenas duas pessoas comuns.
-E vocês têm certeza que esses dois homens têm alguma coisa com o vampiro? -perguntei entrando de cabeça no assunto.
-Isso a gente não tem completamente certeza. -disse Jacob com uma cara de desanimado.
Olhando agora ele não parecia estar bem. Os seus olhos estavam meio vermelhos, parecia que tinha andado chorando.
Será mesmo que sua vida estava tão ruim assim?
Bom, isso não me importava nenhum pouco!
-Estamos observando eles atentamente. Qualquer coisa que pareça suspeito nós iremos falar diretamente com eles. -disse Sam pela primeira vez.
-Vocês têm alguma notícia da minha prima? -perguntei.
-Sua tia passou mal e agora está no hospital. -disse Jacob baixinho.
-E a como está? - disse rapidamente preocupada. -Ela deve estar arrasada!
-Na verdade, ela parece estar muito bem. -disse Jacob, agora com os seus olhos cheios de raiva e ódio. – Ela parece estar em boa companhia. -ele trincou o seu maxilar e fechou a sua mão em punho com muita força.
-Eu não acho que ela esteja tão bem assim. -disse pensativa. -Apesar de tudo ela ama a sua mãe.
-Acho que a mãe dela não é mais tão importante. -disse ele para si mesmo. – Ninguém é mais tão importante para ela. -dessa vez eu pude ver a pontada de dor em sua voz. E pode perceber também que ele estava se referindo a si mesmo.
-Bom, seja como for ela deve estar sofrendo muito com tudo isso. -murmurei.
-Na verdade o que a gente veio falar com você é sobre a . -sussurrou Embry.
- O que tem a minha prima? -perguntei olhando para o rosto preocupado de Embry.
-A transformação dela está muito perto. -disse Paul seriamente, o que não era muito típico daquele garoto irritante.
-Mas, não é uma coisa muito grave então. -disse me jogando no sofá ao lado de Quil que estava completamente calado.
-Aí que você está muito enganada. -disse Seth entrando na sala.
-Então, me expliquem! -ordenei.
-Lembra que o velho Quil disse que quando a fosse se transformar ela teria que passar por uma grande prova, como todos nós? -sussurrou Jacob me lembrando da minha prova.
O meu pior pesadelo era perder o amor da minha vida, e no fim eu realmente tinha perdido.
-Temos que ajudá-la a passar por isso! -disse Quil.
-Mas como vocês planejam fazer isso? -perguntei a mim mesma.
-A primeira coisa que a gente tem que fazer é ficar perto dela e ficar de olho para ela não sofrer um grande perigo. -disse Sam. -Todos nós sabemos que temos que pagar para ser da alcateia, mesmo não desejando realmente. – ele ficou serio. -Pode ser qualquer coisa e pode colocar a vida da em perigo.
-Mas, não pedimos para pagar um preço. Não pedimos para ser da matilha. -disse nervosa.
-Você sabe que não é assim. -disse Embry. -Essa é a única regra que a gente precisa cumprir antes de ser um lobo. Está escrito nas lendas. Todos os lobos têm que pagar um preço pela imortalidade, pela força.
-Um preço que pode ser muito alto. -sussurrei olhando para Sam. -Qual seria o maior medo da minha prima? -perguntei para mim mesma.
-Não precisa ser o maior. -corrigiu Sam. -É melhor a gente ir logo. -ele fez um sinal com a mão para que agente o seguisse.
-Eu não posso ir. -disse Jacob tristemente. -Não estou pronto.
-Como desejar. -sussurrou Sam antes de sair pela porta.
Todos saímos com Sam, até mesmo eu, mesmo não querendo realmente. Mesmo doendo o meu coração só de estar perto dele.
Todos têm que pagar um preço para entrar para o bando e esse tinha que ser o meu, tinha que ser o meu fardo para sempre.
Entramos na velha camioneta de Sam e fomos de encontro para a casa de em Forks.
A viajem foi o tempo todo muito silenciosa, todos estávamos muito preocupados com a segurando de . Fisicamente e emocionalmente.
Saímos do carro e fomos de encontro com a porta da pequena estrada da casa.
A casa estava muito silenciosa, mas tinha algo, algo que eu não fazia idéia que estava muito errado.
Ficamos todos silenciosos para capitar qualquer barulho que vinha da casa.
- ! -gritei batendo na pequena porta com força, finalmente tomando uma atitude.
-Será que ela está ai? -perguntou Sam.
-Eu estou sentindo o cheiro dela. -disse Paul.
-Vamos entrar! -disse Embry.
-Vai entrar como? -perguntou Seth.
-Derrubando a porta. -disse Jared.
Eu estava cheia daqueles garotos que pensavam que tudo era na base da força.
Mas eu também estava achando que tinha algo muito estranho e poderia ser algo muito grave, poderia custar à vida da minha doce e meiga prima.
-Tem duas pessoas ai dentro. -disse Sam. -Não está me cheirando nada bem. Agora é uma ordem de alfa, derrubem a porta!
Jared sorriu um pouco com a ordem de Sam. Aquele garoto gostava de destruir tudo a sua frente. Não pude deixar de revirar os meus olhos com a atitude do garoto.
Depois de alguns segundo a pequena porta já estava destruída no chão. Quando isso aconteceu venho um cheiro de sangue muito forte vindo da casa. E o cheiro parecia estar fresco.
Quando os olhos de Sam viram o que eu não pude ver se encheram de raiva, e eu quase pude jurar que tinha visto dor também.
Dei três passos, rapidamente, ficando na mesma direção de Sam e foi ai que meus olhos viram a pior coisa que eu podia ver no mundo, na minha vida.
estava no chão e sua roupa estava completamente rasgada. O seu rosto de anjo estava completamente transformado. Ela estava com o seu rosto muito inchado e saia sangue ferozmente pela sua boca, nariz, ouvido e até mesmo os seus olhos.
Eram como lágrimas vermelhas. Lágrimas misturadas ao seu sangue.
Não havia mais nenhum traço de seus olhos cor de mel, os seus olhos estavam transformados pela dor.
Aquilo me atingiu como um golpe no estômago. era a minha prima, mas parecia que era a minha irmã mais nova e eu não suportava que algo a ferisse.
O seu braço esquerdo estava totalmente roxo e também tinha umas feridas profundas. Eu não sabia de onde aquele força veio, mas eu sabia que ela estava comigo.
Foi rapidamente até a minha prima e me abaixei ao seu lado pegando a sua mão. Olhei por alguns segundos para a sua mão e tinha umas marcas roxas também. Tinha um sinal de mão em seu pulso fino. Era como se alguém tivesse o apertado fortemente.
Segurei sua mão a ajudando a se levantar do chão. Então, quando os meus olhos passaram novamente para a sala eu vi o Ted com o sinal da mão de em seu rosto.
Então as coisas começaram a fazerem completamente sentido e foi ai que eu descobri qual era o preço da minha prima.
Mas o preço dela tinha sido alto demais, um preço que poucos seriam capazes de agüentar. Mas não importava o que tinha acontecido eu sempre estaria ao seu lado e nunca mais deixaria nenhum desgraçado a ferir, nunca.
- . - sussurrei sem força. -O que fizeram com você?
Então com um movimento rápido eu tirei a minha jaqueta preta e a coloquei em minha prima, para a defendê-la da vergonha. Mas eu sabia que naquela hora aquilo não era a coisa mais importante.
-Acabem com ele! -ordenou Sam, e no fundo eu sabia que ele também estava muito chocado pelo que acabara de ver.
-Eu vou te tirar daqui. -disse passando o seu braço bom pelo meu pescoço para colocar o seu peso sobre o meu corpo.
Comecei a tirá-la daquela confusão, daquele lugar horrível.
-Onde está me levando? -sussurrou baixinho.
A sua voz estava completamente sem vida e aquilo me trouxe uma dor muito forte. Parecia que o meu mundo tinha acabado completamente e a única coisa que me dava forças era que a minha prima precisava de mim.
-Para um lugar seguro. -disse tirando o seu cabelo dos olhos que agora estavam grudando com o sangue que ainda saia dos seus olhos.
A coloquei no carro com todo o cuidado possível e eu pude perceber que algumas vezes ela gemia de dor baixinho, parecendo que não queria me preocupar mais ainda.
Sentei-me no banco do motorista e liguei o carro.
Às vezes eu olhava para a minha prima e colocava a minha mão em seu rosto para ter completamente certeza que ela ainda estava respirando, ainda estava com vida.
A viajem pareceu durar horas e eu pude ver que estava ainda com muita dor e isso me fazia acelerar ainda mais.
Depois de alguns minutos a minha prima fechou os olhos parecendo estar muito casada e eu tive que tocá-la para ter completamente certeza que ela estava bem, novamente.
Observei a minha casa ao longe e depois de alguns minutos eu já estava estacionando o carro. Sai do carro e fui para o outro lado. Abri a porta do carona e coloquei a minha mão no rosto de . Ela abriu os olhos instantaneamente e isso me deu mais força.
-Vamos, agora vai ficar tudo bem. -Passei meu braço em sua cintura e a levei lentamente para a entrada da enorme casa branca.
Quando eu entrei a primeira coisa que eu vi foi a minha mãe assistindo um filme antigo na Tv.
-Mãe? -a chamei.
-Sim? -perguntou minha mãe se virando para ver de onde a voz vinha.
Quando os seus olhos cor chocolate passaram pela minha prima o rosto da minha doce mãe mudou completamente.
Estava claro que estava também estava muito preocupada com a e isso nós duas tínhamos de sobra.
– Deus, o que aconteceu? -disse minha mãe se levantando.
-Primeiro ajuda e pergunta depois. – foi a única coisa que consegui pensar em dizer.
Minha mãe passou o braço pela cintura de como eu já estava fazendo e me ajuntando a levá-la até as escadas.
A pior parte foi conseguir subir as escadas, o que durou alguns minutos a mais.
-Eu vou chamar um médico. – disse minha mãe quando finalmente chagamos no meu quarto.
Depois ela me olhou por alguns segundos e saiu do quarto fechando a porta.
Coloquei com muito cuidado na cadeira que havia em meu enorme quarto azul-safira.
Depois de arrumar muita coragem para olhar novamente naqueles olhos cheios de dor me sentei na outra cadeira ao lado de minha prima.
Fiquei a observando por alguns minutos enquanto ela abria e chegava à boca parecendo que queria me explicar alguma coisa.
- Você não precisa me dizer nada. - passei minha mão em seu rosto, tentando mandar todo o amor que eu sentia dentro de mim para ela. Tentando tirar a tristeza de seu coração. - Eu sei o que eu vi.
-Eu juro que não tive culpa. – ela tentou explicar mas começou a chorar e isso cortou o meu coração, novamente.
-Claro que você não teve. – a fiz levantar para eu tirar o resto que tinha sobrado de sua roupa. -Quero que você saiba de uma coisa. -comecei. -Sempre estarei do seu lado, prima.
Minha doce prima fechou os olhos e parecia que estava em um mundo muito distante.
A levei até o meu banheiro e liguei o chuveiro.
Minha prima parecia estar longe e não percebeu que eu dei banho nela. Depois que ela estava totalmente limpa, sem sangue.
Coloquei uma roupa minha nela e a coloquei deitada na minha cama.
-Edward... -sussurrou minha prima. – Edward... -a sua voz estava cada vez mais exigente.
Eu sabia exatamente o que estava acontecendo. Meu velho e doce avô me disse tudo sobre o imprinting que teve como o vampiro que se chamava Edward.
Coloquei a minha mão na testa da minha prima e por incrível que pareça estava mais quente que eu.
Ela precisava de Edward para curar o seu coração, o seu corpo.
Não importava o que me custasse, eu daria um jeito de trazer Edward até a minha prima. Eu sabia que se o Sam descobrisse ficaria muito bravo comigo, mas eu sabia muito bem qual seria o meu argumento.
-Filha, o médico acabou de chegar. -avisou a minha mãe sussurrando para não acordar a .
-Mãe, eu vou dar uma saídinha mas não vou demorar muito. -olhei para . -Cuida bem dela enquanto eu estiver fora.
Desci as escadas correndo e foi diretamente para a porta. A rua estava totalmente escura, mesmo assim eu podia ver perfeitamente bem com os meus olhos de loba.
Andei na direção da casa de Emily, eu sabia que Sam estaria lá. A cada passo que eu me aproximava o meu coração começava a doer mais. Mas aquela dor não me impediria de fazer o que eu tinha que fazer.
Respirei fundo e bati na porta de madeira. Depois de alguns minutos Emily atendeu a porta com um sorriso enorme e quando ela me viu o seu sorriso desapareceu.
-Leah. -disse ela tristemente como se estivesse vendo o próprio diabo.
-O Sam está? -perguntei tentando ser gentil.
-Estou aqui. -respondeu Sam parecendo atrás da Emily. Ele passou os seus braços em volta da cintura de Emily, como se eu fosse machucá-la.
Ele era realmente um idiota de pensar isso de mim. Em todos esses anos que estivemos juntos ele não me conhecia de verdade.
Eu seria incapaz de fazer qualquer coisa de mal a minha prima, eu nunca faria isso.
Senti-me o próprio lobo mal tentando matar a Chapeuzinho Vermelho.
Balancei a cabeça para afastar os pensamentos que me feriam e tentei pensar no que realmente importava.
-Posso falar com você? -perguntei tentando esconder a vergonha que estava dentro de mim. - Sozinho?
-Bom, eu vou terminar de fazer os meus bolinhos. -disse Emily me deixando sozinha com Sam.
-Sobre que você ver falar? -disse Sam rispidamente.
-É sobre a . -comecei tentando escolher as palavras certas.
-Ela está bem? -perguntou ele preocupado.
-Não muito. -respirei fundo. -Na verdade eu estou aqui para te pedir um coisa.
-Não começa, Leah. -disse ele se virando para me deixar sozinha.
-Não é sobre nós. -disse entrando em sua frente e o impedindo de me deixar falando sozinha. -Como eu te disse é sobre a .
-Então, o que você quer me pedir?
-Sei que você vai me entender, claro, depois de eu te pedir muito. -comecei. -A não está nada bem e eu sei de um jeito de fazê-la melhorar um pouco.
-Então, fala então. -disse ele curioso.
-Não briga comigo, tá? - sussurrei tomando coragem. - Só tem um jeito de ela ficar um pouco melhor, e eu sei qual jeito é esse. -tentei enrolar mais um pouco. -Esse jeito é ela se encontrar com o seu imprinting.
-Isso não vai ser possível. -disse ele imediatamente.
-Por favor, tente pensar mais um pouco. -suspirei. -Se fosse você e a Emily...
-Não a coloque nisso! -ele ordenou.
-Se ela estivesse muito machucada e você não pudesse vê-la e se esse fosse o único modo dela realmente melhorar, pelo menos um pouquinho. -coloquei as cartas na mesa. -Você a deixaria morrer?
-Claro que não. -ele fechou os olhos. -Mas entenda isso é uma coisa impossível.
-Não, não é. - disse sorrindo. -Você é o grande alfa e pode deixar o Edward vir ver a por alguns minutos.
-Isso vai depender do que os outros garotos falarem. -ele murmurou.
-Você é o alfa ou não é? -mexi com o seu orgulho. -Se você não deixar o Edward vir aqui eu mesma vou até lá e levo a comigo.
-Mas você terá que largar a matilha antes. -ele jogou na minha cara.
-Não importa. Eu sei o que devo fazer e não vou desistir. -o desafiei. -Está mais que pensado, ou eu vou ou ele vem.
-Por favor, não faça isso. -ele implorou. -Não faça isso. Por mim!
Desta vez ele tinha jogado muito sujo comigo.
-Então, me faça um pequeno favor. -comecei. -Eu esquecerei tudo o que você fez comigo se você fizer esse pequeno fazer por mim. -joguei mais sujo ainda, eu estava jogando na mesma moeda, na mesma chantagem barata.
-Tudo bem. -ele disse por fim.
Eu não tinha mais nada o que fazer ali, eu apenas sai correndo e peguei o meu carro preto.
Eu não sabia exatamente onde ficava a casa dos Cullen, mas podia sentir o cheiro deles e isso me ajudou bastante.
Depois de alguns minutos eu já estava em frente a grande casa branca tentando arrumar coragem para bater na porta.
Abri a porta do carro e foi até a porta de entrada da casa.
-O que estava fazendo aqui? -perguntou um homem que parecia ser mais um armário.
-Eu posso falar com o Edward? -perguntei tentando ser educada.
-O que você está fazendo aqui? -perguntou ele num tom mais alto. -Você está quebrando o trato e isso não vai ser muito legal, para você.
-Pare, Emmett! -ordenou um garoto de cabelos cor de bronze vindo ao meu encontro. -Ela não está aqui para brigar.
-Você é o Edward? -chutei.
-Sou. -ele respondeu sorrindo.
-Eu estou precisando muito fala com você. -olhei com um pouco de medo para o homem armário. -É sobre a .
-Vamos conversar lá fora. -ele fez final para que eu o seguisse.
-Eu vou falar rápido, porque não temos muito tempo. -ele ficou serio. -Eu consegui a autorização do Sam para você poder entrar na reserva. -ele parecia estar confuso. Então deixei a minha mente repassar a ele toda a história.
Menos algumas partes. Eu já conseguia controlar os meus pensamentos. Afinal, eu convivia com um bando de garotos idiotas que podiam ler a minha mente. Depois de um tempo você acaba acostumando.
-Então você vai me ajudar a vê-la? -perguntou ele desconfiado.
-Claro, se isso for ajudar a minha prima!
(...)
Abri a porta do meu quarto deixando Edward entrar primeiro.
Os seus olhos dourados foram diretamente para a cama e eu pude ver a tristeza quando viu os ferimentos de .
-Nunca um lobo foi tão bom comigo. -disse ele sorrindo para mim. -Nunca nenhum gostou de mim.
-Eu não gosto de você realmente. -confessei. -Mas se você faz a minha prima feliz, por mim está tudo bem.
-Mesmo assim muito obrigada. -ele continuou sorrindo.
-Só não demore muito. -sussurrei. -Sam já vai me matar.
-Você é uma boa pessoa Leah, você não é como os lobos pensam. -disse.
-Que bom saber que alguém pensa isso de mim. -disse tentando rir. -Acho que sou boa para as pessoas que fazem as pessoas que eu amo feliz.
Sai do quando e fechei a porta.
Fim versão Leah
Capitulo 13: Finalmente aliados: Parte 1
Versão
A memória me esmagou, me afogando em desespero e escuridão e a realidade do meu próprio mundo se despedaçou, e tudo ficou preto.
Eu estava em uma floresta e estava completamente escuro. Os pingos da chuva que caiam sobre a linda floresta, estavam me molhando completamente. Minhas roupas estavam completamente molhadas, e o meu cabelo longo estava grudando em meu rosto. Aquele sentimento de perda não me abandonava nem por um segundo. E a pior coisa era não saber o porquê de estar sentindo aquilo.
Tentei vasculhar a minha mente à procura de resposta, mas minha memória parecia um buraco negro. Eu não me lembrava de absolutamente nada.
Olhei ao redor, e pude ver uma linda criança a minha frente. Ela parecia ter aproximadamente uns cinco anos. Seus cabelos eram escuros, uma cor que não era realmente preto e nem castanho.
Os seus olhinhos eram verdes esmeraldas doces e grandes. Sua pele era apenas alguns tons mais claros que a minha.
Ela sorriu para mim docemente, deixando à mostra os seus dentinhos brancos, em contraste com a pele morena.
As suas covinhas me lembravam alguém, mas eu realmente não me lembrava quem. Balancei a minha cabeça, eu não queria realmente pensar.
A pequena se aproximou de mim docemente, e colocou sua mão na minha. Sua pele era quente, alguns graus mais quente que a minha.
Abaixei-me em sua frente, e os meus olhos ficaram na mesma altura dos dela. Agora vendo ela melhor, ela tinha traços fortes da tribo.
Ela sorriu alegremente, o seu doce sorriso era como um sol iluminando a minha vida. De repente eu escutei ao longe uma criancinha chorar. Era como se estivesse chamando pela mãe.
Os olhinhos verdes esmeraldas da pequena ficaram tristes e o seu doce sorriso desapareceu.
-Ele não pode nos deixar... - choramingou ela. As lágrimas começaram a rolar pelo rostinho angelical.
Eu não sabia de quem ela estava se referindo, mas aquelas palavras me machucaram profundamente. Era como se a minha alma estivesse se despedaçando em mil fragmentos.
Tentei me concentrar apenas na criança na minha frente.
-Quem não pode nos deixar? - perguntei enxugando as suas lágrimas.
Os seus olhinhos fitaram os meus por alguns instantes, parecia que ela estava pensando se deveria fala ou não.
-Papai. – respondeu ela somente.
Agora eu tinha ficado completamente perdida. Eu entendi as palavras dela.
A pequena menininha se virou e saiu correndo, entrando na floresta adentro. A minha reação automática foi ir atrás dela.
A floresta era mais bela vendo-se por dentro. As árvores eram grandes e belas. Tinham grandes galhos e o seu verde era o mais belo que eu já tinha visto.
A menina corria muito rapidamente, e eu não pode acompanhá-la de perto.
De repente eu senti uma mão gelada me tirando da floresta. Ela estava me puxando para a realidade.
Eu já não estava mais na bela floresta. Agora eu estava em uma cama macia e quente. Eu não queria realmente abrir os olhos, no fundo, eu sabia que se abrisse os olhos a realidade me atingiria rapidamente.
Continuei a sentir os dedos gelados acariciando o meu rosto, não precisava pensar muito para saber quem era.
A memória me voltou rapidamente, e aquele sentimento voltou rapidamente. Era um sentimento de perda, de nojo.
As cenas se passaram diante das minhas pálpebras fechadas com força. Eu não podia encarar a realidade agora, talvez nunca pudesse.
Eu não queria encarar o anjo agora. A vergonha era muito mais forte agora. Sei que não tive culpa por nada que aconteceu, mas...
Senti uma quentura subindo pelo meu corpo rapidamente. Meu corpo começou a vibrar, me fazendo ofegar.
Era como se eu fosse explodir a qualquer momento. Era como se estivesse um animal dentro de mim louco para sair.
Abri os meus olhos, e a primeira coisa que eu pude ver era aqueles olhos dourados, me fitando com intensidade.
Algum dia eu teria que enfrentar a realidade.
-Eu sempre vou estar com você. – sussurrou Edward colocando os seus lábios na minha testa.
Era como se um choque da maior voltagem tivesse me atingido.
As lágrimas começaram a sair pelos meus olhos sem freios. Eu sempre amaria Edward, mas, aquele sentimento não me deixava.
Eu não era mais a pessoa certa para ele, eu não era mais pura, como ele merecia.
Eu agora era suja, eu não poderia fingir que eu ainda era a velha .
De repente lembrei-me de onde estava realmente. Eu estava na casa da minha tia, em La Push.
Edward não poderia estar ali, era muito perigoso. Se a alcatéia soubesse que um Cullen estivesse lá seria guerra declarada.
-Edward, você não pode estar aqui. -disse me levantando na cama rapidamente. Eu tinha me levantado rápido demais e a tontura me atingiu.
Senti as mãos de mármore de Edward me ando apoio, me impedindo de cair.
-Você não precisa se preocupar, já está tudo em absoluta ordem. -disse ele me tranqüilizando.
-Você não pode estar aqui. -disse sobressaltada. -Se o Sam souber que você está aqui. -meu coração doeu. -Ele vai te matar!
-Não se preocupe meu amor. -disse ele me levando para a cama, e me fazendo me sentar. -Sam me deixou vim ver você.
-Ele não faria isso. -disse pensativa.
-Bem, se tivesse uma ajudinha extra, ele faria sim. -disse Edward rindo da piada que eu ainda não sabia.
-Ajudinha?
-Leah me ajudou a vir ver você. -disse ele passando o dedo em meu rosto com carinho. -Na verdade, essa reação dela me surpreendeu.
-Eu conheço a minha prima, e ela não faria isso. Ela simplesmente odeia vampiros. -expliquei.
-Talvez ela não odiasse tanto assim. -disse ele.
-Talvez... -sussurrei.
-, agora você pode me explicar o que aconteceu com você? -perguntou ele mais sério.
-Er... você não sabe? - perguntei assustada.
-Sua prima fez questão de manter isso em sigilo. -disse ele olhando para a porta. -Ela está tentando ao máximo não pensar.
-Ah... - aquilo era bem típico da minha prima. Ela nunca contaria uma coisa que não soubesse que poderia contar. E ela me conhecia bem demais, ela sabia que eu não queria que Edward soubesse.
-Soubesse do quê? -perguntou ele lendo a minha mente.
Eu não queria falar, não agora. Eu ainda estava muito chocada para falar.
E a última pessoa do mundo que eu iria falar era Edward. No fundo, eu tinha um medo, medo que ele não me quisesse mais.
-Isso nunca vai acontecer. -disse.
Quando eu menos esperava, Edward passou os seus braços em minha volta e me levou mais para perto dele.
Aquele cheiro delicioso que emanava dele me fazia ficar mais tranqüila. Não importava o que acontecesse comigo, se eu estivesse ele ao meu lado, tudo ficaria mais fácil.
Eu não poderia mais suportar, não podia mais viver, sem ele ao meu lado.
Ele era o anjo que acalmava a minha vida. Ele era o anjo que tirava a minha vida da escuridão.
Ele era a calma que me fazia sentir em casa. Sentir-me no paraíso, me sentir na luz.
-Você pode me contar qualquer coisa. -disse ele. A sua respiração lenta estava fazendo os meus pelos da nuca se arrepiar. -Nunca duvide disso.
-Eu sei, eu sei. -disse me afastando para fitar os seus lindos olhos. -Eu só não estou pronta, não ainda.
-Não se preocupe com nada, eu sempre vou estar aqui com você, meu anjo. -disse ele. Depois ele me apertou mais contra o seu corpo de mármore, era como se eu realmente estivesse no céu. -Não posso ficar muito tempo, o Sam ficara muito bravo com a sua prima, ela já está fazendo muito.
Olhei no fundo dos olhos de Edward e quase pude ver a sua alma. Agora ele não estava mais sereno, agora, ele estava com o rosto sério.
-O que foi?
-Problemas. -sussurrou. -Mas, não é nada muito grave, eu só tenho que fazer algumas coisas.
Coloquei minhas mãos em seu rosto, e fitei os seus olhos com intensidade.
-Eu te amo. -sussurrou ele fechando os olhos. Como se quisesse que aquele momento nunca passasse.
-Eu também. -sussurrei fechando os olhos também.
Senti os lábios de Edward encostarem-se nos meus lentamente. Os nossos lábios se moveram lentamente, em um beijo calmo, suave.
Era como uma dança sem pausa. A língua dele dançando com a minha em sincronia.
Suas mãos foram para o meu rosto, o acariciando. As minhas, em resposta, foram para os seus cabelos macios.
Edward me puxou mais para ele, o que não era muito fácil, mas a cada segundo ele ficava mais urgente.
As nossas respirações já estavam ofegantes, e naquele momento, a tristeza me invadiu completamente.
As cenas se passaram rapidamente pela minha cabeça, me fazendo sair dos braços de Edward rapidamente.
Eu não podia ficar com ele, eu não o merecia, não mais.
-O que...? -sussurrou ele ainda confuso.
Deixei a minha mente vagar pelos acontecimentos. Um dia ele teria que saber, era inevitável.
-Eu vou entender se você não me quiser mais. -disse olhando para a parede, envergonhada.
Talvez, era para ser assim. Mesmo que eu amasse Edward eternamente, nós nunca poderíamos ficar juntos.
Talvez, fosse para ser assim, mesmo doendo pensar assim, eu tinha que aceitar a realidade da minha vida.
-Não importa. -disse ele depois de alguns minutos.
-O quê? -perguntei incrédula me virando para fita-lo. – Você não se importa se eu não sou mais pura? -abaixei meus olhos. -Se eu não te mereço mais?
-Não importa. -disse ele se aproximando de mim. – Nada me fará deixá-la, nunca. Será que você não pode entender isso? -ele me abraçou. -Eu te amo mais que tudo no mundo, eu nunca mais poderei viver sem você.
-Jura que nunca vai me abandonar? -sussurrei chorando.
-Nunca. -ele me abraçou mais forte. -Você agora é a minha vida. Eu não tenho mais forças para ficar longe de ti.
Escutamos uma batida na porta, me fazendo ir para mais longe de Edward. Depois de alguns minutos Leah apareceu.
-Desculpe, mas o tempo acabou. -disse ela olhando diretamente para Edward. -Sam está louco, ele não vê a hora de você ir embora. -disse ela mais baixo.
-Tudo bem Leah, não se preocupe. -disse Edward. -Você já se arriscou demais.
Edward deu um beijo na minha testa e se foi, me deixando na escuridão novamente.
Eu fiquei na escuridão da minha alma por horas, talvez dias. Eu simplesmente não vi o tempo passar. Às vezes aquela cena se passava pela vinha cabeça me fazendo vomitar.
Eu não queria sentir aquilo, mas era uma coisa maior que eu. Agora eu estava com nojo de mim, do meu corpo. Nojo de simplesmente tudo.
Eu me sentia suja, era como se eu estivesse cheia de terra ou algo pior.
Leah e minha tia sempre estavam comigo, às vezes ficavam em silêncio e outras elas bem que tentavam conversar.
Mas eu não conseguia falar, não consegui me mexer, nem mesmo pensar.
Todas as vezes que eu tentava falar, me mexer ou falar, aquela cena se passava novamente, me fazendo odiar o dia em que nasci. Fazendo odiar-me acima de tudo.
Sei que eu não tive culpa de nada do que aconteceu, mas nem por isso aquele sentimento me abandonava.
Eu me sentia um imã de problemas e desgraças. Sempre tinha algo que me fazia mal, me fazia sofrer. Não havia época que eu era realmente, plenamente feliz.
Eu tinha que descobrir uma maneira de esquecer tudo, esquecer coisas que eu não queria, não podia lembrar.
-Você está com fome? -perguntou minha doce tia, entrando no quarto com uma bandeja de alimentos que deveria ser para mim.
Ela se inclinou e colocou sua mão em meu rosto. Eu me sentia bem quando ela ou Leah estavam comigo, mas não era o suficiente.
-Sabe, eu fiz esses bolinhos especialmente para você. -ela apontou para o bolinho na enorme bandeja de madeira. -Se você não comer não vai sobrar. -ela fez uma careta horrível, e pela primeira vez eu sorri. -Como é bom ver esse seu sorriso, novamente. -ela me abraçou. Um abraço materno que fazia eu me sentir em casa. Mas, agora eu não tinha casa realmente. A casa que vivi a minha vida inteira tinha sido o cenário do meu pior e real pesadelo.
-Querida, os lobos estão lá em baixo e querem conversar com você. -minha tia disse depois de alguns minutos.
-Sobre o que eles querem conversar? -falei pela primeira vez. Era realmente estranho ouvir a minha voz, era como se fosse à voz de outra pessoa. Uma voz fraca que nem ao menos podia se entender.
-Sinceramente, eu não sei. -disse ela me fazendo rir, novamente. -Mas, acho que não é nada de ruim, eles estão com uma cara boa. -ela disse passando a mão em meu cabelo. -Mas se eles te encherem pode me falar que eu dou umas boas palmadas naqueles meninos levados.
-Pode deixar. -sussurrei sem força.
Levantei-me da cama e andei lentamente para o andar de baixo.
Quando os garotos me viram, a conversa que estava boa se silenciou. O único que sorriu realmente foi o Sam, o que me surpreendeu.
-Como você está? -perguntou Sam se aproximando de mim.
Eu realmente tinha sido muito rude com ele e tinha o julgado. Mas, afinal, ele tinha me visto queimar e não fez absolutamente nada. Mas ele também tinha me salvado das garras daquele desgraçado. E isso eu seria grata para sempre.
-Estou melhorando. -respondi também sorrindo.
-Você parece bem melhor do que ontem! -disse Quil.
Paul bateu na cabeça do pobre Quil com força porque fez um barulho muito alto. Eu tinha certeza que ele não queria ter dito uma coisa daquela.
-Ele tem razão. -disse somente. Todos os olhares daquela sala se viraram para mim. -Estou bem melhor que ontem.
-Eu estava querendo falar com você sobre outro assunto. -Sam disse tentando mudar de assunto, o que novamente fiquei muito agradecida. -Eu estava querendo falar sobre o imprinting que você teve com o Edward Cullen.
-Sam, se você vai falar para eu tentar esquecer ele não perca o seu tempo. – disse, me sentando no sofá ao lado se Seth.
-Não, claro que não. -disse ele me surpreendendo. – Olha, eu sei de toda a história e também sei que a alcatéia foi muito ruim com você e o Edward.
-Espera. Não estou entendendo. -disse confusa.
Sam se aproximou de mim e se abaixou em minha frente colocando sua mão em meu ombro.
-Eu sei sobre a história da sua vida passada. -ele começou. -Também sei que especialmente, sou eu que sou culpado de tudo que aconteceu com Yonah naquele dia. -continuou. -Eu vi você morrer e não fiz nada, simplesmente te vi se transformar em nada. -confessou. -Eu me culpo por ter feito tudo o que fiz com você e sei que você não vai me perdoar tão facilmente, mas eu vou tentar conseguir o seu perdão sincero. -ele olhou para os garotos a nossa volta. -Não precisa mais ser como antes. Você não precisa morrer pelo motivo de amar verdadeiramente alguém. Nós, os seus irmãos, sempre estaremos com você e mesmo que o seu amor seja um vampiro. -ele olhou novamente para mim. – Eu particularmente sei o que é um imprinting e me imagino no seu lugar. Pagando por uma coisa que você nem mesmo cometeu. -ele passou a mão em meu cabelo. -Nós sabemos que Yonah dava a vida pela tribo, pela matilha. Mas, éramos egoístas demais para perder uma alfa maravilhosa.
-Então vocês a mataram. -sussurrei sem pensar.
-Sim, nós a matamos. -ele me olhou nos olhos. -Mas somente uma pessoa era verdadeiramente culpada pela morte da jovem alfa e esse culpado sou eu. Mas, eu posso lhe dar a minha palavra, pelo amor da minha vida, nunca mais isso acontecera com você.
-Então, você está dizendo que não vai se importar se eu ficar com o Edward? -perguntei olhando para Emily que estava no canto da sala.
-Não, a gente não se importa. -ele olhou para os outros garotos. – Claro que a gente não vai ficar melhores amigos dos vampiros, mas, também, não seremos os seus inimigos.
-Obrigada. -disse olhando para ele. -Obrigada a todos, de verdade.
-Você não está com saudades do Edward? -ele perguntou rindo. – Sabe, eu não posso ficar nem mesmo vinte minutos sem a Emily. -ele riu envergonhado. -Você pode até escolher um motorista particular. -ele apontou para os garotos.
-Obrigada, mas acho que ainda vou ficar por aqui. -disse olhando para os garotos que não pareciam ter gostado da conversa de eu ter um motorista.
-Você quem sabe. -disse Sam desaparecendo na sala e indo para cozinha.
Eu estava realmente precisando ver o meu anjo, mas não podia ser agora. O pensamento me causou um pouco mais de dor
-Posso falar com você? -perguntou Jacob se sentando ao meu lado.
-Claro. -respondi. Foi como reação automática, simplesmente não havia mais ninguém na sala. Era apenas Jacob e eu.
-Como você está se sentindo? -perguntou preocupado.
-Sinceramente? -ele balançou a cabeça em resposta. -Estou me sentindo um lixo. Tenho nojo de mim mesma.
-Você não tem culpa pelo que aconteceu. -disse rapidamente. Parecendo ter ficado magoado com as minhas palavras. -Não se sinta assim. -ele me abraçou. E eu tratei de sair de seus braços rapidamente. -O que foi?
-Estou suja, Jake. -sussurrei olhando para as minhas mãos. -Eu sou suja.
-Não, você não é. - ele pegou a minha mão. -Por favor, não pense assim.
-Acho que eu vou até a casa dos Cullen - disse me levantando.
-Quer que eu vá com você? -perguntou se levantando também.
-Obrigada, Jake. -tentei sorrir. -Mas, não precisa.
Sai da enorme casa branca e foi para a direção do meu carro que os garotos tinham dado um jeito de buscar.
Uma coisa eu queria ter visto. Queria ter visto os meninos acabarem com o desgraçado do Ted. Pena que eles não o mataram mais, uma boa surra já deu para ele sentir um pouco do que ele vai sentir mais a frente.
A minha transformação já estava quase completa. Parecia que quanto mais eu ficava perto dos lobos a transformação agia mais rapidamente.
A única coisa que ainda me prendia de não matar aquele desgraçado era a minha mãe que ainda estava no hospital.
Decidi não falar para ninguém, tirando os lobos e minha tia e meu tio. Eu não queria que minha mãe morresse e esse era o único modo de deixá-la completamente segura.
Entrei no meu, ou melhor, no carro da minha mãe e foi em direção à casa dos Cullen.
Eu me lembrava a onde ficava a casa, isso era uma coisa boa, eu não queria ficar perdida por ai.
Diferente do que eu pensava, a viagem passou rapidamente e logo eu já estava parando o carro na frente da casa de Edward.
Fiquei alguns minutos pensando se deveria realmente entrar. Mas por um impulso totalmente insano eu já tinha saído do carro e bati na porta.
-Sim? - a porta se abriu e uma mulher totalmente desconhecida apareceu. Ela tinha os cabelos cor de chocolate e seu rosto tinha forma de coração.
-Bom er ... -eu comecei a engasgar e atropelar as palavras. Eu fechei meus olhos me concentrando bem no que eu iria dizer. -Eu , será que eu posso falar com o Edward? -falei rapidamente, mas, ainda sem jeito.
-Finalmente, conheci a famosa Clearwater! -disse ela rindo alegremente. – Venha querida. -ela pegou a minha mão.
-Acho que você já conheceu a Esme. -disse Edward descendo a escada sorridente. - Você está melhor? -perguntou ele preocupado, olhando as marcas roxas no meu corpo.
-Nada, eu já estou melhor. -menti descaradamente, tentando não pensar no dia anterior. Todo o medo que eu tinha sentido a noite inteira voltou desesperadamente.
-Como não é nada? -ele olhou para o meu rosto cheio de marcas. -Olhe para você. Está cheia de marcas roxas. -ele colocou a sua mão em meu braço e a minha reação automática fui tirar o meu braço da sua direção. Eu estava imaginando como seria novamente sentir aquela dor aguda.
-Estou bem, de verdade. -sussurrei indo abraçá-lo.
Como era bom ter o meu anjo novamente perto de mim. Perto dele toda a escuridão da minha alma evaporava.
-Promete que nunca vai de deixar? -perguntei ainda em seus braços. As lágrimas começaram a escorrer pelo meu rosto.
Edward segurou o meu rosto entre suas mãos e me beijou.
Capitulo 14: Finalmente aliados: Parte 2
Versão Edward
Eu tinha tentado não demonstrar a raiva e o ódio perto da minha . Mas, agora, eu não podia me controlar.
Todas as minhas células gritavam por vingança. No fundo, tinha sido tudo culpa minha. Se eu não a tivesse deixado, não teria acontecido uma coisa dessas com a minha . Mesmo tentando pensar racionalmente, eu ainda tinha a louca vontade de ir até onde o desgraçado se encontrava e matá-lo.
Os lobos deviam o ter matado quando puderam.
O monstro que estava escondido dentro de mim, na parte mais obscura, estava louco para sair. Louco pelo desejo de vingança.
Eu me perguntava se ficaria magoada comigo se eu o matasse. Mas, eu sabia perfeitamente que ela ficaria até feliz, só que o problema era a sua mãe.
amava sua mãe demais para partir o coração dela. E todos sabiam que sua mãe amava Ted mais que tudo, até mais que seus próprios filhos.
Acelerei o mais que o meu carro podia agüentar. Foi diretamente para a casa da .
Seria muita sorte minha se o desgraçado estivesse em casa. Bom, seria sorte apenas minha.
O desejo estava muito mais forte agora, a minha garganta começou a arder e isso me fez rir, talvez se eu perdesse o controle com o Ted, não seria nada mal.
Então o rosto de Carlisle veio em minha mente. Eu não podia fazer isso com ele. Ele tinha lutado tanto por mim.
Eu não poderia fazer uma coisa com o homem que me salvou, apesar de me tornar um monstro.
Quando finalmente eu já me encontrava na frente da casa de , as luzes da casa estavam completamente apagadas, mas eu ainda podia sentir o cheiro que emanava da casa.
Eu podia ler a mente do desgraçado. Ele estava pensando que deveria ter feito aquilo com a
há muito tempo.
Pude perceber que ele já fazia isso com crianças há muito tempo. E essa era a primeira vez que ele tinha feito com uma criança mais madura, era assim que ele se referia a minha .
Segurei o volante com mais força, tentando expressar a minha raiva. As imagens se passaram pela cabeça ele, e foi aí que eu perdi o controle completamente.
Sai rapidamente do carro, com a minha velocidade sobre-humana e foi diretamente para a casa.
As portas estavam completamente trancadas, pude ver que o Ted estava em pânico quando ouviu a minha mão na maçaneta, fazendo um barulho estrondoso.
Girei a maçaneta com mais força, a fazendo ceder. Entrei na casa escura, contando cada passo, cada batida de coração da pessoa presente na casa. O coração estava mais rápido a cada segundo.
Olhei para a escada na minha frente, pensando em não deixar aquele desgraçado sair com apenas alguns ferimentos.
Subi as escadas, contando cada passo meu. Quando finalmente eu cheguei ao corredor, olhei para o quarto onde estava Ted. Ele estava escondido em um canto escuro, como se isso fosse realmente me impedir.
Andei até a pequena porta de madeira branca, e me concentrei em apenas causar dor no desgraçado, e não beber do seu sangue.
Abri a porta e eu pude ver os olhos de Ted brilharem na escuridão. Andei lentamente na sua direção. Afinal, eu tinha muito tempo.
Quando os seus olhos finalmente me encontraram ele tentou correr. Mas aquela velocidade não era exatamente muito rápida para minha espécie.
Agarrei o seu frágil pescoço e o segurei com o mínimo de forças que eu tinha.
Deixei o monstro dentro de mim, o monstro que estava escondido há muito tempo, sair completamente.
(...)
Depois que terminei com o desgraçado, o deixando quase sem vida. Fui resolver um outro problema que me rodeava.
Andei lentamente pelas pequenas ruas de Forks. Quando finalmente cheguei ao pequeno, e único, hotel da cidade. Olhei ao redor, e fui diretamente para a recepção.
- Por favor... -olhei para a mulher que estava no grande balcão. - Onde eu posso encontrar os Smith?
-Eles não estão no momento. – disse ela. Os seus pensamentos eram em volta dos jovens homens misteriosos.
-Você sabe se eles iram demorar? -perguntei prestando muita atenção nos seus pensamentos.
-Nunca se sabe. - disse ela. -Eles sempre demoram, mas hoje pode ser diferente.
-Em todo o caso, eu vou esperar. -disse indo para o sofá de espera. Sentei-me e fiquei prestando muita atenção nos pensamentos da jovem mulher. Qualquer informação poderia ser muito importante.
Depois que os pensamentos da mulher esqueceram completamente os homens misteriosos, eu fiquei pensando na minha doce .
Eu ainda não podia contar a ela que eu me lembrava da minha vida passada. Agora que a também já se lembrava, isso não era tão importante. A verdade era que eu sempre me lembrei de tudo. Na minha curta vida humana, eu sempre procurei à linda jovem que me visitava em sonhos todos os dias.
Eu sonhava com a desde criancinha, e quando finalmente me tornei vampiro, os sonhos se tornaram memórias, então tudo começou a se encaixar.
Ela era o único amor da minha existência. O meu amor por ela era tão forte que não havia palavras para explicá-lo.
Eu nunca mais a deixaria, não deixaria ninguém a machucá-la, fisicamente e mentalmente.
Ela era a razão da minha existência, a razão para eu permanecer vivo, se era que eu estava realmente, o que eu não tinha completamente certeza.
Eu tinha feito uma promessa a mim mesmo. Nunca a faria sofrer por mim, e por outra pessoa, de todas as maneiras que podiam haver.
Alice viu o meu futuro desaparecendo, e isso era um sinal bom, um sinal que eu ficaria finalmente com o meu amor, o amor de vidas passadas, de muitas vidas.
Tive a sensação de estar sendo observado, e vasculhei as mentes que haviam na pequena sala, para saber quem estava me observando.
“ O que um vampiro estaria fazendo nesse hotel?” - escutei uma voz vindo de trás de mim.
Virei-me lentamente para poder ver o dono do pensamento. Ele era um homem que aparentava ter uns vinte anos. Seus cabelos eram pretos e grandes, na altura do queixo. Os seus olhos eram verdes escuros, e ele era bastante alto. Ele usava uma roupa bem casual.
Camiseta branca de manga comprida e uma bermuda preta.
Ao seu lado tinha outro homem, esse aparentava ser mais sério e era um pouco mais baixo. Seus cabelos eram castanhos claros acinzentado, os seus olhos eram verdes musgo. E seus traços eram mais sérios e rígidos. Diferente do outro, ele usava uma roupa estilo Bad Boy. Usava uma camiseta branca, uma jaqueta de couro por cima, e uma calça jeans surrada.
Eles estavam me fitando com intensidade. Decidi falar primeiro.
-Vocês não são os Smith? -perguntei me levantando.
Os dois trocaram um olhar, e depois o mais alto abriu a boca para falar, mas o outro o impediu.
-Somos. -respondeu. A voz dele era um pouco mais grossa que a voz do outro, e tinha um tom mais sério. -Você estava nos esperando? -Indagou ele fazendo uma careta sem jeito.
-Estava. -disse olhando no fundo dos seus olhos verdes. Por algum motivo que eu não conhecia, os pensamentos dele eram como um buraco negro. Eu não podia escutar absolutamente nada.
-Será que agente pode falar em um lugar mais vazio? -perguntou o mais alto, olhando para o seu companheiro.
-Claro. -respondi automaticamente.
Os dois andaram lentamente pelos corredores. E eu andei também lentamente atrás deles.
Entramos em um quarto que tinha duas camas de casal. O quarto não era muito luxuoso mas era bonitinho, apesar de ser totalmente bagunçado.
-Então, como nós encontrou? -perguntou o mais baixo, com os olhos sérios.
-Não é muito difícil encontrar pessoas nesta cidadezinha. -sussurrei automaticamente.
-Você sabe o que somos? -perguntou o mais alto com os olhos confusos.
-Na verdade, não. -disse tentando sorrir. -Mas, faço uma idéia.
-Fale direito! -ordenou o mais baixo.
Ele era um baixinho invocado. Seus olhos demonstravam isso.
-Estou falando. -falei ainda calmamente.
-Desculpa o meu irmão. -disse o mais alto. -Ele não teve intenção.
-Claro que tive. -disse o outro lhe dando um tapa no ombro. -Não seja insolente.
-Claro Dean. -disse o mais alto rindo.
De repente, eu entendi tudo. A mente do mais alto me fez entender. Eu sabia perfeitamente quem eles eram, o que faziam.
Eles eram caçadores. Os seus nomes eram: Samuel Winchester e Dean Winchester. Os irmãos que caçavam monstros e demônios.
Eles saiam pelo mundo procurando monstros, salvando vidas.
As histórias passaram-se pelos meus olhos. A morte da mãe no quarto do bebê.
O pai que estava desaparecido. Era isso que eles estavam procurando. A morte da namorada do Sam, aquilo ainda o machucava muito.
Ele ainda amava Jéssica, e se culpava pela morte dela. Ele sentia que poderia ter a salvado se tivesse contado tudo antes. Contado que era diferente e que a sua vida não era nada fácil.
-Vocês estão caçando um monstro? -perguntei olhando nos fundos dos olhos de Sam.
Pude ver pelos seus pensamentos o que eles estavam caçando realmente.
Eles estavam caçando um vampiro que se chamava Christian. Ele era um vampiro que só se sentia feliz quando via o sofrimento das pessoas, especialmente dos humanos.
Ele viajava pelo mundo procurando mulheres bonitas que tinham um dom escondido, ele as transformava e depois que usava de seus dons para seu próprio beneficio, ele as matava.
Agora ele estava na pequena cidadezinha de Forks, e estava procurando uma outra mulher. Ele era um ótimo rastreador, e podia sentir onde estava o melhor poder.
Os irmãos Winchester já estavam atrás desse vampiro há muito tempo, e até agora não tinham conseguido nada.
Se esse vampiro estava em Forks a minha família teria que se intrometer. Até porque, os irmãos não tinham conseguido nada ainda, e esse vampiro era muito forte para eles lutarem sozinho.
Afinal, eles eram apenas humanos, não tinham nenhum poder. Eles eram fracos demais, para tentar lutar com um imortal.
E esse vampiro destruía todas as cidades onde passava, e isso não poderia acontecer com Forks, até porque, os lobos se meteriam nisso e eu não queria que acontecesse nada com a minha .
A transformação dela já estava quase completa, e se tivesse uma guerra ela entraria. Ela não teria escolha.
E a Yonah ainda estava escondida no passado de . Eu conhecia Yonah bem demais para saber que ela nunca deixaria os seus irmãos lutarem sozinhos.
Eu não poderia deixar a se meter nisso. Eu não poderia suportar novamente a dor de perdê-la, de vê-la morrer novamente.
Aquela memória me causou uma dor enorme, cruel. A memória de vê-la pegar fogo e eu não puder fazer absolutamente nada. Ver os seus lindos olhos cor de mel sem vida alguma.
-Vocês aceitariam se aliar a mim? -perguntei olhando para o rosto sério de Dean Winchester.
(...)
Voltei para casa rapidamente. A enorme casa estava totalmente silenciosa. Mesmo não tendo qualquer barulhinho, eu ainda podia sentir os cheiros dos meus irmãos na casa.
Estacionei o meu carro e entrei na casa pela janela. Esme detestava a maneira que eu entrava casa, mas eu apenas seguia os meus instintos.
Não tinha sido nada ruim a conversa que eu tive com os irmãos Winchester. Eles ficariam de olho, e me avisariam se o vampiro Christian aparecesse.
Senti o cheiro amadeirado que me fazia sentir como se estivesse nas nuvens.
-Finalmente, conheci a famosa Clearwater! - escutei a voz doce e calma de Esme. – Venha querida!
Andei rapidamente pelo corredor da enorme casa branca. Quando eu finalmente cheguei a enorme escada, pude ver o rosto angelical de .
Esme estava segurando a mão de com delicadeza. Os olhos de estavam brilhando pela luz. O seu rosto ainda estava roxo, com umas marcas horríveis. Era difícil para mim vê-la daquele jeito.
Os seus cabelos caiam docemente pelos olhos, me impedindo de ver melhor o seu rosto.
-Acho que você já conheceu a Esme. – disse terminando de descer a escada. Os olhos de se viraram para mim e ela sorriu docemente. - Você está melhor? - perguntei olhando para as marcas roxas em seu rosto.
-Nada, eu já estou melhor. -disse ela abaixando um pouco os olhos por uns segundos. Eu sabia perfeitamente que ela estava mentindo. Ela sempre abaixava os olhos quando mentia.
Apesar de eu conseguir ler a mente de , às vezes tinha uns pontos em brancos que me impediam.
E naquele exato momento era como se estivesse uma nuvem negra sobre os seus pensamentos.
Ela parecia triste, os seus olhos continham uma tristeza enorme. Andei rapidamente até a razão da minha existência, para abraçá-la, mas me contive quando pude ver melhor o seu rosto.
-Como não é nada? -perguntei levantando a minha sobrancelha. - Olhe para você. Esta cheia de marcas roxas. -coloquei a minha mão em seu braço, mas antes que eu pudesse tocá-lo o tirou da minha direção. Olhei para o seu rosto. Ela estava com o rosto retorcido, parecia que estava sentindo dor.
-Estou bem, de verdade. - sussurrou ela baixinho. Ela andou rapidamente e me abraçou. -Promete que nunca vai de deixar?
Como ela poderia dizer uma coisa dessas? Eu nunca a deixaria, por mim, por ela.
Como era bom ter a minha amada em meus braços. Era como se agora tudo estivesse em plenamente calma.
A seu cheiro amadeirado, levemente doce me atingiu, fazendo a minha garganta doer. Mas eu não me importei. O meu amor por ela era muito, muito, maior que aquela dor insignificante.
Nada mais importava. Se eu tivesse ao meu lado, tudo estaria bem.
Tudo seria seguro.
Afastei-me um pouco dela, para poder vê-la melhor. Segurei o seu rosto angelical com as mãos e a beijei docemente.
Capitulo 15: Encontro.
Versão
Os dias se passaram rapidamente. A dor em meu peito estava melhor, mas não havia me deixado realmente.
Mas quando eu estava com o meu anjo ela desaparecia. A dor e aquele sentimento de repulsa me deixavam completamente.
Edward estava totalmente carinhoso, não que ele não fosse antes, só que agora havia algo a mais.
Ele não me deixou voltar para La Push. Ele ticava comigo sempre, e não me deixava nem por um segundo.
Mesmo eu detestando a idéia de ficar na casa dele, resolvi não discutir. Afinal, eu queria ficar com ele para sempre, mas era meio estranho com aqueles vampiros todos por perto.
Não que eles não fossem bons comigo, pelo contrário. Eles estavam sempre conversando comigo e me perguntando alguma coisa.
Abri os olhos rapidamente e a primeira coisa que eu pude ver foi o rosto do meu amor. Ele sorriu docemente quando os meus olhos encontraram os seus.
Edward estava sentado ao meu lado na cama. Os seus cabelos estavam totalmente bagunçados, o que me fez rir.
Nunca em minha vida eu tinha visto o meu anjo com os cabelos daquele jeito.
Ele se aproximou lentamente de mim e colocou os seus lábios nos meus. Os seus braços passaram a minha volta, me puxando mais para ele.
Os nossos lábios se moviam lentamente. Os lábios dele com ternura. Às vezes ele passava sua mão gelada pelo meu braço bom, me fazendo estremecer.
Ele começou a sussurrar que me amava e eu sussurrava que o amava também. Ele me deitou lentamente na cama, sem interferir o nosso beijo.
O meu coração começou a se acelerar e aos poucos eu pude escutar o som dele em meus ouvidos.
Edward me apertava contra o seu corpo de mármore. O gelado do seu corpo me fazia sentir cócegas, e os meus pelos da nuca se arrepiaram.
Nossas respirações ficaram ofegantes e o meu amado retirou os seus lábios dos meus lentamente, em relutância.
Ele me alinhou em seu peito de mármore e segurou a minha mão com delicadeza. Depois de alguns segundos ele começou a fazer carinho em meu pulso com o dedo indicador.
-É melhor nós irmos. - disse ele passando o seu dedo gelado em meu pescoço. -Sua mãe já deve estar tendo alta.
Mesmo eu não querendo me encontrar com o cretino do Ted, eu ainda tinha que ir ao hospital.
Depois de algumas semanas a minha mãe já estava de alta e seria bom para ela ter os seus filhos ao seu lado.
Eu não tinha visto o meu doce e carinhoso irmão há semanas e muito menos a minha mãe. Eu falava com o Erick pelo telefone de vez em quando.
Não tinha ido a La Push nas últimas semana. Edward não podia entrar lá, então, eu resolvi ficar com ele.
Eu já estava completamente diferente do que era antes. A minha visão estava dez vezes melhor e os meus outros sentidos também.
Edward dizia que faltava apenas dias para a minha transformação. Na verdade eu já podia sentir isso.
Eu não estava mais caindo frequentemente, e também era muito raro sentir frio.
-Então vamos. -disse me levantando da cama de casal do quarto de Edward.
Ele se levantou rapidamente e segurou a minha mão boa. Apesar de ter se passado três semanas dês que o meu braço foi quebrado, ainda doía muito.
O tempo tinha se passado rapidamente, desde o dia que o Ted tinha acabado com a minha paz. Não parecia mas tinha se passado três semanas.
Balancei a minha cabeça tentando afastar aquelas memórias que me causavam dor. Edward me colocou na sua frente e colocou os seus olhos nos meus.
Os seus lindos olhos dourados estavam preocupados e no fundo eu sabia perfeitamente o motivo.
Eu não era a única preocupada com o encontro inevitável. Seria horrível fingir que nada tinha acontecido.
Seria horrível encarar a minha mãe. Encarar o monstro dos meus pesadelos.
Todas as noites eu sonhava com aquele dia horrível. Acordava chorando no meio da noite. Muitas vezes eu tive medo de dormir e apenas tentava ficar completamente acordada, mas tinha uma hora que o cansaço me tomava, então eu dormia.
Era nessas horas onde eu começava a gritar. Quando eu abria os olhos e encontrava aqueles lindos olhos do meu anjo completamente apavorados, cheios de medo.
Ele me abraçava com força e me aninhava em seu peito de mármore e cantarolava em meu ouvido para me acalmar.
Então eu apenas ficava em silêncio, tentando esquecer os sonhos, e apenas prestar atenção em sua voz doce.
Era exatamente assim que aconteciam todas as noites, e para a minha sorte, eu ainda tinha o meu anjo ao meu lado, porque sem ele eu estaria completamente perdida.
-Tem certeza que quer ir? -perguntou ele me puxando para a realidade.
Eu ainda não estava pronta para o encontro, para encarar. Mas não havia outra madeira.
Tentei memorizar exatamente o que eu ira fazer. Eu apenas tinha que chegar lá e fingir que nada tinha acontecido. Ah, eu também tinha que tentar sorrir.
Edward percebeu que eu estava muito longe, perdida em meus pensamentos, e me abraçou fortemente.
Aquilo era exatamente o que eu precisava. Aquilo me deu um pouco mais de forças para encarar a realidade.
-Agora eu estou. -sussurrei lhe dando um selinho.
Andamos de mãos dadas pela casa. Quando nós estávamos chegando a enorme escada, eu encontrei três pares de olhos me encararam.
Esme estava sorrindo para mim. Mesmo eu tendo passado muito pouco tempo com ela, eu já tinha aprendido a amá-la, era como se ela posse uma terceira mãe.
Os seus olhos dourados estavam me encarando com intensidade. Os seus olhinhos estavam cheios de amor e ternura.
Olhei para o outro par de olhos, ao lado de Esme. Alice estava sorrindo alegremente.
Alice já era uma pessoa muito especial na minha vida, mesmo ela me usando para ser o seu manequim.
Olhei lentamente para a outra pessoa que estava parada no topo da escada. A loira de cabelos longos estava me olhando preocupadamente. Ela sorriu gentilmente quando encontrou os meus olhos. Rosalie e eu tínhamos passado horas conversando sobre vidas passadas, sobre crianças. Na verdade, o que tinha nos aproximado era o nosso amor por crianças. Eu sempre tive um amor insano por aquelas coisinhas pequenas. E parece que Rosalie era como eu.
Eu conseguia entender os sentimentos de Rosalie sobre a imortalidade. Eu não pensava como ela, mas conseguia entender.
Edward passou o seu braço pela minha cintura e praticamente me carregou até o seu carro.
Entramos no carro prata de Edward, então ele ligou o carro.
A viajem foi muito silenciosa e às vezes eu podia sentir a quentura subindo pelas minhas pernas e indo a direção a minha cabeça.
Quando chegamos ao pequeno hospital, Edward ficou me olhando por alguns segundos antes de abrir a porta.
-Eu estou bem. -sussurrei, tentando sorrir.
Parecia que Edward não tinha acreditado nas minhas palavras, mas para falar a verdade, nem eu mesma tinha acreditado nisso. Eu estava repetindo mentalmente que eu estava bem e que tudo ficaria bem, mas nem mesmo isso me acalmou.
Minhas mãos começaram a tremer e a quentura estava cada vez mais forte. Parecia que eu iria explodir a qualquer momento.
Os olhos de Edward ficaram sérios e naquele momento eu pude perceber que iria me transforma em loba, bem ali, na frente do hospital.
Edward me puxou para seus braços. Naquele momento, eu tive medo de machucá-lo. Se eu me transformasse perto demais poderia feri-lo profundamente.
-Sei que você não vai me machucar. -disse ele em meu ouvido.
-Eu não tenho completamente certeza. -disse a ele, tentando sair de seus braços.
Quando ele viu o que eu estava tentando fazer, ele me apertou mais contra o seu corpo esculpido. Então como fosse uma reação automática, eu fiquei completamente calma.
-Não se preocupe com nada, meu amor. -disse ele me beijando.
-Irmã! -gritou alguém ao longe.
Retirei os meus lábios dos lábios do meu amado, sem ao menos realmente querer.
Virei-me para poder fitar o dono da voz que me chamava.
Erick estava sorrindo alegremente, ele estava andando rapidamente vindo na minha direção. Os seus lindos olhos azul-safira brilhavam de alegria. Os seus cabelos estavam ligeiramente bagunçados.
-Como eu estava saudade de você! -disse ele me abraçando. -Você simplesmente se esqueceu de mim. -murmurou ele olhando nos meus olhos.
-Não fale isso nem de brincadeira. -disse para ele.
O meu doce irmão estava muito diferente.
Ele estava muito maior que da ultima vez que eu o vi. Ele estava bem mais musculoso.
Parecia que o mundo tinha acabado naquele momento. O meu irmão estava se parecendo com um....um...lobo.
Ele estava muito parecido com os garotos da alcatéia. Estava muito parecido especialmente com o Jacob. Quero dizer, os seus músculos e o seu tamanho. Porque na verdade, o meu irmão não tinha nada a ver com o Jacob.
Erick tinha os cabelos pretos ondulado, ele me lembrava muito o super-homem. Sua pele era bem mais clara que a minha, ele era bastante alto. E os seus olhos eram azulinhos. E o seu rosto era doce e calmo.
-Erick o que aconteceu com você? -perguntei olhando para as suas roupas.
Ele estava usando uma bermuda e uma camiseta sem manga preta.
-Eu não acho que devemos falar sobre isso, agora. -disse ele olhando ao redor.
-Você agora é um lobo? -perguntei baixinho.
-Por incrível que pareça eu sou. -disse ele passando a mão nos cabelos, envergonhado. - Melhor agente entrar! -disse ele depois de alguns minutos.
Erick olhou para Edward depois de alguns segundos. E por incrível que pareça não era um olhar que geralmente os lobos olhavam para os vampiros. Era um olhar amigável, o que me surpreendeu.
Os dois trocaram um sorriso e depois a gente começou a andar pelo hospital.
Depois de alguns minutos, já estávamos na frente do quarto da minha mãe. Edward me olhou, e eu entendi a pergunta silenciosa.
Balancei a cabeça, respondendo à pergunta. Quando entramos no pequeno quarto branco eu pode ver a minha mãe sentada na cama com um copo d’água em suas mãos. Ela parecia preocupada com alguma coisa.
Então ela encontrou os meus olhos e ela ficou mais séria.
Edward me apertou mais forte contra o seu corpo. Então os meus olhos visualizaram o ser que estava sentado na cadeira ao lado da minha mãe.
O meu sorriso se desmanchou. Por um segundo, só por um segundo, eu pensei que seria capaz de ficar calada e não chorar.
Mas, quando eu acabei de ter aquele pensamento, lágrimas invadiram os meus olhos com suavidade.
Eu fiquei ali, apenas esperando a dor passar, esperando as lágrimas pararem de me consumir.
Elas escoriam lentamente pelo meu rosto, e manchando a minha blusa roxa de manga comprida.
Ted me encarava com ódio, como se fosse eu que tivesse feito algum mal a ele.
Pude perceber que ele estava muito machucado. O seu rosto estava com muitos machucados e os seus braços e pernas estavam enfaixados.
Voltei os meus olhos para a minha mãe e naquele momento eu pude ver a raiva em seus olhos.
Respirei profundamente algumas vezes, depois andei lentamente até a cama.
-Será que vocês podem me deixar sozinha com a minha filha? -perguntou minha mãe, sem olhar para mim.
-Será que você pode me ajudar garoto? -perguntou Ted, olhando para o meu irmão.
Eu realmente não tinha percebido que o cretino do Ted estava em uma cadeira de rodas.
Meu irmão se aproximou dele e o empurrou para fora do quarto.
Edward me olhou e andou até o meu lado.
-Você vai ficar bem? -perguntou ele.
-Vou. -tentei sorrir. -Afinal, o que poderia me acontecer?
Ele beijou a minha testa e andou lentamente até a porta, e depois quando já estava fora do quanto, fechou a porta.
-Eu fiquei sabendo de uma coisa que eu não gostei nada. -disse a minha mãe. - , você está espalhando por ai que o meu marido tentou te violentar?
O choque atingiu o meu rosto. Eu não tinha dito a ninguém.
Espera ai. Tentou?
Um bolo se formou na minha garganta.
-Você está inventando uma coisa dessas? -ela disse mais alto. – Como você pode? Ele nos ajudou quando nós mais precisamos. Quando o seu pai não estava, era ele que estava lá nos ajudando. -o rosto da minha mãe ficou vermelho pela raiva. – Quantas vezes ele lhe comprou remédios? Quantas ? -ela gritou.
-Muitas... -sussurrei enxugando as minhas lágrimas.
-Se não fosse ele eu não sei o que seria da gente. -ela sussurrou. -E você paga como? O difamando por ai...
-Eu não estou difamando ninguém. -encontrei a minha voz. -Eu só estou dizendo a verdade.
-Se ele tentou alguma coisa com você foi porque você procurou. -disse ela ferindo o meu coração. -O que você tinha que cheirar atrás dele? -ela gritou. - Era porque você estava querendo mesmo. Você estava querendo dar pra ele!
Aquilo era o máximo que eu podia agüentar. As lágrimas começaram a saírem mais ferozmente e os soluços vieram com elas.
A minha mãe estava dizendo aquelas coisas mesmo? Ela estava acreditando nele? E não na sua filha?
Aquilo era a pior coisa que eu podia suportar. Eu naquele momento queria morrer queimada novamente, eu precisava.
-E onde você esteve esse tempo todo? -perguntou ela. -Não minta, eu sei que você não está dormindo em casa.
-Na casa da tia Sue. -menti.
-Está tudo explicado. -ela colocou as mãos na cabeça. – É a Leah que estava colocando minhocas na sua cabeça.
-Isso não tem nada haver com a Leah! -gritei.
Leah tinha me ajudado na hora que eu mais precisava e eu não deixaria minha mãe falar assim dela.
-Eu estou sabendo muito bem que a sua prima está metida em problemas. -disse ela me fuzilando com os olhos. – Ela até já faz parte de uma gangue.
-Não é uma gangue. -disse.
-Então você também faz parte?
-Ainda não. -disse me sentando. Eu estava totalmente sem força, até para falar.
Fechei os meus olhos deixando a dor me tomar.
-Você vai retirar tudo o que está dizendo do meu marido. -gritou ela.
O silêncio tomou conta do quarto. Depois de alguns segundos eu senti uma mão fria em meu rosto.
-E você garoto! -começou a minha mãe. -Eu quero a minha filha na minha casa hoje à noite. Se ela não aparecer, eu chamo a polícia para você!
Senti um frio percorrer o meu corpo. O cheiro doce de Edward ficou mais forte.
Eu estava longe demais para abrir os olhos. A tristeza, o desgosto, já tinham tomado o meu ser.
Capitulo 16: Decisão
As lágrimas continuavam a escorrer pelos meus olhos. Eu estava completamente cansada de tudo. Eu não tinha mais forças para continuar lutando.
Tudo o que eu acreditava, tudo por que um dia eu tinha lutado, tinha desmoronado. A minha vida estava se desmantelando bem na minha frente, e o pior era saber que eu não podia fazer nada.
Eu estava cansada de lutar e não sair do mesmo lugar. Nem mesmo a presença de Edward estava cessando a dor.
O meu amor por ele era maior que tudo, mas tinha chegado a um momento que não estava dando mais para suportar.
Eu tinha que colocar a minha cabeça no lugar. Eu tinha que esperar a dor passar completamente.
Tinha tentado tanto, eu realmente tinha tentado segurar a barra. Tentado esquecer tudo e viver como se nada tivesse acontecendo, mas simplesmente não dava mais.
Eu tinha um problema, e tinha que enfrentá-lo de frente. Eu não podia viver remoendo uma coisa dentro de mim, sem ao menos tentar enfrentá-lo.
Eu não queria admitir, não queria aceitar, mas chegou à hora de tentar aceitar as coisas e colocar a minha cabeça no lugar. Se realmente ela voltaria no lugar isso eu não tinha completamente certeza.
Eu tentei me livrar da memória, mas agora tudo estava ali, me obrigando a enfrentá-lo.
Levantei-me da casa e andei pelo quarto escuro. A dor me obrigava a chegar a uma decisão.
Eu tentaria viver a minha vida, tentaria colocar a minha cabeça no devido lugar. Doeria muito deixar o amor da minha vida, mas não seria para sempre. Depois que tudo estivesse melhor eu poderia ficar com Edward sem medo, sem nojo de mim mesma. Claro, se ele ainda me amasse e me quisesse ao seu lado.
Eu tinha que me livrar daquilo. Daquele sentimento de repulsa, de nojo. Respirei fundo, tentando arrumar coragem suficiente.
Quando eu abri a porta, Edward já estava parado me olhando com intensidade. Os seus olhos estavam tristes e ao mesmo tempo estavam compreensivos. Alice não podia ver o meu futuro e não poderia saber da minha decisão. Mas Edward podia ler a minha mente, e naquele momento, ele poderia saber exatamente o que eu estava pensando.
-Você vai voltar para casa? -perguntou ele me olhando nos olhos.
-Não, eu não vou. -disse olhando para a janela. Seria muito difícil dizer aquelas palavras, mas aquilo era realmente muito preciso. -Eu tomei uma decisão. -sussurrei me afastando um pouco de Edward. Doía muito aquelas palavras que estavam presas na minha garganta, mas doeria mais se eu não as falasse.
-Eu sei. -disse ele. Os seus olhos ficaram mais tristes ainda.
-Edward, eu tenho que arrumar um tempo para mim. Um tempo para pensar, para superar, tudo isso. -confessei.
Andei lentamente para a cama. Mesmo doendo eu sabia que seria melhor assim.
Ele era o meu imprinting, e eu faria tudo por ele. Eu seria tudo por ele.
Na verdade a minha dor seria bem pior se eu não o amasse.
-Eu te amo mais que tudo. -comecei. -Mas eu não estou mais conseguindo lidar com tudo isso. Não estou mais suportando isso. -ele esperou que eu continuasse. - Tudo aconteceu tão rápido. A minha vida mudou tão rapidamente. -abaixei meus olhos. -Eu não estou conseguindo me encontrar no meio disso tudo.
-Eu a entendo. -disse ele se aproximando de mim. Depois ele se abaixou na minha frente. -Você aguentou tempo demais. -ele pegou a minha mão. -Você tentou esquecer tudo por mim, mas você não pode pensar apenas em mim. Você tem que pensar em si, pensar no que a sua vida se tornou. -ele tentou sorrir, mas não conseguiu. -Me dói muito lhe dizer adeus, mas se isso vai te ajudar a superar tudo isso...
-Eu estou sendo muito egoísta...
-Não, não está. - ele me interrompeu. – Você pensou em mim em todas essas semanas, tentou disfarçar a dor, mas você não pode viver como se nada tivesse acontecido. Eu te conheço bem demais, eu sei que você está sofrendo, muito. E você estava tentando esconder esse sofrimento só para me proteger.
-Mas eu falhei. -sussurrei tristemente. - Não consegui.
-Eu quero que você saiba de uma coisa. -ele colocou sua mão em meu rosto. -Eu sempre vou te esperar. Eu nunca vou deixar de amá-la.
-Eu seria mais egoísta ainda se eu te pedisse para me esperar. -disse me levantando.
-Então não peça. -ele se levantou. - Isso nunca vai mudar. O meu amor por você nunca vai deixar existir.
-Eu sinto muito. -sussurrei entre lágrimas.
- Não sinta, meu amor. - ele enxugou as minhas lágrimas. - Você está ferida e precisa se curar, isso é completamente normal com algum que... -sua voz desapareceu.
-Eu tenho que encarar tudo de frente. -tentei sorrir. -Não posso mais continuar fugindo de mim mesma.
-Eu só não quero vê-la sofrer. -ele beijou a minha testa. Eu fechei os meus olhos com força.
Eu não queria fazer o que estava fazendo, mas se eu não me fizesse, nunca poderia viver normalmente. -Eu te amo.
-Eu também. -sussurrei. - Até logo. - andei lentamente até a porta, depois desci a escada da casa dos Cullen lentamente.
Sai da casa. O dia estava realmente muito nublado, não dava sem para ver o sol.
Andei até o carro da minha mãe, depois de alguns minutos eu o liguei.
As minhas lágrimas estavam me impedindo de poder ver realmente a estrada a minha frente, mas eu não me importei, apenas continuei dirigindo.
Era como se a minha alma estivesse sendo despedaçada. E no fundo estava mesmo.
Edward e eu éramos uma alma só, e agora eu estava me distanciando dele.
Quando eu fui ver a pequena reserva a minha frente, eu me senti um pouco melhor.
Eu estaria com o meu pai, e isso me ajudaria muito.
Estacionei o carro na frente da pequena casa do meu pai. Ele estava já na porta e sorria alegremente.
Meu doce pai não sabia de nada, nem ele e nem o meu irmão.
Sai do carro e foi correndo para os braços de meu pai.
-Querida, o que houve? -perguntou ele quando eu comecei a chorar desesperadamente.
-Não houve nada. -menti ainda em seus braços. -Eu apenas estava com saudades.
-Sabe que sempre poderá contar com o seu velho pai? -perguntou ele fazendo uma careta no “velho”.
-Claro que sei, pai. -deixei a criança que havia em mim sair totalmente.
-Não fique assim, meu anjinho. -disse ele me reconfortando. – Vou sempre estar com a minha menininha.
Sai de seus braços e sorri para ele timidamente, igual ao que eu fazia quando era criança.
-Eu vou me deitar um pouco. -disse ainda sorrindo. -Estou muito cansada.
-Vai sim. -ele me encorajou.
Entrei na pequena casa e subi as escadas rapidamente. Entrei no meu pequeno quarto e me deitei na cama.
Meus pensamentos vagaram pelo passado. Quando eu me vi perdida, o meu anjo que manteve acesa a minha esperança. Nada mais fazia sentido.
E foi ele quem me deu colo, como quem protege uma criança. E quando se apagaram as luzes, foi ele quem me deu a mão e me tirou do escuro.
E mesmo contra o mundo, ele acreditou em mim. Eu nunca tive alguém no mundo que me amasse assim.
E agora eu estava sem o meu anjo. Eu estava completamente perdida.
Mas aquele seria o único jeito de eu poder viver em paz com ele.
Eu não podia mais ter uma relação com ele, não agora. Todas as vezes que eu o beijava, eu sentia o desejo de me afastar.
Eu não suportava ser tocada por ele, não por ele claro, mas por mim. Quando isso me acontecia eu me sentia um lixo, era esse o meu sentimento.
Eu não merecia ter o amor dele. Mesmo eu amado ele mais que tudo, eu não podia beijá-lo, tocá-lo, sem sentir aquela repulsa de mim mesma.
Talvez, eu nunca pudesse beijá-lo sem me odiar, talvez, eu nunca mais pudesse ter uma relação afetiva assim.
____Capitulo 17: Completamente medo
Três meses depois...
Olhei para a pequena escola à minha frente. O dia estava muito lindo. O sol finalmente tinha aparecido, não muito, mas dava para ver um pouquinho.
Estacionei o carro do meu pai na única vaga que estava vazia no pequeno estacionamento.
Respirei fundo. Essa seria a primeira vez que eu veria Edward depois das férias de verão.
O meu coração começou a acelerar rapidamente. O meu amor por ele tinha aumentado dez vezes, o que eu pensava não ser possível.
Eu já estava bem melhor que antes. Eu já não sentia aquela repulsa de mim mesma. O que já era um grande progresso.
Eu já estava conseguindo viver comigo mesma e com as minhas memórias obscuras.
Respirei profundamente, tentando me acalmar. As minhas mãos começaram a tremer pelo nervosismo.
-Olha, quem finalmente apareceu! -escutei uma voz vindo de fora do carro.
Jéssica estava sorrindo alegremente, o que não era uma coisa que acontecia com frequência.
Ela estava muito diferente. Os seus cabelos estavam um pouco mais escuros, na verdade, estavam muito mais escuros. O seu cabelo estava com o mesmo corte do meu, e a cor também.
Tentei fingir que era apenas uma coisa normal. Quem eu estava tentando enganar?
Jéssica estava muito parecida comigo. Até a sua pele estava mais bronzeada.
Peguei a minha bolsa e sai do carro. Coloquei a toca da minha camiseta de manga comprima branca.
Apesar de eu não estar sentindo realmente frio. Eu tinha percebido que todos estavam muito protegidos do frio, e resolvi fazer o mesmo.
Todos à minha volta estavam reclamando do frio. Olhei para céu novamente. O céu agora estava com mais nuvens negras.
-Parece que vai cair uma chuva. -disse Jéssica acompanhando o meu olhar. Jéssica fazia umas caretas enquanto olhava para o céu cheio de nuvens.
-Não quero estar aqui quando isso acontecer. -disse olhando para Jéssica. Ela simplesmente riu do meu comentário.
Eu nunca fui muito amiga da Jéssica, e agora eu estava tentando ser o mais gentil possível. Mesmo tendo uma louca vontade de dar risada da sua cara. Ela parecia uma versão mais branca de mim.
Não, ela não se parecia nada comigo. Mas parecia que ela pensava isso.
Então uma pergunta surgiu na minha cabeça: Porque ela estava querendo se parecer comigo?
Eu nunca tinha sido popular. Na verdade, essas coisas nunca fizeram o meu género. Diferente de Jéssica. Ela sempre estava tentando entrar para a “elite” da escola, mas até agora, não tinha conseguido.
-! -escutei uma voz fina vindo na minha direção.
Eu reconheceria aquela voz a qualquer lugar, a qualquer distância.
Ângela estava vindo na minha direção rapidamente. Os seus braços abertos para me receber, e o sorriso estampado em seu rosto.
Ela praticamente me agarrou. Ângela me apertou contra os seus braços.
-Você sumiu. -disse ela em meu ouvido. O seu tom tinha sido triste.
A preocupação ficou óbvia em meu rosto. Afastei o meu rosto do ombro de Ângela, e fitei o seu rosto procurando qualquer vestígio de tristeza.
O seu rosto doce estava muito preocupado. Ela tinha olheiras enormes em volta dos olhos escuros.
Ela percebeu o meu olhar e apenas tentou sorrir timidamente.
-Onde esteve esses meses? -perguntou ela me encarando com os seus olhinhos cheios de preocupação.
-Eu fui para a casa do meu avô nas férias. -disse olhando agora para a Jéssica. Ela parecia estar totalmente entediada, como se já tivesse visto tudo aquilo mil vezes.
Não pude deixar de revirar os olhos, mas sem tirar os meus olhos de Jéssica. Ângela percebeu a minha atitude e riu docemente.
Ângela se aproximou de mim e sussurrou no meu ouvido.
-As coisas estão muito diferentes. - os seus olhos voltaram para a Jéssica que estava olhando alguma coisa. -Jéssica está tentando arrumar um namorado pelas suas costas. -disse ela baixinho.
-Como assim? -sussurrei olhando por alguns segundo para a minha cover.
- Depois eu te conto. -sussurrou Ângela fazendo um sinal de relógio com os dedos.
-Ta bem. -disse olhando para as escadas a minha frente.
Um sinal tocou freneticamente. As pessoas praticamente correram para a escola.
Eu apenas fiquei no mesmo lugar parada. Sem ao menos mexer algum músculo.
-Vamos! - disse Ângela pegando a minha mão, e praticamente me carregando para a escola.
Andamos pelos corredores rapidamente. Olhei para trás e vi Jéssica correndo atrás de mim freneticamente. Os seus cabelos estavam totalmente bagunçados pelos movimentos rápidos.
Apesar de o corredor estar totalmente cheio, nós podemos nos mover rapidamente. E às vezes os meus ombros encostavam-se a outro. Eu não me dava a ordem de me virar e ver de quem era o outro ombro. Eu apenas sussurrava um “Desculpe” e deixava Ângela me arrastar pelos corredores.
Ângela andava rapidamente, eu fiquei vendo os seus pés se moverem rapidamente. A sua respiração estava ofegante e eu me perguntei se ela nunca mais pararia de correr e de praticamente me arrastar.
Finalmente os pés de Ângela começaram a se mover mais lentamente. Pude perceber que os seus olhos se fecharam por algumas instantes.
A sua cabeça se virou lentamente e ela colocou os seus olhos nos meus.
-Achei que agente iria acabar perdendo a aula. -era óbvia que ela estava tendo dificuldades para falar. Andes de cada palavra ela respirava profundamente e fechava os olhos com força.
Ela colocou a sua mão no peito e sorriu docemente quando abriu os olhos. Os seus cabelos escuros estavam totalmente bagunçados. Eles caiam bagunçadamente sobre seu rosto.
-Nossa que consideração que vocês têm para com a minha pessoa! -disse Jéssica ficando na minha frente. A sua mão estava na cintura e o seu pé batia constantemente no chão raivosamente.
-Desde quando você fala formalmente? -perguntou Ângela olhando para o rosto serio de Jéssica.
-Desde agora. -respondeu Jéssica colocando a outra mão na cintura. - Que tipo de amigas vocês são? -perguntou ela olhando friamente para mim.
Eu abri a minha boca para responder, mas Ângela fez um sinal com a mão, como se fosse parar as minhas palavras. Eu apenas fiquei calada.
Mas uma coisa eu tinha completamente certeza. Ângela estava muito diferente, eu não sabia o que era exatamente, mas que ela estava, estava.
-Jéssica porque você já estar nervosa? -disse Ângela cruzando os braços em volta de si.
Quando eu ouvia a voz de Ângela um frio percorreu a minha espinha. Não havia nenhum traço da voz doce e meiga da minha melhor amiga. A sua voz estava completamente fria e maligna.
Balancei a minha cabeça ferozmente. Ângela nunca tinha falado daquela maneira, ainda mais naquele tom de ameaça. O frio continuou a percorrer o meu corpo.
-O que você está esperando? -perguntou Ângela batendo o pé no chão, exatamente como Jéssica fizera.
-Já estou indo. -disse Jéssica com os olhos cheios de lágrimas.
As lágrimas percorreram o seu rosto rapidamente. Então se passou alguns segundo e Jéssica saiu correndo, às vezes eu podia escutar os seus soluços altos e frenéticos.
-Jéssica! -a chamei e deu um passo para frente com o desejo de ir atrás dela.
Antes que eu pudesse continuar o meu desejo, Ângela colocou a sua mão na minha frente. Levantei os meus olhos para o seu rosto. Os seus olhos continham um brilho maligno muito forte.
-A deixe ir. -disse ela ainda friamente.
Então como se nada tivesse acontecido, o seu rosto voltou ao normal. O seu rosto estava calmo e doce novamente. Ângela me olhou de cima a baixo e sorriu. -Estamos atrasadas. -disse ela calmamente.
-Vamos! -disse ela pegando a minha mão novamente e me carregando para dentro da sala.
Ângela me fez sentar ao seu lado, e eu não me atrevi a discutir.
Ângela não estava normal. Ela não parecia nenhum pouco com a minha melhor amiga.
Eu nunca tinha visto Jéssica choram por nada. Nem mesmo quando o seu pai morreu, ela simplesmente não derrubou nenhuma lágrima no intero.
Olhei lentamente para Ângela que estava ao meu lado. Por um segundo eu tinha jurado que tinha visto uma nuvem negra sobre a sua cabeça.
Mas ela desaparecendo tão rápido que eu não pude realmente jurar.
Ângela olhou para mim rapidamente, e eu fiquei congelada.
-O que foi? -perguntou ela me encarando. -Como você está estranha... -escutei ela murmurar quando voltou os seus olhos para o caderno.
-Agora era eu que estava estranha? -perguntei a mim mentalmente.
Ângela que estava agindo daquele jeito e ainda vem me falar que eu estava estranha... Só por Deus!
A verdade era que eu estava tendo um pressentimento muito ruim em relação à Ângela.
Eu realmente nunca tive medo de coisas sobrenaturais, mas naquele momento eu estava com muito medo de Ângela.
Abaixei os meus olhos para o meu caderno aberto na mesa. Parecia que eu estava em um filme de terror e que Ângela viraria a qualquer momento para mim.
A aula terminou finalmente. Para mim tinha durado séculos e que eu ficaria presa lá para sempre.
Levantei rapidamente e coloquei as minhas coisas na bolsa. Quando eu finalmente ira passar por Ângela para eu poder sair da sala ela pegou a minha mão e olhou para o meu rosto.
Os olhos de Ângela estavam um pouco fechado. O seu rosto estava com uma expressão seria e fria.
Os seus olhos estavam brilhando de raiva.
-Onde você pensa que vai? -perguntou ela entre dentes. Depois de alguns segundos ela fechou a boca e trincou o dente. Eu pude escutar o barulho de seus dentes se encontrando uns com os outros e causando um barulho irritante.
-Para casa. -respondi tentando soar normalmente. -Aonde mais eu iria? - tentei sorrir.
-Não sei. -disse ela ainda me encarando friamente. -Pensei que você ira me dizer.
-Eu já disse, Ângela. -disse puxando o meu braço lentamente. -Estou indo para casa.
-Você não mentiria para mim, não é? -perguntou ela levantando a sobrancelha.
-De maneira alguma. -disse abrindo a minha bolsa.
Peguei uma blusa de frio e comecei a colocá-la. Eu realmente não queria colocar uma blusa de frio, mas aquela era a única maneira que eu tinha encontrado para fazer Ângela soltar o meu braço. -Amanha agente se vê. -sussurrei depois que coloquei a minha blusa preta. Sai da sala antes que Ângela pudesse dizer qualquer coisa, e me obrigasse a ficar perto dela.
Coloquei a minha bolsa nas costas e terminei de fechar a minha blusa. Coloquei o capuz da blusa na minha cabeça tampando completamente os meus olhos.
Continuei andando pelos corredores rapidamente. A única coisa que eu conseguia ver eram os meus próprios pés.
De repente, eu vi uma sombra na minha frente. Pude perceber que era uma pessoa que estava impedindo a minha passagem.
Tirei o capuz da minha cabeça e olhei para frente. Por alguns segundos eu tive medo que fosse Ângela, mas felizmente não era.
Capitulo 18: Transformação
O meu coração começou a acelerar de medo. Mesmo eu sabendo que não tinha perigo algum. O meu coração estava quase saindo pela boca.
O real motivo do meu medo absurdo era o pânico que ainda corria em minhas veias. Os sentimentos de medo e agonia, estavam se fundindo em mim.
Olhei para cima lentamente, encontrando dois pares de olhos verdes.
Respirei profundamente, tentando acalmar a minha respiração ofegante. Todos os meus músculos estavam fracos, e por um segundo, eu pensei que iria cair, mas antes que isso pudesse acontecer, senti uma mão firme em meu braço, me impedindo de cair.
Depois que eu já estava completamente normal, sem nenhum vestígio de fraqueza, olhei para os olhos verdes do meu salvador.
Ele era um homem que deveria ter uns vinte anos. Os seus cabelos eram castanhos-claros, levemente arrepiados. E um pouco mais claro nas pontas.
Os olhos eram verdes-esmeralda, que escondiam uma tristeza sem fim. O seu rosto era bem sério, mas os seus olhos diziam ao contrário.
Eles diziam que o seu dono não era uma pessoa seria realmente, mas que era uma pessoa simpática e doce, e guardava uma tristeza muito grande em seu coração.
-Obrigada... - sussurrei.
-Não há de que. - disse ele soltando o meu braço.
-Será que podemos falar com você? -perguntou o outro homem, que estava um pouco atrás do meu salvador.
Olhei por uns segundo para o homem que estava mais atrás. Ele sim parecia ser mais simpático e doce, mas olhando nos seus olhos eu pude ver a tristeza, também.
Voltei os meus olhos para o meu salvador. Ele estava agora um pouco mais simpático, e quando percebeu o meu olhar, ele tentou sorrir.
Mas estava na cara que ele estava se esforçando bastante para sorrir daquele jeito. Os seus músculos estavam todos enrijecidos.
Eu queria dizer alguma coisa naquele instante. Dizer para ele não forçar tanto no sorriso, mas eu simplesmente ignorei.
-Então, podemos? -perguntou o meu salvador me encarando. Os seus olhos estavam um pouco mais calmos agora, e isso por incrível que pareça, me acalmou também.
Eu não sabia o motivo real daquele sentimento. Mas eu sentia uma gratidão muito forte em relação ao meu salvador. E eu sabia perfeitamente, que não era só porque ele tinha me impedido de cair, era bem mais que isso. Mas eu também tinha completamente certeza que eu nunca tinha o visto na vida.
-O que? -perguntei ainda confusa.
A minha mente parecia uma cachoeira. Eu tentava entender o que estava acontecendo, mas as coisas iam embora rápido demais.
Naquele momento eu me senti uma completa idiota. Nada na minha cabeça fazia sentido. E não era por causa do meu salvador. Não que ele fosse feio, pelo contrário, ele era realmente muito bonito, mas não era isso.
Eu só tinha olhos para uma pessoa no mundo, essa pessoa tinha um único nome:Edward Cullen.
Era como se algo estivesse me impedindo de pensar. Era como se estivesse uma nuvem negra nos meus pensamentos, os bloqueando completamente de mim mesma.
Então como se posse um choque elétrico. Eu já estava pensando normalmente. Eu podia sentir algo muito estranho. Era como se fosse uma áurea maligna sobre mim, mas não era eu exatamente, mas estava muito perto.
Tive a sensação de estar sendo observada. Virei a minha cabeça rapidamente, mas não havia nada atrás de mim.
-Ele estava aqui... -disse o homem que estava atrás do meu salvador. Ele deu um largo passo para frente, e olhou para a direção onde eu estava olhando.
Os seus olhos estavam apavorados, e eu também estava com muito medo. Um medo que me impedia de falar ou fazer qualquer outra coisa. A única coisa que eu podia ouvir era o meu coração ecoando nos meus ouvidos freneticamente.
Eu estava completamente apavorada e paralisada. O medo que estava sentindo naquele momento era muito mais forte. Muito mais forte que o medo que eu tinha sentido em relação à Ângela. O medo que Ângela me fizera sentir era insignificante perto daquilo.
Olhei lentamente para o rapaz de cabelos negros que estava também apavorado ao meu lado. Ele também olhou para mim na mesma hora. Os seus olhos estavam parados e apavorados.
Depois que ele me encarou por uns segundos, ele olhou para trás e encarou o meu salvador.
-O que vamos fazer Dean? -perguntou ele. Sua voz estava tão baixa e sem vida.
Os meus olhos foram para o meu salvador, e naquele momento eu vi o pânico nos seus olhos tristes.
-Vamos pegá-lo. - disse ele me encarando. Ele olhou para a minha expressão de choque e colocou a suas mãos nos meus ombros. – Está tudo bem? O pavor vai passar depois de alguns minutos.
-Será mesmo? -perguntou o outro. Os seus olhos voltaram para mim. ¬ – Ela está completamente em choque. Será que não é melhor a gente conversar depois com ela? - ele se aproximou de mim. – ¬Ela não está acostumada com isso. E no começo é sempre difícil.
-Não temos tempo, Sammy. – murmurou o meu salvador. – Se não agimos agora, será tarde demais.
-E haverá muitas mortes. -completou Sammy.
Eles me olharam lentamente. Ficaram me observando alguns minutos. Aquele pavor estava passando lentamente, me deixando calma novamente. Quando não havia mais nenhum sinal de medo ou desespero, olhei para os meninos em minha frente. Eles estavam me encarando como se eu fosse uma louca. Como se eu não entendesse nada do que estava acontecendo.
E no fundo, era realmente tudo verdade, a minha cabeça estava completamente confusa. Eles me encaravam de tal forma, que até chegava à dor. Era como se eu tivesse uma arma apontada para a minha cabeça. Aquele olhar estava acabando comigo. Não que eu estivesse com medo, mas eu sentia um mau pressentimento. O meu coração estava doendo muito, era como se eu tivesse perdendo uma pessoa muito querida. Então o rosto calmo de Ângela invadiu minha mente.
Um sentimento de proteção me tomou. Um sentimento muito forte e puro.
Uma imagem se passou na minha cabeça rapidamente. O rosto de Ângela cheio de sangue. Os seus olhos estavam completamente sem vida. Também tinha um brilho maligno no fundo deles. Um brilho vermelho sangue vivo.
-Podemos falar com você? – perguntou o meu salvador seriamente. – Realmente é muito importante. – ele passou a mão pelo cabelo impaciente. Os seus olhos me fitavam com impaciência.
Balancei a minha cabeça rapidamente. E no mesmo momento Dean sorriu docemente. Sammy apenas me olhou com compreensão.
Dean fez um sinal com a cabeça para que eu o acompanhasse. Sammy andou rapidamente pelos corredores me deixando sozinha com Dean, então o meu salvador sorriu e andou pelo mesmo caminho que o seu amigo percorreu. Ele virou a cabeça para trás e me olhando.
-Vamos. –ele fez um sinal com a mão, para que eu também andasse.
Andei em sua direção, e quando eu já estava andando ao seu lado, ele me olhou e sorriu. Andamos lentamente pelos corredores, enquanto isso eu pensava, revirava a minha mente á procura de algo que pudesse me fazer entender o que estava acontecendo. Meus pensamentos estavam um turbilhão. Vários sentimentos estavam em torno de mim. Mas o pior, o maior, era o de proteção.
Chegamos ao refeitório da escola. Sammy já estava sentado na cadeira. Sua cabeça estava um pouco curvada e suas mãos estavam fechadas em punho. Procurei no seu rosto vestígios de raiva, mas simplesmente não havia nada.
Dean e eu nos sentamos na mesa. O silêncio durou por alguns minutos, até que, eu finalmente escutei a voz grossa e suave de Dean.
Ele se virou lentamente na cadeira, ficando se frente para mim.
-Você notou alguma coisa estranha com a sua amiga, Ângela?
Pensei por um momento na pergunta. Claro que eu tinha notado. Ela estava completamente diferente. O seu jeito estava maligno, igual ao seu rosto.
-Ela realmente estava muito estranha. – comecei. - Eu nunca tinha visto a Ângela daquela maneira. – abaixei os meus olhos me lembrando. O frio percorreu pela minha espinha, coloquei os meus braços a minha volta, tentando me aquecer novamente. – Ela sempre foi muito doce e meiga, mas ela estava... estava... – minha voz simplesmente desapareceu, não consegui terminar a frase.
- Era como se ela fosse outra pessoa? – perguntou Sammy.
- Como você... – eu estava muito mais confusa. – Quem são vocês? – fiz a pergunta que já estava na minha cabeça há muito tempo.
- Pessoas que podem ajudar. – disse Dean, seriamente. Seus olhos verdes voltaram para o meu rosto, e depois de alguns instantes, se viraram para a enorme janela de vidro que tinha a nossa frente. – , precisamos da sua ajuda. Sua amiga está precisando da sua ajuda. Ela está correndo um grande perigo. – ele olhou para Sammy, como se tivesse pensando em como me dizer algo. – Tem um vampiro atrás dela.
-Um vampiro? – fiquei totalmente apavorada. Como eles sabiam que existiam vampiros? E porque estavam falando disso comigo? E como esse tal de vampiro estava atrás da minha amiga? E o que tinha isso a ver com a mudança de personalidade dela?
-Não precisa ficar assim, . – Sammy sorriu, parecia estar se divertindo com o meu pânico. – Sabemos que você é uma loba.
-Sabemos de tudo. – continuou Dean.
Aos poucos eu fui ficando mais calma. E quando minha cabeça estava finalmente em ordem, eu realmente me dei conta da situação.
-Ângela... – não consegui falar mais nada. As lágrimas estavam escorrendo pelo meu rosto. As coisas estavam se esclarecendo. A minha mente viajou no passado. No dia em que Ângela me disse que tinha visto um homem na floresta.
“Os seus olhos eram vermelhos sangue.” – a voz de Ângela ecoou nos meus ouvidos.
-Christian é um vampiro rastreador. Ele viaja pelo mundo à procura de humanas que terão poderes incríveis quando se tornarem vampiras. – começou Dean. – O poder de Christian é deixar as pessoas completamente loucas. É assim que ele faz com as humanas. Ele as deixa completamente loucas, e sem nenhum traço de humanidade. Assim são mais fáceis, assim elas não serão problemas para ele. Elas não se lembrarão da família deixada. Não se revelarão contra ele. – sua voz estava só por um fio. Eu pude sentir a sua tristeza, sentir a sua agonia. Dean fechou sua mão em punho com força.
-Ele está fazendo isso com ela? – choraminguei.
-Sim, ele está. – sussurrou Sammy. – Se não formos agora, será tarde demais.
-Então vamos. – afirmei me levantando da cadeira rapidamente.
A cadeira fez um barulho horrível, um barulho que me fez estremecer. Se Ângela estivesse em perigo eu tinha que ajudá-la. Eu lutasse por ela, nem que eu tivesse que dar a minha vida por isso. Eu não deixaria um vampiro a fazer mal.
[...]
Dean e Sam ficaram no hotel, a procura de pistas, um lugar onde o vampiro pudesse estar. Eu já não estava mais aguentando aquela espera, eu tinha que fazer alguma coisa. Qualquer minuto poderia ser único. Me levantei do sofá da recepção e andei rapidamente para a direção da saída. Eu não podia ficar ali parada, eu tinha que fazer alguma coisa.
Andei pelas pequenas ruas até o estacionamento onde estava o carro do meu pai. Depois que eu “briguei” com a minha mãe, eu não aceitava nada dela. Para falar a verdade, eu tinha a cortado da minha vida completamente. Ela tinha escolhido o marido, e eu não mudaria isso, mas não viveria com ela.
Ela tinha dito coisas ruins demais para mim. Coisas que ainda estava em mim. Eu nunca esqueceria das suas palavras. Nunca esqueceria a dor que ela me causou. Entrei na picape preta do meu pai. E liguei o carro. Dean ficaria muito bravo comigo. Afinal, eu tinha prometido que esperaria por ele. Mas ele tinha que me entender, era vida ou morte.
Depois de alguns minutos eu já estava estacionando o carro na frente da casa de Ângela. Saí do carro e andei rapidamente até a porta.
Bati na porta com força, rezando para a minha melhor amiga estar em casa com os pais, completamente segura.
-? – perguntou o irmão de Ângela abrindo a porta. Os seus olhos estavam vermelhos.
O medo me tomou, mas depois de alguns segundos, eu fiquei um pouco mais calma. Nate estava com a expressão confusa, estava óbvio que tinha acabado de acordar. Os seus cabelos estavam meio amassados. Ele estava usando um pijama todo verde.
-A sua irmã está? – perguntei rapidamente. Nate balançou a cabeça negando.
-Nataniel, quem está ai? – gritou alguém do andar de cima.
-A , mãe! – gritou o garoto de sete anos em resposta. O garoto se virou para mim e sorriu docemente. – Acho que a minha irmã vai dormir na casa de uma amiga hoje. – disse ele coçando os olhos com as mãos. – Vai esperar por ela?
- Não, Nate. Mas se ela chegar em casa pede para ela me ligar, realmente é muito importante. – o menino escutou o que eu disse. Ele não se lembraria, ele estava praticamente dormindo em pé. – Não esquece! – falei o fazendo pular. Depois que ele me olhou, eu andei até o meu carro. Bem, o carro do meu pai.
O meu celular começou a tocar, e quando eu vi quem era o meu coração se acalmou.
- Ângela, onde você esté?
-Na escola. Será que tem como você vir me buscar? Estou sem carro.
-O que você está fazendo na escola uma hora dessas?
-Nada importante. Bom, pra falar a verdade, eu acabei dormindo. Então o Conner não me deu carona.
Eu realmente não tinha acreditado naquela história. Tinha algo que me dizia para não cair na conversa de Ângela. Mas eu tinha que ir ajudá-la.
-Estou indo. – desliguei o telefone e fui para a escola.
Quando eu finalmente chegue à pequena escola. o meu coração acelerou rapidamente. Era como se eu estivesse em um grande perigo. Estava tudo completamente escuro. Não tinha nenhuma pessoa no estacionamento. Estava chovendo lentamente fora do carro.
Sai do carro e o tranquei. O sentimento de estar sendo observada me assombrou. Era como se estivesse uma aura maligna sobre a pequena escola. No fundo, bem no fundo, eu estava morrendo de medo, mas tentei pensar nas possibilidades de que a minha amiga estivesse bem, salva, então andei até a estrada da escola. A porta estava trancada por dentro, olhei pelo vidro escuro, para poder encontrar, ver algo na escola. A escola estava completamente vazia, não tinha nenhuma luz acesa, virei a minha cabeça a procura de algo que me ajudasse a entrar na escola.
Não havia simplesmente nada. E naquele exato momento eu escutei um grito vindo de dentro da escola. Olhei apavorada para a porta a minha frente. O medo estava me impedindo de pensar racionalmente. A única coisa que eu pude encontrar na minha mente, era a lembrança da minha melhor amiga. Olhei para o meu braço. Ele ainda não estava completamente bom, mas era ele ou a vida da minha amiga. Respirei fundo, esperando a dor aguda me atingir. Dei um soco na porta de vidro, e por incrível que pareça, ela estava completamente acabada, igual ao meu braço. Tinha umas feridas nele enormes, e também tinha alguns cacos de vidro dentro dos machucados. Escorria o liquido vermelho, manchando a minha blusa branca. Eu estava me sentindo deslocada. Eu estava tentando pensar que era realmente um motivo bom para acabar com o meu braço, novamente. Mas ou era o braço esquerdo que já estava quase bom, ou seria o meu outro braço que ainda estava muito machucado. Apesar, de eu ter escolhido o braço que já estava melhor, a dor realmente era bem fortinha. Eu ainda era humana, meus ferimentos demoravam bastante para curarem. Eu realmente estava apavorada, não por mim, claro. Mas pela minha amiga que estava correndo perigo. Nunca me importei com a minha vida, realmente. A minha existência não era importante. Uma lembrança me perturbou.
A dor estava novamente me assombrando. A dor de ser queimada vida. Mas por quê?
O que tudo isso tinha a ver com Yonah?
As respostas estavam na minha cara. Yonah tinha morrido para salvar uma pessoa que amava, muito. E era isso que eu estava disposta a fazer. Eu preferia morrer novamente no lugar de uma pessoa que eu amo.
Consegui abrir a porta e finalmente entrar na escola completamente escura. Andei lentamente pelos corredores escuros. Parecia que eu estava fazendo parte de um filme de terror. Mas aquilo era bem real.
Enquanto eu andava lentamente, e me esforçando para tentar ouvir qualquer barulho, eu senti um cheiro horrível. Era um cheiro que fazia o meu estômago girar, a vontade de vomitar era muito forte.
Coloquei a mão no meu nariz e na minha boca. Os meus pés estavam ficando sem forças, os meus joelhos ficaram moles. Era como se o meu corpo estivesse mil vezes mais pesado.
Era como se eu estivesse caindo em um poço muito fundo. Mas eu não estava em poço, eu estava na escola, tentando salvar a minha melhor amiga.
Forcei as minhas pernas a se mexerem. Era uma força enorme que estava sobre o meu corpo, naquele momento.
Escutei uma risada maligna vindo de trás de mim. Uma risada roupa e no mesmo tempo grave. Olhei para trás rapidamente, mas não havia nada no corredor escuro, era apenas eu e o meu medo incontrolável.
A risada estava ficando cada vez mais distante, então como se fosse uma luz me iluminado, decidi segui-la.
Eu realmente deveria estar querendo morrer, pensei comigo mesma. Não pude deixar de sorrir sarcasticamente. Quem eu estava querendo enganar?
Andei rapidamente, na verdade, eu estava correndo rapidamente atrás daquela risada que me fazia sentir o pior sentimento do mundo.
A risada parou de repente. Então eu olhei para as duas direções. Eu estava muito perto da quadra da escola. Era a única porta que tinha perto de mim.
Passei pela porta rapidamente, tentando não pensar.
A quadra de esportes estava muito mais escura que a escola inteira. Mas depois de alguns segundos os meus olhos começaram a se acostumarem. Eu não estava vendo tudo exatamente, mas às vezes eu podia ver algumas coisas.
Algo me atingiu rapidamente, me fazendo voar para o outro lado da quadra. Não tinha dado nem tempo para eu perceber de que lado tinha vindo o impacto.
Minha cabeça começou a dor, quando eu cai rapidamente no chão. Olhei para as minhas mãos, e elas estavam cheias de sangue. Automaticamente coloquei a minha mão direita na testa, então uma dor aguda e forte me tomou. Saia sangue da minha testa, mas não era aquilo que doía realmente. Passei a minha mão pena nunca, senti meus cabelos molhados, e a dor ficou mais forte.
Apoie-me no meu cotovelo para me levantar do chão. Quando eu finalmente estava em pé, a minha perna direita doeu. Olhei para baixo e pude ver que ela também estava ferida. Apoie o meu corpo todo na minha outra pena, e olhei para os lados. Estava tudo igual a antes, se eu não estivesse sentindo aquelas dores, poderia jurar que não tinha acontecido nada.
- Fico feliz que tenha vindo. Será ótimo ter mais uma pessoa na festa. – escutei uma voz masculina vindo trás de mim. Virei-me e pude ver o rosto do vampiro.
Ele era moreno e bastante alto. Os seus cabelos eram negros e sua pele era muito branca. O seu rosto era calmo. Ele sorriu para mim, não era realmente um sorriso sincero, era um sorriso irónico e maligno.
Ele usava roupas simples: Uma camiseta sem manga e uma calça preta desbotada.
-Onde está a minha amiga? – sussurrei sem força. Ele sorriu em resposta e olhou para trás de mim. Acompanhei o seu olhar.
Tinha mais duas vampiras logo mais atrás. Uma parecia ser uma onça, o seu jeito felino. Os seus cabelos eram vermelhos, quase laranja.
Os cabelos caiam bagunçadamente pelo seu rosto branco. Tinha outra mulher no lado esquerdo da ruiva. Ela era menor.
Seus cabelos eram castanhos-escuros, o seu corpo era pequeno e frágil.
-Deixe-me apresentá-las. – o vampiro se aproximou de mim e olhou pra a ruiva. – Esta é Victoria. – ele apontou para a mulher felina. Depois de alguns segundos ele olhou para a garota menor. – Esta é Bree. – ele apontou para a garota de cabelos escuros cacheados.
-Oi. – disseram a duas juntas.
Então eu pude ver algo no chão. Passaram-se minutos, então eu consegui ver a minha amiga no chão inconsciente.
- Ângela! – gritei indo até a minha melhor amiga. Mas o vampiro me impediu, ele entrou na minha frente, rapidamente.
O meu corpo começou a tremer todo. Os olhos vermelhos do vampiro olharam rapidamente para o meu rosto.
Então como se eu não estivesse mais controlando o meu corpo, eu me transformei.
Era como se eu fosse outra pessoa, outro ser. Eu estava mais alta. Olhei para baixo e pude ver os meus pelos brancos.
O vampiro tentou correr, mas não conseguiu. Eu pulei em cima dele rapidamente, o agarrei com os meus dentes afiados e o lancei para a parede e antes que ele se chocasse com a parede eu arranquei o meu braço direito.
A vampira de cabelos vermelhos veio salvar o seu mestre. Ela agarrou o meu corpo enorme e me deu um abraço de ferro.
Senti todos os meus ossos se quebrando. O barulho deles se despedaçando. Depois que a vampira quebrou os meus ossos ela me jogou contra a parede.
No mesmo instante eu me transformei novamente em humana. Contorci-me no chão de dor.
Fechei os meus olhos com força, esperando a morte. Eu não era tão forte para acabar com três vampiros.
Um barulho forte ecoou nos meus ouvidos, me fazendo abrir os olhos rapidamente. A primeira coisa que eu pude ver foi os olhos do meu anjo. Seus olhos estavam tristes, parecia que ele estava chorando, um choro sem lágrimas.
Os seus olhos passaram por Ângela que estava desacordada. Os seus olhos estavam sem vida, eles estavam vazios.
Eu tinha caído muito perto dela. Comecei a fazer o meu corpo a se mover, mas doía demais. Mesmo doendo muito, eu me arrastei até minha melhor amiga.
Quando eu cheguei perto de Ângela coloquei as minhas mãos em seu rosto frio.
-Você não pode morrer! – disse chorando. Ela não podia me deixar, ela era minha melhor amiga, e eu não podia viver sem ela. Ângela continuou ali sem vida.
A balancei desesperada, eu não podia a deixar morrer, isso era mil vezes pior que o fogo que tinha me consumindo. O meu coração, a minha alma, estava se despedaçando.
As lágrimas que saindo dos meus olhos desesperadamente se fundiam com o sangue da minha melhor amiga, e também com o meu.
A dor de ter quebrados todos os meus ossos estava passando lentamente, mas eu preferia aquilo ao invés de ver a minha amiga daquele jeito. – Vamos acorde! – a balancei ferozmente. Mas era tarde demais.
Coloquei o corpo sem vida da minha melhor amiga em meus braços, fechei os meus olhos, e naquele momento, nada mais me importava, eu também queria morrer.
_ sai daí! – gritou Edward. Então eu abri os olhos e vi o vampiro correndo na minha direção. O impacto me fez soltar o corpo da minha amiga sem vida. Fiquei esperando a dor me atingir com os olhos fechados, mas não veio.
Abri os olhos e pude ver o vampiro com a minha amiga morte em seus braços. Ele sorriu para mim, e olhou para a minha amiga.
Me levantei ainda muito fraca. Deixei a raiva tocar conta do meu coração, do meu corpo. Eu explodi ainda sem forças, mas eu não me importava mais, eu lutaria até morrer.
Corri rapidamente até o vampiro e pulei em cima dele rapidamente. Mas antes que ele pudesse sair da minha direção ele mordeu a minha amiga morta. Será que não via que não tinha mais jeito?
Pulei em cima dele e mordi a sua cabeça a separando o corpo gelado. A raiva era o único sentimento que estava presente em mim.
Quando não tinha mais nada a se retirar daquele corpo eu me virei para a outra vampira. A vampira pequena, mas ela não estava me encarando com raiva, eu pude ver até a gratidão.
Um gritou me fez olhar para os lados. Tinha saído um grito agudo dos lábios gelados de Ângela.
Ela ainda estava viva!
Olhei para Edward, ele estava com os lábios no pescoço da vampira ruiva. O corpo da vampira caiu no sem vida, imóvel.
Seis vampiros apareceram de repente, eu pude ver os rostos dos Cullen. Alice andou até a minha direção e eu também pude ver Esme falando com a vampira Bree.
- , eu trouxe um par de roupas para você. – disse-me Alice. Eu estava completamente perdida, meu corpo ficou completamente imóvel.
Edward se aproximou de mim e passou a mão pela minha cabeça. Eu me senti um pouco melhor e fui fazer o que a baixinha tinha me dito.
Andei até o outro lado da quadra, Alice o tempo todo comigo. Quando eu tive completamente certeza que ninguém podia me ver, me transformei de volta em humana. Não foi uma coisa realmente difícil, apenas deixei o fogo do meu corpo me tomar novamente.
Coloquei a roupa que Alice me deu e voltei rapidamente até onde a minha amiga estava.
Ângela estava com os seus olhos abertos. Ela gemia alto de dor, e eu sabia perfeitamente que ela estava se transformando em vampira.
Edward andou até onde eu estava e olhou para Ângela.
Ele se abaixou no chão ao meu lado e me olhou docemente.
-Ela está se transformando. – ele olhou para Alice que estava do meu outro lado. – Alice, viu isso.
Parecia que a voz do meu amado estava longe, muito longe. A única coisa que eu pensava naquele momento era se a minha melhor amiga ficaria bem.
Ângela começou a gritar cada vez alto, e eu fiquei em pânico. Eu tentava falar algumas vezes com ela, mas ela apenas gritava.
-Eles querem falar com você. – disse Edward olhando para trás. Eu acompanhei o seu olhar e vi os lobos me encarando com tristeza.
Olhei para mim por um momento. Minhas feridas não estava mais horrível como antes, agora nem a dor eu estava mais sentindo.
Olhei para a minha amiga, eu não queria deixá-la, eu não podia.
-Ela vai ficar bem.
Escutei a voz longe e baixa de Alice. Aquilo me deu mais forças e eu andei lentamente até os meus irmãos.
-Você está bem? – perguntou alguém, mas eu não consegui ver quem era.
-Estou.
-Ela vai ficar bem? – continuou a voz.
-Eu não sei, não sei.
- O vampiro a mordeu? – perguntou a voz rouca.
- Sim. Ela está se transformando.
Olhei para onde Ângela estava e vi Carlisle a pegando no colo. Ele percebeu o meu olhar e sorriu, e então ele disse.
-Vamos levá-la para a minha casa. – disse ele para mim, vendo o meu olhar de preocupação.
Eu apenas balancei a minha cabeça, olhei novamente para os lobos.
-Eu vou com eles. Não quero deixar a minha amiga sozinha agora.
Comecei a andar lentamente, mas senti uma mão em meu braço, me virei para olhar e vi o rosto de Jacob preocupado.
-Se você quiser eu te levo.
-Obrigada, mas não precisa, Jake.
- Mas eu faço questão.
-Eu vou com eles, não se preocupe.
- Não é hora para ciúmes, Jake. – Sam falou rapidamente me fazendo olhá-lo. Eu realmente estava muito grata por ele ter me ajudado.
Ele tinha completamente razão, não era hora para ciúmes, e Jacob não fazia mais parte da minha vida, ele não tinha mais nada comigo.
-O Sam está certo. – andei até o meu anjo e ele sorriu para mim.
-Vem, eu te levo. – disse Edward pegando a minha mão.
Capitulo 19: Coração despedaçado
Quando Edward pegou a minha mão com delicadeza, o meu coração se acalmou automaticamente. O choquei elétrico passou pelo meu corpo rapidamente e os olhos de Edward pararam em mim, deixando claro que ele também tinha sentindo aquilo.
Ele sorriu para mim, lendo os meus pensamentos. E eu também sorri feito uma boba. Eu o amava tanto, o meu coração parecia que sairia pela boca. Aquele sorriso torto me fez ficar parada por alguns minutos. Tentando me lembrar de como respirar.
Senti aquela sensação de estar sendo observada e olhei para os lados procurando por alguém que estivesse me observando. Encontrei um par de olhos vermelhos, me encarando com intensidade, era como se a vampira quisesse arrancar a minha cabeça. Bree estava parada no outro lado da quadra, encostada na parede. Os seus braços em volta de seu corpo pequeno e os seus olhos me irritando. Eu não tinha nada contra ela, mas tinha algo nos seus olhos que eu não gostava nada. Ela não tinha me atacado anteriormente, mas era como se ela quisesse agora.
Edward acompanhou o meu olhar e os seus olhos pararam nos olhos vermelhos da vampira. Havia algo que eu não estava gostando, algo que me irritava profundamente. Tinha algo no olhar de Edward que eu não entendi, mas não gostei de ver.
Parecia que ele já conhecia Bree, era como se eles já tivessem se encontrado há muito tempo.
Os olhos de Edward mudaram-se para mim, rapidamente. Às vezes eu esquecia completamente que ele podia ler os meus pensamentos. Edward não disse mais nada, sem me respondeu à pergunta que eu o fiz mentalmente. Tinha algo ali, algo que eu descobriria.
Ele andou lentamente pela quadra de esportes, ainda de mãos dadas comigo. Mas quando passamos pela vampira, os músculos do meu anjo se enrijeceram.
Fingi não perceber o olhar que eles trocaram. Seria melhor tentar esquecer, talvez fosse da minha cabeça. Mas no fundo, eu tinha certeza que estava certa, tinha algo entre eles, mas eu não sabia o que.
Andamos até o carro prata de Edward. Ele abriu a porta para mim, mesmo eu fazendo uma careta em resposta. Eu amava aquele jeito dele, mas ele não precisava se preocupar comigo.
Entrei no carro e fechei a porta lentamente. Coloquei o cinto e pude ver Edward sorrir com o meu ato. Eu era muito nova para morrer, sei que eu não morreria em um simples acidente de carro, mas é bom sempre ter cuidado.
Lembrei-me que agora eu estava bem mais forte. Agora eu tinha entrado oficialmente para a alcateia. Aquele pensamento me fez sorrir.
Edward ligou o carro. Os minutos foram se passando rapidamente, e quando eu menos pensava, já estávamos em frente à enorme casa branca.
Edward saiu do carro rapidamente e abriu a porta para mim. Saí do carro e encarei a casa branca por uns segundo. Eu realmente tinha sentido saudade daquele lugar, saudade dos momentos que eu tinha passado com o meu anjo. Dei-me conta do que eu tinha pensando, e comecei a pensar na minha melhor amiga.
Não olhei para o rosto de Edward, eu já estava com muita vergonha dele. E na verdade, eu não fazia a mínima idéia de porque estava sentindo aquilo.
Entrei na enorme casa. Todos os Cullen estavam sentados na sala. Olhei ao redor a procura da minha amiga, mas eu não precisei procurar muito. Um grito me atingiu rapidamente. Fiz uma careta de dor, sem perceber.
- Eu posso vê-la? – perguntei olhando para a escada a minha frente.
Ninguém disse nada, eles apenas sorriram em resposta. Subi as escadas e andei até onde ficava o quarto.
Caminhei pelo corredor claro. Quando eu entrei nele eu pude ver que tinha uma porta aberta. Olhei para o quarto por uns segundos. O quarto era bem claro. Tinha uma cama enorme, e uma cadeira ao lado da cama.
A minha amiga estava deitada na cama. O seu rosto estava transformado pela dor. Os seus olhos estavam fechados com força.
O meu coração se apertou ainda mais, respirei fundo, e entrei no quarto.
Sentei-me na cadeira e olhei para a minha amiga. Ela gritava desesperadamente e o pior era que eu, e nem ninguém, podia fazer nada.
Eu sabia exatamente como era aquela sensação e isso era o pior. Lembrei da dor agonizante; eu queria estar no lugar dela.
Peguei a mão de Ângela docemente. Sua mão já estava muito gelada, mas gelada que o normal. Ângela apertou a minha mão com força, e eu não me importei.
- Estou aqui com você. – sussurrei limpando as minhas lágrimas que escorriam pelo meu rosto rapidamente. – Não se preocupe, sempre estarei. – passei minha mão livre pelos cabelos negros de Ângela. Ela sorriu quando eu comecei a acariciar os seus cabelos, mas mesmo assim ela não abriu os olhos.
- Está queimando...
-Eu sei, seu sei. – sussurrei rapidamente.
Eu sabia exatamente com era. Tudo o que você deseja naquele momento é morrer, a morte por alguns motivos seria maravilhosa. Balancei a minha cabeça, tentando afastar aquelas lembranças. – Vai melhorar, você vai ver.
Ângela não disse mais nada, apenas se contorcia de dor.
Fechei os meus olhos e viajei para um mundo distante. Um mundo onde não tinha dor e sofrimento.
Senti um dedo gelado em meu rosto, abri os olhos rapidamente. Edward sorriu quando encontrou os meus olhos. Eu também sorri gentilmente.
- você precisa descansar. – os seus lindos olhos foram para a minha amiga. – Ela ficará melhor.
- Eu estou bem aqui. Não se preocupe. – disse rapidamente. Mas a minha voz me entregou. Eu estava completamente cansada.
Edward sorriu quando viu que eu iria fazer o que ele dizia. Ele pegou a minha mão e me fez levantar. Tirei a minha outra mão da mão gelada de Ângela.
Edward me conduziu para as escadas me fazendo descer. Diferente daquela hora, não tinha mais ninguém na sala, além de Bree. E eu me perguntei se ela ficaria com os Cullen.
- Bree, vai ficar connosco. A partir de agora ela é uma Cullen. – disse Edward andando até a cozinha. Deixando-me sozinha com a vampira.
Bree estava sentada no enorme sofá. Os seus olhos vindo diretamente para mim. Suas pernas estavam cruzadas.
Notei que ela não estava com a mesma roupa de antes. Ela usava um vestido azul, igualzinho ao que eu estava usando.
Sentei-me no sofá, o mais longe da vampira. Por alguma razão desconhecida, eu não estava gostando que ela ficasse ali, com os Cullen.
-Não me importa que você não goste de mim. – disse ela depois de alguns minutos.
Olhei para ela chocada.
Será que ela lia as mentes também?
-Eu também não gosto de você. – disse ela colocando a cabeça mais para frente. – Não acredito que ele goste de você. – ela olhou para a direção da cozinha. – Mas não por muito tempo.
Aquela vampira tinha conseguido me tirar do sério. Fechei os meus olhos, tentando acalmar os meus nervos. O meu corpo tremia ferozmente. Eu estava completamente certa, ela queria alguma coisa com o meu namorado. Bem, ele não era o meu namorado, mas...
- o que foi? – escutei uma voz fina e doce. Era uma voz completamente desconhecida.
Abri os meus olhos e vi a minha melhor amiga parada na minha frente. Ângela estava completamente diferente. O seu rosto estava muito lindo, não que não fosse antes, mas...
-Ângela? – perguntei me levantando.
- Você está muito estranha, .
-Eu? Você tem certeza?
-Claro. – respondeu ela se sentando ao meu lado. – Edward me contou tudo, não precisa se preocupar. – ela sorriu para algo atrás de mim. – Você realmente escondia muitas coisas da sua melhor amiga. – sussurrou ela pensativa. Depois de alguns segundo, ela fez uma falsa cara de chateação e quando me viu tremer sorriu. – Mas eu sei que era preciso.
-Será que a gente pode conversar lá fora, Edward? – perguntou Bree. Eu simplesmente fingi não ter ouvido nada.
Então os dois saíram da sala rapidamente, e eu fingi não ligar. Mas por dentro eu estava morrendo de raiva.
-Como está se sentindo? – perguntei rapidamente.
A minha amiga pareceu pensar por uns instantes. Mas depois sorriu para mim, envergonhada.
-Diferente. Sabe, a minha garganta está queimando muito. Mas Alice vai me levar para caçar.
- Como você pode se controlar, assim?
- Não sei. – respondeu ela pensativa. – Nem eles mesmos sabem. – disse ela olhando para a escada.
-E você se transformou tão rápido. Pensei que não fosse assim tão rápido.
- você dormiu por dias.
-Sério?
-Sim. Você realmente estava muito cansada. – ela se levantou rapidamente. – Eu vou caçar. Depois a gente se fala. Certo?
-Certo. – sussurrei fechando os olhos.
Eu ainda estava muito cansada e com muita raiva.
Eu estava com vontade de matar aquela vampira. Imaginei a cena, e aquilo me sorrir mentalmente.
Será que Edward não me amava mais? Será que essa Bree tinha dito a verdade? Que ele não me amaria por muito tempo?
De toda forma ele tinha ido falar com ela. Então significava que ele gostava dela e que se importava.
Levantei-me rapidamente. Eu tinha o perdido. Será que Bree em tão pouco tempo tinha o roubado de mim?
Eu não ficaria ali para descobrir. Andei até a porta e saí para a chuva. Nem que eu fosse a pé para a minha casa, eu tinha que sair dali.
Andando pela floresta e pude ver algo.
Edward estava beijando Bree. Meu coração, meu mundo, acabou. Sei que eu tinha o deixado, mas aquilo doía demais.
As lágrimas me impediram de ver. As limpei rapidamente.
Quando eu iria virar as costas e deixar aquele lugar, vi os olhos de Edward me encarar.
- ….
Eu o tinha perdido, tinha perdido o amor da minha vida.
Tentei sorrir. Eu o tinha deixado livre, não tinha?
Se eu tinha deixado realmente, ele tinha aquele direito.
-Desculpa interromper. - me virei e sai dali.
Andei o mais rápida que minhas pernas agüentavam. O pior foi que Edward não veio atrás de mim. Ele me deixou partir.
Andei pela floresta escura. Quando eu finalmente cheguei à estrada vi uma luz forte na minha cara.
Eu reconheci o carro preto. Dean Winchester saiu do carro e me olhou preocupado.
- ?
- Será que você pode me levar para casa? – perguntei desmoronando.
Dean apenas balançou a cabeça. Entrei no seu carro lentamente. Dean me olhou por alguns minutos e finalmente me levou para casa.
Depois de alguns minutos, Dean parou o carro na casa do meu pai.
Olhei para ele e tentei sorrir. Levantei-me e sai do carro rapidamente.
Entrei na casa do meu pai sem falar nada.
Andei pela casa rapidamente. E fui para o meu quarto.
A dor era muito, muito, pior do que um dia eu tinha sentindo em relação a Jacob. Parecia que a minha alma estava se dividindo em dois pedaços. E estava realmente. Se Edward e eu éramos uma só alma. Ela estava repartida agora.
Talvez seja assim, mesmo. Apesar de amar Edward, não fosse para a gente ficar juntos.
Deitei-me na cama e deixei a dor me tomar completamente. Não havia nada a se fazer, eu tinha o perdido para sempre.
Abracei as minhas pernas fortemente. A dor no meu peito era insuportável. Mas eu não lutei com ela, apenas fiquei ali, parada, congelada.
Eu tinha tomado uma decisão que não tinha mais volta. Eu tinha feito a pior coisa da minha vida. Eu tinha o deixado partir, e isso não tinha mais volta.
Era como se estivesse uma estaca no meu coração. Olhei para baixo para ver o sangue vermelho, mas não tinha nada.
Eu tinha me afastado do amor da minha vida, para tentar superar as coisas que tinham acontecido na minha vida, mas agora tinha ficado mil vezes pior.
Eu preferia quebrar os meus ossos, queimar novamente, mas eu não suportava perdê-lo. Ele era a minha vida. A luz no fim do túnel, mas agora, não tinha mais nada. Eu estava sozinha na escuridão.
Eu estava completamente perdida. Não tinha mais motivos para continuar lutando. Eu tinha perdido a razão da minha vida. Eu queria morrer.
Era o único jeito de superar a dor, mas pensando bem, nem mesmo quando eu reencarnei, eu não consegui superar a dor. Eu tinha trazido comigo o mesmo sentimento. O mesmo amor incondicional e insano. Minha vida estava agora mais escura ainda. O anjo não estava mais comigo. Todas as dores me tomaram. Pela minha mãe, pelo sofrimento que o Ted me causou, e agora o pior de todos, pela perda do meu anjo.
Eu podia suportar tudo, menos perdê-lo.
Não, eu não podia mais viver sem ele. Ele era o meu chão, sem ele eu cairia e nunca mais me levantaria. Bem, era isso que estava acontecendo realmente. Nada mais me importava na vida. O que importava era que ele fosse feliz verdadeiramente com Bree. Ele tinha que ser.
Pelo mesmo, um de nós seria.
Um grito se formou na minha garganta. Eu coloquei minhas mãos na minha boca com força, e gritei. Mas a dor não passava, nunca passaria.
Fechei os olhos e me deixei levar, a dor estava me levando para onde ela quisesse.
A partir de hoje, eu estava perdida, mas eu não me meteria mais na vida de Edward Cullen.
Capitulo 20: Conseqüências do passado
Versão de Bree:
Em 1918...
Eu estava prestes a me casar com o solteiro mais lindo e rico da cidade em que eu morava. Edward Masen era lindo, o mais lindo de todos.
Quando o vi pela primeira vez, me apaixonei imediatamente e totalmente.
Ele era educado e sensível. Quando eu fiquei sozinha com ele – o que foram muitas poucas vezes – ele sempre estava distante. Sempre pensando em algo, e quando ele olhava para mim e tentava sorrir, eu sabia que ele estava triste com o nosso casamento.
Eu ficava triste por ele, não queria me casar com ele se ele não quisesse realmente. Mas ao mesmo tempo, eu queria me casar com ele e ter muitos filhos lindos. Talvez com o tempo, ele pudesse me amar verdadeiramente, eu rezava por isso.
Eu já não tinha mais forças para ficar longe dele, e sabia que nunca mais teria. Ele era como o ar para mim, era como a minha própria vida. Minha vida estava em suas mãos e eu queria que sempre ficasse.
Eu queria tirar a tristeza de Edward com o meu amor e curar todas as feridas que existiam nele.
Mas simplesmente não sabia como, mesmo tentando muito.
Será que havia outra em seu coração?
Eu sabia que não poderia lutar contra os sentimentos de Edward, mesmo tentando. Se ele amasse outra, eu não teria escolha. Teria que deixá-lo, não poderia ser de outra maneira.
Mesmo amando Edward, eu o deixaria para ser completamente feliz ao lado de outra. Eu sabia que se não me casasse com ele, não me casaria com mais ninguém. Seria uma velha sozinha, apesar de não ser velha agora, mas seria. A solidão tomaria conta de mim e nada mais reverteria isso. Mas se o meu amado fosse realmente feliz, estaria tudo bem, porque, o meu amor era maior que tudo.
- O que foi, senhorita? – perguntou Edward, com a sua voz linda, me fazendo sorrir.
Ele estava sentado em uma cadeira bem distante de mim, seus olhos ainda continuavam preocupados e tristes e aquilo me machucou muito. Tentei sorrir um pouco, escondendo a minha dor.
- Não foi nada, Edward. – disse rapidamente. Às vezes a educação de Edward me perturbava. Ele sempre me chamava de senhorita, em vez, de me chamar de Bree. Era realmente muito estranho, estávamos a semanas de nosso casamento e ele simplesmente agia como se não nós conhecêssemos. – Por favor, não me chame de senhorita. – implorei. – Fica meio estranho você me chamar assim.
- Como preferir. – disse ele sorrindo. Seu sorriso era meio torto, deixando o seu rosto ainda mais lindo – o que pensei não ser mais possível.
- Edward? – perguntei me levantando da cadeira onde eu estava. Andei lentamente, até onde ele se encontrava.
- Sim? – disse ele em resposta.
Seus olhos cor de esmeraldas estavam mais sérios agora, deveria ser pela minha aproximação.
Continuei andando até ele, lentamente. Quando finalmente, cheguei e fiquei na frente de Edward, me abaixei em sua frente, colocando os meus olhos nos dele.
- Por que está assim? – perguntei. Minha voz estava fraca, causada pela dor em meu peito. – Você está apaixonado por outra? – minhas palavras me machucaram. – Se estiver, não precisa se casar comigo, eu posso entendê-lo. Não quero que você se case por obrigação, pelos seus pais ou por mim. Se você for se casar comigo, quero que seja porque você realmente quer.
- Não estou apaixonado por outra. – disse ele sorrindo. – Não por uma pessoa que conheço realmente.
- Como? – perguntei confusa.
- Não é nada, Bree. – ele pegou a minha mão docemente. – Vou me casar com você, não se preocupe. – ele me ajudou a me levantar. – Agora, eu realmente preciso ir. – ele tirou a sua mão da minha, o que me deixou completamente triste. – Eu venho lhe visitar semana que vem. Até mais, querida Bree. – disse ele indo embora.
Ele tinha me chamado de querida, realmente? Ou era eu que estava imaginando coisas?
Certamente eu deveria estar sonhando, era o dia mais feliz da minha vida. Pela primeira vez, Edward tinha me chamado de algo tão carinhoso, e não amava outra, o que me deixava completamente em paz.
- Como foi à visita de seu noivo? – perguntou minha mãe entrando na grande sala. Ela estava sorrindo docemente, deveria ter ouvido alguma coisa.
- Muito promissora. - respondi, me sentando novamente, mas desta vez, na cadeira que Edward esteve sentado.
- Ele irá se casar com você de qualquer maneira, não se preocupe. – disse minha mãe.
- Não quero que ele se case comigo obrigado. – repeti.
- Como já disse, não se preocupe. – repetiu minha mãe. – Está tudo em perfeita ordem, tudo correra perfeitamente bem.
- Tudo bem, tudo bem. – me levantei. – Agora, se você me permitir, vou para o meu quarto. Estou realmente muito cansada.
- Como preferir. – disse minha mãe.
Sorri para a minha amada mãe, e me retirei do local. Andei pela casa rapidamente, subindo as escadas enormes e entrando em meu quarto.
O meu quarto era enorme e muito luxuoso, minha família era a mais rica da região.
Era um quarto que parecia ser da realeza. Tinha grandes móveis, decorados perfeitamente, com cores lindas. Na entrada do enorme local, tinha uma espécie da sala, pequena. No pequeno local, tinha uma mesa perfeitamente colocada, para que eu pudesse escrever ou ler. Tinha um espelho médio colocado na parede, bem na frente da mesa. A parede era de cores escuras, mas completamente lindas.
Eu não via a hora de entrar na igreja e ver Edward me esperando, e finalmente, nós nos casaríamos e seriamos felizes para sempre, assim eu espero.
Dias depois:
Meu coração estava completamente despedaçado. Não tinha sobrado nada dele, completamente nada, além da dor, claro.
Edward não poderia estar realmente morto, não poderia. Minha vida não tinha mais sentindo, eu estava completamente perdida.
- Não fique assim, querida. – choramingou minha mãe, tentando aliviar a minha dor. – Você encontrar outro.
- Não, eu não vou encontrar! – gritei.
Como minha mãe poderia dizer uma coisa dessas? Edward estava em meu coração, e nunca saíria. Nunca haveria outro, nunca. – Ele é o amor da minha vida, nunca haverá outro.
Caí de joelhos no chão, meu rosto estava completamente molhado pelas lágrimas, eu estava completamente desesperada. Os soluços ficavam cada vez mais altos e agonizantes. Não tinha mais como ficar viva, não tinha mais motivos para isso.
- Um dia a sua tristeza irá passar. – disse minha mãe. – Mas enquanto isso, você ficará aqui, sozinha. – minha mãe saiu do quarto e trancou a porta.
Ela estava preocupada de outros homens me verem daquele jeito e não me quisessem mais. Nada importava realmente.
Edward Masen estava morto e com ele o meu coração. Eu nunca me apaixonaria novamente, nunca.
Eu estava presa na minha dor e na minha solidão para sempre. Nunca mudaria isso, nunca...
Eu era a prisioneira da minha própria dor. Eu tinha uma foto de Edward em minhas mãos, eu a segurava com toda a minha força – o que tinha sobrado dela.
- Você disse que se casaria comigo. – sussurrei para a foto. – Você mentiu. Levou tudo com você, levou a minha alma, a minha alegria.
Não sei quanto tempo fiquei ali, sozinha, sentindo a minha dor. Mas meu corpo estava completamente sem forças e meus olhos estavam se fechando sozinhos, não sei por que, não era sono.
Eu estava mergulhando na escuridão e, pouco segundos depois, não vi absolutamente mais nada.
[...]
Meu corpo estava completamente pesado, era como se ele estivesse pesando mil vezes mais que o peso normal.
Meus olhos estavam fechados com forças, e eu tentei os abrir, mas simplesmente não tinha mais forças para isso.
- Ela ficará bem, Doutor? – perguntou minha mãe. Sua voz estava abafada e dolorosa.
- Ela acabou pegando a gripe espanhola, será muito difícil ela sobreviver. Irei tentar. – escutei uma voz calma e muito doce responder.
- Mas como é possível ela ter pegado essa gripe? – minha mãe perguntou. – Ninguém da família pegou.
- Sua filha não estava se alimentando há dias e isso a deixou mais vulnerável ao vírus. – respondeu.
- Por favor, Carlisle, tente salvar a minha filha. – implorou a minha mãe. – Ela é tudo o que eu tenho nessa vida.
- Não se preocupe, Valentine. Vou tentar o que for preciso.
- Minha filha entrou nessa tristeza depois que Edward Masen morreu. E ele também morreu assim... – a voz da minha mãe simplesmente desapareceu.
Edward, o nome ecoou na minha cabeça. Eu estava muito preocupada com minha mãe, não queria que ela ficasse completamente sozinha, mas...
Eu queria encontrar Edward, não importava como ou aonde.
Eu não tinha forças para lutar contra a gripe, e queria morrer, eu precisava.
- Bree? – escutei uma voz familiar, me lembrava a voz de Edward.
Aquilo me deu forças para abrir os olhos, eu tinha que os abrir.
Depois de alguns minutos, eu consegui abrir os olhos e encontrei um par de olhos vermelhos me encarando. Sim, era o meu Edward, mas estava diferente, mas não importava... Eu deveria estar vendo coisas, mas não queria deixar de ver.
- Vai ficar tudo bem. – disse ele. – Estou com você, não se preocupe.
Edward se aproximou de mim e eu sorri. Seus lábios gelados beijaram meu pescoço e eu fechei os olhos.
Senti uma dor completamente insuportável. Mas eu ainda lutava contra o fogo, lutava por Edward, sempre lutaria.
Eu estava completamente desesperada, mas simplesmente esperei o fogo me tomar completamente.
Eu comecei a gritar, mesmo não querendo. Mas eu ficaria ali, não me mexeria, porque eu sabia que de alguma forma eu ficaria com Edward.
[...]
O fogo parecia ter durado séculos, mas não me importei. Quando finalmente abri os olhos, o mundo estava diferente, com mais brilho.
Mas Edward não estava mais lá, ele tinha me deixado.
Ao invés do meu amado tinha um outro homem na minha frente, me encarando e sorrindo.
- Quem é você? – minha voz estava completamente diferente, com certeza não era a minha.
- Meu nome é Christian. – disse ele. – Fui muito bom conhecer você, sem precisei a transformar, outro já fez isso por mim. – disse ele.
- Onde está Edward? – perguntei.
- O vampiro que lhe transformou? – disse ele. – Vou ajudá-la a encontrá-lo.
Agora:
Ver Edward depois de muito tempo me fazia muito feliz, o que eu já não sentia há muito tempo. Mas ele estava com outra, eu podia ver a maneira como ele olhava para ela, era como um cego vendo pela primeira vez, não era justo. Eu tinha esperado por ele por tanto tempo, não era justo outra tomar o meu lugar.
A mulher que segurava a mão de Edward era realmente muito bonita. Seus cabelos negros caiam levemente pelas costas. Seus olhos eram lindos, eu tinha que admitir, era um tom de mel.
O corpo dela era bem definido, tinha curvas, o que eu não tinha. Ela tinha matado Christian, o que me deixou feliz de certa forma. Ela realmente lutava muito bem, tinha matado o vampiro mais poderoso que eu já tinha visto.
Edward e - assim eu tinha escutado Edward falar -, estavam andando lentamente vindo na minha direção. Edward me lançou um olhar antes de sair, o que eu não entendi realmente.
- Você pode morar com a gente. – disse Esme, mas eu não estava prestando realmente atenção.
- Claro. – respondi a primeira coisa que venho na minha cabeça.
Capitulo 21: Nosso primeiro beijo
Versão Bree
Esme era realmente muito bondosa, me lembrava a minha mãe, elas tinham o mesmo jeito.
Fomos para a casa dos Cullen, não era realmente muito longe mas esse não era o motivo da minha raiva.
A loba que tinha me roubado Edward parecia ser bem disputada, eu vi o jeito que o tal de Jacob olhava para ela. Era como se ele a quisesse a qualquer preço.
O lobo não era nada feio, mas Edward era muito mais que isso. Ele era como um anjo, ele era único. deveria saber disso. Eu também notei que ela olhava para Edward de uma maneira diferente, era como se ele fosse o único e nisso ela tinha razão.
Quando entrei na enorme casa branca, pude ver que Edward estava ao lado de , ela parecia estar realmente cansada.
Por alguma razão, eu não conseguia odiar ela. Se ela não estivesse me roubando Edward, poderia ser diferente. Algo dentro de mim dizia que ela era uma pessoa boa, eu era a prova disso. Eu tinha escutado as palavras dela, eu vi o jeito que ela ficou quando viu a amiga. A voz dela era como cacos de vidro.
- Eu posso vê-la? – Perguntou , olhando para a escada.
Os vampiros que estavam na sala apenas sorriram para em resposta. Ela realmente parecia estar desesperada. Se eu tivesse tido uma amiga na vida, estaria do mesmo jeito. subiu as escadas rapidamente, eu pude perceber que ela fazia uma careta, enquanto, escutava os gritos vindo do segundo andar.
Edward continuava olhando para, e isso, partiu o meu coração.
- Devemos conversar. – Disse Edward, se virando para mim.
- Quando você me transformou eu fiquei completamente confusa. - Comecei. – Porque foi embora?
- Realmente é uma longa história. – Disse ele. Ele não tinha mudado em nada, se meu coração ainda estivesse batendo, estaria frenético agora.
- Tenho a eternidade para escutar. – Disse tentando sorrir, mas não consegui.
- Eu sinto muito. – Disse ele olhando para o andar de cima. – Eu preciso ver se ela está realmente bem, e depois a gente conversa.
Edward subiu as escadas rapidamente, ele deveria realmente a amar muito.
-Você está bem? – Perguntou Esme, com preocupação nos olhos.
- Não, não estou. – Sussurrei. Automaticamente eu coloquei a mão em meu rosto, esperando pela lágrima que nunca sairia. – Eu nunca pensei que seria assim. Encontrar Edward foi a coisa que eu mais quis na minha existência. – Disse rapidamente. – E encontrar ele foi à coisa mais dolorosa da minha vida.
- Querida... – disse Esme.
- Ela tem o coração dele, qualquer um pode perceber isso. – Disse.
- A história deles é bem longa. – Disse ela.
- Será mesmo?
- Eu vou te contar tudo. – Disse ela, pegando a minha mão.
Esme me contou completamente tudo.
E naquele momento, eu entendia completamente a , ela também tinha esperando por Edward por muito tempo, assim como eu.
Eu a entendia, mas nunca deixaria de lutar. Eu tinha que lutar por Edward, o meu amor por ele era tudo que tinha sobrado em mim.
Dias depois:
Edward estava me evitando há dias, ele simplesmente fingia que nada tinha para me dizer.
estava dormindo há dias, realmente ela estava cansada. Edward estava com ela o todo o momento, não a abandonava nem por um segundo.
Escutei a doce voz de Edward e em seguida, escutei a voz de . Pude escutar os passos dos dois andando pela casa, lentamente.
- Bree, vai ficar connosco. A partir de agora ela é uma Cullen. – Disse Edward soltando a mão da garota e nos deixando sozinhas.
fez uma careta levemente, pareceu nem perceber. Ela andou lentamente e se sentou no sofá, o mais longe de mim.
- Não me importa que você não goste de mim. – Disse rapidamente, em quanto ela se sentava. - Eu também não gosto de você. – Coloquei a minha cabeça mais para frente. - Não acredito que ele goste de você. – Olhei para a direção da cozinha. - Mas não por muito tempo.
A loba começou a tremer levemente, fechando os olhos. Ela parecia estar perdendo o controle, e isso me fez sorrir.
- , o que foi? – Disse a recém-criada. Ela realmente tinha ficado muito bonita, acho que todas eram.
se levantou e começou a conversar com a vampira, simplesmente não prestei atenção na conversa, nada me importava.
Edward entrou na sala rapidamente e eu me levantei. já estava acordada e não tinha como Edward escapar de falar comigo.
- Será que a gente pode conversar lá fora, Edward? – Perguntei.
Edward simplesmente assentiu e olhou para provavelmente vendo a sua reação. A garota não olhou para Edward, agiu como se nada tivesse acontecido.
Edward me acompanhou até a floresta, e seus olhos estavam distantes.
- Sei que você está muito confusa e eu vou lhe contar tudo. – Ele disse. – Carlisle me transformou em vampiro, antes que a gripe me matasse. Quando eu fiquei sabendo que você estava muito doente por minha culpa, fui rapidamente até a sua casa e você já não estava mais lá. – Começou. - Eu te encontrei no hospital, faltavam poucos minutos para que a gripe te matasse, eu nem mesmo pensei. – Os seus olhos estavam em um passado distante. – Bree, não fui justo com você. A deixei pensar que eu tinha morrido, mas, acredite, seria melhor assim.
- Quando você foi embora, levou tudo com você. Eu não queria mais viver sem você. – Comecei.
- Eu não queria a ter feito sofrer desta maneira. Depois que eu te transformei, fui arrumar as coisas para lhe tirar do hospital e quando eu fui te pegar, você não estava mais lá. Eu li na mente de Christian, ele te pegou e mentiu para você.
- Sempre soube que ele mentia para mim. – Murmurei.
- A minha intenção era que você ficasse comigo, mas tudo mudou.
- Como assim? – Perguntei.
- Quando eu me transformei em vampiro me lembrei de muitas coisas. – Disse ele. – Quando eu ainda era humano, sonhava com uma índia que invadia os meus sonhos. E quando me transformei, descobri que eram memórias de outras vidas.
- Era por isso que você estava sempre distante?
- Sim, era. Eu sempre amei a , ela sempre será o meu único amor. – Eu tinha ido longe demais, agora sim eu estava completamente acabada.
Era como se Edward estivesse arrancando o meu coração com a mão, doeria menos se ele tirasse mesmo.
- Entendo... – eu estava completamente acabada, eu tinha esperado tanto tempo por nada.
- Não fique assim, por favor... – ele se aproximou de mim.
- Não tem como ser de outra maneira. – Terminei. – Eu realmente pensei que um dia ficaria com você, mas estava completamente enganada. Seu coração sempre foi de outra.
- Eu não queria que fosse assim...
- As coisas são o que são. Não podem mudar. – O impedi de falar. – Você deveria ter me deixado morrer, me deixado pensar que você tinha morrido. – Agora eu estava completamente desesperada. – Eu preferia que você tivesse morrido realmente. Ou melhor, que você tivesse me deixado morrer, porque a morte realmente seria melhor que isso.
- Não fale assim...
- Porque não? – Gritei. – Eu lutei tanto tempo, mas não adiantou em nada. Você sabe o quanto me fez sofrer? - perguntei. – Não é só porque você não quer ficar comigo, mas porque você me transformou em um mostro. Eu deixei a minha mãe morrer sozinha de tristeza. Ela se matou Edward... – disse coisas que estavam em meu peito há tanto tempo. – Minha mãe se matou e eu não pude impedir. – Cai no chão. – Eu tinha que ter impedido. – Disse para mim mesma. – Mas a única coisa que aliviava a minha dor era ter esse amor que estava presente em mim. Talvez eu não morresse e minha mãe também não. – Completei.
- Eu sinto tanto...
- Não sinta. – Me levantei. – Não quero a sua pena, Edward. – Olhei dentro de seus lindos olhos. – Seja muito feliz com o seu amor! – Gritei.
Eu não estava nada bem, eu estava ficando completamente louca. Não era realmente justo falar todas aquelas coisas, mas tudo era verdade. Virei-me rapidamente para Edward, eu tinha que perguntar somente uma coisa. – Se você nunca me amou, porque me transformou? Por quê?
- Eu…eu não sei. – Confessou.
- Eu também não. – Sussurrei. – Você realmente deveria ter me deixado morrer. – Aquilo era tudo.
- Espere. – Disse Edward pegando o meu braço.
- O que? – Olhei pra ele.
Edward me olhava com intensidade e, pela primeira vez, ele me beijou. Era um beijo cheio de culpa, mas tinha algo mais.
Edward me apertava contra o seu corpo e eu o apertei também. De repente, Edward tirou os lábios dos meus e olhos para o lado.
- ... – Sussurrou ele.
Olhei rapidamente para o lado, estava completamente congelada, e olhando dentro de seus olhos, eu vi uma dor enorme. E por um momento, eu senti muita culpa.
- Desculpa interromper. – Disse ela rapidamente.
Sua voz estava abafada, era evidente que estava se esforçando muito para não chorar.
se virou e andou rapidamente para a floresta. Olhei para Edward, chocada, ele deveria realmente ir atrás de
. Dei-me conta do meu pensamento.
“Em que lado você está Bree?” – perguntei para mim mesma. Mas eu estava realmente com muita pena de , eu sabia perfeitamente como era.
- Você não vai atrás dela? – Perguntei.
- Não, eu não vou. – Respondeu ele friamente.
Eu não estava reconhecendo Edward, ele mesmo tinha me dito que amava . Mas não tinha e não iria atrás dela, eu realmente estava muito confusa.
Capitulo 22: O motivo para não tê-la em meus braços – parte 1
Versão Edward:
Naquele beijo eu depositei a minha última esperança, mesmo não gostando nada do que senti quando os lábios de Bree tocaram os meus. Eu sabia que me arrependeria pelo resto da minha existência pelo que estava fazendo, mas eu tinha que deixar partir. Seria o melhor para ela, era isso que ainda me dava forças para continuar com aquele plano doloroso. Naquele momento, eu tive, pela primeira vez, vontade de vomitar. Usei todas as minhas forças para não deixar Bree ali, mesmo todos os meus músculos me implorando para parar com aquele ritual doloroso.
Naqueles lábios não havia a quentura que eu necessitava, não havia amor, não havia paixão e muito menos desejo. Mas eu não deixaria morrer por mim, novamente. Eu havia feito uma promessa e, por mais que fosse torturante, eu cumpriria.
Naquela dor eu encontrei forças para continuar com aquilo, ali eu encontrava um motivo para me torturar eternamente. era forte, era a pessoa mais forte que eu já conheci em minha existência, ela iria ficar bem. Eu sabia que ela me amava e eu a amava mais ainda, mas eu não cometeria os mesmos erros do passado. Deixá-la morrer por mim era egoísmo, mesmo eu sabendo que ela estaria disposta a chegar a esse ponto.
Eu também morreria por ela, seria a melhor forma de morrer, mas eu não a deixaria fazer isso por mim. Além do mais, ela encontraria alguém que poderia lhe dar tudo o que eu não podia, pretendentes que não faltavam. Alice me obrigará a acabar com essa loucura, mas ela sabia até mais que eu que tudo estava lutando para que eu não ficasse com a minha amada.
- Você não vai atrás dela? – a voz de Bree ecoou em minha mente, me fazendo olhá-la por alguns segundos.
- Não, eu não vou. – a minha voz saiu tão fria que até me assustou. Mas eu estava disposto a tudo para proteger a minha .
Os olhos de Bree ficaram por segundos confusos, vi em sua mente a pena que tanto me torturava. Apesar de tudo, Bree era uma boa pessoa, seria incapaz de fazer qualquer mal a um ser. Eu deveria deixá-la fora de tudo aquilo, mas eu já tinha ido longe demais, e ela seria muito útil para afastar de mim. A culpa me corroia por dentro, me torturando mais um pouco. Eu nunca deveria ter deixado Bree sozinha naquele hospital, a sua existência estava assim por mim. Eu queria fazê-la feliz, não como ela queria – claro. Mas eu queria amenizar a sua dor, porque era por minha culpa que ela estava onde estava.
- Eu acho que você deveria. – a voz de Bree era suplicante.
- Eu já disse que não vou. – a raiva estava óbvia em minha voz. Bree se encolheu como se tivesse medo de mim, e isso me machucou. – É melhor voltarmos para casa, Esme deve estar preocupada. - continuei.
Olhei por mais uns segundos para Bree, então comecei a andar pelo curto caminho até a grande casa branca.
- Por que você fez isso? – Alice se aproximou de mim. Eu nunca a tinha visto daquela maneira, ela estava desesperada.
- Não me encha! – ordenei, entrando na casa, indo para o meu quarto.
Deitei-me na cama, suspirando. Os meus olhos queimavam pelas lágrimas não caídas. Passei meus dedos sob o local que mais ardia, era como se o meu coração estivesse sendo arrancado com a mão de meu peito. Por um segundo, eu pensei em correr atrás , implorando que ela me perdoasse. Mesmo querendo muito, eu não podia.
A última visão de Alice tinha sido nítida demais, era assustador lembrar.
Os olhos de se fechando lentamente, enquanto as chamas altas do fogo a tomavam. Suas suplicas pela morte, me torturando por não poder fazer mais nada. Aro sorrindo como se estivesse vendo fogos de artifício, os seus olhos brilhando pela vitória recém conquistada.
Se existia alguém nesse mundo que mais odiasse , esse era Aro. Ele sabia que não poderia lutar contra a loba que já tinha o matado uma vez, e por mais que quisesse esconder, ele tinha medo dela. Tudo estava acontecendo como ele tinha planejado, Aro estava escondido em algum lugar, esperando deixar de lutar, então, ele terminaria o que tinha começado há um século e meio atrás. Ele queria torturá-la assim como ela o fez antes, não fisicamente, claro. Quando eu conheci Yonah, estava implorando pela morte, estava fugindo do meu criador louco. Mas por mais que eu me escondesse de Aro, ele me encontrou. Assim como aconteceu comigo, Aro se apaixonou por Yonah. Mas não era amor que ele sentia por ela, era obsessão. Mas era simplesmente impossível não se apaixonar por ela, tudo nela era raro. Sua bondade, seu sorriso que iluminava o mundo, seu olhos cheios de compaixão. Por mais que ela fosse uma alfa forte, ela ainda respeitava a vida. Ela sabia que não tínhamos culpa por ser assim, e quem escolhia o lado bom, ela os deixava partir. Ela acreditava que ainda existia um lado bom em nós. Aro ficou encantado com Yonah, e estava disposto a conquistá-la.
Mas ele começou a perceber que tinha muito mais que amizade entre nós, e então, ele decidiu me matar para não perdê-la.
Ele estava louco pelo ciúme, tudo o que ele queria no mundo era ela e estava disposto a tudo para tê-la.
Yonah e eu estávamos sentados em uma clareira, conversando sobre o verdadeiro amor.
Fechei meus olhos, vendo a cena se passar novamente em minha mente.
O seu rosto calmo sorrindo para mim, como se eu fosse o único em sua vida.
- Yonah, não sei como lhe dizer... – tremi, fechando os meus olhos.
- Apenas diga, você sabe que pode me dizer qualquer coisa. – a confiança e o conforto estavam em sua voz doce, me acalmando. – Eu sempre vou estar aqui com você, Heath. – então, eu senti suas mãos em meu rosto, sua respiração quente tão próxima, me fazendo querer beijá-la.
Como eu diria a ela que a amava e precisava dela assim como os humanos precisavam de ar? Como?
- Heath? – perguntou ela, me fazendo abrir os olhos. O seu sorriso me deixava mais seguro, era incrível o quando eu a amava, não existiam palavras para explicar. – Não se preocupe com nada, eu sempre estarei com você, meu amor. – então ela me abraçou, provando que sentia o mesmo por mim, me fazendo feliz por tê-la apenas para mim.
Passei meus dedos entre seus cabelos longos, os acariciando.
- Eu te amo Yonah. – minha voz saiu tão baixa, nem mesmo eu podia ouvi-la. – Preciso de você assim como os humanos precisam de ar para sobreviver. Você é a coisa mais importante da minha vida.
Yonah tirou o seu rosto do meu peito, me olhando como se o sol estivesse bem ali, em sua frente.
- Eu também te amo Heath. Não posso viver sem você. – aquelas palavras me fizeram perder a cabeça e beijá-la.
- Heath eu te mato! – a voz de Aro atravessou a floresta, nos atingindo rapidamente.
Sua mente era apenas escuridão, e eu sabia que o ciúme tinha o tomado completamente.
Yonah paralisou, olhando com calma em cada detalhe da floresta. Não existia ninguém melhor em uma luta que ela. Todos os seus sentidos estavam em alerta, fitando a floresta. Eu ainda era um recém-criado e nunca tinha lutado com um vampiro, ainda mais um como Aro, tão experiente.
Todos os músculos de Yonah estavam tremendo, sua mente se desligava aos poucos.
Ela respirou profundamente, se levantando com cuidado, no mesmo momento que Aro apareceu em nossa frente.
Na mente de Yonah era só tristeza, apesar de tudo, ela gostava de Aro, ele tinha sido um ótimo amigo. Ela se culparia para sempre se o ferisse. Mas ela já estava decidida, não deixaria ninguém me matar.
“Quando ela começou a me amar?” – perguntei a mim mesmo.
O sentimento dela por mim era tão forte quando o meu por ela, e eu nunca tinha percebido isso. Mas era tão difícil ler a sua mente, até mais que os outros lobos.
Eu queria poupá-la do arrependimento futuro, mas eu nunca tinha lutado com alguém e acabaria perdendo. Yonah sabia disso, ela mesma já tinha me dito que eu era tão parecido com um humano.
Mas por trás da fortaleza que era Yonah, ainda existia uma pessoa frágil e que se culparia para sempre.
- Por que ele, Yonah? – a voz de Aro era como espinhos, ele estava desesperado. Os olhos vermelhos de Aro pararam em mim, era tão horrível ver o quando ele me odiava. – Ele nunca será bom o bastante para você.
Era como se Yonah tivesse levado um tapa em seu rosto, os seus olhos estavam tão raivosos.
- Quem é você para dizer isso? – quando ela falou, era apenas um sussurrou, mas a sua voz tinha um poder grandioso. – Por favor, Aro, não me obrigue a perder o controle com você. – então uma lágrima rolou sobre o seu rosto de anjo. Quando Yonah começava uma luta, era como se ela fosse outra pessoa, sua mente desligava-se.
- Não vou deixá-la ficar com ele! – ele gritou. – Sou capaz de tudo para fazê-la minha.
- Nunca serei sua. – ela respondeu, olhando para mim por apenas um segundo.
- Se não é minha, não vai ser de mais de ninguém. – Aro estava pensando em matá-la e isso me provocou uma reação inesperada.
Com apenas um movimento, em pulei nele, o socando. Nunca o deixaria fazer o que estava pensado, nem mesmo que eu tivesse que morrer tentando.
Um lobo uivou no mesmo instante, nos fazendo paralisar e olhar a enorme loba branca. Yonah ainda tremia, fazendo seus pelos balançarem. Era como se ela tivesse se controlando mundo para não atacar, eu não podia ler sua mente, era impossível quando ela estava transformada.
Eu estava tão concentrado em ler sua mente, que não percebi quando Aro começou a me atacar, tudo foi tão rápido, que nem mesmo os meus olhos puderam ver quando Yonah impediu Aro de tirar a minha cabeça do lugar, tirando seu braço fora.
Ela uivou quando fez esse movimento, era como se gritasse para que eu tomasse cuidado. Foi tudo tão rápido e, então, a luta terminou e Aro estava morto.
Voltei lentamente para o presente, olhando para o meu quarto. As lembranças eram tão claras, como se eu tivesse as vivendo novamente.
- Você não pode deixá-la sozinha. – disse Alice, entrando no quarto. – Se Aro ver que ela está sozinha, será o fim, Edward. – ela estava tão preocupada, seus músculos estavam como se estivesse sobre o fogo. – Sei que você está disposto a continuar com isso. – ela se sentou na minha cama, bem ao meu lado. – Mas talvez não dê certo. – ela vasculhava o futuro, rapidamente. – Aro quer vingança e não vai descansar até tê-la. Ele não vai ousar atacar abertamente, ele ainda tem medo de , mas ele tem Jane e Alec ao seu lado. Não é como antes, ele não está mais sozinho.
- Talvez se ele perceber que eu e não estamos mais juntos, ele desista dessa vingança. – argumente, me sentando.
- Eu não acho isso. – ela franziu o cenho, colocando sua mão na cabeça. – Não importa como, ele quer lê-la sofrer. Você sabe muito bem que ele já está planejando essa vingança há muito tempo, não tem erros. – ela se levantou atordoada. Alice amava , ela queria proteger a sua irmã mais nova com todas as forças, mas não via como. – É tudo tão escuro, eu não vejo nada. – Alice deixou os seus joelhos cederem, caindo no chão.
Levantei-me rapidamente, tomando Alice em meus braços, tentando aliviar a sua dor.
- Vamos dar um jeito, Alice. – sussurrei rapidamente, passando minha mão em seu rosto.
- Como? – os seus soluços estavam mais altos, sua dor era uma tortura para mim, que se misturava a minha. – Eu a vi morrer quatro vezes, e todas são tão dolorosas. – ela enterrou seu rosto em meu peito. – Todas são lentamente... – disse ela por fim.
- Você sabe que eu não vou deixá-lo tocar nela. – minha voz estava tão rouca, afinal, eu também estava chorando. – Você sabe que eu vou fazer tudo que estiver ao meu alcance e até mais. – Alice olhou para mim, seus olhos estavam sem vida alguma, eles estavam mergulhados na tristeza profunda do seu coração. Mergulhado no passado distante, onde ela tinha criado Yonah como se fosse sua própria filha.
- Eu não quero ver a minha irmã morrer, novamente. – ela suplicou. – Você tem que ficar perto dela. Nem mesmo os lobos podem impedir Aro.
- É isso que eu estou fazendo. – disse. – Mas eu ainda acho que ficar longe será a melhor solução.
Continua...
Capitulo 22: O motivo para não tê-la em meus braços – parte 2
Continuação
Alice afundou novamente seu rosto de fada em meu colo. Sempre fomos muito ligados, mas agora a distância entre a gente tinha ficado como um abismo escuro. Ela queria proteger acima de tudo, assim como eu, mas ela ficava descontrolada quando cogitava a possibilidade de sair ferida. Eu queria proteger a razão da minha existência, mas talvez fosse melhor ficar distante, Aro a queria e era por minha culpa. Ser forte, ou tentar, era a única coisa que eu podia fazer. Eu não podia simplesmente levar para algum lugar e esperar que tudo ficasse bem.
O sentimento de ódio não me abandonava, aquele sentimento me tomava e me fazia dele completamente.
era forte, e por mais que eu odiasse admitir, ela tinha os lobos ao seu lado, tinha Jacob...
Se eu não estivesse nessa situação, nunca largaria mão da única razão da minha vida, nunca a daria de mãos beijadas para outro.
Jacob amava , todos podiam ver isso. Ele sempre amou , mesmo lutando contra isso, ela era como um anjo em sua vida. Ela sempre esteve ao seu lado, e isso só o fez a amar mais.
Mas ele também amava Bella, não era nem comparado ao amor dele pela , mas ele a amava.
- Edward? – Alice sussurrou, tirando o seu rosto do meu colo.
- Sim? – olhei para ela.
Fui completamente arrastado para os pensamentos de Alice.
estava sorrindo, seus cabelos voavam em direção ao vendo. Tinha mais alguém com ela ali, mas eu não podia ver que era.
- Você me ama? – perguntou a voz rouca, mas eu não conhecia essa voz.
ficou séria, seus olhos estavam apavorados, como se lutassem para permanecer firmes.
- Você sabe que eu gosto de você... – quando ela disse isso, eu vi o rosto do rapaz. Ele era forte, seus cabelos eram castanhos escuros. – Mas eu não posso te enganar, meu coração está fechado, eu nunca amarei ninguém, novamente. – algo na voz de me fez tremer, ela estava tão fria, vazia. Não tinha nada que me fosse familiar, era como se fosse outra pessoa.
- Ele te fez sofrer muito. – a voz do rapaz era como se ele suplicasse. – Eu entendo...
- Ele não importa agora. – olhou para outra direção, desviando os seus olhos vazios. – Ele era um monstro e eu não sabia. Não importa o passado agora, ele morreu e me levou junto.
- Mas você está viva...
- Não, não estou. Quando o meu coração foi quebrado, algo dentro de mim morreu. – olhou novamente para o rapaz. – Eu não sou mais a mesma de antes, não sou mais aquela que acreditava no amor acima de tudo. O amor não existe, ele te machuca e depois lhe deixa sozinha, acabando com tudo o que tinha de bom dentro de você. Ele destrói tudo, deixando apenas escuridão, deixando apenas o vazio.
- Eu não quero que você se sinta assim. – o rapaz passou seus braços em torno de , tentando a proteger, a mesma se encolheu como se aquele toque fosse doloroso.
- Não importa o que eu sinto agora. O que realmente importa é tentar salvar as pessoas que estão desaparecidas.
- Você não pode salvar todos, . – o rapaz se afastou, olhando para os olhos de .
- Eu não tenho nada a perder, a única coisa que me sobrou foi isso. – ela apontou para o colar em seu pescoço. – Pelo menos, vou salvar alguém, já que não pude salvar a mim mesma.
Versão
Lágrimas escoriam pelo meu rosto, as limpei rapidamente, tentando não chorar, novamente.
Os meus sentimentos estavam me matando, o que não era uma coisa difícil. Mas agora, hoje, eu chorava por uma coisa maior, muito maior.
Eu chorava pela perda, pelo meu coração, pela minha alma. Eu já não podia sentir a minha alma, simplesmente não estava presente em mim.
Edward já não estava mais presente, e com ele, a minha alma também se fora. Ele levou tudo, não me restou nada...
Sobreviver era a coisa mais difícil, a mais difícil entre as outras coisas. Eu já tinha me decidido, não iria interferir na vida de Edward, não importava o quanto era doloroso pra mim, não importava o quando eu estava sofrendo. Ele tinha que ser feliz com a pessoa que podia oferecer coisas que eu não podia. Bree podia oferecer a ele muitas coisas, isso eu não podia negar. Eu estava tentando não pensar nas horas anteriores, não pensar em como Edward parecia gostar de Bree.
Dormir era uma sorte que eu não tinha. Os meus olhos já estavam cansados, mas quando eu os fechava, Edward reaparecia e me assombrava, novamente.
Eu queria dormir, talvez assim, a minha dor diminuiria. Esquecer seria o melhor, mas eu não tinha esse privilégio.
O grito ainda estava amarrado a minha garganta, me fazendo ofegar.
Fechei os meus olhos, tentando ignorar a dor, sem sucesso.
- Você não vai tomar café? – perguntou-me meu pai, entrando no meu quarto, se sentando ao meu lado na cama. Ele me olhava como se eu posse uma pequena menina indefesa, novamente.
- Não. – respondi, sorrindo. – Eu tenho que fazer algumas coisas, ainda não falei com os lobos.
- Entendo. – ele assentiu, passando a mão em meu rosto. – Mas você parece cansada, filha. Está com umas olheiras enormes, acho que os meninos não vão se importa se você ficar em casa.
- Tudo bem, pai. – me levantei, eu tinha que sair dali. – Eu estou me sentindo ótima, e acho que ficar com os meninos será muito bom.
- Como preferir. – ele sussurrou, levantando as mãos em sinal de rendição. – Apenas tente não passar muito tempo com aqueles garotos. – ele fez uma careta, mostrando estar apavorado. – Dizem que eles são de uma gangue... – ele sussurrou, como se fosse um segredo.
- Não deixa a minha mãe enfiar minhocas na sua cabeça. – era muito difícil a chamar de mãe, já que ela nunca tinha sido uma pra mim, realmente.
- Ela se preocupa com você. – ele se levantou, defendendo aquela pessoa. – Ela está simplesmente apavorada, você não quer falar com ela, age como se ela simplesmente não existisse, como se não fosse a sua mãe.
- Eu só não quero ficar perto dela, e muito menos das pessoas que estão ao seu redor.
- Você não era assim, filha. Eu não estou te reconhecendo, e nem mesmo Erick.
- Pai, eu não quero falar sobre isso. – me aproximei, eu tinha que tentar não ficar brava com meu pai, ele era inocente, não sabia de nada.– Eu sei que estou sendo uma péssima filha, nunca estou em casa e sempre estou calada.
- Você é ótima. – ele se aproximou de mim, passando os seus braços a minha volta. – Mas acho que você não está sendo justa com a sua mãe, ela se preocupa com você. Sei que Helena não é a melhor mãe do mundo, mas ela está passando por coisas muito difíceis e você tem que procurar entendê-la.
- Claro que ela está. – disse ironicamente, revirando os olhos. – Mas acho que ela realmente não precisa de mim. – meu pai ficava triste por minha mãe, afinal ele ainda a amava muito, mesmo tentando esconder isso. – Vou tentar, prometo. – o sorriso de meu pai finalmente apareceu em eu rosto, me deixando um pouco mais feliz. Ele era uma das poucas pessoas que era realmente importante para mim, ele era o melhor pai que podia existir.
Sai dos braços de meu pai, tentando não chorar. Eu estava realmente tentando não parecer triste, mas eu precisava de um ombro amigo. A solidão e a dor estava me deixando ainda mais apavorada, eu não sabia o que iria fazer, mas sem Edward eu estava perdida, e não sabia a qual direção ir. Às vezes o vazio me tomava, era o pior sentimento que já existiu. O vazio me apavorava, eu nunca fui uma pessoa vazia. Eu não estava me reconhecendo mais.
- Tenha cuidado na floresta. – alertei.
- Eu sempre tenho. – ele disse sorrindo.
Andei pela casa rapidamente, a noite anterior ainda estava alojada em meu peito. Ver Edward beijando Bree estava me corroendo.
Parecer fria e forte era a única coisa que eu podia fazer, mesmo não estando realmente. Era uma maneira de provar que eu estava bem, eu não queria que Edward se preocupasse comigo, não queria que ele deixasse de viver a sua vida por mim. Mas eu estava machucada, estava me sentindo sozinha, e mesmo tentando muito, estava vegetando.
Peguei a minha bolsa e sai da casa. Um frio percorreu a minha espinha, aquele sentimento me congelou.
Era como se eu tivesse sendo observada de perto. O perigo estava evidente no ar, olhei para os lados, não tinha ninguém na rua.
- Não tem nada de errado. – tentei me convencer, voltando a andar.
“Você ainda continua sendo a mais linda.” – uma voz me atingiu, me fazendo olhar para trás, por alguns instantes eu podia jurar que tinha visto alguém atrás de mim. Era um rosto retorcido, eu nem mesmo podia identificá-lo.
“Eu ainda te quero com a mesma intensidade” – a voz ecoou novamente, me fazendo caiu no chão, eu me sentia tão sozinha e desprotegida.
Em toda a minha vida, eu nunca tinha sentindo aquele sentimento, era como se eu estivesse na escuridão da minha alma, como se ali fosse o fim.
Mesmo eu sendo uma loba, eu ainda achava que não podia vencer aquilo. Eu não podia vencer o que fosse.
O frio percorreu novamente o meu corpo, eu me encolhi no chão. Por fração de segundos, eu senti uma mão tocar o meu rosto, passando os dedos gelados por todo o comprimento.
Eu precisava lutar contra aqui, mesmo tendo certeza que eu nunca venceria. O que fosse aquilo, estava me matando aos poucos. Deixei a minha cabeça cair no chão, a fazendo sangrar por alguns segundos, antes do ferimento desaparecer.
“Você fica fraca quando está triste” - sussurrou a voz no meu ouvido, fazendo o frio aumentar.
“Você não pode lutar contra mim, querida”.
- Eu sei que não. – sussurrei em resposta.
Fechei os meus olhos, me deixando tomar pela dor e o medo. Minha mente estava se desligando rapidamente, me tirando dali.
Versão terceira pessoa
Aro sorriu amargamente quando viu a escuridão tomar o corpo de . Ela não podia lutar e nem se esconder.
Ela estava fraca demais para ao menos tentar lutar, ela simplesmente se rendia ao lado negro.
Aro estava feliz por tudo estar saindo como ele planejou. Se estivesse sozinha, ela estaria indefesa. Afinal, mesmo ela sendo a reencarnação de Yonah, ainda era apenas uma adolescente, não sabia lutar contra um mal daquele nível.
Apesar de tudo, Aro ainda amava aquela criança indefesa, mesmo lutando muito contra aquele sentimento idiota.
Mas o sentimento de rejeição ainda era maior que o amor, ele queria vê-la sofrer, queria ver a sua alma se romper, não estava longe disso.
estava sendo manipulada por Aro, ele ainda tinha o poder do colar dos sentimentos, ele podia a fazer se sentir sozinha e vazia.
Pelo menos, ela não estava sentindo a sua dor realmente, ela apenas estava sentindo a escuridão e o vazio.
- Mestre, você acha que será fácil vencê-la? – perguntou Jane, aparecendo de repente.
- Será como planejamos querida. – ele se virou respondendo. – Ela vai se sentir cada vez mais sozinha e quando finalmente não restar nenhum sentimento bom nela, eu a levarei para o castelo.
- Você acha mesmo que Edward continuará longe? – perguntou a criatura de manto negro, se abaixando e passando a mão no rosto angelical de .
- Claramente, querida. – Aro colocou a mão no ombro de Jane, ele não queria que ninguém tocasse em ele ainda a queria só para ele. – Eu quero que Yonah desperte, quero que ela veja por quem se apaixonou. – os olhos de Aro brilharam pela possibilidade de ficar com Yonah. – Eu vou fazê-la odiar Edward, e ele só está me ajudando cada vez mais. Ele não pode lutar contra mim, nunca pode. E agora, ele está fazendo tudo o que eu quero que faça, ele vai deixar cada vez mais desprotegida.
Com um movimento rápido, Aro desapareceu, deixando e Jane para trás. Depois de alguns segundos, Jane também desapareceu.
Versão Jacob
Eu sabia que uma coisa muito ruim estava prestes a acontecer. Continuei andando em direção a casa de , mesmo que ela me pedisse para deixá-la, eu nunca a deixaria realmente. Eu sabia que tinha sido um idiota no passado, a fazendo sofrer e a afastando cada vez mais de mim. Ela tinha tido uma impressão com aquele vampiro topetudo, mas eu ainda continuaria lutando por ela.
Fazer Bella sofrer era a pior coisa, mas eu não podia simplesmente fingir que estava feliz, porque não estava.
Bella era uma pessoa querida pra mim, mas não era amor o que eu sentia por ela e todos sabiam disso, até a mesma.
Um cheio de sangue me atingiu, me fazendo correr em direção ao local. Logo vi uma figura no chão, não demorou muito para que eu reconhecesse quem era.
Corri ainda mais, ficando apavorado. estava simplesmente horrível, tinha um ferimento em sua cabeça, mas não era isso que me assombrou. Sua pele estava totalmente pálida, era como se estivesse morta.
Cheguei até ela, passando meus braços ao seu redor, tentando ao máximo não machucá-la. Ao tocar sua pele, todo o meu corpo se encolheu, ela estava tão fria.
- Estou sozinha. – sussurrou, as lágrimas rolaram pelo seu rosto, mas ela ainda continuava desacordada. – Ele não está mais aqui para me proteger.
- Eu estou aqui, eu não vou deixar nada te fazer mal. – sussurrei, tentando, inutilmente, acordá-la.
- Estou sozinha... Estou sozinha. – ela continuou a sussurrar.
Coloquei em meu braço, me levantando rapidamente.
- Não me deixe Edward... – quando aquelas palavras foram ditas, era como se uma faca tivesse me ferido. Olhei para , ela ainda chorava.
- Está tudo bem, . – sussurrei, lutando contra as malditas lágrimas que invadiram os meus olhos. Eu sabia que ela amava mais que tudo aquele vampiro idiota, mas aquilo ainda não deixava de ser doloroso.
Andei rapidamente em direção a casa, entrando com toda velocidade dentro dela. A casa estava totalmente vazia, apenas os sussurros de que tinham vida ali.
Levei para o seu quarto, a colocando na cama com delicadeza, abri o armário e peguei uma coberta, a colocando ao redor de .
- Sozinha... – ela sussurrou novamente. – Não posso lutar contra a escuridão da minha alma.
- Você nunca estará sozinha . – peguei a sua mão fria. – Eu sempre estarei ao seu lado, mesmo que você nunca me queira por perto.
A cada segundo, ficava mais fria, me deixando apavorado. Eu não sabia o que fazer, me levantei da cama rapidamente, olhando para o rosto de .
- Você precisa de um medico. – sussurrei. – Mesmo que eu tenha que implorar para aquele doutor, eu vou trazê-lo aqui. - prometi.
Capitulo 23: O fim de um pequeno romance
Versão :
Eu já não sabia o que era real ou o que era fruto da minha maluca imaginação. Todos os meus músculos gritavam para que aquela tortura passasse. Para que aquela dor que vinha bem do fundo da minha alma, finalmente acabasse. Por alguns segundos, eu pude ver dois pares de olhos dourados me encarando, mas eu sabia que deveria estar imaginando. Edward não estava mais comigo, nunca mais estaria.
Eu sabia que aquela tortura estava longe de acabar, sabia que aquilo nunca mais terminaria. Aquilo continuaria me arrastando para algum lugar dentro de mim, um lugar que não era nada bonito.
Eu podia sentir a minha alma se separando do meu corpo, sendo arrastada para escuridão.
Eu estava com tanto medo, nem mesmo o fogo me fazia sentir assim. Quando eu estava sendo queimada vida, sabia que iria morrer, seria doloroso, mas eu ainda me sentia em paz, eu sabia que não estava sozinha.
Mas agora, eu tinha completamente certeza que estava sozinha, mesmo tentando me convencer que existia alguém, em algum lugar, que lutasse por mim.
- Você vai ficar bem. Prometo. – escutei uma voz doce, bem próxima do meu ouvido.
- Ela ficará bem, Edward? – uma voz fina chegou até mim.
- Sinceramente, eu não sei. – a voz ficou mais fraca.
O frio percorreu o meu corpo novamente, me fazendo gemer alto.
- Você não pode deixar a sua alma se despedaçar, . – a voz ficou mais próxima, era como se estivesse bem ao meu lado. Um frio percorreu o meu rosto, senti dedos tocarem a minha boca, lentamente. – Você não pode partir. – suplicou. – Você sempre foi tão forte. Não pode simplesmente me deixar...
Como se fosse um choque elétrico, minha mente começou a voltar aos poucos, me fazendo lembrar da voz de Edward.
- Seja forte! – suplicou novamente.
Era tão doloroso ver a tristeza em sua voz. Eu queria abrir os meus olhos, dizendo que estava bem. Mas o meu corpo simplesmente não respondia aos meus desejos, era como se eu tentasse mover uma rocha pesada com apenas um dedo.
- Você realmente vai embora? – escutei a voz de Jacob ao longe. – Você sabe que isso vai a fazer sofrer ainda mais. – ele quase gritou, pude escutar a sua garganta rugir pelo esforço. –
Você não pode simplesmente partir, a deixando aqui. Ela ama você, sei que isso é doloroso admitir, mas você é o único pra ela.
- Acredite em mim, ela ficará melhor sem mim. – Edward respondeu. – Hoje só foi uma confirmação disso.
- Você vai simplesmente fugir? – escutei os passos pesados de Jacob se aproximando, enquanto falava. – A deixe escolher! Você não pode fugir só porque acha que ela vai estar em perigo com você aqui. Se esse vampiro está atrás dela, fique e a proteja!
Eu podia escutar as palavras perfeitamente, mas não podia entender. Minha mente estava uma confusão, a única coisa que eu podia perceber era de quem eram as vozes.
Escutei passos leves se aproximando, vindo em minha direção.
- Edward, a mente dela está voltando. – disse Alice, próxima de meu ouvido. – Por favor, seja rápido. – a tristeza era óbvia na voz de Alice.
O silêncio se alastrou pelo local, mas eu ainda podia escutar uma respiração calma, bem próxima.
O meu corpo começou a se esquentar, levando com o frio, a escuridão da minha alma. Tudo começou a ficar mais claro, me fazendo respirar profundamente. Um aparelho irritante começou a apitar, me fazendo virar a minha cabeça para a direção de onde vinha o barulho. O barulho ecoava em meus ouvidos, me fazendo feliz por um lado.
Meus sentidos estavam voltando, e com ele, a minha insanidade mental. Pude sentir que algo prendia a minha mão com força, trazendo-me certo desconforto. O meu braço direito estava envolvido por algo resistente e muito frio, me fazendo estremecer, com medo que aquela escuridão voltasse a me assombrar.
Forcei o meu corpo a se mover, tentando ficar sentada, mas duas mãos fortes seguraram meus ombros, me impedindo de concluir a ação.
- Você não pode se mover assim, tão rápido. – disse Edward, me fazendo sentir o seu hálito gelado em minha pele.
Abri meus olhos lentamente, sentindo a dor aguda, que me atingia pelo esforço. Olhei meio confusa o local onde me encontrava, era tudo tão claro, que não pude ver as coisas nitidamente.
- Acho que vou deixá-la descansar um pouco. – Edward se virou, se levantando. Forcei a minha mão a se mover, tocando o seu antebraço com delicadeza, lentamente.
Edward virou o seu rosto para mim, imediatamente. O seu rosto estava diferente, não havia mais aquele brilho que me aquecia, nem a calma que me reconfortava. Seus olhos estavam apagados, suas sobrancelhas estavam justas, seus lábios estavam reprimidos com força. Depois de alguns segundos, Edward se móvel lentamente, votando a se sentar ao meu lado.
- , esta não é a melhor hora para a gente ter essa conversa. – ele sussurrou.
Meus pensamentos ficaram confusos, e então, eu me lembrei um pouco da conversa que ele teve com Jacob. A única coisa que eu conseguia me lembrar era que ele dizia que ia embora. As lágrimas invadiram meus olhos, e a cada segundo passado, o choro ficava mais forte, me fazendo reprimi-lo em minha garganta, a fazendo arder. Fechei as minhas mãos, cravando as unhas finas em minha pele, a forçando ceder. Por algum motivo, eu pensei que ter uma dor física, aliviaria naquela dor que me invadia brutalmente emocionalmente.
Senti o liquido quente escorrer sob meu pulso, fazendo Edward olhar assustado para o local.
-... – ele sussurrou, segurando a minha mão. Havia dor em sua voz, mas eu estava assombrada demais para me permitir fazer alguma coisa em relação aquilo.
- Tudo bem, Edward. – minha voz era como espinhos, perfurando a minha garganta quando as pronunciei.
- Não quero que você sofra... – ele disse, suspirando.
- Não se importe comigo. – choraminguei, fechando os olhos. Eu tinha que aliviar a culpa dele, mesmo isso me machucando ainda mais.
- Eu estou indo embora com Bree... – ele disse rápido demais, me atingindo rápido demais.
- Claro que vai. – tentei me convencer a não chorar em sua frente. Por mais que eu quisesse ficar com ele, por mais que eu precisasse de seu amor, o desejo que ele fosse feliz, ainda estava ali, me fazendo mais forte, aparentemente. Suspirei abrindo os olhos, Edward estava tão tristeza.Forcei os meus lábios a sorrirem, o reconfortando. – Não se preocupe comigo. – minha voz era tão baixa e fraca, mas se eu tentasse falar mais alto, acabaria desmoronando. – Eu te desejo tudo de bom, Edward. Sei que você será muito feliz com Bree. – o choro ficou evidente em minha voz, a embaralhando. Eu queria gritar e implorar que ele não me deixasse, mas eu não faria isso, ele era importante demais para mim, nunca o deixaria ficar comigo por egoísmo. Passei minha mão em seu rosto com carinho, acariciando sua pele com meus dedos, o mesmo fechou os olhos, suspirando. – Edward, eu quero que você me prometa uma coisa.
Ele abriu os olhos, colocando sua mão em cima da minha, a acariciando com as pontas dos dedos.
- O que quiser... – sussurrou, fechando os olhos, novamente.
- Que você vai ser plenamente feliz... – sussurrei, eu precisava ter certeza que ele ficaria bem, que seria feliz.
Edward abriu os olhos, me fitando intensamente. Ele colocou sua mão em meu rosto, calmamente, e passou os seus dedos sobre o local.
- Vou fazer o que estiver ao meu alcance... – sussurrou. Depois sua expressão ficou mais fria, dura. – Tenho certeza que serei. Eu amo a Bree com todo o meu coração.
Forcei o meu sorriso a continuar, mesmo tendo vontade de gritar como uma criança.
- Isso é o que importa. – sussurrei para mim mesma.
- Vamos partir daqui a alguns minutos. Eu só queria ter certeza que você ficaria bem...
- Como eu disse: não se preocupe. – o encorajei.
Desviei os meus olhos dos de Edward por alguns segundos, tomando coragem para dizer adeus. O meu coração estava indo com ele, mesmo ele não o querendo. Eu sempre amaria Edward.
- Acho que ela deve estar te esperando. – o alertei. – Melhor você ir...
- Verdade. – ele se levantou. – Virei te visitar algum dia.
- Claro. – balancei a cabeça, tranquilamente.
Edward se aproximou, e colocou seus lábios no alto da minha cabeça, depositando um beijo carinhoso.
- Se cuida. – ele sussurrou, ainda com os seus lábios em minha testa.
- Pode deixar. – disse rapidamente.
Edward se afastou lentamente, ainda olhando para mim. Seus olhos ainda continuavam tristes, mas eu sabia que ele iria ser plenamente feliz, então estava tudo bem.
Então, Edward saiu do quarto, fechando a porta atrás de si.
Cinco semanas depois...
Hoje estou triste, muito triste. Tão triste que não consigo descrever essa tristeza nem com palavras, mas se alguém olhar em meus olhos, veras a marca da tristeza e da solidão que me invade. Essa tristeza que vem de dentro e que me deixa calada, e sem forças para esquecer Edward. Mas aquele amor tinha muita força sobre mim, essa força tomou meu coração e transbordou a minha alma, e quando ele se foi, fiquei sem rumo...
Uma dor possuiu o lugar onde ele deixou, que dói muito sem doer, mas aos poucos me sufoca.
A cada instante que lembro de Edward, dos seus doces e belos lábios, a cada segundo que me lembro do seu doce perfume e de sua voz doce invadindo meu ouvido e penetrando em meus pensamentos até chegar a meu coração, cada vez que lembro da sua pele macia e perfumada como rosa, tocando minha pele, meu olhos se enchem de lágrimas.
È triste, desafiador, viver essa dor de não ter ele aqui. Ao mesmo tempo, me sinto forte por resistir. Resisto à saudade, aos sonhos que tenho em que Edward é sempre o herói. Resisto a mim mesma e ao meu coração que luta por manter vivo em mim. Cada vez que lembro do seu olhar, do seu sorriso, sinto a necessidade de estar com ele. Sentir-te comigo por apenas um instante novamente, guardando esse momento em minha alma eternamente.
Eu não sei como preencher o vazio da minha alma sem a dele. Os pensamentos embaralham na minha cabeça como um redemoinho.
Mas eu ainda estou tentando viver, ainda continuo visitando os Cullen, mesmo isso me ferindo ainda mais.
Olhei para o relógio em cima da pequena mesa do meu quarto, ele ainda dizia que era duas horas da manha.
Sentei-me na cama, ainda observando o relógio. Eu queria que o tempo passasse rapidamente, eu queria que aquela tortura acabasse.
Ficar sozinha tornava as coisas ainda piores. Tudo em que minha mente pensava era: como a falta de Edward me sufocava e de como eu tinha me transformado em uma pessoa deprimida e solitária.
Comecei a balançar seus pés impacientemente, desejando com todas as minhas forças que amanhecesse logo.
Levantei-me, andando pelo meu quarto, de um lado para o outro. Tudo o que eu mais queria era não ter tempo para pensar, assim eu podia enganar um pouco a minha dor.
O meu celular começou a tocar desesperadamente, me fazendo pular quando escutei o barulho.
Andei até a minha cama e peguei o meu celular, o atendendo.
- eu preciso de você... – escutei a voz fraca de Bella. – Você tem que me ajudar! – ela choramingou.
- O que está acontecendo Bella?
- Eu cai e bati a minha barriga. – ela começou a chorar. –Você tem que me ajudar! Nada de ruim pode acontecer com o meu bebê...
- Calma. – tentei acalmá-la. – Eu já estou indo até ai. – desliguei o telefone.
Capitulo 24: Sonhos
Sinto que estou despedaçando,
Olhando de perto a escuridão que me invade.
Me sentindo abandonada, como nunca jamais senti.
A escuridão voltou a me assombrar, mas desta vez,
É realmente assombrador, como se eu fosse morrer e nunca mais retornar.
Preciso de você aqui, trazendo a luz contigo, novamente.
Me tirando desse vazio, finalmente me libertando.
Tirando essa frieza que está alojada em meu coração, me fazendo voltar a ser a mesma de antes.
Nunca em minha curta vida eu tinha sentido o que estava sentindo nesse momento.
Eu podia sentir o misto dos sentimentos desesperadores em minhas veias, se espalhando rapidamente por todo o meu corpo.
A voz de Bella implorando por ajuda ecoava em meus pesamentos, repetidamente. Trazendo aquele sentimento que já era tão conhecido para mim. Desespero.
Este tão conhecido sentimento se espalhava em mim, torturando-me.
Era como se eu estivesse em um filme de terror, onde eu tentava – inutilmente – lutar contra um monstro cruel. Só que desta vez, o monstro não era apenas fruto da minha imaginação.
Naquele momento, eu me sentia mais humana do que nunca. Mesmo que eu usasse todas as minhas forças, meus pés nunca se moviam rápido o suficiente.
A escuridão naquele momento nunca esteve mais forte, me fazendo parar algumas vezes para poder me recuperar da dor aguda que estava alojada em meu peito.
Eu podia senti-la ali – em qualquer lugar obscuro da minha alma – corrompendo o pouco de luz que ainda me restava.
Eu realmente estava tentando ser forte, lutando para fingir que estava completamente curada da ausência de Edward. A cada segundo que se passava sem ele, eu desejava mais morrer, odiando eternamente o dia em que nasci.
Por mais que eu tentasse ser forte pelos outros, por mais que por fora eu estivesse me tornando uma pessoa completamente fria, eu ainda estava sofrendo em silêncio.
A cada segundo, a escuridão se tornava mais forte, mas impossível de vencê-la. Tentar lutar contra ela era tudo o que eu jamais poderia fazer, eu era fraca demais para mim. Então, eu apenas esperava ela arrancar tudo de mim.
Eu tentava me convencer que assim seria mais fácil, menos doloroso. E, finalmente, eu estava me acostumando com a companhia da grande escuridão da minha alma. O que tornava as coisas um pouco mais fáceis.
E por mais que aquilo doesse muito – por mais que eu desejasse morrer -, eu nunca deixaria de lutar pelas pessoas que amo. Nunca deixaria de lutar por Bella.
Eu sentia que a cada passo que meus pés davam, a minha alma se destruía ainda mais. Me importar realmente com ela já não era o que eu fazia naquele momento, e em qualquer outro momento.
Eu não me importava realmente com a minha alma, ela era apenas mais uma coisa que existia apenas para me assombrar e causar ainda mais dor.
Realmente não consigo me lembrar de quando as coisas realmente começaram a mudar dentro de mim, era como se aquilo tivesse ido completamente apagado de minha mente, como se eu simplesmente não tivesse notado.
E por mais que fosse dificil entender, eu tinha completamente certeza que já não era a mesma pessoa e isso me dava medo. Era uma sensação de perda, como se eu mesma estivesse me perdendo.
Era como se, aos pouco, algo dentro de mim estivesse morrendo. Fazendo a escuridão ficar mais e mais forte.
Eu realmente não acreditava que houvesse uma possibilidade pra mim, muito menos para a minha alma corrompida. E por mais que fosse absurdo, eu realmente não queria que tivesse.
Eu sabia – tinha completamente certeza -, que se a minha alma estivesse sem a escuridão, eu não conseguiria agüentar os fatos que tornavam a minha vida.
Por mais que fosse inacreditável, era como se a escuridão fosse uma maneira de fugir de meus próprios sentimentos. Uma barreira para me proteger da verdadeira dor que se alastrava mais e mais em mim.
Eu já não podia controlar o rumo perigoso que meus pensamentos estavam me levando. Então, apenas, obriguei as minhas pernas a continuarem correndo até onde Bella – possivelmente – se encontrava.
Era realmente uma sensação desesperadora aquele sentimento de estar sem rumo, sem destino. Era como se, simplesmente, não existisse um lugar para mim no mundo. Um lugar que realmente me pertencia.
Saber que tudo tinha haver com a partida de Edward não me ajudava muito. Naquele momento, ao pensar o nome da pessoa que eu mais amei na minha vida e que continuaria amando, meu coração falhou. Coloquei minha mão sob meu peito, no lugar de meu coração, respirando com tanta força que nem mesmo eu acreditei.
Eu não podia e não queria pensar realmente, mas tudo estava ali, me fazendo cair no chão, completamente sem forças.
Meus joelhos simplesmente cederam, me fazendo cair de joelhos no chão. Minha visão ficou embaçada, me fazendo olhar atordoada para os lados, tentando enxergar qualquer coisa.
Meus olhos conseguiram captar o lugar onde eu estava. Tinha uma árvore a poucos metros de mim.
Aquilo me reconfortou de alguma maneira, me fazendo tirar a mão do peito e a levar até os meus olhos completamente banhados pelas lágrimas.
- Eu tenho que ser forte... – sussurrei, respirando fundo. – Tenho que ser forte pelas pessoas que realmente precisam de mim. – tentei reuni forças, colocando minhas mãos em meus joelhos, me levantando.
Notei que eu não estava muito longe da casa dos Black. Eu reconheci as casas miúdas e velhas que me rodeavam.
Sob aquele local escuro, tinha uma névoa sobrenatural e maligna por toda parte, me fazendo estremecer. Meus ombros, automaticamente, se encolheram.
Tinha algo ali que não era uma coisa normal, era como se algo muito ruim estivesse ali, me observando.
Um alerta vermelho praticamente acendeu em mim, me fazendo olhar tudo com tanta atenção.
Inalei todo o ar que meus pulmões agüentavam, captando tudo que estava em minha volta.
Tinha um cheiro de mofo em algum lugar. O cheiro se misturava com sangue e escuridão.
O medo de não chegar á tempo me assombrou, me fazendo respirar mais fundo. Um cheiro totalmente conhecido encheu os meus pulmões, me deixando completamente paralisada por alguns segundos.
Em algum lugar ali – onde a escuridão e névoa estavam mais fortes – tinha um vampiro ali.
Aquele cheiro forte fez o meu estômago ocelar várias vezes. Nenhum cheiro como aquele tinha me causado o mesmo efeito, era como se eu fosse vomitar a qualquer momento.
Me enchi de forças, olhando para todos os lados. Meus músculos estavam totalmente sem controle, tremendo brutalmente.
Realmente não importava o que aconteceria comigo, mas eu temia por Bella.
Voltei a correr, já não estava mais tão longe como antes. Por mais que eu me sentisse fraca, eu não era. Já tinha tido várias provas disso.
Por mais que em toda a minha vida eu me sentisse fraca e deslocada, eu já não era isso agora. Não fisicamente.
Mentalmente, eu ainda continuava aquela garotinha frágil e assustada que tentava, inutilmente, se esconder da escuridão.
Por alguns segundos, minha mente se encheu de medo, enquanto o rosto do homem que assombrou minha infância reaparecia.
Um sorriso cheio de amargura brotou em meus lábios carnudos, enquanto alguns pensamentos sádicos surgiam em minha mente.
Se, naquela época, eu fosse a mesma que sou hoje, mataria lentamente aquele desgraçado que tentou me violentar quando eu era apenas uma criança indefesa.
Por sorte, naquela época eu tive o meu avô para me proteger e me tirar daquele lugar.
Por mais que eu tivesse escapado de um, outro tinha conseguido completar o ritual tortuoso.
Ted tinha conseguido cumprir o desejo sádico de outro, acabando com a minha vida e com o único bem que me restava.
Um dia – que não estava longe – eu acertaria as minhas contas com Ted, o fazendo sentir o que era realmente a verdadeira dor.
Eu o faria sentir tudo o que ele me fez, todas as dores, mentalmente e fisicamente.
“Isso minha bela rainha, deixe a raiva e a dor lhe tornar uma pessoa completamente maligna. Se torne tudo o que você jamais teve oportunidade de ser. Você mesma.” – escutei a voz masculina da escuridão em meu ouvido.
Lutar contra a escuridão já não era realmente uma coisa que eu podia fazer. Ela sussurrava tudo o que meu lado escuro desejava escutar.
O sorriso amargo aumentou em meus lábios. Eu já estava tão acostumada com aquela sensação de congelamento que aquela voz me trazia.
Talvez aquela voz estivesse completamente certa, eu estava me tornando uma pessoa maligna e fria. Talvez.
O odor de sangue ficava cada vez mais forte, me fazendo estremecer. Não demorou muito para que eu pudesse enxergar a pequena casa dos Black.
Era uma copia fiel da minha, como se eu tivesse corrido tanto e voltado para o mesmo lugar.
A casa estava escura e vazia, me fazendo prestar atenção em cada detalhe. A porta de madeira estava fechada e a pequena janela ao seu lado também.
Dei dois largos passos para frente, ficando centímetros da porta de madeira. Fechei meus olhos, escutando tudo á minha volta.
O coração de Bella batia lentamente em qualquer lugar da casa, como se fosse um relógio velho que estava prestes a parar. Tinham a sua volta, leves barulhos de gotas caindo no chão, como se uma pia estivesse aberta. Um relógio também martelava ali, mas rápido que o coração de Bella.
Tinha algo ali que me chamou ainda mais a minha atenção. Era como um coração de uma ave, batendo rapidamente. Tive certeza que era o coração do bebê de Bella.
Abri meus olhos, tentando encontrar uma maneira de entrar na casa. Coloquei a mão na maçaneta da morta, girando-a completamente.
Por sorte, a porta estava destrancada, me fazendo suspirar de alivio. Entrei na casa rapidamente, observando tudo.
A cada passo meu, o cheiro de sangue ficava mais forte, me fazendo tampar o nariz com as duas mãos. O cheiro era como ferrugem, ferindo meu nariz.
Tentei não prestar atenção naquele cheiro totalmente forte, obrigando-me a mudar o foco de minha atenção.
Passei meus olhos pela pequena sala, olhando para os cantos pequenos onde Bella poderia estar.
Bella estava no chão ao lado do sofá. Suas mãos estavam em sua barriga grande, como se pudesse defendê-la de tudo. Como se pudesse fazê-la parar de sangrar.
Aproximei-me com apenas um largo passo, me agachando ao lado de Bella.
Puxei Bella para mim, passando meus braços ao seu redor. O corpo dela estava completamente sem vida, pesando mais que o normal. Porém, Bella era tão leve para mim que era como se eu estivesse pegando uma boneca de pano.
A segurei com mais firmeza, me levantando rapidamente, sem fazer qualquer força.
- Meu bebê... – os lábios de Bella se moveram, sem sair qualquer som. Era como se ela estivesse chorando, se lamentando. Aquela suplica me fez olhar para o rosto de Bella, enxergando o que não tinha antes.
Ela estava realmente assustadora. Seu rosto estava mais pálido do que de costume e estava sangrando muito. Seu rosto estava modificado, era como se fosse outra pessoa. Ele estava completamente inchado, sangrando muito.
Sua boca estava levemente machucada por dentro, como se ela estivesse a mordido com muita força.
- Está tudo bem, Bella. Estou aqui e não vou deixar nada de ruim acontecer. – minha voz saiu tão fria e confiante. Era como se fosse o próprio gelo, me fazendo sentir aquela escuridão tão conhecida.
“ Por que você não a deixa morrer? ” – sussurrou a escuridão.
Fechei meus olhos, fingindo não ter ouvido aquela loucura. Aquilo me fez sentir a pior pessoa do mundo.
Durante as ultimas semanas, eu escutei as loucuras que saiam da escuridão. Mas, antes, não era uma crueldade dessas.
Eu poderia estar me tornando uma pessoa completamente fria, mas no fundo, em algum lugar – onde eu quase nunca poderia chegar – ainda existia algo de bom em mim, mesmo que fosse mínimo – mesmo que eu nunca mais tenha sentido. Eu sabia que aquela parte ainda existia.
- Pare de falar bobagens! – ordenei, deixando minha mente esquecer a escuridão por hora, começando a andar. Tirando Bella daquela casa, a levando para um hospital mais próximo.
Pensando bem, no meio do pequeno caminho que saia da casa dos Black, eu realmente não poderia sair por ai, andando com Bella em meu colo como se ela fosse uma criança de colo. Então, resolvi ir até a minha casa pegar o carro do meu pai.
O caminho foi tão rápido que nem percebi. A única coisa que eu notava era Bella, tentando arrumar o jeito mais confortável para ela.
Entrei em minha casa como um raio, indo diretamente para a cozinha. Passei minha mão pela mesa, fazendo tudo que estava nela cair no chão. Depois que tive certeza que não tinha nada que machucasse Bella, a coloquei ali, a deitando sob a mesa de madeira.
Sem tirar os meus olhos de Bella, foi até o armário que meu pai guardava toalhas e coisas de limpeza.
Abaixei-me, agachando-me e ficando na mesma altura do pequeno armário. Abri a pequena porta, olhando dentro do armário por alguns segundos. Peguei algumas toalhas, fechando a porta e me levantando.
Voltei até onde Bella estava, passando a toalha ao seu redor. Depois que ela estava completamente envolvida, a coloquei em meu colo, alinhando sua cabeça em meu ombro.
Eu tentava estancar a grande quantidade de sangue que saia de sua barriga , enquanto eu me dirigia até a garagem da casa. Simplesmente havia muito sangue, e eu não conseguia dar conta, enquanto andava.
O corte que havia na barriga de Bella era profundo demais, me deixando completamente desesperada. A blusa branca que Bella estava usando estava completamente vermelha, me deixando mais nervosa. Puxei a blusa de Bella, deixando sua barriga completamente exposta. A pele totalmente fina da barriga de Bella estava roxa, me fazendo respirar tão rapidamente, atordoada. Tampei o local com mais toalhas limpas que estavam em minhas mãos, me impedindo de ver a barriga de Bella.
Quando cheguei a garagem, fui diretamente para o carro. Abri a porta com a mão que menos usava, puxando a porta com meu pé.
Coloquei Bella no banco do passageiro, abaixando um pouco o banco para que ela ficasse deitada. Fechei a porta com força, indo diretamente para o portão da garagem. Ele era cinza e muito resistente. Apertei o pequeno botão vermelho que tinha na parede ao lado do portão, o fazendo abrir lentamente.
Voltei para o carro, entrando no banco do motorista. Enquanto o portão abria lentamente, eu vasculhei o carro a procura da chave.
- Vamos, vamos. – sussurrei impaciente, passando minha mão pelo painel.
O portão já estava aberto e eu não tinha encontrado a bendita chave. Respirei fundo, e olhei para o banco de trás. Não estava lá a chave.
Quando girei minha cabeça, vi algo brilhar prateadamente. Passei minha mão no banco onde Bella estava, pegando a chave e a colocando na ignição.
Segurei o volante com força, reprimindo o meu nervosismo. Naquele momento, eu me senti tão impotente e fraca.
Eu tinha que salvar a vida de Bella, minha insanidade mental dependia disso – mesmo que fosse o pouco que tinha sobrado. Eu não podia suportar mais uma culpa.
Mesmo estando convicta que estava louca – já não restava duvidas disso. Não é lá a coisa mais natural do mundo conversar com uma fumaça negra.
Tentei mudar o percurso dos meus pensamentos, eu sabia que estava louca, mas não queria pensar mais naquilo.
Liguei o carro e acelerei o máximo que o carro agüentava.
O caminho era longe e preocupante, me fazendo olhar várias vezes para Bella. Meus olhos apenas viam borrões e mais borrões pelo caminho.
Os minutos se passavam lentamente, como se eu nunca fosse chegar ao hospital.
Uma chuva leve caia sob Forks, molhando os meus cabelos pelo vidro aberto.
Eu olhava de um em um minuto para Bella, me certificando que ela ainda respirava e seu coração ainda batia.
Notei que seus músculos estavam tremendo, me fazendo acelerar ainda mais.
Quando, finalmente, cheguei ao pequeno hospital, foi como se um peso estivesse sendo arrancado de meus ombros, me fazendo respirar calmamente por um segundo.
Meus olhos procuraram uma vaga, mas – estranhamente – não tinha nenhuma perto o bastante. Os meus olhos simplesmente não conseguiram enxergar nenhuma vaga.
Estacionei o carro em uma rua atrás do hospital, onde não tinha ninguém. Era mais uma viela, onde ninguém guardava carros.
Sai do carro, fechando a porta. Dei a volta no carro, depois, abri a porta do carona e peguei Bella em meus braços.
Ela parecia tão assombrada e preocupada, mesmo estando completamente desacordada.
Sua respiração lenta estava bem no vão do meu pescoço, me fazendo chutar levemente a porta do carro e correr para o hospital.
A chuva estava ficando cada vez mais forte, me fazendo puxar Bella mais para mim, tentando protegê-la da chuva.
Andei pelas ruas rapidamente, sem prestar atenção no local. Minha velocidade era sobre-humana, não era realmente importante me importar com aquilo agora, em poucos segundos, eu já estava na frente do hospital.
Entrei no hospital, ainda correndo. A luz forte atingiu meus olhos no mesmo instante, os ferindo.
Fazia realmente muito tempo que eu não via a luz, sempre que estava em meu quarto ficava com os olhos fechados.
Andei com Bella pelos corredores, me concentrando em sentir apenas o cheiro de Carlisle e segui-lo.
Ele não estava muito longe, o que eu agradeci profundamente.
Aproximei-me da sala onde Carlisle se encontrava, rapidamente. Quando cheguei, bati na porta com uma mão, sem tirar a outra do corpo frágil de Bella.
Pude sentir que o corpo de Carlisle ficou rígido no mesmo momento, enquanto ele abria a porta e me fitava.
- O que aconteceu com ela? – me perguntou apavorado. Seus olhos estavam analisando Bella.
- Ela bateu a barriga em algum lugar... – disse, fechando os meus olhos um pouco, enquanto as cenas se passavam pelas minhas pálpebras.
As mãos geladas de Carlisle foram para ao redor de Bella, me obrigando a soltá-la.
Em poucos segundos, ele já tinha desaparecido completamente, entrando em uma sala grande, onde estava escrito “emergência”.
Olhei para os lados, procurando qualquer pessoa no corredor.
O corredor estava completamente vazio. O corredor em si era enorme. As paredes eram totalmente brancas, com apenas alguns centímetros azul no final. Tinha algumas portas brancas ao decorrer do corredor, elas também eram brancas.
No lado do corredor onde não tinha portas, havia alguns bancos. Eles eram pregados na parede.
Andei lentamente até lá, me sentando com cuidado, como se aquilo fosse uma coisa perigosa.
Eu simplesmente odiava hospitais, não era só o cheiro estranho que ele tinha.
De somente sentir aquele cheiro forte, meu estômago girava como em uma roda-gigante.
Coloquei minha mão na barriga, tentando aliviar aquela sensação horrível. Estar naquele lugar me fazia lembrar de Jacob e de como éramos unidos.
Lembro que em todas as vezes que eu estava internada, Jacob vinha sempre me visitar com uma rosa na mão e com um sorriso de sol estampado em seus lábios carnudos.
Ele me fazia esquecer completamente de onde estava.
Eu realmente sentia muita falta daquela época, as coisas eram tão simples. Jacob era apenas o meu melhor amigo, aquele que sempre estava tentando me alegrar, mesmo que parecesse impossível. Era tudo tão natural, bastava Jacob aparecer que tudo era perfeito.
Mas as coisas já não eram como antes, existia uma muralha entre mim e Jacob.
Para mim, ele sempre seria o mesmo que me fazia sorrir apenas em vê-lo, aquele que sempre significou que apenas o meu melhor amigo.
Ele era como meu irmão mais novo, aquele que sempre estaria em meu coração.
E por mais que eu o amasse, nunca poderia dar o amor que ele me pedia.
Eu nunca poderia amar alguém dessa maneira que não fosse Edward, mesmo que arrancassem meu coração.
E ver o quando eu estava fazendo Jacob sofrer, acabava comigo.
A dor dele sempre seria a minha dor, sempre seria a tortura que nós tínhamos construído, eu tinha construído.
Eu jurei que nunca voltaria a quebrar o coração de Jacob, mas sempre estava quebrando essa promessa. Eu via o jeito que ele me olhava, era como se ele olhasse para a sua própria dor física.
Será que isso nunca acabaria? Será que eu nunca pararia de fazer as pessoas que amo sofrerem por mim?
Não era justo tudo aquilo, não era justo eu os levar para o fundo do abismo comigo.
Não era justo fazer Jacob sofrer a todo o momento. Não era justo eu prender Edward apenas por pena. Não era justo eu prender meu irmão nessa cidade apenas para não me deixar sozinha. Não era justo fazer Jacob fazer Bella sofrer como se ela tivesse culpa de tudo.
Bella era uma boa pessoa, independente do passado. Eu sabia que ela também não estava feliz em seu casamento, e a culpada era minha por isso.
Deveria ser horrível mesmo se casar com uma pessoa que nem ao menos lhe dá atenção e te culpa por não ser feliz.
Era duro pra mim ver isso na mente de Jacob, era como se ele esfregasse o seu sofrimento na minha cara.
A vida não tinha sido muito justa com nós três. Mas Jacob tinha que deixar de culpar Bella pela sua infelicidade. Vai onde for, ela era a mais infeliz naquela história. Eu podia ver em seus olhos – as poucas vezes que fui á sua casa durante essas semanas – o seu sofrimento calado.
Se existia alguém que era culpado nessa história, esse alguém sou eu.
A culpa estava me matando, indo para diretamente para a minha lista de “coisas que me assombram”.
Eu esperava ansiosa pelo dia em que Jacob se daria conta de que não me amava de verdade. E que, veria a pessoa maravilhosa que tinha ao seu lado.
Encostei minha cabeça na parede, fechando meus olhos.
Eu estava cansada demais para me ordenar a não dormir, para não me entregar aos pesadelos.
As olheiras estavam ficando a cada dia piores, me deixando parecia com um defunto.
Eu tinha que admitir, não estava conseguindo viver a minha vida. Seguir em frente parecia uma coisa tão longe, impossível. Era como se eu tivesse caído em um abismo.
As paredes de eram tão altas, e não tinha nada que eu pudesse me agarrar. E as únicas coisas que existiam a minha volta, eram a culpa e a escuridão.
- Olá, estranha... – escutei uma voz próxima ao meu ouvido. Abri os meus olhos imediatamente.
Eu estava tão perdida em meu próprio mundo que não tinha percebido a aproximação de Dean.
Ele estava ao meu lado direito, na mesma direção onde eu tinha chegado, a direção oposta onde Carlisle tinha ido.
Dean estava apoiado na parede, seu braço esquerdo estava segurando a parede, sustentando o seu corpo. Ele estava meio curvado, me olhando preocupadamente.
Aquele sentimento estava sendo contrariado pelo sorriso em seus lábios carnudos. Ele parecia estar feliz de alguma forma, como se a minha presença o deixasse feliz.
Observei atentamente seus movimentos, ele se moveu lentamente, com um pouco de dificuldade, como se estivesse ferido gravemente.
Dean usava uma camiseta preta sem manga, deixando seus braços fortes a mostra. O seu braço direto estava enfaixado, da altura do ombro até o cotovelo.
- O quê aconteceu com você? – perguntei com as minhas sobrancelhas unidas, deixando a preocupação transparecer em meu rosto.
Dean se movimentou, se sentando ao meu lado, com dificuldade. - Um lobisomem. – ele respondeu, dando de ombros, como se aquilo não fosse realmente importante.
Notei que a calça jeans de Dean estava rasgada no joelho, mostrando o seu joelho completamente acabado.
- Parece que o lobisomem acabou com você. – murmurei, sem tirar os olhos do seu joelho totalmente machucado e acabado.
- Ele parecia tão fraco. – pensou com sigo mesmo, olhando um pouco para o seu braço machucado. – Mas acontece...
- O quê faz aqui? Eu pensei que você tivesse ido embora. – tentei me lembrar de algum caso de lobisomem pelas redondezas.
- Na verdade eu fui. – disse ele, rapidamente. Parecia que ele estava com medo de alguma coisa, o que me deixou preocupada. – Eu realmente não sei por que vim aqui... – ele pareceu procurar as palavras certas, mas nem ele realmente sabia. Então, ele começou a abrir a boca várias vezes, ainda procurando as palavras. – E o que você faz aqui? – ele mudou de assunto.
- Bella bateu a barriga. – disse automaticamente, me endireitando na cadeira, tirando a cabeça da parede.
- Você estava com ela? – a voz de Dean ficou mais alta, era como se estivesse entrado em pânico. Tive a sensação que ele estava escondendo alguma coisa, mas resolvi não ligar.
- Não.
Com a minha resposta, Dean se moveu a minha frente. As suas sobrancelhas estavam unidas e ele esticou o pescoço, ficando com o seu rosto bem próximo do meu. Era como se Dean procurasse algum sinal de hostilidade em mim.
- O quê foi Dean? – perguntei desconfiada.
Por algum motivo, aquele simples ato de Dean, tinha me deixado muito desconfiada.
-Nada. – respondeu, voltando a se sentar normalmente na cadeira – de frente para a porta a minha frente.
- Onde está o Sam? – olhei em volta, procurando pelo irmão mais novo.
- Ele está lá dentro. – Dean apontou com a cabeça para a emergência.
- Ele está muito machucado?
- Não. – ele sorriu. – Ele só bateu a cabeça e vai ter que ficar de observação.
- Espero que ele fique bem.
Escutei passos rápidos se aproximando, me fazendo olhar para a direção oposta de Dean.
Carlisle se aproximava rapidamente. O seu rosto estava preocupado, e aquilo me fez tremer por dentro, me levantando.
- Bella está bem? – perguntei quando ele já estava na minha frente.
- Sim. – pude perceber que tinha mais. Então, apenas esperei que ele terminasse. – Mas a criança teve uma lesão e vai ter que ser operada. Como o parto teve que ser precoce, a criança pode não resistir.
Eu estava paralisada com a noticia, eu não sabia se chorava ou gritava. Senti braços fortes se passando a minha volta, me dando apoio.
Olhei para rosto próximo de Dean e disse:
- Obrigada.
- Sem problemas. – disse Dean, me conduzindo até o banco.
- Mas têm mais uma coisa. – disse Carlisle.
Olhei para o rosto jovem e bonito do medico. Ele estava obviamente preocupado, seus lindos olhos dourados estavam tristes.
- O quê?
- O tipo sanguíneo da criança é difícil de ser encontrado e não temos doador.
- Qual é o tipo? – perguntou Dean, disposto a ajudar.
- O-. – ele respondeu.
- Carlisle este é o meu tipo sanguíneo. – afirmei, me levantando num pulo da cadeira e indo até Carlisle.
[...]
A agulha olhou pra mim e eu olhei pra ela. ( Tá, não poderia ser nada ruim, mas algo de mim insistia em fazer drama da situação)
- Não vai doer nada, querida. – disse a enfermeira.
- Claro. – sussurrei, virando a minha cabeça para não olhar mais aquela agulha.
- Não acredito que uma mulher do seu tamanho tem medo de agulha. – disse Dean, aparecendo na pequena sala. Eu sabia que ele estava fazendo aquilo para me dar mais coragem, mas não estava ajudando. O que ele estava conseguindo era me deixar furiosa.
A agulha que a enfermeira estava tentando enfiar em meu braço era bem maior que o normal, por causa da cicatrização super acelerada.
No começo, a enfermeira ficou assustada quando Carlisle disse que teria que ser com uma agulha bem maior, mas depois, ela assentiu com a cabeça e pegou a agulha.
No fundo, eu acho que ela não entendeu, mas Carlisle estava ocupado demais com a cirurgia da filha de Bella, não podia parar tudo para pegar a minha veia.
- Quantos anos você têm, ? – perguntou Dean, tentando puxar assunto e me distrair.
-Dezoito. – respondi.
- Eu pensei que você fosse mais nova... – murmurou ele, se sentando na cadeira ao lado da maca.
- Eu fiquei um ano sem estudar. Acabei sendo reprovada. – disse. Dean estava fazendo um bom trabalho, estava conseguindo me distrair.
- Por quê? – continuou.
- Porque quando eu era criança era muito doente e faltava muito na escola.
- Entendi. – ele sorriu. – Quando é o seu aniversário?
- Daqui a um mês. – respondi, fechando os olhos. A voz de Dean estava ficando cada vez mais longe.
- ? – senti uma mão em meu rosto.
Eu já não tinha mais forças para responder, estava flutuando na inconsciência.
Todo o meu corpo flutuava. Os meus olhos fechados e os meus lábios rígidos em um sorriso sincero.
Tinha um aroma suave no ar, um perfume que se aproximava lentamente com o vento.
Eu podia sentir o doce e suave vento tocando o meu rosto, me fazendo sorrir ainda mais.
Tinha um barulho ao longe, era como gotas de água sendo derramadas. Podia ser uma pequena e passageira chuva.
Eu me sentia feliz, não era como se eu tivesse perdido o único amor da minha vida, mas como se ele ainda estivesse comigo.
Eu sabia que tinha perdido Edward eternamente, mas de alguma forma, ele ainda estava comigo.
Um barulho horrível tomou o ar a minha volta, era como morcegos voando sobre a minha cabeça, me fazendo estremecer, automaticamente.
Um vento gelado tocou o meu rosto, o fazendo queimar. Passei a minha mão pelo local, tentando aliviar a ardência.
Quando eu abri os meus olhos, encontrei um par de olhos vermelhos me encarando, aquilo me assustou.
Edward estava parado em minha frente, seus cabelos estavam bagunçados, em seu rosto continha certa maldade. Era aquele sorriso maligno que estava me assombrando, o sorriso que estava estampado dos lábios de Edward.
No canto direito da boca de Edward, escoria um liquido vermelho. Edward percebeu o meu olhar e limpou com a costa da mão esquerda, lentamente.
Os seus olhos me faziam gelar, não era como eu me sentia quando estava com Edward.
Aquela sensação me fez lembrar de Christian, era exatamente assim que eu tinha me sentido quando estava lutando contra ele.
Mas pensando racionalmente, Edward não era como Christian, ele era bom.
- Não tenha medo de mim... – os lábios de Edward se moveram lentamente, me fazendo prestar atenção.
- Não tenho... – sussurrei automaticamente. Eu nunca tinha sentido medo de Edward, mas agora, eu estava completamente congelada.
- Porque você não fica do meu lado? – Edward deu um passo a minha frente, me fazendo dar dois para trás.
Eu não estava entendendo a minha reação, mas era automaticamente.
- Você ainda acredita em mim? Não acredita? – eu sinceramente, não estava entendendo nada.
Eu não conseguia entender o porquê das perguntas de Edward. Claro que eu acreditava nele, mas...
Meus pensamentos foram interrompidos rapidamente. Edward estava parado em minha frente, sua mão gelada tocava o meu rosto.
- Eu apenas matei uma pessoa, não é nada demais... – as palavras saíram dos lábios de Edward, rapidamente.
Não podia ser realmente verdade, ele não podia ter matado ninguém.
- Você não... – tentei falar. Antes que eu pudesse terminar de falar, eu vi Bella no chão.
Seus olhos estavam sem vida, escoria sangue pelo ferimento recém-aberto no pescoço.
Eu coloquei a mão na minha boca, tentando comprimir o grito de terror que sairia a qualquer momento.
Bella sempre foi uma amiga para mim, até mesmo, depois que começou namorar Jacob.
- Bella... – minha voz era como cacos de vidros.
Eu queria gritar e correr, mas simplesmente estava presa. Eu estava tão apavorada. Simplesmente não conseguia me mexer.
Edward começou a se aproximar ainda mais de mim. Eu estava apavorada demais para me mexer, para fazer qualquer coisa.
- Prometo que não vai haver dor. – quando Edward disse isso, ele já estava segurando o meu pescoço.
- Não! – gritei apavorada.
Edward não me escutou e colocou seus lábios em meu pescoço, enterrando seus dentes em minha pele.
Então o sonho mudou, era como se eu estivesse sendo puxada brutalmente para ele, como se eu estivesse sendo sugada.
Minha mente se desligou, eu simplesmente não controlava os meus movimentos, nem meus pensamentos. Era como se não fosse um sonho.
Era como se eu realmente estivesse vivendo aquilo.
Parecia que eu estava em um daqueles pesadelos que você luta para manter as suas pernas em movimento, mas elas simplesmente não se mexer, como se pesasse duzentas vezes mais.
O sentimento de perda era grande demais - como se fosse espinhos sendo cravados lentamente em meu órgão vital -, era uma sensação torturante. Como se o meu coração fosse, lentamente, drenado de meu corpo, me fazendo sentir o grande vazio que me assombrava há muito tempo.
Eu realmente não deveria estar pensando naquilo – pensando na minha dor –, mas era inevitável não pensar na ausência de Edward. Era impossível não olhar para os lados e não ver que o anjo de olhos dourados não estava comigo, me protegendo como sempre fez.
Ele era o meu chão, o ar que me fazia viver por mais alguns instantes. E agora, o chão tinha sido arrancado cruelmente de meus pés, me fazendo cair em um grande abismo, sem volta. O ar simplesmente já não existia, era como se meu corpo se mexesse, ele estivesse ali, mas minha alma não. Minha alma viajava pelos caminhos escuros e úmidos que existiam dentro de mim.
Mas Edward não era obrigado a me amar apenas por causa de um imprinting idiota e nem de uma história de amor impossível que já tinha sido vivida há muito tempo.
Eu queria que ele fosse feliz, eu precisava apenas disso. Precisava saber que aqueles olhos continuavam sorrindo, que seus lábios ainda sorriam com a mesma ternura.
Eu não me importaria de morrer novamente por Edward, seria a melhor forma de morrer.
Balancei minha cabeça brutalmente, afastando aqueles sentimentos perturbadores.
Eu tinha que ser forte, tinha que resistir a aquela tortura, eu tinha prometido que ficaria bem para Edward.
Respirei fundo, sentindo a conhecida sensação de vazio em mim. Minhas pernas se moviam com tanta rapidez que pouco os meus olhos podiam captar qualquer coisas.
Eram apenas borrões pretor em minha cabeça, se passando rapidamente. A casa onde Bella e Jacob moravam não era muito longe da minha, era apenas alguns quilômetros.
Pensar em Jacob não era apenas uma tortura, em sim me ver queimar novamente. Eu sabia que estava o magoando, novamente.
Eu jurei que nunca o magoaria e estava sempre quebrando essa promessa.
Todas as vezes que me aproximei dele nos últimos dias, tentando fazê-lo entender que eu o ama e que ele sempre seria o meu melhor amigo, meu irmão.
E ver a tristeza causada por mim naqueles olhos negros, me fazia sentir a garota mais cruel do mundo.
Meus pensamentos se desligaram quando avistei a pequena casa branca feita de madeira.
Uma súbita onda de adrenalina se espalhou pelo meu corpo, me fazendo correr até lá. Era incrível o quanto as pessoas realmente acreditavam em mim, pensavam que eu era heroína da história.
Dês que me tornei loba oficialmente, as pessoas da reserva me olhavam com olhos diferentes, para elas eu já não era mais a menina que cresceu entre eles, enquanto eles contavam histórias aterrorizantes.
Agora eu era a reencarnação de uma heroína para todos eles, que salvou milhares de pessoas e morreu por amor.
As mudanças de minha vida eram evidentes, não apenas em minha vida e sim em mim.
Eu já não era aquela mesma garota imatura que sempre lutou contra os seus sentimentos e com a escuridão do passado.
Fechei os meus olhos por alguns instantes, sentindo a grande força que comandava o meu corpo.
Eu podia sentir a presença de Yonah em mim, podia sentir os seus sentimentos eternos.
Era como se fosse duas pessoas em um mesmo corpo, como se apenas a não fosse o suficiente.
“Isso mesmo minha linda Yonah. Deixe que sua alma desperte para um novo mundo” – A escuridão sussurrou em meu ouvido, me fazendo sentir o leve e frio de sua voz. Aquela voz me fez paralisar, fazendo minhas pernas levemente cederem, me levando para o chão. Todos os sentimentos por quem lutei contra estavam ali, forte, invisível. Eu pude sentir, no mesmo instante, a minha alma se despedaçando, lentamente. Deixei meu corpo cair, gritando de dor. Era uma dor pior que o fogo, mil vezes. Era como se aos poucos, minha alma estivesse se desconectando de meu corpo, me deixando Edward vazia. “Você sempre será minha Yonah” – A voz criou mais força, aumentando a minha dor.
Um vento forte tocou minha pele e, por alguns segundos, pude ver um rosto na escuridão. Era um homem realmente lindo, seus cabelos eram negros e longos. Seus olhos eram vermelhos sangue, me deixando completamente apavorada. O rosto que saia da escuridão era jovem aparentava ter dezessete anos, assim como Edward. Assim como o meu anjo, aquele rosto era angelical. Seus traços eram opostos do de Edward, mas ainda era belo.
Um cheiro muito forte de vampiro atingiu minhas narinas, e depois, um grito assustado venho da casa a mina frente.
Eu queria poder salvar quem quer que fosse, mas minhas forças estavam em qualquer lugar menos em mim.
Fechei meus olhos com força, tentando, lutando, para encontrar os movimentos de meu corpo.
Era como se eu estivesse em um ciclo de tortura, entre a minha alma e o forte desejo de recobrar os meus movimentos.
O rosto de Edward invadiu minha mente, como se fosse um raio de luz entre a escuridão. Olhei para os lados desesperada, e ele estava lá, me olhando com aqueles olhos cheios de amor de ternura.
Minha mente já não conseguia saber o que era realmente real, mas eu estava tão satisfeita e feliz de ver Edward ali sorrindo para mim, que não me importei com a dor que aquilo me trazia.
Ver aquele rosto me fez sorrir entre as lágrimas que saiam de meus olhos rapidamente.
- Estou com você. – disse ele, pegando minha mão, fazendo a escuridão ir embora. – Sempre estarei...
- Preciso de você... – desabafei, sentindo todo o meu corpo arder. – Não me deixe Edward.
- Será que você não entende que eu sempre estarei com você, mesmo que eu não esteja aqui? – perguntou ele, se aproximando cada vez mais de mim.
Edward se aproximava cada vez mais, diminuindo a distância entre nossos rostos.
Respirei inúmeras vezes, querendo não acordar aquele sonho.
Quando o rosto de Edward estava a centímetros do meu, ele passou sua mão lentamente pelo meu rosto, acariciando-o com carinho.
Seus olhos me diziam que ele me amava, e minha consciência me dizia que aquilo não passava de um sonho.
- Você precisa ser forte. – Edward pareceu sério. Olhou para a direção da casa e fechando os seus olhos. – Por Bella... – ele sussurrou desaparecendo, levando a escuridão com ele.
Meu corpo finalmente se moveu, sem eu ao menos perceber, me levando até a casa.
Minha mente estava completamente desligada naquele momento, como se com Edward minha mente tinha ido.
Abri a porta da casa com o mínimo de força que tinha, olhando para todos os lados.
O cheiro de sangue era forte demais, me fazendo estremecer na hora.
Entrei na casa com grandes passos, procurando por Bella.
A casa estava totalmente escura, me fazendo olhar várias vezes para ter certeza se Bella não estava.
Encontrei Bella na cozinha, caída entre alguns móveis totalmente fechados. O cheiro forte de sangue se misturava com o forte cheiro de vampiro que ali continha.
Aquele acidente não tinha sido acidental, Bella tinha sido atacada por algum vampiro que estava na região.
O cheiro era totalmente desconhecido, ferindo meu nariz.
O choque me tomou. Nunca aquilo tinha acontecido comigo, nunca algum cheiro tinha me ferido, nem mesmo dos Cullen.
Aproximei-me de Bella, tentando não pensar e, apenas, agir.
- Você vai ficar bem, Bella. Eu te prometo. – sussurrei em seu ouvido, pegando-a no colo.
Alinhei Bella em meu ombro, vendo o seu rosto mais pálido que o normal.
- Ele está aqui... – Bella gemeu. – Aro ainda está aqui.
- Quem estava aqui, Bella? – olhei para os lados, mas não tinha ninguém.
- Aro. – ela disse.
“Aro...” – minha mente repetiu aquele nome, me fazendo ter uma sensação de estar sendo observada. “Quem é Aro? E porque senti isso quando escutei o seu nome? Porque sinto pena, raiva, angustia e remorso?” – minha mente perguntou.
Segurei Bella com mais firmeza, começando a andar, saindo da casa rapidamente, quase correndo.
Pulei da cama, era como se eu ainda estivesse naquele pesadelo. Minha respiração estava ofegante e o meu coração acelerado.
O meu cabelo estava grudando em meu rosto, por causa do suor que escoria pela minha testa.
- Você está bem? – perguntou Dean, me assustando.
Dean ainda estava sentado na mesma cadeira, era como se não tivesse se movido. Agora ele estava usando uma jaqueta preta e seus cabelos estavam molhados. Ele tinha uma revista em sua mão, mas seus olhos me encaravam com intensidade.
- Pesadelo? – perguntou ele, novamente. O modo como ele me perguntou era como se tivesse certeza e não como se estivesse perguntando.
- É. – respondi ainda ofegante. Coloquei a mão em meu peito, tentando fazer o meu coração bater mais lentamente. Olhei ao redor e tudo estava como antes.
- Quanto tempo eu dormi?
- Não muito. – respondeu ele. Ele se levantou e chegou mais perto. – Só deu tempo de eu dar um pulo no hotel e tomar banho.
- Como está a Bella? – perguntei, tirando o fino lençol de cima de mim e me levantando.
- Você doou muito sangue. Fiquei mais um pouco deitada. – disse Dean colocando as mãos em meus ombros, me impedindo de levantar completamente.
- Estou bem Dean. – logo que terminei de falar, a minha cabeça girou e eu tive que voltar a deitar.
- Eu não disse? – ele murmurou, voltando a sentar na cadeira.
- Como está a Bella e a filha? – perguntei, preocupada.
- Bella está descansando, sugiro que faça o mesmo. – ele mandou. – E Renesmee está na UTI. – eu fiquei apavorada quando ele disse onde estava a criança. – Mas é só por precaução, ela está bem.
- Renesmee? – perguntei.
- Esse é o nome que Bella deu a sua filha. – ele disse, sorrindo.
- Nunca tinha ouvido esse nome antes. – murmurei, deixando a minha cabeça pesar sobre o travesseiro.
- Acho que ela inventou esse nome...
- Porque está aqui Dean? – perguntei, olhando em seus olhos verdes.
- Eu não ia te deixar aqui sozinha. – ele disse, mas depois pareceu se arrepender. – E depois, eu não tinha nada melhor pra fazer. – disse ele dando de ombros.
- Entendi. – fechei meus olhos, deixando minha mente vagar.
- A está acordada? – disse Carlisle entrando no quarto, me fazendo abrir os olhos imediatamente.
- Estou. – disse me sentando na cama.
- Ótimo. – murmurou Carlisle.
- O quê foi? – perguntei preocupada. O rosto de Carlisle estava totalmente preocupado, e eu já me preparava mentalmente para o que veria a seguir.
- Bella está totalmente fora de controle. – ele começou. – Já demos um calmante pra ela, mas ela simplesmente não dorme. Ela disse que não vai descansar até falar com você. Ela está fazendo os outros pacientes ficarem com medo.
- Comigo? – absorvei a noticia.
- É.
- Então, vamos lá. – disse me levantando da cama. Eu estava dando graças á Deus de sair daquela cama e poder me mexer.
- Você tem certeza? – perguntou Dean preocupado. A preocupação de Dean estava me deixando intrigada.
- Claro. – respondi.
Carlisle me olhou por mais alguns segundos, me analisando com cuidado. Depois, finalmente, saiu do quarto, comigo em seu alcanço.
O hospital estava mais movimentado, tinha algumas mulheres na recepção e quando Dean passou, eu pude as ver suspirando, o que me fez rir muito.
- O Dean está arrasando os corações. – brinquei, enquanto andávamos pelos corredores.
- Não têm graça. – o rosto de Dean ficou muito sério, igual à primeira vez que o vi. – Quem eu amo nem sabe que eu existo. – ele apenas abriu a boca e não saiu som algum, e mesmo eu estando na frente ele, eu pude escutar perfeitamente.
Carlisle fez uma careta brevemente e lançou um olhar mortal para Dean, o que me assustou. Eu nunca tinha visto Carlisle daquele jeito, mas parecia que ele estava furioso.
Imaginei o motivo, ligando as palavras de Dean ao meu calculo. Dean só poderia estar apaixonado por Esme, isso explicava o olhar de Carlisle.
Não pude deixar de gargalhar alto, fazendo todos olharem para mim como se eu fosse uma louca.
Por mais que eu estivesse com vergonha, ainda não parava de rir.
Imaginei a cena: Dean ajoelhado na frente de Esme e Carlisle lhe dando um soco na cara. Dean acabaria perdendo a cabeça, literalmente.
- O que foi? – perguntou Dean, enquanto eu olhava para ele, ainda rindo.
-Nada. – respondi inocentemente.
- Sei. – ele murmurou, desviando os seus olhos dos meus e cruzando os braços na altura do peito.
- É aqui. – disse Carlisle, parando em frente á uma porta verde. Olhei para eles, sem saber o que fazer. – Acho que é melhor você entrar sozinha. – Carlisle me ajudou.
- Tudo bem. – disse abrindo a porta e entrando.
Capítulo 25: Paternidade – segredos revelados parte
O grande segredo dela enfim foi revelado,
Levando-me até o inferno,
E me prendendo lá.
Sinceramente, não sei o que faço,
Nada mais parece certo, nada mais parece confiável.
Os lados foram separados,
Enquanto estou perdida entre eles.
Não existe o bem ou o mal,
Nem o certo ou errado.
Existe apenas o que mentiu menos.
Eu podia escutar o oco desesperadouro de seu coração, se misturando com o martelar do meu. Era como se aqueles simples barulhos fossem os únicos á nossa volta. Eu, também, podia sentir a grande tensão que se alastrava pelo local claro, saindo de Bella e vindo até o meu encontro.
Olhei pelo canto do olho o local á minha volta, sem me mover nenhum centímetro, como se meus pés estivessem presos e meus ombros congelados.
Não se podia explicar o que estava me atingindo naquele exato momento. A única coisa que eu podia saber era que aquilo estava me matando.
Ver as pessoas que eram realmente importantes para mim daquela maneira era torturante, como se eu fosse fraca demais para protegê-los.
Como se eu tivesse a obrigação de mantê-los em segurança. Porém, eu tinha falhado com Bella. Tinha falhado com todos...
Eu estava tão assustada e preocupada com a escuridão que não cheguei a tempo de tentar, pelo menos, aliviar os ferimentos de Bella.
Ela tinha se ferido gravemente, por pouco não perdeu a vida. Agora, Renesmee estava morrendo aos poucos e, por mais que quisesse, eu não podia fazer absolutamente nada.
Eu realmente era um monstro egoísta, me preocupando apenas com a minha dor e deixando os outros desprotegidos. Tudo bem, eu não podia salvar todos, mas poderia tentar. Porque, por mais que doesse pensar – lembrar-, alguém há muito tempo me ensinou o verdadeiro significado do amor, e o quanto é doloroso pensar em perdê-lo.
Esse alguém me ensinou a ser forte, me fez ser o que considerei ser impossível. E quando eu descobri que podia, tinha sido tarde demais...
Ele entrou em meu coração, me fazendo ser apenas dele, para sempre. Ele me fez ver a verdade, ver o que eu não queria.
A vida não era apenas se mover como se você fosse um robô, ou tentar fazer o que é realmente certo e não seguir o seu coração. Ele me transformou em mim mesma, a verdadeira, a que estava escondida em algum lugar dentro de mim.
Não bastava apenas ser forte por fora. Isso nunca seria o suficiente... Então, como se o sol finalmente tivesse aparecido em minha vida pela primeira vez, ele entrou em minha vida, abalando todas as estruturas, mudando todos os meus conceitos, tudo no que eu acreditava. Ele me mostrou que eu realmente poderia ser feliz.
Ele pegou a minha mão e me puxou da escuridão, dizendo-me que tudo ficaria bem. Suas palavras foram como o cantar de um anjo, me hipnotizando, soando tão levemente em meus ouvidos. Eu podia ver a sinceridade nelas.
Com os seus simples gestos, eu voltei a respirar. Dali por diante, tudo foi ele, tudo sempre seria ele. O meu coração ainda batia por ele, louco para ver aquele seu sorriso torto que me deixava embriagada.
Era como uma música eterna, como se o bater de meu coração sussurrasse o seu nome inúmeras vezes, feliz por ele existir.
Aquela música era lenta e doce, como o tocar de um piado, cada nota tocada com amor. E, por mais que eu quisesse calar a música, por mais que eu quisesse sufocar esse amor em meu peito, o calando para sempre, a música nunca se calaria, o amor nunca morreria. Aquele amor me tornava quem sou hoje. Era como uma tatuagem em meu coração, gravando o nome dele para sempre.
Como uma vez eu havia prometido: seria eternamente dele, mesmo que ele não fosse meu. Mesmo que outra tivesse roubado o seu coração paralisado para sempre.
- Há quanto tempo você está aqui? – a fraca voz de Bella ecoou sob o local, surpreendo-me. Abri meus olhos com dificuldade, como se algo me puxasse – sem permissão – de meus devaneios. Eu não queria voltar para a realidade rápido demais, o baque seria evidente. Ficar em um mundo de lembranças seria bem melhor do que voltar para a realidade cruel que tanto me machucava. Olhar para os lados e não ver o rosto de quem minha existência se resumia era torturante. Mas eu não podia continuar a viver assim, de alguma maneira, eu tinha que tentar, pelo menos, seguir a minha vida.
Respirei fundo, como se meus ombros pesassem milhares de quilos. Ao terminar aquele ritual doloroso que era respirar, depois que as agulhas imaginarias – mas assustadoramente notáveis – pararam de me ferirem, como se o meu peito estivesse sendo sugado, eu tentei abrir um sorriso reconfortante para Bella.
Todos os meus músculos lutavam para que eu desabasse ali mesmo, mas eu me seguirei ali, firme.
Bella se moveu na cama, puxando seu corpo frágil para cima, em uma tentativa – inútil – de se sentar. Era evidente que ela não estava em condições de fazer o mínimo de força. Afinal, ela tinha acabado de ser operada.
Um barulho frustrado saiu da minha garganta, como se espinhos e cacos de vidro estivessem no interior dela, mostrando o quanto eu estava abalada com aquele seu movimento.
Eu realmente não podia saber qual tinha sido o motivo maior daquilo; se era por causa do caminho perigoso que meus pensamentos seguiram, ou pelo jeito que Bella havia se movimentado. Em todo caso, ambos tinham o mesmo efeito sofre mim.
Andei até a cama onde Bella se encontrava, ainda com as minhas mãos em punho. Quando cheguei perto o suficiente, coloquei minhas mãos nos ombros frágeis de Bella, a impedindo de fazer qualquer outro movimento. Obrigando-lhe a ficar deitada.
- Bella, você têm um corte enorme na barriga, não seria nada legal se os pontos se abrissem. Então, seja uma boa garota e fique bem quietinha. – lhe adverti, com a minha voz um pouco mais alta do que o normal. Acho que consegui lhe mostrar o quanto estava preocupada com ela, e com a realização das minhas palavras. Se Bella tivesse que voltar para o centro cirúrgico, certamente não resistiria.
Os músculos de Bella se suavizaram em baixo de minhas mãos, enquanto ela fazia uma careta carrancuda e dava de ombros.
Eu realmente não gostava de ter que advertir alguém, ainda mais se esse alguém fosse Bella. Aquilo me fazia sentir como se eu fosse à mãe dela.
- Eu não sou tão louca a ponto de querer voltar para aquela sala. – Bella murmurou, fechando os olhos.
Era óbvio que ela estava realmente se mantendo acordado com muito curto. Sua expressão mudava rapidamente, enquanto ela respirava profundamente.
Tirei as minhas mãos dos ombros de Bella lentamente, tentando fazer o mínimo de barulho possível. Ela parecia estar a ponto de dormir, eu não queria acordá-la. Ela precisava descansar, isso era o fundamental para a sua melhora.
- Não vá embora, ... – Bella pediu abrindo os olhos. Suas sobrancelhas se uniram levemente, enquanto ela pegou a minha mão com força. – Não quero ficar sozinha... – ela confessou, deixando a tristeza que estava em seu interior aparecer. – Se você me deixar, eu não vou conseguir falar o que eu tenho... – Bella já não dizia coisa com coisa. Sua voz estava totalmente grogue. – Eu tenho que te contar... – então, ela começou a chorar desesperadamente.
- Bella, não chore. – minha mão direita foi para seu rosto. Um aperto corrompeu meu coração. Ver Bella daquele jeito era torturante, eu não podia fazer nada para aliviar sua dor. – Bella, não chore. – sussurrei novamente, diminuindo a distância entre nossos rostos. Com um movimento de conforto, eu lhe abracei, tentando transferir sua dor para mim.
Os braços de Bella contornaram meu pescoço, enquanto meu rosto encostava no travesseiro braço com cheiro de remédio. Meus braços passavam-se pelos ombros finos de Bella, lhe reconfortando de alguma forma.
Bella sussurrava coisas que nem eu mesma conseguia ouvir. Seus lábios apenas se abriam, em um choro desesperado.
- Você é tão boa. Obrigada. – Bella sussurrou, segurando meu rosto com as duas mãos, me fazendo olhar seus olhos profundos. – Você sempre foi uma boa pessoa, sempre ajudou todos que te rodeavam. – uma lágrima escorreu sob meu rosto. Eu não sabia o motivo de estar chorando, mas uma dor diferente me consumiu. – Você é tudo o que eu um dia quis ser. – um sorriso fraco brotou em seus lábios. – Eu nunca chegaria em seus pés, apesar de querer muito. – para mim, as palavras de Bella já não faziam mais sentido. Tudo o que eu podia fazer, era escutar calmamente. – Sentir inveja de você era tudo o que eu tinha. Eu sempre quis o que você tinha, sempre quis ser exatamente como você. Você sempre teve o que quis., todos os garotos da escola olhavam para você, todas as meninas se sentiam ameaçadas por você, incluindo eu. – eu não conseguia acreditar no que ela estava dizendo. Minha vida estava muito longe de ser perfeita. Eu estava longe de ser perfeita... – Mas você nunca olhou para outro garoto, além de Jacob. Então, eu pensei que, se tivesse ele, seria um pouco como você. Eu teria o que você queria e não tinha. E isso me encheu de alegria, eu sabia que seria fácil. – ela desviou os olhos, olhando para a janela aberta. Era como se eu estivesse em uma bolha, não conseguia entender – acreditar – em nada. Eu não poderia ter me enganado tanto com uma pessoa só. Podia?
Meus braços soltaram Bella, como se eu a repelisse. Endireitei meu corpo, ficando completamente reta. Meus braços foram – automaticamente – para em torno de mim, me protegendo. Eu tentava não me magoar, tentava não deixar a magoa entrar em meu coração, porque seria muito pior. Um gosto amargo subiu pelo meu pescoço, deixando minha boca amarga, também.
- Quando eu descobri que Jacob te amava, enlouqueci. Eu comecei a criar um ódio tão grande dentro de mim. – o coração de Bella se acelerou. – Eu não podia acreditar que você tinha o coração de Jacob e não sabia. Eu comecei a fazer de tudo para te deixar para baixo. Todas as vezes que te via, dizia que Jacob era o melhor namorado de todos. Fazia de tudo para te rebaixar, mas parecia que não bastava. – andei até a parede mais perto, me encostando lá. Meus nervos estavam a flor da pele, eu perderia o controle em qualquer momento. Olhei para minhas mãos já tremulas, fixando minha atenção apenas nelas. – Eu sabia que a melhor maneira de te machucar era me casar com Jacob. Isso era o que eu tinha que fazer. Separar vocês para sempre... – a voz dela ficou amarga, como o próprio fel. – Jacob nunca transaria comigo, ele não seria tão burro. Não mais do que ele já era. – outra vez ela me chocou. – Eu sai naquela noite mais cedo do trabalho, indo para um boate qualquer. Eu sabia o que tinha que fazer, só não sabia se eu iria realmente engravidar. Estava no dia fértil, não teria erro. – então, as coisas começaram a se encaixar. – Encontrei um cara com o mesmo perfil de Jacob, o levei para um motel e transei com ele. Quando sai de lá, liguei para Jacob e pedi que ele fosse até a minha casa, não teria ninguém lá. Quando Jacob chegou, já estava tudo pronto. O suco com o calmante de meu pai já estava pronto, posto sobre a mesa da sala. – a raiva começou a ficar pior. Eu não tinha sangue de barata, e não poderia a deixar brincar com os sentimentos de Jacob. Ele já estava sofrendo demais com aquela história, não poderio deixá-lo sofrer ainda mais. Mas a historinha ainda não tinha sido terminada, e eu queria escutá-la até o fim. – Jacob dormiu feito uma pedra, enquanto eu tirava minhas roupas e as dele. No outro dia, eu disse que tínhamos transado, mas ele não se lembrava, é claro. O resto você já sabe...
- Você não poderia ter brincado com os sentimentos de Jacob dessa madeira. Você não poderia ter o feito sofrer. – disse entre dentes. Minha paciência tinha se acabado. – Se o seu problema era comigo, não podia metê-lo nisso tudo.
- Mas agora tudo acabou. Você e Jacob podem ser felizes, eu e minha filha vamos embora, assim que sairmos daqui. – sussurrou. – Eu só achei que devia te contar. Afinal, você me salvou e salvou a coisa mais importante da minha vida. Minha filha. – ela fechou os olhos, como se sofresse. – Por mais que seja difícil dizer isso, eu me apaixonei por Jacob. Ele sempre foi tão bom comigo. E, agora, eu não quero o ver sofrer, não quero vê-lo todas ás manhãs chorando por não ter se casado com a garota certa! – ela gritou, segurando a cabeça com força, chorando muito. – Não quero que ele pense que é obrigado a ficar comigo só porque acha que a minha filha é sua, porque não é!
- Que droga é essa que você está dizendo, Bella?– Jacob gritou, abrindo com força a porta, quase a quebrando. O seu rosto estava transformado pela raiva. Eu já estava o vendo explodindo em lobo, ali mesmo. Jacob foi andando até Bella, dando grandes passos com força. Jacob nunca soube se controlar, ele estava a ponto de fazer uma loucura.
Andei rapidamente até Jacob, ficando de frente para ele, segurando seus ombros, o impedindo de dar mais um passo.
- Se acalme, Jacob.
- Você está do lado dela? – disse ele rispidamente, tirando os olhos de Bella e me encarando com raiva.
- Eu não estou. – disse rapidamente, respirando com dificuldade.
- Então, me deixe passar. Eu vou acertar minhas contas com essa garota!
- Eu não vou deixar você passar. – disse decidida.
- Porque você fica no lado de todos, menos no meu? – ele perguntou triste. Eu vi a magoa em seus olhos, o que me feriu.
- Eu não estou no lado de ninguém. Apenas quero que você não faça nada sem pensar. – olhei para Bella. Ela parecia um raro indefeso, fugindo do rato que a queria morta.
- Será que você não entende? Essa daí acabou com a minha vida, acabou com todas as chances que eu tinha de ser realmente feliz. Ela acabou com tudo, acabou com o nosso futuro, . Se não posse ela, você ainda me amaria, e seriamos felizes.
- Jacob, nunca poderíamos saber... – sussurrei, lutando para não dizer que mesmo que eu tivesse ficado com ele no começo, eu iria o magoar de qualquer maneira, não se pode lutar contra um imprinting.
- ME DEIXE PASSAR! – ele gritou, olhando para Bella.
- Não. – disse calmamente. – Se você quiser passar, vai ter que passar por mim. Você vai me machucar, Jacob? – passei meus braços em torno de mim, olhando seriamente em seus olhos.
- Que droga, ! – ele gritou, se virando e indo até a porta. Jacob deu um soco na porta, antes de sair do quarto rapidamente. – QUE MERDA! – escutei ele gritar do corredor.
- Obrigada. – Bella sussurrou, me fazendo virar e encará-la.
- Não fiz isso por você. – disse seca. – Se Jacob fizesse alguma loucura, se arrependeria depois. – terminei rispidamente, a olhando com desprezo.
Eu não permitiria que Jacob sofresse mais. Eu tinha prometido a mim mesmo que nunca o faria sofrer, e que não deixaria ninguém fazer.
Sai do quarto rapidamente, deixando Bella sozinha com sua culpa.
A verdade é que,
eu o amei de alguma forma.
Seu sofrimento sempre será o meu sofrimento.
Ele enxugou minhas lágrimas quando estive sozinha,
Eu enxuguei as ele quando éramos unidos pelo sentimento confuso.
A verdade é que,
eu sempre o amarei de alguma forma.
Avistei Jacob sentado em uma cadeira no canto do corredor. Ele segurava sua cabeça com força. Suas lágrimas rolavam pelo rosto moreno. Sua dor sempre seria a minha dor, a ligação que eu tinha com Jacob era grande demais. O único erro foi, eu entender essa ligação diferente.
Lei cada passo lentamente, tentando não magoá-lo novamente. Por algum motivo, eu sempre estava o magoando, sempre estava dizendo à verdade que era dolorosa para ele. Se, para fazê-lo feliz, eu tivesse que mentir sobre meus sentimentos, eu o faria. Porque, vê-lo assim não dava mais.
- Eu não entendo... – ele disse, levantando a cabeça, quando parei em sua frente.
Me abaixei em sua frente, ficando de joelhos. Passei minha mão lentamente sob o rosto de Jacob, o fazendo fechar os olhos.
- Eu também não. – respondi.
- Porque você sempre fica do lado “deles”, e não no meu? – perguntou, abrindo os olhos.
- Eu não sei. – admiti. – Eu sei que sou uma idiota por não dizer as palavras certas. Eu realmente queria fazer tudo ficar bem, mas não posso... – confessei.
- Eu só acho que você nunca está do meu lado. – sua voz ficou fraca, enquanto dizia.
- È claro que eu estou ao seu lado, Jake...
- Não parece.
- Eu sei que nunca concordo com as coisas que você fala, mas é que eu não quero que você sofra.
- Eu já estou sofrendo, . – ele disse, me provando o que eu já sabia.
- Me diz o que eu posso fazer para parar com isso? – eu queria o tirar desse sofrimento. Eu já não agüentava mais o fazer sofrer. Não era justo...
- Fica comigo... – ele sussurrou, aproximando seu rosto do meu.
Respirei fundo, fechando os olhos com força. Eu tinha prometido que faria tudo que estivesse em meu alcance... Mas se eu o fizesse, estaria brincando com seus sentimentos, dando esperanças que nunca teriam chances.
- Eu sei que posso te provar que está enganada. – sussurrou ele em meu ouvido. – Eu sei que você voltará a me amar assim como me amou antes...
Abri meus olhos, encontrando o rosto de Jacob ainda mais perto, tão perto que seus lábios estavam a ponto de tocar nos meus.
-Você sabe que... – tentei dizer, balançado a cabeça. Mas Jacob me impediu, colocando um delo em meus lábios.
- Porque você resiste tanto há felicidade? – ele perguntou, passando sua mão em meu rosto. A outra mão de Jacob foi para minha cintura, me puxando para mais perto. – Eu sei que há algo entre nós.
- Jake, isso é loucura. – finalmente disse, olhando para baixo.
- Não, não é. – ele sorriu suavemente. De repente, Jacob ficou sério novamente; seus olhos ficaram tristes novamente. – Sabe qual foi o dia mais feliz da minha vida? – balancei a minha cabeça, quase encostando nossos lábios. – O dia que você disse que me amava. – aquilo doeu mais que espinhos. Eu pude sentir as lágrimas em meus olhos, loucas para sair. – E o dia mais triste, foi o dia em que você me disse que amava outro, e que nada mudaria isso.
Fechei meus olhos, trazendo o rosto de quem eu mais amava na vida. Edward...
Sua lembrança era como uma tempestade, me levando a morte.
Mas Edward nunca voltaria, ele estava feliz, em qualquer lugar com Bree. E eu nunca o veria novamente, o amor dele nunca seria meu novamente. Já estava na hora de deixá-lo para trás, mesmo que nunca deixasse realmente. Jacob estava sofrendo, e eu seria capais de tudo para mudar isso. Até mesmo ficar com ele...
Eu nunca poderia amá-lo como ele queria, mas não havia o que perder. Eu já tinha perdido...
Abri meus olhos, abri um sorriso calmo para Jacob, lhe dizendo tudo.
- Tudo bem, Jacob. – sussurrei, me aproximando mais dele. – Eu farei o que você está pedindo...
Jacob não esperou até que eu terminasse de falar, antes os seus lábios já estavam nos meus. Seus lábios quentes tocavam os meus com paixão, me pedindo passassem, enquanto eu dava.
Mas no momento que isso aconteceu, algo aconteceu. Parecia aquilo tudo tão... errado.
Não era a temperatura que eu precisava, não eram os mesmos lábios, não era Edward...
Bastou que eu apenas pensasse em Edward para que eu me entregasse ao beijo, para que eu realmente acreditasse que era ele ali, e não Jacob.
Por mais que ele tenha ido embora,
Eu ainda sinto ele aqui,
Sinto seu cheiro doce e delicado.
Por mais que ele ame outra,
Meu sentimento ainda será o mesmo.
O amor não se escolhe,
Muito menos o imprinting.
Com ele, está minha alma.
Meu coração.
Você nunca pode escolher quem é o certo para amar, ou o quem lhe magoe mesmo. Você nunca ama quem te ama. E sabe porque?
Porque não é sua cabeça que escolhe, e sim o seu coração.
Eu queria amar Jacob, queria ser feliz ao seu lado. Mas a quem eu estava tentando enganar?
Eu nunca amaria ele daquele jeito, Edward me fazia em eu sou. Mas eu tentaria seguir ao lado de Jacob, para lhe fazer feliz.
Tirei os lábios de Jacob dos meus lentamente, abrindo um sorriso para ele. Jacob também sorria, sua felicidade era como uma luz, iluminando o meu mundo escuro.
- Eu te amo. – ele sussurrou.
- Obrigada. – sussurrei em resposta.
Um barulho irritante ecoou no corredor, fazendo Jacob olhar para baixo, pegando o seu celular. Suas sobrancelhas grossas se uniram preocupadamente. Enquanto, ele suspirou alto.
- O que foi? – perguntei preocupada.
- O Sam achou um rastro no meio da floresta e quer que eu vá ver. Parece que esse rastro é diferente, não é nada que já temos visto ultimamente. – ele sorriu, dando de ombros. – Quer que eu te leve pra casa? – perguntou ele, se levantando e me ajudando a levantar.
- Eu vou ficar mais um pouco... – sussurrei, fazendo uma careta. Eu não sabia se ele iria gostar de saber que eu estava preocupada com a filha da Bella.
- Como quiser. – ele disse, parecendo não se impostar. – A gente de vê depois?
- Claro. – sorri. – Eu passo lá na sua casa, mas tarde.
- Então ta. – ele pegou a minha mão. Ele me puxou, de repente, me abraçando. – Você não sabe o quanto é bom saber que estamos juntos.
Jacob me soltou depois de alguns minutos, andando até a saída mais próxima.
- Vocês não podem ficar juntos! – escutei a voz da minha mãe, bem atrás de mim.
- Porque não? – perguntei rispidamente, me virando.
- Porque vocês são irmãos. – ela disse, acabando com meu mundo.
O grande segredo dela enfim foi revelado,
Levando-me até o inferno,
E me prendendo lá.
Sinceramente, não sei o que faço,
Nada mais parece certo, nada mais parece confiável.
Os lados foram separados,
Enquanto estou perdida entre eles.
Não existe o bem ou o mal,
Nem o certo ou errado.
Existe apenas o que mentiu menos.
Capítulo 25: Paternidade – segredos revelados parte 2
O grande segredo dela enfim foi revelado,
Levando-me até o inferno,
E me prendendo lá.
Sinceramente, não sei o que faço,
Nada mais parece certo, nada mais parece confiável.
Os dois lados foram separados,
Enquanto estou perdida entre eles.
Não existe o bem ou o mal,
Nem o certo ou o errado.
Existe apenas o que mentiu menos.
As palavras dela ecoavam em minha mente inúmeras vezes, sufocando minha cabeça e meus pensamentos.
O mundo parecia ter desmoronado em cima de mim, deixando tudo completamente sem sentido. E, por mais que eu tentasse não acreditar naquelas palavras dolorosas, algo dizia - me que era real e que estava muito longe de terminar.
Sim, aquele pesadelo era real e estava muito longe de terminar.
Meus pensamentos estavam confusos. Eu não conseguia entender absolutamente nada, por mais que tentasse muito.
Era como se eu estivesse trancada em uma parte do meu celebro que simplesmente não conseguisse raciocinar claramente.
Todas as possibilidades passaram-se pela minha mente, tentando encontrar respostas diretas.
Eu estava trancada em uma bolha que apenas repetiam as ultimas palavras que meus ouvidos escutaram, sem entendê-las de fato. E, a cada segundo passado, a voz ecoava em meus ouvidos mais alta, mas forte. Eram gritos torturantes, fazendo minha cabeça doer em chamas.
Minhas mãos foram até meus ouvidos automaticamente, tentando parar com aquilo de uma vez por todas.
Como se não fosse possível, a dor ficou ainda mais forte; arrancando um gemido alto de meus lábios.
Minha cabeça explodiria á qualquer segundo, acabando finalmente com aquela tortura. Porém, até que isso não acontecesse, a dor ainda continuaria ali, intacta.
Pude sentir lágrimas em meu rosto, fazendo meus cabelos longos e escuros grudarem em meu rosto.
As lágrimas continuaram escorrendo sem freio por muito tempo indo de encontro até minha boca, deixando aquele sabor salgado tão conhecido para mim.
Eu não conseguia saber exatamente ao certo quanto tempo fiquei chorando e sentindo aquela dor. Tudo o que meus pensamentos sabiam era que algo não estava certo. Não podia estar.
Aquilo era horrível demais para conseguir aceitar. Meu mundo estava afundando em um oceano de tristeza e eu não podia fazer absolutamente nada, além de ficar olhando de perto tudo afundar e desaparecer para sempre.
Meus últimos sonhos estavam desaparecendo como o vendo, me impedindo de enxergá-los. Porém, eu ainda podia senti-los ali no fundo do meu ser. Eles estavam bem ali, mas eu não poderia tocá-los ou alcançá-los.
– Eu vou te contar toda verdade. – a voz dela ecoou ao longe, me fazendo olhar para sua direção. Seus olhos marcantes se encontraram com os meus, segundos depois. Ela me olhava de um jeito que era totalmente novo para mim, como se realmente se importasse pela primeira vez na vida comigo. Aqueles olhos brilhantes carregavam um sentimento que eu nunca pensei que existisse ali: Dor. A mesma dor cruel e torturante que existia em mim. – Eu sinto tanto, minha filha. – ela choramingou com a sua voz ainda mais fraca que antes. Era como se o ar estivesse lhe faltando, a fazendo querer chorar. – Eu vou te fazer entender... – sua voz soou ainda mais fraca – o que jurei, segundos atrás, não ser possível. Sua respiração ficou ainda mais lenta, como se doesse respirar, como se a dor fosse grande demais para suportar. Mas eu não poderia a deixar me enganar tão facilmente. Não quando a mulher que estava ali era a mulher que mais tinha prazer em me fazer sofrer. Ela era a pessoa que mais sabia fazer isso, como se simplesmente fosse como respirar. Fácil demais. – Vamos conversar em um lugar mais reservado. – disse ela olhando em volta, procurando um lugar não especifico.
A dor tinha me deixado tão desnorteada que me fez esquecer completamente de onde me encontrava. Olhei rapidamente para o corredor mais movimentado do que antes.
Aquele não era o lugar certo para ter aquela conversa.
Minha mente ficou um pouco mais clara, me fazendo esquecer por um segundo a dor que me torturava cruelmente. Mas aquilo só durou apenas um segundo, logo a lembrança me fez a sentir ainda mais forte que nunca.
– Eu sei onde podemos ter essa conversa. – disse minha mãe, me fazendo olhá-la por um segundo. Ela estava aparentemente melhor do que antes; seus braços estavam ao redor de si, lhe abraçando com força; Sua respiração estava um pouco mais rápida do que antes – o que não era uma coisa muito boa. Ou exatamente uma melhora. – Venha. – ela chamou sinalizando com a mão ao mesmo tempo em que falava.
Lhe segui tomando um pouco mais de distância do que o necessário. Me protegendo da maldade que eu sabia que existia naquela mulher.
Ela poderia parecer uma pessoa passiva agora, mas não me enganava.
Eu era a pessoa que mais sabia o que ela era capaz de fazer. Principalmente comigo.
Ela tinha suas armas para me atacar, mas eu tinha as minhas para me defender. Não a deixaria fazer como nas ultimas vezes, despedaçando e pisando em meu coração sem dó e nem piedade.
A dor que ela me fez passar tinha me ensinado muito bem como ela poderia ser má, como ela poderia ser terrivelmente cruel. Justamente por isso que eu já esperava qualquer coisa vendo dela, mesmo que ela fosse minha mãe. Porque, simplesmente, ela nunca tinha sido uma. Muito menos para mim.
Meu coração já estava calejado demais para não ter aprendido a lição com todos os exercícios que a vida me deu.
Eu já tinha aprendido minhas lições e não cometeria os mesmos erros idiotas.
Eu tinha aprendido muito bem com os exemplos e, terrivelmente, tinha decorado muito bem quais eram eles. Tinha decorado tão bem que aquilo estava gravado em mim de tal forma que seria impossível esquecer. Impossível não lembrar de quão grande era a dor e de como ela poderia ser cruel e poderosa.
Não, certamente, eu não cometeria os mesmos erros...
Minha mãe parou de andar, parando em frente á uma porta qualquer de madeira escura. Ela me encarava com as sobrancelhas erguidas e seus lábios em um bico forçado.
Andei lentamente até ela, sem nem ao menos ter qualquer presa. Minha mãe revirou os olhos, aceitando aquilo como uma provocação – o que era a minha verdadeira intenção.
Eu mostraria a ela o quanto à dor que ela me fez passar tinha me mudado deixando aquela menininha para trás. Mostrando-lhe que eu não iria simplesmente abaixar minha cabeça e a deixar me machucar. Eu estava cansada demais para fazer isso. Cansada como se tivesse envelhecido anos em poucos minutos. Como se a presença dela sugasse todas as minhas forças vitais.
Eu estava tão cansada de ver os outros pisarem em meu coração como se fosse um lixo qualquer. Cansada de sofrer pelos outros. Cansada de simplesmente sofrer...
Cheguei a sua frente respirando fundo, a minha batalha interna estava longe de terminar.
Era a batalha que mudaria tudo, mudaria o percurso das coisas.
Ou eu continuaria sendo a menina que sempre fui; deixando os outros fazerem o que quiserem de mim. Ou deixaria aquele lado mais forte meu aparecer, transformando toda dor presente em mim em raiva, me libertando. Por que, de certa forma, a raiva conseguia ficar maior que a dor, deixando tudo mais fácil. Eu transformaria a dor em raiva, me obrigando a seguir em frente. Vivendo de qualquer maneira...
Adentrei na sala que minha mãe escolhera, passando por ela sem tocá-la ou encará-la.
A porta se fechou segundo depois que entrei, me fazendo cruzar os braços e esperar.
Eu tinha parado de frente para minha mãe, olhando sem medo em seus olhos, com o ar de força que me tomava pela raiva.
Ela respirou fundo, me encarando com a mesma intensidade de volta. Seus olhos me queimavam, enquanto os meus lhe faziam a mesma coisa.
– Parece que você tem algumas coisas para me falar. – disse apertando os meus braços com mais força em minha volta. Minha voz estava tão transformada pela raiva que chegava a chocar. Não era eu quem estava falando ali e sim a minha raiva, a minha dor. Por mais que eu lutasse para não deixar aparecer, aquilo ainda doía muito. Se eu deixasse a minha dor aparecer, acabaria lhe mostrando o quão fraca eu realmente era, e isso eu não poderia fazer. De alguma forma, minha mãe era minha pior inimiga. Olhar-lhe me lembrava de tudo que Ted me fez, me fazendo olhá-la com nojo supremo. Ela era tão suja quanto ele, o que me fazia acreditar que eram a mesma pessoa. – Parece que você ainda não cansou de tentar me machucar. Vive tentando alguma coisa nova. – sorri amargamente, lembrando da ultima vez que nos encontramos. Lembrando de como ela tinha defendido Ted e me humilhado. Se eu fechasse os olhos seria capaz de reviver tudo de novo. Mas, certamente, eu não queria reviver nada daquilo. Eu apenas queria esquecer. – Tenho que te dar os parabéns, você desta vez quase me fez acreditar que estava falando a verdade. Você realmente me surpreendeu. – o sarcasmo praticamente escorria em minhas palavras. Os olhos dela tinham uma faísca de dor que me deixou por um segundo abalada. Eu não poderia me deixar enganar por um olhar de dor, não depois de tudo o que ela me fez. O meu sorrido aumentou de qualquer forma, enquanto eu lhe aplaudia. – Parabéns. Desta vez você se superou...
– Pare. – ela disse com firmeza, me interrompendo. Ela fechou os olhos com fúria, antes de sussurrar: – Eu ainda sou a sua mãe.
– Não parecia quando você estava praticamente me chamando de vadia. – retruquei ainda com a voz cheia de ódio, mas totalmente calma.
– Sei que fui longe demais com você... – ela disse com a voz meio abalada, abrindo os olhos e me encarando com certo receio.
– É, você foi sim. – minha voz perdeu o tom de calma, mudada para dor. – Mas isso não pareceu incomodar você. Você nunca se importou mesmo com os meus sentimentos. Tudo o que você queria era me fazer sofrer. – me aproximei dela, dando um longo passo à sua frente. – Você sempre esteve ocupada demais me machucando para ligar para os meus sentimentos.
– Eu sei... – ela choramingou – derrotada -, fechando os olhos com força. – O que eu fui não foi nem de perto uma mãe. Mas, entenda, - ela abriu os olhos, mostrando aquela dor que eu não queria perceber. – Eu tive os meus motivos, filha. Eu posso não ser a mãe que você merece, mas tudo o que eu fiz até hoje foi para te proteger.
Foi como um tapa na minha cara. Doeria menos se tivesse sido. – Me proteger? – disse incrédula, entre dentes, praticamente gritando. – Não se protege ninguém assim...
– Eu sei. – ela me interrompeu, novamente. – Como eu disse antes, “tive motivos para fazer o que fiz”. – ela se aproximou de mim. – Eu te amo tanto, minha filha. – ela sussurrou, como se tentasse tirar a dor que se alastrava por meu ser. Eu não podia acreditar que ela realmente me amava. Eu me obrigava a não acreditar em nenhuma só palavra que saia de sua boca. – Se você soubesse o quanto você é importante para mim, me entenderia pelo menos um pouco. – ela se aproximou mais ainda, olhando-me com aqueles olhos que eram tão estranhos para mim. Em seguida, sua mão estava em meu rosto, alisando com cuidado a maçã de meu rosto. Eu não poderia me lembrar de quanto tempo ela não fazia qualquer carinho em mim. Mas tinha a quase certeza que nunca tinha sentido seus dedos me fazendo carinho. E aquilo era bom. Inacreditavelmente bom.
Aquele carinho me fazia sentir algo que nunca pude sentir realmente: amor de mãe vindo dela. Fechei meus olhos com força, deixando as lágrimas escorrerem pelo meu rosto, deixando a verdadeira tristeza aparecer. Ao mesmo tempo em que aquele toque me fazia sentir a melhor sensação do mundo, me machucava. A dor de nunca ter tido uma mãe me atingiu ao mesmo tempo em que seus dedos. Eu simplesmente não conseguia acreditar que nunca tinha sentido aquela sensação que era tão normal para todo o mundo. Aquilo era tão novo e desconhecido que chegava a doer.
– Você sempre foi um sonho para mim. Quando eu tinha a sua idade, tudo o que eu mais queria era ter uma filha que me deixasse orgulhosa. E agora, eu tenho... – disse minha mãe, depois de alguns minutos. Escutei o soluço alto vindo dela. Sua respiração estava fraca demais, como se ela obrigasse a si mesma guardar o choro dentro de si. – Você é tudo no mundo que eu sempre quis. Tudo no mundo que eu mais me orgulho... Que mais amo. Você é a melhor filha que alguém poderia ter.
Eu não conseguia entender mais nada. Se aquilo era uma armadilha para me fazer acreditar em uma só palavra ela ou para me deixar completamente confusa, estava realmente funcionado. A confusão praticamente saia pelos meus poros, fazendo minha mãe rir por qualquer razão que não pude entender.
Sua risada era um som estranho para mim, um som que me fez sorrir também. Era uma risada gostosa e doce – o que pensei nunca existir nela.
Lembro de ouvir minha mãe dizer inúmeras vezes que eu era um completo fracasso, o peso que ela teria que carregar por toda sua vida.
Abri meus olhos com dificuldade. Minha cabeça ainda doía como se estivesse pegando fogo. – Eu não entendo... – minha voz saiu sem vida, como se a vida simplesmente já não existisse em mim.
– Eu era tão jovem que não conseguia entender o que estava fazendo. Não conseguia enxergar a gravidade daquilo tudo. – ela abaixou os olhos – vergonhosamente. Suas sobrancelhas se juntaram com força, enquanto algumas lágrimas escorreram sem freio pelo seu rosto. – Quando eu realmente me apaixonei já estava casada com Ben. – ela tirou sua mão do meu rosto, olhando para suas mãos já tremulas, como se tivesse algo ali. Após isso, ela passou suas mãos pelo rosto molhado. As palavras dela tinham vida própria. A dor era evidente demais.
Mesmo eu tentando não me enganar e fingir que não podia ver aquela dor em seus olhos, agora a dor tinha ficado grande mais para fingir não notar. Aquela dor me assustava, me fazendo querer abraçá-la e dizer que tudo ficaria bem. Mas eu realmente não podia, a dor em mim conseguia ser maior que a vontade de tirar a dor dela. Eu não podia simplesmente tentar aliviar a dor ela, por que, simplesmente, ela nunca se importou de aliviar a minha.
– Sei que nunca fui uma mãe de verdade, mas acredite, eu sempre amei você. – ela continuou respirando fundo, levantado mais a cabeça, tomando coragem para algo. Era obvio que ela estava se esforçando muito para encarar os seus fantasmas de frente – o que me assustava. Se ela estava assim, era porque seus fantasmas eram grandes demais. Talvez eu não pudesse suportar a dor da verdade que eu lutava para não enxergar. – Eu era muito jovem – sei que isso não justifica -, mas estava cansada de fazer o que meus pais queriam, sem nem ao menos questionar. Pela primeira vez, eu realmente estava sendo a garota que nunca tive chance de ser. – Aquilo era tão novo para mim que chegava a chocar. Minha mãe nunca falava de seus pais, era como se lutasse para esquecer. Eu, porém, sempre fiquei muito curiosa em relação a isso, mesmo sem dizer nada. Eu nem ao menos sabia os nomes dos meus avôs maternos, quem dirá como eles eram – fisicamente e mentalmente.
– Me casei com Ben quando tinha 17 anos. Era uma garota sonhadora, tão diferente dele que chegava a incomodar. Ben sempre teve seus pés grudados no chão. Sonhava apenas em poder me dar o luxo que ele achava que eu queria. Seus sonhos eram nem de longe parecidos com os meus... – ela continuou falando, andando até uma cadeira que estava atrás da enorme mesa da sala. Aparentemente, ali era um consultório medico. Era estranho eu não ter percebido aquilo antes... – Eu queria encontrar o verdadeiro amor, sentir o que todos diziam que não existia. Eu queria ter filhos em volta de mim, enquanto esperava meu marido chegar do trabalho. – ela sorriu amargamente, como se seus sonhos estivessem morrido há muito tempo. Ela virou um pouco a cabeça, olhando a janela atrás da cadeira. Antes, eu nem tinha notado a existência daquela janela, estava perdida em muitos pensamentos para prestar atenção em qualquer coisa que não fosse aquela história. A história que fez a garota sonhadora, que era minha mãe, morrer. – Talvez eu tenha feito à escolha certa em relação ao amor verdadeiro, mas tenha escolhido a pessoa errada para isso. – ela se virou para mim, novamente, suspirando alto. – Sabe, o amor é como uma serpente disfarçada de um colar. Quando você o coloca no pescoço, pensando que ele irá lhe trazer alegrias, tudo o que ele faz é partir seu coração. A serpente reaparece, te atacando com total crueldade. – a comparação dela me fez fechar os olhos. Não, o amor não era como uma serpente. Ele era como um punhal de duas pontas. Ferindo-te de qualquer jeito... – O amor pode ser um sentimento bom, mas também pode ser um sentimento perverso. – abri meus olhos, encarando seus olhos. Minha mãe sorria para mim docemente, me obrigando a retribuir. – Talvez você nunca tenha sentido isso, talvez tenha. – ela se levantou. – Pode não parecer, mas eu te conheço melhor que você mesma. – ela afirmou convencida, dando um sorrisinho torto. Um tanto quanto bobo. – Você está sofrendo. Basta olhar em seus olhos para perceber isso. E apenas uma única palavra é o motivo disso: amor.
Uma facada atacou meu coração. Desviei os meus olhos dos olhos marcantes que pareciam ver minha alma. Eu não queria que ela soubesse da existência da minha dor. Eu não queria que ninguém soubesse que eu estava sofrendo e vivendo como uma morta viva. Ainda mais esse alguém sendo minha mãe, que poderia usar aquilo para me fazer sofrer, ainda mais, no futuro. Porém, as palavras dela tinham razão. O amor era uma coisa boa em um ponto, mas era muito cruel em outro. Aquele sentimento avassalador sabia ser cruel como ninguém.
Coloquei minha mão no peito – bem em cima do meu coração -, sentindo a dor praticamente escapar para todo canto. Fechei meus olhos, travando o maxilar com força.
– Viu como eu te conheço tão bem? – a voz da minha mãe ecoou em meus ouvidos. – Sabe por quê? – eu neguei com a cabeça, virando minha cabeça e abrindo os olhos, encontrando aqueles olhos que me faziam temer até o ultimo centímetro do meu corpo.
– Porque sou sua mãe. – ela respondeu simplesmente.
Minha mãe me olhava com uma dor completamente diferente agora. Era... Pena?
– O amor não foi justou conosco, não é? – ela perguntou, passando seus braços em volta de mim. Abraçando-me de um jeito estranho, como se não soubesse fazer isso muito bem.
– Não, ele não foi. – respondi, travando minha respiração e colocando minha cabeça no ombro frágil da minha mãe. Minha garganta travou, prendendo o grito e o choro.
– Eu sei o quanto dói. Acredite. – ela passou sua mão entre os fios longos do meu cabelo, delicadamente. Senti seus lábios no alto da minha cabeça – depositando um pequeno beijo ali –, enquanto ela respirava profundamente. – Um dia a dor não vai ter a mesma intensidade, mas ela nunca passará se o amor for verdadeiro.
Nunca pensei que um dia minha mãe me abraçaria daquela maneira, tentando aliviar a minha dor.
Uma parte minha estava feliz por ela estar ali, me consolando de tal maneira que eu não poderia descrever.
Sim, eu estava muito feliz por ela estar ali... – aquele pensamento me chocou assim que surgiu em minha cabeça.
Fim POV
POV Versão terceira pessoa:
Helena (Mãe da )
Helena ainda podia se lembrar de como a dor em seu peito era cruel. Em algum lugar de seu coração – um lugar tão pequeno e frágil – ainda existia aquela dor assustadora, acabando com o mundo de frieza que a mesma criou. Ela queria poder voltar no tempo, mudando sua história infeliz, mudando o rumo cruel que sua vida tomou.
Porém, ela nunca poderia desfazer os erros do passado – o que só piorava a dor e a culpa dentro de si -; ela nunca poderia respirar aliviada.
Felicidade era uma palavra que já não existia em seu mundo há muito tempo. E com essa simples palavra que significa tantas coisas, o mundo perdeu o brilho. Seu mundo hoje era apenas escuridão e desespero.
Ela queria que aquele sentimento desaparecesse como névoa, a fazendo respirar aliviada pelo menos uma única vez.
E por mais que ela tenha sufocado aquele sentimento durante todos esses anos, aquele sentimento nascia entre as cinzas, trazendo aquele ódio tão grande junto com sigo.
O ódio chegava a ser maior do que o amor que ainda existia em seu coração frio. Ela queria tirar aqueles sentimentos com suas próprias mãos.
Entretanto, ela nunca mereceu o amor que o seu ex-marido lhe dera durante esses anos. Não merecia a paciência que ele lhe dera apesar de tudo.
Ele, apesar de tudo, tinha tentado cuidar de seu coração cruel e frio. Porém, nem mesmo o seu coração puro foi capaz de fazer isso.
Helena sempre foi àquela que destruía o coração das pessoas que a rodeava sem dó e nem piedade. No fundo, ela sabia que tudo o que tocava era destruído cruelmente, assim como o seu próprio coração.
Entretanto, ela nunca foi capaz de descobrir em que momento que se tornou uma pessoa assim. Tudo o que ela podia saber era que tinha se tornado uma pessoa amarga e fria.
Ninguém mais podia ver os seus erros do que ela mesma. Ela tinha destruído o coração das pessoas que mais amava na vida: seus dois filhos.
Eles nunca a perdoariam por ter sido tão cruel e egoísta. Porém, ela tinha tido os seus próprios motivos para não querer que eles a amassem.
Seria cruel demais permitir que eles a amassem de verdade. Seria cruel demais quando o tumor que existia nela rompesse e os seus filhos sofressem.
Ela não se importava de morrer – sabia que realmente merecia isso –, mas se importava com seus filhos. Não era justo os fazer sofrer ainda mais por sua causa.
Cada um tinha seguido o seu próprio caminho. Suas vidas tinham seguidos caminhos que não mereciam ter mais um aborrecimento.
Eles já tinham muito para se preocupar e ela não queria que eles se preocupassem com sua mãe moribunda.
Se ela os tivesse tratado com o amor que eles mereciam – com o amor que ela tinha necessidade de lhes dar –, eles sentiriam sua falta quando o inferno a levasse.
Ela não poderia ter feito às coisas diferentes – mesmo que quisesse muito –; mesmo que ela tente ser forte a ponto de parecer o monstro que todos pensam que ela realmente é.
Dizer todas aquelas palavras para sua filha no hospital fora o mais difícil de fazer. Era torturante demais dizer que não acreditava nas palavras da jovem, pois sabia que era tudo verdade.
Era torturante ver o quanto o coração de sua filha estava despedaçado e ela não poderia fazer absolutamente nada para melhorar aquilo. Pelo contrario, tudo o que ela foi capaz de dizer foi coisas que despedaçou o coração da menina ainda mais. Olhar naqueles olhos que demonstravam a dor da sua filha e dizer aquilo tudo foi torturante demais. Mas ela tinha que ser forte, tinha que evitar que sua filha sofresse ainda mais.
Se ela não dissesse tudo aquilo, Ted contaria para todos que não era filha de Ben. não merecia tanta dor de uma só vez. Não merecia que todo seu mundo fosse destruído em apenas um instante.
Bastava olhar nos olhos de naquele momento para ver que ela não suportaria aquela dor. Bastava ver Ben e juntos para saber que eles não mereciam tudo aquilo.
amava aquele pai demais para que aquilo fosse destruído.
Helena sabia que sua filha não suportaria aquilo, mas ela tinha que contar a verdade agora.
O quê fazer quando sabe que todos os caminhos que você pode seguir irão ferir a criatura mais preciosa de sua vida? Seguir o que doeria menos?
Helena fez tudo o que tinha que ser feito para evitar que sua pequena preciosa sofresse ainda mais.
Ela tinha feito tudo o que pôde para não ver o mundo de sonhos de ser completamente destruído, mas tudo falhou no exato momento em que viu e Jacob se beijando mais cedo.
Helena tinha sido tola demais acreditando que nunca houve a possibilidade de e Jacob ficarem juntos. Ah, Céus, ela estava tão enganada!
Ela viu o brilho nos olhos de Jacob quando os seus lábios separaram-se dos lábios de . Ele disse alto e em bom som que a amava.
Aquilo doeu muito, como espinhos e facas ferindo o coração de Helena.
Ela não estava apenas destruindo o coração de sua filha, mas o de Jacob também.
Aquele garoto sempre esteve lá quando precisava, mesmo que seu pai dissesse que aquilo era perda de tempo.
Jacob sempre cuidou do coração triste de , fazendo uma luz que apenas existia nele.
Achar que quando eles crescessem o amor entre eles diminuiria era o grande era da vida de Helena.
Deus, eles eram irmãos. Aquele erro era grande demais e Helena era a culpada.
Helena nem poderia imaginar se e Jacob já tivessem transado, seria um pecado ainda maior. Ela tinha que impedir se houvesse a possibilidade deles ficarem daquela maneira.
Porém, ela estava destruindo o coração deles assim como Billy Black tinha destruído o seu há anos atrás.
Aquele homem não teve piedade de seu coração fraco, tudo o que ele realmente queria era a machucar ainda mais. Porém, mesmo que Billy tenha destruído seu coração, doía ver que estava destruindo o coração de Jacob da mesma forma.
Ela não era tão cruel assim em ficar feliz com aquilo. Ela não era tão má em encarar aquilo como uma vingança.
Jacob não merecia sofrer. Ele não era um monstro como seu pai. Pelo contrário, ele era um garoto bom que lutava pelos seus sonhos, e era um deles. Não havia palavras para dizer o quando Helena estava se sentindo suja.
Ela realmente era o pior monstro que podia existir. Pensando bem, existia apenas um que conseguia ser pior que ela: Ted
Aquele monstro pagaria com a própria vida pelo que fez a . Ele sentiria na pele tudo o que ele a fez sentir e, Helena, seria a mulher que o faria isso. Já não havia motivos para continuar no mesmo teto que aquele monstro, já não havia nada que ele pudesse fazer contra ela.
Ele não teria o prazer de destruir o coração de sua filha mais uma vez. Helena o destruiria primeiro.
Ela o levaria para o inferno junto com ela, os fazendo pagar por todos os seus pecados.
Morrer agora ou mais tarde não a faria diferença nenhuma. Não mesmo.
Fim versão terceira pessoa.
POV
– Quando Billy Black chegou á cidade, eu tinha acabado de me casar. – minha mãe continuou com a voz mais grave. – Ele era tão doce – não que Ben não fosse –, mas eu já nem conseguia pensar... Estava completamente apaixonada. – tentei ver minha mãe apaixonada por Billy Black, o homem mais desprezível e cruel da cidade. Aquilo parecia tão errado e impossível. Nas poucas vezes que os vi juntos, eles apenas trocaram palavras ofensivas e olhares cheios de puro ódio. – Eu não sabia que Billy também era casado. Na verdade, eu nunca soube nada dele realmente. – uma faísca de puro ódio passou pelos olhos de minha mãe. Ela respirou profundamente, aparentemente, tentando se controlar. Suas mãos tremiam bruscamente, enquanto ela dava um longo passo para trás. Seus braços me deixaram tão rápido que não pude deixar de estremecer. Eu não queria perder aquela sensação de proteção, mas tinha que me acostumar com aquilo. No fundo, eu sabia que minha mãe apenas tinha feito aquilo tudo para amenizar um pouco a minha dor. Ela ainda continuava sendo a mulher que me fazia sofrer apenas com um olhar, eu não poderia me esquecer disso. Ela apenas estava tentando me enganar mais uma vez, mas não iria conseguir. – Eu agüentei o quanto pude, mas Billy me seguia por onde eu fosse. Ele me dizia que eu era a mulher de sua vida e que faria de tudo para ficar comigo. – ela passou seus braços em torno de si, respirando algumas vezes antes de continuar. – Se passaram anos assim, enquanto eu fugia de Billy como o Diabo da cruz. A culpa de amar outro homem apenas aumentava dentro de mim, me fazendo fazer de tudo para que Ben se sentisse amado. Todas as vezes que eu olhava para Ben, o imaginava sendo Billy. – seus olhos viajavam por um passado triste e muito distante. Eu não queria estar ouvindo aquilo tudo por que, no fundo, já sabia qual seria o final daquela história e não queria acreditar que aquilo realmente era verdade. Era a minha vida ali, os segredos que eu nunca pensei que existisse. Aos poucos, eu estava perdendo tudo. – Em uma noite, eu estava sozinha em casa, me sentido tão só e tão culpada. As lágrimas simplesmente escorriam pelo meu rosto, enquanto a culpa só aumentava mais e mais. Billy apareceu do nada, me fazendo levar um susto horrível. Então, foi ai que tudo aconteceu... – eu não queria ouvir mais nada, aquilo era uma loucura. A cada palavra, meu mundo se despedaçava mais um pouco. Eu não podia suportar aquilo, a dor era grande demais. As lágrimas e os soluços saíram sem freio de mim, enquanto eu finalmente entendia aquilo tudo. Até então, a ficha ainda não tinha realmente caído. - Quando eu descobri que estava grávida, meu mundo simplesmente se desfez. Eu não sabia o que fazer, estava me sentindo culpada demais para fazer alguma coisa. – não era o mundo dela que estava se desfazendo, era o meu. Coloquei a mão na boca, tentando não gritar. Eu queria implorar para que ela parasse, mas não tinha forças para isso. Eu repudiava tudo aqui.
Minha garganta fazia um ruído desesperado, mas não conseguia ser um grito de verdade. As forças estavam desaparecendo do meu corpo rapidamente, enquanto a dor me consumia por inteiro. Fechei meus olhos, tentando esquecer aquelas palavras. Tentando me fazer acreditar que aquilo era apenas um pesadelo e que logo eu acordaria. Meu pai continuaria sendo meu pai e Billy Black continuaria sendo o homem que despedaçou meu coração inúmeras vezes quando criança.
Eu ainda poderia me lembrar de suas palavras quando eu ia a sua pequena casa.
Não, eu não poderia ser filha do homem que me humilhou inúmeras vezes quando criança.
Eu não poderia acreditar que o homem que me amou e me protegeu desde o dia em que nasci não era meu verdadeiro pai. Aquilo era cruel demais para acreditar.
– Eu tentei falar com Billy, mas ele simplesmente desapareceu. Era como se tivesse virado pó. – a voz grave da minha mãe continuou, me fazendo querer morrer ali mesmo, antes que aquela história dissesse o que eu já sabia.
Eu não poderia permitir que ela dissesse em voz alta aquilo tudo, doeria ainda mais. Mas eu simplesmente não conseguia fazer mais nada, estava sem forças para ao menos abrir a boca. Olhei sob as lágrimas o local onde me encontrava, tentando encontrar a saída e fugir dali o mais rápido possível, mas as lágrimas eram tantas que eu não conseguia enxergar absolutamente nada.
– Um convite misterioso chegou em casa; Ele era vermelho com letras brancas. Eu só tive coragem de abrir quando Ben voltou do trabalho, com Erick nos braços. – ela continuou com a voz sussurrante.
Eu não queria mais escutar. Será que ela não conseguia entender?
– No dia seguinte, eu e Ben fomos pela primeira vez na casa dos Black. Era uma casa realmente simples, mas muito bonita. E quando eu conheci a Senhora Black e as suas duas filhas, meu coração se quebrou em tantos pedaços miúdos.
– Pare. – consegui encontrar o que tinha sobrado da minha voz. – Por favor... – sussurrei entre soluços, me abraçando com força. Eu queria desaparecer, apenas isso.
– Eu estava tão magoada que simplesmente sai correndo, sem nem ver o que estava fazendo ou por onde pisava. – ela continuou mesmo depois do meu pedido implorador.
Forcei as minhas pernas a se moverem, eu não podia escutar o final daquela história.
Eu não podia escutar a voz grave dela dizendo alto e em bom som que eu era filha daquele homem. Aquilo já doía demais agora, não suportaria depois.
Meus pés perderam a força no meu segundo passo, me fazendo cair de joelhos no chão. Não liguem para a dor aguda de meus joelhos ralando no chão. Aquela dor nem se comparava com a dor do meu coração.
Cravei minhas unhas nas palmas de minhas mãos, fechando minhas mãos em punho. Logo o sangue fervente escorreu sob meus dedos finos, me fazendo passar a mão na minha calça.
– Billy foi atrás de mim, gritando meu nome. Quando ele me alcançou, me segurou pelo braço, gargalhando alto de mim. Naquela hora, ele me disse que eu tinha sido o brinquedo mais emocionante da vida dele. Ele nunca me amou. Ele nunca amou ninguém... – disse minha mãe mais rapidamente, me fazendo levar as mãos até os meus ouvidos. Manchando meu rosto se sangue.
– Eu não quero mais escutar. – disse entre dentes, fechando os olhos. – Eu não posso mais escutar essa loucura. – choraminguei, me sentando no chão gelado. Abracei minhas pernas com força, como se eu fosse uma bola. Tudo o que eu queria era desaparecer. Para sempre.
– Eu jurei a mim mesma que nunca mais voltaria a procurá-lo. Ele tinha sido cruel demais comigo, mas eu tinha que dizer que estava grávida. – continuou a mulher, como se eu não tivesse dito nada, simplesmente. No fundo, tudo o que ela queria era me torturar e estava realmente conseguindo. Ela podia dizer tudo o que queria, me machucar das piores maneiras, mas aquela era sem duvidas a pior. – Fui até a casa dele uma noite, você já tinha nascido e Jacob estava prestes a nascer. Eu estava com tanta culpa em cima de meus ombros, Billy tinha obrigação de dividir um pouco comigo. Deus sabe o quando era ruim olhar de novo para aquele ser desprezível, mas eu tinha que ter forças para contar a verdade. Eu, no fundo, queria que ele também se sentisse culpado e infeliz. A culpa dentro de mim conseguia ser bem maior que a raiva e o rancor... – minha mãe se abaixou perto de mim, seus olhos me olhavam com pela. Mas era como se ela não conseguisse mais parar de falar, como se as palavras tivessem vida própria. Sua mão foi se aproximando de meu rosto e eu quis me afastar rapidamente. Eu estava enjoada demais para suportar aquilo tudo. Me arrastei no chão, me distanciando da minha mãe. Seus olhos ficaram tristes na mesma hora, enquanto eu me encostava na parede mais longe possível dela. – Quando eu comecei a dizer tudo, Billy simplesmente teve um ataque de raiva, me batendo com todas as suas forças. – minha mãe limpou a garganta antes de continuar, fingindo que nada tinha acontecido. Ignorando o meu nojo por ela. Mas no fundo, eu sabia que ela tinha ficado magoada. – Ele me chamava de louca e de tudo que podia pensar naquele momento, menos a mãe de uma das três filhas dele. – tentei ignorar aquilo, encostando meu rosto na parede. Eu não era filha dele, eu não era filha dele. – Quando já não tinha mais nada a ser dito, Billy me disse que nunca iria querer saber da maldita criança que nascera de mim e dele. – meu corpo estremeceu, congelando-se. – E que nós - eu e você -, não lhe importava, simplesmente. Juntei todas as forças que tinha e lhe soquei, provando para o mundo que não o amava e que nunca acreditaria em uma só palavra vinda dele. Ele, como sempre, apenas riu. Era como se ele visse uma coisa patética demais... – sua voz estremeceu. Eu pude ver a dor ali e me perguntei se no fundo ela ainda o amava. Sob a magoa, o rancor e a raiva eu pude ver amor ali. Por mais que Billy tivesse sido um desgraçado, ela ainda o amava... – Alguns anos se passaram e a mulher de Billy descobriu tudo, assim como Ben. – ela suspirou, entanto dizia com a voz baixa. Ela andou lentamente até a cadeira em que antes estava sentada, se sentando. Notei que os olhos da minha mãe encaravam tudo, menos os meus olhos. – A mulher apareceu em casa desesperada, gritando e chorando como uma louca. Eu tive pena dela, ela não merecia ter aquele monstro como marido. Ela era doce e bondosa, diferente de mim que já tinha se tornado um poço de rancor e ódio. Ben simplesmente me olhou com dor, dizendo que nunca mais queria me ver na vida, mas que você continuaria sendo filha dele. Erick acordou assustado, chorando e me perguntando se você não era a irmãzinha dele.
– Billy conseguiu segurar a mulher pelo braço e levá-la para o carro, ambos estavam desesperados. – a cada palavra o meu coração se partia ainda mais. Todos sabiam de tudo, menos eu. Erick sabia desde o inicio que eu não era totalmente irmã dele, mas nunca disse absolutamente nada. Meu pai, ou o meu não pai, sempre soube de tudo, mas sempre me tratou como a sua verdadeira filha. – Peguei você no berço e o seu irmão dos braços de Ben, dizendo que sentia muito. Naquela hora, eu não conseguia pensar em mais nada. Tudo o que eu sabia era que tinha que sair dali, antes de ver Ben chorar. Eu já tinha culpa demais para carregar...
– Levei você e seu irmão para um parque de diversões, os colocando em baixo da roda gigante. Eu tinha uma amiga lá perto, eu imploraria para que ela me deixasse ficar na casa dela por um tempo, com vocês. Falei com ela rapidamente, com medo que algo acontecesse á vocês. Quando voltei para pegar vocês e os levar comigo, vocês já não estavam mais lá. Eu simplesmente surtei. Tinha completamente certeza que tinha os deixado embaixo da roda gigante. Liguei para todos os números conhecidos, até que descobri que o pai de Ben descobriu onde vocês estavam e os levou, antes que um homem te roubasse. – minha mãe sabia muito bem que aquele homem queria muito mais do que apenas me roubar. Ele era um monstro assim como Ted. Assim como ela. – Eu estava apavorada demais para pensar, então tudo o que pude fazer foi voltar para casar e ver que vocês estavam bem. Então, venho à notícia que me destruiu ainda mais: o carro de Billy tinha tombado e a mulher dele tinha morrido e ele nunca mais andaria. – minha mãe praticamente revivia tudo aquilo enquanto falava.
Eu correria se pudesse mexer um centímetro de meus músculos ou apenas uma parte do meu corpo.
Agora tudo fazia sentido, eu lembro perfeitamente da noite em que minha mãe nos deixou. Lembro do pânico se espalhando pelas minhas veias como acido fervente. Ela não tinha nos deixado, ela estava tentando nos tirar da confusão apavorante que se alastrava pela casa onde as verdades tinham sido reveladas. E por mais que eu soubesse de tudo agora, não mudava nada. Ela tinha me feito sofrer de mais, tinha destruído meu coração inúmeras vezes em anos de convivência.
Ela poderia ter não me contado para me proteger, mas ainda sim doía muito.
Não, doer era muito pouco para descrever o que eu estava sentindo aquele momento.
Era muito mais que dor. Era ódio, raiva, magoa, desilusão e rancor.
Aquilo tudo se misturava em mim, destruindo o ultimo fio de esperança que tinha me sobrado.
A vida já não tinha mais sentido nenhum para mim. Eu já não sabia mais pelo quê valia a pena lutar.
Eu estava no final da estrada, tinha perdido o controle de tudo. Meus pensamentos estavam me assombrando junto com a verdade; e meu mundo estava destruído. Minha vida, meu mundo, estava em ruínas.
Sinceramente, eu não sabia mais o que fazer. Nada mais parecia certo ou confiável.
Eu estava trancada no meu próprio inferno particular, sentindo todos os pedaços do meu coração se quebrar em tantos pedaços que seria impossível colá-los desta vez.
A dor era insuportável demais, como se fosse uma dor física. Todos os meus fantasmas estavam se fundindo em apenas um, fazendo a dor focar mil vezes mais forte.
Aquilo tudo tinha virado uma bola de neve, se fundindo e criando mais força. A avalanche estava se chocando contra mim com tanta força que doía demais. Eu já não conseguia encontrar forças para lutar contra ela. Era simplesmente grande demais. Eu me sentia pequena demais. Fraca demais.
Minha vida se resumia numa mentira. Todas as memórias boas ou ruins se resumiam numa grande mentira. E aquilo era grande demais para ignorar.
Me perguntei se tudo teria sido diferente se eu soubesse que eu era filha dele. Eu teria sido diferente? Minha infância teria sido mais ou menos dolorosa? Eu continuaria me preocupando com Ben Clearwater mesmo sabendo que ele não era meu pai? Eu o amaria? Amaria seus pais? Amaria Leah e Seth? Amaria meus tios amorosos? Odiaria todos eles?
Eu continuaria sendo Clearwater a partir de hoje? Lutaria pelos mesmos motivos?
Quem era essa Clearwater, afinal de contas? Eu realmente não sabia. Eu não conseguia saber quem ela era ou o que ela faria naquelas circunstâncias. Eu não sabia dos seus gostos, do seu jeito ou até do seu passado.
Tudo tinha sido uma grande mentira. Nada era verdadeiro. Nada valia apenas no fim das contas.
Tinha sido outra pessoa que tinha vivido aquilo tudo, não eu. Não a garota que estava sem saber o que fazer a partir de agora. Não a garota que nem ao menos sabia quem era de verdade. Não eu.
Os lados enfim tinham sido separados cruelmente, enquanto eu estava perdida entre eles. E não havia nada que eu pudesse fazer hoje ou amanhã sobre isso. Não havia nada que eu pudesse fazer nunca.
Eu não poderia simplesmente fingir que nada havia acontecido. Eu nunca poderia esquecer aquela pequena história que resumia minha vida inteira. Como se aquilo não fosse nada. Como se fosse apenas areias jogadas ao mar aberto. Elas nunca poderiam ser recuperadas, assim como minha vida. Eu nunca poderia olhar para trás e ficar feliz por qualquer coisa. Por que, simplesmente, tudo tinha sido mentira.
Tudo tinha sido um sonho ou um pesadelo, mas agora eu estava acordada. Encarando a realidade de perto e não havia como escapar. Não havia como adormecer, novamente.
Por fim, a verdade estava bem diante de meus olhos e eu tinha que admiti-las ou ficaria louca. Eu tinha que sair do mundo de ilusão.
Eu não era Black. Eu não era filha de Ben Clearwater e sim de Billy Black.
– Eu sinto muito, filha. Você é filha de Billy Black. – disse minha mãe por fim, acabando com tudo que tinha sobrado da minha vida.
Uma coisa era pensar, outra era dizer em voz alta aquelas palavras. Aquilo machucava ainda mais.
Me levantei lentamente, sentindo que cairia a qualquer momento.
Em apenas minutos, eu me sentia como se tivesse envelhecido anos. As minhas pernas estavam fracas demais para me manter em pé, enquanto minha cabeça doía como se alguém estivesse á mastigando lentamente, sentindo prazer em minha dor.
Não demorou muito para que minhas pernas cedessem, enquanto eu parava de lutar com todas as minhas forças para ficar em pé. Para ficar bem.
Era como ver em câmera lenta, me ver caindo de joelhos no chão frio, novamente. Meus ombros bateram contra algo, mas eu não levantaria minha cabeça para ver. Estava fraca demais para fazer alguma coisa.
Aquilo tinha sido a ultima gota que fez meu copo expludir. Eu estava cansada demais de lutar contra tudo. Cansada demais para, ao menos, me dar ao trabalho de me levantar e fingir que estou bem.
Não, eu estava longe de estar bem. Eu estava destruída, magoada, cansada e doente.
Eu estava me sentindo tão doente. Todas as partes do meu corpo doíam. Até mesmo meus olhos. Como se eu chorasse acido quente.
Como eu queria morrer ali mesmo, sem nem, ao menos, me preocupar com nada. Não seria uma promessa que me manteria viva naquele momento.
Edward se importaria se eu desistisse de tudo? Desistisse da minha vida?
Não, ele não se importava. Ele estava feliz demais para se importar com uma garota idiota que o ama com todas as forças. Ele estava feliz demais com Bree para se lembrar que a idiota aqui existia.
Ele nem ao menos estava aqui...
Ele nunca foi obrigado a me amar. Nunca foi obrigado a se importar comigo e nunca foi obrigado a fingir que se importava. Tentei me convencer disso tudo. Tentei tirar aquele meu lado egoísta de dentro de mim. Edward nem estava aqui para de defender. Não era realmente justo. Ou era?
“Ele nunca te amou verdadeiramente, meu anjo.” – a escuridão sussurrou em meu ouvido, me fazendo apertar as mãos em punho, quando senti o frio que emanava dela. “ Tudo o que ele disse era mentira. Ele nunca te amou. Nunca...”
- Você está certo. Edward nunca me amou. – sussurrei, respirando com dor, profundamente. As agulhas imaginarias atingiam meus pulmões com força. Cruelmente doloroso.
“ Ele foi tão cruel com você ao mentir...”
- Não importa. – com uma força sobre-humana me apoiei no chão, o segurando com uma mão e, finalmente, me levantando daquele lugar frio. – Eu não vou continuar vivendo na sombra de um amor não correspondido.
Um sorriso fraco e amargo surgiu nos meus lábios. Uma força escura se apossava do meu coração. Eu estava cansada demais para fazer qualquer coisa contra isso ou sobre isso.
A escuridão estava forte demais para controlar meus movimentos. Eu, apenas, assistia o que ela faria de mim.
Já não valia a pena lutar. Meu coração já estava quebrado mesmo, e nada mudaria isso.
- Aonde você vai, filha? – minha mãe perguntou. Sua voz estava longe, como se eu estivesse me afastando rapidamente.
Então, só naquele momento, percebi que estava correndo feito uma louca pelo hospital.
E então eu corri ainda mais, tentando fugir de mim mesma, fugir da dor cruel que existia em meu peito.
Corri sem nem ao menos pensar em nada, nem sentir ou me importar. Estava tão cansada de tudo, tão cansada de me importar com os outros me deixando para trás.
Pela primeira vez na vida, eu não queria e não iria me preocupar com eles, eu apenas me importava de continuar correndo. Como se minha vida dependesse daquilo. Minha vida não, minha insanidade sim.
Continuei correndo com mais força pelos corredores, procurando á saída. Eu podia sentir meu coração batendo forte no peito, as batidas fortes ecoando em meus ouvidos, enquanto as batidas continuavam a bombear sangue para o resto do meu corpo.
Ao invés de sangue, parecia que corriam em minhas veias com rapidez acido fervente, se misturando com a dor cruel do meu coração.
Eu sabia que aquilo só estava piorando por que meu corpo estava ainda mais quente que o normal, assim como minha cabeça.
Eu estava com tanta raiva da vida que aquilo me deixava totalmente cega. Todas as vezes que eu conseguia me levantar algo vinha em seguida me derrubando de novo.
Céus, eu estava cansada demais para me levantar dessa vez. A dor era grande mais para isso.
Desta vez eu não vou lutar. Não vou me esconder ou me importar. A dor que há em meu peito é grande demais para encarar.
Estou no limite,
Já lutei todas às vezes possíveis.
Desta vez eu não vou lutar,
Não vou fugir ou me importar.
Desta vez a dor é grande demais para suportar.
Então, se você tiver, me dê um motivo para continuar.
Mostre-me o quê meus olhos turvos não podem ver.
Salve-me de mim mesma.
Se você olha por mim,
Lute comigo.
Mostre-me que ainda há algo de bom
E talvez, você me tire da escuridão.
Fim POV .
POV Versão terceira pessoa:
Edward Cullen
Um vento gelado e sombrio espalhou as folhas de carvalho por entre as longas fileiras de lápides de mármore cinza.
Os galhos das árvores sacudiam-se em um frenesi constante e apavorante, avisando que o perigo estava próximo.
O vento praticamente gritava através dos uivos da fina camada sob a neblina, trazendo o som da voz e o cheiro do inimigo com ele. O vendo ficava a cada instante mais forte, a cada toque do passo do inimigo. Podia-se ouvir o pequeno ruído quando os pés do predador tocavam o solo com força, pisando nas folhas secas de carvalho esparramadas pelo chão do cemitério abandonado.
Havia um crepúsculo sobrenatural que suspendia-se por sobre o local, enquanto a neblina constante tomava o cemitério todo com rapidez.
Edward sabia que aquele tempo era uma pequena demonstração do Poder negro do inimigo, com a intenção de intimidá-lo e impedi-lo de cumprir com o que ele tinha vindo fazer. Mas isso não funcionaria nunca. Apenas o pensamento desse mesmo poder negro sendo usado contra acordou um lado morto dentro de Edward. Á fúria quente que existia dentro dele queimava contra o vento e a sua pele morta.
Edward fez uma promessa silenciosa naquele momento. Ele não sabia se continuasse vivo depois daquele encontro. Ele não poderia saber se Aro iria tentar algo novo ou agir passivamente desta vez. A mente de Aro era um mistério que Edward já não poderia mais revelar. Já não existia escuridão em sua alma. Já não existia nada que o ligasse a Aro. Ele estava simplesmente no escuro desta vez, assim como ficava quase sempre quando estava com .
Ele não sabia o que esperar daquele encontro, mas tinha certeza que não seria uma coisa nada boa. Coisas boas não vinham de monstro como Arolin Volturi. Edward sabia disso mais do que sabia que ele amava Clearwater. Ele sabia mais do que qualquer coisa no mundo. Coisas assim nunca se esquecem, mesmo que se passem séculos. Sendo assim, se ele vivesse está noite, ele voltaria correndo para sua amada. Ele imploraria para que ela o aceitasse de volta. Ele lhe contaria que mentiu ao dizer que amava outra. Ele contaria com detalhes o que o fez deixá-la, ele diria que ele a amava mais que tudo. Ele a faria acreditar que ela era o único motivo de tudo. Ele lhe contaria a verdade.
Ele já não conseguia suportar mais nenhum segundo longe de sua amava. Ela era o mundo dele, ela era tudo no mundo que ele mais queria. Ela era o único motivo pela existência dele. E foi exatamente por tudo isso que ele a deixou.
Ele não poderia saber se voltaria ou não para casa, então séria melhor se ela não o esperasse. Ele não poderia apenas dizer que iria viajar e nunca mais voltar. Ele não poderia fazer isso com ela. Então, se ele realmente voltasse, ele faria de tudo para que ela o aceitasse de volta.
Se Aro visse antes as intenções de Edward de retorno, ele nunca deixaria Forks para vim atrás de Edward. Ele continuaria trás de e, por esse motivo, Edward fingiu que estava realmente deixando Forks. Aro viria atrás dele, para acabar com aquela história de uma vez por todas, deixando , temporariamente, em paz.
Edward tinha que fazer Aro se afastar de Forks, apenas assim ele poderia atacar sem estar no meio da luta. Pela primeira vez, ele teve certeza que ela estaria segura em Forks. Mentalmente e Fisicamente.
Edward tinha que arriscar. Tinha que tirar Aro de Forks antes que ele ousasse aparecer para e machucá-la, mesmo não querendo. No fundo, Aro não queria ferir , ele apenas queria que o lado negro dela despertasse. Se o outro lado negro de despertasse, ninguém conseguiria segurá-la, nem mesmo ele.
poderia ter um lado repleto de luz, mas ela tinha o outro lado que era simplesmente apavorante. Ele não poderia deixar aquilo acontecer, ele lutaria e morreria para que isso não acontecesse.
tinha sido beijada pelas sombras, e aquilo estava gravado em sua alma para sempre. Ela retornou do outro mundo no momento em que não devia. Ela voltou para vida rápido demais, trazendo com sigo algo negro que não se poderia descrever. Ela vendeu sua alma para voltar naquele momento, sendo assim, corrompeu sua alma.
Mas, mesmo antes de voltar do outro mundo sem ter permissão ou passado pelo ciclo, a alma de já era negra antes isso. Ela se abraçou nas sombras uma vez e bastava apenas uma coisa para que ela retornasse a ser a maldade em pessoa.
Bastava apenas algumas palavras, basta que ela se lembre de onde venho antes da história de amor entre ela e Edward começar, só bastava aquilo e ela se tornaria a mesma de antes.
Ela mataria pessoas a sangue frio, ela mataria apenas para se divertir. Para vez o medo nos olhos das suas vitimas. Ela se divertia em ver o quão era grande o seu poder.
, definitivamente, não poderia descobrir a verdade, ela não poderia se lembrar. Ela não poderia voltar a ser a mesma que matou milhares e milhares de pessoas apenas para se divertir. Se isso acontecesse, o mundo iria ser destruído por ela e Aro. Era por isso que Aro estava aqui, ele estava querendo a sua parceira de destruição de volta. Edward tinha tirado isso dele, mostrando o amor para , a tirando da escuridão. E Aro se vingaria e acabaria com o mundo se vencesse nessa guerra.
Aquilo tudo era apenas uma parte da história. A outro, Edward não ousava a se lembrar. Se ele pensasse muito, poderia trazer o mal apenas com a força de seus pensamentos.
Mas Edward jamais poderia esquecer os olhos de naquela época. Aqueles olhos aterrorizavam Edward até mais do que os olhos de Aro. Aqueles olhos vermelhos sangue conseguiam ser mais aterrorizantes que tudo. Tinha tanta frieza e maldades neles que chegava a doer. Não havia uma alma neles, não havia nada de bom ali. Apenas existia o sofrimento das pessoas que ela tinha matado. Perto da antiga , Aro era apenas uma criança brincando de fazer maldade.
Edward respirou fundo, tentando afastar aquelas memórias, ele não queria se lembrar das piores partes. Ele não permitiria que Aro a faça-se lembrar. Sua alma seria completamente destruída pelas trevas.
Esta vez era vida ou morte. O bem ou o mal. Apenas um ganharia aquela batalha. Aquilo decidiria se a alma de ficaria salva no final ou se o outro lado ganharia para sempre. Era morrer ou viver.
Edward sentiu raiva e frustração ardendo em sua garganta, ele teria que dar tudo de si para impedir que aquilo acontecesse. Ele lutaria até o ultimo segundo. Ele lutaria por até a “vida” não existir mais para ele. Ela iria querer isso se soubesse. E, é por isso que ela não poderia saber, ela não poderia se lembrar.
Edward fechou os olhos, ouvindo mais um passo pesado de Aro ao se aproximar. Ele queria que aquilo acabasse logo, mas sabia que não seria tão simples assim. Então, as perguntas apareceram na mente de Edward:
Se ele morresse esta noite, quem cuidaria de ? Quem lutaria para salvar sua alma? Dean seria capaz de cumprir a sua promessa? Ele cuidaria dela assim como ele disse que cuidaria? Ele tiraria a escuridão de seu coração?
Ele seria capaz? Quem seria se ele não pudesse? E Edward, se ele vivesse, ele conseguiria tirar a escuridão de uma vez por todas do coração de com o seu amor?
As tantas perguntas perturbavam Edward no exato momento que uma gargalhada ecoou entre o cemitério. Naquele momento, ele não sabia mais de nada. Ele já não seguia mais se lembrar da promessa de sangue que ele e Dean tinham feito há tanto tempo atrás. Ele já não se lembrava que Dean e tinham uma ligação quase parecia com o Imprinting. O laço de sangue deles era apenas um pouco mais fraco que o que Edward e ela tinham, mas tinha uma grande diferença: amou Edward antes mesmo de ter uma impressão com ele. Eles eram eternos amantes presos em um ciclo em que Edward vê sua amada morrer inúmeras vezes. Já com o Dean, para , as coisas não são desse modo. Mas para Dean, Edward realmente não poderia saber. Eles tinham um laço de sangue e, era apenas um pulo para ser uma coisa mais intensa. Ele realmente poderia se ligar a de uma maneira muito mais intensa.
Edward suspirou, mesmo não querendo, ele sabia que se se apaixonasse por Dean, seria uma boa coisa. No fundo, Dean e Edward eram amigos. E não havia um outro homem que saberia amar com uma intensidade quase parecida com a intensidade de Edward se não fosse Dean. Afinal, Dean era guardião de , assim como Edward. Eles morreriam por ela. Mesmo que houvesse amores diferentes.
Era a missão deles salvar a alma de , eles tinham sido destinados a isso. Esse foi o motivo para que eles tenham vindo ao mundo.
E, para Edward, não era apenas uma missão. era o amor da sua existência, mas também era a pessoa que ele tinha que guardar. Essas duas ligações eram fortes demais. Já para Dean, era um completo mistério.
A única coisa que Edward sabia naquele momento era que Dean daria a sua alma para salvar a de , e Edward poderia confiar nele. Ambos tinham a mesma missão, ambos fariam de tudo para cumpri-la. E não importava mais nada. Não naquele momento.
A figura de um homem alto apareceu entre a neblina. Ele estava se aproximando rapidamente, trazendo um cheiro de morte e sangue para Edward.
Aro se movimentava rapidamente, como se fosse uma fera louca por sangue e vingança. Seus movimentos eram felinos e perigosos. Os cabelos negros e longos de Aro voavam em torno de seu rosto pálido. O cabelo dele era até a altura do queixo fino. Seus cabelos eram lisos e tão escuros que o faziam parecer ainda mais pálido.
Seus cabelos negros impediam Edward de encontrar aqueles olhos vermelhos cheios de selvageria e maldade. Lembrar daqueles olhos provocava um frio negro na espinha de Edward. Aqueles olhos frios e perturbadores sempre existiriam para lembrar que Edward era um completo fracasso. Ele não pôde terminar com aquilo quando teve a sua maior chance e, agora, as chances eram mínimas. Aro estava muito mais forte do que antes, aquela missão séria completamente impossível.
Edward nunca séria capaz de lutar contra um mal daquela grandeza, mesmo que tentasse muito. Ele nunca séria capaz de lutar e vencer contra o seu segundo maior pesadelo: Arolin. Tão conhecido como Aro Volturi. O Deus dos Deuses. O segundo Diabo na Terra.
Aro nunca deixaria Edward esquecer do passado, ele sempre estaria lá para lembrá-lo quando as memórias tinham sido jogadas contra o vento. Ele nunca deixaria Edward esquecer do que ele fez no passado. Ele sempre estaria ali para lembrar que, no fundo, Edward tinha sido como ele.
Edward tinha matado inocentes, tinha destruído o coração da única pessoa que realmente amou. A única que conseguiu ultrapassar a grande barreira que ele pos em volta de seu coração. Ela tinha o ensinado o verdadeiro significado do amor há tantos séculos atrás. Ela acreditava dele como ninguém nunca acreditou. Inacreditavelmente, ela realmente acreditava que ele séria capaz de lutar contra aquilo novamente. Mas, nem mesmo Edward, acreditava que ele realmente seria capaz, nem mesmo ele acreditava em si. E a grande prova “viva” estava bem ali, trazendo tudo com ele, trazendo a escuridão que Edward lutou tanto para esquecer.
Aquele era o vampiro que provava tudo. Apenas com os seus movimentos felinos, ele fazia os pesadelos e as memórias retornarem. Edward estava revivendo tudo, novamente. Ele se sentia tão humano agora. Mesmo que ele lutasse, ele nunca poderia vencê-lo. Perto de Aro, Edward era apenas uma criança sem nenhuma experiência.
Aro continuava se aproximando, lentamente. As folhas de carvalho que estavam caídas ao chão a sua volta se tornavam redemoinhos pequenos. Os redemoinhos aumentavam com forme ele se aproximava, mostrando apenas um pouco do verdadeiro Poder do inimigo. Era como se tudo a sua volta estivesse no centro de algum grande circulo de poder. Parecia que tudo, o céu pesado, os carvalhos e as faias roxas, o próprio solo, estavam conectados diretamente á ele, como se ele sugasse o Poder de tudo aquilo.
As células de Edward estavam completamente congeladas, mostrando que o pânico estava cada vez mais próximo.
Por mais que ele lutasse, ele não conseguia se livrar daquilo. Ele não conseguia fazer seus músculos se moverem com rapidez.
Ele queria atacá-lo primeiro, dando-lhe um segundo de vantagem naquela luta quase pedida. Ele queria poder arrancar a cabeça de Aro com apenas um golpe e acabar com aquele mal de uma vez. Mas ele não podia. Tudo o que ele podia fazer, naquele momento, era observar com cuidado a aproximação do inimigo. Ele tentava encontrar uma brecha na guarda de Aro, mas ele não encontrou nenhuma. Aro era esperto demais para vim sozinho...
– Finalmente nos encontramos Edward. – a voz tão conhecida de Aro chegou até Edward como um soco no estômago. Sua voz ainda tinha a mesma intensidade de frieza e maldade que Edward recordava. Edward quase podia ver entre as memórias e a realidade o sorriso diabólico de Aro enquanto falava. – Fico muito feliz que você tenha vindo encontrar o seu velho amigo. Você não pode imaginar o quanto eu esperei por esse dia. – Aro continuava se aproximando, enquanto falava. Sua voz ficava ainda mais forte contra a tempestade de vendo que ele mesmo criou. Seus movimentos estavam mais lento que antes, como se ele não tivesse motivos para ser mais rápido. Era como se Edward realmente fosse um velho amigo que ele queria muito rever e, ele tinha a necessidade, que aquele momento fosse único. – Espero que tenha gostado no meu palco, desta vez. – Aro passou o seu braço no ar, mostrando o cemitério. Ele, obviamente, tinha prazer em escolher os seus palcos como se fosse o seu ultimo espetáculo. Como era o seu desejo, ele queria que fosse um momento único, ele queria ter certeza que aquilo ficaria na memória de seu oponente, se ele vivesse claro. – Você não tem idéia de como eu fiz de tudo para que fosse realmente assim esse nosso encontro. – o tom de brincadeira estava irritando Edward profundamente. E, Edward, sabia que era essa a verdadeira intenção.
– Posso imaginar. – a voz de Edward saiu cortada contra o vento. A fúria dentro dele estava visível agora. Ele queria acabar com aquilo agora mesmo, mas não podia. Qualquer movimento era único, ele não poderia arriscar tudo agora.
– Não, você não pode. – a voz de Aro perdeu todo o tom de brincadeira. Sua voz ficou inacreditavelmente perigosa. Como se ele fosse atacar naquele momento mesmo. Mas, Edward sabia, ele também não arriscaria tudo. Ambos conheciam o seu oponente bem demais para isso.
Os olhos de Edward procuraram os olhos de Aro, mas seus cabelos longos impediam.
Aro tinha parado de se movimentar enquanto falava, tentando parecer inatingível. As duas figuras que estavam ao lado de Aro, uma de cada lado, pararam com ele. Elas estavam completamente imóveis, enquanto um longo capuz tampava seus rostos totalmente. As duas figuras usavam mantos negros, que cobria seus corpos inteiros.
Aro acompanhou o olhar de Edward, olhando para a pequena figura que estava ao seu lado esquerdo, virando sua cabeça. Um sorriso vitorioso apareceu em seus lábios cruéis. Ele se abaixou um pouco, sussurrando algo para figura, enquanto a mesma balançava a cabeça, assentindo.
Um segundo após, a figura pequena levou suas mãos até a cabeça, colocando ambas de cada lado do seu rosto, empurrando com as pontas pálidas de seus dedos finos para trás, tirando o capaz de sua cabeça, dando uma visão ampla de seu rosto suave.
Os olhos de Edward se arregalaram imediatamente, enquanto ele analisava a pequena figura. Ele não conseguia acreditar no que seus olhos enxergavam naquele momento. O choque era evidente em seu rosto bonito, enquanto ele transformava sua grossa sobrancelha em uma linha perfeita. Ele apertava sua sobrancelha com força, tentando entender.
Era a mesma de anos atrás, Edward tinha certeza. Seus traços estavam mais claros e mais velhos, mas ainda era ela.
A vampira ainda era muito pequena, mostrando que tinha sido transformada com pouca idade. Aproximadamente, quatorze anos. Ou até menos que isso.
Os cabelos da pequena vampira eram grossos e ainda tinham o mesmo tom de castanho pálido. Seus cabelos caiam pelo seu rosto como uma cascata inocente, fazendo o coração de Edward se apertar.
A vampira era bastante magra e andrógina, mas com os traços bonitos demais para ser um menino. Seu rosto era magro e muito delicado, fazendo Edward se lembrar de um formado perfeito de coração. Seus olhos eram tão assustadores quanto aos de Aro. Não havia mais aquele dom verde-jade, trazendo a inocência perdida. Pelo contrario, tudo que Edward encontrou ali era grandes olhos vermelhos profundos, como grandes rubis.
Não havia maldade com a mesma intensidade de Aro naquele olhar, mas ainda incomodava. Edward sentia falta daqueles olhos verdes, trazendo a menininha dele de volta. Ele queria abraçá-la e fizer que tudo ficaria bem, mas não podia. Seus músculos estavam petrificados para ele ousar fazer qualquer coisa, além de olhar completamente chocado para aquele ser que o fazia querer chorar pela perda.
Era doloroso demais para saber que ele tinha perdido sua menininha daquele jeito.
Ele queria gritar, mas sabia que aquilo não mudaria nada. Sua garganta fez um barulho apavorado, enquanto ele prendia a respiração.
Encarando aqueles olhos profundamente, Edward encontrou um misto de confusão e receio. Então a resposta ficou clara: ela não o conhecida. Ela não se lembrava de quem ele era ou o que ele representava.
– Vejo que você já conhece a minha pequena Jane. – Aro quebrou o silêncio, sorrindo ainda mais. Ele colocou a mão no ombro da pequena vampira, a fazendo virar e o encarar por um segundo. Ela parecia assustada naquele momento, fazendo uma pergunta silenciosa para seu criador. Ela parecia uma pequena criança indefesa, com medo de Edward.
– Impossível não conhecer. – Edward sussurrou, mudando seu olhar para Aro. Suas mãos fecharam-se em punho, enquanto a raiva só aumentava. Ele sabia o que Aro queria, sabia qual era o motivo de tudo. Aro queria que ele lutasse contra Jane, mas ele e Aro sabiam que isso ele nunca poderia fazer. Mesmo que ela estivesse diferente, ele nunca poderia enxergá-la como um monstro. Nunca poderia olhá-la como se fosse o inimigo. Mesmo que ela fosse uma vampira, Edward nunca poderia olhá-la daquela forma. Bastava apenas que ele a olhasse para ver aquela menininha indefesa novamente. Para ele, ela sempre seria uma menininha pequena de colo, mesmo que ela fosse mais velha que ele. Vampiricamente falando.
Ele sempre iria vê-la como o fruto do seu amor por Yonah. Sempre a olharia como um bebê desprotegido que ele não pôde defender.
– Ela está diferente, mas ainda é ela. – a voz de Edward saiu como o próprio gelo. Seus olhos voltaram para a vampira, suspirando. Ele não poderia atacar, mas sua raiva estava incontrolável naquele momento.
Seus olhos voltaram-se para Aro, tentando encontrar uma distração. Ele não poderia perder a paciência, tudo estaria perdido se o fizesse. Ao invés disso, ele observou Aro com atenção:
Aro estava vestindo como Edward viu na visão de Alice, em preto. Suaves e longas botas pretas, jeans pretos, suéter preto, com uma jaqueta de couro preta por cima. Ele tinha o mesmo cabelo preto na altura do queixo, a mesma pele pálida e o mesmo jeito felino. O seu rosto ainda continuava o mesmo, com aqueles traços finos. Era obvio que ele estava mais novo. Na ultima vez, ele tinha a aparecia de um homem de 25 anos. Hoje, ele parecia ter 18 anos completo. Ele, certamente, devia ter encontrado o seu guardião, Félix Volturi, mas cedo. O transformando e trazendo as memórias mais cedo do que realmente necessitava.
Quando um anjo é expulso do céu assim como Aro e caem na Terra, eles se tornam a maldade em pessoa. Sendo assim, são mandados dois guardiões, anjos lutadores, para que eles recuperem a alma do anjo caído. No momento em que os anjos caídos tocam na Terra, sua alma é completamente destruída, os transformando em demônios.
Edward e Dean foram mandados para Terra para recuperar a alma de , assim como Felix e Renata para recuperar a alma de Aro. Porém, Felix também se tornou um demônio, já que achava a maldade uma coisa bonita. Renata, porém, ainda está em algum lugar, tentando lutar contra o mal.
Quando um Anjo Guardião cai na Terra, eles se tornam criaturas diferentes. Um com força física suficiente para lutar contra o Anjo Caído. O outro, porém, não possui força física, mas ele tem o poder de restaurar a alma do Anjo Caído. Exatamente por isso que Edward era um vampiro e Dean era humano. Vampiros não têm sua alma completa, mas humanos sim.
Quando alguém se transforma em vampiro, perde parte de sua alma. E sem uma alma completa, nunca conseguiria restaurar outra.
Como humano, Dean ou Renata, pode restaurar a alma do Anjo Caído, o trazendo para luz. Mas, porém, eles não teriam forças físicas para lutar e prender o Anjo Caído até que sua alma fosse salva. Então, por fim, são dois guardiões. Mas, Edward só tinha apenas uma parte de sua alma, porém, se bebesse sangue humano, sua alma seria destruída, corrompida pelas trevas.
A Terra não tinha sido feita para anjos. Então, quando um caia na Terra, deixava de ser anjo, se transformando em demônio. Por que, tudo o que não era humano desde o começo, nunca se torna humano.
Edward ainda podia se lembrar do dia em que e Aro foram expulsos do céu. Se ele se esforçasse muito, ainda poderia ver.
– Você realmente tem certeza do quê quer? – perguntou Deus, olhando seriamente para os olhos profundos do anjo que estava a sua frente. – Se você for, não terá mais volta. Você nunca mais poderá retornar.
– Eu sei... – sussurrou , olhando para o chão. Seu rosto estava triste, enquanto ela parecia estar tentando se controlar. Ninguém a entendia; ninguém conseguia enxergar o quanto aquilo parecia ser errado. Ela queria respeitar o seu criador porque o amava, não porque era o seu dever. Era isso que lhe faltava: amor.
Ela queria sentir o que os humanos eram capazes de sentir. Ela não queria respeitar uma pessoa por que era o seu dever, mas sim porque ela o amava o bastante para respeitar.
Para ela, o amor era a chave de tudo. Se ela amasse, poderia respeitar sem dever ou obrigação. Era isso que a incomodava. Ela queria ser capaz de amar e respeitar sem obrigação. Sem obrigação.
No seu interior, ela não conseguia sentir simplesmente nada. Era como um corpo vário, sem sentimentos. Ali, só existia obrigação, nada mais.
Era esse o grande problema. Se seu interior era vazio, ela simplesmente não devia existir.
E se ela tivesse que deixar o seu “lar” para sentir qualquer tipo de sentimento, ela deixaria. Por que, mesmo assim, ela não conseguia se sentir triste. Ela não sentia nada.
Ela queria ser capaz de dar sua vida por outro ser apenas porque o ama. Não haveria obrigação ou dever, apenas o amor. A grande chave de tudo.
– Mas se esse é o preço que eu terei que pagar para sentir o amor. Eu pagarei. – disse ela, levantando a cabeça. Seus olhos encontraram o seu criador, mas ela não conseguia descrevê-lo. Tinha uma grande luz em volta dele. A luz era forte demais para ver seu rosto. – Eu sei que estou sendo egoísta. Mas eu preciso sentir. Entende? – ela balançou a cabeça, suspirando. – Eu sei que não entende. Nem eu mesmo entendo. – ela sorriu fracamente. Tentando encontrar as palavras certas. – Se você ama alguém, você o respeitará sem obrigação. Não por que isso é o certo, mas por que você o ama o bastante para isso. – ela olhou para o chão, desviando seus olhos. – Eu o respeito, mas não o amo. Eu me colocaria em frente ao Diabo para lhe proteger, mas não por que o amo. Eu te defenderia por que esse é o meu dever. Você me criou. Mas séria apenas isso. – ela suspirou, olhando para seu Criador. – Não é o motivo certo. Parece errado demais. Olhe para eles... – ela apontou para a Terra. – Pode existir a maldade, mas também há a bondade. Uma mãe morreria pelo filho por que o ama, não por que é sua obrigação. Ela faria de tudo para protegê-lo, ela faria tudo milhares de vezes, mas pelo motivo certo. Nossos motivos são diferentes.
– Mas você sabe que, quando tocar na Terra, sua alma será transformada. – O Grande Criador falou, olhando para o anjo a sua frente. – Você primeiro terá que se reencontrar para sentir o amor. Você terá que recuperar a bondade para saber o quanto o amor é poderoso. Você é capaz de arriscar? – as palavras dele morreram. Um silêncio tomou o local, enquanto outros anjos se juntavam á eles. – Você pôde nunca mais ser você, novamente. Você pode se tornar a maldade em pessoa. Você será capaz de arriscar?
desviou os olhos, pensando. Seus olhos se encontraram com um par de olhos verdes.
Ela encarou Edward, tentando tirar respostas dali. Ela não o amava, não sentia nada em relação a ele. E o mesmo acontecia com ele. Mas, ela sabia, se ela fosse capaz de amar, ela o amaria.
Ele não conseguia entender suas razões de deixar seu “lar” para ir procurar um sentimento humano. Estava tudo bem ali, nada os faltava. Então, porque ela queria partir? Edward se perguntava.
suspirou, voltando seus olhos para o Criador. Ela não queria deixá-lo, mas não chegava a ser realmente um sentimento. Era apenas a obrigação tomando conta. Nada mais.
– Se isso vai me fazer sentir. Eu irei arriscar. – disse ela por fim. – Eu quero entender. Então, quem sabe assim, eu possa amá-lo.
– Eu realmente sinto em te perder. – Deus pareceu sorrir. – Quando você se reencontrar, você amará. Não por que é o certo, mas porque apenas é. – disse ele, fazendo sorri. Aquilo era tudo o que ela queria. – Você será capaz de dar sua vida para salvar outra por amor. Você entenderá a grandeza e o poder dele. Ninguém nunca amará tanto como você.
– É apenas isso que eu quero. – disse , sussurrando.
– Então você vai ter. – Deus andou até . Ele passou sua mão no rosto do anjo a sua frente. Mais uma vez, ela não sentia nada. – Mas, antes, você terá que passar pela prova de fogo. Você terá que lutar pela sua humanidade. Você terá que lutar pela bondade. Então, você encontrará as respostas. Você sentirá.
– Se isso vai me fazer sentir... – ela sussurrou mais uma vez.
O Criador pegou a mão de , a conduzindo até a saída da grande sala. olhou mais uma vez para o Anjo Edward, sentindo de alguma forma por não vê-lo de novo. Seus olhos se encontraram, dando um olhar que significou tantas coisas naquele momento. Então, teve certeza, se ela fosse capaz de amar, ela o amaria.
A mente de Edward voltou rapidamente, enquanto ele se lembrava daquele ultimo olhar. esteve certa o tempo todo. Você não poderia apenas respeitar uma pessoa apenas por obrigação, mas sim por que o ama.
Ela o fez entender o sentido das suas palavras naquele dia. Ela o fez sentir o amor que ambos tinham necessidade de sentir. Edward, naquele tempo, não sabia que faltava algo. Mas faltava. Falta ela e o amor que ele sentia por ela.
– Eu fico feliz que você conheça a minha pequena. Mas, sinto muito em dizer que, ela não tem a mínima idéia de quem é você. – Aro disse gravemente, trazendo Edward das memórias de tantos e tantos séculos atrás. Agora Edward conseguia enxergar o porquê de Aro ter sido expulso naquele dia. Assim como teve motivos bons, Aro teve motivos desprezíveis. Ele queria poder. Ele queria ser um Deus, mas ele não poderia fazer isso no céu.
Depois de alguns segundos, Edward entendeu o sentido das palavras de Arolin. Aquele vampiro não poderia ter apagado as memórias de Jane, mas era claro que ele tinha feito. Sem memórias, era mais fácil manipulá-la.
– Você não tinha esse direito! – gritou Edward entre dentes, rosnando e pulando em Aro, os levando ao chão.
Edward socou Aro com todas as forças de seu corpo, segurando o corpo de Aro no chão. Aro se debatia com força, tentando se livrar de Edward, mas sem grande sucesso.
– Jane. – Aro sussurrou simplesmente.
Uma dor insuportável atacou Edward no mesmo segundo. O corpo de Edward caiu para trás no mesmo segundo, enquanto ele se contorcia de dor no chão. Instantaneamente, gritos agudos saíram de seus lábios. Aquela dor era completamente torturante. Era como se milhares de agulhas estivessem furando o seu corpo, misturado com um fogo apavorante. Era como se puro acido corresse em seu corpo, o fazendo gritar mais ainda.
Aro se levantou do chão, passando suas mãos pelas roupas, as limpando. Um sorriso diabólico estava estampado em seu rosto bonito, enquanto ele olhava para Edward. Ele se divertia com aquilo, sentindo a vingança em seu corpo.
– Mais forte Jane. – Aro disse, olhando para a vampira. – Eu quase não o escuto gritar.
Então, como se não fosse possível, a dor ficou pior. Edward queria que Aro terminasse com aquilo ali mesmo. Tudo o que ele realmente queria era a morte. Ele queria que aquilo passasse... Então, o rosto dela apareceu em sua mente.
Ele não poderia ter sido mais fraco. Ele tinha que lutar, mesmo não sabendo como. Ele tinha que lutar por . Ele tinha que salvar sua alma de uma vez por todos. Ele tinha que tirar a escuridão que havia em seu coração. Ele não podia desistir assim. A alma dela era bem mais importante do que a dor, muito mais.
Ele tentou afastar a dor, se convencendo que aquilo era apenas uma ilusão, mas falhou no momento em que ele sentiu um fogo subindo por sua perna. Aquele fogo não era fruto da sua imaginação, ele realmente estava lá.
Edward tentou apagar o fogo, mas isso só fez Aro rir mais e mais.
– Você pode tentar, mas não vai conseguir. – Aro disse se abaixando na frente de Edward. – Essa noite realmente vai ser muito longa. – murmurou, sorrindo. – Mas, como eu não estou sentindo nada, eu não me importo de ficar aqui quanto tempo for preciso.
Aro se levantou, andando até uma árvore de carvalho e se encostando dela. Seus olhos sorriam, se divertindo com a dor de Edward. Nos seus olhos, Edward percebeu que seria o fim. No fundo, ele sempre soube que nunca séria capaz de lutar contra Aro. Ele não poderia lutar contra a pequena Jane, mesmo que ela o provocasse dor.
Ela era sua filha, assim como Alec. Ele nunca poderia fazer nada em relação a isso. Eles eram filhos do amor de Yonah e Heath. Ele os amava assim como amava , nada poderia ser feito.
Ele tinha perdido. Nada poderia mudar aquilo, nem mesmo . Edward tinha feito tudo o que pôde, mas nem assim foi o bastante. Ele tinha falhado com ela, mas uma vez.
Ele não pôde cumprir a promessa de mantê-la viva e salva.
Então, naquele momento, Edward teve certeza de uma coisa: tinha sido bom ele dizer para que não voltaria. Tinha sido bom ele não lhe contar a verdade. Ela passaria muito tempo achando que ele estaria viajando com Bree. Ela, por algum tempo, poderia viver sem se preocupar com a escuridão. Dean estaria lá por ela, essa era a única coisa que reconfortava Edward.
As memórias de Edward invadiam sua mente, o fazendo fechar os olhos. Ele queria poder dizer a que sentia muito. Ele queria dizer que a amava, mesmo que ela não acreditasse. Ele queria memorizar o seu rosto para sempre.
Ela sempre esteve certa, deste o começo. Uma vida sem amor não era vida.
A mente de Edward viajava por entre as grossas paredes do tempo. Nas memórias, ele encontrava refugio. Ele encontrava de novo.
Ele acariciava seu rosto e dizia que tudo ficaria bem, mesmo que não ficasse realmente. Ela sorria, acreditando em suas palavras. Edward se chocava, tentando entender o porquê dela ter escolhido justo ele.
Edward não era perfeito. Tinha seus defeitos e tinha suas qualidades, mesmo sendo um vampiro. Ele tinha cometido seus erros. Tinha cometido suas ações boas. Mas, mesmo assim, ele não conseguia entender o porquê de ser ele.
Ele não merecia o amor dela, mas, mesmo assim, ela o amava. Ela o entregou seu coração.
Ela acreditava em suas palavras, mesmo se o mundo inteiro não acreditasse. Isso tudo só deixava mais e mais duvidas na cabeça de Edward.
Ele nunca tinha sido melhor que ninguém e, mesmo assim, ela o escolheu. Ele realmente morreria sem entender aquilo.
O mundo parecia estar ficando cada vez mais silencioso para Edward. Ele já nem escutava mais seus gritos, mas sabia que estava gritando com todas as suas forças. Sua garganta ardia muito, como se ali tivesse larva quente. Mas ele não se importava, continuava gritando. Ele sabia que não melhoraria se gritasse – pelo contrario –, mas ele não conseguia impedir. Era como se fosse uma reação natural, ele nem mesmo pensava antes de gritar. Ele nem queria gritar. Apenas o fazia com todas as suas forças. Como se sua vida dependesse disso.
Edward se lembrou de quando venho para Terra. Tudo era tão novo para ele. Os sentimentos eram tão desconhecidos. Ele enxergava o mundo completamente diferente do que antes. Como se o mundo tivesse um brilho a mais.
Ele não sabia por onde iria começar a procurar , mas sabia que tinha que encontrá-la antes que ela matasse mais inocentes. Por ela querer sentir amor antes de chegar a Terra, esse sentimento era tudo o que ela não tinha quando chegou. Ela se tornou um ser completamente maligno.
Quando Edward a viu pela primeira vez depois de sua chegada, foi como ser o seu pior pesadelo. Definitivamente, não era a mesma . Ela tinha perdido tudo de bom que existia nela, deixando o mal reinar por muito tempo.
Entretanto, no instante que Edward olhou no fundo daqueles olhos, ele soube.
Um sentimento completamente desconhecido apareceu em seu coração. Mal sabia ele que, aquele sentimento estaria em seu coração por muito tempo. Sua alma – ou pelo menos a parte que restou – estava completamente transbordada. Ele a amou desde aquele dia. Mesmo ela sendo um monstro, mesmo que ela matasse, ele ainda a amava. E naquele momento, ele prometeu que não a deixaria nunca mais. Ele cuidaria de sua alma. Ele arrancaria aquela escuridão de seu interior, a trazendo de volta para luz. Aquele era o destino dele. Sempre foi.
O destino dele era a amar, mesmo antes dele saber que poderia. O destino dele era proteger ela, mesmo que tivesse que morrer por isso.
Tantos anos se passaram depois disso. Várias vidas se passaram como se fossem apenas borrões. Eles se amaram quem cada uma delas, lutando um pelo outro.
Eles tinham sido pessoas tão diferentes em cada uma dessas vidas, mas o amor continuava o mesmo, sempre.
Eles estavam presos em um ciclo sem fim, onde Edward sempre via sua amada morrer no final. Aquilo nunca teria fim, não se Aro não fosse destruído. Não se a escuridão não posse destruída.
Para salvar , teria que salvar Aro. Teria que trazer sua alma de volta para luz, para acabar com as trevas do coração de também. E isso sim era uma missão impossível, Edward sabia.
Esse mantra foi o ultimo pensamento coerente que surgiu na mente de Edward:
Teria que salvar Aro para acabar de uma vez por todas com o outro lado de ...
Versão :
Capítulo 25: Paternidade – segredos revelados parte 3
Parte Final
As lágrimas rolavam sem freio pelo meu rosto, quanto eu me sentia cada vez mais fraca. Com a visão embaçada, continue correndo pelos corredores do hospital, tentando encontrar uma saída, como se, daquela maneira inútil, os sentimentos que estavam me afligindo fossem deixados para trás, quanto eu já estivesse finalmente bem longe.
Enquanto minhas pernas se movimentavam rapidamente, imagens se passavam repetidamente em minha mente, como um filme constante da minha vida. Momentos felizes, momentos tristes, tudo o que eu tinha vivido até este presente momento, se transformava em uma dolorosa lembrança. Chegava a ser difícil admitir para mim mesma que, o meu único desejo era apenas esquecer tudo, não importava as coisas boas, tampouco as coisas ruins. Eu apenas desejava esquecer-se de mim mesma, esquecer do meu passado, mesmo que para isso, as coisas boas tivessem que serem enterradas juntas com as coisas que eu tanto repudiava; que eu tanto lutava para esquecer.
De repente o chão começou a ficar cada vez mais escorregadio, só que eu não me permitir parar de correr. Tudo o que eu precisava era fugir dali, como se fugisse de mim mesma, como se a pior parte de mim estivesse se materializado e estivesse em meu alcanço. Olhei para trás em uma tentativa vã de encontrar minha perseguidora, desesperada, esperando encontrá-la mais distante do que a imagem que eu tinha em minha mente. Meus olhos alcançaram o vazio mutuo me tomando por todas as direções. Estranhamente, tudo o que havia ali era o surpreendente nada, liso e indescritível. Sorri amargamente, tentando entender por que tinha feito aquilo, concluindo que eu realmente tinha chegado ao estado mais lamentável de mim mesma.
Ainda olhando desesperada para trás, não percebi quando o corredor a minha frente começará a diminuir, levando-me a uma grande escada descente, que me levaria ao estacionamento interno do hospital. Meus pés mal perceberam quando o chão escorregadio foi substituído por degraus curtos e numerosos. Por um instante, meus pés ficaram sem apoio, encontrando o nada. Olhei assustada para frente, tentando encontrar o solo, só que o solo se transformara em uma descida cheia de degraus. Me preparei para a queda, fechando os olhos... só que a mesma não venho.
Em troca, meu corpo se chocou fortemente contra algo quente e fortemente cheiroso. Devorou um milésimo para que eu percebesse que tinha me chocado contra uma pessoa, mas especificamente um homem. Seus braços fortes me seguraram com força, puxando-me mais para perto, enquanto caiamos. Houve alguns gemidos em seguida, enquanto suas costas largas se chocavam dolorosamente contra o solo. Tentei impedir, mas seus braços eram fortes, apertando os meus, impedindo-me de fazer qualquer movimento. Xinguei qualquer coisa entre dentes, tentando, inutilmente, fazê-lo me soltar. Ele estava se machucando, impedindo meu corpo de se chocar contra algo que não fosse o seu corpo. Por um segundo fiquei com raiva, concluindo que ele era um idiota, porém no segundo seguindo apenas fiquei agradecida por ele estar me protegendo. Era burrice, isso era fato. Porém, era admirável.
O cheiro fortemente masculino que emanava dele ficou mais forte, enquanto eu parava de lutar contra seus braços fortes, abraçando-me ainda mais a ele. Sua respiração forte se suavizou, chocando-se contra meu ombro. Ele murmurou qualquer coisa em meu ouvido, rosando seus lábios carnudos e quentes na minha pele extremamente quente. Seu hálito quente de menta, misturado com álcool, me deixou abalada por alguns segundos, enquanto me causava fortes arrepios por todo corpo. Aquele cheiro me lembrou brevemente alguém, porém eu não soube dizer ao certo.
Nos chocamos, finalmente, contra o solo liso, enquanto eu caia completamente sobre seu corpo musculoso. Pensei em dizer qualquer coisa, porém as palavras não saiam. Elas apenas passeavam pela minha mente, me fazendo tentar encontrar qualquer sentido. O cheiro de sangue fresco invadiu minha mente, me obrigando a abrir os olhos, encontrando um peito extremante forte diante de meus olhos. Me deixei guiar pelo aroma do seu hálito, olhando para cima, a procura de seu rosto.
O choque foi evidente, enquanto eu logo formulei qualquer coisa para dizer.
– Dean? – minha voz saiu estranhamente chocada. – Dean, você está bem?
Um sorriso torto surgiu em seus lábios carnudos, enquanto ele suavemente revirou os olhos verdes, encontrando qualquer graça nas minhas palavras.
– Não podia estar em melhores condições. – ele falou com sua voz forte, se aproximando do meu ouvido. – Com você, qualquer homem encontra o paraíso... – sua voz não hesitou, apenas parou para observar minha reação. Sua respiração ficou mais forte contra meu ouvido, trazendo novamente a sensação estranha que me deixava nervosa. Os arrepios não demoram a aparecer por toda parte, me fazendo ficar sem ação por algum tempo.
– Você quer eu pare? – ele perguntou, ainda mais próximo.
Não consegui entender os sentidos das suas palavras, porém meu coração parecia entender. Minha respiração parou, enquanto meu coração disparava no peito. Continue tentando entender as palavras de Dean, porém tudo o que eu conseguia era entender era o desejo aumentando entre nós. Não era meu desejo, porém era tão notável que chegava a me atingir.
No fundo eu sabia do que ele estava falando. Claro que eu sabia. Ele estava só esperando minha reação para prosseguir ou parar com tudo de vez. Ele literalmente estava esperando minha autorização.
Eu já conhecia Dean há um tempo relativamente longo, e nunca houve qualquer coisa parecida entre nós. Não de verdade. Claro, quem conhece sabe: Dean era um conquistador de carteirinha, porém isso nunca tinha acontecido comigo. Nosso relacionamento sempre foi extremamente limitado. Eu gostava dele, ele parecia ter simpatia por mim, mas nada que chegasse à área amorosa. Nos divertíamos juntos, até chegamos a lutar contra um inimigo em comum, porém nunca passou disso. Sempre fomos amigos.
Ou será que era apenas eu que pensava isso?
Não, duvido muito. Dean era um cara legal, e para falar a verdade, eu sempre o achei extremante gostoso. Porém, nunca tinha pensado nele desta forma. Para falar a verdade, eu nunca tinha pensando em ninguém – além de Edward – desta forma. E Dean... bom, seria o último dos homens que eu pensaria.
Dean era lindo, e acho que seria maravilhoso ter qualquer caso amoroso com ele. Eu não poderia dizer que ele não fazia meu tipo, até por que este caçador seria capaz de fazer qualquer tipo, só que eu nunca tinha o imaginado desta forma. Era estranho.
– Você quer realmente que eu pare? – ele prosseguiu, com a voz um pouco abalada. Suas mãos me apertaram ainda mais contra seu corpo, me fazendo por um segundo, esquecer completamente tudo. Seu cheiro estava por toda parte, e eu já não poderia negar que tinha uma parte em mim que o desejava.
Não tinha nada haver com sentimentos, por mais que eu tivesse uma simpatia extremante forte por Dean. Era algo extremamente físico, que chegava a queimar. Eu o desejava. Acho que eu sempre o desejei, apenas não tinha percebido isso antes.
O meu amor por Edward sempre broqueou tudo, até o ponto que me tornei cega para qualquer homem que estivesse diante de mim. Eu o amava, eu sempre o amaria. Só que ele não estava aqui agora e isso era um fato que deveria mudar tudo. Claro que mudaria.
Edward simplesmente não se importava. E para falar a verdade, já nem eu estava me importando mais com isso.
Todo meu corpo chamava o corpo que estava diante de mim, em um desejo descontrolado. Era um desejo que me fazia esquecer qualquer coisa. Eu o desejava, meu corpo clamava pelo dele. Minha boca ardia em desejo pela dele.
– Você não quer me beijar? – sussurrou forte contra meu ouvido, tão próximo que me fez ferver. Eu estava desconfortavelmente com vontade de beijá-lo. Apenas a idéia de tomar sua boca com a minha, sentir seu gosto quente e me entregar ao desejo que eu estava sentindo, apenas isso já me deixava louca.
Tudo nele era convidativo. Atrativo demais. Não teria forças para me obrigar a não ceder a aquele desejo que me queimava de dentro para fora. Eu tinha a necessidade de beijá-lo ali mesmo, sem me importar com mais nada, além da boca dele na minha. Levantei minha cabeça, olhando hipnotizada para sua boca. Quando percebeu meu olhar, ele sorriu, um sorriso que disse coisas que jamais poderiam ser ditas por meras palavras.
– Eu quero você. – as palavras fortes saíram lentamente de sua boca, como se cada silaba tivesse um gosto distinto, que ele precisasse apreciar. Os sentidos delas me fizeram procurar por seus olhos. Estes ardiam em fogo. – E eu sei que você também me quer. – confirmou o que ambos já sabíamos. Me dei conta de que aquele fogo sempre esteve lá, escondido, esperando para que eu finalmente notasse. Não sei como pude não ter percebido isso antes, mas a verdade é que eu nunca quis ver. Esse era o sentido real das coisas. O pior cego é aquele que não quer ver.
– Eu te quero. – as palavras saíram com vida própria, sem meu consentimento. Não tinha por que negar aquilo. Eu o queria. Eu sempre quis. – Eu sempre quis você, Dean. – a confiança nas minhas palavras me surpreendeu. Dean sorriu, um sorriso que me dizia que aquilo era tudo o que ele queria. Ele tinha ansiado por aquelas palavras. E só Deus pode dizer por quanto tempo. – Eu não sei há quanto tempo te quero.. – falei tentando entender, porém a confiança não foi embora. Com Dean eu me sentia uma pessoa diferente, mas segura... Mais mulher. – Por favor... – implorei já não agüentando. Eu o queria. Eu precisava prová-lo.
Dean entendeu o que quis dizer com aquelas palavras. Passando sua mão pelo meu rosto, com uma calma que me matava. Ele sorriu. Era torturante querer beijá-lo.
– Me diga o que você quer, que eu darei. Apenas diga...
– Eu quero que você me beije.
Como se aquelas fossem as palavras que ele tanto precisava, sua boca não demorou a tomar a minha. Me puxou com mais força contra seu corpo musculoso, me fazendo sentir, mesmo sobre a roupa, cada centímetro do seu corpo, rosando o meu. Minhas mãos foram para seu cabelo macio, alisando e puxando. Seu beijo era selvagem, porém tinha tantas coisas que eu não conhecia. Mesmo por trás da selvageria, existia uma doçura que me fascinava. Ambos ardiámos em desejo pelo corpo do outro.
Seus lábios me devoravam, com fome, com força e os meus não tardavam em retribuir com o mesmo desejo. Suas mãos fortes me apertavam cada vez mais, porém eu sempre queria mais. Eu o queria de uma forma que jamais quis ninguém, nem mesmo Edward.
Edward...
A lembrança trouxe a culpa, uma tão grande que me fez sentir pior do que um lixo. O que eu estava fazendo? Eu simplesmente não sabia. Não era o certo fazer o que eu estava fazendo, mesmo que algo em mim dissesse ao contrário. Não havia amor naquilo que eu estava fazendo, apenas desejo físico. Nada, além disso. Não havia sentimentos, não havia nada. Era apenas meu corpo agindo por si próprio.
O desejo continuava ardendo, porém uma culpa se tornava ainda maior. Eu queria parar, queria não estar sentindo o que estava em cada célula do meu corpo, porém meu desejo era ainda maior. Continue beijando Dean, com mais força, com mais desejo, porém suas mãos me seguraram de uma maneira diferente, impedindo qualquer movimento meu. Sua boca se separou da minha, me fazendo lamentar e o desejar mais ainda. Sua respiração ficou forte, como se lutasse contra algo. E... No fundo, eu sabia contra o que era.
Meus olhos se abriram, encontrando seus olhos verdes. Havia algo que me incomodava ali, porém eu não sabia o que era. Me perguntei o que tinha o feito parar de me beijar, já que o desejo ainda ardia em seus olhos.
– Como eu estava dizendo, estou bem. – ele disse, como se não tivesse acontecido nada. Ele se levantou, levantando-me com ele, porém fazendo meu corpo manter certa distancia. – Um tombinho desses não é nada para um homem como eu. –ironizou, sorrindo. Porém, eu o conhecida. Seu sorriso era falso. Algo nos seus olhos me disse isso. Algo estava me dizendo repetitivamente que eu tinha feito alguma coisa, por que, por alguma razão, Dean estava magoado. Profundamente magoado. Apenas havia magoa em seus olhos, essas que ele lutava tanto para esconder.
– Dean.. – comecei a falar, porém ele me calou, colocando seu dedo sobre minha boca.
– Não diga nada, . Está tudo bem. – ele suspirou e sorriu. – Eu nunca deveria ter beijado você. Foi um erro. Sou um canalha mesmo, sem pensar nos seus sentimentos. – a cada segundo eu me sentia mais confusa. – Por favor, esqueça que isso um dia aconteceu.
– Dean, você está enganado. Não me senti ofendida ou qualquer coisa parecida. Pelo contrário. – coloquei minha mão em seu peito e me aproximei. Ele, automaticamente se afastou, com os olhos fechados.
– Por que você estava chorando? – perguntou, com os olhos fechados. – Não gosto nenhum pouco de ver você chorando. – soltou sem pensar, se lamentando. – Olha que ultimamente eu tenho sido o premiado de encontrar você fazendo isso. – abriu os olhos e sorriu friamente, de uma forma que me surpreendeu.
– Não é nada demais Dean. – sussurrei, abaixando a cabeça, lutando para que as lágrimas não voltassem.
– Você sabe que pode confiar em mim, não sabe? – sua voz voltou a ser suave e calma, reconfortando-me. Ele se aproximou, passando seus braços ao meu redor, abraçando-me com ternura. Seu cheiro forte me tomou, de alguma forma me acalmando. – Eu sempre vou estar aqui por você. Nunca duvide disso.
– As coisas... as coisas estão tão complicadas Dean. – lamentei, encostando-se a seu peito. – Já não sei por qual caminho devo seguir. Tento ser forte, juro que tento. Só que agora...
– Oh minha linda loba. – ele lamentou, me apertando ainda mais forte contra seu peito. – A vontade que tenho é de te levar comigo, para que nunca mais você sofra. Odeio ver teu sofrimento, por que de uma forma ele também é o meu. Tudo o que eu quero é que você fique bem. Que você seja finalmente feliz. – sua voz forte ecoava pelo local, e eu apenas me prendia ao som da sua voz.
– O desejo que tenho é arrancar todo mal que te persegue. Mas sou fraco. Não posso fazer isso. Sou um filho da puta fraco. – gritou consigo mesmo.
Olhei para seu rosto, tão próximo do meu. Há quanto tempo ele sentia isso em relação a mim? Que Dean Winchester era este? Eu não o conhecia.
– Não fale como se você tivesse culpa sobre meus problemas, por que você não tem Dean.
– Então por que eu me sinto como se tivesse?
– Eu... eu não sei Dean. – neguei com a cabeça. – Eu já não sei mais de nada na minha vida. – sussurrei sem forças, pensando em tudo o que havia me acontecido.
– Saiba que eu estou aqui, bem aqui do seu lado. – sussurrou suavemente no meu ouvido. – Sempre estarei aqui, minha preciosa loba.
– Por que você tem o poder de acalmar meu coração desta maneira? – perguntei, pegando sua mão e levando-a até meu coração, segurando bem firme, até que ele sentisse o bater forte dele, ficando cada vez mais suave.
– Como eu queria que não fosse apenas com seu coração, mas também com sua vida. – sorriu, porém seus olhos estavam tristes novamente. – ele apertou minha mão mais forte, sorrindo, um sorriso sem vida que me doeu.
Um gritar de uma guitarra tocou entre nos, enquanto algo vibrava urgente no bolso da frente de sua calça Jean surrada. Dean olhou por alguns segundos para o local, pensando se atenderia ou não. A guitarra gritava cada vez mais alto, enquanto Dean parecia não se decidir. Suspirou por vencido, me pedido um minuto com a mão e simplesmente se desculpando. Andou um pouco para se afastar, enquanto pegava o celular e o encarava, com certa raiva por aquilo ter – de certa forma – acabado com o nosso momento.
– Fala. – Dean disse serio, em alto e bom som, quase sem paciência.
“ Não tenho notícias nada boas para você. “ – a voz masculina do outro lado da linha sussurrou, se lamentando, urgentemente.
Dean olhou brevemente para mim, tentando disfarçar, parecendo muito preocupado. Seus olhos verdes me encararam por breve segundo, pensativos. Ele balançou a cabeça e murmurou consigo mesmo qualquer coisa que eu não pude entender. Andou inquieto pelo pequeno corredor, se afastando ainda mais de mim. Sua respiração parou completamente, enquanto ele parecia ficar cada vez mais angustiado.
– Estou escutando. – respondeu, brevemente, se virando e me encarando novamente. Seus olhos ficavam cada vez mais distantes da realidade em que estávamos. Parecia que ele estava prestes a explodir. Balançou a cabeça novamente, ainda pensativo, dizendo qualquer coisa novamente. Então percebi que se tratava de algo em outro idioma.
“Refizemos os exames com o sangue que você mandou. Encontramos o que você já suspeitava. O sangue realmente está contaminado com o vírus. Seja como for, você já deveria saber que era perigoso enfrentar um lobisomem original sozinho.”
– Quanto tempo eu tenho?
“ Não posso ter certeza. Talvez dias... talvez horas. Isto não é algo que se possa controlar.”
– Tudo bem. Por isso eu já esperava. – Dean suspirou, voltando a andar pelo corredor, de um lado para o outro. – Tem mais alguma coisa que eu deva saber?
“O pegaram. “ – a voz disse simplesmente, com uma preocupação evidente na voz. Suspirou por vezes, parecendo também estar aflito.
O coração de Dean simplesmente pareceu responder a aquelas palavras, batendo cada vez mais forte. Ele me encarou novamente, voltando-se para mim. Seus olhos pareciam-me quererem dizer alguma coisa, aquele brilho no seu olhar ficava cada vez mais apagado. Apertou mais o celular contra a orelha, e suspirou.
– Droga! – xingou entre dentes. – Vivo? – parecia que essas palavras pesavam em sua voz. Ele mal teve vontade para proniciá-la.
“ Vivo.” – Dean suspirou aliviado. – “ Não devemos contar vitória com isso. Dean sei que isso dói para você o mesmo que dói para mim, só que seria mais simples e mais fácil se ele tivesse sido pego morto. Arolin ira usá-lo como arma contra nós, você sabe muito bem disso.”
– Eu sei, eu sei. Isso não poderia ter acontecido. – Dean socou a parede, com raiva. Obviamente, ele lutava para manter o controle.
“ A informante me disse que estão o mantendo sob total vigilância. Ninguém entra, ninguém saí. “ – houve barulhos do outro lado da linha, como se fosse barulho de maquinas trabalhando. “ Vão dar sangue humano para ele. Por enquanto ele se recusa a aceitar. Você sabe, ele é osso duro de roer. Mas até quanto ele vai agüentar ficar sem sangue? Não muito. Posso apostar.”
O silêncio pairou sobre ambos os lados da linha. Me senti desconfortável por estar ouvindo a conversar de Dean, ainda mais algo que parecia ser tão serio. Andei mais para longe de Dean, tentando ao máximo não ouvir o que dizia, porém isso fica difícil quando se têm uma audição como a minha.
“Ele insiste em não beber sangue humano. Chegará uma hora que não irá agüentar, cederá de uma forma ou de outra. Nenhum vampiro agüenta ficar sem sangue por muito tempo. Isso é apenas questão de tempo.”
– Você está coberto de razão. Por mais que ele tente agüentar, não irá conseguir. Nenhum vampiro agüenta. – Dean murmurou mais para ele do que para seu companheiro.
“ Arolin já conseguiu tirá-lo do caminho. É questão de tempo para que faça o mesmo com você, Dean.” – a voz ficou urgente. – “Sinto muito. Realmente sinto.”
– O que podemos fazer para mantê-la longe de Arolin?
“ Creio que não muito. Arolin está indo para Forks, com todo seu exercito, incluindo Alec e Jane. Ele deixou bem claro que está indo buscá-la.”
– Eles não podem se encontrarem... – a voz de Dean já nem era mais um fio. Ele parecia transtornado.
“Exatamente, meu amigo. Tudo o que Arolin quer está ai. Não importa o quanto tentemos impedir, uma hora eles vão acabar se encontrando. De uma maneira ou de outra. Apenas podemos adiar isso o máximo possível.”
“Não quero fazer isso, mas serei obrigado a deixar isso, antes que minha família acabe sendo prejudicada, assim como foi no passado, quando ela se transformou.. bem você sabe. Não quero ver, novamente, a morte das pessoas que amo. Mesmo que eu queira de todo o coração te ajudar. Já estou velho, não posso fazer muita coisa. Lamento Dean.” – ele suspirou, após falar rapidamente. – “ Daqui por diante você segue sozinho. Não conte mais comigo. Nem mesmo para informações. Não quero mais me meter nesta guerra, muito menos ser morto nela. Já sabemos como termina, não sabemos?”– a última frase soou fria, amargurada.
Ambos esperamos a resposta de Dean, esta porém não venho.
“ Sinto muito ser o portador de má notícia.” – tentou se desculpar. “Saia daí logo, antes que Arolin chegue. A leve com você, mesmo que seja a força. Esta é a única coisa que você pode fazer para evitar as coisas por ai. Pelo menos por agora. Você não vai querer ter uma luta sozinho com Arolin, ainda mais com ela no meio disso, vai?”
Nenhuma resposta, novamente. Porém não estávamos surpresos.
“Acho que não. Você não é tolo para tal coisa. Se cuida meu filho amado. Você sabe que eu tentei te ajudar, até mais do que a situação me possibilitava. Eu estarei aqui, se você terminar vivo desta vez. Eu e a nossa família estaremos te esperando. Eu...”
“ Eu te amo meu filho.” – a linha ficou muda em seguida, enquanto percebi que uma pequena lágrima rolava pelo belo rosto de Dean. Quis tanto poder ajudá-lo, poder fazer qualquer coisa para que as coisas não fossem tão difíceis para ele.
Andei até Dean, abraçando-o. Eu não fazia idéia do que estava acontecendo, porém pude sentir que as coisas estavam muito difíceis para Dean. Parecia uma despedida. Uma despedida que me tocou, que me fez perceber que a vida era uma droga mesmo, porém tem pessoas que não a mereciam.
– Sinto muito. – sussurrei em seu ouvido. – Queria muito poder te ajudar, seja lá o que quer que seja.
– , vou ter que deixar a cidade. – Dean disse algo que eu já esperava. Minha expressão ficou muito triste. Não queria vê-lo partir. Eu já tinha perdido tantas coisas hoje, não queria perder Dean também. – Houve um problema e vou ter que ir para casa antes do tempo. Não sei se volto, na verdade, acho que não volto tão cedo.
– Eu não quero que você vá embora, Dean. – confessei.
– Nem eu, pequena. Nem eu... – ele me abraço fortemente, acariciando suavemente meus cabelos longos. – Tem um vampiro que virá para a cidade se eu continuar aqui. Ele não machucará ninguém, não se preocupe. O seu único alvo sou eu. E se eu não estiver aqui...
– Ele vai embora. – conclui, olhando para seus olhos.
– Garota esperta. – Dean elogiou, tentando fazer o clima suavizar. – É por isso que eu gosto de você.
– Gosto de garotas espertas... E gostosas.
Lá estava o Dean que eu tanto conhecia. Seus olhos ainda estavam tristes, porém ele ainda tentava brincar com a situação. Aquilo não era uma coisa que funcionava comigo, porém eu apenas queria ajudá-lo, então resolvi entrar na brincadeira. Bati no seu ombro e resmunguei, como fazíamos quando ele dizia alguma coisa boba.
– Você quer uma carona para casa? – perguntou, se afastando um pouco, para ter uma ampla visão do meu rosto.
– Não quero voltar para casa, Dean. – confessei, me lembrando do dia que tive. Não agüentaria olhar meu pai, novamente. Em meu coração, ele sempre continuaria sendo meu pai, só que eu não estava pronta para vê-lo novamente. Não agora. – Tudo o que eu queria era fugir de mim mesma. Era exatamente isso que eu estava fazendo quanto te encontrei. – fechei meus olhos, e Dean apertou seus braços ao meu redor. – Não estou preparada para voltar para casa.
– Uma hora ou outra, você vai ter que enfrentar seus problemas de frente, Pequena.
– Sei disso. Não posso me esconder aqui pela minha vida inteira. – olhei para seus olhos. – Só não quero parecer tão frágil quando voltar para casa.
– O que você está pretendendo fazer? – me encarou seriamente.
– Na verdade, não pensei sobre isso. – lamentei.
Dean sorriu, abraçando-me com mais força. Seu perfume invadiu minha mente, trazendo-me a lembrança de seu beijo. A sensação de ter sua boca colada com a minha era indescritível. O desejo ainda estava lá, consumindo-me. Apenas de pensar que ele estava ali, abraçando-me, era enlouquecedor.
– Eu tenho uma proposta para te fazer. – Sua voz sussurrou, enquanto ele segurava em meu rosto com uma mão, movendo meu olhar até ele. – Vem comigo?
– Ir com você? – a proposta me surpreendeu.
– Não quero deixá-la. – acariciou meu rosto com a ponta de seus dedos. – Vem comigo?
Seus olhos me fitavam com tanta força que tive que me lembrar de respirar, ou me lembrar de não beijá-lo. Não pensei muito no que eu faria quando saísse daquele hospital. Para falar a verdade, eu simplesmente não tinha pensado em nada. Eu estava desesperada, atordoada. Apenas com a lembrança, a dor ameaçava a voltar. Tentei não pensar sobre aquilo. Tudo o que eu desejava era esquecer. E Dean estava me dando uma oportunidade para poder realizar o que eu tanto queria. Se eu voltasse para casa, eu teria que enfrentar meus problemas de frente, querendo ou não, tendo força ou não tendo. Mas se eu fosse com Dean, eu estaria fugindo como uma covarde. Como Dean mesmo me disse, uma hora eu teria que enfrentar meus problemas, querendo ou não querendo. Só que se eu voltasse para casa agora, minha ferida se abriria ainda mais. Eu não estava preparada para encarar tudo de frente. Principalmente Jacob.
Eu tinha prometido que tentaria acertar as coisas entre a gente, amando-o ou não amando-o. Realmente estava disposta a lhe entregar minha vida, em troca de sua felicidade. Jacob merecia ser feliz, e sua felicidade estava em minhas mãos. Só que agora eu seria incapaz de encarar Jacob novamente. Não depois de descobrir a verdade. Jamais ficaríamos juntos. Teria que ter um motivo bem convincente para que ele desistisse de mim, mas eu não seria capaz de lhe contar a verdade, seria crueldade de mais.
Edward não voltaria. Mesmo que minha vontade fosse ficar lhe esperando para todo o sempre. Ele estava em qualquer lugar, tendo a felicidade que ele tanto merecia, ao lado da mulher que ele tanto amava. Nem mesmo meu nome se passava por sua cabeça.
Eu jamais teria o final feliz que eu tanto sonhei. Jamais ficaria com Edward Cullen. Jamais voltaria a sentir seus beijos, ouvir sua voz aveludada em meu ouvido, sentir seu olhar em mim, queimando-me, sentir seu toque, que me levava até o paraíso. Eu jamais voltaria a vê-lo.
Ele jamais me faria sua mulher. Eu jamais seria dele.
Foram todos esses motivos que me levaram a tomar uma decisão em relação a minha vida. Foram todos esses motivos que me levaram a finalmente me libertar daquela vida vazia que eu estava vivendo.
– Eu vou com você, Dean. – disse com firmeza, olhando em seus olhos. – Não vou deixar você ir embora sem mim.
Dean soltou um suspiro aliviado, sorrindo – um sorriso verdadeiro. Ele parecia estar aliviado, como se evitasse uma guerra.
– Só tenho que pegar o Samy. Ele já foi para o hotel onde estávamos, já que eu decidi ficar mais um pouco aqui no hospital.
– Tudo bem, então.
– Tem alguma coisa que você quer fazer antes de partir? – perguntou, lendo minha mente.
– Tem sim. – sorri tristemente. Estranho como este sorriso tinha virado meu único sorriso. – Quero ver meu pai.
Dean sorriu, entendendo meus motivos. Tudo bem que eu estava deixando tudo e todos, mas eu não era louca de, pelo menos, não dar uma explicação. Jamais faria isso com meu pai. Ele merecia, pelo menos, uma despedida decente. Mesmo que isso partisse meu coração. A lei era: Antes o meu do que o dele.
Dean pegou minha mão e começou a andar, me puxando consigo. Andamos por um pequeno corredor, que nos levou até o estacionamento. Não demorou para que meus olhos encontrassem o carro preto de Dean. Dean sorria cada vez mais, olhando para o carro, fazendo aquilo parecer um reencontro de novela. Aquilo me divertiu.
– Sinta como se fosse seu. – disse quando nos aproximamos do carro.
– Então, eu vou poder dirigir? – brinquei, já sabendo a resposta.
– Não. – o sorriso de Dean diminuiu enquanto falava. Andou mais para perto do carro, passando por mim, indo até o outro lado do carro, enquanto alisada cada pedaço do carro que conseguia. Se apoiando no teto do carro, ele sorriu triunfante. – Eu gosto de você, mas isso não muda as coisas sobre dirigir meu carro.
Fiz uma cara de chateada, o que o fez dar ainda mais risada, até chegando a gargalhar.
– Este rosto bonito não me convence. – terminou, piscando e entrando no carro.
Eu apenas revirei os olhos, me divertindo com aquela situação toda. Acho que as coisas vão melhorar se eu estiver com Dean. Ele me faz esquecer as coisas ruins, esquecer do que minha alma se lamenta tanto por não poder esquecer.
– Vai entrar ou quer que eu chame o reboque? – perguntou, ironicamente, apontando para a porta do carro já aberta.
Entrei no carro sem demoras, sentindo o suave aroma de couro limpo e qualquer bebida alcoólica de menta. O banco macio me fez lembrar da última vez que estive dentro daquele carro. Não era uma memória que me agradasse, porém não era algo que eu poderia esquecer com facilidade.
Naquela noite as coisas começavam a piorarem para mim. Naquela noite eu perdi Edward Cullen para sempre. Naquela noite a ilusão de tê-lo na minha vida foi morta e enterrada. Ele estava com outra, dizendo que a amava. Como meu coração doeu ao vê-los se beijando. Quanta inveja senti daquela vampira. Quanto ódio senti por ela ter tudo o que eu tanto queria. Quanta raiva senti por ser ela, e não eu.
– ? – Dean tocou suavemente meu ombro, chamando-me para realidade.
Me dei conta de que estava com os olhos fechados, presa a um mundo que ficava cada vez mais distante. Lembro-me de ter sonhado com Edward, sonhado com aqueles olhos que eu jamais voltaria a ver. Ele dizia qualquer coisa sobre estar feliz. Sorri amargurada, olhando pela janela a noite escura. O carro já não estava mais em movimento.
– Pelo menos, um de nós dois está, amor. – sussurrei baixinho, olhando para a noite escura, tentando adivinhar onde ele estava.
– Você quer que eu vá com você? – Dean perguntou, olhando para meu rosto. Lembrei que o carro não estava mais em movimento.
Sorri agradecida, porém um sorriso sem brilho, sem vida.
– Não, Dean. Eu vou sozinha. – sussurrei. – Não vou demorar.
Sai do carro, demorando um pouco para ter noção de que já estava na frente da cada do meu pai. Agora as coisas se complicavam. Não queria deixá-lo. Porém meu coração não agüentaria todo o tormento que enfrentar as coisas me causaria.
Andei lentamente até a casa, com passos pequenos e suaves. A casa estava completamente escura, porém havia vida dentro da cada. Abri a porta lentamente, tentando não fazer barulho algum. A sala estava completamente escura, porém meu pai estava jogado no sofá, adormecido. Parecia até um anjo dormindo. Meu coração se alegrava de vê-lo, porém ele se quebrava em pedaços a cada segundo que eu o olhava. Eu não era sua filha. Seu sangue não corria em minhas veias.
Andei até o sofá, me abaixando em sua frente. O melhor pai que uma pessoa poderia ter estava diante de mim. Eu o amava tanto. Lembranças da minha infância invadiram minha mente. Não importava o quanto eu tentasse lembrar das coisas com alegria, sempre haveria o amargo sabor de saber que tudo era mentira. Eu não sabia quem realmente era. Nada mais fazia sentido. Será que tinha algo verdadeiro?
Passei minha mão pelo seu rosto já envelhecido pelo tempo. Ele suspirou e sorriu, fazendo-me sorrir automaticamente.
– Eu te amo pai. – beijei seu rosto. As lágrimas já tomavam meu gosto, me fazendo limpá-las rapidamente. – Nada nunca mudará meu amor por você. Nunca.
– ? – Ben sussurrou, confuso, abrindo os olhos brevemente. Seus olhos me encontraram por poucos segundos. Fechou novamente os olhos, suspirando. – Senti sua falta, filha.
Sorri, acariciando seu rosto.
– Eu te amo pai. – disse beijando sua testa cheia de rugas.
– Também te amo muito minha filha. – disse, entre a realidade e o seu próprio mundo.
Suspirei me levantando, olhando ao redor, a procura de qualquer coisa que pudesse servir de papel para que eu escrevesse um pequeno bilhete de despedida. Andei até o armário, abrindo a gaveta de maneira escura, a procura de papel e caneta. Ao encontrar, foi até o outro sofá, sentando-me.
“Querido e amado Pai,
Não se preocupe comigo, estarei bem, em qualquer lugar que seja. Não estou te deixando, até por que eu jamais faria isso. Voltarei logo, quando as coisas começarem a voltarem para seu lugar de direito. Não posso ficar aqui. Não posso viver uma vida que nunca foi a minha. Sei que é egoísmo, só que não posso continuar. Espero que você entenda meus motivos por estar indo embora.
Só nunca se esqueça que jamais deixarei de amá-lo. Se houve um pai que mais amou sua filha, esse pai foi você. Nada neste mundo mudará o que sinto.
Com todo amor, .”
Coloquei o bilhete em cima da mesinha do lado do sofá em que meu pai estava dormindo. Eu voltaria pelo meu pai. Só que eu não poderia continuar aqui. Não agora. Não posso pensar em todas as coisas que perdi. São coisas demais para serem lamentadas de uma só vez.
Saí da casa com lágrimas nos olhos, mas isso não me impediria de tomar um novo caminho na minha vida. Quero começar as coisas do jeito certo desta vez.
Dean me esperava do lado de fora, com os olhos tristonhos. Parecia que ele entendia a dor que eu estava sentindo. Caminhou até mim, tomando-me em seus braços. Ali chorei, chorei toda dor que lutava para se libertar de mim. Chorei pelas grandes perdas em minha vida. Chorei por mim mesma.
Ele apenas me apoiou, acariciando meus cabelos e beijando o alto da minha cabeça. Por algum motivo, eu me sentia segura em seus braços. Por algum motivo, Dean estava me dando um motivo para continuar nesta longa caminhada. Seus lábios tocaram minha testa com ternura, enquanto ele sussurrava que cuidaria de mim agora.
Seus lábios foram caminhando pelo meu rosto, deixando um rastro de fogo pelo caminho. Os arrepios começaram a dar sinal desconfortáveis, entretanto hesitantes. Eu queria aquilo. Eu o desejava. Seus lábios continuaram até encontrar o caminho da minha boca. Houve um momento de espera até que ele pudesse ver que eu também queria. Sua boca tomou a minha com forç8jfta, com paixão. Suas mãos fortes seguraram minha cintura, enquanto nossos corpos lutavam para ocupar o mesmo lugar. Segurei seus cabelos com uma de minhas mãos, enquanto a outra brincou com o zíper da sua jaqueta de couro.
Talvez nada na minha vida tivesse sido real. Porém eu estava experimentando uma coisa nova e saborosa, que me parecia real. Dean era real. Era ele quem estava me beijando nesse momento, não um príncipe que foi embora com a promessa de nunca mais voltar. Dean me desejava e igualmente eu o desejava. Bastava apenas isso, por hora.
O meu desejo por ele era real. Eu poderia sentir o fogo me consumindo por inteira, até as ultimas das minhas células.
Apenas isso bastava para que eu me sentisse vida mais uma vez. Não importava o que quer que tenha acontecido em minha vida, nada fora real.
Entretanto, eu desejo Dean Winchester. Isso é real, isso me basta.
Notas finais do capítulo
Olá meus amores. Tenho tantas desculpas para lhes dar e meus sinceros lamentos. Para começar, está fanfic foi parada de atualizar primeiramente por que eu a escrevia como um diário, uma realidade da minha vida. Quando comecei a escrever esta fanfic, eu não tinha notação das coisas que aconteceriam ao decorrer da história. Eu apenas pensava em fazer uma história team Jacob e nada mais. Mantendo sempre o fofo no triangulo entre a personagem criada por mim e Jacob/Bella. Depois de alguns capítulos, minha vida mudou completamente. E fui colocando coisas minhas na personagem, realmente a transformando em um diário particular. A versão que eu pensei, não havia nenhuma coisa relacionada a estrúpo. Porém, como disse logo aqui em cima, minha vida mudou.
Posso dizer que se tornou uma forma de me espelhar ao mundo. Aconteceu comigo a mesma coisa que aconteceu com a e o Ted. E assim como a mãe da , a minha não ficou do meu lado. As coisas se tornaram complicadas para mim. Foi colocando tanta coisa de mim nesta história, que por vez penso que ela se sentiu sufocada.
Depois não quis mais postar nada. Querendo apenas esquecer a que existia dentro de mim. Porém toda história merece um final, e não posso negar isso a essa história. Obrigada por tudo meninas.
Grandes beijos. Layra Cristina.
Capítulo 26: Um novo caçador - Parte Um
Senti seus dedos longos se entrelaçaram aos meus demoradamente, hesitantes, colando nossas mãos em um toque suave e quente. Seus olhos cor de menta fresca voltaram-se para os meus olhos negros, perguntando-me preocupada mente se eu ainda estava firme na minha decisão. Seus olhos brilhavam dentro da noite escura, iluminando-se apenas pela luz de uma lua fraca e apagada. Apertou suavemente minha mão entre a sua, com as pontas dos dedos, esquentando toda a pele em que seu toque tocava, esperando mais uma confirmação vinda de mim. Assenti suavemente com a cabeça, firmando mais meu olhar na direção de seus olhos menta esverdeados, com toda confiança que sentia dentro do meu corpo, emanando de meus olhos para os seus olhos.
Um vento suave soprou em nossa direção, espalhando meus cabelos negros sobre todo meu rosto, tampando meus olhos, escondendo meus olhos completamente, quebrando nosso olhar hipnotizante. Dean levou, imediatamente, sua mão livre até meus olhos, tirando com suavidade e carinho as mechas grossas dos meus cabelos negros, que tampavam meus olhos. Deixou as mechas escaparem de seus dedos, lentamente, deixando apenas uma entre seus dedos longos. A segurou com firmeza, olhando profundamente em meus olhos. Seus olhos me queimavam, afundando-se cada vez mais profundamente entre os meus. Parecia que sua intenção era se fundir comigo, encontrar os mistérios mais escondidos da minha alma. Porém, no fundo, eu sabia que só havia uma pessoa no mundo capaz de entender, verdadeiramente, todos meus mistérios.
Sua mão passou levemente da mecha dividida do meu cabelo negro para meu rosto, acariciando com cuidado cada centímetro que conseguira alcançar com as pontas dos dedos longos. Seus olhos, por mais que negassem, temiam ao me tocar, com medo de que eu a, qualquer momento, não aceitar. Sorriu suavemente, tentando confundir o que eu via em seus olhos, um sorriso que iluminava todo seu rosto, porém, no fundo dos seus olhos, ainda havia aquela preocupação que tanto me incomodava.
Por mais que eu me sentisse bem com Dean, havia uma parte de mim que, simplesmente, deseja me afastar. No desejo mais intimo de mim, eu sabia que era um erro o que estava fazendo, mas não me lamentaria. Eu não estava usando Dean, mas também não estava me comprometendo a ter qualquer coisa com ele.
– Dean.. - comecei falando, quebrando o silêncio que tanto me incomodava, porém, seus dedos logo foram para a minha boca, calando-me.
– Você tem certeza? - perguntou sussurrando, colocando seus lábios rosados sobre a pele do meu ouvido direito. Sua voz demonstrava preocupação, preocupação por mim, não por ele. Ele sabia que minha decisão era importante demais, e depois de executada, jamais teria retorno. Este era um caminho sem volta, eu sabia muito bem disso. Porém, estava disposta a pagar o preço. Já tinha pagado tanto em minha vida, não seria esse o mais caro.
Edward Cullen voltou a assombrar meus pensamentos, provocando um segundo de dor, até que tomei o controle dos meus pensamentos. Meu amor por ele continuava ali, intacto - sempre estaria. Entretanto, eu tinha conseguido tomar o controle sobre ele, quebrando seu controle sobre mim. As garras dele estavam tão fincadas em meu coração que me impediam de pensar e de agir. Com o tempo, fui tomando meu controle sobre ele - ele ainda estava ali -, só que não me controlaria mais. Não enquanto eu estivesse nessa vida.
– Claro que eu tenho certeza da minha decisão, Dean Winchester. - confirmei, pela última vez, olhado intensamente em seus olhos verdes. Coloquei minha mão suavemente em seu rosto, do mesmo modo que ele tinha feito comigo. Seus olhos se fecharam, enquanto sua pele tremeu sob o meu toque quente. Ele me queria. Todo se corpo reagia ao meu toque, dizendo-me isso automaticamente, sem lhe dar tempo para mentir sobre isso. Ele poderia dizer ao contrário, porém seu corpo jamais mentiria para mim. - Não se preocupe. Eu sei o quê eu quero. Não irei muda de idéia. Nem hoje e nem nunca.
Seus olhos seu abriram, enquanto a confiança que encontrou em minha voz entrava em sua cabeça. Seu coração bateu forte no peito, me fazendo pensar se o que eu estava fazendo era o certo. Eu o queria. Cada célula do meu corpo queimava por ele, mas só que isso era apenas um desejo físico. Meu coração não disparava no peito quanto ele me tocava, meus pensamentos não perdiam a memória do seu caminho - me fazendo perder a cabeça -, meu estômago não ficava louco com seus beijos. E eu jamais sussurraria, sem pensar, escapando de meus lábios, que eu o amo. Por que eu não amava. Era apenas um desejo, nada mais do que isso. Isso jamais mudaria.
Por todos esses motivos eu sentia medo, medo de algum dia Dean chegar a se apaixonar por mim. Eu jamais poderia oferecer isso a ele. Jamais poderia chegar a me apaixonar por ele. Por mais que eu gostasse dele e de estar com ele -, eu jamais poderia me apaixonar por Dean Winchester. Meu coração dizia isso o tempo todo, só que eu insistia constantemente em ignorar. E, no fundo dos olhos de Dean, por mais que eu também ignorasse, eu já sabia que seu desejo por mim não era uma coisa comum.
– Tudo o que eu quero é estar com você. Tudo o que eu quero é te levar comigo. - Deixou escapar de seus lábios, soprando suavemente. Havia um pouco de sofrimento em suas palavras. Tentei encontrar a verdadeira razão de sua preocupação. O verdadeiro motivo que o fazia hesitar tanto, porém tudo foi inútil, por mais que eu pensasse, não conseguia entender os seus verdadeiros motivos. Uma parte dele apenas me queria junto de si, outra apenas hesitava com medo.
Do nada um sorriso satisfeito brotou em seus lábios. Dean se aproximou mais de mim, apertando-me entre seus braços fortes, dando-me um abraço carinhoso. Seu forte cheiro convidativo tomou tudo ao meu redor. Sua respiração quente se chocou contra meu pescoço, provocando leves arrepios. Respirou profundamente meu cheiro, tentando guardá-lo em si, como se aquilo fosse um tesouro perdido, como se a qualquer momento eu poderia desaparecer. Respirei mais uma vez seu cheiro convidativo, enquanto fechei meus olhos com força. No fundo, tudo o que eu sentia era medo. Medo de magoá-lo. Assim como eu me magoava constantemente. Retribuí seu abraço de urso, passando meus braços em sua volta, colando nossos corpos. Logo minha temperatura natural passou do meu corpo para o seu e ele apenas tremeu com aquilo. Os pêlos claros de sua nuca se arrepiaram no mesmo instante. Uma parte de mim gostava da sensação de vê-lo me desejar, outra apenas sentia medo daquela situação se tornar perigosa, para ambos.
Me soltou, relutante, tirando seus braços fortes em torno de mim, agarrando-me a ele. Abri meus olhos no mesmo instante, voltando a controlar meus sentimentos e minhas dúvidas, prendendo-as em qualquer parte esquecida em mim, para que aqueles problemas não voltassem por hora a assombrar minha mente.
Minha mente já estava tão cansada que não agüentaria mais algum aborrecimento naquele momento. O cansaço, causados pelos últimos acontecimentos, deixaram meu corpo e minha mente, completamente doloridos e cansados. O alto da minha cabeça ardia como se houvesse estado entre brasas de algum incêndio.
Pingos grossos de uma tempestade umedeceram meus cabeços, fazendo-me olhar imediatamente para o céu escuro da madrugada mal iluminada. Dean soltou um grunhido surpreso, se balançando como um gato, como se as gotas que tocaram seu corpo o tivessem queimado. Olhou para o céu, fazendo uma careta de desagrado. Voltou seus olhos verdes para mim, voltando a me encarar hipnoticamente.
- Hora de ir. - Declarou, voltando seus olhos para o céu, passando sua mão pelo cabelo molhado. A chuva só está no começo. Se continuarmos aqui, não poderemos sair da cidade depois.
Movimente minha cabeça, positivamente, concordando com o que ele tinha dito. Acompanhei a direção de seus olhos, encontrando um céu negro e carregado de nuvens prontas para atacaram. Parecia que a natureza queria mandar algum tipo de mensagem silenciosa com a chegada daquela tempestade. Não tardou para que trovoes surgissem, fazendo-nos, Dean e eu, pularmos de susto. Sorrimos surpreendidos, voltando nossos olhos um para o outro. Dean gargalhou alto, vendo os vestígios do meu susto ainda expostos no meu rosto molhado. Fiz uma cara de desagrado, falsamente, batendo no ombro de Dean, repreendendo a sua atitude de rir de mim. Automaticamente, fez uma expressão de tristeza e ofensa, só que eu sabia que ele apenas havia caído na brincadeira.
Voltou a entrelaçar seus dedos com os meus, pegando minha mão de supetão. Sua mão forte me puxou, conduzindo-me na direção de seu carro. Corremos pelo curto caminho de terra que agora começava a se transformar em lama ainda de mãos entrelaçadas, rosando nossos corpos em cada movimento. Lutei contra o desejo que crescia em mim a cada distanciamento, de poder olhar pela última vez a casa que sempre fora meu refugio. Não era apenas dela que eu me distanciava, mas sim das pessoas que sempre estiveram presentes em minha vida.
Uma dor bastante física chicoteou meu coração, lamentando-se por estar tomando as decisões que eu estava escolhendo. Facas afiadas foram, lentamente, uma por uma, fincadas em meu coração, trazendo toda a dor que eu lutava para esquecer. Por mais que eu lutasse, eu sabia que não era a melhor solução deixar tudo e todos para tentar superar as dores que a vida me causou. Egoísmo era a verdadeira resposta para todas as escolhas que eu tinha tomado. Não era o certo a se fazer, mas ficar só me faria sofrer ainda mais. Encarar, principalmente, Jacob seria difícil demais. Ver a dor ultrapassar seus olhos negros, só me deixaria mais desesperada. A possibilidade de reencontrar Jacob Blake me deixava desesperada desamparada como uma criança abandonada. Magoá-lo era tudo o que eu não queria. Tinha prometido a mim mesma que jamais voltaria a fazer isso.
Continuamos correndo juntos, rosando nossos corpos úmidos, até chegar ao carro preto, estacionado em uma curta distancia. Dean, rapidamente, separando nossas mãos, abriu a porta do carro, lançando-me um olhar sorridente deixando evidente seu divertimento com a situação toda para que eu adentrasse no seu xodó reluzente. Entrei no carro com um sorriso bobo em meus lábios, em nem ao mesmo perceber o verdadeiro motivo por estar sorrindo daquela maneira distraída e calma. Raramente um sorriso verdadeiro surgia em meus lábios, como agora, estando na presença de Dean.
Quando eu estava com Dean, os meus problemas se tornavam mais fácies de serem esquecidos. Não era como estar com Edward que fazia o mundo explodir em emoções -, mas era tão fácil e calmo de se viver, como se meus problemas não fossem sérios o suficiente para me preocuparem. Seu olhar não tinha aquele poder de me fazer perder o controle e uma parte de mim sentia falta de sentir um olhar forte assim sobre mim -, seu olhar era calmo, porém cheio de desejo. Este mesmo desejo me deixava com medo, exatamente pelo motivo de este mesmo desejo crescer em mim, da mesma forma que crescia nele. O desejo que eu sentia quando estava com ele era controlável, fácil de ser esquecido, quase como se fosse um botão que eu pudesse apertar; não era nada como estar com Edward Cullen. E, por muitos motivos, me senti grata por ser Dean Winchester ali e não Edward Cullen.
Fechou a porta com força, lançando-me um último olhar rápido. Algo nos seus olhos me deixou preocupada, parecia que Dean tinha o perigoso poder de adivinhar o que eu estava pensando. Parecia que, todas as vezes que eu pensava em Edward, Dean se dava conta.
Talvez ele que tenha aprendido a me entender daquela maneira, tentei me dizer ao lhe lançar o mesmo olhar preocupado. Todas as vezes que eu me pegava pensando em Edward, Dean ficava de uma maneira estranha, sombrio, como se soubesse exatamente no que eu estava pensando. Seu corpo todo ficava rígido, cauteloso, no mesmo segundo, como se algo lhe dissesse que era perigoso se aproximar mais.
Suspirei pesadamente, olhando para o espelho lateral do carro, tentando encontrar qualquer expressão estranha no meu rosto. Pela primeira vez naquele dia, eu me senti cansada ao encontrar meu reflexo. Eu ainda era bonita. Bom... Dizer que eu era bonita era praticamente um erro. Não era muito fácil eu admitir que tivesse uma beleza que poucas teriam, que possuía uma beleza fora do comum. Afinal, a minha beleza não me ajudou em nada nos últimos anos. Talvez se eu não fosse bonita, Ted não...
Meu rosto era digno de capa de revista. Meus olhos negros eram diretos e sensuais por mais que eu tentasse, freqüentemente, não olhar daquela maneira para ninguém. Era a natureza deles, eu tinha que admitir. Meus olhos chamavam atenção em qualquer lugar, ainda mais se fundindo com a minha pele suavemente morena. Meu rosto era ligeiramente serio, mas nem sempre fora assim. Ele tinha ganhado aquele aspecto desde quando eu me transformei em loba. Ganhando assim mais seriedade, perdendo aquele suave ar de menina que eu sempre tive, naturalmente. Meus cabelos caiam desgrenhada mente em volta do meu rosto, formando uma moldura selvagem e convidativa. Os fios negros me deixavam, definitivamente, sexy, porém eu não gostava de pensar muito nisso.
Decide não tentar analisar o que havia de errado comigo, fazendo uma careta para meu reflexo e desviando meu olhar. Dean abriu a porta do lado do motorista, se debatendo um pouco, antes de entrar no carro. Me senti um pouco culpada por não ter pensado no estrago que faria entrando no seu carro daquela maneira que eu tinha entrado, mas Dean não parecia se importar se eu estava sentada ou não com as roupas molhadas no banco bem cuidado do seu carro. Sorriu para mim automaticamente, ao se sentar, fazendo-me sorrir de volta sem pensar. Levou sua mão outra vez para meu rosto, o acariciando com carinho aquilo era uma coisa que ele parecia gostar de fazer. Me senti, levemente desconfortável, por que aquele sentimento de desejo começava a reaparecer em seus olhos.
Resolvi impedir que aquela situação fosse mais adiante, tentando pensar em qualquer coisa para impedir uma nova aproximação. Não por não querer beijá-lo por que isso era óbvio que eu queria -, mas por que o tempo estava ficando curto para que pudéssemos sair de La Push sem complicações. Não queria mais ficar naquele lugar nem mais um segundo, por ter medo de voltar atrás, e ficar ali mesmo, para tentar achar uma solução de contar a verdade para Jacob, de uma maneira que não fosse tão destruidora.
- Dean é melhor irmos embora. - disse em bom som, demonstrando preocupação. O clima que Dean tentava fazer fora apagado com um balde de água fria, deixando seus olhos apagados e decepcionados. Logo a chuva vai piorar. Não vamos conseguir sair daqui se esta chuva ganhar um pouco mais de força.
- Você tem razão. - murmurou sorrindo, passando algo em seus olhos verdes. Ele tinha pensado que o motivo de acabar com o clima que ele criou era outro e não aquele que eu tinha dito. Por mais que eu tentasse entender, algo me dizia que ele estava preocupado com outra coisa. Com a recusa. Ele tinha medo que eu recusasse seus carinhos.
Resolvi não tocar no assunto, deixando-me ser levada pela situação. Segurei o ombro de Dean, apertando suavemente com as pontas dos dedos, como uma caricia. Seu sorriso se alargou, enquanto ele piscou rapidamente para mim.
- Vou te mostrar o poder que esta belezinha tem. - disse batendo suavemente no painel do carro, com olhar de orgulho.
- Isso eu pago pra ver. - respondi, lhe dando uma piscadela, ficando imediatamente empolgada com o quanto aquela belezinha poderia correr.
Olhei uma última vez para a direção da casa do meu pai, sem deixar a dor que havia em meu peito ser transmitida para o meu rosto. Meu peito parecia gritar para que eu não continuasse com aquilo. Ignorei com gosto minha dor, suspirando e mudando meu olhar. Eu sentiria falta de cada pedacinho daquela casa, entretanto não deixaria aquele sentimento de perda, que crescia em mim, me controlar. Seria forte, não voltaria atrás.
Passei meus braços em minha volta, tentando esquecer os meus sentimentos, tentando apagar tudo. Tudo o que eu faria seria me concentrar nesta nova oportunidade que a vida estava me dando. Não me ajudaria em nada levar bagagens comigo. Exatamente por esse motivo, eu estava deixando tudo para trás. Inclusive eu.
Logo o motor potente rugiu nas mãos de Dean, tomando logo uma velocidade absurda para um carro como aquele. Tive que admitir, sua belezinha realmente era potente. Acelerou mais, tomando o caminho para a saída da pequena reserva. Logo pude ver a pequena casa do meu pai ficar cada vez mais distante, confesso, isso dilacerou meu coração, só que meu rosto permaneceu ilegível. Ao nosso redor, as árvores transformavam-se em borrões negros, distraindo minha atenção.
Dean não disse mais nada pelo caminho, demonstrando estar focado na estrada a sua frente. Meu extinto e meus sentidos, esses já me diziam outra coisa. Dean olhava-me pelo canto dos olhos, em cada minuto, procurando qualquer vestígio de arrependimento em mim, por estar ali, fugindo com ele. Chegava a ser assustador a maneira que Dean se preocupava comigo, me fazendo perguntar a mim mesma até onde ele chegaria por mim. Temi a resposta, não querendo saber mais sobre aquele assunto, com medo de descobrir o quanto Dean poderia se importar comigo. Eu não queria saber. Não podia saber. O amor já tinha me machucado demais, me envolver amorosamente com Dean não seria justo com nenhum de nos dois. Eu nunca o amaria. Ele apenas se transformaria em uma diversão para mim. Uma terceira opção já que as anteriores não tinham sido bem sucedidas.
Eu não era assim. Não gostava de brincar com os sentimentos dos outros, como se não fossem nada. Eles eram, e valiam muito. Por mais que o amor não tivesse sido justo comigo, jamais faria uma coisa parecida com uma pessoa. Eu, mas do que ninguém, sabia o quanto o amor poderia ser doloroso. Causar esta mesma dor em alguém não seria justo, ainda mais alguém como Dean. Afinal, eu não gostava de brincar com o coração de ninguém.
Jamais seria justo descontar em Dean ou qualquer pessoa que fosse -, todo o meu ódio pelo amor. Sim, eu odiava o amor eu odiava amar, por que isso só me trazia sofrimento. Odiava com todo o meu ser, com todas as minhas forças. O amor tinha sido cafajeste comigo, mas ninguém tinha culpa disso, muito menos o caçador que só estava tentando me ajudar de uma forma bem estranha, por sinal. Eu não sabia qual de nós era o mais louco. Eu aceitando seu convite? Ou ele, me propondo uma fuga daquelas?
Os olhos verdes de Dean olharam-me, novamente; no mesmo momento, olhei de volta, encontrando seus olhos vividos preocupados. Quando encontrou meus olhos, procurou sorrir suavemente, como uma máscara que arrancou toda preocupação de sua expressão. Não me deixei levar pela aparência despreocupada do seu rosto, focando meu olhar apenas em seus olhos verdes. O verde estava suavemente mais escuro, estampando mais preocupação do que eu tinha percebido.
- Você parece cansada. - comentou, voltando seus olhos para a estrada.
- Um pouco.- respondi, mentindo. Deixar Dean mais preocupado comigo, não me deixaria mais aliviada. O sono ganhou mais força ao ser comentando, fazendo meu corpo parecer estar mais pesado do que o normal. Suspirei, tentando lutar contra a vontade descontrolada de fechar meus olhos. - Já faz algum tempo que não consigo dormir direito. - esclareci, chamando sua atenção. Suas sobrancelhas se uniram, mostrando preocupação. Dean parecia analisar cada detalhe do meu rosto. - Toda vez que fecho meus olhos, parece que fico presa no que aconteceu comigo.- quando percebi meus lábios já tinham sussurrado o que meus pensamentos processavam. Dean percebeu o que acabou de acontecer no mesmo segundo, suspirando e lançando-me um olhar de lamentação.
Nunca cheguei a dizer em voz claramente para alguém o que tinha acontecido comigo na noite em que minha vida foi ceifada. Ao pronunciar o que aconteceu comigo, parecia que as feridas eram reabertas, rasgando-me, transformando-me novamente em cacos velhos. Não restou muito de mim, entretanto, o que sobrou só me trazia sofrimento. As lembranças me torturavam a cada segundo. Dilaceravam meu coração. Contavam-me em pedaços.
- Sinto muito. - as palavras soaram dolorosas ao saírem de sua garganta, como um grunhido seco. Apavorado. Você não sabe o quanto eu quis ter impedido o que aconteceu com você.
- Tudo bem. - quis confortá-lo, mas soou apavorado, nervoso. Apenas não queria tocar naquela assunto.Eu estava apavorada. Tocar naquele assunto me deixava desconcertada, assustada, apavorada; louca para fugir daquilo de qualquer maneira.- Não quero tocar neste assunto, Dean. Não quero voltar a me lembrar desta ferida nunca mais. - fechei meus olhos, implorando. Era doloroso demais; as dores me tomavam como grandes garras. As malditas lágrimas tomaram meus olhos e um barulho descontrolado saiu do meu peito, como um lamento de dor.
O carro deu uma freada brusca, inesperadamente. Meu corpo foi jogado contra o painel reluzente do carro; meus sentidos foram interrompidos, enquanto meu extinto de auto-proteção tomou conta dos meus movimentos. Segurei o painel com força, no segundo seguinte, mantendo meu corpo distante do painel, o impedindo de se chocar contra o mesmo. Não precisei de muita força para tomar tão ato, mantendo-me longe do impacto. Olhei assustada para Dean, para me certificar de que ele estava bem.
Seus olhos me encaravam, marejados de lágrimas. A pena estampada no seu olhar, praticamente, me socou. Eu conseguia entender o que se passava na sua mente, naquele momento. A dor que estava estampada ali não era somente por eu estar sofrendo, mas por estar sofrendo em silêncio. Ele queria que eu gritasse, que colocasse minha dor para fora, só que eu não conseguia. Aquilo estava cravado em mim, não seria tão simples jogar tudo para fora. Minha dor era solitária, eu não conseguia dividi-la com ninguém. Nem mesmo com Edward.
E, eu sabia exatamente o motivo. Edward era o homem que eu desejava me casar, desejava ter uma vida ao seu lado, independentemente de qualquer outra coisa. Só que meus planos tinham sidos interrompidos por um pesadelo que se iniciou. Falar com Edward claramente me dava medo. Eu não era mais digna do seu amor, da sua espera. Eu estava impura, tinha sido violada, estrupada por um monstro, que me marcou para sempre. Tantas noites sonhadas com a minha primeira vez fora jogadas a deriva, naquele momento. Só de pensar em ser tocada daquela maneira me dava nojo. Nem mesmo Edward mudava isso.
Eu tinha medo de ser renegada pelo que tinha acontecido a mim. Tinha medo de ver em seus olhos o sentimento de nojo, de arrependimento. Exatamente por estes motivos que decidi deixá-lo, para não encarar seus olhos quando ele dissesse claramente que eu já não era digna do seu amor; que eu jamais seria o que ele queria.
Ele disse isso, mas não da maneira que eu esperava ouvir. Não em voz alta se bem que seria mais difícil ouvir em sua voz a rejeição. Ele disse isso indo embora, fugindo de mim. Jurando amor a outra pessoa. Uma que era o oposto de mim. Uma que era um monstro, que sobrevivia de matar seres-humanos inocentes. Pior, que sentia prazer nisso.
- Piorou quando ele foi embora, não piorou? - quebrou meus pensamentos com o som da sua voz. Meus olhos ganharam foco, saindo do passado, voltando para a realidade. Dean me fitava, mais próximo do que eu esperava. Seu hálito quente soprava meu rosto, enquanto seus dedos caminhavam pelo meu braço nu. Seus dedos andaram até minha mão, parando e segurando-a suavemente. Encarei nossas mãos coladas, imaginando o quanto eu sentia falta das mãos pálidas e frias de Edward.
Deus, o quanto eu sentia falta daquele toque desconcertante, que me tirava do chão, levando-me até o sétimo céu, ao paraíso. Com Edward Cullen, com o mínimo de seu toque, eu chegava à perfeição, chegava à verdadeira felicidade. Com ele, não importava nada, nem mesmo minha dor, meu passado, meus traumas. Tudo o que me importava, era sentir sua presença, sentir seu corpo colocado ao meu, sentir seu amor me acolher, me esquentar, me arrancar do mundo de trevas no qual eu estava imersa. Somente com Edward eu encontrava a verdadeira felicidade. Somente com ele, eu conseguia me libertar daquilo que eu lutava tanto para esquecer. A pena era que eu tinha descoberto isso tudo tarde demais, quando eu já o tinha deixado escapar por entre meus dedos. Ao o ver partir, naquele exato segundo que encontrei seu olhar pela última vez, descobri tantas verdades. Verdades que estavam sendo escondidas por trás dos traumas, dos medos perdidos no meu passado.
No segundo que ele me deixou, descobri que ele era o remédio para todos meus medos. Ele era o único que tinha o poder para curar minhas feridas. E tudo estava perdido. Edward nunca voltaria. Eu jamais o veria novamente. Jamais seria amada por ele, outra vez. Ele jamais me tocaria; jamais me curaria.
Definitivamente, eu sentia sua falta. Sua falta me causava vazios em meu coração, buracos negros que sugavam a vitalidade do meu órgão. Esses buracos tiravam minhas forças, minha vontade de continuar lutando. E, por algum motivo desconhecido, eu ainda me mantinha de pé, lutando para viver, para poder sonhar mais uma última vez com o príncipe encantado que eu nunca teria.
- Sim, pirou. - respondi sua pergunta, sentindo o ar ficar pesado. Dean não se sentia confortável ao falar daquele assunto, muito menos eu. Só que ele continuava insistindo em me obrigar a falar dos meus pensamentos, dos meus sentimentos. Por vezes isso me deixava furiosa, só que ao pensar mais sobre o assunto, eu percebei que ele só queria entender o que eu estava sentido, para assim poder me ajudar.
- Você ainda pensa nele?- parecia não querer uma resposta, parecia não ser exatamente uma pergunta. Ele já não estava falando comigo. Aquilo se transformava em uma conversa particular dentro da sua própria cabeça.
Se eu pensava em Edward? Aquela era uma pergunta inaceitável. Claro que eu pensava em Edward. Pensava em cada segundo da minha vida, como se ele vivesse em mim, gravado em minha alma. Sem ele, eu me sentia pela metade, como se minha outra parte tivesse partido com Edward. No fundo, eu sabia que tinha mesmo, só evitava pensar nisso, para não sentir tanto a perda.
- Às vezes... - me peguei mentindo descaradamente, desviando meu olhar. Por alguma razão, dizer a verdade a Dean, não me parecia ser a melhor alternativa agora. Ao olhar em seus olhos, eu tinha encontrado uma coisa que não tinha me agradado em nada. Por mais que ele tenha me perguntado, dentro de seus olhos, algo me implorava para não lhe dizer a verdade. Sua pergunta me mostrava que ele estava muito interessado na resposta, mas interessado que eu tinha imaginado. Para quê magoá-lo agora, dizendo que pensar em Edward era a minha existência?
Dean fez aquela pergunta por alguma razão mais sentimental do que eu tinha imaginado. Não por simples curiosidade, mas por que ele realmente se importava com o que eu ainda sentia por Edward. Obviamente, ele ficou chateado ao encontrar em meus olhos a mentira. Claro que ele ficou, mas eu não podia evitar lhe contar a verdade, por que, até mesmo para mim, era difícil dizer que eu era tão dependente de alguém, com eu era de Edward Cullen. Não por querer ser superior, mas por querer ser um pouco mais normal, mas racional, como geralmente as pessoas eram. Nenhuma garota de dezoito anos amava tanto um cara, como eu amava o Edward. Não era normal, não era comum, não era saudável.
Ninguém mais do que eu, sabia que meu amor pelo vampiro não era saudável, era doente, dependente.
- Tudo bem, - Dean tentou disfarçar o quanto se importava com os meus sentimentos em relação a outro homem. - Eu sei que você pensa nele. - voltou seus olhos para mim, sorrindo, tentando arrancar o clima pesado que nasceu entre nós dois. Seu sorriso não me convenceu, parecendo apenas mais um dos seus sorrisos tristes. -Eu sei como você se sente. Você pensa na pessoa amada o tempo todo, por mais que esteja longe. É como se ela estivesse gravada em sua alma. Por mais que você tente arrancá-la de dentro de você, ela sempre está lá, te lembrando do quanto que é importante.
Suas palavras me tocaram no mesmo momento. Suas doces palavras descreviam todos meus sentimentos. Eu, por mais que lutasse, nunca arrancaria Edward do meu coração, da minha alma. Ele sempre estaria lá, vivo, para me lembrar do quanto era importante, do quando meu mundo necessitava dele.
Nunca pensei que Dean fosse me dizer algo parecido. Não por ser um cafajeste por que isso eu sempre pensei que ele fosse mesmo, e tenho certeza que era -, mas por pensar que ele era tão durão, tão maduro, que nunca tivesse deixado ninguém abrir a porta do seu coração e adentrar. Não me parecia ser uma coisa do tipo que ele estivesse acostumado a fazer. Dean não era o tipo de pessoa que se abria com facilidade. Exatamente ao contrário. Ele preferia guardar seus sentimentos para si mesmo, para evitar demonstrar o quanto era humano e o quanto se importava. Ele preferia cuidar, ao ser cuidado.
Seu cuidado pelo irmão demonstrava isso. Ele cuidava tanto do irmão, que sempre se esquecia de cuidar de si mesmo. Como uma obrigação, ele vivia a vida do irmão, entrelaçada com a dele. Imagino o quanto deveria ser difícil viver como Dean, desde cedo tomando decisões que nenhuma criança deveria tomar. Eu não sabia muito sobre o passado de Dean, mas o pouco que ele havia me contado, deu para perceber o quanto ele já havia sofrido naquele mundo sobrenatural.
- Você teve tê-la a amado muito.- comentei, me aproximando mais do seu corpo imóvel e pensativo, com o olhar distante, perdido. Segurei seu rosto de traços marcantes entre minhas mãos, o fazendo olhar diretamente para mim. Compartilhávamos a mesma dor, de certa forma. Ambos havíamos perdido a pessoa amada. Ambos sabíamos como era torturante aquela dor. Finalmente, eu tinha encontrado alguém que fosse capaz de me entender.
- Jamais se pode ter o que nunca foi seu. - ele sussurrou, como se aquilo fosse diretamente para mim. Suas palavras me fizeram sentir uma sensação estranhamente assustadora. Senti um frio se passar pelo meu corpo, como se algo sombrio o tivesse tocado. Exatamente no mesmo segundo, tive aquela mesma sensação de estar sendo observada. Não por Dean, mas por outra pessoa, um ser que para mim era desconhecido, porém que era envolto nas trevas. - Por mais que eu sempre tivesse a certeza de que ela nunca seria minha, isso não me impediu de tentar. - a voz de Dean voltou a falar, obrigando-me a prestar atenção, esquecendo aquela sensação estranha. Eu me sentia como uma pressa. Como um animal que seria abatido. - Tentei conquistar seu coração, de todas as maneiras possíveis. Até que consegui conquistar seu coração, porém fora apenas um sentimento de amizade direcionado a mim.
- Desculpa, não quis te fazer relembrar coisas ruins. - me desculpei, sentindo-me culpada.
Apertou minha mão, por mais um momento, depois, simplesmente, se afastou, parecendo culpado por algo, como se estar do meu lado, fosse um erro que ele não deveria cometer. Mordeu os lábios, nervosamente, desviando o olhar de mim. O corpo ficou nervoso, seu coração perdeu o controle no peito e ele já não conseguia controlar suas emoções. Me afastei um pouco, sentindo-me incomodada por invadir uma coisa que era tão sua.
- Não é uma coisa ruim. - quebrou o silêncio, enquanto segurava meu braço, impedindo-me de continuar me afastando. Sorriu, simplesmente, fazendo minha confusão crescer.- É melhor irmos, ainda temos que pegar meu irmão.
Concordei, ainda sentindo aquela áurea estranha entre nós. Quando Dean pronunciou aquelas palavras, parecia que alguma coisa dizia-me que eram para mim. Um aviso se formulava em minha cabeça, avisando que era melhor eu ter muito cuidado. Um sentimento estranho brotou em meu coração, fazendo-me sentir medo do que eu enfrentaria pela frente. Minha jornada estava muito longe de terminar, e eu apenas temia o que estava este longo caminho. O desconhecido me assustava, mas não de uma forma que me fazia sentir medo. O que verdadeiramente me causava medo era não ter certeza do que estava acontecendo ao meu redor, diante dos meus olhos. Eu estava sendo, constantemente, observada, desde o dia em que Edward foi embora. Essa nova presença me incomodava, só que, de alguma maneira, eu estava habituada a ela, como se já tivesse vivido isso antes. Um lado da escuridão me fascinava de tão maneira, que eu já não sabia a que ponto poderia me controlar. A cada segundo, eu sentia a escuridão mais perto, e eu não conseguia permanecer a mesma. Parecia que, com a escuridão se aproximando, eu me tornava cada vez mais diferente. Mais sombria. Como se fosse um o outro lado de mim, que até então, eu desconhecia a sua existência. E, algo me dizia, lá no fundo, que esse lado não era nada bom, ele estava envolto das trevas, como se nascesse delas.
Saímos com o carro, alguns minutos depois, enquanto a chuva envolta de nós, apenas aumentava constantemente. Sorri algumas vezes para Dean, com a aparência de estar descontraída, só que tampouco aquele sentimento me abandonava; algo estava acontecendo diante dos meus olhos, porém, eu não era capaz de entender o que era. Voltei meus olhos para o vidro do carro, acompanhando a paisagem que parecia dançar. Foi neste momento, que tive a impressão de ver alguém me encarando, entre as árvores. Seus olhos marrons- avermelhados destacavam-se envolto na escuridão, entre as árvores gigantes. Seu rosto pálido sombrio era moldado por grossas camadas de um cabelo negro brilhante. Seus lábios pálidos esboçaram um leve sorriso, com um simples mover em os cantos da boca, diretamente em minha direção, como se ele tivesse consciência do meu olhar sobre ele.
Por um momento, tive a assombrosa sensação de já ter visto aquela cena se desenrolar diante de mim. Uma escuridão repentina tomou minha visão, por um segundo, deixando-me completamente cega. O segundo passou como longos séculos, enquanto meus olhos pareciam estar perdendo a vida. Milhares de arrepios correram pelo meu corpo, como se eu estivesse coberta por insetos. Olhei apavorada para os lados, voltando a encontrar aqueles olhos marrons- avermelhados. Porém, desta vez, eles estavam dentro da minha cabeça, como um poder invisível. Seus olhos, em um movimento brusco, aproximaram com velocidade de mim, parando á apenas centímetros diante dos meus olhos. No mesmo instante, senti milhares de mãos agarrando-me por todas as partes, puxando-me para baixo.
Então, dei-me conta de onde eu estava: dentro de uma cova. Corpos em desintegração puxavam-me para baixo, agarrando em mim, fortemente; puxando-me cada vez mais para a escuridão. Olhei desesperada para todos os lados, encontrando milhares de rostos desfigurados ao meu redor. Tentei gritar, ficando cada vez mais apavorada, tentando me livrar daqueles monstros que me puxavam para a escuridão. Dei um pulo do banco do carro, voltando para a realidade. Meus olhos ganharam vida, recobrando a visão. Segurei meu pescoço, sentindo uma ardência muito forte vinda dele.
Olhei apavorada para onde aquele homem estava, finalmente, encontrando seu olhar. Suavemente, respirei com pesar, dando-me conta de que aquilo tinha sido apenas a minha imaginação. O homem, como se estivesse consciente do meu olhar, antes que eu pudesse perder seu olhar, ele simplesmente piscou em minha direção. Meu coração parou, enquanto um sentimento de pavor tomava meu corpo, o paralisando.
O nosso olhar congelado foi quebrado, no segundo seguinte, quando o carro continuou seu caminho. Voltei meus olhos para Dean, tentando perceber se ele havia se dado conta do que acabara de acontecer. Acabei encontrando um Dean tranqüilo, cantarolando uma música qualquer, enquanto dirigia seu carro, distraidamente. Ao sentir meu olhar sobre si, Dean voltou seus olhos para mim, sorrindo em seguida.
- Você tirou um bom cochilo, hein. - cantarolou, piscando suavemente.
- Não, eu não dormi Dean.- respondi, lentamente, com certa rebeldia; lembrando-me do que acabara de acontecer; ficando confusa com o que ele me dizia. Eu não tinha dormido, tinha certeza disso.
- ... - ele disse como se me advertisse; com certa confusão também. - Claro que você dormiu.- me contrariou, tentando fazer, o clima que crescia com a sua resposta, se suavizar. Olhei com rebeldia para ele, ficando revoltada com a sua resposta. Ele percebeu, suspirando. E, logo disse: - , você cochilou, é normal acontecer isso, quando se está cansado, da forma que você está. O celebro acaba desligando-se automaticamente, sem a pessoa nem ao menos perceber. Eu vi quando você adormeceu, exatamente há dez minutos, quando ainda estávamos em La Push.
Olhei para a floresta, dando-me conta de que nós já não estávamos em La Push, confirmando o que Dean acabou de me dizer. Senti meu corpo relaxar, voltando a encostar minha cabeça no banco, fechando meus olhos com força. Eu sentia como se não tivesse dormido, tinha certeza disso, porém tudo indicava que sim. Tentei confortar minha mente, dizendo-me que tudo não tinha passado de um pesadelo. Eu ainda podia sentir as mãos sujas daqueles monstros em mim, mas continuei tentando-me dizer que tinha sido um pesadelo.
- Você tem razão Dean. - disse, desculpando-me, voltando meus olhos para ele. - Este cansaço está me deixando confusa. - confessei, tentando dizer aquelas mesmas palavras a mim mesma. - Você me perdoa por ter sido rude com você? - lhe perguntei, arqueando minha sobrancelha.
Suspirou antes de me olhar, apertando o volante contra seus dedos. Voltou seus olhos para mim, sorrindo sem mostrar seus belos dentes reluzentes, apenas esticando seu rosto. Me senti mal pela forma que lhe falei, tentando entender de onde tinha vindo toda aquela raiva, sem motivação alguma. Definitivamente, eu estava perdendo o controle sobre mim.
- Você está cansada. - sussurrou, parecendo estar pensando em uma coisa além do que falávamos. Sorriu naturalmente, dissipando todo nervoso que crescera entre nós. Levou sua mão até a minha, pegando-a com carinho, parecendo tentar me acalmar. Alguma coisa estava acontecendo comigo e Dean parecia saber disso. Tente se acalmar, descansando. - Muitas coisas aconteceram esta noite, coisas que deixariam qualquer um exausto.
- Você tem razão, Dean. Todos os novos acontecimentos acabaram comigo. - finalmente admiti, lembrando-me daquela cansável, pela qual eu tinha passado. - Você acha que a Bella vai ficar bem? - deixei minha preocupação transbordar em meu rosto. - Estou preocupada com ela e a filha.
- Elas vão ficar bem. No momento, tudo o que elas precisam é serem cuidadas por um bom médico, como Carlisle Cullen é. Com ele por perto, tenho certeza que ficarão bem.
- Graças á Deus. - murmurei, cansadamente, voltando a me encostar ao banco de couro, fechando meus olhos, para tentar descarregar um pouco a minha mente. - Por mais que Bella tenha mentido sobre a filha ser do Jacob, não quero vê-la sofrendo. Claro, eu nunca diria isso a ela, mas não posso negar que me preocupo.
- ? perguntou com a voz suave.
- O quê? - abri meus olhos, olhando diretamente para Dean.
Seus olhos transbordavam preocupação, como se quisessem me dizer muito alguma coisa, entretanto, ele não encontrava razões e nem palavras de como contar-me. Esperei, pacientemente, até que em seu rosto mostrasse que alguma decisão foi tomara, então, Dean olhou para mim e disse, como uma voz cautelosa:
- A Bella não mentiu sobre o Jacob ser o pai da Renesmee.- parecia que ele andava por um teto de vidro, com medo que algum se fragmentasse.
- Dean, o quê você está me dizendo?- logo o interroguei, voltando a me sentar corretamente no banco de couro do seu carro. - Bella mesma me disse...
- Ela mentiu. - me interrompeu, cortando minha voz chocada.
- Como? - tentei entender, ficando cada vez mais confusa.
- Bella mentiu para que você ficasse com o Jacob, sem que houvesse nenhum vínculo que o ligasse a ela. - explicou rapidamente, vendo meu rosto ficar cada vez mais chocado. Eu estava preste a negar, a lhe dar outro argumento, porém ele continuou, sendo mais rápido. -, você não viu a criança. Eu a vi, cheguei até a acompanhá-la para a UTI. Não tem como aquela criança não ser filha do Jacob Blake.
- Ela me disse que procurou alguém parecido...
- Claro que ela disse, não tenho dúvida. - me interrompeu novamente, tentando me fazer entender seus argumentos. - A criança é uma loba. Essa é a maior prova, você não acha?
- Ela é uma recém-nascida, como poderia se transformar em loba?
- A primeira pessoa com quem ela teve contato ao sair do ventre da Bella era um vampiro. -explicou por final, fazendo-me finalmente entender. Parecia que eu estava ouvindo em minha mente sons de fichas caindo. - Eu estava lá quando ela, simplesmente, explodiu, no momento em que sua pele teve o mínimo de contado com a pele gelada do Doutor Cullen. Depois, Carlisle tentou me explicar, dizendo que era uma forma dela se defender do inimigo, naturalmente.
- Então, foi por isso que meu sangue foi compatível com o do bebê? - me perguntei, tentando entender melhor aquela história toda. - Eu sou... - engasguei nas palavras, não querendo verdadeiramente pensar ou falar as seguintes palavras. - Eu sou, tecnicamente, a tia do bebê, claro que meu sangue seria compatível. Até mesmo do Jacob seria. O sangue de lobo é mais forte do que qualquer outra coisa. - disse, sem, nem ao menos, me dar conta das palavras que saiam da minha boca; pior, esquecendo de que Dean as escutaria assim que eu as soltasse. Olhei no mesmo instante, desesperada, para a direção de Dean, torcendo para que ele não estivesse prestando atenção nas minhas palavras. Ao encontrar seus olhos, percebi que tinha sido tarde demais...- Dean... - tentei procurar as palavras certas em minha mente, para lhe dizer a verdade, torcendo para não pensar muito aquele assunto doloroso. Simplesmente, as palavras haviam sumido.
- Eu já sabia. - esclareceu, ao perceber que eu procurava uma boa forma para começar a lhe explicar, abrindo e fechando minha boca várias vezes. Fiquei sem palavras, ao me dar conta do que eu acabei de ouvir, exatamente um segundo depois. Logo, venho a magoa de saber que ele sabia da verdade e não tinha me dito nada. - Soube hoje, quando fui te procurar. - disse, antes que eu pudesse dizer qualquer coisa, porém eu já estava lhe lançando um olhar recheado de magoa. - Encontrei sua mãe chorando. Ela me disse o que tinha acontecido; que tinha lhe contado a verdade. - imaginei na minha mente a cena ao se passar, ao perceber que minha mãe também havia ficado arrasada com a nova conversa. Não pude me conter ao lhe dizer coisas que, de certa forma, eu me arrependia.- Me pediu para que eu fosse atrás de você, para evitar que você fizesse qualquer loucura. Sabia que você estaria precisando de consolo, de apoio, por isso fui, sem pensar duas vezes, atrás de você, para te dar qualquer coisa que você precisasse. - seus olhos se encheram de pena, ao continuar, lembrando-se das cenas lamentáveis. - Foi quando te encontrei na escada, chorando muito, prestes a cair. abaixei minha cabeça, envergonhada. - Eu nunca tinha visto uma pessoa tão machucada, como eu vi você, mas cedo. Você estava... - ele parou, tentando encontrar uma palavra que se encaixasse á aquele momento.
- Despedaçada. - o ajudei, voltando meus olhos para o seus.
- ... Eu... , eu lamento muito. - se desculpou, choramingando, com os olhos brilhando pelas lágrimas.
- Eu sei Dean. - tentei reconfortá-lo.- Eu sei que se você pudesse, faria qualquer coisa para mudar o que aconteceu hoje; eu vejo isso em seus olhos agora. Mas... - as palavras simplesmente desapareciam. As lembranças sufocavam-me, quebrando-me ao meio. - Mas a verdade é que foi melhor assim. tentei também acreditar nisso. Se eu nunca tivesse descoberto a verdade, por mais dolorosa que ela seja, eu acabaria me envolvendo com Jacob, de uma forma irreversível. Foi melhor assim. Melhor por ele... de alguma forma, por mais que doesse, eu me sentia grata por saber a verdade. Ao descobrir, eu ganhei o poder, que poderia evitar um grande erro. Foi melhor para o meu irmão, Jacob.
Dean estreitou os olhos, desconfiado, esperando que eu dissesse que aquilo era uma brincadeira, que aquelas palavras não tinham saído da minha boca. Era normal se sentir assim, até por que eu me sentia assim. Nunca cheguei a pensar que eu diria qualquer coisa do tipo, ainda mais do Jacob o mesmo Jacob que sempre fora meu amigo, o pirralho que me irritava; o mesmo que me fez perceber que me completava de alguma forma. O mesmo garoto que me fez entender o sentido da frase estar apaixonada. Eu fui apaixonada por Jacob e isso eu nunca poderia negar. E, com o tempo, essa paixão foi desaparecendo, enquanto Edward apenas adentrava mais ainda em minha vida. Todo amor ou o que se parecia com esse sumiu, dando lugar á um sentimento de ternura. A ternura era tudo o que eu ainda sentia por Jacob, mas agora eu poderia entender por quê. Agora, eu poderia entender por quê o destino insistia tanto em nos separar. Éramos irmãos. Acho que sempre fomos. De alguma forma, Jacob sempre me fez sentir como se fosse sua irmã, apenas nós dois não enxergávamos isso.
- Estou vendo mesmo isso?- ele disse surpreso, olhando-me com os olhos esbugalhados. - Você está começando a aceitar este fato?
- O fato de eu ser irmã do Jacob não me deixa revoltada. - afirmei, olhando-o de lado. - O fato de eu ser filha do Billy Blake, sim. - Dean pareceu não entender, unindo as sobrancelhas, e eu decidi ajudá-lo. - Jacob é especial para mim. E o fato dele ser meu irmão, de uma forma assustadora, não me incomoda nenhum pouco. Não por mim, por que eu realmente me sinto grata por ter um irmão tão maravilhoso quanto ao Jacob. Mas, pelo Jacob, pelas expectativas que ele criava para nós dois, eu me sinto um lixo na verdade. - lembrei-me de como Jacob estava feliz na última vez que nós vemos. Seus olhos brilhavam, seu coração dizia-me a cada instante que ele me queria, como sua. - Jacob já passou por tantas coisas, Dean. - lamentei, pausadamente. - Essa desilusão ele não merecia.
- Eu entendo você. - suspirou. - Nunca tive muito contado com Jacob, mas, pelo pouco que eu pude perceber, vi que ele é um menino sofrido. Infeliz...
- Jacob apostou toda sua felicidade em nós dois. E está felicidade jamais virá.
- Você vai dizer a ele? - Dean, de alguma coisa, se doía por aquilo, exatamente, como eu.
- Dizer que sou sua irmã? - rebati, em um tom irônico, mostrando como aquela pergunta me parecia ser absurda, sorrindo de lado, fracamente. Jamais.
- Então, o que você pensa em fazer? - quis saber, tentando entender o quê se passava em minha cabeça, olhando-me profundamente. - Você não pode fugir para sempre . Algum dia, vocês vão acabar se encontrando.
- Eu, realmente, não sei Dean. - confessei com pensar, voltando meus olhos para a janela, onde a noite escura caía sobre nos. Uma lágrima resistente lutou para ser libertada, enquanto eu, ao máximo, tentava deixar meus pensamentos, simplesmente, desaparecerem. Tudo havia desmoronado. - Eu não sei. – disse a mim mesma, sussurrante, observando meu reflexo no vidro do carro. A lágrima resistente desceu suavemente pelo meu rosto, caminhando lentamente, enquanto eu tentava não pensar nas coisas da minha vida. - Tudo o que eu sei, que é muito pouco, é que eu não podia continuar ali, ainda mais depois de descobrir toda a verdade.
- Eu não estou aqui para julgar ninguém, longe de mim. Mas...- ficou hesitante ao dizer. - Muita coisa poderia ser evitada se você já soubesse que é irmã do Jacob. - o assunto pareceu o deixar constrangido, enquanto ele mordeu seu lábio inferir, lentamente, me fazendo perceber, por um segundo, a consciência da realidade, o olhando pelo reflexo do vidro. - Sua mãe não devia ter deixado as coisas chegarem tão longe.
Suspirei, lamentando por aquela situação com Jacob ter chegado longe demais. Nenhum de nós dois merecíamos o que estava acontecendo. E, pior, o pobre do Jacob, não desconfiava de nada. A possibilidade de eu ser sua irmã, nunca passaria pela sua cabeça. Nunca.
Vendo que eu não diria mais nada, Dean voltou-se para o volante, ligando seu carro, voltando para a estrada, fazendo o carro voltar a caminha velozmente pela noite escura. Meus olhos, presos nele, o observavam pelo reflexo do vidro. Cada movimento que ele fazia, me deixava com uma sensação estranha, como se eu já tivesse visto isso antes; como se eu já estivesse com ele, sozinhos, dentro de um carro, em busca de refugio, em qualquer lugar distante que seja. Pensei mais sobre o assunto, virando um pouco minha cabeça de lado, tentando me concentrar nas minhas memórias, para entender o que verdadeiramente estava se passando comigo. A verdade, é que eu não tinha idéia.
Versão Terceira Pessoa:
Edward foi arrastado pelo local escuro, onde foram gravados seus punhos na terra, em uma tentativa, inútil, de se livrar nas mãos que os prendia. Olhou para cima, encontrando o rosto oculto pelas trevas da noite de Arolin. Olhos nos olhos, tudo o que existia ali era maldade, vingança. Piscou suavemente, pegando Edward pelo pescoço, o levantando até a altura de sua cabeça. Com os olhares conectados, ele sussurrou, aproximando-se do ouvido de Edward:
- Eu estive com ela está noite...
O vento carregou suas palavras para longe, enquanto Edward sentiu seu corpo pesar, ao absorver as palavras de Arolin. A mão forte em seu pescoço, gravou suas garras com violência, lhe arrancando um gemido doloroso.
- Ainda tem a mesma beleza que eu me lembrava. - Arolin continuou, com a voz fria, lembrando-se da sensação de ter os olhos hipnotizantes de nos seus. - Ainda continua sendo a minha Rainha. -declarou com orgulho. Ela está chegando, Edward. - ameaçou, colocando seus lábios no pescoço de Edward, por um segundo, de uma forma monstruosa. - Sinto-a cada vez mais próxima. - levou o dedo indicador da outra mão até o primeiro buraco que suas garras da outra mão abriram no pescoço pálido do vampiro torturado. - E ela vai acabar com você. - sussurrou no seu ouvindo. Em seguida, voltou uma risada maligna, enquanto lançou Edward para o chão, fazendo o mesmo voltar a ficar imóvel, sob seu poder, paralisado no chão de terra frio.
Edward estava indefesso, sentindo várias dores por todo seu corpo, que se concentrava mais em sua garganta. Estava com cede. Muita cede, porém se recusava a se alimentar de qualquer humano, como Arolin queria, logo mais cedo, enquanto matava inúmeras pessoas em sua frente, fazendo questão de deixar o sangue escorrer sobre todo o chão, fazendo Edward sentir cada vez mais cede, mas dores localizada em sua garganta, queimando de dentro para fora. Segurou a garganta com as mãos, tentando aliviar sua dor, desesperado, em agonia. Seus gemidos foram ficando mais profundos, mas urgentes, enquanto sua dor parecia apenas aumentar.
Arolin, aproximou-se com elegância e suavidade, entretanto, com um ar de maldade assombroso. As trevas eram emanadas do seu corpo, radiando para toda parte. Voltou-se, novamente, para Edward, abaixando em sua frente, ficando com os joelhos no chão. Seus cabelos longes e negros, por um instante, cobriram seu lindo rosto mortal, porém, o mesmo tratou de se encarregar deles, os tirando, rapidamente. Voltou sua atenção para algo atrás de si, ficando alerta, paralisado por um instante, concentrado. Não se mexeu nem um milímetro, mas estava preparado para qualquer combate que o surpreendesse. Nada seria vencê-lo, e ele tinha certeza disso. Sorrindo com o canto da boca, esperou até que seu visitante se pronunciasse, paciente.
- Mestre. - a fraca voz de Jane soprou na escuridão. Seu coração já paralisado estava inquieto, por qualquer razão que a mesma não entendida. Por alguma razão, desejava que Edward pudesse, ao menos, se depender. Nunca havia sentido piedade por qualquer pessoa, mas com Edward era diferente. Não era um amor, ou qualquer coisa do tipo. Mas, ela sentia, havia algo que os ligava de alguma forma estranha.
- Minha querida Jane. - Arolin disse ao se levantar. Algo não estava normal, ele sabia; algo em seu interior dizia-o que havia alguma coisa errada acontecendo. Ao se recuperar, mudando sua expressão de desconfiado, voltou-se para Jane, ficando de pé. Ao encontrar a pequena menina, não pode deixar de sorrir. Havia feito um bom trabalho, ao transformá-la.
- A humana está aqui. - sussurrou ela, de volta, com sua voz novamente fraca. Olhou por um segundo, por cima do ombro de seu Mestre, Edward ao chão. Não quis olhar muito, para não provocar desconfiança do mestre, mas, ao confessar para si mesma, ela pôde dizer que sentia pena.
- Veja Edward. - Arolin declarou, olhando para Edward, com falsa alegria. Edward continuou imóvel, apenas olhando para o chão abaixo de si. Apertou os olhos, ao sentir o doce perfume de sangue humano no ar. Não queria voltar a ser um monstro, mas sua dor estava sufocante, estava torturante. Sua humana chegou.
Jane se aproximou, arrastando a humana ao chão, deixando uma trilha de sangue. A cada passo que se aproximava, desejava ter outra escolha de vida, outro futuro. Passou do lado de Arolin, segundo até Edward. Edward apenas queimava ainda mais com a aproximação. Chegando ao seu lado, Jane largou a humana ao lado de Edward, virando-se e caminhando até o lugar onde estava antes, atrás de Arolin.
Edward, ao sentir o corpo quente ao seu lado, virou-se para o outro lado, tampando o nariz com uma mão e fechando os olhos. A aproximação estava muito grande, ele percebeu com pesar, ao continuar sentindo o cheiro de sangue e sua dor a aumentar. Não queria matar, não queria ser um monstro. Ao conhecer Yonah, ela o havia dado outra chance de começar de novo. Ela lhe deu uma nova chance de vida, para que ele pudesse concertar o lado monstruoso que existia dentro de si. Dizer sim ao sangue significava dizer não ao seu amor por .
De volta à versão de :
Dean, depois de mais meia-hora de viagem, estacionou seu reluzente carro preto no velho estacionamento na praça principal de Forks, olhando ansioso para todas as direções, provavelmente procurando seu irmão mais novo. Não demorou muito para que eu irmão aparecesse na frente do carro, voltando-se para a direção do passageiro. Caminhou com rapidez, escondendo sua cabeça em uma blusa, para não se molhar tanto com a chuva que começava a cair sob Forks. Parou por um instante, olhando de relance para trás, comprovando-se de que não estava sendo vigiado por ninguém. Fez uma careta, aparentemente, tentando se convencer que não havia ninguém naquela noite escura.
Quando chegou ao carro, na direção do passageiro, abriu a porta com urgência. Seus olhos voltaram se para mim, ao me encontrarem, um segundo depois.
- O que ela está fazendo aqui? - perguntou surpreso para Dean, o olhando com certo desconforto. Seus olhos voltaram para mim por mais um momento, antes dele fazer uma cara de desagrado. Ele não parecia gostar nada daquela situação em que estávamos.
- Ela vai com a gente. - Dean disse em um tom sério, como se aquilo fosse uma ordem.
Comecei a me sentir desconfortável com aquela situação, pensando em arrumar um jeito de apenas ir embora. Sam não estava nada contente com a minha presença naquele carro, e eu não queria provocar desavenças entre os irmãos. Por qualquer motivo que eu não sabia, Sam fez parecer que aquela viagem pertencia apenas aos dois e eu não estaria no meio disso. Ele não me queria aqui, disso eu tinha certa, mas não conseguia entender porque, já que sempre fomos até pode-se dizer amigos. Ele nunca pareceu estar desconfortável comigo antes. Eu não sabia o que estava acontecendo.
- Dean... - Sam começou a protestar, mas Dean não o deixou continuar.
- Ela vai com a gente, Sammy. Ponto final. - Dean ordenou, olhando para o irmão com ferocidade, fazendo o outro o olhar da mesma forma.
Sam suspirou, passando a mão pelo cabelo longo, olhando para mim. Seu rosto relaxou um pouco, enquanto ele me encarava de alguma forma estranha. Parecia que ele queria me dizer alguma coisa.
- Tudo bem, então. - disse por fim, apertando o maxilar bruscamente. Parecia que ele estava tendo alguma luta interna dentro de si. - Você quem sabe, Dean. - voltou a olhar para o irmão, relaxando sua expressão de dureza.
Coloquei meus braços ao meu redor, me sentindo desconfortável com aquele assunto, afinal, ele era sobre mim. Já não estava mais confortável naquele lugar.
- Entra Sam. Dean ordenou com a sua voz meio rouca pelo nervosismo. - Você vai atrás.
Sam iria começar a dizer qualquer coisa, mas eu entrei no meio primeiro, tentando não provocar mais nenhum desentendimento entre os irmãos.
- Deixa Sam. Eu vou atrás. - logo disse, olhando para ele suavemente, com o olhar de desculpas. Eu não sabia que minha presença seria um incomodo para ele.
Pulei para o banco de trás, com velocidade, dando lugar para o irmão mais novo. Sam não tardou, entrando logo no carro e fechando a porta. Colocou o cinto de segurança e ficou a cara, passando seus braços longos ao seu redor. O ar parecia ficar cada vez mais pesado entre nós.
Dean voltou seus olhos para mim, ignorando o irmão, deixando claro que sua preocupação no momento era eu. Picou de lado para mim, logo sorrindo. Não pude deixar de sorrir de volta, porém ainda estava nervosa com aquela situação que se criou entre nós. Dean, voltando-se para o irmão, também sorriu, fazendo o mesmo a apenas assentir com a cabeça. Ajeitei-me no grande e confortável banco detrás, deixando-me um pouco, me permitindo relaxar por alguns segundo. Minha mente estava cansada demais, como se eu houvesse enfrentado uma guerra mental hoje. Por mais que naquele carro tivesse com um ar pesado, eu ainda me sentia segura ali, como se ali nada pudesse me machucar.
O sono veio de repente, prendendo-me em suas armadilhas negras. Levando-me para um passado distante, doloroso; que me trazia o amargo sabor de saber que Edward nunca mais estaria ao meu lado. Tudo estava exatamente como antes, eu ainda podia sentir seu toque suave sobre minha pele morena, eriçando os pelos do meu corpo. Seu hálito gelado chicoteava contra minha pele, enquanto sua voz invadia aos meus ouvidos; automaticamente, trazendo aquela paz que eu há tanto tempo precisava. Deixei-me ser guiada por aquela amarga e saborosa ilusão, deitando completamente, sem perceber, no banco de trás, como se aquele fosse o corpo frio e acolhedor de Edward. A suave e calma voz de Edward continuou a sussurrar em meus ouvidos, enquanto seus dedos deslizavam em meu rosto, fazendo-me sorrir como jamais sorrira, sussurrando com meus lábios entre abertos, em uma última respiração notada, Edward, eu te amo.
Versão Terceira Pessoa:
Olhando pelo retrovisor, não demorou muito para que Dean percebesse que adormecera no banco de trás, abraçada a si, com um sorriso doce nos lábios rosados. Não pôde também deixar de sorrir, deixando um sorriso de lado brotar em seu rosto, livremente, enquanto ele se concentrava na garota adormecida, por alguns segundos. Analisou cada detalhe do seu corpo delicado e cheio de curvas, pensando em como seria bom tê-la pelo menos uma única vez em sua vida. Com ela, não era uma coisa grotesca, como ao sentimento que ele sentia em relação ao estar com outras mulheres. Com , era muito mais do que simplesmente levar uma mulher para sua cama. Com ela, ele queria muito mais do que isso. Ele não queria tê-la apenas uma vez, ele queria manter isso por todos os dias da sua existência. Se estivesse com ela, ele nunca desejaria acordar sozinho.
- Edward, eu te amo - sussurrou entre os lábios entre abertos.
Como se tivesse levado um soco na cara, Dean voltou seus olhos para a estrada, congelando seu sorriso no rosto. Apertou o volante contra os dedos longos, tentando canalizar o sentimento doloroso que o tomou. Sentiu seu coração se quebrando em inúmeros pedaços, mas continuou firme, deixando seu rosto sério, procurando esquecer o bolo que se formou em sua garganta e as lágrimas que fizeram seus olhos arderem, suavemente, lutando para saírem. Não queria chorar, demonstrando que aquela luta já estava perdida. No fundo, ele ainda tinha um pingo de esperança, que mantinha seu coração batendo, de que desta vez as coisas fossem diferentes. Talvez, só talvez, podia voltar a acreditar que ela o escolheria desta vez.
Sam, que até então estava imóvel no banco do passageiro, com os braços em volta do corpo, também percebeu que adormeceu, ao olhá-la por um pouco mais de dois segundos. Seus olhos escuros ainda continuavam preocupados, enquanto uma leve ruga de preocupação se formava no meio entre suas sobrancelhas. Olhou para Dean, ainda preocupado, tentando arrumar coragem para confrontá-lo.
- Você não devia a ter trazido com você. - começou, com seu tom urgente, voltando a olhar para a movimentação veloz fora do carro, por que no fundo sabia que não tinha coragem dentro de si para olhar nos olhos do seu irmão ao confrontá-lo. Como ninguém, ele conhecia seu irmão e sabia, exatamente, os motivos que o levaram a cometer a loucura que estava fazendo, ao trazê-la com ele.
O silêncio da noite os pareceu engolir, enquanto as potentes rodas do carro giravam sobre o asfalto. Aquela seria, mas uma longa noite de caminhada, e não tinha nada para fazer dela a melhor. Dean, concentrado na estrada, não conseguia acreditar que teria que ter aquela mesma longa conversa com seu irmão. Já tinha deixado claros seus motivos para abandonar a procurava pelo pai, mas o irmão parecia não aceitar. Ele só tinha a lamentar pelo irmão, entretanto, não iria abandonar o seu dever de guardião. Simplesmente não podia. Droga! Será que o irmão não percebia isso?
Percebendo que o irmão continuaria o ignorando, Sam revolveu transformar aquilo em um monólogo, voltando seus olhos para Dean, ficando preocupado, novamente. Seu irmão estava mais pálido do que de costume, mas Sam não pareceu notar a diferença com a pouca iluminação dentro do carro.
- Dean? - começou com receio, com a grossa voz falhando. Não gostava de tocar naquele assunto...
- Dean, irmão, você sabe que eu estou te apoiando em todo esse lance de ser guardião, mas, trazer ela com a gente...- Balançou a cabeça. - Não dá. É perigoso.- tentou alertar o que o irmão tanto já sabia. Dean apenas continuou dirigindo, com seus olhos grudados na estrada, como se não houvesse ninguém ao seu lado.- Não é como se eu não a quisesse aqui. Pelo contrário, eu não tenho nada contra ela. demonstrou que é uma pessoa incrível, cheia de qualidades, mas nem por isso eu posso gostar dela, sabendo que ela te levará a morte. Você é meu irmão, Dean! - não estava mais agüentando o silêncio do irmão. Falar da sua morte, para Dean, era como se não fosse nada e isso lhe dava raiva. Sam, pela primeira vez, teve vontade de socar o irmão. Queria bater nele, até que ele criasse um pouco de juízo naquela cabeça.
- Quando eu concordei em vir para Forks com você, concordamos que você ficaria distante dela, que cuidaria apenas de longe, sem que ela soubesse da sua existência. Você prometeu Dean! - as palavras saíram recheadas de mágoa. No fundo, sabia que nunca poderia esquecer a promessa que o irmão lhe havia feito na noite em que eles decidiram ir para Forks, com o suposto motivo de caçar um vampiro. - Você disse que não a conheceria. Você prometeu que ela nunca saberia de você, que você não iria querer fazer parte da vida dela.
- Quê graça nisso isso teria? - questionou Dean, sorrindo ironicamente, quase para si mesmo, esquecendo seu irmão, dando um sorrisinho de lado.
A vontade de socar o irmão ficou maior, mas se prontificou em apenas continuar falando:
- Se eu pudesse ter certeza que você não morreria em vão, talvez, só talvez, eu disse; eu poderia te ajudar nisso. Poderia seguir com você, enfrentando o que está por vim, mas não... - negou com a cabeça. - Não posso, porque, com isso, vou me sentir como se estivesse contribuindo para a sua morte. Este é um fardo que eu não posso carregar. Não depois da Jess...
O tom cheio de dor chamou a atenção do irmão, o fazendo voltar seus olhos para a sua direção. Sabia que aquele ainda era um assunto que o machucaria, mas tinha pensado que o irmão tinha começado a esquecer sua falecida noiva; deixando para trás aquilo que o prendia acorrentado no passado. Aquilo era como se fossem memórias do passado, que acorrentava a todos. Balançou a cabeça, se recusando a aceitar que seu irmão continuaria sofrendo em silêncio. Queria curar sua dor, assim como queria curar a sua própria, mas... Agora existia . As dores dela estavam por toda parte, Dean podia sentir, como se fosse a sua própria dor. O laço que o ligava a era forte demais, doloroso demais, o fazendo esquecer, até mesmo do seu protegido irmão. Os sentimentos Dela eram os Dele, agora; não haveria nada que pudesse mudar isso. Infelizmente, nem mesmo seu irmão, confessou para si mesmo em pensamento, com pesar.
- Por mais que ela seja uma pessoa boa, existe uma coisa dentro dela que não é.- continuou Sam, deixando os pensamentos dolorosos da sua memória misturarem ao momento. - Você sabe que, por mais que ela tente derrotar está escuridão, ela jamais será capaz de fazer com que isso suma. Sempre existira uma parte dela que irradia escuridão.
- Isto está piorando, Sammy. Dean confessou para si mesmo, entrando de vez na conversa. Olhou para seu irmão, com o olhar recheado de lamento, mas não com arrependimento, que tanto seu irmão queria encontrar. - Cada segundo se que passa, posso sentir a escuridão ficar mais forte, com as garras mais cravadas na alma dela.
- Por isso que você tem que se manter longe. Você sabe que isso vai te afetar também. - respondeu sem pensar se isso machucaria ou não Dean.
- Eu sei. - as palavras de confirmação eram amargas em sua boca. Fechou os olhos por um momento, se concentrando na força invisível que o puxava para . A escuridão aumentava assustadoramente quando ela estava dormindo, como se quase estivesse liberta completamente. já não era mais a mesma. - Mas... Tenho que salvá-la.
- Primeiro você tem que se salvar. - alertou Sam, como um aviso, estreitando as grossas sobrancelhas negras. - Você não pode salvar ninguém se você... - Sua voz falhou bruscamente. Se você estiver morto.
- As coisas serão diferentes.
- Você já sabe como isso termina. - hesitou Sam, ao falar, não escutando as últimas palavras do irmão mais velho. - Não sabe?
Os olhos se Dean desviaram-se da direção dos seus, demonstrando apenas sentir medo do que eles teriam que enfrentar. Queria parecer ser forte, como sempre havia feito por toda sua vida. Porém, as coisas já não eram as mesmas; ele já não era mais o mesmo. Não depois de .
- Não quero te ver sofrendo de novo por uma garota. - Sam disse como se aquilo fosse a última arma que portasse consigo. Olhou para Dean, para poder comprovar que o mesmo estava prestando atenção em suas palavras. Não encontrou os olhos de Dean, mas sabia, no fundo, que aquele assunto ainda lhe trazia más lembranças. Sam sabia que Dean não gostava que aquele assunto fosse citado. Sua noiva já não fazia parte desta sua nova vida. Ele havia decidido isso quando a deixou naquela igreja, poucos segundos depois de lhe dizer que a amava.
- Ela não é qualquer garota, Sam.- Dean xingou, com fúria, mas no fundo, apenas estava com raiva daquilo ainda o deixar abalado. - Com ela é diferente. E você sabe.
- Exatamente, com ela é diferente. - Sam concordou, com a voz sussurrante, ironicamente, olhando torto para seu irmão mais velho, que agora apenas lhe parecia um idiota, no momento. - Você pode ter qualquer mulher que você quiser, menos essa. Quando você vai cansar de lutar por uma mulher que jamais poderá ser sua? - as palavras foram como espinhos na direção de Dean, em seus olhos estavam escrito que aquilo havia o magoado, mas ele não tocaria no assunto. Não importava.
- Não importa.- retrucou Dean, entre dentes, com fúria para o irmão; sabendo que para ele aquilo não era uma verdade. Droga! Ele se importava! Segurou o volante com mais força, para não voar em cima do irmão, pelas coisas que dizia. - A questão aqui não é ela ser minha ou não. A questão é protegê-la, no momento em que ninguém além de mim pode.
- Cada segundo que você passa do lado dela, você fica mais amarrado a ela. - disse como se aquelas palavras fossem palavrões. No fundo, sabia que a garota não tinha culpa, só que nem por isso podia deixar de culpá-la por sua vida estar tomando nossos caminhos. Seu irmão estava preferindo ficar do lado de uma loba um monstro do que do lado do seu próprio irmão. Pior, a mesma loba, o mesmo monstro que lhe daria de presente a morte. - Você não pode negar.
- Não estou negando nada, garoto.- respondeu Dean com grosseria, olhando para o irmão com fúria. - Só não vou deixá-la aqui para morrer.
- Mas ela vai morrer de qualquer jeito, Dean. - Sam disse com indelicadeza, sem hesitar, não se importando nenhum pouco com a pessoa que estava sendo envolvida ali, tampouco com sua vida.
Dean olhou para Sam furioso, não conseguiu controlar sua raiva, lançando um soco no lado esquerdo do rosto irmão. Não permitiria que Sam se referisse à vida de , ainda mais daquela mesma maneira, como se não valesse nada, como se fosse um lixo qualquer. Ele estava furioso, ainda sim, também estava chateado. Ele apenas queria que seu irmão o entendesse. Ele estava errado, porém, mesmo Sam estando errado, quantas vezes ele ficou ao seu lado? Muitas. Tantas que ele já perdera a conta. Então, por que, o irmão, simplesmente não poderia fazer o mesmo? Era pedir muito? Claro que não era, sabia disso. E, exatamente por isso, estava revoltado. E com raiva... Com muita raiva.
- Não vou permitir que você fale da assim. - disse entre dentes, voando em cima do irmão, o socando mais uma vez. - Juro que esqueço que você é meu irmão, Samuel. - lhe lançou outro soco, porém o irmão conseguiu se esquivar.
- Você faria isso, Dean?- Sam respondeu, segurando os ombros do irmão, o impedindo de feri-lo mais uma vez. - Você esqueceria por essa... - engoliu o desejo de xingá-la. - Por essa mulher? - não conseguiu esconder seu desejo, dizendo mulher como se a palavra fosse imunda.
- Sam... Dean grunhiu, olhando mais furioso para o irmão, o avisando que sua paciência havia terminado, segundos antes.
O irmão mais novo leu o aviso no olhar recheado de fúria do irmão, mudando suas atitudes no mesmo momento, percebendo que Dean não deixaria de defender , nem mesmo por ele. Por um lado, esquecendo que se tratava do seu irmão, ele até seria capaz de entender o que seu irmão estava fazendo ele mesmo faria o mesmo , mas não podia esquecer o precioso detalhe que era o seu irmão ali. Mesmo querendo, não podia deixar de culpar por tudo de ruim que estava acontecendo. Tudo era culpa dela, mesmo que ela não soubesse disso.
- Faça como você quiser. - disse Sam com desprezo, empurrando o irmão. - Não vou mais me meter nisso. Faça como quiser. - não olhou para o irmão ao continuar, estava magoado demais para isso. Só que não vou com vocês.
Dean, saindo de cima do irmão, voltando para o banco do motorista, voltou a religar o carro, o qual havia morrido por abruptamente não ser mais dirigido. Fechou os olhos com força, se concentrando em não deixar suas emoções serem transmitidas em sua face. Não queria deixar o irmão partir; e por outro lado, não poderia impedir o mesmo de deixá-lo.
- Faça como quiser. - repetiu as últimas palavras que seu irmão lhe disse, ainda pouco, com desprezo, sentindo o gosto amargos delas; como se não se importasse.- Estamos indo para Las Vegas, mas ou menos umas vinte e duas horas daqui. Claro, se tivermos sorte em não encontrar um imprevisto pela frente. Tem alguma coisa acontecendo lá. Uma coisa grande.
- Você tem idéia do que pode ser?
- Ainda não. - o respondeu. - Mas sei que não é uma coisa que estamos acostumados a encontrar. Acho que Arolin tem alguma coisa com isso, mas não tenho certeza. Ele também não se envolveria nisso diretamente. Não é todos os dias que vemos vampiros e demônios no mesmo circulo de amizades. sorriu ironicamente. E Arolin não se encaixa em nenhuma dessas espécies. Não se encontra Imortais em qualquer esquina por ai.
- Você acha que Arolin pode estar em Las Vegas? - Sam quis saber, se preocupando com a segurança do irmão, mesmo ainda estando magoado com o mesmo, por o ter socado.
- Tenho certeza que não. - respondeu Dean contra sua vontade, não querendo envolver mais o irmão nesse assunto. - Se ele estivesse, Las Vegas seria o último lugar do mundo que eu levaria a . - olhou de relance para ver a garota deitada no banco de trás, para se certificar de que a mesma estava em segurança. - Arolin está vindo para Forks, ou pode até mesmo já estar aqui. Depois que ele capturou Edward, Forks não é mais segura. Por isso revolvi trazê-la comigo. Não posso deixar que Arolin coloque suas garras imundas na . Isso destruiria sua alma.
Sam resolveu não responder, já que seu maior desejo era arrancar Clearwater de seu caminho de uma vez por todas. Olhou para a garota que se trazia ódio, sentindo até mesmo um pouco de pena. Ela parecia tão fraca naquele momento, quase como se fosse uma criança. Seus traços delicados demonstravam o pavor que provavelmente ela deveria estar sentindo.
Dean havia comentado que em sonhos Arolin poderia tocar em , como se realmente fosse real. A mesma deveria estar tendo um sonho nada agradável. Sam sorriu, não podendo se conter. Não podia negar que gostava da idéia de ver torturada por Arolin, até que sua alma se rompesse. E, desta vez, ele cuidaria para que fosse para sempre. seria destruída, mesmo que para isso ele tivesse que se meter nisso. Clearwater será destruída, prometeu a si mesmo. Ele não hesitaria ao ser o caçador desta história, caçando o monstro e o matando, da maneira mais dolorosa possível. Mesmo que para isso ele tivesse que matá-la, Clearwater seria morta.
Capítulo 26: Um novo Caçador – Parte Dois
Jacob Blake correu entre as árvores negras, sob o céu escuro chuvoso, transformando-se em um gigante lobo marrom-avermelhado. Suas emoções fugiam do controle cada vez mais, enquanto sua mente vagava agora pela sua memória ferida. Seu peito uivou de dor, tentando aliviar toda a dor que tomava todo o seu ser. Olhou ferozmente para o céu negro, tendo consciência que estava caindo gotas de chuva por todo seu pêlo, misturando-se com suas inúmeras lágrimas de dor, escorrendo pelo seu rosto. No fundo de sua alma, ele se perguntava por que estava merecendo tanta dor. Sempre havia procurado ser um bom garoto, mas nem mesmo isso tinha sido capaz de mudar seu doloroso destino. Ele estava condenado ao sofrimento. Condenado a ficar sem ela; a mesma que sempre foi o amor da sua vida; a força que o mantinha preso naquele lugar.
Chorou alto, pondo suas grandes patas avermelhadas para correr, como se fazer aquilo fosse capaz de melhorar sua dor. Afundou suas patas com força contra a terra, fincando suas poderosas garras no chão, uivando mais uma vez alto, com toda força que pôde encontrar dentro de si, voltando seus olhos para o céu negro, pelo qual ele procurava respostas. Ele tinha que libertar de alguma forma toda aquela dor que estava o matando aos poucos, o comprimindo, o torturando cada dia mais e mais. Se deixou cair no chão, perdendo as forças para continuar lutando para se manter de pé. Tudo o que ele queria era saber por que aquilo estava acontecendo com ele; por que era merecedor de tamanha crueldade do destino.
“Jacob volte.” – a voz de Sam adentrou em sua mente, enquanto as imagens que Sam via misturava-se com as suas, confundindo por alguns segundos sua cabeça, perdendo um pouco de consciência de onde realmente estava e de quem realmente era. Por pequeno segundo, deixou a mente de Sam Uley ser a sua. Aquilo aliviou sua dor um pouco, mas logo o amor por o arrastou para seu próprio mundo.
Não teve forças para responder, deixando apenas sua mente viajar pelas memórias que ele tanto queria esquecer naquele momento. Será que Deus o havia condenado? Continuou se perguntando em meio a lamentações. Aquilo realmente era real? Estava acontecendo? Então porque era tão doloroso para acreditar? Por que era tão doloroso amar Clearwater? Por que seu coração se recusava tanto ao deixá-la partir? Por que tinha que ser tão doloroso abrir mão daquele amor? Por quê! Por que ele simplesmente não a deixava?
Balançou a cabeça com brutalidade, se recusando a deixar de lutar pela pessoa mais importante que já havia passado pela sua vida. Ele não podia deixá-la, era simplesmente assim que as coisas eram. Todo seu amor era o bastante para o manter lutando por ela. Ele não a abandonaria, nem que para isso ele tivesse que engolir seu orgulho e correr atrás dela como um louco; exatamente como estava fazendo agora. Se levantou, voltando a correr pela direção que viu o carro preto seguir. Continuou correndo do lado da estrada, entre as árvores, tentando não chamar atenção de nenhum humano. Já tinha problemas suficientes, pensou ironicamente.
“Jacob volte!” – a grossa voz de Sam rugiu mais uma vez em sua mente como um tigre feroz, fazendo-o parar de correr, o paralisado com o comando de alfa natural dele.
“Não!” – gritou em pensamento, com a força do seu amor, voltando a balançar sua cabeça com brutalidade, se recusando a parar de seguir a trilha fresca que sua amada havia deixado.
“Você não pode ir atrás dela.” – Sam continuou cauteloso, cheio de medo de voltar a magoar Jacob, tocando novamente em suas frescas feridas reabertas. “Você viu o que aconteceu pela memória do Seath. Ela não foi obrigada a ir embora de Forks, Jacob. O caçador nem ao menos a estava obrigando a fazer qualquer coisa.” – Sam procurou soltar as palavras rápido, para não sentir o amargo sabor do que saia pela sua boca, não querendo magoar Jacob com o poderoso significado de cada silaba. Realmente não queria voltar a tocar no assunto, mas deixar Jacob partir, atrás de uma luta perdida, não estava nos seus planos agora. Não era por ele, mas sim por Jacob, que não merecia mais essa humilhação. “Quando ela o beijou, não estava sendo obrigada.”
“Chega!” – interrompeu Jacob, não querendo voltar a escutar aquelas palavras novamente. “Você não tem nada haver com a droga da minha vida!” – continuou, se recusando a acreditar no que estava acontecendo.
“Ela partiu Jacob.” – Sam disse, sentindo pena do garoto, não querendo realmente falar aquelas palavras. “Seath disse que ela deixou um bilhete na velha casa dos Clearwater, dizendo que estava indo embora e que não voltaria.”
“Não importa o que você diga, eu vou atrás dela.” – respondeu Jacob, voltando a correr, ganhando cada vez mais velocidade.
“Entenda garoto, ela não era para você.” – Sam continuou tentando consolar Jacob, correndo em sua direção o mais rápido que podia, querendo impedir que o garoto cometesse uma burrada ainda maior indo atrás da . “Se o destino insistia tanto em separá-los é por que ela nunca foi para você”
“Não é você quem tem que me dizer isso. É ela.” – respondeu Jacob em um assovio de fúria, não admitindo que Sam, por mais que fosse o alfa, se metesse naquele assunto tão particular. “Não vou permitir que aquele Caçadorzinho se meta a besta com ela! – quase latiu, lembrando-se da cena que havia visto pelos olhos do lobo mais novo, Seath, o mesmo que era o primo da sua amada. Não poderia ser verdade. Ele não queria acreditar nisso. não podia estar realmente beijando aquele canalha. Não depois de as coisas já estarem resolvidas entre Jacob e ela. Jacob continuava tentando se convencer de que aquilo não era real. “ nunca faria isso.” – protestou, se lembrando de cada detalhe, com nojo, travando os dentes um contra os outros, enchendo-se de fúria.
“A já não é mais a mesma.” – Sam tentou esclarecer com poucas palavras. “Desde que ela se transformou em loba, ela ganhou fardos demais.” – sentiu pena da garota, pois ele era o único que ainda sabia a verdade. “Ela já não é mais aquela menina que você amou. Agora, entenda que ela é outra pessoa. O oposto do que ela sempre foi.” – enquanto dizia bloqueou seus pensamentos, para que Jacob não fosse capaz de captar nenhum deles, deixando apenas sua voz de alfa soar nos pensamentos do jovem desnorteado, que ele tanto queria poder ajudar. “Sua jamais vai volta.” – disse com pesar, sentindo a dor de Jacob em sua própria pele, tomando todo seu coração, como se aquela também fosse sua dor. “Sinto muito.”
“ Não sinta. “ – Jacob se recusou a aceitar qualquer lamentação que não fosse vinda dele mesmo; aquilo já era humilhação o suficiente. “Ainda não está terminado.” – concluiu para si mesmo, correndo com mais vigor, gravando com gosto suas garras gigantes na terra molhada.
“Você não pode partir, Jacob.” – Sam respondeu de imediato, sentindo os sentimentos de Jacob praticamente o massacrarem. “Você não pode quebrar minha ordem, garoto. “ – resolveu usar outra arma para impedir Jacob de partir, o fazendo cometer mais uma de suas loucuras. “Sou o macho alfa e você não pode fazer nada quanto a isso.” – ao se pronunciar, sua voz ganhou grandeza.
“Não me ordene.” – Jacob parou de correr, voltando-se para Sam, que estava a pouco mais de vinte metros atrás de si. “Você sabe que eu não posso deixá-la partir mais uma vez.” – quase implorou, fechando os olhos para não demonstrar sua dor.
“Sinto muito, garoto.” – Sam disse ainda correndo, aproximando-se de Jacob. Ele realmente não queria fazer aquilo, ao obrigar com a ordem de alfa Jacob ficar em Forks, mas seu coração não poderia fazer ao contrario. As coisas já tinham saído muito do controle, mal dava para controlar os desaparecimentos de Forks, quando mais Jacob saindo para procurar ; que, sem dúvida nenhuma, tinha ido embora por sua própria vontade. “Como o Alfa da matilha, eu ordeno que você fique.” – Sam ordenou, com sua voz autoritária, com a mesma ganhando cada vez mais força.
Jacob abaixou a cabeça, sentindo todo seu corpo pesar em, somente, pensar em fazer o oposto do que seu alfa ordenava. Suspirou derrotado, sentindo seu coração se quebrar com a possibilidade de não ir atrás da . Uma lágrima silenciosa rolou pelo seu rosto, enquanto o mesmo tentava esconder suas emoções mais dolorosas. Voltou-se para a estrada que tanto o convidava, a olhando pela última vez, tendo certeza de que não poderia voltar a seguir a trilha fresca de . Olhou para Sam no segundo seguinte, deixando seu coração se quebrar, sem ter qualquer coisa que fosse capaz de mudar isso.
O lobo negro se aproximou, parando de correr, lançando um olhar de aviso para cima de Jacob. Jacob assentiu, mesmo contra sua vontade, sentindo o comando de alfa prendendo seu corpo inteiro a prisão que Sam construiu. O lobo negro voltou a se virar, novamente para a direção de La Push, voltando a correr, em direção a reserva. Jacob observou por alguns segundos, sentindo o desejo de voltar a correr para a direção oposta ao que o lobo preto tomara. Suspirou, sentindo o peso cada vez mais desconfortável sobre suas costas, cedendo ao comando de alfa, correndo atrás de Sam, voltando para a reserva, deixando a trilha que deixara apenas no seu pensamento, deixando-a completamente para trás.
Ben Clearwater pegou seu casaco marrom em cima da mesa da cozinha, voltando a encarar seu sobrinho sobre o ombro, que agora estava bem atrás de si, o encarando com preocupação estampada nos olhos negros.
– Você tem certeza que viu a direção para onde ela foi Seath? – perguntou pela segunda vez, olhando o papel amassado em uma de suas mãos, com nervosismo.
– Claro que eu vi. – o menino o respondeu, balançando a cabeça paciente, não se importando de já ter escutado aquela mesma pergunta muitas vezes naqueles últimos minutos. – Sei exatamente a direção e a estrada que aquele carro tomou. Do mesmo jeito que expliquei ao Jacob, posso explicar para o senhor, Tio Ben.
– Tudo bem garoto. – Ben resolveu aceitar a ajuda do sobrinho, sem ter nenhuma outra alternativa em sua mente. Tudo o que ele queria era encontrar a sua filha e mantê-la em segurança. Seu coração estava inquieto, como se pressentisse que alguma coisa muito ruim estava prestes a acontecer. Precisava encontrar e a mantê-la em seus braços, até que tudo ficasse em segurança novamente. – Então vamos. – ordenou indo em direção á porta.
Ultrapassou a porta no segundo seguinte, encontrando seu outro filho na varanda de sua casa, com a expressão pesada no rosto moreno.
– O quê está acontecendo pai? – perguntou no segundo seguinte, olhando para seu primo logo atrás de seu pai. – A reserva está um caos. – continuou acrescentando, se lembrando das pessoas que viu saindo correndo apouco.
– Sua irmã foi embora. – respondeu seu pai, não pensando muito nas palavras que saiam de sua boca.
– Como assim? - respondeu perdido, logo se preocupando.
– Deixou isto. - disse estendendo o bilhete amassado de suas mãos para seu filho; o mesmo logo pegou, lendo em um segundo o que a elegante letra de sua irmã dizia; ficando com a expressão cada vez mais séria.
– Não pode ser. - comentou para si mesmo, ao terminar de ler.
– Eu a vi indo embora com o caçador mais velho. – Seath logo disse, resolvendo não acrescentar a parte que ele havia visto sua prima beijando o caçador mais velho. – Foram em direção a saída de La Push, indo para Forks. Tenho fortes conhecimentos de que ela já não está em Forks, também.
– Estou indo atrás dela. Seath me explicou a direção que ela tomou.
– Vou com vocês então. – Erickk logo respondeu.
– Vamos. - seu pai respondeu, descendo o pequeno lance de escadas que terminavam sua varanda. Voltou-se para seu sobrinho, se preocupando novamente, vendo que o mesmo logo já estava atrás de si. – Você fica Seath. - o garoto logo resolveu protestar, mas seu tio não lhe deu tempo. – Já tem gente demais saindo de Forks esta noite.
– Mestre. – as palavras saíram pesada dos lábios mortos de Jane enquanto a mesma pousava sobre uma árvore, silenciosamente. Logo se virou para Arolin, prendendo sua atenção. Arolin se levantou do solo em um movimento brusco, voltando seus olhos para Jane, ficando paralisado, esperando a mesma tomar qualquer atitude; algo lhe dizia que as notícias não eram boas. – Não sou portadora de boas notícias. – sussurrou hesitante.
– Diga Jane. – a encorajou, com sua voz soando cada vez mais fria, a encarando com mais intensidade, quase a fazendo queimar sob a força de seu olhar.
– Clearwater deixou a cidade esta noite. – soprou suas palavras contra o vento, com medo do que a notícia poderia provocar em seu Mestre.
Suas palavras foram, nem ao menos, terminadas de serem pronunciadas por seus lábios congelados para que Jane sentisse mãos fortes envolverem seu pescoço fino, destruidoramente. Suas palavras foram o suficiente para despertarem a tormenta dentro de Arolin, o deixando cego de ódio. Suas mãos agarraram o pequeno pescoço de Jane, encontrando ali um objeto para canalizar todo seu ódio.
– Diga, novamente. – sugeriu entre dentes, erguendo Jane pelo pescoço. Sua visão se tornou apenas um mar de escuridão, enquanto ele tentava deixar seus pensamentos claros, porém era impossível, já que seu maior desejo era saber o que tinha acontecido com A Sua Rainha. Jane suspirou indefesa como uma criança, sentindo cada vez mais as mãos que feriam seu pescoço. Fechou seus olhos com força, perdendo o ar, mas não era aquilo que a paralisava, afinal já não era humana. O que congelava seus membros era o medo que emanava de Arolin para ela, a fazendo recordar o tempo que era apenas uma criança humana, perdida pelo mundo, sem saber de onde vinha, para onde iria. Ao encontrar-se com Felix, sua curta vida fora destruída, mas não conseguia recordar o rosto da mulher que era sua protetora. Apenas sabia que aquela mulher já não vivia, lembrava-se claramente de ouvir Arolin e Felix conversando sobre isso há uma décadas atrás, quando ainda era uma recém-criada. – Diga novamente, Jane. – Arolin exigiu, não se conformando com o silêncio da criatura entre suas mãos. Ela, tão parecida com seu pai, o deixava ainda mais com raiva, louco de ódio. Ali, ele a culpava por ter perdido sua Rainha.
– Yonah conseguiu escapar, Mestre. – Jane se viu obrigada a sussurrar, sem fôlego, de uma só vez.
– Felix? – Arolin sussurrou, recuperando um pouco da sua visão, gamando consciência de que não adiantaria em nada acabar com aquela criatura. Ela ainda seria muito importante em seus planos futuros, quando finalmente mataria Edward por toda eternidade. No momento, tanto Edward, quanto Jane, estavam em seus planos futuros, para que ele conseguisse trazer sua Rainha de uma vez por todas das trevas.
Uma figura negra se aproximou com o vento, aparecendo logo atrás de Arolin e Jane, olhando-os curiosamente. Retirou o capuz negro da cabeça, deixando a mostra seu belo rosto vampiresco, com seus grandes olhos de sangue. Logo disse:
– Sim, Meu Mestre. – se prostrou na frente de Arolin, fazendo uma elegante reverencia. – Estou aqui para servi-lo.
– É verdade o que esta criatura me disse? – perguntou lançando por um momento um olhar cheio de ódio ao se referir a Jane. – Clearwater saiu da cidade?
– Infelizmente, Meu Mestre. – respondeu levantando sua cabeça, para poder melhor olhar para Arolin. – Acabo de confirmar que Dean a tirou da cidade, logo ao saber que Edward está em nossas mãos. Ele não é um tolo como o apaixonadinho ali – lançou um pequeno olhar para Edward, que estava no chão, indefeso como uma criança – , nunca deixaria sua Rainha como uma presa fácil em nossas mãos.
– Pode encontrá-la?
– Infelizmente não, Meu Mestre. – respondeu brevemente. – Eu só posso rastrear Edward e como Edward não está com ela, como ao das outras vezes, não posso encontrá-la. Não podemos saber onde ela está neste presente momento. Só posso encontrar um outro guardião, mas Dean fez um bom trabalho ao conseguir escapar dos meus poderes durante esses anos. Ele não é como Edward, que posso encontrar facilmente. Dean não é um guardião vampiro, suspeito que seja este o motivo por eu não conseguir encontrá-lo. Durante todos esses anos o procurando, nunca consegui identificá-lo. Só encontramos por que Edward a encontrou primeiro, mas não acho que tenha sido pela vontade própria dele, também. Ele e são ligados, uma hora ou outra eles acabariam se encontrando. O destino insiste em colocá-los no mesmo lugar. Isso é uma arma que nos favorece, Mestre.
– Não estou preocupado com arma alguma. – respondeu Arolin, voltando seus olhos para Felix, que agora só o encarava com medo. As vezes se perguntava se havia feito certo ao transformar Arolin. Aquele momento, era um dos raros que ele simplesmente não conseguia acreditar em seu protetor. Aquele era um dos poucos momentos que ele já não sabia o que era certo. – Quero que você a traga de volta. Custe o que custar, a trava para mim! – gritou com raiva, lançando Jane no chão, com toda força, fazendo a mesma apenas arfar de dor no chão, ao lado de Edward, que estava inconsciente, amarrado aos poderes de Arolin, agonizante de dor, em prantos de tortura.
Jane se perguntava naquele momento por que continuava fraca como era, mesmo depois de não ser mais uma simples humana. Também se perguntou por que seu coração a obrigava a ficar segundo com Arolin, mesmo sabendo que aquilo já não parecia ser certo. Arolin estava louco, havia perdido o juízo, ao dedicar sua existência para trazer sua Rainha Das Trevas de volta, a qual nunca havia se importado tampouco com ele. Tudo parecia injusto, já que Jane sempre esteve ao lado de seu criador, e o mesmo apenas se importava com uma mulher que jamais o amaria. Ela, por outro lado, o amava. Lhe entregava o coração todos os dias, mas ele simplesmente não parecia se importar com o que acontecia com seu coração. Ele sempre esteve em suas mãos, mas o mesmo apenas desejava e insistia em apenas maltratá-lo. Sentiu uma lágrima escorrer por seu rosto gélido, lembrando-se de que aquilo era apenas uma lembrança da humana fraca que um dia havia sido. Por dentro, chorava em lágrimas de sangue; por fora, continuava o corpo morto que jamais voltaria a chorar.
Arolin caminhou até Felix, o encarando cada vez mais assustadoramente, com seus olhos recheados de ódio, culpando qualquer coisa em sua frente por todo seu plano estar saindo do seu controle; por ele, nem ao menos fazer alguma coisa.
– Clearwater vai voltar pra mim. – Afirmou Arolin transformado pela raiva, contorcendo todo seu rosto, com a vontade de destruir qualquer coisa que estivesse em sua frente. – Clearwater não vai conseguir escapar de mim. Ela ainda vai voltar a ser minha, nem que para isso eu tenha que matá-la.
Transtornado pela raiva, correu em direção a escuridão da noite, voando por entre as árvores, voltando para a estrada onde a vira pela última vez, com seu coração corrompido pela dor de perdê-la. Seu amor doentio o impedia de pensar em qualquer outra coisa, enquanto em seu interior ele tramava um plano para a trazer de volta. Ele a obrigaria a retornar para Forks, nem que para isso tivesse que destruir tudo o que ela amava naquela cidade. Ela escolheu deixá-los, agora teria que arcar com as conseqüências de perdê-los para a morte.
Erick continuou dirigindo seu potente carro azul- escuro, acelerando com toda sua força, tentando encontrar qualquer rastro do cheiro da irmã.
– Erick? – Anne o chamou preocupado, sentada no banco do passageiro, o olhando com tamanha preocupação que parecia sufocá-la. Conhecia seu noivo como ninguém, sabia que ele estava prestes a ter um ataque de nevorsismo. Suas mãos morenas já começavam a tremerem, quanto seus dedos fortes ameaçavam a destruir o volante. – Erick, calma. Vamos encontrá-la. – tentou acalmá-lo novamente, mesmo sabendo que aquilo se tornaria uma missão impossível. – Vamos trazer sua irmã de volta.
– Você não entende Anne. – respondeu rispidamente, se esquecendo de que era sua noiva ali, que estava do seu lado.
Anne se encolheu no banco, se magoando com as palavras grossas do noivo. Ele nunca tinha dirigido palavras tão duras para ela, nem mesmo quando se tornou uma criatura da noite, cheia de pêlos. Ela nunca havia se importado com nada, além de sempre estar com ele, independente de qualquer coisa, mas suas palavras fizeram algo se romper dentro do seu coração.
– Não fale assim com ela, Erick. – Ben entrou na conversa, percebendo o quanto as palavras do seu filho pareciam duras. Se sentiu no direito de defender Anne, já que sempre a viu estar do lado do seu filho, tanto das horas boas quanto nas más. Não permitiria que ele a tratasse daquela maneira. Nenhuma mulher merecia tal coisa. – Ela não tem culpa de sua irmã resolver nos deixar.
– Você não entende de nada Pai. – respondeu com a mesma grosseria. Não queria dizer que aquilo tudo o estava matando por dentro, já que ele nunca havia feito nada para defender sua irmã. Ele que deveria a estar protegendo das duras coisas que a vida a estava lhe dando, mas ele tinha sido egoísta demais para deixar seu mundinho e cair na real. Nunca irmã nunca havia ficado bem. E ele havia tentado se convencer disso para não precisar deixar seu mundo de sonhos. Ele havia sido egoísta. – Eu devia a ter protegido quando ninguém mais o fez. – choramingou, com a voz embargada, chegando seus olhos, se sentindo profundamente culpado.
– Do que você está falando, Erick? – se sentindo fora da história por alguns instantes. Sentiu que havia mais significados daquelas palavras do filho do que ele poderia imaginar.
– Você não pode entender, pai. – Erick disse, lamentando-se. – ficou tão desprotegida. Eu não estive do seu lado no momento que ela mais precisava. Ninguém esteve. Ninguém se importou de continuar segundo a vida como se nada tivesse acontecido. – sentiu a raiva crescer dentro do peito. – Não fiz o meu papel de irmão. Fiz o papel de um covarde.
Acelerou ainda mais o carro, não se importando com sua noiva que já se encontrava apavorada, segurando em seu braço, como se implorasse para que ele parasse aquele carro.
– Erick... – implorou com um fio de voz, para que ele parasse ou diminuísse a velocidade. Seus olhos já não conseguiam ver mais a estrada que estava em sua frente, apenas conseguia ver borrões negros, que a deixava levemente tonta.
O carro atingiu sua velocidade máxima, enquanto Erick ficava cada vez mais cego para o mundo exterior. Já não conseguia pensar direito, apenas se sentia cada vez mais culpado. Seu coração ficava cada vez mais dilacerado.
– Erick, estou com medo. – Anne continuou a dizer, fechando seus olhos, soltando lágrimas, logo rolando pelo seu rosto suavemente bronzeado.
– Pare, Erick! – ordenou Ben, no banco de trás do carro. O mesmo não lhe ouviu, apenas continuando a dirigir como um louco.
– Pare, Erick!
Algo negro saiu do meio da escuridão, com um sorriso triunfante estampado no belo rosto, enquanto o mesmo parava na frente do carro, gargalhando em seguida. Havia encontrado as iscar perfeitas para trazer sua Raiva de volta. Tinha que admitir, nunca havia tido tanta sorte.
Logo Erick tentou frear o carro, mas o mesmo parecia não o obedecer. Ao continuar observando o homem na frente do carro, apenas se sentir cada vez mais culpado, se lamentando por correr tanto. Outra vez, havia deixado seu lado de lobo feroz controlar seu outro lado. O carro continuou não respondendo, enquanto Erick pensou ver o homem que estava na frente do carro sorrir. Não parecia ser real, mas por um instante ele teve completamente certeza de que o homem realmente estava sorrindo. Ele parecia se divertir com aquilo, de uma força que o deixou cheio de medo. Como alguém poderia se divertir tanto com a possibilidade de morrer? Como alguém que estava na frente do carro festes a morrer, poderia sorrir daquela maneira triunfante?
Arolin correu em direção ao carro em movimento, deixando Erick mais assustado ainda. Ele era o único que conseguia enxergar o vulto que corria pela escuridão, mas não teve tempo para se dar conta. O choque contra o corpo de rocha de Arolin foi eminente, fazendo o carro parecer apenas uma folha de papel, ao ser comparada com a rudeza de seu corpo. Jogou o carro para qualquer direção, o pegando com apenas uma mão, com toda sua força, fazendo o objeto apenas flutuar na escuridão por longos segundos.
Arolin sorriu ao observar o carro flutuar, o encarando com pura maldade nos olhos.
– Você vai voltar para mim. – Arolin sussurrou para si mesmo, como se pudesse escutar suas palavras. – Juro que vai.
O carro se chocou contra um rochedo, o destruindo quase for completo. Os vidros explodiram com o impacto, voando estilhaços para todas as direções. Anne tentou proteger seu rosto, com as mãos os cobrindo, enquanto aos poucos perdia a consciência. Algo perfurou seu pescoço, algo tão afiado que a fez gritar de dor. Olhou apavorada, percebendo de que se tratava de um caco enorme e afiado de vidro. Tentando arrancar, apavorada com o que seus olhos viam, apenas fincou ainda mais o caco em seu delicado pescoço. Logo foi perdendo a consciência pela dor, se sentindo cada vez mais fraca, como se a vida se esvaísse do seu frágil corpo. Tombou a cabeça sem vida no banco destruído do carro, deixando seus cabelos loiros tamparem seu rosto por completo. Logo, sua visão perdeu o foco, ficando cada vez mais escura. Teve a absoluta certeza naquele momento de que estava morrendo, por que já não conseguia pensar em mais nada além da dor que assombrava todo seu corpo em grandes quantidades de agonia.
Arolin se aproximou dos destroços que sobrou do carro, gargalhando alto, como se admirasse uma obra de arte que acabava de ser pintada. O cheiro de três tipos de sangue misturados chegaram até seu nariz, o fazendo sorrir ainda mais, deixando seus belos dentes reluzentes altamente perigosos a mostra. Caminhou até mais perto, percebendo o grande estrago que havia feito. Olhou por entre os vidros destruídos, podendo enxergar as três pessoas desacordadas dentro do carro. Seus olhos logo se focaram na mulher que se encontrava no banco lateral ao do motorista, sorrindo triunfante. Se sentiu obrigado a se aproximar dela, para poder admirar sua beleza mais de perto. Mesmo estando completamente destruída, ainda continuava muito bonita.
– Tão bela. – sussurrou pensativamente, se aproximando da bela garota desacordada a sua frente. Aquele era um tipo de beleza que o agradava muito, porém não era a mesma que ele queria, a mesma que todo seu corpo desejava. – Mas não tanto a minha Rainha. A beleza que ela tem eu não consegui encontrar em mais nenhuma mulher, por mais que tenha procurado durante os longos anos que vivi como um imortal solitário. Nem mesmo sua própria filha tem o poder possuir a mesma beleza. Coitada da Jane, jamais chegará aos pés de sua mãe. Tampouco se parece em qualquer coisa com ela. Por isso que a odeio, por não se parecer em nada com sua mãe. A odeio com todo meu ser por ela ter tudo do seu imprestável pai. Foi um erro roubá-la do Blake quando ela e seu irmão nasceu, um pouco antes da morte de Yonah. Pensei que se tivesse a filha ao meu lado, poderia sentir um pouco o poder que seria ao estar com a mãe. Imprestável. Isso que Jane é! – tornou a dizer, se lembrando da criatura admirável que era sua Yonah ao ser tomada pela escuridão que só existia dentro dela. Se aproximou ainda mais, tocando o rosto machucado, sentindo o cheiro de sangue o deixar viciado por alguns instantes. Havia muita dor ali, e aquilo o deixava com ainda mais sede. – Você seria uma bela imortal ser minha companheira. Se... – se sentiu um pouco nostálgico com os sentimentos que ele não consegui1a entender. Não conseguia acreditar, mesmo depois de séculos tentando, de que ele não poderia deixar de amar Clearwater, com a mesma intensidade, com a mesma forma doente; que parecia dilacerar seu ser. Doía pensar que ela nunca o amaria com a mesma forma doce que amava Edward, mas no fundo ele sabia que ele nunca seria digno daquele amor. Exatamente por esse motivo desejava arrancar sua alma, com as próprias mãos, para não voltar a ver aquela luz em seus olhos que jamais seria dele. Se tudo o que ela poderia oferecer a ele era a escuridão, era isso que ele aceitaria de bom grado. Se para tiver qualquer tipo de louco amor por ele, ele tivesse que arrancar sua alma, ele não ousaria em fazer de tudo para voltar a rever aquele brilho maligno naqueles olhos negros que ele tanto desejava. – Mas meu coração se recusa a aceitar qualquer uma que não seja ela. Não posso ser de outra. Meu coração está amarrado a Yonah Blake para sempre e não há nada neste mundo que eu possa fazer para mudar isso. – Voltou seus olhos para o futuro, encarando a pequena criatura ferida em sua frente, com certa alegria em seus olhos. – Você será muito importante para meus planos, preciosa. – passou sua mão pelo rosto quase morto, a encarando. Se aproximou suavemente, colocando seus lábios aos dela, passando o sangue que saia da boca da jovem para os seus lábios. Depositou um pequeno beijo, sugando todo o sangue, alimentando o desejo de morte que queria dentre de si. Sorriu, ao terminar, lembrando-se que nada e ninguém o faria desistir do seu propósito. – Você ainda vai ser muito útil para mim, bela criança.
Ele a retirou com cuidado de dentro das ferragens que sobrara do carro, usando sua força sobre-humana ao seu favor, para não machucar mais ainda a pobre criatura. A colocou sobre seus braços fortes e esguios, pousando sua cabeça sem vida em seu ombro direito. Os cabelos loiros cintilavam acobreados entre o sangue que jorrava dos ferimentos do seu pescoço. O sangue convidativo deixou Arolin cego por alguns segundos, mas ele tentou não se render a cede, por que aquela presa já tinha ganhado um predador. Aquele sangue que parecia sussurrar seu nome, já teria um destino, dele mataria a cede aprisionada de outro vampiro, não a cede dele; por mais que parecesse ser uma proposta muito sedutora, ele não cederia aos seus desejos, porque por trás deles, existiam coisas muito mais importantes do que a sua própria existência. Engoliu a cede que dilacerava sua garganta, queimando até o fundo de sua alma; voltou seus pensamentos para o carro, observando por um instante os outros passageiros, prestando atenção no estado grave em que eles se encontravam.
O homem mais jovem que estava no banco do motorista estava apenas inconsciente, seus ferimentos eram quase imperceptíveis; seu coração voltava a bater no mesmo ritmo, enquanto seus sentidos começavam a serem despertados. O segundo homem, ao contrário do primeiro, se encontrava no banco de trás do carro, com seu corpo preso entre as ferragens. Seus ferimentos eram profundos e preocupantes. Estava inconsciente, como ao primeiro, porém este pouco se dava para escutar a batida do seu coração. Se Arolin não fosse um imortal, nem ao menos poderia saber que este pobre homem humano se encontrava com vida. Entretanto, esta vida estava de esvaindo com rapidez; deixando seu corpo pobre de vida.
Arolin sorriu, percebendo que seu propósito havia sido atingido. A vida daquele homem já quase não existia mais, e Arolin sinceramente desejava que ele morresse. Sua vida pouco importava, era apenas uma criatura fraca. O que verdadeiramente importava era a volta de , e Arolin sabia que com a morte do pai, ela certamente voltaria. Não demoraria a ter resposta sobre isso, ele tinha certeza. Assim que a noticia se espalhasse, voltaria correndo para casa e Arolin a estaria esperando. Desta vez, ela não escaparia de suas mãos. Desta vez, ela lhe entregaria sua alma. Desta vez, ele a levaria para as trevas junto com ele. Não importava o que importar, não importava o preço que eles teriam que pagar, mas voltaria para as trevas e seria dele. Ele a possuiria e destruiria sua alma.
Dean continuou dirigindo seu carro negro, como um fantasma que flutuava pelo asfalto negro; no meio da escuridão da madrugada. Olhava para o retrovisor em cada minuto, para se certificar de que continuava dormindo tranquilamente no confortável banco de trás. Suspirou, admirando sua beleza; não havia como negar: ela ficava ainda mais bonita enquanto dormia. Era como se aquele peso que havia em seus ombros, a deixando com a expressão pesada, não existisse mais naquele momento. Por um momento, ele até poderia pensar que era apenas uma garota normal, seguindo sua vida e que jamais havia sofrido tanto; como ele sabia que ela sofria em todos os dias da sua vida. Seu coração, de alguma forma inacreditável, estava ligado ao daquela garota. Todas as células do seu corpo o puxavam para a mesma direção onde ela estava, como se fossem correntes de aço os ligando, que seria impossível para ele escapar. Ele sabia que já não poderia se manter longe; sabia que daria sua vida para protegê-la. Ele sabia que não era certo, mas não podia se enganar; já estava apaixonado. Sabia que estava, de alguma forma, traindo Edward, seu companheiro nesta batalha, mas parecia difícil manter a promessa de apenas cuidar dela. Ele admitiu para si mesmo que havia falhado em sua promessa; porque no seu coração, já sentia o amor o prendendo, o ligando a cada vez mais e mais.
“Apenas”, esta palavra o sufocava por dentro. Não parecia ser possível ser “apenas” um protetor para ; o que ele queria era ser muito mais do que isso. Ele queria ter o poder de amá-la, de tocá-la; de fazê-la sua mulher todos os dias da sua vida. Ele queria curá-la de seus traumas e isso o torturava por dentro, porque sabia que jamais poderia ser capaz de fazer. Era torturante manter distancia; só que chegava a ser mais torturante ficar diante dela sem poder tocá-la, como era o desejo do seu coração.
Sam limpou a garganta, despertando a atenção de Dean para a sua direção; então, só naquele momento, Dean pôde perceber que Sam já o chamava há bastante tempo, olhando para a direção onde estava e voltando logo seus olhos para o irmão. Logo se preocupou, não pôde se conter.
– Ela está agitada. – Sam explicou, olhando para e logo voltando seus olhos para o irmão. – Faz um tempo que ela está sussurrando alguma coisa. Até parece que está conversando com alguém. – seus olhos ficaram assustados por um instante, demonstrando por um segundo que ele realmente estava preocupado; ou assustado, afinal nunca tinha chegado a ver qualquer coisa do tipo. Ou, entretanto, pela pior da hipótese, ele apenas estava fingindo, para não demonstrar para o irmão o quanto queria ver morta.
Dean olhou por um momento para , mas se arrependeu logo em seguida; tomando um golpe da surpresa, porém lutando para não deixar isso transparecer em seu rosto. Ela parecia estar morta, tão branca que sua pele já parecia sem vida. Suas veias estavam roxas, saltadas; desenhando caminhos pela pele pálida. O cabelo caia desgrenhada mente sob os ombros; e ela se encontrava em posição fetal; apertando seus joelhos, colados ao peito, com força. Ele apenas sabia que ela ainda estava viva porque seus lábios – completamente pálidos e levemente com a cor roxa – se moviam rapidamente, com preocupação e eram muito urgentes. estava desesperada; as emoções dela logo atingiram Dean, o deixando por um momento sem ação, confuso; como se aquelas emoções fossem suas próprias emoções. Logo encostou o carro no canto da estrada, voltando-se para os sentimentos que torturavam . Se concentrou, fechando os olhos; respirando fundo, prendendo o ar em seus pulmões, se desconectando do mundo. O mundo ficou silencioso, enquanto sua mente era sugada para a mente de ; os transformando em apenas uma mente.
As confusões de o atingiram no mesmo instante em que ele pode senti-la, quase como se eles estivessem no mesmo pesadelo; como se fossem apenas um corpo agora. A dor de o machucou no segundo seguinte, enquanto os pensamentos confusos e tortuosos o atacavam recheados de fúria.
“Ele está morto.” – a voz mental de adentrou em sua mente. “Meu Deus!” – ela gritou, se lamentando, olhando para os céus, implorando uma resposta; implorando por socorro. Ele pôde a ver agora, pela própria visão dos olhos de , enquanto lágrimas caiam de seus olhos. se jogou no chão, abraçando seu próprio corpo, chorando muito; já soluçando. Então, pela maneira amarga de chorar, Dean pôde perceber que não era ali, e sim o ser imortal que um dia ela tinha sido. Suas mãos tremiam, enquanto ela olhava para o sangue fresco que pingava de seus dedos. “Não!” – se recusou a acreditar, balançando a cabeça, deixando a loucura tomar seu ser. “Não!” – gritou com dor, repudiando sua existência.
“Se acalme, .” – Dean tentou lhe dizer, mas suas palavras não podiam ser ouvidas; era como se ele não estivesse ali. Era como se ele vê-se um filme, pelos próprios olhos de ; só que ele tinha consciência de que aquilo era apenas uma memória que estava adormecida dentro da alma de . Ele não podia fazer nada; se não apenas assistir. Ele era um mero telespectador no espetáculo de uma das vidas de sua amada.
voltou seus olhos para o corpo imóvel que estava em sua frente, tomada pela dor; pelo remorso. Se aproximou devagar, com medo do que havia feito; se lembrando de toda maldade que havia causada a única pessoa que adentrou em seu coração. Olhou para o rosto morto de Edward, admitindo para si mesma que nunca havia deixado de amá-lo. E, seu amor, havia o matado; com muito prazer. Se aproximou ainda mais, puxando e abraçando Edward morto junto ao seu corpo; tomada pela dor e o arrependimento. E tocando com seus lábios em seu ouvido esquerdo, sussurrou:
“Meu amor foi a sua maldição.”
Suas palavras continuaram repedindo-se por alguns segundo, enquanto os lábios de já não podiam ser contidos. A loucura e a amargura se misturavam-se dentro do seu coração, como se fossem líquidos de acido fermente; que corria por suas veias com velocidade, a deixando ainda mais desesperada. Seu corpo queimava, mas ela não se importou de sentir dor; sabia em seu coração que aquilo era pouco, que ela merecia muito mais além disso.
“Minha rainha.” - a voz de Arolin surgiu atrás de , chamando completamente sua atenção.
O ódio surgiu e tomou o seu rosto; deixando sua expressão fria e maldosa. Ela o culpava por tudo o que havia feito, mas sabia que de, alguma maneira, não era certo fazer isso. Arolin era apenas mais uma vitima daquilo tudo. Ela sabia que, lá no fundo, ainda existia alguma coisa boa dentro de si; mas ela já não conseguia mais ver o lado de bom que existia em Arolin. Ele era o culpado. Foi ele quem havia despertado sua escuridão. Ele tinha que morrer. Ela sentiria muito prazer em matá-lo agora. Mas... Mudaria alguma coisa? – se perguntou. Sabia que não. Nada traria Edward de volta; nada mudaria o que ela mesma havia feito. Ela havia o matado. Ela quem merecia morrer.
E, por mais que desejasse e encontrasse beleza na morte, jamais poderia realizar este desejo; jamais desancaria nos braços da morte. Jamais seria salva; era apenas uma condenada. Sua culpa jamais iria embora.
Versão
Logo comecei a despertar, sentindo um sentimento estranho me tomando, mas não dei muita atenção para ele. Senti mãos quentes em meu rosto, enquanto uma voz suavemente me chamava. Foi o som daquela voz que me despertou, comecei a me lembrar, quase sorrindo. O som daquela voz me acalmou, como se fosse uma doce melodia. Suspirei, me lembrando que eu teria que abrir meus olhos para a realidade, mas realmente não estava querendo muito aquilo. A realidade não havia deixado de ter o sabor amargo para mim. Tudo o que eu queria era continuar escutando aquela doce voz, como se nada mais existisse no mundo.
– Acorde, minha querida. – a voz continuou suavemente, prendendo minha atenção e conseguindo me fazer sorrir; verdadeiramente sorrir, como eu já não tinha feito há muito tempo. – Que sorriso mais lindo! – exclamou a voz surpresa e encantada.
Finalmente abri meus olhos para o mundo real, encontrando os olhos esverdeados de Dean me encarando com ternura; Por fração de segundos, me senti tão acolhida por seu olhar que não pensei duas vezes em correr para abraçá-lo, passando meus braços ao redor do seu pescoço, o puxando cada vez mais para mim. Me sentia feliz de vê-lo, mas não conseguia encontrar o motivo dentro de mim. Suspirei fechando os olhos, sentindo o perfume forte que emanava do seu corpo quente.
– Estou tão feliz em te ver. – sussurrei em seu ouvido, enquanto colocava minha cabeça repousada em seu ombro. Imagens de um sonho distante invadiram minha mente, mas não resolvi dar atenção. Tudo o que eu queria era abraçar Dean, sentir seu corpo perto do meu; como se aquilo fosse a única coisa que poderia desembaraçar meu anseios, minhas aflições. Algo me dizia que não era certo sentir aquela necessidade dentro de mim, mas a verdade é que eu já não me importava.
Dean suspirou com a respiração em meus cabeços; com seu corpo ficando cada vez mais rígido. Logo seus braços me apertaram também, segurando minha cintura com firmeza, prendendo nossos corpos cada vez mais. No fundo, eu não poderia negar, estava ficando cada vez mais ligada a Dean. Havia uma coisa, como uma linha, que me ligava a cada instante mais em Dean. E eu podia sentir, esta linha ganhava, assustadoramente, mas força; mais visibilidade. Um sentimento entre nós crescia, disso eu já não podia negar; mas não me importava com isso. Eu tinha uma necessidade assustadora de ficar perto de Dean. E, estava gostando disso.
Segurou meu rosto entre suas mãos, colocando nossos rostos a centímetros de distancia. Nesta fora, olhando em seus olhos, quis beijá-lo, mas não consegui admitir a mim mesma. Dean me atraia cada vez mais, só que nem por isso eu me entregaria a estes sentimentos. Sorriu, e eu pude perceber que isso me deixava desconcertada, com o coração pulando cada vez mais dentro do meu peito. Eu nunca havia percebido, mas gostava muito de vê-lo sorrindo e isso também me deixava sem ação, sem motivos para me manter longe. Seu sorriso me conquistava, me deixava louca para cair em seus braços, mesmo que fosse apenas por mais uma vez. Aquela coisa me ligava cada vez mais a ele, e eu já não conseguia explicar. Aproximou seu rosto mais do meu, me fazendo sentir sua respiração quente batendo de frente com a minha. Seu hálito de menta me deixou mais instigada a beijá-lo, e não percebi que rompi as nossas distancias, colocando meus lábios sobre os dele. No começo foi leve, quase com medo; e ao mesmo tempo eu não queria perder aquela sensação nenhum instante, querendo gravá-la em mim. Depois, sorri, sentindo cada vez mais desejo por ele e por sua boca. Me entreguei ao beijo sem mais demoras, não me contendo mais. Devorei sua boca com todas minhas forças, juntando nossas línguas em uma dança sincronizada.
Dean se interrompeu, como se tomasse um chore, segurando meus ombros para nos manter distantes. Não pude disfarçar que fiquei magoada, com toda aquela rejeição. Eu estava ali, me doando de corpo e alma e ele nem mesmo me queria.
– Não faça mais isso. – me disse com dureza, evitando olhar em meus olhos. Logo senti as lágrimas brotarem, mas não me importei; as senti caindo quente pelo meu rosto. E eu já nem sabia mais o que fazer.
O que estava acontecendo comigo? Porque eu não sabia. Porque eu estava sentindo aquilo em relação à Dean? Por que eu queria ficar com ele? Porque, meu Deus? Por quê?
– Não se preocupe por que isso não vai voltar a acontecer. – ganhei força para lhe dar a resposta; mesmo que por dentro eu estivesse ferida.
Tirei suas mãos fortes de cima de mim, com raiva; o deixando confuso, por que nunca esperaria uma reação dessas de mim; e a verdade é que nem eu mesma esperava. Eu estava com raiva, mas não era do Dean; e sim de mim mesma, por achar que ele queria ter qualquer coisa comigo. Com raiva, decidi sair dali, saindo do carro para a noite; pisando duro e batendo a porta do carro atrás de mim.
Andei furiosamente pela noite, não tendo nenhum caminho decido em minha mente. Olhei por um momento onde eu me encontrava, percebendo de que eu não fazia idéia. Suspirei frustrada, olhando com mais atenção o lugar. Eu estava em frente a um posto de combustível antigo, mal iluminado e deserto. Havia uma lojinha de conveniências na frente, onde havia uma placa de neon vermelho declarando que estavam abertos. Do outro lado oposto, ficava a estrada praticamente deserta. Suspirei, voltando a olhar para a lojinha de conveniências, andando em direção a ela. Ao me aproximar, olhei um pouco para trás, encontrando os olhos de Dean preocupados em cima de mim.
– ... – ele começou a falar, já fora do carro, parecendo que a qualquer momento iria correr atrás de mim.
Balancei a cabeça, não lhe dando ouvidos, me virando e voltando a olhar para a minha frente. Continuei caminhando em direção a lojinha, logo a alcançando. Ao chegar, empurrando a porta e entrando no pequeno estabelecimento. Era um lugar pequeno e ainda mais mal iluminado do que o lado de fora. Tinha algumas fileiras logo na entrada, que levavam a um pequeno balcão de maneira, onde um homem careca, já de meia idade, lia um jornal amassado. Ao terminar de entrar, a porta fez barulho, dando sinal de que havia um cliente. O homem logo levantou os olhos, com a expressão de mal-humorado, mas ao me alcançar, sorriu, deixando a mostra uma fileira de dentes amarelados.
– Com licença... – eu continuei falando, indo cada vez mais em sua direção.
– Claro belezinha. – ele logo respondeu, nem ao menos esperando eu terminar de falar.
– Onde fica o banheiro? – perguntei ao terminar de me aproximar, ficando em medos de um metro do homem.
Ele piscou e logo disse:
– Siga reto á direita e no final do corredor você vai encontrar uma porta. – respondeu, fazendo gestos com a mão.
– Obrigada. – sussurrei baixinho, logo me dirigindo para a direção que ele explicara.
Andei entre os corredores até chegar à frente da porta, não me demorando em entrar no banheiro. Era um banheiro típico de beira de estrada, completamente sujo, mas me senti feliz em estar sozinha. Suspirei, deixando as lágrimas voltarem a saírem. Encostei-me à parede e me deixei cair, me perguntando o que havia de errado comigo.
Não tinha nada de normal no que estava acontecendo. Eu estava me sentindo perdida e arrasada, mas sabia que não deveria estar me sentindo assim. Não havia nada entre mim e Dean, e mesmo assim eu estava agindo como se tivesse. Era errado, eu me culpava por isso, mas não conseguia deixar de sentir o que estava sentindo. Era como se minha alma estivesse se prendendo a Dean e eu não estava conseguindo fugir. Eu não podia negar, eu estava tendo algum tipo estranho de sentimento por Dean, mas não podia me permitir deixar aquilo crescer, por que em mim não havia lugar para aquele sentimento. Eu não podia me permitir estar sentindo aquilo. O impriting me destruía por dentro, por apenas deixar aquele sentimento aparece em meu coração. Ele dilacerava meu coração, quebrava minha alma, mas não me permitia deixar aquele sentimento ganhar força. Algo dentro de mim gritava, para que eu parasse com aquilo agora. Só que eu não conseguia. Não estava conseguindo fugir daquilo. Não estava conseguindo fugir do sentimento, que por mais que fosse pequeno, ainda estava dentro de mim. Sempre esteve, mas meus olhos nunca foram atentos para percebê-lo.
Sempre tive um carinho especial por Dean; uma admiração inexplicável desde o momento que encontrei ele naquele corredor da escola. Naquele momento eu não havia percebido por que estava cega, mas naquele momento ele já me passou um conforto, como se acolhesse minha alma. Nos seus olhos, eu vi um sentimento puro entre nós, mas não quis dizer isso a mim mesma, por que sabia que era errado e eu não quis pensar mais sobre isso. Agora, conhecendo-o como eu já conhecia, eu sabia que ele não era mais aquele estranho no corredor, e aquilo ganhou outra visão para mim. Dean já não era o mesmo para mim. Dean já não era aquele estranho do final do corredor da escola. E agora, com os acontecimentos, eu tinha que admitir para mim mesma que sentia sim alguma coisa. Tão pequena, inofensiva; mas eu sentia. Era como uma criança, mas eu não podia deixar que ela avançasse para a idade adulta.
Me levantei, indo em direção até o espelho velho, encarando meu rosto com aflição. Passei meus dedos no rosto, para limpar as lágrimas; ele ficava cada vez mais vermelho. Abri a torneira – que fez um barulho horrível, como se não fosse aberta há muito tempo – e molhei minhas mãos, passando elas úmidas no meu rosto. Voltei meus olhos para o meu reflexo, tomando uma decisão.
– Você vai conseguir . – disse palavras de consolo para mim mesma; olhando em meus olhos escuros com dureza e com a voz fria. – Eu sei que vai. Agora, acalma-se e volte pra lá e finja que tudo está bem. Você já fez isso antes. Lembra? Não é nada impossível. Coragem Mulher! – sorri para mim mesma, ironicamente, rindo da minha situação. Aquilo era fácil ao ser julgado nas minhas próprias palavras, entretanto, na prática aquilo mudava radicalmente de figura. Por dentro, eu me sentia fraca, destruída pela rejeição, enquanto, por fora eu apenas tentava parecer fria.
Será que eu poderia ser forte para lutar contra este sentimento? Por mais que ele seja pequeno, eu ainda era forte para isso? Outra vez? Balancei a cabeça, negando a mim mesma de fazer aquilo seria possível. No fundo, eu sabia que não seria. Eu me sentia rejeitada, de uma forma que eu nunca havia me sentido antes. E, pior, me importava muito com aquele fato de ser rejeitada; claro, não pela rejeição, mas sim por Dean me rejeitar, junto ele quem eu pensei que estivesse jogando esta louca brincadeira até mais do que eu. Agora, de uma hora para outra, ele apenas parecia estar arrependido. Ele não parecia – confessei para mim com tristeza, não querendo realmente aquilo, por que me destruía ainda mais por dentro. Ele estava arrependido. E por que eu me importava? Era Dean ali, não o Edward; que era o homem quem eu amava. Parecia difícil concordar, mas por pouco que fosse, eu queria estar ao lado do Dean. Não como eu ansiava pelo Edward, com toda força da minha existência, mas algo me ligava a Dean. Se eu não fosse o que eu era, e fosse apenas uma garota comum, cursando o ensino médio; e os problemas da eternidade não me atormentassem, eu poderia me imaginar estar com o Dean da mesma maneira que eu queria estar com o Edward. As coisas seriam tão simples que fosse o Dean o dono do meu coração, tão mais normal, mas seguro. Dean me passava à confiança que Edward jamais passou. E, uma pequena parte de mim, ainda lutava para ser normal, para continuar fugindo deste mundo sobrenatural, onde as criaturas da noite já não eram somente personagens. Eles existiam, e eu era um deles.
Eu, constantemente, me sentia perdida desde o dia que tinha me transformado em uma criatura das sombras. E, se eu tivesse a chance de viver outra vez, de começar do zero as coisas, eu queria ter a chance de viver estas coisas ao lado do Dean. Pela primeira vez, eu conseguia enxergar uma opção, além do meu amor pelo Edward. As coisas não eram como antes, que eu não conseguia admitir ficar com outro alguém, amaldiçoando está possibilidade. Desta vez, pela primeira vez depois de perder Edward, eu conseguia enxergar um novo caminho que eu pudesse seguir. Edward tinha ido embora, e provavelmente estava feliz, vivendo sua vida com Bree, em qualquer lugar por ai. E, pela primeira fez, eu não condenava minha alma à solidão. Pela primeira vez, eu me abria a uma nova oportunidade de ser feliz; com uma pessoa que me alegrava e me compreendia. Eu gostava de Dean, não podia negar. E, eu realmente necessitava de uma nova oportunidade para finalmente buscar a felicidade. Alguma coisa dentro de Dean, me convidava para lutar, me fazendo voltar a ver as coisas bonitas que existiam na vida.
Só que Dean, definitivamente, já não queria mais ter qualquer coisa comigo. O brinquedo novo havia perdido seu encanto. E, eu me sentia arrasada por dentro.
– ! – Dean gritou ao bater na porta do lado de fora. – Está tudo bem ai dentro? – perguntou preocupado, antes de bater mais uma vez e suspirar pesadamente. – Eu fiquei preocupado. – confessou com a voz mais baixa, como se falasse um segredo.
Suspirei, sentindo a vontade de chorar ainda maior. Escutar sua voz apenas piorava as coisas. Eu tinha fugido exatamente para não ter que escutar suas explicações e me sentir ainda mais destruída; por que era exatamente como eu estava me sentindo agora. E, no fundo, eu sabia que não era justo desejar que ele gostasse um pouco de mim. Quem era eu, afinal de contas? Ninguém. Apenas uma outra diversão que ele tinha encontrado pelo caminho. Como ele mesmo havia falado horas atrás, havia apenas uma pessoa que havia estado em seu coração. Esta não era eu. Eu não tinha significado nenhum em sua vida.
– Eu estou bem, Dean.
– Não é isso o que a sua voz está me dizendo neste exato momento. – respondeu sussurrante, com a respiração colada junto à porta.
– Por que você se importa? – respondi com raiva, não podendo voltar a escutar a sua voz. Meu coração estava doendo, e eu nem ao menos conseguia explicar o por que.
– Eu... Am.. – começou a responder sem pensar, e bruscamente parou. Apoiou sua mão na porta, com seu coração batendo cada vez mais rápido. Suspirou, cansado, como se fosse um derrotado de alguma luta e então disse com a voz baixa: Eu não sei.
– Então, vai embora! – gritei com dor, voltando a chorar, desta vez chorando alto. Ele não sentia nada por mim, e suas palavras me declararam isso. Aquilo apenas me deixava com o coração mais quebrado ainda. Eu tinha sido uma idiota de pensar que ele seria capaz de querer qualquer coisa comigo. Eu tinha sido uma tonta de pensar que eu poderia voltar a ser feliz. A vida da havia me condenado.
– Droga. – ele resmungou alto, socando a porta; sabendo que tinha conseguido me magoar de verdade agora, por não saber o que raios sentia por mim então. Pude escutar seus passos pesados ganhando distancia, ecoando no pequeno corredor, indo embora, para longe de mim. Dean havia ido embora.
Agora, eu estava sozinha e ainda mais magoada, por que pela primeira vez ele havia me deixado. E, estranhamente, aquilo doeu mais do que uma facada no meu coração. Não era como Edward, que eu tinha que aceitar o seu abandono a qualquer custo. Eu não queria aceitar, não aquilo, dele Dean me deixar assim, por mais que eu tivesse mandado. Eu queria que ele ficasse, que se preocupasse um pouco comigo e demonstrasse que me ama. Aquilo era o que eu esperava no fundo que ele fizesse, mas ele não fez; ele havia ido embora, sem se importar se tinha ferido ou não meus sentimentos. Edward havia se importado com meus sentimentos, me explicando porque estava me deixado, por isso eu tinha sido forte o suficiente para deixá-lo. Mas, não conseguia ser forte o suficiente para deixar Dean partir. Com a gente, não havia nenhum sentimento sobrenatural que nos mantinha presos; exatamente por isso, não havia algo que me obrigasse a aceitar a sua ausência, não havia nada que me fizesse colocá-lo em primeiro lugar; como eu fazia constantemente com Edward. Com Dean, eu apenas queria que ele ficasse do meu lado, que se preocupasse comigo, mas ele não ficou... Foi embora e não se importou.
Sai pisando duro do banheiro, e batendo com toda a minha força a porta à trás de mim, pela segundo vez, cheia de ódio por mim mesma. Dean conseguira despertar a fúria em mim, e eu estava com gana de vê-lo e dá-lo uma boa resposta ao que ele havia feito comigo, como se ele não me importasse nenhum pouco. Talvez – só talvez – aquilo fosse capaz de me fazer sentir um pouco melhor, por que no momento eu me sentia uma nada, a coisa mais imprestável do mundo.
Andei furiosa pelo corredor, com cara de poucos amigos ou sem nenhuma paciência para qualquer coisa. Continue andando pesadamente, indo em direção até o balcão, onde continuava o homem, lendo seu velho jornal. Levantou os olhos para me olhar, e sorriu novamente.
Então, eu me dei conta de uma coisa importante, que eu não tinha pensado até agora: o lugar onde eu estava. Eu não fazia idéia de onde estava, e aquilo ainda não tinha se passado pela minha cabeça.
– Com licença, onde estamos? – o interroguei, me aproximando, com o rosto sério.
–Twin Falls. – ele respondeu, como se aquilo tivesse algum significado para mim; exatamente, ao contrário, eu fiquei ainda mais perdida, continuando com a interrogação estampada em meu rosto. – Idaho. – continuou respondendo, sorrindo e piscando de um jeito que me deixou enjoada; o que me deixou ainda mais séria. – Você deve ser de muito longe mesmo para não conhecer esta região. Você está de passeio com o namorado? – continuou falando, lançando uma olhadela para a porta da entrada, me fazendo entender de quem ele estava falando.
– Ele não é o meu namorado. – respondi grossamente, ficando ainda mais zangada com o relacionamento que ele me ligava a Dean.
Me virei e sai dali sem dizer mais nada, andando para a noite desconhecida, parando e olhando de relance para o carro de Dean encostado no posto. O carro estava vazio, agora encostado em outro lugar, um pouco mais afastado do posto, entretanto, ainda em sua área. Suspirei, não querendo voltar para o carro e continuar sozinha, ainda mais dentro do carro do próprio Dean, o qual era a última pessoa que eu queria ver. Eu estava tão magoada, mesmo não querendo admitir para mim mesma, que não queria me lembrar do que havia acontecido entre nós; do quanto ele tinha me magoado, ao me recusar daquele jeito, como se eu fosse à última coisa do mundo que ele fosse escolher. Eu me sentia como um lixo, e acho que era isso o que eu era para o Dean mesmo. Tudo o que eu queria era sair daí e fugir dele, para não voltá-lo a ver nunca mais. Não queria voltar a sentir como ele estava me fazendo sentir. Não queria olhar para seus olhos e ser recusada mais uma vez. Eu não suportaria aquilo outra vez. Eu nunca mais voltaria a me sentir como um lixo.
Resolvi dar um passeio, andando distraída mente pela direção contrária ao do posto, indo em direção á uma estradinha pequena, que saia da estrada principal, desviando do posto de gasolina, indo em direção ao que era, aparentemente, algum ferro-velho abandonado. Continuei andando quase sem perceber por onde eu estava andando, até que tive a sensação de estar sendo seguida. Parei automaticamente, me virando para confirmar as minhas suspeitas. Eu já estava distante do posto, pouco para vê-lo se não fosse a minha visão aguçada. Não havia nada ali, se não o ar que começava a esquentar um pouco, com a chegada de um novo dia. Ainda estava escuro, mas não quanto à escuridão de uma noite recém-chegada. Já estávamos no fim da madrugada.
Balancei minha cabeça, dizendo a mim mesma que não havia ninguém ali e que aquilo era apenas uma coisa da minha cabeça. Me virei, novamente, e voltei a andar da mesma direção do ferro-velho; eu já começava a andar entre o que sobrava dos destroços de carros velhos. Os carros logo me chamaram a atenção, e logo eu já estava distraída tentando identificar os modelos que existia ali ou o que aquelas sucatas já teriam sido algum dia. Logo o barulho de algo caindo me chamou a atenção, me fazendo voltar a parar de andar e olhar para os lados, desconfiada de havia alguém a espreita ali, me esperando, me observando, como uma cobra prestes a dar o bote.
– Quem está ai? – perguntei para a escuridão que estava a minha volta.
Não houve qualquer resposta – o que me deixou mais desconfiada. Fecheis meus olhos, deixando os meus sentidos aguçados tomar meus sentidos. Prestei atenção em cada detalhe em volta de mim, até poder sentir um coração humano batendo, tão próximo de mim, que quando notei já era tarde. Algo me atingiu com forças nas costas, me fazendo automaticamente gritar, arfando de dor. Senti meu corpo ficar sem forças, então olhei para baixo e vi sangue, muito sangue em minha volta. Algo queimou, e eu gritei novamente, sentindo minha dor aumentar assustadoramente. Outra dor me atingiu em seguida, outra bem pior, tanto que eu senti algo ultrapassando e cortando o meu peito. Cai no chão, jogada ao chão, com o rosto no solo, deitada de bruços, sem forças, já não conseguindo respirar, sentindo minha garganta se fechar. Algo me queimava de dentro para fora, e as lágrimas caiam sem forças, um choro seco que eu não controlava.
O meu agressor se aproximou, pegando o que ele tinha enterrado no meu peito, puxando e me fazendo gritar mais uma vez. Meus olhos já perdiam o foco, e tudo começava a ficar escuro, silencioso. Parecia que eu estava morrendo.
Olhei para as minhas mãos ensangüentadas, não conseguindo acreditar no que estava acontecendo. Aquilo não era para estar acontecendo, por que eu já não era apenas uma humana. Olhei para os meus ferimentos, podendo agora ver agora as várias bolas de sangue que tinha na minha camiseta. Fiquei olhando, assustada, esperando os ferimentos automaticamente fecharem, mas isso também não venho. Os meus ferimentos não estavam se fechando e eu estava morrendo. Logo venho outro, que cortou mais uma as minhas costas, entrando e fincando o que o meu agressor usava como arma contra mim.
– So.. – tentei pedir por socorro, mas então percebi que estava cada vez mais sufocada; só então percebi que era por que sangue jorrava da minha boca descontrola mente. Eu estava engasgando com o meu próprio sangue. Fechei os olhos, sentindo a dor ficar cada vez mais forte, me fazendo perder cada vez mais a consciência. – S-O-C-O-R-R-O. – sussurrei lentamente, com o último ar que me restava e as últimas forças que eu ainda tinha.
– Não adianta. Você vai morrer. – escutei uma voz atrás de mim dizer. – E vai morrer sozinha.
Balancei a cabeça desesperada, só que isso só piorou a minha dor. Lutei para ter um pouco de ar, mas apenas fiquei mais sufocada. Eu estava assistindo a minha própria morte. Fleches da minha vida se passaram pela minha mente, e eu me sentia cada vez mais longe. Eu terminaria assim desta vez? Por quê? Como? Eu nem ao menos saberia o motivo por estar morrendo. Eu morreria sozinha – ele estava certo. Morreria sem ter qualquer pessoa que eu amasse perto de mim neste momento, para ir em paz. Nem mesmo este direito eu teria. Era assim que eu terminaria, assassinada e sozinha; sem ter qualquer motivo para me explicar tamanha crueldade.
O meu assassino se aproximou de mim, se abaixando no chão do meu lado, para admirar melhor o seu trabalho, para poder ver meus olhos se apagarem para sempre. No começo, pela dor e a confusão, eu não pude identificar seu rosto, mas aos poucos minha visão se fixava um pouco mais.
– Sam. – sussurrei ao identificar seu rosto, sentindo a dor da traição sob meu corpo, sentindo a minha dor física cada vez forte – o que eu pensava que não fosse possível.
Samuel Winchester sorriu, percebendo que eu tentava dizer seu nome. Passou a mão pelo cabelo curto, sem nunca tirar seus olhos de cima de mim. Eu estava morrendo, e ele não queria perder isso. A minha morte para ele era um espetáculo.
– Fico feliz que, pelo menos, você saiba quem foi que te matou. Isso vai consolar, um pouco, a sua alma. – ele disse, sem deixar de sorrir. Eu engasguei mais uma vez, lutando por ar, e ele, simplesmente, gargalhou. Logo, voltou a ficar sério, olhando fixamente em meus olhos cheios de lágrimas, que se misturava com sangue. – Eu, Samuel Winchester, foi quem te matou . – declarou, como se aquilo fosse uma coisa que ele devesse ter orgulho.
– P-O-R-Q-U-E? – novamente não consegui quiser, pois minha boca estava cheia de sangue e eu já não tinha nenhum oxigênio. – Por que... Você... Me... Quer... morta? - continuei, lentamente, sem ter qualquer força. Eu já mal sussurrava, era apenas respiração que eu tentava transformar em palavras.
– Isso você nunca vai saber. – se levantou do chão, com a voz fria como o gelo. – Você teve estar confusa por não estar cicatrizando suas feridas. – murmurou, andando e se distanciando de mim, mas não me perdendo de sua visão e não me fazendo perde-lo de visão.
– Como? – eu me perguntei a mim mesma, olhando para meu sangue e vendo tudo preto. Não restava mais nada, não havia nada o que fazer. Eu estava morrendo... Morrendo.
– Coloquei veneno de vampiro no punhal, antes de te ferir com ele. Como você deve saber, este é o único modo de matar um lobisomem. E por que não o veneno do seu inimigo natural? Suas feridas nunca vãos cicatrizarem e o veneno também já está no seu organismo. Você vai morrer de um ou de outro. Não tem como escapar. Não tem cura. Você vai morrer, e não tem mais saída para você. Ou os ferimentos te matam, ou o veneno que está dentro de você vai te destruir por dentro. – sua voz ficou distante e eu sabia que o fim já estava perto. A escuridão se aproximava e eu já estava dançando com ela.
– Droga! – Sam xingou decepcionado e no começo eu não consegui entender por que. – Isso não pode estar acontecendo... – sussurrou em sua única respiração e logo venho a confirmação, mas eu estava longe demais para me dar ao luxo de me importar. Tudo o que eu sabia era que a minha hora havia chegado. E eu estava sozinha.
– ! – a voz de Dean rompeu a escuridão, então meu corpo ficava cada vez mais gelado e eu me sentia tremer. – Não! – continuou gritando, longe distante, mas sua voz se aproximava. – Sam quem fez isso? – ele continuou gritando, desesperado, mas eu já não conseguia entender mais nada, já nem me lembrava o motivo que teria para ele estar tão desesperado.
Senti mãos ao meu redor, até perceber que Dean se jogava no chão e me abraçava, me rodeando com seus braços. Havia tanto sangue e eu estava tão assustada. Ele me balançou desesperado, tentando encontrar qualquer vestígios de vida em mim. Seus olhos choraram, e eu me surpreendi quando escutei seu choro alto, entanto ele continuava gritando. Eu queria implorar para que ele não chorasse, para que ele voltasse a não se importar, tudo para não ver a sua dor. Eu não queria vê-lo daquela maneira, ainda mais por mim. Não era justo.
– Dean. – consegui dizer seu nome, sem forças.
Ele logo se assustou, pensando que eu já havia perdido a consciência. Seus olhos encontraram os meus, enquanto ele me colocava em seu colo e segurava meu rosto entre suas mãos.
– Você vai ficar bem, querida. – ele sussurrou, em choro, me apertando contra seu corpo, em um abraço suave, por que eu estava machucada demais. – Eu te prometo que você vai ficar bem.
– Estou morrendo... – sussurrei, com seu hálito batendo no meu rosto, quente. Pela primeira vez, eu sentia Dean mais quente do que eu.
– Não, não você não está. – ele respondeu, ainda chorando. Beijou minha testa e chorou em voz alta.
– Não chore, por favor. – consegui dizer, soltando mais sangue pela boca. Ficava cada vez mais difícil falar e Dean pareceu perceber isso.
– Não fale. Não se esforço, meu anjo. Guarde suas forças, por favor. – ele implorou, limpando o sangue que saia da minha boca com a manga de sua jaqueta. Chorei sem perceber, enquanto eu sentia minha alma se partindo. – Não chore, eu estou aqui com você. Você não está sozinha, meu amor. Estou com você. Eu sempre estarei ao seu lado, meu anjo lindo.
Eu não estava sozinha, sorri tristemente. Dean estava ao meu lado, exatamente como eu queria que ele estivesse. Ele me abraçava e realmente parecia se preocupar comigo. Ele sentia dor ao perceber minha morte, e eu me sentia um pouco mais feliz por não morrer sozinha.
As palavras de Dean foram ficando cada vez mais distante, até se partirem por completo, não sobrando nada. A escuridão virou meu mundo, e já não havia mais nada senão ela. A dor foi embora, mas eu estava flutuando em um mar de escuridão. Mas o importante, é que Dean nunca saiu do meu lado, como eu esperava que ele fizesse. Ele estava lá, segurando a minha mão, enquanto eu morria. Ele ficou a todo instante do meu lado, como se eu fosse importante; e apenas isso já me deixava feliz. Eu estava feliz por Dean ser a última memória que eu teria do mundo. Eu o amava. Algo dentro do meu coração dizia-me isso. Eu o amava. Verdadeiramente amava. Em um pedaço do meu coração estava escrito seu nome. E... Eu estava morta.
Versão Terceira Pessoa:
Arolin caminhou pela noite com a pobre criatura humana em seus braços, se embrenhando pela floresta, até chegar à velha cabana abandonada no meio na floresta, onde havia se transformado em seu esconderijo durante sua estadia escondia em Forks. Quando adentrou pela soleira da porta, logo pode ver Jane sentada em um canto qualquer, encolhida, com os braços envolta do pequeno corpo, paralisada e imóvel, com a graça que fora dada aos imortais. Seus olhos se encontraram por breves segundos, até que Jane abaixou seu olhar, desviando-se e Arolin continuou caminhando até uma velha mesa de madeira que havia no meio do cômodo, colocando a humana deixada sobre ela, descansando seu corpo ferido.
– Onde está Edward? – perguntou com autoridade, revistando o pequeno cômodo com seus olhos em poucos segundos, a procura do mesmo. Não o encontrando, olhou novamente para Jane, furioso e sem paciência alguma para brincadeiras. - Onde está o Edward?
– Está com o Félix. – respondeu sem olhá-lo, baixinho e sem vontade alguma.
– Escutei meu nome. – Félix adentrou a cabana, trazendo Edward em suas costas, o trazendo como se fosse um boneco morto, pendurado pelas pernas. O soltou no chão, fazendo o chão rugir com o impacto do corpo de Edward contra a maneira, enquanto Edward apenas continuou imóvel, sem ter qualquer força em seu corpo. – Estou certo? – sorriu debochadamente, fazendo um pouco de pose, teatralmente; o que fez Arolin revirar os olhos e ficar ainda mais bravo.
– Não estamos com tempo para brincadeira Félix. – Arolin disse, raivoso, ultrapassando Félix e abaixando para o corpo de Edward, para se certificar de que este ainda estava consciente. – O que aconteceu com ele? Parece mais humano do que nunca.
– Me diverti um pouco, Mestre. – Felix respondeu, sorrindo ironicamente e cruzando os braços musculosos envolta do corpo. – Você me falou que eu poderia fazer qualquer coisa, desde que eu não o matasse.
– Disse. – concordou Arolin, colocando uma mão no rosto de Edward, o dando tapinhas levas para que este recuperasse a consciência. – Mas não disse que era para você resolver se divertir, agora, no momento que estamos precisando dele consciente. – Arolin não conseguia acreditar no quanto Félix era um idiota, fazendo as coisas no momento errada. – Justo quanto estamos precisando dele, quando a está por aí, escapando dos meus dedos, fugindo de mim sem que eu possa capturá-la, você faz uma idiotice dessas; desprezando o único que é capaz de encontrá-la para mim. Somente, Edward pode nos ajudar a trazê-la de volta. Só ele pode fazer ela para mim. E, já que estamos no inferno, vamos abraçar o Diabo de uma fez. Se eu não posso matar de uma vez por todos este inútil, vou me aliar a ele, até que eu, finalmente, consiga o que eu quero. – Arolin continuou a falar sem demoras, balançou a cabeça, negativamente, não gostando do que estava vendo em Edward, surgindo até um pouco de preocupação em seu rosto. – Ele está demasiado fraco.
– Claro, não bebe sangue há... – Félix, tentou ser útil. Logo parou para pensar, mas apenas resolveu sorrir, não se importando nenhum pouco para o tempo que Edward passava cede. Edward não importava nenhum pouco para o que acontecia com ele. Nada neste mundo importava. Mas, como guardião de Arolin, ele tinha que permanecer ao seu lado e cumprir suas vontades, por mais inacreditáveis que elas fossem. Arolin era como uma criança mimada, e ele mesmo havia sido seu criador. Não havia nada que ele pudesse fazer para mudar sua situação, pois nada que ele fizesse poderia mudar sua condição de Guardião. – Tempo o suficiente para ele virar ossada.
Arolin se levantou, andando até a jovem que estava deitada em sua mesa. Era estava destinada para seus planos e naquele momento, não havia melhor escolha, do que a usá-la para trazer Edward de volta, só que de uma forma melhorada. Arolin sabia muito bem o problema que Edward tinha ao se controlar em relação ao sangue humano. Confessava, que até tinha ficado surpreso com o tempo que Edward havia conseguido controlar seus instintos. Mas, ao ter contato com sangue humano, Edward deixava de ser ele mesmo, quase como se perdesse sua essência. Ele deixava de ser o mocinho, para então se transformar em vilão. No fundo, era apenas um fraco, vivendo embaixo das assas de Carlisle. Edward nunca conseguiria resistir a cede sozinho, afinal, era apenas um fraco. Arolin só não conseguia entender o que Yonah tinha visto naquele vampiro. Ele era um nada. Um rato, e mesmo assim ela ainda continuava sentido aquele amor absurdo por ele. Mas, Arolin sabia, Edward era fraco sob o poder do sangue humano e nem mesmo seu amor por Yonah poderia salvá-lo, desta vez. Depois que ele começava a se alimentar dos humanos, ele não conseguia voltar a ser como era antes. Arolin sabia: esta noite, Edward se tornaria um monstro.
– Félix, traga Edward aqui. – Arolin disse simplesmente, ainda com os olhos fixos no corpo imóvel a sua frente.
– Mas...
– Não discorda comigo. Traga ele aqui, agora, seu inútil! – sua voz de autoridade rugiu como um leão furioso pela cabana, fazendo Jane os encarar com intensidade a distancia, prestando atenção em todos os momentos precisos dos dois monstros.
Félix não tardou ao obedecê-lo, contra sua vontade, mas não demorando ao respeitar as decisões do seu mestre; puxando o corpo de Edward por uma de suas pernas, o arrastando pelo chão imundo até chegar ao lado da mesa velha. Em seguida, Arolin pegou a jovem humana em seus braços, a encarando com a expressão duvidosa. Sentiu até pena do que estava por vim, mas logo não demorou ao colocar seu corpo ao lado de Edward, que no mesmo instante começou a ficar agitado pela aproximação de tanto sangue fresco. Por mais que estivesse quase inconsciente, seus instintos de proteção o avisavam que ali estava a sua salvação; o sangue quente que ele tanto ansiava estava derramando-se pelo chão em abundancia, logo deixando seu perfume se alastrar pelo lugar. Arolin sorriu prazerá mente , sentindo o corpo de Edward começar a arder de desejo, se debatendo freneticamente no chão, debatendo-se em agonia.
– Isso mesmo, Edward, sinta o perfume desde sangue fresco. – Arolin disse feliz, ao perceber a reação automática do corpo de Edward, sedento ao sangue. – Sinta como parece ser saboroso. Você não gostaria de provar um pouco dele? Não gostaria de se embriagar deste perfume?
Edward abriu seus olhos – que eram como os olhos de um louco –, os focados no corpo ferido que estava ao seu lado. Sua mente era como a de um animal desnorteado, ele já não conseguia pensar coerentemente, pois a sede se alastrava pela sua mente, fazendo com que não restasse mais nada, além dela. Se levantou abruptamente, se colocando sentado ao lado da humana, com os movimentos de um felino faminto, observando a presa com desejo e sem ter nenhuma razão. Edward já não parecia ser um ser racional que um dia já fora, ganhando movimentos e expressões de um animal selvagem. Arolin, entretanto, parecia um felino elegante, mas não agia como um selvagem louco, por mais que fosse assustador constantemente. Havia elegância em seus movimentos, como só tinha a graça de um imortal.
– Veja como ele está parecendo um animal. – Félix observou, se divertindo com a situação, andando até o canto oposto e encostando-se na parede, mas sem nunca tirar seus olhos de Edward.
Arolin riu, também cruzando os braços ao redor do corpo; andou também silenciosamente até o outro canto da cabana, o mais distante de Edward possível e se sentou no chão, aos pés de Félix, apenas observando as coisas acontecerem, diante dos seus olhos malignos. Ele se perguntava naquele momento quanto tempo Edward duraria para se render aos seus sentidos de monstro.
A mente de Edward estava perturbada pela sede, não havendo nenhum pensando coerente sequer. Seus sentidos gritavam dentro do seu ser, o fazendo tremer ainda mais de desejo por aquele sangue que se esparramava pelo chão imundo, imaginando se sentir novamente poderoso, predador, com todo aquele sangue em seus lábios, voltando a se transformar no monstro que sempre fora de verdade. Sua garganta queimava, o fazendo rosnar como um verdadeiro predador. Sua mente se apagava aos segundos, constantemente, o fazendo se perder pelos fragmentos que ainda restavam da sua antiga vida. Seu mundo já havia se partido em grandes quantidade, ele já não conseguia mais saber o que deveria ser na realidade. Estava cansado de lutar e lutar, e sempre continuar morrendo no fim das contas. Já não suportava as dores do seu corpo, tampou a dor que assombrava seu coração, que o fazia querer gritar pela morte. Infelizmente, a morte era a última coisa que ele poderia ter. Sabia em seu interior que Arolin nunca acabaria com seu sofrimento tão facilmente, ainda mais com o melhor remédio que era a morte. Sabia perfeitamente, que tudo o que Arolin verdadeiramente era vê-lo sofrer, pagando com seu sofrimento a dor que lhe causara por não ter o amor da única mulher que seria capaz de tocar seu coração. Arolin jamais seria capaz de perdoar e deixar Edward sair livremente daquela cabana. Jamais deixaria de torturar Edward de todas as formas possíveis. Não havia saída para Edward, e nunca mais haveria. Aquele era o final do túnel, a ultima saída; e Arolin a estava fechando permanentemente.
Seu coração, já estava destruído por dentro, tomado pela dor e pelo sentimento de derrota. Não haveria o que fazer, não haveria melhor decisão para ser tomada. Estava com cede, e se sentia morrer por dentro seu coração dilacerar por saber que já não havia mais o que fazer, sua vida havia se perdido, justamente no mesmo segundo que adentrou naquela floresta, para tentar proteger a única mulher que ele amava. Tinha sido um tolo ao pensar que seria capaz de cuidar de Arolin sozinho, pois Arolin já estava com tudo tramado, o esperando, para que assim terminasse com suas esperanças e sua vida. Era tolo. Tinha falhado e estava se sentindo morrer por dentro, por que sabia que não tinha sido capaz de manter em segurança. Com sua presença ao seu lado, ele apenas tinha declarado ainda mais a sua morte, assinado seu óbito com seu próprio sangue. Ao escolher ficar ao lado de , ele a mandou para a morte, sem ter o mínimo direito de se defender. Por ele, por um erro dele, acabaria morrendo de qualquer momento. Se eles ficassem juntos, não importava o tempo que fosse, morreria. Seu amor por Edward era maldito. Seu ser era maldito, e nada mudaria o fato de que ele estava condenado a ser um monstro. Mas, ainda havia uma chance. Ainda havia uma nova esperança para que ele pudesse salvar a sua amada, de uma vez por todas, colocando um basta naquela história. Havia uma nova oportunidade para que tivesse a chance de ser feliz, não sofrendo nenhuma influencia de Arolin para a atormentar. Ela poderia voltar a seguir sua vida, normalmente como se ele nunca houvesse existido, como se o amor dele nunca tivesse entrado em sua vida. Sem influencia dele, poderia voltar a ser normal, voltar a não se sentir como se sentia, ao entrar no meio daquele furacão. Ela teria oportunidade de saber o que era a felicidade, vivendo em perfeita paz, no lugar que bem desejasse. Seu amor por Edward era amaldiçoado e já não havia mais o que fazer. viveria feliz e nunca saberia o que aconteceu aqui nesta noite, nunca mais voltaria a se encontrar com Edward; e, no final das contas, ela acabaria pensando que ele estava feliz, em algum lugar bonito, com Bree em seus braços, recebendo e dando amor. Simplesmente por saber isso, poderia voltar a ser livre, por que não havia alguém por que lutar, um alguém por quem esperar e sofrer. Ela se libertaria dele. Seria feliz e nunca imaginaria que ele tinha se transformado em um verdadeiro monstro, que estaria por ai, matando qualquer vitima inocente. Ele já não se importava, desde que nunca chegasse a descobrir a verdade. A única coisa que doeria neste mundo era ver nos olhos de o quanto ela o odiava, o quanto ela o repudiava. era boa e jamais aceitaria vê-lo ser um monstro e continuar o amando. Ela o repudiaria, o renegaria e seria capaz de até mesmo matá-lo, para que ele não fosse capaz de matar mais alguém inocente. Para que não fosse derramado sangue inocente, seria capaz de até mesmo renunciar seu amor. E, como prova de amor, ela mesmo arrancaria sua vida, como respeito ao que ele um dia tinha sido, como honra a sua alma.
O que fazer quando não resta solução? Lutar, mesmo que você saiba que no final das contas, será derrotado? Desistir, para preservar as últimas forças que lhe restam e ter um fim mais digno? Mudaria alguma coisa continuar lutando? Pioraria alguma coisa desistir agora? Servir-lhe-ia de alguma coisa continuar lutando esta noite, mesmo sabendo que jamais seria forte o suficiente para derrotá-lo? Seria mais honroso desistir e assistir sua própria morte? Edward se questionava constantemente, desejando poder apenas morrer, ver seu corpo ser consumido pelas gramas do inferno, para assim ter qualquer paz. A grande verdade, é que ele se encontrava cansado, tanto fisicamente, quanto mentalmente. Sentia dor até mesmo em seus ossos e seu coração estava destruído. A sede que queimava seu corpo o deixava louco, debatendo-se como um animal selvagem, e mesmo assim sua mente gritava para que ele saísse dali, para que não se rendesse tão facilmente aos seus instintos. Mas, estava desesperado, sedento pela cede, impedido de pensar em qualquer coisa que não fosse aquele sangue vivido e convidativo, que seria a solução para todas as suas dores. Por que lutar se aquele era o melhor remédio? Aquela era a cura de seus males, mas porque parecia ser tão desolador se deixar levar por aquele desejo? Sua consciência não conseguiria suportar voltar a ser um monstro, um animal indomável? Ou era simplesmente seus medos demonstrando mais uma vez o quanto ele na verdade ele era fraco? O quanto ele poderia suportar se voltasse a lutar contras seus instintos? Depois desta noite poderia voltar a ser o mesmo de antes? Poderia voltar para os braços confortantes de , novamente? Poderia voltar a sentir o doce perfume dos seus cabelos? Ou o embriagante poder dos seus beijos? Por ela ele seria capaz de lutar contra si mesmo? Seria? Balançou a cabeça frustrado, colocando ambas as mãos na cabeça, se sentindo cada vez mais reprimido por dentro. Tudo o que ele queria era ser liberto. Principalmente, acima de qualquer coisa, queria libertar das garras da escuridão, que ele trazia para sua vida.
Não agüentando mais, cedendo completamente aos seus instintos, sedento por sangue, Edward se jogou em cima do corpo humano, dilacerando seu pescoço, gravando seus dentes na pele quente. No começou, começou como um suave sabor, que fora aumentando enquanto ele provava de sua vida, se sentindo cada vez mais vivo, voltando a ser poderoso de si mesmo. Seus instintos os dominaram por completo, o transformando e Edward pôde escutar o som de sua alma se quebrando em vários pesados. Doeu no inicio, enquanto a luz e o pouco de bondade que ainda existia em seu coração, tentavam lutar contra a nova força sobrenatural que puncionava seu corpo. Aos poucos, a dor foi se suavizando, enquanto sua cede aumentava significa mente, parecendo querer explodir seu corpo. No decorrer dos segundos, foi deixando de lutar contra seus próprios sentidos, se deixando cair no abismo que se transformava seu coração. Edward se transformava em um monstro, e quanto se deu conta, no ultimo segundo de existência de sua alma humana, pode sentir, dolorosamente, os fios de sentimentos que o ligava ao mundo se romperem de uma só vez.
Dilacerou o pescoço com mais vigor, querendo demorar mais vida, sentindo o corpo embaixo de si pesar cada vez mais, enquanto com os lábios entre apertos e perdida na consciência, a humana gemia cada vez mais de dor, sentindo o poder do veneno lhe possuir, enquanto Edward lhe devorava a alma com gosto. Ele a queria ver sofrer mais ainda, a queria ver implorar pela vida, pois se sentia satisfeito em fazer a maldade. Ele segurou firme o corpo entre seus braços, a fazendo gritar de dor, então percebendo que quebrara alguns de seus ossos. Sorriu com malicia, continuando a demorar sua vida, se sentindo poderoso e cheio de prazer ao ver a dor naquele corpo. Ele a demorava como um animal, cheio de sede por sangue e dor. Seus sentimentos humanos haviam ido embora, e tudo o que ele queria era matar sua presa da maneira mais dolorosa possível. Ele queria ver sofrimento. Ele queria ser o causador desse sofrimento, pois assim se sentiria satisfeito como nunca antes havia sido, nem mesmo quando estava nos braços de . Ele queria ver trevas, queria destruir.
A humana debateu-se em seus braços, voltando à consciência, porém com seu corpo já fraco e quase sem vida. Edward a atacou mais uma vez com seus dentes afiador, lhe mordendo mais profundamente desta vez, ele queria ver morte, queria ver sangue e, para ele o melhor e mais prazeroso, ele queria ver muita dor. Ele queria ver aqueles olhos lhe implorem por piedade, lhe implorarem pela vida, ele a queria ver tentar escapar, queria ver esperanças em seu olhar, para depois ver esta mesma esperança ser morta quando seus olhos se apagassem. Ele precisava disso, precisava de sangue. Cada vez mais precisava de sangue. Parecia que cada vez mais que bebia de seu sangue, se sentia mais sedento, mas viciado pelo liquido da vida. Ele queria mais, seu corpo selvagem lhe implorava por mais.
– Edward pare! Edward, assim você vai matá-la! – Arolin disse ao perceber que Edward estava cada vez mais entregue em sua sede, parecendo um animal abatendo sua presa, se sentindo cheio de prazer por fazê-la sofrer. Edward já não parecia mais humano, parecendo ser uma besta viciada por sangue devorando uma pobre criatura. Se Arolin permitisse, Edward facialmente mataria aquela doce criatura, mas no fundo sabia que não agüentaria assistir muito. Arolin não a queria morta, dentro do seu coração, sentia uma espécie de carinho por aquela humana, que agora estava sofrendo tanto nas garras impiedosas de Edward. Edward não lhe deu ouvidos, se jogando mais nos encantos de sua sede, sugando com mais forças, fazendo a humana gritar de dor. – Edward, eu ordenei que pare! – Arolin gritou furioso por Edward não lhe escutar, e pela humana estar sofrendo, mas do que ele queria. Arolin fez apenas um curto movimento, indo com rapidez em cima de Edward, o empurrando para longe da humana, sendo jogado para a outra direção, contra a parede da cabana, que tremeu com o impacto. – Quando eu disser para você parar, você me obedece.
Edward logo se levantou, se recuperando, rosnando alto como um animal selvagem, preparando-se para voltar a atacar sua presa, mesmo que para isso tivesse que passar pelo homem alto que se pôs em sua frente. Edward não admitiu para si mesmo que havia perdido, ele queria sangue, desejava matá-la. Ele ainda não tinha terminado, não tinha conseguido o que ele tanto queria. Ele queria tanto ver aqueles olhos bonitos se apagaram, ele queria tanto ver o brilho da vida se quebrar; ele não permitiria que aquele estranho se metesse com a sua vitima. Ela era dele. Era ele quem iria matá-la.
– Eu vou te matar! – Edward rosnou, com as palavras saindo estranha de seus lábios, como se ele fosse um monstro, que acabara de aprender a falar.
– Gostaria muito de vê-lo tentar. – Arolin respondeu friamente, estimulando cada vez mais Edward.
Edward avançou em direção a Arolin, que apenas continuava imóvel, com um sorriso desafiador nos lábios pálidos, esperando Edward tentar passou por ele. Todos naquela cabana sabiam quem sairia vencedor, mas Edward, como um animal que agora era, não conseguia sentir que seu adversário era muito mais poderoso do que ele. Edward se movimentou, com os movimentos de um animal selvagem, sedento e louco; entretanto, Arolin apenas continuou imóvel, como uma pedra esculpida, esperando a chegada de seu inimigo. Se jogando ferozmente contra Arolin, Edward rosnou, achando que acabaria de uma vez com aquele empecilho, que lhe separava da sua vitima, mas logo percebeu que as coisas não eram tão simples assim, seu adversário era mais veloz, mas forte e mais sábio. Com a graça de um felino, Arolin apenas deu um leve sono no estômago de Edward, enquanto o mesmo se jogava em sua direção. O corpo de Edward voou para a outra direção novamente, logo sentindo as mãos de Jane e de Félix o prenderem contra seus corpos destruidores. Edward rosnou alto, tentando se livrar das mãos que os prendiam, mas estava fraco e logo uma dor muito forte o atingiu, o fazendo cair no chão. Os olhos se Jane se concentraram em Edward, o fazendo sentir a pior das dores do mundo. Edward gritou, se debatendo.
– Ela é minha! – continuou se debatendo, sentindo ainda a cede e o desejo por sangue crescer dentro do seu corpo. – Ela é minha! Eu a quero de volta! – disse entre a dor que passou pelo seu corpo, e mesmo assim a cede conseguia ser ainda pior do que a dor que Jane lhe fizera. Edward era um monstro, estava descontrolado e já não conseguia pensar racionalmente. Era apenas um animal selvagem, tentando defender sua presa. – Eu te amo! – olhou para Arolin, querendo se levantar, mas não conseguia, por que a dor dominava seu corpo, o paralisando, e ele já não conseguia se lembrar de como movimentar seus membros. – Vou te ama!
– Ele se transformou em um afinal sedento por sangue. – observou Félix, se ajoelhando perto de Edward, olhando seu rosto com curiosidade. No mesmo instante, Edward rosnou para ele e o tentou morder, mas Félix foi mais rápido, desviando-se e logo Jane aumentou a dose de sua dor. – Mal se parece com o que um dia já fora. É apenas um monstro agora. Poderia julgar que ele chega até a ser mais monstro do que eu.
– Edward, nem se você quisesse, você poderia me matar. – Arolin disse calmamente, voltando seus olhos para a humana. – Eu o criei, e eu posso destrocá-lo no momento que desejar.
– EU QUERO SANGUE! – Gritou Edward voltando a se debater como um animal. – EU QUERO MAIS SANGUE! AGORA!
– Está em frenesi. – observou Arolin, julgando os movimentos de Edward. – Edward, escute, se você me escutar, você vai ter todo o sangue que você quiser, lhe dou a minha palavra, mas você vai ter que fazer tudo o que eu lhe dizer. Se você não fizer o que eu lhe mandar, eu o destruirei, sem nem ao menos pensar duas vezes. Agora, acalma-se!
Edward gritou, se debateu mais um pouco, mas logo compreendeu as palavras de Arolin, ficando mais rígido, porém imóvel, apenas olhando diretamente para a humana, seus olhos nunca deixavam sua presa por muito tempo, o desejo dentro de si apenas crescia ainda mais. Porém, sentia-se como um animal e seus instintos lhe avisavam que o homem de cabelos longos era verdadeiramente perigoso e que ele teria que se preocupar. Voltou seus olhos para Arolin, assentindo com a cabeça, as palavras de Arolin, porém ainda parecia um animal, ainda sentia o desejo de atacar, de matar e destruir qualquer coisa que estivesse viva na sua frente. Balançou a cabeça mais algumas vezes, como uma criança que esperava pelo brinquedo. Esticou a mão em direção ao corpo da humana, ainda sussurrando que queria sangue, porém não voltara a se debater como um louco.
– O cachorrinho está domesticado. – Felix zombou, olhando de relance para Edward e voltou para o lugar onde antes estava imóvel.
– Escute Edward, diga-se, você a quer? – Arolin continuou dando corda, observando os movimentos selvagens de Edward com cautela.
– Quero. – Edward respondeu, rosnando, voltando a olhar para a humana, com sua voz transformada pela sede e ele estava em combustão. Se debateu bastante, querendo mais sangue inocente em suas garras. Sua expressão mudava drasticamente, transformando-se em uma criatura desprezível. – Eu a quero! – dizia as palavras lentamente, para não se perder no meio delas e não voltar a se rebelar contra Arolin, pois já percebera que aquilo de nada lhe adiantaria.
– Por que você a quer? – Arolin quis saber, provocando mais Edward, para então descobrir até que ponto ele poderia chegar para obter mais sangue. – Como você a quer?
– Eu a quero pra mim. – respondeu, olhando com os olhos vidrados na sua vitima. – Eu a quero morta. Quero que seja eu ao matá-la! – gritou frustrado, sentindo sua garganta queimar e seu peito doer. Ele precisava da sua presa entre suas garras, a dilacerando, lhe causando dor, lhe trazendo prazer. Ele queria comer seu coração e beber seu sangue. Todo seu corpo clamava pelo sofrimento dela. Implorava para matá-la e teria que ter muita dor. – Me dê ela! – voltou a se rebelar, não agüentando mais seus instintos dentro do corpo, que borbulhavam em fúria por não ter o que tanto almejava.
– Posso dar todo sangue que você desejar. – Arolin propôs, aproximando-se de Edward. – Com toda abundância que você escolher e for do seu desejo, no entanto, você vai ter que me obedecer, escutar tudo o que eu lhe disser, sem alterar nenhuma palavra. – Edward foi se acalmando, então as palavras de Arolin começavam a lhe fazer sentido e ele pareceu ver uma oportunidade. – Eu transformei você em imortal, e somente eu posso lhe destruir no momento que bem quiser. Lhe tirei de uma vida humana desprezível e lamentável, abrindo seus olhos para uma nova vida, na qual você pode ter tudo o que você bem quiser. Lhe tirei da dureza de ser apenas um simples humano, posta na frente da morte a todo tempo, envelhecendo e morrendo cada dia mais. – Arolin andou até Jane, que a agora estava em pé o encarando, observando as cenas se desenrolarem diante dos seus olhos. Arolin pousou sua mão no ombro de Jane e no mesmo instante os poderes sobre Edward cessaram, o deixando completamente livre. Havia uma conexão direta entre Jane e Arolin, e ela era capaz de sentir exatamente o que ele queria que ela fizesse. – Assim como eu criei minha adorável Jane. – continuou falando, enquanto Edward começava a sentir seus membros, logo se levantando duramente, como um animal desconfiado, com os olhos de um caçador, mas com a brutalidade de um monstro. Havia apenas selvageria nele. – Eu criei você, lhe fazendo para esta fantástica oportunidade. Mas, como nada deste mundo tem um propósito, você foi criado por um único objetivo. Você foi criado para me servir e se fizer isso de bom grado, terá todo sangue que você desejar. Eu lhe manterei, já que sou bondoso e você irá me servir, já que lhe entreguei a imortalidade. Como sou seu Criador, você tem que ser meu servo eternamente.
Edward continuou rígido, com os olhos atentos, voltados para Arolin, que agora já não parecia ser mais tão ameaçador como apouco. Pensou um pouco em suas possibilidades, mas logo percebeu que sua cabeça estava pesada e sua memória estava desfragmentada. Sua mente conseguia se lembrar com clareza de algumas coisas que havia acontecido em sua vida, mas não conseguia se decidir se já sentira sentimentos ou não. Lembrou da sua família perfeita, mas não conseguia sentir nenhum sentimento por eles, eles já não significavam mais nada para ele. Estava sem alma, a perdera para a sede, e agora já não lhe restava nenhum sentimento ao se prender. Lembrou-se um pouco de uma mulher, mas por mais que se esforçasse, não conseguia lembrar do seu rosto. Ele parecia sentir uma certa repulsa a ela, mas não ligou muito, lembrando-se que um dia já a havia amada. O amor o havia se sentir fraco, exatamente por este motivo, ele a odiava por ela ter o poder de o fazer se sentir fraco. , seu nome surgiu em sua mente como um memória distante. Ele a amou um dia, mas agora apenas a desejava mal, sentindo até as ultimas células de seu corpo gritarem contra aquela criatura. Ela lhe trazia para luz, mas ele não queria estar na luz. Ele queria a destruir, para assim enterrar a memória do que ele um dia já tinha sido. Junto com Clearwater, morreria a melhoria de sua humanidade. Ele sentia nojo. Ele queria matá-la, enterrá-la para não ter que lembrar nunca mais do quanto havia sido fraco por ser apaixonar por uma criatura daquelas. Em um gesto de nojo, com o rosto contorcido em uma careta, Edward andou até Edward e se curvou diante dos pés mesmo, se prostrando no chão.
– Mestre. – não tardou a dizer, provocando um sorriso no canto da boca de Arolin. – Faço qualquer coisa que você quiser, pois você me livrou da maldição do amor que me manteve amarrado. Você trouxe de volta o que eu realmente sou, e nem que eu quisesse, poderia pagá-lo por tudo o que você me fez. Não quero voltar a me sentir fraco novamente, não quero voltar a me sentir tão desprezível como aquele sentimento me transformou. Sou grato a ti. Estou em suas mãos. A partir de hoje você é o meu Mestre, lhe entrego minha existência.
Arolin suspirou, fingindo estar pensativo, porém já podia sentir o sabor da resposta brotar em sua boca. Andou até onde Edward lhe reverenciava, o olhando com cuidado, analisando cada detalhe. Se aproximou mais, e brevemente colocou sua mão no ombro de Edward, fazendo o mesmo lhe olhar com profundo respeito nos olhos. Arolin sorriu brevemente, não suportando estar tão perto de seu inimigo, entretanto aqui já fazia parte de seus planos.
– Ele vai tomar em alguns minutos. – Arolin explicou, esticando para Edward um aparelho celular cinza reluzente. Edward pareceu confuso, mas logo sua expressão foi se suavizando, amenizando sua rigidez feroz, enquanto Arolin prosseguiu ao falar. – Alice vai te ligar, não deve demorar muito, deve ser questão de minutos. A noticia já se espalhou e tenho certeza que ela irá te procurar, preocupada e querendo sua ajuda. – Edward pegou o pequeno aparelho em sua mão, o encarando e reconhecendo que aquele era o seu próprio aparelho celular. – desapareceu, não acho que Alice demorara muito para considerar a idéia de lhe procurar. Como protetor da , os Cullen não demoraram a lhe pedir ajuda, já que você sempre foi ligado a . – explicou com delicadeza, enquanto caminhava para a mesa onde estava a humana, se preocupando cada vez mais com ela e com a sua saúde. – Tome um banho e se limpe, o banheiro está venho mais ainda funciona e lhe servirá. No pequeno armário no canto do corredor, você encontrará algumas peças de roupas, quase parecidas com as quais você está acostumado. – enquanto Arolin falava, Edward observava melhor a cabana onde estava, encontrando um pequeno correr, onde certamente, como já explicara Arolin, estava algumas peças de roupa. – Você saberá onde voltará a me encontrar, no momento certo. Por agora, quero que você volte para a cidade e finja ser o mesmo Edward bonzinho que você sempre foi. Tente se parecer com você mesmo, mas antes se parte bastante de sangue humano, para você não atacar ninguém em publico e acabar com nossos planos. Também encontrará algumas lentes de contato em uma caixinha dentro do armário, as coloque imediatamente quando voltar para a casa dos Cullen, assim você se parecerá mais com eles, disfarçando assim seus olhos vermelhos. Não haja com tanta selvageria, tente ser mais gracioso.
– E quanto a ?
– Disso vamos cuidando aos poucos. Assim que ela voltar, nós cuidaremos dela, mas antes finja que pelo menos se importa. – Arolin pegou a humana em seus braços, a pousando suavemente com a cabeça em seu ombro. Edward sentiu o desejo de tentar recuperá-la a força, mas sua lealdade a Arolin era maior. – Nos encontraremos em breve Edward. – Arolin disse simplesmente, lançando um olhar silencioso a Jane, que logo se levantou e se pôs ao seu lado direito. Logo Félix também a acompanhou, se dirigindo para o lado direito de Arolin, sorridente, agradecendo por sair daquele lugar. Houve mais um olhar silencioso entre Edward e seu novo mestre, mas no segundo seguinte, Arolin já tinha desaparecido por completo na escuridão, levando consigo sua refeição saborosa. Edward logo se sentiu com sede, mas antes que pudesse fazer qualquer coisa, o pequeno aparelho celular em suas mãos tomou e vibrou. Apenas apertou o botão e esperou que a outra linha falasse primeiro, levando o objeto até sua orelha.
“Edward.” – Alice parecia preocupada. “Edward, a desapareceu.” – choramingou, pensando que o irmão se chocaria com a notícia. Ao escutar o nome de , sentiu seu estômago se revirar e ele não quis pensar mais sobre aquilo. “Não estou conseguindo vê-la.” – continuou falando, sem perceber que estava acontecendo alguma coisa. Alice estava perdendo seus poderes pelas influencias de Arolin, no mesmo momento Edward soube. Tinha que confessar, Arolin realmente era esperto. “Por mais que eu tente acalmar meu coração, sei que alguma coisa muito ruim está acontecendo Edward. Sinto que algo de muito serio está acontecendo com a .” – Edward sorriu, apenas desejando que morresse e não voltasse para assombrar sua existência. Ele não sabia o que poderia acontecer ao ficar de frente a ela. “Edward, você está me escutando?” – Perguntou percebendo que o irmão estava calado demais.
“Estou voltando, Alice.” – Edward tentou imitar sua própria voz, porém sua voz estava fria como ao de um monstro. “Somente vou caçar um pouco, por que não estou em condições de ficar em publico com a sede que estou e logo voltarei . Conversamos em breve.” – desligou o telefone, não conseguindo disfarçar a monstruosidade em sua voz e a vontade de mandar Alice procurar outro para lhe ajudar, pois a ultima coisa que ele queria era ajudar . Tudo o que ele queria era vê-la morta, para que assim a memória de seu amor também morresse.
Capítulo 27: Verdadeiro Guardião
Dean sentiu o pequeno corpo em suas mãos pesar abruptamente, caindo sem vida em seu colo, enquanto seu coração dava a última batida suave – como se gritasse para o silêncio. A doce chama intensa negra de seus olhos se apagaram, depois de tanto agonizar, perdendo enfim a vida; os suaves cheiros doces dos seus cabelos negros misturavam-se com o cheiro exalante de seu sangue rubro, entretanto, estava com um toque diferente, que até mesmo Dean, que era apenas um humano, pôde sentir. O suave cheiro amadeirado de sangue mudava a cada segundo, se tornado um puro perfume de romã, misturando-se com o cheiro doce de seu sangue fresco. Algo não estava certo, Dean percebeu ao sentir a temperatura de despencava drasticamente ao percorrer os segundos. Sua pele, que sempre teve um tom amendoado, ganhava um tom pálido de mármore frio, com a firmeza de uma rocha.Não podia, continuou a pensar com pesar, dando-se conta do que estava estampado diante de seus olhos. parecia estar se transformando em vampira. Mas aquilo não era possível, por que ele bem sabia que nunca poderia se transformar em tal criatura; entretanto, poderia morrer como uma. Voltou seus olhos para o mar negro dos olhos da bela jovem, encontrando um mar de olhos avermelhados como sangue frescosólido, onde começava a brilhar uma chama fervente intensa.
– Não é possível. – deixou escapar de seus lábios com espanto, com a voz quase sem vida. “Isso não pode ser possível”, concluiu apenas em pensamento, sentindo sua mente ficar confusa pelo que seus olhos viam. Analisou os fatos com cuidado, olhando cada detalhe daquele pequeno corpo entre seus braços. Aproximou-se do peito coberto por sangue da garota em seus braços, encostando seu ouvido sobre o tecido úmido, tentando escutar o bater de seu coração. Não havia nenhum ruído sequer daquele corpo, tampouco o martelar esperado do seu coração. O tempo havia parado, a vida de se tornava apenas um vislumbre, o silêncio ensurdecedor gritava na morte em seu peito. Dean sentiu seu coração se quebrar no peito, no exato segundo que teve a confirmação em sua mente, percebendo que aquele corpo se tornava apenas uma casca vazia. Gritou para os céus, em uma explosão de toda dor que sentia, agarrando o delicado corpo, em um abraço firme, chorando em alta voz, soluçando e se lamentando. Ele se recusava a deixá-la partir, se recusava a perceber que ali já não havia sinal de vida alguma. Por mais que sua mente soubesse, seu coração se recusava a acreditar. Seu coração se rasgou, dilacerando seu peito, se recusando a acreditar naquele destino.
Seu amor não poderia morrer no final, desta vez. Ele se recusava a dizer adeus, sua alma clamava pela dela, sentindo da ligação entre eles apenas um silêncio mórbido e frio, gritando para seu coração, com o simples silêncio, que ela estava morta. Os segundos se arrastaram, ele continuou a gritar, mas nada adiantou, pois sabia que ela já estava morta. Continuou a gritar de dor, chorando muito, com sua alma repudiando sua própria existência.
– Dean. – Sam Winchester, o causador daquela crueldade, chamou seu irmão com a voz tremula, se abaixando junto ao irmão, tentando lhe dar o mínimo de consolo, confessando para si mesmo de que verdadeiramente se arrependera. Pousou sua mão no ombro do irmão, com suavidade, sentindo a dor em seu ser, escondendo com a outra mão livre, o punhal que usara de arma, dentro da parte traseira de sua calça jeans, entre seu corpo e o tecido sujo de sangue, que Dean pareceu não notar, pois estava desnorteado demais para pensar que seu irmão poderia ser o causador de tamanha crueldade. – Eu sinto muito. – lamentou-se, verdadeiramente sentindo, fechando seus olhos e deixando uma pequena lágrima solitária rolar pelo rosto de traços fortes. No fundo de seu coração frio, verdadeiramente se arrependeu do que havia feito, por ver seu irmão arrasado daquele jeito. Parecia que seu coração tinha sido arrancado do peito. Sam, verdadeiramente, havia pensado que seu irmão poderia suportar aquela perda, mas ao se deparar com aquela cena comovente, percebeu que sempre esteve enganado, Dean nunca poderia suportar a morte de sua amada. Antes, ele havia desejado a morte, para que seus olhos não fossem capazes de ver tamanho sofrimento.
– Não, não, não... – Dean se lamentou, perdendo a concepção do mundo ao seu redor, para sua alma, o tempo havia parado; ele também havia morrido. Tudo havia perdido o sentido, tudo o que ele sabia era chorar alto, gritando em meio à dor.
– Dean, ainda não está tudo perdido. – Sam se atreveu a dizer, segurando o rosto do irmão com firmeza, para ganhar a sua atenção, enquanto seus olhos mergulhavam no mar doloroso, que se transformavam os olhos verdes de Dean. Tudo o que ele conseguira encontrar, vasculhando aquela imensidão, era apenas um vazio frio, em meio a dores que ele nunca poderia imaginar ao sentir. Não era apenas por que Dean amava verdadeiramente aquela mulher, mas por que ele era dela de corpo e alma, sangue e coração. Sua ligação de guardião tornavam as coisas insuportáveis, por que era como se fosse também a morte de seu irmão, o mesmo podia sentir sua alma se quebrar, se romper, o deixar. Era ele quem estava morto. Seu corpo humano estava vivo, mas seu coração já se encontrava morto. Dean tentou entender as palavras que saiam dos lábios rubros do irmão, mas apenas estava confuso, sentia como se começasse a enlouquecer. – Dean, me escute, podemos ter alguma chance de trazê-la de volta. Podemos ligar para o Bobby, não sei, tentar fazer alguma coisa. Ainda não pode ser o fim, aquele vidente não disse que as coisas acabariam assim, não foi? – não houve resposta do irmão, que apenas olhava para seus olhos confuso, soluçando em meio as prantos. – Não a deixe partir, irmão. – as palavras ecoaram na mente de Dean, o trazendo um pouco para a realidade. Sam percebeu um pouco de vida nascer nos olhos do irmão, enquanto o mesmo parecia ganhar uma última esperança. Sam se aprofundou nos olhos do irmão e percebeu que sua mente começava a trabalhar, podendo quase escutar os sons das engrenagens começarem a voltar a trabalharem.
– Não vou deixá-la morrer. – Dean pode sussurrar, voltando seus olhos para o rosto de , sentindo um pouco mais de forças em seus membros, os sentindo vividos novamente. A segurança em sua voz fez Sam sorrir, percebendo que, aos poucos, ganhava o irmão de volta. – não merece morrer assim. – a dor voltou a assombrar seu pelo rosto.
– Não Dean, ela não merecia. – Sam concordou, com a voz morta, pensando consigo mesmo, concordando que havia sido muito injusto no que fizera. Se arrependera, desejava muito concertar seu erro.
Dean levantou-se abruptamente, segurando firme em seus braços fortes, sua mente ganhava vida, onde ele conseguia encontrar uma saída para aquela crueldade. Sam ficou parado por um momento, confuso, não esperando os movimentos do irmão, mas logo teve a certeza de que Dean Winchester voltara e não deixaria as coisas terminarem daquela maneira.
– Vamos, Sam. – Dean disse com a voz firme, começando a andar para o sentido oposto, levando em seus braços para o carro. Sam ficou confuso por alguns instantes, mas logo levantou e se pôs a seguir o irmão, lado a lado. – Eu sei exatamente o que fazer. – continuou Dean, com um sorriso fraco, que apenas demonstrou mais tristeza – o que não era a sua intenção. Mas, em seu coração, algo começava a brotar, trazendo calmaria, onde ele carregava a esperança que tudo terminaria bem. Ele veria novamente aquele brilho intenso nos olhos de , o mesmo brilho que parecia aquecer seu coração, com a chama fervente da paixão, que queimava em cada célula do seu corpo. Ele tinha a certeza que voltaria a escutar o doce som da sua voz, que o fazia ansiar mais pela vida, que o obrigava a lutar mais. Esta vez, ele não mentiria, não voltaria a dizer que não se importava, ele lhe afagava os cabelos e lhe diria que a amava, com toda força do seu ser.
Edward fechou os olhos, respirando o ar fresco da noite, sentindo a liberdade em suas células, os sons da cidade movimentada invadirem sua mente, o fazendo vasculhar por sangue, sentindo o verdadeiro monstro que era gritar em sua mente, o fazendo sorrir com apenas o canto da boca, um sorriso que atormentaria qualquer um, tão friamente que era. Ele era um caçador e estava à procura da melhor caça que poderia encontrar, ele queria se alimentar da criatura mais inocente que pudesse encontrar. Ele almejava por sangue, sangue inocente, que certamente lhe daria muito prazer. Correu entre os altos prédios, com a velocidade de um fantasma, tentando encontrar um cheiro que se aproximasse com o quão ele estava procurando. Teria que ser exatamente igual, com a mesma suavidade, com a mesma intensidade, que lhe fazia lembrar-se de pureza, de luz – a mesma luz que ele sentia repulsa ao lembrar que já havia amado; a luz que ele somente encontrara em apenas uma pessoa. Doce, tão bela e tão odiada, pensou entre dentes, lembrando do quanto ela o havia feito se sentir humano, fraco, rendido ao amor. Sentia raiva, repulsa, mas no fundo, em um lugar que ele queria apagar, sentia medo, por voltar a olhar em seus olhos e ver o quanto a verdadeiramente a havia amada, a amado com seu coração e toda sua alma. Sua alma havia partido, com todo aquele doce amor, o mesmo amor que o fizera cometer burrices, apenas por desejá-la deixar em segurança, aquele amor que ele tanto repudiava, por que o havia se sentir vivo, monstros não deveriam se sentirem vivos. Monstros eram apenas monstros, não tinham o direito de se apaixonar. Aquele amor era lindo, como uma melodia tocada ao piano, que ele mesmo criou, e a escuridão que existia onde deveria estar a sua alma, apenas desejava por apagar aquelas memórias. Não queria se sentir humano, o monstro dentro dele gritava, não queria voltar a se sentir fraco, rendido aos caprichos do amor que ele tanto havia ansiado. Agora ele desejava por destruí-lo. O único pedaço que restara de sua alma humana havia se quebrado e nada poderia voltar a recuperá-la. Era apenas escuridão, sem luz e, muito menos, com amor.
Parou abruptamente, sentindo um pequeno perfume no ar, em um rastro em uma pequena estrada escura, onde sua saída levava a um beco escuro, com lixos empilhados, onde havia uma criança entre as caixas, dormindo no chão. Edward pôde escutar o som de sua respiração quente, sentindo sua boca salivar, imaginando o sabor daquele sangue ao lhe devorar a vida. O coração batia suave, enquanto a criança apenas parecia ser um anjo. Um anjo como... Edward percebeu que aquela memória lhe fez sentir algo, um algo tão pequeno que ele não quis dar ouvidos, ou tentar entender, mas que em uma parte dentro do seu subconsciente, ele sabia que, por mais que fosse um monstro, aquele amor nunca seria apagado do seu coração. Porque, se já não possuía alma, ainda continuava a pensar nela? Porque seu coração se sentia preso, por simples que fosse, a aquele ser fraco? Ele a queria morta, mas por que se sentia ligado a ela, como se houvesse um cabo de aço o puxando pelo coração? Era tão bela, ele pensou lembrando-se de , sentindo sua voz mental falhar. E tão fraca, concluiu, esquecendo todo sentimento bom que poderia ter, pois nada dentro dele era bom. Jamais voltaria a ser. Isso era o que ele era agora e nada mudaria isso. Só que apenas sabia, de um jeito ou de outro, nunca deixaria de querê-la.
Pulou do prédio onde parara, pousando seus pés suavemente no chão, com a graça de um imortal, pensando que depois de mais de cem vitimas, começava a recuperar o controle sobre o seu desejo por sangue, não sendo mais aquele felino selvagem, entretanto ainda continuava um felino, ainda continuava um caçador a procura de novas vitimas. Se aproximou com leveza, com ágeis passos largos passos, de onde a criança estava deitada, em meio as caixas de papelão, onde dormia tranquilamente. Teria no máximo seis anos, concluiu ao analisar seu pequeno rosto redondo. Era uma bela menina, teve que admitir, sorrindo, lembrando-se de sua sede que somente crescia, como um leão faminto. Tocou seu rosto, abaixando-se junto a ela, sentindo a quentura de sua fina pele.
– Tão bela quanto ela. – sussurrou, admirando o rosto angelical, com outro rosto em sua mente. O monstro dentro de seu peito gritou, pedindo por sangue, pedindo por vida, pedindo por voltar a sentir aquele prazer. Edward começava a sentir que estava perdendo o controle sob seu corpo, percebendo que acontecia isso quando ele ficava sem sangue humano por muito tempo. Sem sangue humano, as memórias de eram cada vez mais freqüentes. E com as memórias, ele se sentia fraco, se sentia um pouco mais livre para poder lembrar de quando era humano, só que ele não queria voltar a se lembrar, nunca mais em sua existência.
era a sua obsessão, mas o sangue era o seu alimento. Naquele momento, ele era um caçador e ele não teria piedade de sua presa. Agarrou seu pequeno pescoço liso, no exato segundo que ela gritou com horror, com puro medo. Edward não tardou a fincar seus dentes na pele fina, dilacerando o pequeno pescoço, voltando a ser apenas um animal devorando sua presa. A criança tentou se debater, tentou fugir, mas o vampiro era mil vezes mais forte. Edward apenas sorriu, percebendo o pavor tomar aquele corpo, fazendo o pequeno coração martelar mais forte no peito, o fazendo entrar no ápice do prazer, sentindo seu corpo pedir por mais sofrimento. A criança tentou gritar, inutilmente mais uma vez, só que Edward já se desligara da realidade, voltando a ser o que realmente era: Um monstro.
Dean estacionou o carro negro no meio da perfeita encruzilhada, tirando com cuidado do banco de trás do carro, onde estava repousada delicadamente, quase como se dormisse, porém era um sono que jamais terminaria. Seria uma ilusão perfeita de que estava dormindo se seu rosto e seu corpo não estivessem banhados pelo seu próprio sangue, sua pele tão pálida como a própria neve e fria, enquanto seus olhos vermelhos, semelhantes ao seu sangue. A segurou com firmeza em seus braços, depositando um pequeno beijo no alto de sua cabeça, logo começando a andar um pouco, olhando para todas as direções, a procura de alguma coisa. Chamar aquilo de alguém era absurdo demais para sua cabeça.
– Apareça! – gritou, ao passar dos segundos, notando que nada mudara na cena a sua frente. – Eu sei que você está ai! E sabe por que eu estou aqui! – continuou a gritar, sentindo os pêlos de sua nuca se arrepiarem no exato segundo que terminara de gritar, sentindo uma presença negra se aproximando, caminhando pela escuridão. O vulto logo parou em sua frente, se transformando na figura de uma mulher, com cabelos loiros curtos e olhos negros que não sabiam o que era a luz, olhos que não eram humanos, tampouco gentis. – Até que enfim, querida. – brincou, se sentindo enojado por estar diante de tão criatura.
– Dean, não faça essa cara. – ela brincou, andando para mais perto de Dean, fazendo o mesmo se sentir ainda mais enojado. Logo ela fez a expressão de estar sinceramente magoada, porém seus olhos não deixavam de conterem maldade. – Até parece que não gosta de me ver. – continuou a brincar, colocando falsa mágoa na voz feminina.
– Não estou aqui para brincadeiras. – retrucou Dean entre dentes, perdendo a paciência, se sentindo enojado cada vez mais, olhando a figura em sua frente com ódio e nojo nos olhos.
– Não, não está. – respondeu, ganhando frieza na expressão e na voz. Logo seus olhos passou de Dean para a jovem e estava em seus braços, a fazendo sorrir triunfante, querendo esfregar na cara de Dean a vitória. Querendo cuspir em sua cara que ele havia falhado em sua designação. – Sei exatamente por que você está aqui. Não me julgue Dean, você sabe o quanto as coisas estão mais divertidas para mim. – Dean apenas fez uma careta com rancor e a criatura apenas sorriu, voltando a falar. – Você sempre soube que terminaria assim. Mas, confesso, pensei que a brincadeira fosse durar mais tempo. Você não fez um grande trabalho ao protegê-la. – gargalhou, e Dean pensou em retrucar e arrancar aquele demônio da face da terra, mas se manteve firme por . Ela continuava morta. Não ajudaria nada ser explosivo naquele momento, ele apenas teria mais trabalho depois. Não seria nada do seu agrado ter que procurar outro demônio para fazer o trato. – O Todo Poderoso Dean Winchester, diante de mim, que sou apenas um simples criado, para me pedir um “favorzinho”. – riu sinicamente, mas Dean permitiu que continuasse, reprimindo a vontade de acabar com aquilo naquele exato segundo. – Me diga, Dean, o que posso fazer por você?
Dean riu debochadamente, não acreditando que aquela brincadeira continuava e logo disse, sem paciência alguma:
– Você sabe, exatamente, o que eu quero.
– Não, assim não. – a figura disse andando ao redor de Dean, passando suas unhas longas e grossas pelas costas do homem a sua frente, como se aquilo fosse uma espécie de sedução. Dean apenas se sentiu mais enjoado, querendo socar aquela criatura. Fechou os olhos, respirando fundo, mantendo o foco, apenas prestando atenção no que saia daquela boca imunda. – Diga-me, querido, o que você quer de mim?
– Eu quero que você a traga de volta.
– E o que eu ganharia com isso? – perguntou se divertindo, voltando a ficar na frente de Dean, olhando profundamente em seus olhos verdes.
– Minha alma. – Dean concluiu com a voz fria, sentindo-se cansado e seus joelhos ameaçarem a qualquer momento.
– Olha, a alma de um caçador vale muito. – disse a figura, parecendo pensativa, enquanto Dean apenas não agüentava aquele fingimento todo. – Mas a alma de um guardião passa longe. – riu. A noite parecia ficar mais densa e Dean apenas desejava trazer de volta, não importava o que fosse, nem mesmo sua alma. Ele a venderia com prazer. – Com a sua alma, eu ganharia um lugar reservado do lado do Chefe. – concluiu, deixando sua verdadeira forma aparecer, voltando a ser um vulto negro na escuridão, porém Dean ainda era capaz de vê-la, mas seus olhos nunca virão tamanha horror.
– Vamos acabar logo com isso.
– Você não quer saber quanto tempo ainda vai ter?
– Eu não me importo. – respondeu com bravura, olhando brevemente para o rosto da jovem em seus braços, sorrindo suavemente. – Tudo vai ficar bem, meu amor. Logo você estará comigo, outra vez. – depositou um beijo carinhoso nos lábios pálidos, sentindo o gosto de sangue em sua boca. Ela viveria, tudo voltaria a estar bem, somente isso já era o suficiente para acalmar o seu coração.
– Que cena linda. – zombou o demônio. – Eu seria capaz até de parar o tempo para tirar uma foto. Comovente, tenho que admitir. O caçador, dando a alma para salvar a amada, que é apenas uma Caída. Nossa, não existe coisa mais linda.
– Chega! – gritou o caçador, com raiva. – Onde eu tenho que assinar?
– Assinar? – a criatura perguntou surpresa, se divertindo ainda mais com a situação, logo soltando uma fria gargalhada, que ecoou pela noite sombria, fazendo um arrepio percorrer a coluna de Dean, gelando até seu coração. – Não, bobinho. Você não tem que assinar nada. – concluiu, aproximando-se de Dean com velocidade, colocando ambas as mãos no rosto do caçador, o fazendo sentir mais repulsa, automaticamente estampando uma careta em seu belo rosto.A noite logo terminaria e os fleches de luz trariam de volta a vida. Seu coração voltaria a bater no exato segundo que os pássaros cantassem para um novo dia. teria uma nova vida, retornaria como a fênix que sempre fora. – Você não gostaria de me beijar?
Os passos pesados do salto fino contra o solo ecoaram pela noite, aproximando-se, chamando a atenção de Edward, o fazendo deixar a pequena presa em suas mãos de lado, virando-se e encarando a pessoa que entrava em sua presença. O cheiro de sangue fresco e álcool ficou mais intenso a cada passo, então Edward pôde sentir o reconhecimento em seu cérebro, ao olhar atentamente para o vazio em sua frente, poucos segundos antes de uma figura parardiante de seus olhos, o encarando com um sorriso divertido no belo rosto juvenil. Os cabelos dourados indomáveis ainda caiam violentamente pelos ombros, indo até o meio de suas costas nuas, onde a pele fina sobrenaturalmentepálida se fundia com o tecido macio do seu vestido preto longo; seu rosto continuou sorrindo, enquanto seus olhos pareciam um mar de olhos vermelhos, tão vividos quanto ao sangue que Edward acabara de beber. O ar falhou para Edward, o deixando paralisado, enquanto ele se sentia como se estivesse vendo um fantasma, que lhe assombrara por muitas outras vidas, quando ainda era apenas um humano, ou quando era apenas um vampiro tentando ignorar o que realmente era. A mulher se aproximou um pouco mais, o barulho agudo de seu salto, bateu contra o solo, fazendo Edward apenas sorrir, sentindo um desejo incontrolável de vingança dentro do peito; seu corpo agiu logo se moveu em posição defensiva, olhando-o com brutalidade e hostilidade. Ele teria arrancado sua cabeça em outra circunstancias, mas apenas se encontrava em um estado de aceitação, não sentindo nenhuma necessidade de acabar com a criatura que estava diante de si. Mas, ele apenas se sentia surpreso, porém seu corpo ainda agia por impulso com selvageria, como se houvesse um animal indomável em seu lugar.
– Katherine. – seus lábios sujos de sangue fresco sussurraram sem pensar, deixando seus dentes sujos de sangue aparecerem por um instante, no mesmo segundo que sua mente recusava-se a acreditar no que seus olhos vermelhos viam diante de si. Estava surpreso, mas sua mente percebeu claramente que seus olhos não mentiam. Sim, era ela mesma. A bela, porém maligna, Katherine estava em sua frente, o olhando com divertimento nos olhos –o mar que Edward já pode descrever ser azuis, que agora ganhava apenas um brilho vermelho intenso, como sua sede por sangue.
– Vejo que já começou a brincadeira sem mim. – ela sussurrou, ao passar a mão pelo cabelo dourado, com um sorriso brincalhão em seus lábios vermelhos, mostrando seus dentes afiados, os fazendo brilhar contra a fraca luz do poste, que mal os iluminava. Suspirou, parecendo estar triste, com profunda mágoa em seus olhos, logo voltando a sorrir e caminhar para mais perto de Edward. Precisava tocá-lo, perceber que ele era real e que não iria embora desta vez. Seu Edward estava de volta e sentia uma alegria descontrola doura no peito, desejando certificar-se de que Edward já não possuía uma alma. Tentou tocar aquele belo rosto, de suas memórias vividas, com os dedos pálidos, mas Edward apenas a recusou mais uma vez, virando seu rosto com repulsa, fazendo uma leve careta de desdém. Sentiu seu coração doer, com a dor assombrar e brilhar em seus olhos, mas logo se recompôs, voltando a colocar uma máscara de frieza em sua face, se afastando de Edward e sorrindo para sua própria tristeza, como se ela verdadeiramente não se importasse. No fundo, teve a confirmação de que por mais que Edward fosse um verdadeiro vampiro agora – no verdadeiro sentido literal da palavra –, seu corpo, sem perceber, ainda continuava a repeli-la com nojo e aquilo foi como cuspir em sua face. Se sentiu, novamente rejeitada, com um fraca dor que começava a crescer em seu peito, porém logo a raiva tomou seu ser, aplacando toda sua dor. Era tudo por culpa daquela loba idiota! Sua mente gritou, e ela se sentiu tomada pelo desejo de destruição. Poderia ter qualquer homem que bem desejasse, todos aquém ela havia almejado caíram em suas armadilhas de sedução, porém com Edward havia sido diferente. As garras do amor estavam tão fincadas em seu coração, que ele nem ao menos a percebeu como mulher, seus joguinhos de sedução não lhe pegavam, ele não sentia a necessidade descontrola doura de possuí-la, como os outros homens naturalmente sentiam. Edward, sendo vampiro ou não, bom ou mau, sempre continuava sendo obcecado por aquele louco amor, por aquela loba fraca, que jamais poderia lhe dar o que seu lado vampiresco tanto clamava. Ela era fraca, não aceitava sua escuridão e Edward, mesmo assim, como um idiota, ainda continuava obcecado, ainda continuava tentando tê-la mais uma vez em seus braços, em uma noite de amor, tomada e incendiada pela paixão. Por mais que seu corpo não tivesse alma, que seu coração não fosse bom, como agora, ele ainda continuava obcecado, mesmo sem perceber, a desejando de qualquer forma, mesmo que dessa forma os destruísse. Edward já não poderia amar , já não sentia sentimento nenhum, entretanto, se sentia ainda amarrado a mesma, dentro de uma obsessão que, certamente, a mataria. Ele sentia o desejo de lhe tomar em seus braços, a possuir com paixão, enquanto bebia de seu sangue. De uma forma, ou de outra, Edward sempre permaneceria ligado a , mesmo que essa forma fosse boa ou ruim, se os fizesse viver... ou se os matasse. Seriam, ambos, consumidos pelo fogo.
Por quanto tempo Edward resistiria às influencias de Arolin? Por quanto tempo continuaria não sentindo aquela obsessão em suas veias, ao lhe inflamarem pelo desejo doentio? Ela não sabia. As coisas já não eram como antes, quanto Arolin os destruiu por completo, havia alguma coisa nova, alguma coisa que nem ela mesma poderia reconhecer, ou a descrever. Edward cumpriria as ordens de Arolin, disso ela ainda tinha certeza. Mas, até quando? Por quanto tempo? Não fazia idéia. Apenas estava ali, mandada por Arolin, para descobrir.
– Brincadeira? – Edward perguntou com tom zombador, recompondo-se, voltando a ter apenas uma única expressão fria em seu rosto. – Não. – sorriu, lhe dando uma leve piscadela, enquanto balançava sua cabeça em negação, suavemente, minimamente, se mostrando descontraído. – Isso é apenas uma travessura de criança. – sorriu travesso, limpando o canto dos lábios, por onde caminhava uma solitária gota de sangue. Seu rosto ficou sério, de repente, com os músculos se enrijecendo, ganhando maldade nos olhos. Aquele não era um bom dia para joguinhos. Ele não estava nenhum pouco afim para suportar as brincadeiras de Katherine. – O que está fazendo aqui, Katherine? – exigiu com a voz banhada pela crueldade. Ele não a suportava e não fazia nenhuma questão de esconder isso.
Katherine respirou fundo, tomando coragem dentro de si para responder, enquanto as palavras de Edward martelavam por sua cabeça, fazendo uma fraca dor queimar em seu peito. Só por um segundo – um segundo idiota, ela supôs – ela havia pensado que as coisas poderiam ser diferentes desta vez. Por um único segundo, considerou a idéia de Edward ficaria feliz em vê-la, que havia sentindo sua falta que... Talvez, pudesse amá-la. Mas, ela tinha sido apenas uma idiota ao pensar que aquilo poderia acontecer. Era Edward ali, não apenas um qualquer vampiro.
Katherine caminhou para distante, com sorriso zombador, piscando suavemente para Edward, decidindo voltar para a brincadeira.
– Nos conhecemos há... – pareceu pensar um pouco, colocando as mãos na cintura, tentando aparentar que calculava em sua cabeça, olhando fixamente para Edward, não perdendo o tom zombador em sua voz aveludada, imersa em emoções que Edward não fazia questão de perceber. – Cem? Duzentos? Talvez até trezentos anos... Eu senti saudade. – confessou, com uma voz de menininha frágil, querendo um pouco de sentimento vindo de Edward.
– O quê você quer? – Edward continuou perguntando, com a voz grossa, olhando com fúria nos olhos para Katharine.
– Sinceramente? – lhe perguntou, tentando se recuperar do buraco que Edward havia feito em seu coração, ao lhe dirigir tais palavras cruéis. Mas, nem de longe, suas palavras eram tão cruéis, como seus olhos conseguiam ser. Aquele olhar a fazia querer se esconder, ir para um lugar que Edward não a encontrasse, mas, Arolin era quem mandava naquele teatro todo, ela não poderia fugir, ou até mesmo se esconder, tinha que continuar ali, fingindo, simplesmente, que não se importava; mesmo sabendo que, no fundo, Edward sempre saberia sobre seus verdadeiros sentimentos por ele. – Eu quero que Clearwater morra. – disse por fim, com seu rosto se transformando em pura maldade, deixando toda sua rejeição se transformar em ódio.
– Então, desejamos a mesma coisa.
– Será mesmo Edward? – Edward apenas continuou frio, enquanto Katherine resolveu continuar. – Já não estou tão convencida disso.
– Não me importa nenhum pouco o que você pensa sobre mim. – Edward respondeu, se afastando, sorrindo friamente, como se quisesse pisar ainda mais em Katherine. No fundo, até mesmo ela, sabia que isso era o que ele realmente desejava. – Não me importou sobre o que você está convencida ou não. – passou os braços sobre o peito, continuando a sorrir. – Você não me importa nenhum pouco Katherine.
Katherine fingiu não se importar, mas seu coração estava em pedaços. Nunca havia ouvidos palavras que a machucaram tanto.
– Afinal de contas, você é o Edward, o fraco que se apaixonou. – fingiu que as últimas palavras não houvessem existido, dando as costas para Edward, se sentindo cada vez mais humana, com as emoções prestes a destruí-la por dentro. – Eu tive dois humanos, só que os matei. – ela quis lhe fazer mostrar que era a superior, para assim aliviar sua humilhação. – Dei a imortalidade a eles, enquanto você nem mesmo isso pôde fazer. – jogou na sua cara o quanto era fraco, sabendo que o novo Edward, o verdadeiro, jamais gostava que mencionassem o quanto ele havia sido fraco ao se apaixonar por , se rendendo a humanidade, coisa que Edward não suportava. – Nem mesmo a imortalidade você foi capaz de dar para a sua escolhida, pois ela, aquém você escolheu, é a única que não pode possuir a nova imortalidade. No fundo, você apenas continua sendo um fraco, sabe bem disso. Sempre será. – gargalhou, querendo que Edward se colocasse em seu devido lugar, pois a fraca ali não era ela, mesmo sabendo que Edward poderia reverter à situação a qualquer momento que bem desejasse. Uma mulher rejeitada era um perigo, imagina uma vampira. Katherine queria que Edward sentisse o que ele a havia feito se sentir. Tão humana, tão fraca, que seria digna de pena. – Você nunca vai possuir aquela criatura. Isso lhe torna fraco. Tão fraco, que as garras dela irão te destruir. Logo você se transformará em um cachorrinho, novamente, sedento, mendigando por um simples bocado de carinho. – cuspiu as palavras, voltando a encarar Edward, o desafiando com os olhos.
Edward, esquecendo-se de que deveria se comportar, e que não poderia ferir Katherine, porque ela era uma protegida de Arolin, voou no pescoço da vampira, percebendo que a mesma não esperava, ficando completamente desprotegida. Katherine tentou lutar, depois de se recuperar da surpresa, mas Edward era o vampiro mais agiu ali, mostrando o seu verdadeiro domínio. Por mais que Katherine fosse a vampira mais velha, Edward ainda tinha em seu beneficio a cartada de lhe pegar de supressa, com a guarda baixa, a deixando completamente desprotegida. A segurou pelo pescoço, erguendo-a do chão,fazendo a mesma arfar em suas mãos, sentindo dores profundas na garganta, com o medo tomando seu corpo. Tentou falar, mas as palavras não saiam, ficando cada vez mais sufocada, por que Edward estava no controle e a queria machucar.
– Nunca mais repita isso. – Edward tornou a dizer entre dentes, apertando ainda mais o pequeno pescoço de Katherine entre suas mãos, a encarando com fúria nos olhos, fazendo a mesma sentir medo se apoderar do seu corpo. – Juro que se você voltar a pronunciar tais palavras, me esqueço de quem é o seu mestre e eu te mato. Porém, matá-la simplesmente, não seria o suficiente. Irei lhe fazer implorar pela morte, ansiar para que a dor cesse. Disso você pode ter certeza. Você irá ansiar pela morte, porém ela irá lhes responder. Não até que eu não queira. – a ameaçou, fazendo Katherine tremer em suas mãos, com um sorriso diabólico em seus lábios cruéis.
Um coração começou a bater, suavemente, no peito de , no mesmo segundo que a figura negra se dissolvia na escuridão da noite. A garota respirou com dificuldade, lutando um pouco por ar, tentando se lembrar de como fazia aquilo, sentindo seu corpo começar a voltar a trabalhar, como se levasse um choque da maior freqüência. De suas feridas, agora sangue negro começavam a sair, com um queiro fortemente doce, misturado com o cheiro exalante da morte. O veneno dentro do seu organismo começava a sair de sua corrente sanguínea, jorrando ferozmente, necessitando eliminar o que estava a matando, logo inundando o chão frio de asfalto negro. Dean deixou um sorriso aliviado escapar de seus lábios agora pálidos. A experiência de beijar um demônio tinham sido demais um único só dia, o deixando no chão, completamente enjoado. Seu estômago parecia entrar em combustão, nem mesmo podendo perceber o momento exato em que a jovem deixada em seus braços, começava a acordar para a vida.
Observou aquele todo aquele sangue negro, percebendo que aquilo não era normal, notando que o organismo de havia sido envenenado. Passou a mão pelo rosto da jovem, notando que a mesma ainda parecia estar imersa na escuridão, com seus olhos sem se focarem em nada ao seu redor. Os olhos de continuaram vermelhos por mais alguns minutos, enquanto aos poucos, o tom avermelhado começava a desbotar. Dean assistiu todas as transformações, olhando no fundo naqueles olhos, se sentindo aliviado, como se via a vida brotar diante de seus olhos. Logo o tom castanho ganhou mais força, sendo dominante entre todos os outros. Dean soltou uma gargalhada de emoção, como se estivesse assistindo um milagre. No fundo, sabia que estava mesmo. Aos poucos, a ligação do seu espírito com ao de , começava a ganhar força, o permitindo sentir suas emoções em seu corpo, como se fossem as suas próprias.
estava com dor, logo sua dor o atingiu, desacostumado com aquelas sensações. Olhou para o ferimento dela mais visível, encontrando um buraco profundo no meio do peito. Arfou de nervoso, sem perceber, olhando aquele ferimento, esperando para que ele se fechasse. Não houve nenhuma resposta breve, notando enquanto que o demônio apenas havia retirado o veneno dentro do seu organismo; não curado todas suas feridas, como em um passe de mágica. Xingou, baixinho, percebendo, enfim, que foi enganado, pegado em seus braços, com muito cuidado, a levando para o carro preto. Agora, ele sabia exatamente o que fazer. O pior já havia passado.
tentou respirar novamente, sentindo dores por todas as partes do corpo, começando a gemer de dor, deixando Dean desnorteado, sem saber o que fazer. Parecia que voltava aos poucos para seu corpo, mas as dores lhe atingiam fortemente em todos os lugares.
– Shhh. – Dean tentou acalmá-la, a colocando delicadamente no banco traseiro. – Agora, tudo vai ficar bem, meu amor. Vou fazer com que toda essa dor passe logo. – continuou tentando acalmá-la, percebendo que a mesma ainda não o ouvia.
Suspirou, desesperado por ser todo seu sofrimento, se sentindo impotente. Passou a mão desesperado pelo seu próprio rosto, tentando arrumar um plano para ajudar . Andou até o banco da frente, sentando-se, logo ligando o carro, dando a partida. O motor do seu carro protestou, mas logo seguiu seus comandos, dirigindo-se para a direção certa aonde Dean pretendia ir. Pegou o celular no bolso, discando o primeiro número da sua agenda telefônica. Espero que chamasse, logo escutando a respiração preocupado do irmão do outro lado da linha.
“Sei o que a matou.” – Dean rompeu a escuridão do silêncio. Do outro lado da linha, Sam ficou rígido, preocupando-se imediatamente com as palavras do irmão. “Estou voltando, Sam. Me encontre na casa do Bobby, daqui há duas horas. Acho que você ainda sabe como se chega lá, pela estrada principal. Não fica muito longe daqui, roube um carro e venha.” – continuou, dando as coordenadas para a outra linha. “Só não vou te buscar por que tenho que passar em uma farmácia antes, para poder arrumar os remédios necessários. Estou sem tempo.”
“Dean... Ela está viva?”
“Sim, Sam. Ela está viva.” – respondeu simplesmente, desligando o celular, o jogando pelo banco do lado do carro. Olhou para , sentindo seu coração apertar no peito.
Versão Clearwater:
Meu corpo humano estava morto, eu sentiaalgo me dizer isso ao flutuar, mas minha alma eterna nunca esteve mais viva. Eu estava flutuando na escuridão, com a alma livre, em um lugar que a consciência já não existia. Eu me sentia em plena liberdade, sentindo uma brisa suave e morna tocar meu rosto, bagunçando meus cabelos longos, os fazendo entrar em uma dança silenciosa. Lembrei-me de respirar, mas não encontrei meus pulmões, me sentindo ser misturada ao ar vazio. Sorri, sem ter qualquer motivo, me sentindo segura – aonde quer que eu estivesse. Os detalhes já não me faziam diferença, portando eu não me agarrava a eles. Tudo o que eu realmente queria era continuar flutuando, dançando e me fundindo com o vento morno e acolhedor. Talvez eu pudesse estar no céu, supus, sentindo a calmaria invadir minha alma. As cores se fingiam diante de meus olhos, tornando-se de escuras á cores claras, transformando aquele cenário no meu céu perfeito. Eu me sentia um pássaro livre voando pelo céu, indo de encontro com o que de mais belo existia.
Aos poucos, as cores claras foram se fixando, provando-me de que eu estava certa. Eu estava no céu, não um céu que todos julgamos ser o que iremos quando morrer, como uma espécie de morada; claro que não. Eu, verdadeiramente, estava voando pelo céu, indo em direção ao sol ardente. Entretanto, o sol não me feria, exatamente ao contrário, me fazendo me sentir cada vez mais acolhida pelo seu calor e sua grandiosa luz.
Depois de tantos séculos vagando pela escuridão, eu finalmente me sentia voltando para casa.
Meus olhos ganharam foco, enquanto meus lábios sorriam, ao me deparar com o lindo céu azul claro diante de mim. A brisa tocava meu corpo, me sentindo entrando em uma dança suave com ela. Olhei para baixo, surpresa, percebendo que o céu não tinha nem um começo, muito menos um fim. Eu estava flutuando nele. Sorri, admirando aquela beleza toda, voando em direção ao Sol, me sentindo sendo puxada docemente para ele.
Olhei para meu corpo, percebendo uma forte luz sobre mim, me fazendo gargalhar de reconhecimento, trazendo as lembranças do meu verdadeiro ser. Eu já havia sentindo aquela sensação antes, muitos séculos atrás, quando era apenas um espírito livre, sem escuridões e sem sentimentos humanos. Minhas enormes asas douradas bateram-se com mais força, fazendo-me então perceber que eu possuía assas belissimamente douradas, donas de uma luz cegante para qualquer olhos humanos.Mas, eu já não era mais humana. A luz do Sol diante de meus olhos me chamaram com mais intensidade, me fazendo esquecer por hora o fato curioso de eu ter um par de asas no ambos dados das minhas costas nuas. Voei commais força para a direção da luz... então foi nesse momento que as coisas começaram a darem errado; Que eu senti todas as dores humanas e seus sentimentos me arrastaram com brutalidade.
Algo me puxou com força para baixo, me fazendo sentir uma dor forte em meu corpo, fazendo todo meu corpo sangrar, enquanto minhas asas pareciam serem serradas ao meio. Olhei apavorada para a direção das minhas asas, as encontrando cortadas ao meio, molhadas de sangue, sentindo um grito de dor escapar dos meus lábios entreabertos. A dor pareceu cortar-me ao meio, enquanto a forte pressão me empurrava para baixo. Senti algo prender meu corpo, e eu não consegui lutar, sentindo-me atacada pela dor. Comecei a cair desesperadamente, ficando cada vez mais longe do sol que me cantava uma doce melodia. Aos poucos, as cores claras e o céu azul ao meu redor foram desaparecendo, enquanto eu me sentia cada vez mais ferida. Tentei lutar, mas meu destino já estava traçado. Eu não voltaria para casa. Não voltaria a estar em paz. Minha alma terrena estava sendo despertada, fazendo-me explodir aos poucos, quanto mais me aproximava do solo. Algo fortemente agarrou meu braço, o puxando para a minha antiga vida. Algo me chamava para a realidade da minha antiga vida, mas eu não queria voltar. Não queria voltar a sentir sentimentos algum. Eu apenas queria voltar para a luz, voltar para o meu Sol que, certamente, me consolaria. Eu não queria ser humana. Agora, eu aceitava o que eu era. Um anjo de Deus. Uma lutadora pelas causas do Pai. Não queria voltar a ser apenas uma alma perdida na escuridão do mundo. Eu queria retornar para os braços do Pai. Estava cansada demais de sofrer, a vida havia me ensinado inúmeras lições, mas em meu coração, eu sabia que nada valia à pena.
“Não!” – gritei, lutando para voltar para a luz, para não ter que voltar para o meu corpo humano.
O Sol parou, a Lua também, no mesmo instante em que meu coração humano parou de bater – mesmo que tenha sido por segundos, eu me sentia na eternidade, desejando que o tempo não voltasse a correr, que minhas veias não voltassem a obrigar meu sangue a correr, que minha vida não acordasse. Meu corpo estava morto, era assim que eu queria estar. Pois, nunca havia me sentido mais vida.
O mundo terreno havia ficado distante, silencioso como a noite. As lembranças, que tanto me machucavam, já não me torturavam. Eu apenas desejava que aquilo tivesse continuado assim por mais tempo. Agora, brutalmente e dolorosamente, eu estava sendo sugada para o meu corpo terreno.
A pressão envolta do meu corpo ficou cada vez mais insuportável, me fazendo entrar em combustão. Os sentimentos humanos voltaram para minha alma com crueldade, como se fosse uma grande bomba, fazendo-me gritar de dor olhando para onde o céu deixava de existir, se tornando cada vez mais negro. Todas as dores possíveis tomaram meu fraco corpo, eu já não conseguia mais me manter calma, como antes estivera. Agora, eu era apenas uma alma perdida, novamente, vagando por toda aquela escuridão, sem encontrar um verdadeiro sentido. De repente, alguém segurou minha mão, firmemente, tentando me puxar para cima, impedindo-me de continuar caindo. Olhei assustada e surpreendida, para a direção de seu toque, encontrando dois olhos verdes me encontrando, no mesmo segundo que um sorriso torto tocou seus lábios rosados.
“Edward.” – minha mente chamou seu nome, com a surpresa em minha voz. Ele sorriu ainda mais, segurando minha outra mão, como se escutasse meus pensamentos. Não consegui entender, foi então que olhei para seu corpo, percebendo que ele era sustentado por duas assas enormemente prateadas, que brilharam ofuscante mente perante meus olhos. Olhei tentando para minhas próprias assam douradas, as encontrando sem brilho, quase sem vida alguma; cordadas ao meio e banhadas no meu próprio sangue. “Me ajude.” – pensei, novamente, suplicante, olhando para baixo, para a pressão, que estava faminta por me demorar para baixo. “Não me deixe voltar.” – implorei, chorando, sentimento todos meus sentimentos me arrasarem por dentro.
“Estou tentando...” – sua voz aveludada ecoou em minha mente, enquanto seus olhos expressavam sua dor. “Estou tentando...” – Ele parecia estar lutando com milhões de escuridões dentro de sua própria alma, entretanto, ainda sim, continuava tentando lutar também com as minhas.
“Por que está aqui?” – perguntei, dando-me conta de que ele não deveria estar ali comigo. Só nos tornaríamos o que realmente éramos se... “Você também morreu?” – perguntei com dor, não querendo realmente ouvir a resposta. Meus olhos sangraram de dor, no mesmo segundo que ele olhou para mim e não disse nada, com a dor ultrapassar pelos seus belos olhos. Não! Tentei me recusar a acreditar que ele estava morto, sentindo sua dor na minha própria alma. Ele não disse nada durante um bom tempo, enquanto continuava a segurar minhas mãos, olhando profundamente em meus olhos, me fazendo sentir toda ternura de seu ser. Mas, eu ainda precisava da resposta para continuar, por que a dúvida estava me matando por dentro, mesmo uma parte de mim tivesse certeza de que ele estava do mesmo jeito que eu. Morto. “Edward, você está morto?” – perguntei simplesmente, em meus pensamentos.
Desta vez ele apenas não ficou me olhando, abrindo a boca suavemente e deixando sua voz de sinos alcançarem meus ouvidos.
– Sim, eu estou morto.
Desta vez perdi a razão, sentido-me cair um pouco, mas logo suas mãos continuaram a me suspender no mesmo lugar. Eu sabia o que aquilo significa, mas meu coração se recusava a acreditar na verdade. Mesmo estando naquele estado, eu ainda o amava com toda minha alma. Ali, com suas mãos me segurando-me, me impedindo de voltar para a escuridão, eu podia verdadeiramente sentir a força do amor que nos ligava. Ele era a minha outra metade, mesmo que as circunstancias humanas tentassem mudar isso. Ele não era apenas o meu guardião, que estava ali tentando fazer o seu trabalho. Edward, desde o principio, sempre foi muito mais do que isso. Ali, sem as confusões humanas e sem as influencias de Arolin, eu sabia que ele era o meu verdadeiro amor. Ele sempre seria, mesmo que meu corpo humano e a escuridão tentassem reverterem isso. Mas... Ele estava morto, mesmo que eu não quisesse aceitar isso. Sua alma estava livre, mas seu corpo humano estava morto. Eu nunca mais o veria, novamente. Eu nunca sentiria aquele amor em seus olhos. Sua alma se fora. A dor me engasgou e, ele sentindo que eu já não agüentava, rapidamente, sentindo que o tempo terminava, me abraçou, colocando seus lábios sobre os meus, ligando nossas almas pela última vez.
“Eu sempre amarei você.” – sussurrou entre meus lábios, segurando-me com força, também se recusando a me deixar partir. A separação era insuportável para nósdois. “Prometo que vou encontrar um jeito de voltar para você, meu amor.” – prometeu, sentindo a pressão ficar mais forte, quase conseguindo nos separar. Meu corpo humano clamava pela minha alma. “Vou voltar por você.” – suas palavras foram interrompidas entre meus lábios, no momento que a escuridão me segurou, me puxando com força para baixo. Ele tentou me segurar, novamente, só que desta vez a escuridão foi mais forte. Seus olhos estamparam sua dor, mas já era tarde. O tempo se acabou, meu coração humano voltou a bater, a escuridão colocou suas garras em cima de mim. Eu estava caindo, sendo arrastada pela escuridão, indo de encontro até meu corpo, sentindo minha alma se rasgar em milhares de pedaços. Era como morrer novamente, só que muito pior do que da primeira vez. Não me sentia como se meu corpo estivesse morrendo agora, mas como se minha alma estivesse. Meu corpo humano renascia, porém, minha verdadeira essência estava morrendo para que isso acontecesse. Eu estava retornando ao ser limitado que os seres terrenos verdadeiramente eram. Meus olhos voltavam a ver apenas o visível para os vivos. Eu estava deixando o que verdadeiramente era. Deixando minha alma imortal se prender a aquele corpo frágil, me distanciando de Edward cada vez mais. A dor pirou, no exato segundo que pude sentir meus dois corpos se chocarem em uma explosão. Minha alma se recusou a entrar, fazendo-me perceber onde eu me encontrava.
Dean segurava meu corpo entre os braços, olhando profundamente para o meu rosto, como se esperasse para que o milagre acontecesse. Olhei atentamente para meu próprio corpo, sentindo a pena tocar minha alma. Meu corpo nunca esteve mais judiado do que aquilo que eu via. Seguei com a cabeça, sentindo uma forte escuridão tentar me puxar para a direção do meu corpo, recusando-me a voltar. Olhei novamente para Dean, percebendo que agora ele sorria, escutando a primeira batida repentina do meu coração. Ao escutar aquele som, me entristeci, sentindo meu coração bater no meu peito, sentindo que as emoções do meu corpo já estavam atadas com a da minha alma. O coração martelou, novamente, me sugando para mais perto, fazendo-me sentir a escuridão e a impureza da vida voltar a assombrar minha alma. A calma se fora completamente, tudo o que restava era sentimentos perturbadores. As minhas memórias completas começavam a ser tragadas, deixando apenas o que meus olhos humanos já presenciaram. Tentei lutar, prendendo-me a memória de estar com Edward, olhando em seus olhos e percebendo que ele verdadeiramente me amava. Porém, aquelas imagens iam se perdendo a cada instante mais e mais, tornando-me apenas uma alma perturbada. Minhas memórias eram tragadas para o abismo do meu ser, enquanto eu não podia fazer nada para me manter intacta naquele estado astral. Outra batida repentina me torturou, causando uma inquietação da minha alma, a fazendo entrar em combustão eminente, bruscamente sendo sugada para o meu corpo, no segundo que meus olhos perdiam o tom a vermelhado, deixando estampado o tom amendoado que sempre fora. Gritei de dor, sentindo meu corpo ser cordado ao meio, puxado com mais força. Tentei lutar, mas foi inútil. Me choquei contra meu próprio corpo, sentindo todas as dores inimagináveis massacrar meu corpo. Uma escuridão muito forte tomou toda minha visão e o espaço ao meu redor, porém nem mesmo Dean era capaz de enxergar o que acontecia. Ele assistia um espetáculo do meu renascimento, com um sorriso nos lábios; Enquanto eu assistia o doloroso ritual de sentir meu corpo sendo mil vezes massacrado, sem nem ao menos conseguir gritar. Minhas forças se foram, meus pensamentos ficaram quietos até mesmo para mim, o tempo voltava a correr, minha vida voltava para meu corpo, enquanto eu sentia minha alma massacrada na escuridão. Não demorou muito até que minha alma foi tragada completamente para a escuridão, fazendo eu me sentir entorpecida, agradecendo mentalmente porque aquilo tinha chegado ao seu fim. Renascer para o mundo, era como morrer milhares de vezes para os céus. Apenas um caído, como eu, poderia entender este verdadeiro significado. Apenas eles poderia saber o quão doloroso era voltar para a escuridão. Mas, no exato segundo que eu estava completamente fixa ao meu corpo, os pensamentos cessaram. Eu comecei a me sentir perdida, mas já não conseguia me lembrar o porquê.
A visão dos meus olhos começavam a ganharem um pouco de foco, enquanto minha mente apenas permanecia silenciosa, mas no fundo com uma inquietação perturbadora. Olhei atordoada para os lados, tentando identificar onde estava, mas minha mente apenas continuava perdida. Logo meus lábios gemeram de dor, sentindo todas as partes do meu corpo arderem, queimando fracamente. Dean logo ficou inquieto, dizendo qualquer coisa que eu não pude entender, olhando para meu rosto com os olhos banhados na preocupação. Não consegui me concentrar nele, logo voltando a gemer de dor, sentindo a dor ficar cada vez pior, como se abrisse grandes buracos por todo meu peito. Senti sangue escorrer entre meus dedos, fazendo imagens se deslizarem por minha mente, fazendo-me ter uma leve consciência do que havia se passado comigo.
Dean voltou a dizer qualquer coisa, mas minha mente começava a ficar longe, mergulhando na escuridão da dor. Aos poucos, fui deixando de sentir meu corpo, mergulhando completamente na inconsciência, sentindo apenas a dor aumentar. Perdi a noção do mundo e tudo o que passou a existir foi a dor que torturava o meu corpo.
Versão Terceira pessoa:
Edward, o anjo guardião, caminhou pelo vale das sombras, olhando fixamente para o grande ser de luz à sua frente, que possuía enormes assas negras em ambos os lados de suas costas, emanando uma suave luz estranha, quase como se estivesse poluída. No fundo, verdadeiramente, Edward acreditava que realmente estava. Tentou não olhar para as almas gritando por socorro a sua volta, continuando a andar em direção ao homem que lhe encarava com um olhar interrogativo.
– O que está fazendo aqui, Edward? – sua voz de trovão saiu de seus lábios, enquanto ele continuava com uma expressão séria estampada em seu belo rosto de arcanjo. – Sabe que você não poderia estar aqui. Este não é o seu lugar. Volte para o lado do Pai e continue exercendo suas obrigações! – ele ordenou, gritando, aparentemente ficando furioso com a audácia daquele anjo guardião, que parecia estar querendo o desafiar. Ordens eram ordens, Edward sabia muito bem isso. E, Castiel, não estava com nenhum pouco de vontade de começar aquele monologo outra vez.
– Castiel... – Edward começou, com a voz tremula, sentindo o peso de afrontar um superior sair sobre seus ombros. Estar diante de Castiel era uma tortura para o seu verdadeiro ser, sentindo as dores de desobedecer atacar sua alma. A áurea de Castiel era como grandes chicotes de fogo batendo-se contra sua alma. E, sabia, no invisível, verdadeiramente era isso o que estava acontecendo.
– Não termine. – Castiel o interrompeu, não querendo escutar mais nada, ganhando consciência do que verdadeiramente Edward estava querendo. Aquilo era uma afronta e se Edward continuasse provocando, ele não se responsabilizaria pelos seus atos. – Não quero escutar o que quer que você tenha a me dizer. – se virou ao terminar de pronunciar suas palavras ásperas, querendo deixar Edward ali sozinho, antes que cometesse uma loucura. – Volte para o seu lugar e não prejudique mais as coisas aqui embaixo! – ordenou, começando a se distanciar de Edward, caminhando para a outra direção. Castiel sabia que Edward não aguentaria estar naquele lugar por muito tempo, era um ser de luz e não como ele, que tinha sido feito especialmente para trabalhar com as escuridões que existiam. Se Edward continuasse ali por mais tempo, perderia sua única chance de salvar sua própria existência, para que assim pudesse voltar para o seu verdadeiro lugar de herança. Se o deixasse agora, provavelmente Edward acabaria se cansando e voltando para o seu devido lugar. Só que pela primeira vez, Castiel estava encanado...
– Não posso voltar, você sabe disso. Fui designado para trazer a Arcanjo Ariel de volta...
– E você falhou! – o interrompeu com fúria na voz, voltando-se para Edward. – Então, seja um pouco responsável. Se você ainda puder ser.... Volte para as suas obrigações e deixe o Arcanjo Miguel cuidar disso. – disse se referindo a Dean, deixando claro que ele sempre foi o seu irmão preferido.
– Você sabe muito bem que agora ele não pode completar sua missão. – respondeu Edward com ousadia, com a voz ganhando firmeza. – Ele fez uma grande besteira vendendo sua alma humana para um demônio.
– Ele conseguirá retornar está situação. – Castiel rebateu, não admitindo que Edward tocasse nos erros humanos do irmão. Mas, no fundo, sabia que o guardião estava certo. Porém, nunca diminuiria um arcanjo diante de um guardião. – Miguel é o nosso líder. Não há outro melhor do que ele e nunca existirá um que possua toda sua grandeza. Ele a trará de volta, como deve ser. Ele não precisa mais de você.
– Talvez ele não, mas você sabe que Ariel sim. Não há ninguém que se conecte com sua alma celeste como eu. – retrucou secamente, sentindo a raiva crescer por Castiel lhe falar palavras tão duras. – Somente, eu posso salvá-la verdadeiramente. Você sabe disso.
– Mesmo que você quisesse voltar, nunca poderia. Seu corpo está morto, não há nada puro nele para que suporte sua áurea. Você nunca poderá retornar para seu corpo. O considere como se estivesse morto.
– Ainda sou o guardião da ! – Edward retrucou revoltado.
– Mas você falhou em sua missão. Não podemos lhe mandar, nem mesmo se desejássemos. Não podemos fazer isso, seria arriscado demais e prejudicaria as leis naturais. Talvez ficar longe de seja a melhor coisa para você; seu amor por ela corroe sua própria existência. Se você continuar assim, terá a morte eterna. Então, se aquiete e deixe Miguel trabalhar.
– Mas se eu não intervir, quem morrerá eternamente será Ariel. – Edward tentou contestar, ficando indignado com a possibilidade que Castiel lhe entregava. Jamais poderia permitir uma coisa daquelas. Jamais permitira que fosse condenada ao sofrimento eterno.
– Então você terá que escolher: ou escolhe sua própria salvação e deixa Ariel cair no abismo do inferno. Ou você a salva e quem irá para o inferno será você. Simples, escolha. – disse sem rodeios, fazendo o coração de Edward se apertar. Castiel o encarou sem desviar os olhos, provocante, se perguntando qual seria a decisão que Edward escolheria. No fundo, não tinha dúvidas, mas adorava ver nos olhos de Edward aquele relâmpago de dor.
– Castiel, – Edward tentou outra saída, começando ficar com a sua voz desesperada, sufocado pela situação. – eu sei que a escolha da de deixar tudo para trás foi como uma traição para você. Imagino o quanto foi difícil ver sua irmã partir daquela maneira, ainda mais sendo a irmã que você mais amava, que sempre estava do seu lado, como se braço direito. Você a amava e nunca esperava que ela desejasse tanto ter a oportunidade de ser humana. Eu vi o quanto você sofreu quando a alma dela caiu e foi domada pela escuridão. Você se sentiu traído, eu sei disso, mas não negue a oportunidade de salvá-la. não merece ter o sofrimento eterno, mesmo que tenha feito decisões erradas no passado. – Edward declarou seu pequeno discurso, olhando fundo nos olhos de Castiel, percebendo uma pequena agitação nos olhos azuis, trazendo em sua mente todas as lembranças átonas.
– Ela escolhe nos deixar. Agora terá que enfrentar as consequências. – respondeu, com profunda mágoa nos olhos azuis, se recusando a permitir que as dores antigas voltassem a ferir o seu coração.
– No fundo, você sabe que isso não é verdadeiramente o que você sente. – Edward se calou, percebendo que Castiel não se renderia. – Tudo bem, posso dar minha alma agradecida mente para salvar a sua irmã, mas sei que você – não este ser que você se transformou pela mágoa –, jamais iria querer ver o sofrimento nos olhos de Ariel. – A cada segundo Castiel parecia desarmar suas armas, se perguntando se realmente suportaria rever sua irmã sendo torturada pelo inferno. Somente de pensar sobre isso, seu coração começava a doer. Ela ainda era a sua irmã, mesmo que ele ainda não a tivesse perdoado por tê-lo deixado. – Eu sou o único que pode salvar a alma dela, nem mesmo Miguel, que é o arcanjo mais poderoso, não pode fazer nada. Eu sou o verdadeiro guardião da e somente eu poderei trazê-la de volta. O amor que nos uni é verdadeiro e maior do que qualquer coisa; somente isso me dá o poder para tentar fazer alguma coisa. Sei que você a quer junto de você novamente, dá para ver isso em seus olhos neste exato momento. Então, por favor, não me impeça de querer salvá-la.
– Você realmente estaria disposto a ir para o inferno para salvá-la? – Castiel lhe perguntou, se perguntando se iria ao não deixar Edward retornar. E se deixasse, ainda teria que arrumar um meio de poder exercê-lo.
– É para isso que eu fui feito. Salvá-la é a minha missão e meu amor não suportaria perdê-la. Eu a amo, mas do que qualquer outra coisa. Muito mais do que qualquer coisa que possa existir. Sei que não sou perfeito, mas tudo o que eu faço é pensando em salvá-la, de não deixá-la ser devorada pelas trevas. A coloco em cima de qualquer coisa, mesmo da minha própria existência, desde que eu tenha certeza de que ela estaria em segurança. – a voz de Edward foi banhada pelas lágrimas, enquanto Castiel percebia que ele estava chorando. – Não me importa o preço que eu tenha que pagar, se foi para mantê-la segura, eu irei pagar.
Castiel suspirou, olhando para Edward, já tendo em mente a resposta do que faria. Edward verdadeiramente amava sua irmã, tinha vindo naquele lugar obscuro para provar isso. Se Castiel não lhe ajudasse, jamais poderia conviver consigo mesmo. Ariel era a sua irmã queria, não havia outro modo de salvá-la, senão mandar Edward de volta. Somente com Edward por perto, Ariel não se renderia a escuridão que corrompia sua alma. Com Edward por perto, ele tinha certeza que sua irmã ficaria bem.
– Irei lhe mandar de volta Edward. – sussurrou, encarando o guardião. – Mas mandá-lo para seu corpo seria impossível. Seu corpo já não tem pureza para que você entre nele. Então, como eu sou capaz de persuadir alguns membros aqui, irei lhe mandar como um anjo guardião. Assim você poderá cuidar dela, sua áurea vai acalmar o seu coração, mas ela jamais saberá que você está lá. Você não vai poder nem mesmo falar com ela, e os seus olhos humanos, jamais poderão vê-lo. Assim, você poderá cuidar dela, mesmo que seja no invisível para os humanos.
Versão Clearwater:
A dor cessou depois de algumas horas, tornando-se apenas um fraco incomodo, enquanto eu voltava a sentir o meu corpo normalmente. Senti os braços fortes de Dean ao meu redor, levanto-me para qualquer lugar, percebendo que ele estava fazendo alguma coisa comigo. Senti suas mãos suavemente tremulas rascarem minhas roupas, para que ele pudesse cuidar das minhas feridas. O barulho agudo do meu celular tocou algumas vezes do lado do meu corpo, Dean apenas reclamou baixo, continuando a cuidar das minhas feridas, passando qualquer coisa quente sobre elas, as fazendo queimar suavemente. Aos poucos, a minha mente começava a voltar, mas algo me impedia de poder abrir os olhos ou mover meus membros.
– Dean... – Sam clamou o irmão, enquanto entrava no lugar onde estávamos. Prestei atenção em seus movimentos, percebendo que ele ficava cada vez mais nervoso. As lembranças agora eram claras como a água, mas eu ainda não me permitia pensar sobre o fato de ele ter tentado me matar. – Você não vai atender? Pode ser importante.
Dean resmungou novamente qualquer coisa que eu não pude entender, continuando a cuidar de mim, passando o liquido fervente em sua pele. Sam caminhou para mais perto, com seus passos pesados ecoando ao redor, fazendo-me sentir um pouco incomodada com a sua presença. Eu estava desprotegida e ele estava ali, tão perto que seria capaz de me ferir. E Dean, que era o único que poderia me proteger, jamais imaginaria que seu irmão era o meu atacante, que havia tentado me matar. Seu irmão seria o último de sua lista que ele se preocuparia. Mas, ele nem imaginaria que o perigo estava ao nosso lado, disfarçado de cordeiro. Aquilo me preocupava, mas tinha certeza que Sam não tentaria nada se Dean estivesse por perto. Ele era esperto, jamais iria querer cometer um erro tolo aquele. Ele tinha tido a sua chance, mas falhou. No ferro-velho, ele ainda poderia apontar para outra pessoa o crime, mas ali, no mesmo ambiente que Dean e eu, ele sabia que o primeiro suspeito seria ele. Ele jamais cometeria um erro desses.
Dean colocou alguma coisa grossa e peluda sobre o meu corpo, o cobrindo até a altura do meu pescoço. Deu um suave beijo no alto da minha testa, suspirando. Acariciou com as postas dos dedos a minha mão descoberta, segurando por alguns segundo minha mão sob a sua.
– Agora você ficará bem. – sussurrou em meu ouvido, com a voz calma, porém muito cansada. Eu queria poder me mexer, responder qualquer coisa, mas meu corpo não me obedecia, estava completamente dormente. Queria acusar Sam, gritar e lhe socar, mas tudo o que eu era capaz de fazer naquele momento era ficar paralisada. Dean se abastou silenciosamente, porém minha audição ainda foi capaz de perceber. Caminhou até onde Sam estava parado, parando logo em seguida. Sam, pesadamente suspirou, me fazendo perceber que alguma coisa não parecia estar certa. – Acho que agora ela vai poder ficar tranqüila. – Dean disse para o seu irmão. – Com os remédios que eu lhe dei, acho que ela não poderá voltar a sentir a dores agora. – continuou, parando de suspirar.
– Dean, como você conseguiu? – Sam perguntou pesadamente, me fazendo perceber que aquela perguntava estava há muito tempo querendo sair de seus lábios. – Ela estava...
– Não, não estava. – Dean respondeu, bruscamente, quase como se soubesse que eu poderia escutá-los naquele momento. – Não vamos mais falar sobre isso. – pediu, voltando a andar, se distanciando do irmão e do meu corpo. – Sammy vamos deixá-la sozinha agora. Acho que ela é a que mais precisa descansar. – Dean disse, percebendo que eu irmão apenas ficava preso no mesmo lugar, com a respiração presa no peito. Me perguntei silenciosamente se ele tentaria fazer mais alguma coisa, mas ao notar sua agitação, notei que ele estava nervoso demais para cometer outro erro.
– Claro. – Sam respondeu, seguindo o irmão, se distanciando de mim. – O melhor agora é ela descansar. – sussurrou quase para si mesmo, com a voz pensativa.
Dean saiu do pequeno local onde eu me encontrava, se distanciando cada vez mais, com seu irmão ao seu alcanço. Sons de um aparelho televisor logo invadiram o ambiente, no momento que Dean sentou pesadamente sobre alguma coisa, bem próximo de onde nasciam os sons. Sam esperou alguns minutos, mas logo saiu do mesmo ambiente, desaparecendo por completo, saindo do meu campo de audição. Tentei sentir seu queiro, mas logo percebi que ele já não estava mais ali.
Depois de alguns segundos, Dean entrou novamente no local onde eu estava, sentando-se em uma cadeira do meu lado. Seu coração martelava no peito, enquanto ele apenas suspirava. Eu podia sentir seus olhos sobre mim, queimando-me, analisando-me, mas não conseguia entender o porquê. Dean estava pensativo demais, eu pude perceber, mas não consegui entender os seus motivos. Supus que ele deveria estar tentando entender o que havia acontecido e eu tinha que arrumar uma boa história para me explicar. Não diria que havia sido seu irmão quem tentou me matar, pois isso seria demais para ele. Só que eu também não era boba. Eu queria proteger Dean, ele mais do que merecia isso, mas também não me deixaria desprotegida. Assim que eu me recuperasse, daria um bom jeito de resolver as coisas com Samuel Winchester. Porém, sem Dean estar no meio disso.
Não demorou muito para que Dean adormecesse onde estava sentado, roncando pesadamente. Tentei me mover, mas nenhum centímetro do meu corpo obedeceu. A frustração invadiu meu corpo, me fazendo xingar mentalmente. Era uma sensação horrível não poder se mexer, mesmo que eu estivesse consciente. Me concentrei nos roncos pesados de Dean para me distraírem, pensando em como eu resolveria aquela situação. Logo, o meu próprio sono venho, no exato momento que eu senti uma suave brisa morna invadir o local, fazendo meu corpo automaticamente ficar mais calmo. Senti um perfume suavemente doce invadir meus pulmões, me fazendo lembrar do mesmo cheiro de Edward. O cheiro era o mesmo, sem dúvida, mas estava mais suave. Fiquei logo nervosa pela possibilidade dele estar ali, só que logo notei que não havia mais ninguém ali, além de Dean e eu. O cheiro ficou mais forte, apenas um pouco, enquanto a brisa pareceu se aproximar. A sentir tocar meu rosto, dando-me uma sensação maravilhosa. Era como se dedos acariciassem meu rosto, amorosamente. Sorri mentalmente, tentando imaginar como seria estar com Edward. Uma emoção de calmaria tomou meu coração, banhado pelo amor que morava em meu peito. Deixei me levar pelas emoções, até que meus lábios começaram a formigarem, como se seu recebesse um beijo silencioso. Eu quase pude sentir lábios entre os meus, porém logo a sensação logo desapareceu. A calma se apossou no meu corpo, enquanto eu parecia ser reconfortada por algo invisível. O sono ficou forte demais e, aos poucos, minha mente foi apagando suavemente, porém aquele cheiro ainda continuou forte ao meu lado.
Lembranças de um sonho distante invadiram minha mente, levando-me para os braços de Edward. Seus olhos me olhavam profundamente, enquanto em seu rosto estampava aquele sorriso torto que me fascinava. Tentei dizer alguma coisa, mas ele me calou com seu dedo, sorrindo ainda mais. Automaticamente, seu sorriso me contagiou, fazendo-me sorri também. Eu parecia flutuar, mas não conseguia entender o motivo. Edward segurou minha mão, deslizando seus dedos pálidos pelo meu braço. Seus dedos me causaram arrepios quentes, fazendo meu corpo estremecer. Era um sonho aqui, eu tentava me dizer, mas não havia nada melhor do que sonhar estar do lado da pessoa que eu verdadeiramente amava. Edward se aproximou ainda mais, passando seus braços ao meu redor, puxando-me ainda mais para seus braços. Respirei seu magnífico perfume, o sentindo fazer o mesmo comigo. Aproximou os lábios rosados no meu ouvido, fazendo sua respiração me enlouquecer por instantes.
– Eu estou aqui com você. – ele sussurrou, sorrindo novamente. Fazendo-me lembrar de alguma coisa, mas eu não pude entender. – Estou aqui para proteger você. Não se preocupe mais, eu estou aqui. – enquanto falava, desceu os lábios pelo meu pescoço, depositando beijos quentes. Olhei profundamente para seus olhos verdes, sorrindo, como se sem palavras, a gente dizia muitas coisas um para o outro. Seus olhos me encararam de volta e no segundo depois, seus lábios quentes já estavam nos meus.
Um barulho alto ecoou ao meu lado, fazendo-me despertas bruscamente, distanciando-me do lindo sonho que estava tendo com Edward. Dean que também adormecera ao meu lado, não demorou muito para que também acordasse, resmungando qualquer coisa sobre o barulho. Tentei mover meu corpo, notando que ele já não estava totalmente dormente. Abri meus olhos com dificuldade, encontrando os olhos verdes do caçador admirando-me, como se soubesse o exato momento em que eu acordaria. Seu rosto parecia sereno, me fazendo sorrir fracamente, com uma fraca irritação ardente no meu corpo.
Eu estava em um quarto escuro, que não havia nenhuma janela, deitada sobre uma enorme cada de maneira negra. Do lado da cama havia uma pequena poltrona bege clara, onde Dean estava sentado. Ele sorriu, encontrando meu olhar, percebendo que eu parecia confusa. Se levantou, logo sentando na cama onde eu estava, indo diretamente segurar minha mão. Respirei, sentindo como se fosse a primeira vez que eu espirava. Tentei me sentar, mas Dean logo colocou suas mãos nos meus ombros, me impedindo.
– Você ainda está fraca. – disse preocupado.
– Eu estou bem, Dean. – sussurrei, sentindo minha garganta ficar seca, enquanto eu estranhava a minha própria voz. Tentei novamente me levantar, outra vez Dean me impediu, fazendo com que eu olhasse para ele com um pouco de raiva, mas eu sabia que ele apenas estava sendo preocupado.
– Você não deixou de ser teimosa. – murmurou, como se suas palavras fossem mudar as minhas ações. Sorri, cedendo, pois eu estava muito cansada, sentindo o meu corpo doer, principalmente na região do peito.
– Somente desta vez eu vou te escutar, senhor. – respondi, voltando a encostar minha cabeça no macio travesseiro. – Não porque acho que você está certo, mas porque eu realmente estou cansada. – admiti.
– É normal se sentir assim. Suas feridas ainda não estão cicatrizadas, então seu corpo ainda vai agir assim por algum tempo. – declarou, me fazendo olhar para o meu peito. Percebi que eu estava completamente nua, com muitas faixas brancas enroladas em várias regiões do meu corpo. Eu estava coberta por um grosso coberto negro, só que mesmo assim fiquei vermelha com a possibilidade de Dean ter me visto completamente nua. Dean logo percebeu o que estava havendo, sorrindo divertidamente. – Juro que não olhei nadinha. – ele disse, logo piscando de um jeito que contrariava suas palavras.
Eu teria me escondido se pudesse, mas algo me chamou a atenção primeiro. Atrás de Dean, algo brilhava fracamente, porém apenas eu parecia perceber isso. Olhei penetrante mente para aquela luz, como se afundasse nela. Logo, olhando diretamente para sua direção, eu pude ser olhos verdes fixados em mim. Tentei focalizar ainda mais a minha visão, porém, assim como apareceu, aquela suave luz desapareceu em um segundo. Suspirei, voltando a olhar para Dean, com a duvida estampada em meu rosto. Dean me encarava, olhando meu rosto com curiosidade, sorrindo fracamente.
– Juro que não me aproveitei da situação. – ele disse agora sério, me fazendo relembrar o antigo assim – o qual já não me importava.
– Tudo bem. – tentei acalmá-lo, tentando sorrir, porém não conseguindo tirar aqueles olhos na luz da minha mente. Eles me lembravam alguém, porém eu não conseguia me recordar de quem. Aquele olhar sobre mim me deixava nervosa de uma maneira que eu sabia que já tinha sentindo antes, mas naquele momento eu não conseguia lembrar mais de nada. – Não me importo de você tem me visto nuca. Sei que a sua intenção foi uma das melhores. – acabei me enrolando com as palavras, fazendo as palavras ganharem outro sentindo que eu não queria. Claro que eu me importava de Dean ter me visto daquela maneira, mas eu deveria ter dito outra coisa. Dean pareceu perceber outro sentido nas minhas palavras, sentindo este que eu não gostei nenhum pouco, logo tentando arrumar a minha situação. – O que eu quero dizer é que sei que você apenas estava preocupado em me ajudar. Não se preocupe, não vou ligar para o fato de estar nua na sua frente. Até porque, sei que você não me vê desta maneira. – a duvida apareceu em seus olhos, mas eu continuei falando. – E nem eu quero que você me veja assim.
– Você está dizendo que não quer que eu te veja desta forma? – ele perguntou confuso, olhando para meu rosto com uma expressão estranha. Seus olhos começaram a me queimarem pelo seu desejo, mas eu senti um estranho pressentimento de estar sendo observada.
– É, Dean. É isso que eu estou dizendo. – disse fracamente, lembrando-me da última vez que eu tinha pensado sobre aquilo. Tudo bem, eu queria que ele me visse daquele jeito, eu tinha que admitir. Porém, Dean tinha feito de tudo para que eu mudasse meus pensamentos. Naquele momento, quando ele me rejeitou, eu me senti um lixo e não pretendia voltar a me sentir assim.
– Isso tem haver pelo que aconteceu?
– Talvez. – respondei secamente, ficando desconfortável com o assunto vindo átona. Era passado, Dean mesmo havia dito que não se importava. Então, porque voltar naquele assunto agora?
– ... – Dean chamou meu nome e fechou os olhos, suspirando. Eu suspirei, percebendo que ele também não estava confortável com a situação. Dean se aproximou mais de mim, colocando uma de suas mãos em meus cabeços, enquanto a outra logo envolveu minha cintura. Sutilmente, de uma maneira perigosa, ele se aproximou, deixando nossos rostos a poucos centímetros de distancia. – , eu menti quando disse que não me importava. – confessou abrindo os olhos, fitando-me como nunca. Minha respiração travou no peito, enquanto os pensamentos se calavam. – A verdade é que eu nunca me importei tanto com alguém como eu me importo com você.
Eu não esperava aquelas palavras vindo dele, ainda mais depois dele me pedir para que nunca mais o beijasse. Tudo bem que eu não o amava, mas me senti um lixo por ter o desejado e ele em seguida ter me rejeitado. Suas palavras tinham sido duras, mas muitas coisas tinham acontecido. Eu tinha passado por muita coisa, sem falar que o seu irmão havia tentado me matar. Era mais seguro permanecer longe, até por que, eu não queria que Dean sofresse. Depois daquelas sensações estranhas, eu estava diferente. Não conseguia entender como, mas eu me sentia diferente, como se a qualquer momento, Edward pudesse voltar para mim. Ele disse que tinha voltado. Tudo bem que não era verdade, mas no fundo eu me sentia como se fosse.
– Eu estou apaixonado por você. – Dean me declarou, se aproximando ainda mais, me fazendo ficar confusa se queria aquilo ou não. A respiração de Dean ficou ofegante e eu percebi que ele queria me beijar, só que eu já não me sentia como se aquilo fosse o certo. Havia alguma coisa que me ligava a Dean, mas não daquela maneira. Eu o desejava com um fogo ardente, mas não como era o certo a se desejar. Eu o apenas o queria, mas não amava. Seria estúpido agir apenas pelos impulsos do meu corpo, por que o que o meu coração queria era muito diferente daquilo. Dean, como um grande amigo, sempre teria um lugar no meu coração, mas eu jamais o amaria como eu amava o Edward.
– Dean... – eu tentei falar, entretanto as palavras travaram, como se eu fosse fraca demais para pronunciá-las. O que eu diria? Que não queria beijá-lo? Era mentira, eu queria. Diria que eu não estava apaixonada por ele? Não, isso o machucaria demais. Eu gostava de Dean, mas há uma grande diferença entre o gostar e o amar, quando se está disposto a escolher entre os dois. Eu gostava do Dean, mas não o amava e disso eu não tinha duvidas. Só que não poderia dizer aquilo para ele, por que eu não queria magoá-lo.
– Tudo bem. – ele respondeu, olhando-me sorrindo, colocando seu dedo indicador nos meus lábios. – Você não precisa me dizer nada, não estou te exigindo isso. Não estou te exigindo nada, . Estou apenas querendo ser sincero com você. – sorriu, parecendo tentar me reconfortar. Parecia que ele sabia tudo o que se passava dentro de mim. – Só quero que você saiba que eu estou apaixonado por você. É tudo o que você precisa saber. Você não tem por que me dizer nada, até por que, quando eu tivesse a oportunidade, não deixei que você falasse.
– Dean, eu gosto de você. – Não precisava que eu dissesse que havia um “mas”, Dean percebeu tranquilamente isso em meu olhar e no meu tom de voz preocupado, para não ferir muito seus sentimentos.
– Eu sei que você gosta baby. – ele concordou, com uma fraca luz de dor nos olhos, inutilmente tentando esconder de mim. Eu sabia o que ele queria dizer. Dean, como eu, sabia exatamente as diferenças entre o gostar e o amar. Ele sabia perfeitamente que ao dizer que eu gostava dele, estava dizendo que não o amava.
– Dean – Sam entrou no quarto de repente, não percebendo que eu estava acordada. Logo, seus olhos foram para os meus, porém, no mesmo segundo ele desviou o olhar, olhando para o irmão. – Desculpa, não sabia que você estava acordada. – ele desculpou olhando novamente para mim.
– Tudo bem. – respondi friamente, com a vontade de voar no pescoço dele, mas me segurando por que Dean estava ali. Porém, minhas palavras deixavam claro que eu não estava gostando nenhum pouco de sua presença ali. Dean logo percebeu meu olhar para o irmão, tentando arrumar o clima.
– Sam se preocupou muito com você. – ele me disse, como se aquilo fosse me fazer sentir qualquer tipo de sentimento bom sobre ele. Dean não estava entendendo meus olhares, mas no momento, eu não estava preocupada se ele entendesse ou não.
– Eu imagino que sim. – disse em um tom irônico que Dean foi capaz de me entender. Olhei para Sam, como se o desafiasse. Tudo o que eu queria saber era o motivo.
– ... – Dean tentou me repreender, não entendendo por que eu estava agindo assim com o irmão. Coitado, se ele soubesse...
– Claro que o Sam ficou preocupo. – disse sorrindo, um sorriso que tinha dois significados. Para Dean, eu apenas queria que ele pensasse que eu estava sendo sincera em concordar com suas palavras. Para o seu irmão, eu queria que ele percebesse que eu estava no controle da situação e que poderia acabar com o seu teatro quando bem desejasse. Sam estava com medo que eu o desmascarasse, pude perceber e isso me fez sorrir ainda mais. Quem dava as cartas agora?
– Vou deixar vocês um pouco. – Dean declarou, se levantando. – Tenho que fazer umas ligações importantes. , Sammy vai ficar com você. Não se preocupe, você não vai ficar sozinha.
– Não poderia ficar em melhor companhia. – disse ironicamente, piscando na direção de Sam, que me olhava cada vez mais confuso. Só que a minha verdadeira vontade era acabar com ele ali mesmo, sem nem ao menos pensar em mais nada. Porém, Dean era extremamente importante para mim e, ao declarar seu irmão culpado, eu sabia que iria feri-lo gravemente. Ele já sofreria demais ao saber que eu não contribuía ao seus sentimentos, e eu jamais o pediria – melhor, o obrigaria – a escolher entre seu irmão e eu. Afinal, quem eu era para fazer isso? Ninguém, certamente. Já não tinha este direito.
– Eu não demoro. – Dean sussurrou, parecendo achar verdadeiramente que eu estava contente por seu irmão ficar “cuidando” de mim. Ele saiu do quarto no instante seguindo, me deixando completamente sozinha com aquele covarde.
Encarei Samuel com mais fúria nos olhos, querendo arrancar seu coração fora. Sentei-me na cama, cruzando meus braços, o olhando com a pergunta nos olhos. Não me importei de estar apenas com faixas, tudo o que eu queria era saber o que ele tinha de tão grave contra mim. Sam ficou me olhando seriamente, como se não soubesse o que fazer – e aquilo começou a me irritar. Um minuto se passou e ele simplesmente não sabia o que fazer. Resolvi acabar com aquilo de uma vez, fazendo a pergunta que mais martelava na minha cabeça.
– Por que você tentou me matar? – o interroguei, com os olhos cheios de ódio, para que ele percebesse que eu não estava brincando.
– Por que você não disse ao Dean? – ele perguntou, parecendo confuso, porém também como se me desafiasse.
– Acho que quem faz as perguntas aqui sou eu. – respondei, com tom de ameaça. Eu não estava brincando e deixei bem claro isso. A qualquer momento, eu poderia voar em seu pescoço. Eu era mais forte, sem duvida, mesmo que estivesse machucada. Sam era apenas um humano, nada poderia contra mim. Ele só tinha me vencido da outra vez por que tinha sido sem aviso. A fúria cresceu dentro de mim, ao me lembrar que ele tinha me atacado pelas costas. Aquilo sim eu não poderia suportar. Se quisesse me matar, pelo menos que agisse feito um homem; Que lutasse comigo e tentasse realizar o seu desejo. Ele tinha sido baixo, muito baixo. Eu nem ao menos precisava me transformar para lutar com ele e mesmo assim saberia quem seria o vendedor.
– Sinto muito, mas isso eu não posso te dizer. – ele tentou conversar normalmente, porém suas palavras tremiam na voz fraca. Ele estava com medo.
– Se você não vai me dizer, tudo bem. – comecei a me levantar, sentindo as dores começarem a piorarem.
– O que você está fazendo? – ele logo perguntou preocupado, mas eu não consegui saber o motivo. – Você não pode se mover assim...
– Ah e você se importa? – perguntei, olhando em seus olhos com nojo. – Irônico isso, não?
– Eu me arrependi do que fiz com você. Você não merecia. E foi de uma forma tão... Tão...
– Covarde. – o ajudei, terminando sua frase. – É você foi muito covarde, mas saiba que você não vai ter a mesma sorte duas vezes. – o ameacei, me aproximando dele, lentamente, tomando cuidado para não cair. Meu corpo ainda doía, mas a raiva o domina e eu me sentia começar a tremer. Lhe dei um soco com toda minha forma bem no meio do rosto, o fazendo voar para a outra direção, logo caindo no chão, depois de se chocar contra um móvel. – Esta é a sua resposta, covarde. – disse me referindo à pergunta idiota que ele tinha me feito antes. Eu tinha os meus motivos e ele não merecia saber. Ele não merecia o irmão maravilhoso que tinha. – Pense muito bem antes de colocar essas mãos imundas em mim, por que juro que da próxima, você não vai escapar com vida. – declarei com raiva, me sentindo perder o controle. O monstro dentro de mim gritava por justiça, mas a minha mente apenas pensava em como ver o irmão morto arrasaria Dean. Sai do quarto antes que perdesse a paciência e não agüentasse mais lutar contra o meu instinto de fazer justiça com as minhas próprias mãos, deixando Sam caído no chão, olhando feito um idiota para mim, com choque estampados nos olhos, enquanto massageava o rosto já coberto de sangue. Antes que eu saísse, pude perceber que tinha quebrado o seu nariz, mas aquilo era o mínimo que ele merecia. Desta vez eu tinha sido boazinha, mas não haveria uma próxima.
Capítulo 28: Nossa ligação
Por que você sempre será a luz que iluminará minha vida.
Por que é você quem traz a calmaria, como uma suave brisa.
É por você,
Somente por você, que meu coração voltaria a bater.
Manquei com muita dificuldade, segurando com força meu ombro recém-costurado, pelo corredor que se seguia a minha frente, sentindo os cortes que se estendiam da região do meu peito até a região do meu abdômen protestarem. Respirei fundo pela boca entreaberta, notando que essa era a minha segunda grande dificuldade no momento, por que parecia que o ar estava me rasgando de dentro para fora. As dores dos meus ferimentos me atingiram completamente, me fazendo perder as forças, parando de andar abruptamente, com os joelhos bambos. Tentei me concentrar em não me permitir cair, mas o que vinha sendo meu combustível contra a dor tinha acabado de se acabar. Quando se está com raiva, o cérebro comete o grave erro de esquecer grandes detalhes e, agora, eu estava sofrendo uma das dolorosas conseqüências disso. O meu combustível se acabou e no lugar que ele acabou de deixar vago, as dores começavam a tomar posse. Todas as dores que tinham me ameaçado, devido ao último acontecimento, ganhavam cada vez mais força. Eu me sentia cada vez mais atordoada e, gravemente, cada vez mais ameaçada.
Arfei, repetindo para mim mesma que aquilo logo acabaria, assim que o meu corpo começasse a trabalhar normalmente e meus ferimentos cicatrizassem. Algo dentro de mim se sentia estranhamente familiar, como se alguma coisa estivesse acontecendo no invisível, mas eu apenas fingi não perceber, esquecendo aquela estranha figura de minutos atrás, que fez meu estômago formigar. Continuei prosseguindo na caminhada, olhando atentamente por onde eu passava. Certamente, eu estava em uma casa modesta, que exalava o cheiro de álcool, tabaco e coisa velha. O corredor estreito se tornava cada vez mais escuro, no momento em que eu pude perceber que aquele era apenas a nascente de muitos outros corredores que se cruzavam. Aos poucos, o aspecto de casa modesta ia desaparecendo, se tornando apenas uma imagem no passado, enquanto eu continuava caminhando, afundando ainda mais na escuridão, tolamente muito curiosa para uma moribunda. Um cheiro muito forte invadiu o meu pulmão, em apenas um suspiro, me deixando abruptamente muito enjoada, como se estivesse presenciado a cena mais nojenta do mundo. Cambaleei um pouco, ficando completamente tonta, com a visão ficando sem foco por alguns instantes, logo tendo que me escorar nas paredes para não cair. Eu precisava urgentemente de ar, porém, por mais que eu tentasse respirar, mesmo que fosse apenas um segundo e pela boca, para que o cheiro não chegasse a ser tão enjoante, eu estava sufocando por falta de ar e com o vômito já preso em minha garganta. O gosto amargo lutou para sair, continuando a subir pela minha garganta e no segundo seguinte eu já havia começado a me desesperar, sem saber o que fazer. Com toda aquela anciã me matando e o desespero crescendo, eu não conseguia pensar em nada. Então, como uma criança desesperada, eu apenas me decidi que iria fugir dela, tomando muita coragem e praticamente me jogando para a direção contrária, quase voando pelo corredor, voltando para o lugar onde eu estava de início, o que antes me parecia ser apenas uma humilde casa. Logo, quando eu pude alcançar o cheiro de álcool e tabaco, pude respirar aliviada, como se eu acabasse de subir a uma superfície de água negra de lixo estranhamente doce, que era familiar e envenenante.
Um barulho estranho ecoou pelo corredor atrás de minhas costas, como se fosse um rugido de um animal feroz, me fazendo ficar com os sentidos em alerta, olhando fixamente para a escuridão. Senti olhos fixos em minhas costas, mas eu não me atrevi a olhar para trás, pois eu já sabia que aquela coisa não era humana. O cheiro ameaçou a voltar e eu apenas consegui prender minha respiração, tentando não fazer qualquer barulho, mesmo já sabendo que estava sendo minimamente observada. A coisa, ou qualquer coisa que seja aquilo, deu um passo em minha direção, enquanto fazia um estalo estranho com os dentes. Não voltei a me mover, apenas esperando sua aproximação, ficando ao máximo preparada para o que viesse.
– O que você faz aqui? – uma voz estranha, meio humana e meio demoníaca, ecoou atrás de mim; enquanto a coisa continuou se aproximando. Tentei escutar o seu coração, mas no segundo seguinte notei que não havia um coração vivo para bater. Respirei novamente, tentando reconhecer o cheiro. Era parecido com o cheiro de vampiro que eu já estava acostumada, porém era mais doce e tinha uma assombrosa quantidade de morte. Meu estômago protestou, mas eu continuei analisando o cheiro. Era como alguma coisa podre e muito, muito doce. Não um doce agradável, como o cheiro de Edward. Este novo cheiro era tão doce, que só apenas de pensar me dava enjoou e repulsa. – Você não respondeu minha pergunta... – alertou a voz, mostrando estar perdendo a paciência com o meu silêncio.
– Eu estou com o Dean. – foi à primeira coisa que venho em minha cabeça, e tinha sido puro extinto. Pelo que eu poderia entender, era que eu tinha acabado de invadir a privacidade de um vampiro. Pior, estava em sua casa sem, nem ao menos, ser convidada. Eu era uma lobisomem e estava na casa de um vampiro fedido, não teria nada mais agradável. Aquele vampiro não era nada bonzinho, os meus pressentimentos me alertaram, mas eu apenas tentei me manter calma. O cheiro dele era insuportável. – Sinto muito, eu não sabia que estava invadindo sua privacidade. Eu nem ao menos sabia que esta era a sua casa. Me desculpa, quando eu vim pra cá, estava desacordada. Sinceramente, não quis invadir sua casa, ainda mais a gente sendo de espécies bem diferentes. – falei tranquilamente, como se eu o conhecesse há anos, não querendo tocar no assunto que nossas espécies eram inimigas. Tudo o que eu queria era sair dali o mais rápido possível. Me virei em sua direção, lentamente, tentando não parecer rude, porém não conseguindo avistar sua presença. Ele parecia ser pura escuridão. – Eu vou procurar o Dean e prometo que vou embora.
– Não precisa. – ele logo respondeu, com a voz um pouco mais humana do que antes. – Se você está com o Dean, então você é bem vinda aqui. – houve um breve silêncio e eu tive um vislumbre de alguma coisa dentro da escuridão. Quando sua voz voltou a se fazer presente, já era completamente humana e eu quase fui capaz de esquecer o cheiro. – Sinta-se em casa, Senhorita. Diga ao Dean, quando você o ver, que o Bobby precisa falar com ele. Ele sabe onde me encontrar, afinal conhece esta casa como a palma de sua mão. – eu pude sentir um sorriso em sua voz, o que despertou minha curiosidade. Eu estava confusa por estar diante de um ser estranho daqueles, mas uma pequena parte de mim estava muito curiosa. – Foi um prazer conhecer uma jovem tão bela quanto você... – dizendo isso sua presença foi dissipando de minha frente. O cheiro foi se afastando, me deixando apenas um suave rastro.
Fiquei olhando por alguns segundos a escuridão, tentando entender o que tinha acabado de acontecer, tentando encontrar respostas para as muitas perguntas que estavam sendo formadas em minha mente. E antes que eu pudesse perceber, murmurei:
– Credo, parece que estive frente a frente com o Conde Drácula.
Sorri, me sentindo um pouco mais calma, porém a minha calmaria não demorou a acabar, no exato segundo em que eu me lembrei de um fato muito importante sobre mim. Eu estava completamente nua. Sim, completamente nua. E pior, uma coisa, sei lá o quê, tinha me visto daquele jeito. Era ridículo me imaginar daquele jeito, mas era a pura verdade. Desta vez, eu tinha me superado. Não bastava Sam e Dean terem me visto assim, agora uma besta demoníaca, muito estranha por sinal, também entrou na lista. Resolvi procurar alguma coisa para colocar, antes que a lista continuasse a crescer. Sabe-se lá quem mais eu poderia encontrar pelo caminho. Eu preferiria colocar alguma coisa antes de encontrar alguma coisa que estava fora do meu entendimento.
Voltei a andar pelo corredor, voltando em direção a casa, tomando muito cuidado para não ser vista por mais ninguém. Agucei meus sentidos, tentando sentir a presença de alguém por perto e por sorte não havia ninguém, nem mesmo uma mosca. Outra vez, tentei encontrar o cheiro de qualquer tecido e logo consegui encontrar alguma coisa, seguindo e cheiro de mofo e água sanitária. Logo, eu encontrei uma porta luxuosa, banhada a madeira escura. Entrei sem protestar, já sabendo o que eu encontraria.
Era um quarto estranhamente familiar. Eu tinha a impressão de já ter estado ali, mas pelo menos não nesta vida. Imagens estranhas apareceram em minha mente e eu me peguei lembrando de Edward. Por algum motivo estranho, aquele lugar me fazia lembrar muito dele. Eu sentia que já tinha estado naquele quarto com ele.
– Será que você já esteve aqui comigo, Edward? – perguntei, como se ele também estivesse ali, enquanto eu analisava o cômodo.
Era incrivelmente enorme, com grandes paredes verde-musgo e tons de azul celeste. Os moveis eram de madeira branca, decorada mente com detalhes azuis. Fechei a porta atrás de mim, respirando o familiar cheiro de flores. Havia uma cama muito bem arrumada no centro do quarto, com lençóis azuis e brancos, com algumas rosas vermelhas no pé da cama, como se tivesse sido colocado uma a uma, alinhadamente. Caminhei para mais perto, sentindo um sentimento estranho dentro de mim. No fundo, eu sabia que já havia estado ali, em um tempo muito distânte. Toquei os lençóis com as pontas dos dedos, sentindo a textura macia. Fechei os olhos e respirei fundo, a saudade ficou grande em meu peito. Mas algo logo me tranqüilizou, me fazendo voltar à realidade, como se eu fosse mais forte agora para encarar as coisas. Por alguma razão, eu me sentia muito bem, como eu não me sentia há muito tempo. Abri meus olhos e voltei a olhar o agradável quarto, sem perceber que um sorriso nascera em meus lábios. Alguma coisa estava diferente em mim e eu pude perceber que eu já não era a mesma de antes. Agora, estranhamente, eu me sentia mais forte para voltar a lutar. O que havia acontecido comigo, enquanto eu estive desacordada? O que estava acontecendo agora comigo? Definitivamente eu não sabia, conclui balançando a cabeça em negação.
Ao lado direito da cama, uma penteadeira me chamou atenção. Ela era pequena e com um espelho no centro com moldura prata. Caminhei até ela, quase sem perceber, com a curiosidade crescendo. Como se tivesse sido esquecido de propósito, uma caixinha de música tinha sido colocada na ponta e ameaçava a cair. Apeguei, por um impulso, sem perceber meus movimentos. Abri a pequena tampa, trazendo o suave som das cordas no ambiente, em uma melodia doce.
Dentro de uma pequena repartição tinha um cordão com um coração, suavemente com um toque de transparente, com o tom de azul, como o tom da aurora boreal, com alguma coisa dentro do seu interior. Peguei para ver de mais perto, olhando fixamente para dentro do coração. Logo a imagem de duas pessoas ficou nítida para mim e quando eu reconheci os dois rostos no interior do coração, eu tive certeza de que já havia estado ali. Heath não era exatamente como ao Edward de hoje, mas o rosto angelical e os olhos doces ainda eram os mesmos. Eu me parecia muito pouco com Yonah, pelo menos eu pensava. Meu rosto na foto era mais adulto e com a expressão mais seria, porém meus olhos ainda brilhavam pelo amor que transbordava em meu coração por Heath. Certamente, eu não era a mesma pessoa, mas a essência continuava a mesma. Sendo Heath ou Edward, eu sempre o amaria. Isso era a única certeza que eu sempre teria. Alguma coisa brilhou dentro do coração e foi só então que eu percebi a frase quase disfarçada pela foto. Meu coração voltaria a bater por você...
Aquilo era a única certeza que eu poderia ter em minha existência. Não importava a distancia, ou se Edward me amava ou não, meu coração sempre bateria por ele. Mesmo que fosse muito difícil não ter o seu amor, eu sempre o amaria, mesmo que jamais fosse o ver novamente. Mesmo se outra estivesse em seus braços neste exato momento, eu sempre esperaria por ele. Por que no fundo, uma parte de mim, dentro do meu coração, eu também sabia que ele me amava. As vidas atrás poderiam não fazer sentido agora, mas eu sabia que Heath verdadeiramente havia me amada. E Heath, em algum lugar, estava vivo dentro de Edward, e este simples fato já me deixava feliz. Coloquei o cordão em meu pescoço, sem intenção nenhuma de devolver, por que no fundo eu sabia que comigo era onde ele deveria estar. Era errado pegar qualquer coisa na casa dos outros, mas eu não me importava realmente se aquilo estava sendo errado. Tudo o que eu sabia era que aquele cordão deveria ser meu. Eu não estava roubando, apenas estava pegando uma coisa perdida de volta.
Resolvi procurar algo que eu pudesse colocar, para cobrir minha nudez. Aquela situação toda tinha sido muito constrangedora. Me aproximei dos luxuosos armários de parede, com a intenção de procurar alguma roupa, mas logo percebi, ao tentar abri a primeira porta, que estava trancada. Tentei com a próxima, e a mesma também havia sido trancada. Tentei novamente com a terceira, entretanto esta também não mudou de situação. Continuei procurando pelo quarto, algo que pudesse me servi, mas nada encontrei, além de apenas lençóis e edredons. Procurei até mesmo embaixo da cama, mas tudo o que eu encontrei foi poeira e cheiro de mofo. Então, já sem esperanças, resolvi procurar no que me parecia ser um banheiro, do outro lado do luxuoso quarto.
Versão Terceira Pessoa:
– Você sabe que ela não deveria estar aqui. – Bobby murmurou zangado, com a voz um pouco mais demoníaca do que de costume, principalmente quando se dirigia a Dean, seu humano preferido.
Dean fez uma suave carreta, não descordando de Bobby. Ele sabia que era muito perigoso trazer para um lugar em que ela já esteve como Yonah. Principalmente, quando este lugar estava cheio de vampiros originais sedentos por vingança. Não era uma coisa diretamente contra , até por que ela não era uma filha da lua original. Sua metamorfose não era tão descontrolada como aos seus ancestrais. era apenas uma loba, com a razão de uma humana. Com o coração bondoso. Ela não se parecia em nada com aquelas criaturas das trevas, sem nenhum pingo de humanidade, que nunca saiam da forma bestil. pensava, não era como aquelas criaturas. Por pouco, muito pouco, Bobby não havia errado em sua conclusão. O cheiro de era de um lobisomem, e a sutil diferença que a afastava dos monstros era mínima.
– Sei disso Bobby. – Dean respondeu com a voz rouca, sentindo os músculos de suas costas protestarem. Havia passado por muita coisa nos últimos dias. Principalmente, depois de ter quase perdido o motivo de sua existência. Ele não queria mostrar para o vampiro que por dentro ele estava exausto, mas era a coisa mais difícil do mundo esconder qualquer coisa do seu pai adotivo. – Mas não iremos ficar por muito tempo. Vamos dormir aqui e amanhã iremos embora. – prometeu, passando a mão pelo cabelo claro, desgrenhado. Suspirou impaciente e sorriu, só que um sorriso que não alcançou seus olhos verdes. – Estou muito feliz por te ver novamente.
Bobby sorriu, o que era uma coisa muito rara de se ver, principalmente depois que havia morrido. Sua humanidade era apenas um fio, e por vezes era muito difícil manter o controle. Seu amor por aqueles meninos o ajudava muito a poder recuperar sua antiga vida de volta. Ele havia criado bem aqueles pestinhas, agora eles eram homem de bem, como um dia ele havia sonhado. Teve vontade de abraçar seu filho, mas se manteve no controle para assegurar uma boa distancia segura. Seus extintos de besta era tudo o que ele tinha naquele momento, ficar longe era sempre a melhor opção. E por sorte, Dean, mesmo sem palavras, parecia entender isso. Dean sempre respeitava os limites.
– Eu também, meu filho. – respondeu, se esforçando para não deixar a bestilidade aparecer novamente em sua voz rouca.
– Como andam a situação por aqui? – Dean indagou, se sentando na poltrona do velho cômodo, procurando com os olhos alguma garrafa de uísque.
– Pior impossível. – Bobby sussurrou, indo até um canto qualquer e pegando uma garrafa verde, logo jogando na direção do companheiro. Dean sorriu, enquanto pegava a garrafa ainda no ar. Bobby então se concentrou na conversa, sentando-se na frente de Dean, em uma cadeira mais desconfortável. A situação estava piorando. – Arolin andou transformando algumas pessoas pelo caminho, enquanto ele ia para Forks.
– Isso nós já imaginávamos, não? – Dean tentava entender o motivo da preocupação.
– Sim, isso a gente previu. – respondeu, pedindo com um dedo a garrafa de volta, apontando suavemente. – Só que o problema não está aqui. Vampiros são vampiros. Não importa muito o que eles vão fazer. Afinal, não são da espécie de vampiros que mais nos preocupa. – declarou. Dean suspirou no meio de sua pausa, abrindo a garrafa e dando uma golada no liquido quente. – O grande problema é que Arolin anda trazendo alguns da sepultura.
Dean deu um suave pulo, não esperando aquele tipo de palavras. O liquido em sua garganta ameaçou voltar, mas ele tentou engolir a cedo tudo aquilo. Arolin estava montando um exercito, mas aquilo não era importante. Vampiros novos não importavam. Entretanto, Arolin havia feito uma coisa muito perigosa. Trazer vampiros originais da sepultura exigia sacrifícios e muito poder. Arolin tinha este poder? Como se ele não era verdadeiramente um vampiro? Arolin era um imortal, um caído, por mais que tivesse poder, nunca chegaria a este ponto. Para ele fazer qualquer coisa do tipo, ele precisaria de alguém muito poderoso ao seu lado.
– Quem? – Dean pensou entre pensamentos preocupados, pensando em milhares de possibilidades, imaginando quem Arolin desejaria trazer das cinzas.
Bobby suspirou, cruzando as pernas, olhando fixamente em silêncio para o jovem em sua frente. Para ele era absurdo pensar que Dean era apenas um menino e já estava entrando em uma guerra daquelas. Arolin não estava brincando, havia esperado séculos para recuperar . Agora, ele não pouparia meios de trazer a sua rainha de volta. Pensar nisso, lhe dava calafrios. Ele estava presente quando o mundo esteve perto de acabar e não queria voltar a ver isso. Ele nunca havia sido muito próximo dos anjos, mas conhecer Miguel fez a diferença. Dean sempre fazia a diferença. Foi exatamente por este motivo, ao ver o Arcanjo tão motivado, que ele abraçou aquela missão.
– Katherine foi à primeira. – respondeu, logo percebendo os olhos de Dean se arregalarem suavemente. – Claro, ela eu já havia imaginado. Não tem ninguém que odeie Yonah mais do que ela. Afinal, perder o trono nunca é fácil. Ainda mais quando esta é a única coisa que se tem.
– Arolin não quer ver morta, então porque trazer Katherine? O que ele estava pretendendo com isso? – Dean rebateu.
– Tenho péssimas noticias garoto. – Bobby, se levantou, querendo mudar de assunto, para esquecer a antiga companheira. Era sempre difícil relembrar dos séculos que havia sido verdadeiramente feliz, com Katherine, ainda humana, em seus braços. Sempre soube que seria errado transformá-la, mas nunca imaginou que chegaria a tanto. Katherine ficou obcecada pelo poder, deixando de ser aquela jovem meiga, que ele sempre pensou que ela verdadeiramente fosse. Mas, em todo aquele tempo, ele estava sendo enganado. Katherine queria a imortalidade, havia apenas o usado para conseguir isso. Ele não havia significado nada para ela, porém, por todos esses séculos, aquilo ainda o fazia sobre. Aquela dor era a única coisa que o havia lembrar que já havia tido um coração. Começando a andar pelos cantos do cômodo, inquieto, ele continuou, mudando o assunto para outro tópico que o machucasse menos. Ele sabia que em breve acabaria a vendo novamente e teria que estar preparado. – Edward perdeu sua humanidade, acabou não resistindo ao sangue humano, após as torturas de Arolin. Ele é um original agora, completamente das trevas. Agora tudo o que ele tem é desejo por morte e sangue e destruir seus próprios vestígios de humanidade.
– ... – Dean respondeu logo, encontrando a chave de todas as perguntas. A preocupação, por mais que tentasse esconder, ficou óbvia em seu olhar. Agora ele sabia o que Arolin estava planejando. Ele queria que Edward e se destruíssem, para que assim nascesse um ódio maior do que o amor de vidas atrás. Arolin era esperto, muito original, mas aquela idéia seria no mínimo destrutiva para todos. e Edward poderiam chegar a se destruir, mas antes muitas vidas seriam arrastadas com eles. Arolin não estava poupando meios para acabar com a humanidade de , e não havia um meio melhor do que esse do que usar Edward como arma. Edward era a ligação de com sua própria humanidade, se ela chegasse a odiá-lo de todo o coração, acabaria renunciando sua própria humanidade. Mas, Dean estaria ao lado dela para impedir isso. Ele não iria deixar que ela se perdesse novamente. Porém, antes ele tinha Edward para lhe ajudar. Mesmo não querendo admitir, ele sabia que Edward era capaz de mais do que ele. Agora, Edward seria seu inimigo. – Edward vai querer destruí-la. – por fim declarou, concluindo seus pensamentos, se levantando, com impaciência. Ele queria fugir, levar para muito longe agora mesmo.
– Exatamente. – concordou o vampiro, concluindo a mesma coisa que o caçador, só que menos impaciente. Ele nunca havia se importando muito com a imortal, pois acreditava que ela era o mal que existia na vida de seu filho. Só que involuntariamente, por Dean, ele sempre a ajudaria a escapar da sua própria escuridão. Mas, em algum lugar dentro do seu coração, ele sabia que não era por Dean que ele sentia uma antipatia por . No fundo, ele sabia que ainda não a havia perdoado por ele ter matado Katherine, mesmo sabendo que a imortal estava certo e não a sua vampira. Katherine era um monstro, sem desculpas como , que sempre lutava pela sua própria humanidade. Katherine não queria ser boa, essa era a diferença entre as duas. Mas, por mais que sua razão o declarasse isso, ele não podia esquecer que havia feito mal para Katherine. Ele simplesmente não sabia como fazer para esquecer. – Edward sempre teve o péssimo problema de querer apagar seu passado.
– tem que se afastar ao máximo dele agora. Ele não pode nem pensar em chegar perto dela. Ela não perceberia a diferença nele, acabaria confiando e dando sua vida facilmente a ele. – a voz do caçador saiu urgente e ele pensou estar enfartando.
– Mas ela notou a diferença em mim, garoto. Ela percebeu que eu não era exatamente um vampiro normal. Não sei, mas alguma coisa está diferente agora. Foi simples para ela notar que eu era um vampiro, mas não como os outros. É como se alguma coisa a alertasse que há perigo. Espero que assim que ela estiver de frente com Edward, ela também note isso, como fez a pouco comigo. Ele vai fazer o possível para conquistá-la, manipulá-la e destruí-la.
– Só que eu não vou permitir isso. Nem que eu tenha que fugir com ela para sempre, ela não vai se aproximar do Edward. Ele não vai destruí-la. – Dean quase saiu do controle de si mesmo, já sentindo a ira crescer dentro do peito. – Nem que para isso eu mesmo tenha que destruí-lo primeiro.
–Você seria capaz de quebrar seu pacto e destruí-lo? – Bobby perguntou, almejando muito a resposta, franzindo o a testa incrivelmente pálida, com os olhos vermelhos ficando cada vez mais sérios. Era impossível não impressionar com o amor que Dean sentia pela imortal. Era impossível não se comover pela boa vontade do garoto.
Dean virou seus olhos, para um canto qualquer do cômodo, impedindo que Bobby visse o lampejo de dor em seus olhos. Ele sofreria por acabar com Edward, mas assim como prometeu sempre lutar ao lado de Edward, agora ele também estava prometendo que, para manter a salvo, seria capaz de quebrar seu pacto e sua amizade. Edward, o verdadeiro, não aquele que existia agora, entenderia, onde ele estivesse. Dean compartilhava o mesmo sentimento de proteção com Edward e sabia que se Edward estivesse na mesma situação, não hesitaria em matá-lo também. Eles, estranhamente, se entendiam. Dean, por mais que amasse e soubesse que o coração dela sempre seria de Edward, por mais que ele fizesse qualquer coisa, ainda sentia uma amizade muito grande por Edward. Ele o admirava, mas não pouparia forças para matá-lo. E ele sabia que, se Edward morresse sem sua alma, ele jamais voltaria. Ele verdadeiramente morreria desta vez. Sua alma se perderia para sempre.
o odiaria para sempre e ele sabia sem Edward seria quase impossível para ela continuar. Ele teria que usar o impossível para fazer com que ela continuasse inteira, com a humanidade intacta. Mas, seria difícil demais. Impossível sem Edward. Então, a única saída seria levá-la de volta para o céu. Ela voltaria a ser Ariel, a Arcanjo sem sentimentos e jamais sentiria qualquer sentimento em relação a ele. Ele sabia que aquilo era tudo que Ariel jamais queria, mas para salvá-la, para que ela não se perdesse de vez, ele seria obrigado a fazer isso. Esta era a única chance que existia de colocá-la em segurança novamente. Em sua mente, ele planejou o que faria após matar o corpo cheio de trevas de Edward, mas sabia que ganharia o eterno ódio de , enquanto ela ainda tinha sentimentos. Com isso, ele mesmo acabaria com todas as chances de conquistá-la, mas aquela era a única saída.
Agora ele já sabia o que iria fazer. Saiu do cômodo sem falar nada, pois sabia que com Bobby ele não precisava dar explicações, até por que sabia que Bobby já havia sentido seus pensamentos, como geralmente fazia com as pessoas. Ou, pela melhor das hipóteses, Bobby apenas o entenderia, sem usar seus poderes, por que sabia que com Bobby encontrava cumplicidade, mas do que encontrava com seu verdadeiro Seu pai, John Winchester. Era estranho concluir isso, por que Bobby era um vampiro original, o da pior espécie que poderia existir, mas aquela era a verdade. Seu pai, por mais que fosse humano, nunca o fez se sentir como Bobby. Muitas felizes, o monstro parecia ser seu pai. Bobby não o abandonaria, como seu pai estava fazendo neste momento.
Dean só esperava que seu pai não resolvesse entrar naquela guerra, como ele mesmo havia dito no telefone que não entraria, por que ele sabia que seu pai nunca entraria ao lado dele. Seu pai acabaria ajudando Arolin a vencer, então seria melhor que ele não entrasse, por que Dean não se sentiria fraco o bastante para não lutar contra seu pai. E Sam? – Dean se perguntou, enquanto começava a entrar em um dos milhares de corredores que existiam naquele esconderijo subterrâneo. Ele apenas esperava que seu irmão ficasse ao seu lado, mas se aquilo não acontecesse, ele apenas lamentaria muito, concluiu, respondendo para si mesmo. Ele não sairia ao lado de naquela guerra. Nem mesmo por sua família. Ele não hesitaria ao escolher, mesmo que aquela escolha destruísse seu coração. Ele tinha sido designado a uma missão, antes mesmo de pensar em ter uma família humana, então não poderia escolher contra coisa. sempre vinha antes de qualquer outra coisa. Ele tinha vindo neste mundo para protegê-la e era isso que ele iria fazer.
Versão :
O banheiro, assim como o quarto, era estranhamente familiar, mas agora aquilo não me surpreendia. Ele era bem iluminado, assim como o quarto, com abajures antigos, com uma vela no centro, em cada canto do cômodo. Não havia nenhuma janela, foi então que percebi que não havia nem mesmo no quarto, ou nos corredores. Me lembrei do quarto onde eu havia despertado, e notei também que nem mesmo lá existia janelas, apesar de eu pensar ter sentido uma brisa suave em torno de mim. Lembrei de como aquela sensação havia sido estranha, mas achei melhor esquecer. Eu havia passado por muita coisa nos últimos tempos, era normal ter surtos de loucura às vezes. Talvez não fosse, admiti no segundo seguinte, mas para não deixar as coisas mais pesadas, eu preferi não pensar mais sobre aquilo e voltar a analisar o banheiro.
Como o quarto, o banheiro era extraordinariamente muito grande para ser um banheiro. O piso era de madeira e os azulejos eram verde-musgo, com desenhos, como linhas traçadas em azul. Uma parede inteira era de espelho, o que logo me deu uma visão muito ampla do meu corpo. Por uma fração de segundos, eu deixei de prestar atenção na decoração do banheiro para prestar um pouco de atenção no meu estado físico. Por incrível que pareça, agora eu não parecia estar tão mal. Se não fosse pela minha pele, incrivelmente mais pálida do que o normal e os ferimentos que se estendiam do meu ombro até o final do meu tronco, eu poderia até dizer que eu estava muito bem. Quero dizer, melhor do que eu andava estando nos últimos meses. Um brilho vermelho estranho estava em meus olhos, mas logo desapareceu, me fazendo acreditar que havia sido coisa da minha cabeça ou coisa provocada pela luz. Me aproximei mais do espelho, para ter uma visão mais próxima do meu rosto, para poder analisar melhor minha aparência. Meu rosto estava com algumas marcas roxas, mas logo percebi que aos poucos elas iam desaparecendo, enquanto o meu corpo cuidava para que a cicatrização acontecesse. Olhei novamente para meus olhos, procurando aquele brilho vermelho, mas já não havia mais nada ali. Meus olhos continuavam sendo os mesmo de antes, um pouco mais escuros do que o normal, mas eu sabia que aquilo era apenas por que minha pele ainda estava muito pálida.
Passei a mão pelo meu cabelo, notando que ele estava um pouco mais grosso do que de costume, logo percebendo que havia traços de sangue em todo seu comprimento. Imagens do que havia acontecido comigo se passaram em minha mente, mas eu não deixei a fúria se estender pelo meu corpo. Agora eu lidaria com as coisas mais friamente, até por que eu já não me sentia como antes. Eu me sentia muito furiosa por dentro, pela maneira como eu havia sido atacada, mas agora eu tomaria muito cuidado para não ter mais uma explosão de raiva, como havia tido. Já seria muito difícil Sam explicar como ganhou um nariz quebrado.
Sorri um pouco friamente para mim mesma, por dentro orgulhosa de ter tomado alguma atitude desta vez. Mas, por algum motivo, estar orgulhosa me deixou um pouco preocupada. Eu estava preocupada por que um lado meu estava desejando mais de vingança. Eu, obviamente, não reconhecia este lado meu. Entretanto, ele ganhou dimensões tão rapidamente, como se sempre houvesse estado ali. Pensando comigo mesma, eu tive outro lampejo de olhos vermelhos no espelho e eu notei que foi no exato momento em que eu desejei por mais vingança. Os olhos continuaram vermelhos e eu me foquei neles. Olhando fixamente, eu me perguntei mentalmente o que eles queriam de verdade. Encarando os olhos no espelho, eu encontrei coisas que não me agradaram muito, enquanto minha expressão no espelho se tornava cada vez mais fria, incrivelmente mais sombria, a ponto de eu não me reconhecer.
Como se eu tivesse levado um choque, como se fosse para me irar do transe, da atenção na minha própria imagem no espelho, uma outra imagem apareceu do lado da minha, o que me fez automaticamente pular de susto. Uma imagem, um rosto que eu não consegui reconhecer no primeiro segundo, apareceu do lado do meu rosto. Os olhos verdes me fitaram com tristeza, e eu pude perceber que eles queriam me dizer alguma coisa, mas aquilo foi breve. Seus lábios se abriram, e eles pareceram sussurrar alguma coisa, porém não houve o som de sua voz. Olhei assustada para trás, para encontrar quem estava atrás de mim, entretanto não havia mais ninguém no banheiro, além de mim. Voltei meus olhos assustada para o espelho, entretanto também não havia mais ninguém além de mim ali. Olhei novamente para trás, realmente achando que ira encontrar uma pessoa parada ali, porém o resultado voltou a ser o mesmo. Eu estava sozinha no banheiro.
– O que foi isso? – eu murmurei assustada, olhando para um lado e para o outro, ainda tentando entender o que tinha acabado de acontecer. Porém eu tinha uma certeza: eu não estava ficando louca, por um segundo, só por um segundo, eu vi uma pessoa ao meu lado no espelho. Aquilo não havia sido fruto da minha imaginação.
Balancei a cabeça, encabulada demais para voltar a dizer qualquer coisa. Em minha tentava, sem sucesso, achar uma resposta para tudo aqui. Então, eu conclui que havia acontecido muitas coisas estranhas naquela casa.
– ? – uma vez atrás de mim ecoou no banheiro, me fazendo pular de susto, novamente. Dean me olhava curioso e normalmente muito preocupado. Ele estava parado atrás de mim, segurando algumas peças de roupa em minha das mãos. – Nossa você até parece que viu um fantasma. – ele me disse, se aproximando mais de mim, colocando uma mão em meu antebraço, suavemente apertando, como se para se certificar de que eu estava bem. Com ambos olhando para nossos reflexos no espelho, ele continuou dizendo, olhando diretamente para meu rosto. – Seu rosto está tão branco que você até poderia se passar por vampira. Você está bem? Parece que a qualquer momento você vai cair dura no chão.
– Eu... – tentei dizer alguma coisa, mas um bolo de confusão na minha cabeça me impedia de pensar. Eu ainda estava tentando entender o que tinha acabado de acontecer.
Olhei novamente para trás, suavemente, não tão abruptamente ao ponto de parecer louca, ou de estar assustada. Voltei meus olhos para o espelho, fitando o rosto preocupado de Dean. Ele ainda continuava me analisando, com uma das sobrancelhas erguidas, fazendo uma pergunta silenciosa com os olhos verdes. Verdes... Verdes eram os olhos que eu tinha acabado de ver no espelho. Olhei bem no fundo do mar verde dos olhos de Dean, tentando encontrar alguma resposta ali, tentando concluir se seriam os mesmo olhos. Mas, depois de tanto tentar encontrar alguma semelhança, eu pude entender que não se pareciam em nada com os outros olhos verdes. Os olhos de Dean pareciam um mar verde de tempestade, com sentimentos turbulentos. Os outros verdes eram mais suaves, cheio de sentimentos intensos, porém com tristeza e calma. Os olhos de Dean me diziam uma coisa, os olhos tentavam me dizer outra. Era como tentar falar italiano lendo inglês ao mesmo tempo. Aqueles olhos no espelho, não eram em nada como aos olhos que eu procurava. E por alguma razão, de alguma forma estranha, eu me sentia como se já tivesse visto aqueles olhos em algum lugar, apenas não conseguia me lembrar de onde. Por alguma razão absurda, eu comecei a sentir saudade daqueles olhos. Eu comecei a almejar ver eles novamente.
– Eu só pensei ter visto alguma coisa. – continuei a falar para Dean, desviando meus olhos dos seus. Por algum motivo, eu fiquei inquieta por não encontrar os outros olhos. Balancei a cabeça, negando para mim mesma que eu tinha visto alguma coisa. Como eu tentava me convencer antes, eu havia passado por muitas coisas nos últimos tempos. Sorri para Dean, olhando novamente para o espelho, tentando demonstrar que agora tudo estava bem. Dean automaticamente sorriu, desligando a mão que estava no meu antebraço até minha mão, entrelaçando os dedos nos meus. Então, só então, que eu me lembrei que estava nua. – Droga. – xinguei a mim mesma, com a voz entre dentes, me afastando de Dean e cobrindo as partes principais do corpo com as mãos.
Dean gargalhou no mesmo segundo, fazendo com que as coisas se tornassem ainda mais constrangedoras. Um olhar divertido ele me lançou, enquanto virava de costas para mim, porém não havia adiantado muito, por que o espelho ocupava a parede inteira e ainda mostrava meu reflexo onde Dean estava. Dean percebeu meu olhar pelo espelho e apenas piscou do jeito que ele sempre fazia, incrivelmente sexy, que seria capaz de conquistar qualquer mulher. Ele lançou em minha direção as roupas que ele tinha em sua mão, logo em seguida tampando os olhos com ambas as mãos, ainda sorrindo. Se aquele sorriso não fosse tão lindo, eu seria capaz de dar um soco nele para tirá-lo do seu rosto, por que estava incrivelmente conseguindo de irritar e me deixar ainda mais constrangida.
– Se vista. – ele sussurrou, ainda sorrindo, com a voz um pouco abafada.
Peguei as roupas ainda no ar, fazendo caretas, me certificando de que o caçador realmente não estava me vendo. Analisei brevemente as roupas, notando que elas eram bem no estilo Dean Winchester, só que na versão feminina. Havia uma camiseta sem manga branca, uma calça jeans escura, um conjunto de roupa intima preto e, o que essencial, bem estilo Dean Winchester de ser, uma jaqueta de couro preta. Não consegui deixar de sorrir, enquanto me vestia, sentindo o olhar de Dean em mim as vezes, mas fingindo não notar.
– Você está querendo fazer de mim um clone de você? – perguntei segundos depois, terminando completamente de me vestir. No mesmo segundo Dean se virou para mim, me dando a certeza de que ele havia me visto colocar a roupa. Lhe lancei um olhar cheio de perigo e em contra partida ele me lançou um olhar cheio de desejo.
– Agora sim você está com grande estilo. – ele disse passando os olhos por todo meu corpo, sem fazer questão de esconder todo o seu desejo. O seu olhar começava a me queimar, mas eu tentava fingir que não estava percebendo isso. O ar começava a ficar mais quente ao nosso redor e um alerta vermelho começava a picar em minha cabeça. Eu ainda o desejava, ainda queria seu corpo, mas eu não podia deixar que as coisas avançassem. Era perigoso demais.
– Eu sempre tive estilo. – me defendi, colocando as mãos na cintura, olhando para ele com expressão de incrédula.
– Eu sei disso. – ele concordou, se aproximando de mim, colocando as mãos na minha cintura, me deixando sem reação. Aproximou o rosto do meu, me fazendo sentir o suave deixo de álcool em seu hálito. Minha respiração ficou ofegante e era óbvio que eu o desejava. Dean sabia exatamente disso, porém não facilitava as coisas pra mim.
Dean aproximou seus lábios a centímetros do meu, porém não tocou minha boca. Eu o queria, aqui e agora, com urgência. Eu queria que ele me beijasse e fizesse tudo explodir, como ele havia feito antes, mas as coisas ficavam cada vez piores. Meu corpo queimava por aquele homem e eu ameaçava a perder a razão. Me apertando forte contra seu corpo, Dean beijou meu pescoço, provocando inúmeros arrepios e fazendo com que a minha fome dele aumentasse. Involuntariamente, eu soltei um gemido de desejo, colocando minhas mãos em ambos os lados de suas costas, arranhando suas roupas, o sentindo estremecer com o meu toque. Ele não havia esperado resposta, entretanto como ele não estava facilitando, eu também não iria facilitar.
Começando a passar a língua quente em minha pele, Dean me enlouqueceu mais um pouco. O desejo queimava em minha pele e eu já não conseguia encontrar a razão. Minhas defesas estavam baixas e eu somente sabia que o desejava. Naquele momento, eu não me importava com os sentimentos. Eu o queria, queria que ele me desse tudo o que ele tinha. Queria me afundar no desejo que estava me matando.
– Dean... – eu sussurrei seu nome, sem ar, apertando meus dedos em suas costas. –Por favor... – implorei, com o último pingo de sanidade que havia me restado. Porém, se eu realmente tivesse vontade de me afastar, eu já havia feito, mas só que eu não tinha forças para resistir ao desejo. Só me restava ele me libertar.
– Eu sei que você me quer. – ele sussurrou incrivelmente sexy e eu comecei a orar pensamento para que eu conseguisse suportar tamanha tentação. – Diz que me quer... – ele pediu, voltando a beijar meu pescoço, apertando mais meu corpo contra o dele. – Diz...
“Diz que me quer... Diz...” As palavras ecoaram em minha mente, me levando para mim tempo distante, um tempo que eu havia deixado escondido em meu passado. As lembranças me engasgaram no começa, mas com o passar dos segundos, eu começava a me acostumar com elas, quase como se eu as tivesse vivendo novamente. Senti as mãos dele firme em meu corpo, fazendo o fogo que já existia entre nós queimar ainda mais. Eu gemi enquanto ele mordiscava minha orelha, arranhando suas costas nuas, sentindo os músculos se contraírem desejo. Ele desceu seus lábios pelo meu pescoço, mordendo suavemente a pele fervente, ganhando cada vez mais contraste com a sua fria. Eu começava a explodir de fazer, enquanto pedia por mais em seu ouvido, gemendo seu nome. Seus olhos voltaram-se para os meus, enquanto eu afundava no prazer do seu corpo frio. Com um sorriso brincalhão, em apenas um único movimento, ele rasgou minhas roupas. Não havia vergonha ou devaneios, tudo o que existia era apenas o desejo. Ele passou a mão fria entre meus seios, enquanto a outra desligava para o meio de minhas pernas, encontrando meu clitóris já vibrando de desejo. O fato de eu não estar usando nada por baixo o havia ajudado, perigosamente. Seus dedos começaram a fazer movimentos rotativos, enlouquecendo-me como nunca. Gemi muito outras vezes, implorando para tê-lo novamente. Ele para calar meus gemidos, logo me devorou em um beijo quente, sugando minha boca com a sua, fazendo o fogo apenas crescer entre a gente. Em cada toque, eu o desejava ainda mais. Minhas pernas ficaram bambas e ele logo percebeu, me segurando em seus braços, com um sorriso matador em seus lábios.
“Eu quero você.” – respondi com urgência, olhando no mar dourado de seus olhos. “Eu te quero como nunca quis ninguém.”
“Então não se confunda com outros corpos, por que o único que poderá de dar verdadeiramente prazer será apenas o meu.” - ele declarou, aproximando seu rosto do meu, com o desejo queimando em seus olhos. “Sabe por quê?” – ele indagou, aproximando nossos rostos. Neguei com a cabeça, querendo que ele ficasse quieto e me deixasse. “Porque sou eu quem você ama.” – respondeu em meu ouvido, me fazendo fechar os olhos, ao escutar o doce som de sua voz. Ele estava certo, eu o amava. Assim como eu o desejava, eu o amava cem vezes mais.
“Sim, eu amo você Heath.” – respondi, enquanto ele voltava a devorar meus lábios com tamanha paixão e desejo. Estávamos queimando, mas tudo o que eu desejava era explodir em seus braços. Tudo o que eu queria era me tornar apenas um só corpo com ele, pois um só coração já éramos há muitos séculos.
Os lábios de Dean devorar com meus, entretanto eu começava a voltar à realidade, sentindo a explosão de desejo começar a desaparecer. Travei no mesmo segundo, abrindo meus olhos e voltando ao mundo real, deixando as lembranças antigas voltarem para qualquer lugar dentro de mim. Dean, no mesmo segundo, notou que eu congelei, arrancando seus lábios dos meus e me fitando com curiosidade.
– Dean... – eu comecei a falar de vagar, sentindo as palavras pesadas em minha garganta. Eu me sentia muito confusa, mas ao mesmo tempo eu nunca havia sentindo tamanha certeza. – O que está acontecendo? – finalmente perguntei, demonstrando o quanto eu me sentia perdida.
Dean pareceu entender no mesmo segundo, enquanto um lampejo de dor se passou em seus olhos. Sem explicação, Dean parecia entender as coisas que se passavam comigo melhor até do que eu. Ele tentou sorrir, como para me reconfortar, mas tudo o que eu queria era chorar. Chorar por que quem estava ali era Dean, chorar por que Heath nunca voltaria. E chorar como uma criança por motivos que eu nem conseguia imaginar.
– Que diz o que aconteceu. – Dean pediu, me tomando em seus braços, como uma criança. Então, eu notei que estava chorando, exatamente como da outra vez que eu havia vivido memórias passadas. Era doloroso demais me lembrar. Um sentimento de perda e solidão de apossavam de mim.
– Eu... Eu estava aqui com você e no segundo seguinte.. – não consegui falar, com medo do que Dean poderia achar da minha confissão. Ele poderia me achar louca, até por que ele não sabia exatamente muito sobre mim, em relação a aquelas coisas de outra vida. Bem, era isso o que eu pensava, pelo menos. Eu nunca havia dito isso para ele, mas Dean sempre parecia me surpreender.
– No segundo seguinte você estava com Heath. – Dean me ajudou, falando tranquilamente, como a coisa mais normal do mundo. Como se eu beijar ele, pensando em outro, não fosse à pior coisa do mundo.
– Como você sabe? – perguntei assustada, olhando diretamente seus olhos verdes. – Eu nunca te disse nada sobre isso.
– – ele sorriu, mas eu nunca o tinha visto com os olhos tão tristes. – não me subestime. Sou um caçador, sei de coisas que você nem imaginaria.
– Sinto muito, Dean. – sussurrei com a voz fraca, lamentando por fazê-lo passar por aquela situação. Me escondi em seu peito, afundando meu rosto e fechando os olhos.
– Você não tem culpa. – ele beijou o topo da minha cabeça enquanto falava, alisando meus cabelos com os dedos. – Você não pode controlar isso que acontece com vocês. Essas melhorias vêem para te manter no caminho, como uma forma da consciência adormecida da Yonah se comunicar diretamente com você. Por mais que você não sinta, ela está bem viva dentro de você.
– Mas por quê? – perguntei confusa, como uma criança. – Por que acontece isso? – continue, mas para mim do que para Dean, não acreditando que ele teria uma resposta.
– Por que você está confusa. E está fazendo uma coisa que não devia estar fazendo. – sua voz parecia me acalmar. Ele parecia estar explicando para uma criança. – , sua vida é muito confusa, só isso. Ainda mais agora, que você mor.. Quase morreu. Acho que você ficou alguns segundos do outro lado, isso ajuda a trazer muitas coisas átona.
– Eu não consigo entender este desejo ardente que eu sinto por você. – afirmei sem medo, me distanciando um pouco dele e olhando seu rosto. – Sinto muito, Dean. Eu realmente queria entender, queria dizer sim ou não, mas é sim e não ao mesmo tempo. Eu te desejo, só que ao mesmo tempo existe um amor que me obriga a não te querer.
– Acredite, pequena, eu sei. – ele me abraçou, beijando meu rosto. – E tudo o que eu queria era que as coisas se tornassem um pouco mais faceias para você. Eu sei que você me ama, de um jeito estranho, eu sei. Só que não é o bastante. Seu coração não voltaria a bater por mim. – ele terminou, segurando o cordão que estava em meu pescoço, entre a camiseta e a jaqueta.
Eu não sabia explicar como Dean simplesmente parecia saber de tudo. Era sobrenatural o modo como ele sempre sabia alguma coisa sobre mim. Ou nós tínhamos uma ligação muito forte, ou ele andava me espionando. Só que a última opção eu não pensava verdadeiramente que você a correta. Até porque, se Dean estivesse por perto, eu sentiria sua presença. Nossa ligação era forte demais para que eu, ou até mesmo ele, pudesse explicar.
Fez menção de arrancar o cordão, sabendo que ele pertencia aquele lugar, mas Dean me impediu, segurando o medalhão entre nossas mãos.
– Fique com ele. Nós dois sabemos que com você ele vai estar no lugar certo.
– Obrigada. – eu agradeci, como se ele tivesse acabado de me dar um presente, com um sorriso bobo no rosto.
– Você não deve agradecer por uma coisa que já é sua. – ele me repreendeu, também sorrindo, como se, só de ver a minha alegria, ele também ficasse feliz.
– Obrigada, Dean. Por tudo. – terminei, lhe dando um abraço forte e um beijo no rosto. Não havia vestígios de desejo louco, apenas restava um carinho fraternal. Por um lado, eu ficava feliz por as coisas tomarem este caminho, por outro eu ficava muito triste por Dean. Eu não tinha duvidas de que Dean me faria imensamente muito feliz, porém meu coração se recusava a deixá-lo entrar. Yonah se recusava a deixar Heath partir. E eu, dolorosamente, também me recusava a deixar Edward Cullen sair do meu coração.
– Não por isso, minha pequena. – ele também beijou meu rosto e largou minha mão e o medalhão. – Agora nós precisamos ir.
Assenti suavemente com os olhos, sorrindo suavemente com o canto da boca, acompanhando o olhar do caçador. Dean sorriu mais uma vez, pegando minha mão, entrelaçando seus dedos longos e quentes com o meu, depositando logo em seguida um beijo carinhoso no meu pulso, sem nunca tirar seus olhos do meu, me passando aquela confiança nos olhos verdes que só ele tinha o poder de me passar, como se ao seu lado eu não devesse temer mais nada. A certeza que aqueles olhos me passavam, estava bem longe da minha compreensão, mas seu verdadeiramente sabia que com Dean eu não precisava me esconder, com Dean não havia mentiras, não havia medo. Eu me sentia livre em sua presença para dizer qualquer coisa, como eu nunca havia me sentido com mais ninguém.
Dean me puxou sutilmente pela mão pelo cômodo seguinte, me fazendo suspirar um pouco quando voltei a rever o quarto, olhando para Dean em seguida, que me lançou um olhar de cumplicidade e sorriu. Meu coração logo se acalmou, enquanto eu dizia para mim mesma de que agora as coisas estavam bem. Eu não voltaria a ter memórias, não voltaria a ferir meu próprio coração, como Yonah sempre tentava fazer, quando ela percebia que os meus próprios sentimentos se tornavam um mistério para mim. Eu não conseguia ter raiva da minha outra metade, apesar de pensar que ela sempre acabava jogando sujo comigo. Eu preferiria sofrer apenas uma vez, ao invés de ficar tendo apenas migalhas de memórias. Entretanto, até eu mesma sabia que, se assim, tendo poucas memórias, já era muito difícil separar esta vida da outra, com as memórias totalmente vividas de Yonah, eu acabaria enlouquecendo de uma vez. Mentalmente, eu agradeci aquela parte escondida de mim e pedi silenciosamente que ela não voltasse a me revelar alguma coisa tão cedo.
– Se você quiser, nós podemos ficar esta noite. – Dean declarou, ao perceber meu olhar demorado para os quatro cantos dos quartos, apertando suavemente a minha mão, com o seu olhar compreensivo e doce.
– Não, está tudo bem. – disse mexendo minha cabeça e sorrindo tranquilamente. – Acho melhor irmos ainda hoje. Já estou quase totalmente recuperada e não há necessidade nenhuma de continuar aqui, Dean.
– Tem certeza? – ele perguntou, sabendo que aquele lugar, de alguma forma, significava alguma coisa para mim. Sem palavras, sem explicações, Dean conseguia entender meus sentimentos. Ele sabia que, ao estar ali, eu me sentia um pouco mais viva, um pouco mais perto das memórias de Yonah. Um pouco mais perto de Edward, como se ele já estivesse presente, tornando assim minha dor apenas uma lembrança. – Podemos ficar...
– Não. – interrompi, apertando sua mão, olhando uma última vez para o quarto. Eu não precisava estar ali para me sentir um pouco mais viva, tentei convencer a mim mesma. Eu estava bem agora, me sentia melhor do que um dia eu já pude me sentir. E, a coisa mais maravilhosa do mundo, eu já não sentia mais medo. Eu não precisava despertar Yonah para me sentir mais forte. Eu era forte, mesmo muitas vezes não demonstrando isso. Eu sabia que poderia ser forte. Principalmente, quando Dean estava do meu lado, segurando a minha mão daquela forma tão doce. – Vamos embora, Dean.
Dean sorriu, mostrando todos seus perfeitos dentes brancos, um sorriso que alcançou o topo de seus olhos incrivelmente verdes, como uma piscina de água natural. Como se ele sentisse minhas emoções, ele me fez perceber, com os olhos, com aquele olhar hipnotizante, que se sentia feliz por eu confiar tanto nele. Éramos cúmplices, independentemente de qualquer outra coisa e isso não necessitava de palavras. Com Dean, as palavras eram insignificantes. Tínhamos uma ligação, fora de qualquer entendimento humano.
Saímos no quarto no instante seguinte, caminhando lado a lado, com as mãos fortemente entrelaçadas, sorrindo suavemente um para o outro, como sempre sem palavras que pudessem descrever qualquer coisa. Seguimos pelo corredor escuro, só que desta vez eu não me senti com medo, pois estava sendo guiada por Dean. Foi então que eu me lembrei de uma coisa.
– Dean. – sussurrei entre a escuridão que parecia nos engolir, sentindo seu corpo logo voltar sua atenção para mim. Olhei para seu rosto, logo percebendo que ele não podia me ver. Seu rosto parecia se preocupar com o tom que saiu da minha garganta e eu deixei de me surpreender com o jeito que ele sempre conseguia me entender. – Quando eu estava aqui no corredor, eu vi uma coisa... Um homem, eu acho. Não sei direito. – Dean ficou com os músculos rígidos e sua expressão no rosto se tornou mais preocupada. Ele parecia saber exatamente do que eu estava falando. – Eu queria te perguntar o que tipo de coisa ele era. Para mim me pareceu ser um vampiro, mas não tenho certeza. Ele pedia muito, mas como se ele fosse capaz de controlar, aquele jeito sumiu como névoa. – Dean suspirou, olhando para a direção onde ele pensava estar meu rosto. Fechou os olhos e suspirou novamente, como pensando em cada palavra que me diria. – Você sabe o que ele era?
– Ele era um vampiro. – sua voz rompeu a escuridão, um pouco mais fria do que o habitual, ainda mais se tratando diretamente a mim, o que me fez notar que ele não estava confortável com aquele assunto. – Um vampiro original.
– Original? – indaguei confusa. – Eu sempre pensei que somente existia uma única espécie de vampiros.
– Todos pensam assim. – ele continuou, desviando seu rosto do meu olhar, voltando-se para frente. – Geralmente esses vampiros são apenas lendas por ai. As pessoas não sabem realmente que eles existem, nem mesmo os outros vampiros, os que você conhece. – ele tentava me explicar, porém tomava muito cuidado com as palavras. – O vampiro que você viu hoje, como aos que você conhece, ele já foi o outro tipo de vampiro.
– Então, ele já foi como os Cullen. Mas, como ele se tornou daquele jeito? – levantei minha sobrancelha, me lembrando da forma sinistra que ele era.
– Ele morreu. – continuou, com a voz fria como gelo. – Ele era um vampiro como os Cullen, mas acabou matando uma pessoa, bebendo todo seu sangue, destruindo sua alma. – um arrepio percorreu minha espinha, ao imaginar. – Entenda, a alma humana é muito frágil e não suporta a escuridão de um vampiro entregue as trevas. Ele morreu, sua alma morreu no momento em que ele matou alguém, no momento em que desistiu de sua humanidade, se tornando o verdadeiro vampiro, como aos que a gente vê naquelas histórias de terror, sem nenhuma humanidade, sem bondade, sem compaixão pela vida humana. Eles são como animais sedentos de sangue, viciados em matar alma inocentes.
Eu estava ficando apavorada com aquela história toda, principalmente por que a questão estava sendo que Dean tinha me trazido para a casa de um vampiro daqueles. Ele era louco? Ainda mais eu estando praticamente morta, inconsciente e muito frágil. Eu podia ter sido morta por aquela coisa e Dean praticamente não fez nada para me proteger. Tinha me levado na toca do leão.
– Dean, como esses vampiros sendo tão perigos, você me trouxe aqui? – indaguei, indignado por Dean e já muito chateado por ele não se preocupar com a minha integridade física. – Eu podia ter sido morta...
– , não é assim. – ele se virou para mim, colocando as mãos em meus ombros, sentindo em minha voz o que eu estava sentindo. – Eu nunca te colocaria em um perigo assim. – passou sua mão pelo meu rosto, com a voz mais doce, como geralmente ele falava comigo. – Você sabe que eu nunca faria isso com você, pois a minha missão é te proteger. – eu fiquei um pouco confusa pelo modo como ele disse que aquilo era uma missão e ele pareceu perceber, como se houvesse dito uma coisa que jamais deveria ter sido pronunciada. – Eu amo você e considero o fato de te colocar em perigo a pior coisa do mundo. Eu jamais, jamais entendeu? Eu jamais arriscaria sua vida numa coisa estúpida como isso. – se aproximando, ele colocou os lábios quentes no meu ouvido, fazendo sua respiração quente arrepiar minha pele. – Eu amo você demais para fazer isso. – ele sussurrou, me fazendo fechar forte os olhos, sentindo suas emoções quentes invadirem meu coração.
Como se sentisse seus próprios sentimentos refletidos em mim, ele voltou-se para frente, tomando uma distancia segura de mim. Consegui recobrar meus sentimentos, me convencendo de que as coisas estavam bem, mas sentindo em meu coração que aquilo não era verdade. Novamente, eu pensava no que seria da minha existência a partir de agora, pois eu me encontrava confusa demais para saber. Dean seria a melhor coisa do mundo, mas dentro do meu coração, eu sentia um fogo fervente que queimava por outra pessoa. Era fora do meu controle, se não, eu mesma já teria arrancado aquele amor de dentro dele, mas seria como arrancar meu próprio coração, como arrancar o motivo da minha vinda ao mundo. Entretanto, eu mesma já sabia que as coisas já não eram como as mesmas. Eu me sentia muito idiota por continuar brincando com os sentimentos de Dean, porém eu não podia evitar que aquilo acontecesse, pois no fundo da minha alma, eu procurava Edward dentro de Dean e pior, eu realmente pensava que poderia encontrar.
Versão Terceira Pessoa:
Quando o Guardião Edward resolveu que ser de Dean era a melhor opção, ele nunca pôde pensar que iria tentar fazer a coisa mais difícil do mundo. Sem mencionar que isso seria como destruir seu próprio coração, entretanto ele nunca imaginou que Yonah relutaria tanto. Quando ele tocou a alma do caçador, se conectando com sua própria alma, como se ambos fossem a extensão de apenas um corpo, ele não foi capaz de perceber que ele estava cometendo seu maior erro. sentiria Edward presente, seu inconsciente perceberia que seu amor estava ali, porém sua consciência apenas perceberia Dean ali e ela acharia que todo aquele amor, todo aquele desejo, era pelo caçador e não por ele. Entretanto, aquilo era como matar a si mesmo. Mas, com a razão e com o coração, ele não se importava. tinha que se apaixonar por Dean, ou pelo menos pensar, para assim se afastar do seu corpo, que provavelmente tentaria matá-la na primeira oportunidade. Ele manteria longe de seu próprio corpo, nem que para isso tivesse que ocupar eternamente um pedaço do corpo do caçador.
“Eu sempre tive estilo.” – se defendeu, colocando as mãos na cintura e olhando indignada para Dean.
“Eu sei disso.” – Dean concordou,se aproximando com pequenos passos de , colocando suas mãos em sua cintura e Edward soube que aquele seria o momento certo. Se aproximou com cuidado, no invisível, para que assim a alma de Miguel não sentisse sua aproximação. Colocou a mão invisível no ombro do caçador, sentindo por um momento as emoções fortes do humano se fundir com as suas próprias, como se eles se fundissem em apenas um corpo. Miguel lutou um pouco, mas o corpo humano o deixava vulnerável demais para ser um Arcanjo, pois sua alma naquele humano era humana. Já a de Edward, no momento em que seu corpo escolhera a escuridão, libertando sua alma, ele havia se tornado novamente um anjo guardador, mas forte do que qualquer criatura terrestre. Edward afundou pelo corpo humano, sentindo aos poucos as emoções cada vez mais fortes, entretanto tendo consciência de que não poderia ficar por muito tempo, pois se não a alma de Dean certamente romperia.
No segundo seguinte, ele já sentia como se estivesse em seu próprio corpo e a alma de Yonah pareceu notar sua presença, estremecendo-se em seus braços, enquanto a presença do amor ficava cada vez mais forte entre eles. Ele aproximou seu rosto angelical com o dela, a fazendo sentir o suave cheiro de álcool em seu hálito, a fazendo reconhecer alguma característica do corpo do caçador que estava sendo usado. Logo a respiração da garota em seus braços ficou ofegante e o coração de ambos gritou ao mesmo tempo. Edward chegou os olhos por um instante, sentindo a alegria de tê-la novamente em seus braços, sentindo o perfume amadeirado invadir seu pulmão, trazendo todo reconhecimento. Dean também estremeceu, mas por outras razões, por que sua alma se tornava cada vez mais insentivel naquele lugar.
O coração da loba e do guardião invisível tornaram apenas um e a ligação entre os dois era tocável e indestrutível. Ao tocar sua pele, a dele estremeceu, cada vez desejando-a mais. Edward se aproximou ainda mais, colocando seus lábios a centímetros do dela, sentindo o sentimento crescendo e ele quase sorriu, por que Yonah já sabia que ele estava ali. Eles se amavam e aquilo era o bastante. Aquilo era fora do entendimento, mas o amor entre eles ultrapassava qualquer limite.
suspirou, sentindo o desejo de o ter novamente, mas sua mente humana, apenas pensava que era o caçador ali. Edward sorriu de lado, com a alegria de poder dê-la. Ele a queria, seu mundo era ela. Ela era a razão pela qual ele lutava, a razão pela qual ele escolheria a morte mil vezes. Aquele amor era a verdadeira razão da sua vida. Continuou se aproximando, lentamente, colocando seus lábios contra o pescoço moreno, fazendo ambos arfar de prazer. A textura de sua pele o deixava louco, era a melhor sensação do mundo, e ele se sentia finalmente na perfeição. , sentindo desejo queimar dentre os dois, sentindo o verdadeiro toque de seu amor, gemeu loucamente, perdendo os sentidos de desejo, desejando cada vez mais o do toque dele.
agarrou suas costas, Edward gemeu, mas o corpo do caçador não imitiu qualquer som. Começando a passar a sua língua quente na pele macia dele, ele quis a enlouquecer, entretanto aquilo também o enlouquecia. O desejo o queimava por dentro, ameaçando explodir seu peito. E ele quis tanto dizer que a amava, que era ele ali, apesar de aquilo ser muito absurdo para se acreditar. Ele queria lhe amar ali mesmo, mesmo sabendo que seu tempo estava acabando. O belo movendo de amor estava prestes a acabar, uma coisa dentro dele o dizia, pois Miguel voltava aos poucos, recuperando seu próprio.
– Dean... – o chamou com desejo, entretanto com a consciência gritando em sua mente. Edward soube que seria difícil, primeiramente por que não escutar o desejo misturado com seu nome era insuportável. Seu coração doeu, mas ele se convenceu de que aquilo era o melhor a se fazer, por mais que doesse. tinha que deixar de amá-lo, mesmo ainda que fosse para amar ou pensar amar outro. Era um estranho modo de a fazer esquecer dele, por que ela estava apenas apaixonada por ele, mesmo não sabendo disso. Era uma idéia maluca, mas Edward já não tinha mais saída. Logo o outro Edward encontraria e ela teria que estar um pouco mais imune a ele. – Por favor... – ao implorar, o coração de Edward também implorou, porém com razões bem diferentes. Era doloroso e saboroso tê-la em seus braços.
– Eu sei que você me quer. – Edward sussurrou em quente em seu ouvido, com o desejo explodindo em seu corpo. Fechou os olhos e respirou fundo mais uma vez, guardando aquele perfume em sua memória. Ele sempre estaria com ela, mesmo que para isso tivesse que sempre emprestar o corpo do caçador. Ela era seu ar, a chama quente que sustentava sua vida, era impossível não se sentir daquela madeira com ela em seus braços. Tudo estava certo agora, tudo estava em seu devido lugar. Era ele quem deveria realmente estar ali, ele sabia. Ambos sabiam. E o amor imortal os possibilitavam a realizar loucuras como essas. – Diz que me quer... – com os lábios formigando de desejo ele voltou a pedir, voltando a beijar o pescoço, agora sem o peço de querer beber seu sangue. Era indescritível e destrutível ao mesmo tempo. Saboroso e de partir o coração. Ele apertou mais o corpo dela contra o dele, sentindo os dois corações batendo no mesmo frenético. O mesmo amor insano queimando entre eles, misturando-se com o desejo ardente de seus corpos. – Diz...
Sem pestanejar, enxergando a alma do amado ali, sussurrou, perdendo de vez o controle de sua mente, deixando Yonah aparecer completamente: - Eu amo muito você, meu amor. – sussurrou virando-se para beijá-lo, com os corações explodindo juntos. – Heath eu te amo.
– Eu também te amo muito minha existência. – ao terminar, sem que se permitissem mais um segundo de tortura, os lábios dela já o devoravam, com saudade e amor. Explodindo juntos, ambos começaram a se devorarem no amor. Ele a apertou mais entre seus braços, enquanto a mesma lhe abraça com força, sem nunca desgrudarem os lábios. Ele passou a mão suavemente a mão pelo contorno do corpo do dela, enquanto a mesma ameaçava arrancar sua camisa. Então, fui quando tudo acabou, no segundo que Dean recuperou sua consciência e continuou beijando a loba, entretanto ela também já não era a mesma, sentindo que já não era deu amor ali. Edward foi jogado para longe, sentindo a forte mão de Miguel em sua alma. Entretanto, a consciência do humano e de sua verdadeira existência não estava despertada o bastante.
Versão :
– Dean. – eu disse, me afastando um pouco dele, como se fosse olhar em seus olhos, mas com a verdadeira intenção de não voltar a senti-lo tão próximo. – Eu ainda me sinto muito confusa. – entretanto ele não quis escutar, me calando com um beijo quente. Ele me apertou contra seus braços fortes, enquanto eu tentava resistir, mas foi quando algo aconteceu e aquele desejo repentino voltou com força, como se não fosse mais Dean ali. E por alguma razão irracional, tudo o que eu queria era beijá-lo, com urgência e necessidade, pois sem ele eu me sentia morrer aos poucos. Era uma necessidade insana, como se eu procurasse por ele há séculos e, uma parte de mim, desejou ardentemente que fosse Edward ali.
– Eu estou aqui com você. – como se ouvisse minhas suplicas interiores, Dean respondeu, entretanto com a voz transformada, com a voz mais doce e mais suave, como eu só tinha visto em apenas uma pessoa. Apertei meus olhos já fechados, imaginando Edward ali. Inacreditavelmente, não foi difícil, pois no segundo seguinte, era como se Edward estivesse me beijando urgentemente, como se o mundo ameaçasse acabar. – E não vou a lugar nenhum, meu amor. – sussurrou entre nosso beijo, mordiscando meu lábio inferior, me fazendo arfar alto de desejo. – Nunca esqueça, eu sempre vou arrumar uma maneira de estar com você.
– Promete? – perguntei com medo, com os olhos fechados, imaginando meu amor ali, apertando ele mais contra meu corpo.
– O que o seu coração diz agora? – ele levou minha mão em meu coração, onde o mesmo ameaçava ter um enfarte. Sorri automaticamente, sentindo o sentimento fervente entre nós. Ele levou minha outra mão até o seu próprio coração, me fazendo notar que, estranhamente, ambos pareciam bater no mesmo ritmo enfartante. – E o que o meu coração te diz? – ele sussurrou com a voz suave, aproximando-se do meu ouvido, logo em seguida dando um selinho atrás da minha orelha, passando a língua suavemente.
– Diz que sempre estaremos juntos. Que não importa nada, você sempre vai estar presente em mim e eu sempre vou estar presente em você. Basta que eu coloque a mão sobre meu próprio coração para entender que você sempre vai estar em mim. Eu amo você e nada jamais mudara isso, Edward. – as palavras voaram para fora da minha boca e eu logo senti medo, Dean estava ali, entretanto era difícil não acreditar que na verdade era Edward.
Como tudo começou na escuridão, as coisas voltaram estranhamente para o seu lugar, como um passe de mágica, o ar a minha volta voltou ao seu normal, gélido e escuro, sem a calma e o amor no qual eu já estava habituada. Dean suspirou, como se voltasse de um mergulho, me fazendo abrir os olhos, encontrando logo seus olhos verdes, no momento em que ele apenas sorriu, como se nada tivesse acontecido. Eu me senti, como de costume, mas uma vez confusa, porém não tinha coragem o bastante para falar do que tinha acabado de acontecer.
– Há muitas diferenças entre os vampiros originais e os vampiros que você conhece. – Dean disse com a voz calma, voltando ao assunto como se ele nunca tivesse partido, me fazendo levantar a sobrancelha e encará-lo com a pergunta estampada no rosto. Ele passou a mão suavemente pelo meu rosto, por um segundo eu tendei encontrar o mesmo toque de antes, mas logo eu percebi que o toque que agora eu sentia era estranhamente diferente, como se antes fosse outra pessoa ali. – E Bobby não é exatamente como os vampiros originais que existem por ai. – ele continuou, colocando sua mão na minha e voltando a andar suavemente pelo corredor, me fazendo acompanhá-lo.
– Como ele é diferente? – tentei saber, tentando esquecer de uma vez por todas o que tinha acabado de acontecer. Muitas coisas estranhas estavam acontecendo, tentei dizer a mim mesma de que eu estava apenas cansada. Talvez aquilo tivesse sido apenas mais uma das minhas loucuras. Eu era louca, sabia exatamente disso, mas no fundo da minha alma, eu sabia que não havia loucuras naquilo ali. Eu sabia o que tinha acabado de presenciar, mas preferi deixar de lado, apenas guardando aquelas últimas palavras para mim mesma. Coloquei a mão no cordão de prata no meu pescoço, procurando o coração azul transparente, logo o segurando entre meus dedos, o sentindo quente como água morna. Dean continuou andando, enquanto eu o seguia, com a outra mão selada na dele, parecendo pensar nas palavras certas para me dizer, não percebendo quando uma lágrima solitária escorreu pelo meu rosto.
– Acho que sei um jeito de te mostrar melhor. – ele sorriu, piscando na escuridão, apontando para mim uma porta no fim de um dos corredores. – Você quer conhecer oficialmente o Bobby? – ele perguntou, com um ar desafiador, ainda sorrindo.
Me encolhi um pouco, pensando nas minhas possibilidades, deixando por hora aquele acontecimento estranho de lado um pouco, me focando no meu presente. Logo assenti, não demorando muito para Dean sentir meu consentimento, sorrindo ainda mais.
– Assim que eu gosto, garota corajosa. – Dean brincou, voltando a ser o mesmo de antes, fazendo meu coração doer um pouco, com uma forte pontada. Era Dean ali e eu era apenas uma idiota. Ou pela pior das hipóteses, eu estava apenas sustando mesmo. Eu pediria urgente para alguém me internar. As coisas estavam piorando e aquela escuridão estranhava me acenava, indicando sua presença. Ela estava fraca como o ar, mas ainda continuava presente, entretanto eu me sentia capaz de controlá-la agora. – Então vamos. – Dean finalizou, percebendo que eu estava demorando demais para fazer qualquer coisa, puxando minha mão, indo em direção a porta. O impedi no mesmo instante, puxando sutilmente a minha mão, não tendo muito certeza de que eu queria voltar a rever o Conde Drácula. Dean olhou para mim, com a expressão de interrogação, voltando-se para mim, enquanto parávamos na frente da porta. – O que foi? – ele perguntou, mas eu não respondi, apenas dando como resposta o meu movimento de abaixar os olhos, mesmo sabendo que ele não tinha uma visão muito boa de mim, ainda mais com aqueles olhos humanos. Entretanto, mesmo não conseguindo visualizar meu rosto, eu tinha a certeza de que sempre sabia o que eu estava fazendo. – Você está com medo? – ele voltou a perguntar se aproximando, me fazendo olhá-lo mais uma vez, fazendo aquela mesma pergunta em minha cabeça.
Não era exatamente medo. Eu apenas não queria sentir aquele fedor horrível. Eu não queria voltar a sentir meu estômago se revirar, como se fosse fugir de mim mesma. E, principalmente, por algum pressentimento besta, eu não queria saber nada sobre os vampiros originais. Tudo o que eu queria era tomar muita distancia deles, pelo menos até que eu estivesse boa o bastante para cuidar eu mesma da minha vida. Era estranho me sentir como uma garotinha amedrontada, mas tudo o que eu não queria era entrar por aquela porta. Como um pressagio, eu não queria conviver com aquilo. Eu não queria saber absolutamente nada.
– ? – Dean levantou suavemente uma de suas sobrancelhas, me encarando como se eu fosse criança demais para saber o que eu queria.
Odiei aquilo no mesmo segundo, pegando novamente a mão de Dean, no segundo seguinte batendo na porta. Eu simplesmente odiava ver aquele olhar nas pessoas, como se eu não fosse capaz de fazer qualquer coisa sozinha. Aquele olhar na minha mãe já era o bastante para mim.
– Entre. – aquela voz sinistra falou do outro lado da porta, fazendo meu estômago se revirar.
Continuei segurando a mão de Dean, até que eu resolvi tomar uma iniciativa, já que Dean apenas parecia assistir meus movimentos, como se não tivesse certeza do que deveria fazer. Empurrei a porta com a outra mão, sutilmente, logo tendo uma boa visão ampla do novo ambiente. Era um tipo de escritório, com grandes estantes e muitos livros, que me pareceu serem muito velhos. Entrei logo em seguida, fechando a porta atrás de mim, com Dean ao meu lado, calado como eu nunca tinha visto. Olhei, mas tranqüila do que eu esperava, para o ser que estava dentro do escritório, sentado atrás de uma gigante mesa, cheio de folhas espalhadas e livros abertos. Assim que nossos olhos se encontraram, ele sorriu, levantando-se agilmente, como se recebesse um grande amigo. Não pude deixar de perceber seus curiosos olhos vermelhos leitosos, mas sentei disfarçar, assim que eu percebi que ele havia percebido que eu o analisava.
Ele caminhou até ficar em minha frente, se curvando em respeito diante de mim, como se ele estivesse na frente de alguma pessoa da realeza. Ameacei dizer que não precisava, mas Dean me interrompeu, colocando sua mão em meu ombro e me lançando um olhar de que eu não deveria interromper o que o vampiro fazia. Assenti logo, voltando meus olhos para o vampiro, o analisando totalmente agora. Ele era alto, tão alto quanto os lobos, com a estatura e a magreza de um daqueles guerreiros antigos. Seus cabelos eram brancos, grande o suficiente para tocar o meio de suas costas. A pele era tão branca quanto o cabelo, me fazendo lembrar dos outros vampiros que eu conhecia, mas percebendo que este vampiro ainda conseguia ser mais pálido. Ele tinha a aparência de um homem de meia idade, com o rosto belo, o que era o habitual dos outros vampiros, mas ele ainda conseguia ser mais elegante do que os que eu conhecida. Seus movimentos eram mais parecidos como ao de um felino, mas eu percebi que ele se esforçava para parecer humano.
– Minha rainha... – ele exclamou ainda se curvando, mas logo voltado a ficar ereto, olhando-me com intensidade, como se me analisasse também, como se não me visse a muito tempo. – Estou feliz por conhecê-la. – se aproximou, sempre sem tirar os olhos do meu. Pegando minha mão, ele deu-me um pequeno beijo no pulso, me fazendo estremecer, entretanto sempre mantendo o controle. – Você ainda é muito graciosa.
– Estou feliz por conhecê-lo. – declarei, sentindo minha voz forte e suave, não demonstrando qualquer medo. Eu tentei sentir algum cheiro, mas tudo o que me chegava era poeira e álcool. – Não pude me apresentar na outra hora. Meu nome é , mas acho que você já sabe... – terminei, percebendo que agora ele sorria, mostrando seus dentes afiados, me deixando na hora chocada, ao focalizar suas pressas afiadas, no lugar onde deveriam estar os seus caninos.
Ele logo percebeu meu olhar, se afastando de imediato, como se me mostrasse que não havia perigo. Tentei sorrir, mas meu corpo estava paralisado. Tentei sentir as emoções de Dean, mas ele apenas assistia calado, olhando o desenrolar da cena em sua frente. Eu perguntei a ele com os olhos o que raios ele estava fazendo, mas logo desisti, notando que ele estava estranho e parecia indeciso do que fazer, como se me levasse embora agora mesmo ou me deixava ali. Ele me olhava como se analisasse se havia perigo.
– Não tenha medo, querida. – o vampiro tentou me convencer, se afastando mais um pouco, olhando de relance para Dean, o mesmo apenas lhe deu um olhar estranho em troca. – Eu sou amigo. – declarou, se aproximando novamente, como se sentisse meus sentimentos em sua própria pele. – Jamais te machucaria, não é Dean? – ele rebateu, olhando para o caçador, com um olhar ameaçador nos olhos vermelhos leitosos. Não obtendo resposta nenhuma, o vampiro voltou-se para mim, com os olhos um pouco tristes, como se o fato de Dean não responder o machucasse. Notei que aquilo se tratava de confiança, pois Dean realmente não havia declarado sua confiança no vampiro.
– Sim Bobby, eu sei que você jamais a machucaria. – Dean disse segundos depois, os mesmos segundos que pareciam ter se arrastado. Com um sorriso no canto dos lábios Dean se aproximou mais de mim, olhando para o vampiro. – Eu sempre vou confiar em você. – ele terminou, como se esquecesse de que eu estava ali, olhando fixamente para o vampiro, com os olhos de ambos interligados, como se iniciassem uma conversa silenciosa. Bobby sorriu e Dean piscou rapidamente, com aquele ar zombeteiro que ele sempre tinha, me fazendo relaxar os ombros, por que o caçador agora tinha voltado.
Dei um passo à frente, me aproximando de Bobby, quebrando o tipo de olhar cheio de cumplicidade que os cavalheiros tinham, sorrindo um pouco, como se realmente me sentisse segura ali. Tentei não olhar em suas pressas no momento em que eu voltei a falar.
– Confiamos em você. – minha voz passou firmeza, no segundo em que eu me curvava um pouco, fazendo o mesmo cumprimento estranho que o vampiro havia me saldado. – Prazer em te conhecer Bobby.
– O prazer é todo meu, minha bela dama. – ele me certificou, sorrindo amigavelmente para mim, dando-me a impressão de já o conhecer. – Espero poder esclarecer todas suas duvidas em questão a minha diferença entre os vampiros que você conhece. – ele falou como se já estivesse dentro da conversa em que eu e Dean tivemos no corredor e eu não tinha duvida nenhuma de que ele tinha ouvido tudo. Ele era um vampiro, com os sentidos melhores até do que os meus, que por sinal não andam me ajudando muito, por que eu simplesmente não consegui me concentrar neles o bastante.
Me lembrei de que fazia muito tempo que eu não me transformava, a última vez havia sido quando Ângela esteve em perigo, quando eu lutei contra o vampiro Christian. Me lembrar dele fez minha espinha formigar, eu nunca antes tinha matado alguém, nem mesmo um vampiro. Lembrando agora, eu percebia que ele também tinha os olhos vermelhos, mas não se parecia em nada com um vampiro original. Como aquilo era possível?
– Vejo que você tem muitas dúvidas em sua cabeça. – o vampiro presente chamou minha atenção, com os olhos me queimando. Ele viu a possibilidade de ele ler meus pensamentos se passar pelo meu olhar e logo continuou a tentar esclarecer minhas questões, como um velho amigo. – Não se preocupe, não estou lendo sua mente, mas posso sentir suas emoções. – eu sorri, agradecida, no mesmo segundo. – Vamos nos sentar. - ele apontou a gigante mesa em nossa frente, logo se aproximando dela e puxando uma cadeira, olhando diretamente para mim, para que eu me sentasse.
Dean e eu andamos silenciosamente até a mesa, enquanto o vampiro dava a volta e voltava a sentar em seu lugar, na frente de nós. Dean esperou até que eu me sentasse para ir até seu lugar, se sentando ao meu lado, puxando um pouco a sua cadeira para mais perto, colocando sua mão encima da minha, olhando brevemente para mim, com os olhos transbordando carinho. Olhei para meus pés descalços, sentindo todos os olhares do escritório em mim. Voltei meus olhos para Bobby a minha frente, com o olhar de quem estava preparada. Bobby percebeu, logo eu percebi que aquilo era natural. Ele voltou a falar, sem nunca tirar os olhos dos meus, mas antes ele passou os olhos pelo pequeno cordão de prata que estava em volta do meu pescoço, focalizando-se no pequeno coração azul transparente. Como se sentisse as coisas, ou soubesse demais, ele olhou para a mão de Dean encima da minha, mas eu logo percebi que o que ele olhava era outra coisa. Seus olhos se focalizaram no pequeno anel que estava no meu penúltimo dedo, antes do dedo mindinho. Ele olhou com intensidade para o delicado anel em meu dedo, como se soubesse exatamente o que ele significava.
Eu nunca havia arrancado do dedo aquele anel de compromisso que Edward havia me dado, mesmo sabendo que era doloroso olhá-lo todos os dias, mas aquilo era como uma força de eu sentir Edward por perto. Aquele anel, mesmo que fosse doloroso, era a única coisa que eu tinha de Edward. Corei no mesmo instante sob o olhar do vampiro, olhando no mesmo instante para baixo, também olhando meu anel. Depois, voltei meus olhos para os olhos vermelhos e eles me lançaram um olhar de compreensão que eu não consegui explicar. Era como se ele soubesse exatamente de tudo, principalmente da dor que eu havia sentido ao perder Edward, como se ele estivesse lendo a minha alma.
– Me diga querida, quais são suas dúvidas. – ele voltou a falar, calmamente, olhando de relance mais uma vez para meu cordão de prata, porém desta fez eu não tive medo.
– Como matamos um vampiro original? – nem eu mesma sabia de onde tinha saído aquela duvida, mas meus lábios naquele instante me pareciam ter vida própria. O vampiro pareceu se surpreender por um instante com a pergunta, mas logo voltou a sorrir, cruzando os braços encima da mesa.
– Com uma estaca de prata. – ele percebeu que eu me surpreendi, porém continuou falando. – Mas, não pode ser uma simples estaca de prata, antes ela tem que ser enfeitiçada por algum cigano. Geralmente não pode ser qualquer cigano, porque para a estaca funcionar, para ela matar um corpo já morto, ela tem que ser batizada com uma alma pura. Não é fácil encontrar uma alma assim, já que se trata de almas de anjos. – Dean ficou rígido ao meu lado e eu me surpreendi ao escutar aquelas palavras. Não deveria, mas o fato de saber que anjos verdadeiramente existiam por ai me assustava. Novas perguntas se formaram em minha mente, entretanto Bobby prosseguiu. – Para que a estaca funcione de verdade um anjo tem que sacrificar sua alma. Não é fácil, acredite, não por que os anjos não querem ajudar, mas por que os anjos não estão neste mundo. Uma vez ou outra um aparece , caído, expulso do céu, mas não é fácil convencê-lo a ajudar, por isso são muito poucas as estacas.
– Expulsos do céu? – eu exclamei sem pensar, tentando entender. – Nunca imaginei que anjos fossem expulsos.
– Na verdade é muito raro. – Bobby lançou um olhar estranho para Dean, mas logo se voltou para mim. – Houve apenas uma vez, quando um exercito caiu.
– E o que aconteceu? – indaguei muito curiosa. Dean apertou minha mão, me fazendo olhá-lo, logo percebendo que ele parecia distante, com os olhos fixados em Bobby.
– A coisa ficou feia. – Bobby sussurrou, olhando seriamente para mim, com os olhos perdidos no passado. – A coisa ficou muito feia, garota.
– Chega! – Dean exclamou com raiva, se levantando da cadeira, olhando para Bobby com um olhar raivoso. – Ela não quer saber nada sobre anjos.
– Mas eu quero. – eu também exclamei o contrariando, olhando para ele com um olhar indignado. O que havia de tão secreto que ele não queria que me contassem? O que os anjos tinham de tão errado que ele não me deixava saber? Agora eu queria saber. O que tinha acontecido depois? O que Bobby disse sobre as coisas terem ficado feias?
– , por favor, não discorde de mim. – Dean pediu olhando para mim, me deixando ainda mais confusa, olhando naqueles olhos verdes suplicantes. – Não há nada de interessante com os anjos. É só um monte de história velha, que nem todos acham que é verdade. – ele pareceu estar surtando, voltando-se para Bobby. – Você está vendo algum anjo aqui? – ele perguntou, olhando para Bobby, com os olhos fora da orbita normal. Eu não conseguia entender o motivo dele estar tão nervoso. Mesmo se fosse história velha, como ele mesmo havia acabado de dizer, por que ele se importava tanto?
– Não, nenhum, garoto. – Bobby respondeu, mas eu percebi que era contra sua própria vontade.
– Então, pare com essa história. Estamos aqui para a saber sobre os vampiros originais, não para você dizer um monde de baboseira.
– Tem outra pergunta querida? – Bobby voltou-se para mim, com a voz alma como uma brisa. Seus olhos pareciam me dizer algo, mas eu não consegui ter certeza.
– Não. – respondi secamente, olhando para Dean. – Não tenho mais nenhuma, Bobby. – olhei novamente para o vampiro, sorrindo, mentalmente pedindo desculpa.
– Tem certeza? – ele insistiu.
– Tenho. – me levantei, ficando ao lado de Dean, ainda encarando o vampiro. – Muito obrigada por tudo. Acho melhor irmos. – olhei para Dean, sentindo meu olhar triste sobre ele. Ele apenas pareceu lamentar, mas não disse nada. – Desculpa por qualquer coisa Bobby. Foi um prazer conhecer você. – me virei, com a intenção de ir até a porta, mas a mão de Dean no meu braço me impediu. Olhei para ele, encontrando apenas um olhar culpado em seus olhos. Resolvi também não dizer mais nada, baixando meus olhos, tudo já tinha sido o bastante.
– Desculpa. – Dean sussurrou, se aproximando de mim, com o som de sua voz quase não saindo de seus lábios. O tom triste que saiu fez meu estômago se revirar um pouco, mas eu não voltei a olhá-lo, como eu sabia que ele queria. Eu apenas continuei olhando para meus próprios pés descalços, até que ele voltou a falar. – Não fique triste, minha pequena. Só saiba que tudo o que eu faço tem alguma razão. Não queira saber sobre os anjos, eles não são importantes. São apenas criaturas que trazem morte e dor, acredite em mim. Eles já fizeram o bastante neste mundo. Não queira morrer também.
Olhei agora para seu rosto, incrivelmente próximo do meu, sentindo meus sentimentos mudarem com seu tom de voz. Fixei meus olhos nos verdes de seus olhos, podendo alcançar uma tristeza sólida, me deixando também triste. Assenti suavemente, com um movimento lento, sem tirar meus olhos dos seus, sabendo que tudo o que ele fazia era por alguma razão. Eu não sabia o que ele queria dizer sobre os anjos serem uma coisa ruim, ou tampouco sobre as mortes, mas sentia em meu coração que Dean apenas estava tentando me manter afastada de mais perigo. Dean sempre tinha suas razões, mesmo que não parecesse por vezes certo para mim. Eu queria saber sobre os anjos, uma necessidade estranha de mim me consumida por dentro, mas por hora eu apenas iria fazer o que Dean estava querendo. Não por medo, mas por cansaço de provocar mais um confronto. Principalmente com Dean, que não merecia nada daquilo. Eu também não queria perdê-lo. Na minha vida já havia perdas o suficiente. Era justo deixar Dean ficar.
– Tudo bem, Dean. – resolvi ceder um pouco, logo vendo um sorriso se formar no canto de seus lábios. – Mas só por agora. – seu sorriso paralisou, mas senti seu corpo se acalmar um pouco. – Não quero te afastar também da minha vida.
– Não importa o que aconteça, você nunca vai me afastar da sua vida. – respondeu no mesmo segundo, enquanto as palavras ainda saiam dos meus lábios.
Bobby pigarreou, limpando a garganta, discretamente, como se aquele momento fosse intimo demais para que ele presenciasse, fazendo Dean e eu olharmos para ele no mesmo instante. Sorri apenas, logo tendo um sorriso caloroso no mesmo instante, me fazendo lembrar um pouco de Carlisle, só que em uma versão mais sombria e que certamente, mesmo sem aquele fedor todo, cheirava muito a álcool. Vampiros bebiam? Tai mais uma pergunta, entretanto eu apenas resolvi deixar aquela para outra hora oportuna. Dean voltou seus olhos para mim, sorrindo, logo dizendo com a voz calma e cheia de carinho:
– Vamos?
– Vamos. – confirmei, sorrindo, sentindo o carinho fraternal crescer entre nós. Era até estranho lembrar do que tinha acontecido, pois naquele momento, olhando e sorrindo para Dean, não me parecia tudo ter acontecido com a mesma pessoa. Olhando em seus olhos calorosos, eu não conseguia acreditar que me sentia tão apaixonada por ele em uma hora, já que naquele momento, retribuindo seu sorriso, eu apenas sentia um carinho muito grande por ele. A confusão ameaçou voltar, mas eu apenas resolvi não voltar a pensar naquilo. Era apenas Dean ali, não havia explicações para mudar isso. Se eu me sentia apaixonada, mesmo que eu não acreditasse, deveria sentir aquilo em relação à Dean. Não tinha outra explicação melhor.
Bobby se levantou, andando em minha direção, fazendo aquele cumprimento novamente, curvando-se em minha frente, em sinal de respeito. Desta vez eu apenas sorri, já sentindo algum sentimento amigável em sua relação, deixando aquela má impressão esvanecer completamente. Em seguida, também me curvei sutilmente, sorrindo, olhando de relance para suas pressas, mas elas não voltaram a me afetar tanto.
– Foi um prazer conhecê-la. – ele declarou com a voz calma, colocando seus lábios frios em meu pulso, o deixando suavemente. – Sempre terá um lugar aqui para você. Lembre-se disso quando as coisas apertarem em Forks. – ele disse aquilo como se houvesse duplo sentido, me fazendo estremecer um pouco, mas logo passando, enquanto eu tentava apenas sorrir.
– Eu me lembrarei.
– Ótimo. – Dean também concordou, olhando para Bobby, com um lampejo de tristeza passando-se em seu olhar. Abriu a boca e pareceu procurar as palavras, mas Bobby já parecia ter entendido.
– Não se preocupe. – Bobby logo disse, colocando uma mão no ombro de Dean, o mesmo apenas assentiu, com os olhos um pouco mais calmos. A cumplicidade ali era tocável. – Sempre volte quando puder. E quando precisar, me chame, estarei lá no mesmo segundo. – outra frase que me pareceu ter duplo sentido, mas eu apenas fingi não perceber, passando meus braços envolta do meu corpo, sentindo um tremor percorrer minha espinha.
Dean voltou-se para mim enquanto se despedia silenciosamente do amigo. Bobby picou para Dean, e eu pude perceber de onde Dean havia tirado aquela maneira galanteadora de piscar. Logo saímos do escritório, enquanto Bobby ficou parado na porta, nos vendo partir pelo corredor que Dean parecia conhecer tão bem. Não demorou muito até que o cheiro de Bobby se transformasse em um suave fedor, entretanto já estávamos longe para que isso chegasse a me incomodar de fato. Continuamos seguindo, sempre em silêncio, com Dean nos guiando pela escuridão. Mesmo sem enxergar totalmente, ele parecia conhecer tão bem aquele lugar que me impressionou.
Resolvi não dizer mais nada, apenas parando um pouco de pensar nas coisas, me sentindo um pouco cansada, com os ombros pesados. Realmente tinha sido um dia muito cansativo. Quando eu recebi aquela ligação de Bella, nunca pensei que minha vida fosse mudar tanto. Resolvi não voltar a pensar nisso, já que o fato de Jacob ser meu irmão não me incomodava, mas o fato de Ben não ser meu pai me matava por dentro. Era estranha aquela situação e ao mesmo tempo absurda. Deixei aquela história toda esquecida em algum lugar qualquer dentro de mim, apenas me concentrando nos tons escuros que se passavam diante de meus olhos. Eu não queria voltar a pensar, tampouco pensar nos meus problemas.
Continuamos seguindo durante alguns minutos a mais, ainda silenciosos, até que uma sala iluminada se fixou diante de nós. Sam estava sentado em um sofá, logo percebendo nossa presença, levantando-se imediatamente, com os olhos brevemente se passando em mim e na mão de Dean selada com a minha. Não olhei muito em seus olhos, mas brevemente foi o suficiente para ver seu nariz ainda machucado, um pouco amassado, provavelmente quebrado ou fraturado. Dean também pareceu notar, logo olhando para Sam com a interrogação em sua expressão. Não demorou muito para que ele declarasse a pergunta em voz alta.
– O que raios aconteceu com o seu nariz?
– Eu acabei tentando encontrar a por mim mesmo e quanto fazia isso acabei caindo na escuridão desses corredores. – ele inventou uma desculpa, olhando brevemente para mim, como para se certificar de que eu não o contrariaria. Não disse nada, apenas o olhando. Ele pareceu ficar mais tranqüilo, voltando seus olhos para o irmão. – Não foi nada demais. Logo ele vai estar novo em folha.
– Parece estar quebrado. – Dean observou e eu me controlei muito para não rir. – Deixa eu dar uma olhada. – Dean ameaçou ir até onde Sam estava, mas o mesmo o interrompeu.
– Está tudo bem. – ele percebeu que o irmão ainda tinha duvidas. – Sério Dean. Ele não está quebrado, não se preocupe. – quis acalmar o irmão, afastando-se um pouco, sabendo que se Dean observasse muito, logo descobriria que aquilo havia sido um soco. – Tudo o que eu quero é ir embora. – ele pareceu estar sendo atormentado pelo lugar e eu me perguntei se o vampiro original teria alguma coisa haver sobre isso. Mas logo percebi, com meus sentidos aguçados, que Bobby não era o único vampiro naquele lugar. Como eu não pude perceber aquilo antes? Onde a minha cabeça estava? – Será que a gente poderia ir? – ele perguntou para o irmão, com um olhar interrogativo.
– Já estamos indo Sammy. – Dean concordou com o irmão, fazendo Sam pareceu mais despreocupado. – Vou pegar algumas coisas e já vamos. – Dean me lançou um olhar e logo desapareceu no corredor atrás de nós, deixando Sam e eu completamente sozinhos.
Cruzei meus braços ao redor do corpo, encarando Sam com os olhos raivosos, enquanto minha expressão permanecia fria. Seus olhos desviaram dos meus, com culpa, mas eu continuei o encarando, ainda fazendo os mesmas perguntas de antes. Tudo o que eu queria saber era os motivos, mas eu sabia que ele não iria me responder. Dean havia dito que sempre ficaria ao meu lado, mas eu não o obrigaria a escolher entre mim e o seu irmão. Era injusto com ele. Ele já havia perdido pessoas demais nesta vida e não seria eu a causadora de mais uma perda. Por Dean, apenas por ele eu me calaria.
– Toma e seu. – Sam me entregou o meu celular. – Ele tocou bastante. – ele saiu da sala, saindo por uma porta. Enquanto ele saia eu pude perceber que lá era o lado de fora, onde o sol queimava e os pássaros cantavam.
Me perguntei onde estávamos, olhando para o meu próprio celular, observando que havia treze chamadas perdidas. Suspirei, apertando as teclas para ver de quem eram. Nove eram do meu irmão e três eram... Eram do Edward. Eu fiquei chocada, me perguntando por que ele me ligaria. Desde o dia em que nos despedimos no hospital, ele nunca voltou a me ligar. Nenhuma ligação, nenhuma notícia. Agora, depois de muito tempo, ele estranhamente resolveu me ligar. Meu coração congelou no peito, enquanto eu resolvia retornar as ligações. Disquei seu número, logo escutando o som dos toques. Tocou algumas vezes, meu coração se apertava e eu já não conseguia mais respirar pela expectativa de voltar a escutar o som da sua voz. Chamou, chamou e depois de segundos que se arrastaram caiu na caixa postal. Suspirei aflita, me prometendo que não ligaria outra vez, sentindo meu coração doer no peito. Eu queria pelo menos escutar o som da sua voz... E estava arrasada por isso não ter acontecido. Eu havia criado esperanças demais neste curto tempo; esperanças essas que eu mesma havia demorado muito para conseguir sufocá-las em meu peito.
– , o que foi? – Dean me assuntou, voltando do corredor, parando ao meu lado. – Você está bem? – eu quase ri percebendo que aquela era a segunda vez que Dean me surpreendia daquele jeito. Porém, eu coração estava assustado demais para que eu conseguisse mover qualquer célula do meu corpo. Dean viu alguma coisa que o assustou em meu olhar, o fazendo se aproximar de mim, largando as coisas que ele tinha em sua mão, vindo colocar suas mãos em meu ombro.
– Estou bem. – consigo dizer depois de um tempo, recuperando minha sanidade, olhando para os olhos verdes do caçador, tentando sorrir para arrancar do seu rosto aquela expressão preocupada. As imagens de Edward passam-se em minha mente, enquanto eu fecho os olhos por um segundo, me esforçando muito para conseguir respirar. Abro meus olhos, suspirando e encostando minha cabeça no ombro forte de Dean, desolada. Minha mente se arrastava para trabalhar, mas eu lutava para tentar arrancar aquela pessoa da minha vida e da minha mente. – Edward me ligou... – tentei explicar, percebendo que o corpo de Dean ficou rígido na mesma hora com a notícia. – Por quê? – perguntei a mim mesma, sentindo os braços fortes de Dean passarem ao meu redor em um abraço carinho e reconfortante.
Dean suspirou e fechou os olhos, com seu coração batendo freneticamente no peito quente. Eu lutava para esquecer qualquer coisa, senão estar naquele lugar. Afinal, eu tinha deixado tudo para me recuperar e esquecer. Só que aquela ligação havia me pegado despreparada, eu nunca estaria esperando aquilo. Meu celular vibrou em minha mão, me fazendo olhá-lo. Havia uma nova mensagem de voz e eu apenas coloquei o aparelho no meu ouvido e apertei o botão esperando. Antes que qualquer coisa acontecesse, senti os músculos de Dean protestarem, mas já havia sido tarde demais. Antes que eu pudesse voltar a pensar e jogar o celular longe, a voz invadiu minha mente, me provocando dores inimagináveis. Eu não estava preparada para ela.
“...” – a voz de Edward falhou do outro lado da linha. Fechei os olhos com força e mordi meu lábio inferior com toda minha força, gritando para mim mesma de que eu deveria jogar aquele aparelho longe. Não, não, não. Não agora! Aquilo não podia estar acontecendo. Eu rezava mentalmente para que aquela tortura fosse embora.
“Minha ...” – ele disse as palavras pausadamente, como se relutasse ao dizê-las, suspirando no final. Eu pude sentir uma dor em sua voz, me fazendo querer chorar amargamente. Mas, ao invés de mostrar minha dor, eu apenas apertei mais meus olhos e também enrijece o corpo. Naquela hora eu soube que aquele era um pequeno progresso. Seria difícil não ficar tão mexida, mas eu tentaria. Eu não me martirizaria como andava fazendo. Não era justo. Edward havia feito suas escolhas, agora teria que sobreviver com as minhas.
“Você precisa voltar meu amor. Volta pra mim.” – ele voltou a falar suas últimas palavras do outro lado da linha, com a voz suplicante, dolorida, mas alguma coisa dentro de mim apenas sentiu repulsa, se remoendo, como uma dor de estômago e eu não consegui explicar por que daquilo. Era Edward quem falava, o homem que eu tanto amava, mas havia uma mudança em sua voz – uma mudança que parecia insignificante, mas tão perceptível – que me chocava, que me dava medo e muita repulsa. Havia uma frieza em sua voz que me apavorou e tudo o que eu quis foi gritar, me esconder. Alguma coisa dentro de mim – uma coisa fora da razão – que alguma coisa estava muito errada. Difícil explicar, mas eu me sentia atraída e com nojo.
“Por favor, meu amor, volte para mim.” – Eram as palavras certas, mas pareciam tão erradas. Era a voz do amor da minha vida do outro lado da linha, a voz do único anjo que parecia ter o poder de curar minhas feridas, mas algo me deixava apavorada. Eu não conseguia saber se era pelo tom um pouco frio, assustador, mas eu definitivamente estava com medo.
Logo sua voz desapareceu repentinamente e a mensagem gravada havia acabado. Meu coração pareceu dar voltas dentro do peito. Sensação estranha, eu pensei, colocando a mão no peito. Eu me sentia com medo e não conseguia acreditar que eu um dia, sequer imaginaria poder ter medo de Edward. Era apenas Edward, mesmo que sua voz estivesse diferente, um pouco distante, um pouco mais fria do que o habitual – eu tentava me convencer. Não havia nada errado. Edward nunca deixaria de ser Edward. Então, por que você está com medo? Eu me perguntei, sentindo as mãos fortes de Dean envolta do meu quadril. Olhei na direção de seu rosto, encontrando seus olhos fixos em mim. Seus olhos pareciam querer me dizer uma coisa, mas eles apenas continuaram silenciosos, olhando-me com uma dor que eu não consegui entender de início.
– Você quer voltar? – ele perguntou, quando eu decidi não olhá-lo mais, enterrando meu rosto em eu peito, sentindo o seu suave queiro de álcool. – Você quer voltar? – seu peito fez um grunhido estranho enquanto ele falava, com a voz mais abafada do que o normal. – Pelo Edward? – notei que para ele era doloroso falar o nome de Edward, com seu coração habitualmente forte, falhando muitas vezes.
– Não vou voltar Dean. – respondi com uma confiança que nem eu mesma conhecia, voltando a encontrar seus olhos. – E se eu fosse não seria pelo Edward. – ao terminar de dizer, percebi que parecia que minhas palavras tiraram toneladas do seu ombro, mas seus olhos ainda continuaram a procurar com dúvida em mim. Eu me senti mais confiante, como se recebesse ajuda extra.
Edward provavelmente estava em Forks, ao julgar por suas palavras. Ele já deveria saber que eu havia ido embora. Provavelmente deveria ser por isso que ele havia voltado. Para me fazer voltar também. Era por isso que ele havia me ligado, para me fazer mudar de idéia. Com toda certeza que eu ainda tinha, eu sabia que ele havia pensado que eu fui embora por que estava difícil demais sem ele. Ele acha que era tudo para mim. E ele é, eu admito, mas eu não voltaria por ele. Não fazia diferença. Não agora. Ele havia embora, havia me deixado, eu apenas estava tentando seguir em frente. Realmente estava tentando deixar toda aquela droga de impriting para trás. Era difícil, mas eu estava à procura de uma nova vida. Uma vida na qual não existia lugar para Edward Cullen. Não se ele apenas se sentia obrigado a voltar por pena ou por culpa. Isso eu nunca aceitaria. Mesmo se a minha real vontade fosse correr para os seus braços. Eu não faria isso. Desta vez eu seria forte. Eu escolheria outro caminho.
Dean ainda não pareceu estar convencido e eu resolvi usar outros meios para convencê-lo. Aproximei meu corpo mais do seu – se é que poderia ficar ainda mais próximo. Olhei profundamente para seus olhos, deixando meus olhos lhe falar coisas que nem eu mesmo conseguia encontrar as reais palavras. Eu havia feito tudo errado, mas agora eu continuaria me arriscando. Havia procurado em Dean o Edward que eu tanto precisava, sem notar o homem maravilhoso que ele era. Eu poderia ser feliz. Desta vez eu queria tentar. Tentar de verdade, não como Jacob. Com Jacob havia apenas culpa, com Dean esperanças. Dizendo tantas coisas em um olhar hipnotizante, eu aproximei meu rosto do seu belo rosto, colocando minha mão em seu pescoço, sentindo nosso olhar começar queimar. O beijei com todas as minhas forças, mesmo que no fundo que apenas desejasse encontrar outros lábios. O beijo começou suave, sem aquele desejo sobrenatural, mas aos poucos a coisa foi esquentando, me dando mais certeza do que eu realmente queria. Dean me apertou mais contra seus braços, rosando nossos corpos, se entregando também ao nosso beijo, abandonando aquela relutância toda que existia dentro dele.
– ... – ele tentou desgrudar nossos lábios, com medo, com dúvidas se era certo me deixar, mesmo que eu amasse outro. Não deixei que ele continuasse, continuando a o beijar, sentindo meu corpo começar a esquentar com uma chama intensa de desejo. – eu não sei se... – continuei impedindo ele de tirar seus lábios quentes dos meus.
– Não diga nada. – eu respondi, tomando cuidado para não o deixar fugir, usando o desejo que eu sabia que ele tinha por mim, colocando meu dedo sobre seus lábios carnudos. – Dean, eu quero você. – declarei, sentindo meu coração doer, mas eu não consegui me decidir o motivo – ou o amor insano por Edward ou pela simples e verdadeira confirmação de que eu o queria.
– Mas você não me a.. – o beijei novamente, não o permitindo terminar. Era errado fazer isso, eu sabia, mas não o deixaria escapar tão facilmente. Se ele realmente me queria, ele não iria me rejeitar daquele jeito, com a desculpa de que eu não o amava. E não rejeitou, assim que eu coloquei minha boca na sua, sua boca começou a me devorar com fome, como se eu fosse à única coisa na terra que ele verdadeiramente desejasse.
Ele passou a mão no contorno do meu corpo, parando na curva do meu quadril, logo descendo até minha bunda, onde ele apertou com vontade. Senti algo queimar ainda mais dentro de mim, meus lábios gemeram suavemente e eu já estava completamente entregue as suas caricias. Arranhei suas costas, desejando que nossas roupas desaparecessem. Passei uma de minhas pernas envolta do seu quadril, o puxando mais para mim, sentindo seu sexo ereto sob a calça rosar minha meu sexo. Eu não sabia de onde vinha, mas logo um desejo selvagem me domou, me fazendo desejá-lo mais do que qualquer coisa no mundo. Eu o queria, com um desejo que chegava a doer. Eu o queria e queria agora.
Algo dentro do meu baixo abdômen vibrou descontroladamente e eu soube que não poderia esperar mais tempo. Era errado querer ele daquele jeito, era errado querer ir para cama com ele, mas já não conseguia mais me importar com nada daquilo. Toda minha vida, tudo pelo que eu acreditava, tudo o que eu amava, naquele momento havia se perdido em qualquer lugar dentro de mim. Não havia mais nada ali. Era apenas eu e ele agora. Eu o queria e também tinha a certeza de que ele também me queria, até mais do que eu poderia chegar a desejá-lo. Seu corpo clamava pelo meu, assim como o meu clamava pelo dele. Não havia culpa e nem medo. Tudo o que eu sabia era que seria dele. Era a única coisa que eu desejava. Naquele momento, ele era a única coisa que eu amava.
Ele passou seus lábios para o meu pescoço, mordiscando e chupando, me fazendo arfar de gemer, fechando os olhos, colocando uma das minhas mãos em seu cabelo macio, delicadamente o puxando ainda mais para mim. Me esfreguei ainda mais em seu corpo, um gemido rouco saio de seus lábios. Sua mão apalpou um dos meus seios e eu entrei em êxtase, morrendo de tanto desejo. Eu já não conseguia pensar em mais nada, no mundo havia apenas nós dois.
Como sempre, eu estava errada. Sam entrou novamente na sala, batendo a porta atrás de si com força. Dean e eu nos separamos como se tivéssemos levado algum tipo de choque. Olhei brevemente para seus olhos verdes e por alguns segundos, vi um outro tipo de verde brilhar ali – um mais claro, mas calmo, sereno e cheio de amor, como esmeralda liquida. O tom dos olhos de Dean geralmente eram mais escuros, como uma esmeralda sólida. Imediatamente me lembrei dos olhos do espelho, reconhecendo-o por um segundo nos olhos de Dean. Entretanto como um borrão, logo os olhos quentes e fortes de Dean voltaram ao normal e eu me perguntei se realmente havia notado aquela breve mudança.
Dean voltou a se aproximar de mim, pegando a minha mão, entrelaçando nossos dedos, enquanto ele encarava com expressão zangada seu irmão. Sam pareceu estar constrangido de ter interrompido, cruzando os braços, sem que seus olhos passassem por mim. Acho que cada vez que ele sai, ele se perguntava se eu havia dito alguma coisa para Dean. Em todo caso, era melhor ele sempre estar na dúvida. Eu não queria arriscar e deixá-lo pensar que eu tornaria as coisas fáceis para ele.
– Desculpa. Ta? – Sam se desculpou, movimentando os braços aflito enquanto falava. – Eu só vim ver por que vocês demoravam tanto. – esclarecer. – Agora eu sei por que. – ele fez uma careta enquanto falava, desviando seus olhos com ironia, fazendo Dean o olhar ainda mais zangado, me deixando rígida ao seu lado. Parecia que eu não era a única que tinha descoberto que Sam tinha algum problema sério comigo. Pena que Dean não podia enxergar o quão longe o irmão tinha chegado por causa disso. Suspirei e resolvi deixar as coisas mais tranqüilas entre os dois.
– Melhor a gente ir indo, meninos. – disse como se o clima não estivesse pesado ao nosso redor, fazendo uma parte de mim se apagar completamente, esquecendo o que Sam havia me feito. Agora, eu apenas queria umas boas horas de sono e não ter nenhum problema para resolver, principalmente ter que agüentar qualquer clima pesado em volta de mim. Já estava sendo difícil demais conviver com o meu coração despedaçado. Já era o suficiente para eu ter que fingir que eu não dava a mínima para a ligação de Edward. Só Deus e eu sabíamos como por dentro eu estava arrasada. E mesmo assim, eu estava ali, tentando deixar as coisas mais tranqüilas, como se nada fizesse acontecido. Coloquei a minha mão livre na cintura, lançando uma piscadela para Dean e me esforçando muito para sorrir, mesmo que friamente, na direção do irmão mais novo. – Melhor vocês relaxarem crianças. – o clima logo foi se suavizando ao som da minha voz, me fazendo gostar ainda mais da brincadeira. Dei um beijo rápido no rosto de Dean, um beijo travesso, arrancando a chave do carro do bolso de trás da sua calça, ainda rindo. Ele não percebeu de início o que eu havia feito, me fazendo sorrir ainda mais. Andei em direção a saída, girando a chaves em meu dedo indicador, olhando sacana para Dean. – E desta vez eu dirijo, meninos. – lancei um beijo no ar provocante para Dean, como se eu estivesse roubando uma coisa muito poderosa e lhe esfregasse na cara. Gargalhei alto ao terminar de sair da sala, tendo uma visão nada agradável de Dean, com o rosto vermelho de raiva, um tanto surpreso, enquanto ele exclamava algum palavrão.
Continua está esta muito legal eu amei a sua historia ela me envolveu de verdade parecia que eu estava sentindo tudo que a personagem sentia parabens você escreve muito bom. ;)
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